11.8.14

Origens do Islamismo



O Islamismo originou-se nas redondezas da cidade de Meca, na atual Arábia Saudita, por volta do ano 600 d.C. Naquela época, um pequeno mercador chamado Maomé relatou que, em um de seus retiros espirituais, recebeu a palavra divina através do anjo Gabriel, que lhe revelou a existên­cia de um único Deus (chamado Alá), criador do mundo e juiz de todos os homens. Disse ainda que o Paraíso só seria atingido pelos homens que amassem a esse Deus com sinceridade absoluta, a ele dirigissem suas preces diárias e praticassem a caridade por toda a vida.

Maomé realizava a pregação do islamismo especialmente no povoado em que vivia, Meca, que nessa época era o centro de cultos politeístas e para onde se dirigiam milhares de peregrinos to­dos os anos. A nova religião pregada por Maomé era monoteísta e, por isso, ameaçava essas cren­ças, pondo em risco os negócios dos comerciantes locais. Por isso, Maomé passou a ser perseguido e ameaçado de morte. Para proteger-se, fugiu para um povoado vizinho, chamado Iatrebe, onde con­quistou proteção e apoio popular. Logo conseguiu unificar e chefiar várias tribos regionais, criando um poderoso exército.

O exército de crentes formado por Maomé pas­sou a atacar caravanas que se dirigiam a Meca, en­riquecendo e ampliando seu poder. As constantes vitórias fortaleceram a unidade do grupo e chama­ram a atenção de novas tribos, facilitando a expansão do islamismo. Maomé fundou, então, o Islão, um Estado teocrático, com sede na cidade de Iatrebe, que passou a ser chamada de Medina (Cidade do Profeta). Foi a partir dessa época que o termo islamita começou a designar a pessoa que vive no Islão e segue a religião islamita, e o termo muçulmano, a significar aquele que é fiel e se submete ao islamismo.



Dentre os rituais seguidos pelos que fazem a peregrinação à cidade devisita ao santuário em forma de cubo conhecido como Caaba, local existente desde a época de Maomé.

Maomé foi o construtor da primeira mesquita, es­tabeleceu a cobrança do dízimo entre os crentes e es­creveu os princípios doutrinários do islamismo num livro chamado Corão. O Corão é considerado depo­sitário direto das palavras de Deus, ditadas a Maomé por um anjo. Seu credo, baseado na Lei Islâmica (Sharí'a) é constituído por seis normas básicas, co­nhecidas como os pilares do islamismo. São elas:
Shahada - a constante confissão de fé;
Salat - o culto através das preces, cinco vezes ao dia;
Zakat - os atos de caridade através da esmola e do dízimo;
Hadj - a peregrinação dos homens a Meca ao me­nos uma vez na vida;
Saum - o jejum no Ramadã (mês sagrado do ca­lendário muçulmano);
Jihad - a guerra santa.

Apesar das regras básicas, com o passar do tem­po surgiram pequenas diferenças ritualísticas e interpretativas que sepa­raram os seguidores do islamismo em diversos grupos, sem, no entanto, quebrar sua unidade cultural e reli­giosa. Destacam-se, entre essas dife­rentes vertentes, dois grupos:


Sunitas (fiéis, à tradição)

Formam o grupo mais numeroso do islamismo nos dias de hoje. São aqueles que seguem a Sunnan, ou seja, a práti­ca do profeta. Segundo os sunitas, as palavras e os atos de Maomé devem ser seguidos durante toda a vida. Os muçulmanos sunitas ca­racterizam-se por sua moderação política e pelo forte senso comuni­tário.


Xiitas (seguidores de Ali)

Surgiram após a morte do quarto califa (primo e genro de Maomé, chamado Ali). Após sua morte no ano de 656, teve início a divergên­cia que até hoje separa esse grupo dos sunitas. Os xiitas passaram a acreditar que somente os descen­dentes de Ali tinham o direito de dirigir a comunidade islâmica, pois Maomé teria revelado para ele os profundos segredos dos ver­sos do Corão, que desde então te­riam passado de um imã para ou­tro. O imã, divinizado pelos xiitas, é considerado infalível e portador da luz divina. Entre os xiitas, são comuns os rituais carregados de emoção e autoflagelação, pois con­sideram o sofrimento como bené­fico para a alma. Já para os sunitas, essa prática é inadmissível, sendo seus rituais e preces endereçados diretamente a Alá.



Após a morte de Maomé, em 632, o poder foi passado, sucessivamente, para quatro califas. Durante seus governos a expansão territorial foi muito rápida, e vastas áreas do Oriente Médioforam conquistadas e submetidas ao islamismo.

A maioria da população do Oriente Médio é islamita sunita, mas no Irã e no Iraque os xiitas são maioria (90% e 55%, respectivamente). Há duas exceções na região: Israel, onde mais de 80% da população é judia, e o Líbano, onde quase 40% são cristãos.

Desde a formação do primeiro Estado islâmico por Maomé, a expansão territorial desses povos seguidores da religião islâmica não cessou. Observe no mapa acima.

Após os quatro califas, teve início a Dinastia Omíada, que passou a controlar o poder islâmico e eleger os novos califas. O governo foi transferi­do para Damasco (atual Síria), e a expansão terri­torial continuou, sendo marcada pela invasão da Península Ibérica (711).

No ano de 752, o poder islâmico, tomado pela Dinastia Absida, foi transferido para outra capital, Bagdá (no atual Iraque). A partir do século XI, os turcos da região do Casaquistão se converteram ao islamismo e se expandiram para o sul. Logo de­pois desenvolveu-se o Império Otomano, que, jun­tamente com os turcos, se expandiu para o oeste, ocupando a cidade de Constantinopla em 1453.

A cidade de Constantinopla passou então a se chamar Istambul, tornando-se a nova capital islâmica e concentrando o poder nas mãos de um sul­tão otomano. Formou-se assim um dos maiores impérios desse período histórico, o Império Turco-Otomano, que só teria fim com a sua fragmenta­ção, após a Primeira Guerra Mundial (1918).

Na segunda metade do século XX, em alguns países do Oriente Médio ocorreu a tentativa de re­duzir o poder dos grupos religiosos, restringindo sua prática e influência apenas à esfera privada. Tal política não teve sucesso, frente à reação dos movimentos fundamentalistas. Na década de 1970 ocorreu uma ampla adoção do fundamentalismo islâmico pelas massas urbanas, que apoiaram o Corão como lei e radicalizaram a exigência de res­peito aos valores tradicionais, opondo-se ao mo­delo ocidental de organização política, social e cul­tural. A Organização da Conferência Islâmica, que em 1971 reuniu 40 países, foi a base da internacio­nalização desse movimento.

Dessa forma, na atualidade, quase todos os paí­ses do Oriente Médio têm o islamismo asso­ciado não apenas à vida cotidiana de suas popula­ções mas também à política do Estado. Em muitos deles, a religião determina diretamente a forma de organização do Direito público e privado.

Por: Renan Bardine

Fonte: http://www.coladaweb.com/geografia/origens-do-islamismo

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