28.12.11

Ásia Oriental acompanha atenta a sucessão na Coreia do Norte

Cortejo fúnebre do ditador Kim Jon Il em Pyongyang
Cortejo fúnebre do ditador Kim Jon Il em Pyongyang
Enquanto os norte-coreanos celebram o funeral do ditador Kim Jong Il, os países vizinhos acompanham tensos a transição de poder no país comunista. O risco da instabilidade existe, lembram especialistas.

A morte do ditador norte-coreano Kim Jong Il foi mantida em sigilo durante dois dias. Nem mesmo o serviço secreto sul-coreano suspeitou de alguma coisa. Isso mostra o quão pequeno é o volume de informações que vaza das barreiras hermeticamente fechadas da Coreia do Norte.

"Tudo é possível e as coisas são difíceis de serem previstas", diz o especialista Hanns Günther Hilpert, do Instituto Alemão de Relações Internacionais e Segurança (SWP, na sigla em alemão), sobre o futuro do governo norte-coreano.

Kim Jong Un é o "grande sucessor"

Certo é que Kim Jong Un é o nome indicado para suceder Kim Jong Il. Logo após a morte do pai, ele foi apontado pela mídia como seu "grande sucessor". No sábado passado (24/12), foi também nomeado "comandante supremo" das Forças Armadas.

Kim Jong Un encontra apoio na família, sobretudo de sua tia Kim Kyong Hui, que é membro do Politburo, e de seu tio Jang Song Thaek, que dirige o departamento administrativo do partido do governo, supervisiona o serviço secreto e é vice-presidente da Comissão Nacional da Defesa.

O filho e sucessor Kim Jong Un acompanha o cortejo fúnebre
O filho e sucessor Kim Jong Un acompanha o cortejo fúnebre
A China, por sua vez, na condição de vizinho mais poderoso do país, parece estar de acordo com a sucessão, afirmam os especialistas. O pesquisador Patrick Köllner, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), sediado em Hamburgo, lembra: "A China já manifestou sua aprovação frente à tomada do poder por Kim Jong Un".

Mas isso não significa que a questão do poder na Coreia do Norte esteja finalmente esclarecida. "A sucessão de Kim Jong Il por Kim Jong Un já foi conduzida, mas não pode ser considerada de forma alguma como algo implementado", completa Köllner.

Principalmente a juventude é um empecilho a que Kim Jong Un consolide a sua ascensão ao poder, já que tanto a idade quanto a experiência são quesitos importantes para um líder na sociedade norte-coreana.

Divergências nos círculos internos de poder

Lutas pelo poder nos círculos internos do governo tornam a situação ainda mais difícil. Há duas facções: a primeira defende reformas econômicas seguindo o modelo chinês; a outra se opõe amplamente a essas reformas.

Os defensores das reformas econômicas encontram-se, contudo, já há alguns anos em posição de minoria, constata Köllner. Uma oposição que possa ser levada a sério não existe no país. "Quem, na Coreia do Norte, se opõe à família Kim, não tem chances de sobrevivência", diz Hilpert, do SWP.

Militares norte-coreanos durante o cortejo fúnebre
Militares norte-coreanos durante o cortejo fúnebre
Em meio a todas as divergências, o regime norte-coreano aposta na continuidade política, visando, entre outros, a manutenção do programa nuclear, já que as armas atômicas são consideradas meios eficazes para assustar os países ocidentais. "No fim, as lideranças permanecem num mesmo barco. Mesmo que nem todos remem na mesma direção, é comum a todos o interesse pela perpetuação do regime", relata Köllner.

Irritação entre vizinhos

Os países vizinhos, principalmente a Coreia do Sul, observam a situação política na Coreia do Norte com tensão e grande preocupação. A relação entre as duas Coreias ficará nebulosa por algum tempo, avaliam os especialistas, até porque o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung Bak, mantém uma linha dura frente à Coreia do Norte.

Segundo Köllner, não há nenhum canal aberto de diálogo entre os dois países. "As relações estão totalmente suspensas. Só espero novos impulsos neste sentido depois que o mandato de Lee Myung Bak chegar ao fim, em 2013", diz Köllner.

Patrulhamento de fronteiras entre as duas Coreias: tensão há décadas
Patrulhamento de fronteiras entre as duas Coreias: tensão há décadas
Nem mesmo a visita de duas delegações sul-coreanas a Pyongyang, para o funeral de Kim Jong Il, que começou nesta quarta-feira (28/12), contribui para mudar algo nesta situação.

Segundo declarações oficiais, as visitas das duas delegações ao país são de natureza privada, tendo sido lideradas pela viúva do ex-presidente sul-coreano Kim Dae Jung, defensor de uma política de aproximação com a Coreia do Norte, e também por Hyun Jeong Eun, presidente do grupo Hyundai, que mantém relações comerciais com o país comunista. Outras visitas de condolência além dessas duas não foram permitidas pelo governo norte-coreano.

China: "proteção da Coreia do Norte"

O especialista Hilpert diz ver na China a grande protetora da Coreia do Norte. Pequim, segundo ele, apoia o regime norte-coreano por temer uma avalanche de refugiados, que poderiam levar a uma instabilidade nas províncias ao norte da China, nas quais também vivem minorias coreanas.

"A consequência a médio prazo de uma derrocada da Coreia do Norte poderia ser a reunificação do país, sob a égide capitalista pró-americana. Neste caso, tropas norte-americanas poderiam ficar estacionadas na fronteira com a China – a pior de todas as hipóteses, sob a perspectiva chinesa", completa Hilpert.

A consolidação do poder na Coreia do Norte sobrepõe-se a todos os outros temas, fazendo com que questões de política externa sejam dominadas pela definição de posições na política interna. "Questões de sucessão em regimes autoritários são basicamente períodos com risco de grande instabilidade. De forma que as energias, no momento, voltam-se muito para dentro", analisa Hilpert.

Ele compara o atual clima político no Sudeste Asiático à calmaria que antecede a tempestade, mesmo que ninguém possa realmente dizer se e quando a tempestade vai, de fato, começar.

Autor: Rodion Ebbighausen (sv)

Fonte: DW

2012: contagem regressiva para o fim do mundo?

Dizem por aí que o mundo acabará em 21 de dezembro de 2012, data em que teria terminado o ciclo de contagem do tempo do calendário Maia. Mas será esta a verdadeira interpretação da data?

Fabiano Vilaça


O Armagedon tem uma nova data. E como nas outras ocasiões em que o fim do mundo foi anunciado, surgiram inúmeras especulações sobre o trágico “espetáculo” do Juízo Final. Curiosamente, ao contrário do ano 1000 e das previsões de vários “profetas” que desfiaram um rosário de eventos apocalípticos, não se mencionou a volta do Messias, Jesus Cristo na tradição cristã. Talvez porque a tão falada profecia esteja ligada aos maias – civilização que se desenvolveu na Península de Yucatán, no sul do México, e na América Central, em regiões que hoje fazem parte da Guatemala, de El Salvador e de Honduras. Eles eram politeístas, ou seja, adoravam várias divindades, ligadas à natureza.

Mas o que está no centro das recentes especulações apocalípticas é um dos diversos elementos da cultura maia que chegaram até os nossos dias: seu método de contagem do tempo. Eles idealizaram dois calendários: o religioso, com base na Lua, chamado Tzolkim(relacionado a aspectos da vida humana), tinha 260 dias divididos em 13 meses com 20 dias (kins) cada; o outro, Haab, mais parecido com o nosso, era o calendário agrícola (que organizava as etapas do plantio e da colheita), com 365 dias repartidos em 18 meses de 20 dias. Hábeis matemáticos, criaram um complexo sistema de sincronização – a “Roda Calendárica” – desses dois calendários, nada fácil de explicar. Em linhas muito gerais, a cada 52 voltas do Haab (um ciclo de 18.980 dias) correspondia um novo século, quando era realizada a cerimônia do fogo novo.

Momento de renovação

Para os maias, o fim de um ciclo é um momento de renovação, o início de uma nova era – o que desencadeou uma onda de mitos sobre o fim do mundo. O principal diz que o mundo acabará em 21 de dezembro de 2012. O dia é significativo no calendário justamente porque indica o fim de um ciclo e o início de outro, mas nenhum registro daquela civilização autoriza a afirmar que o mundo acabará naquela data, segundo Anthony F. Aveni, professor de Astronomia e Antropologia da Colgate University, de Nova York.

Outras versões dão conta de que um tal Planeta Nibiru (ou Planeta X) estaria em rota de colisão com a Terra, o que não seria possível, pois, além de não haver dados concretos sobre a sua existência, se fosse entrar em choque com a Terra no ano que vem, hoje já poderia ser visto a olho nu, segundo o astrônomo Marcelo Gleiser. O professor de Astronomia e Filosofia Natural do Dartmouth College, nos Estados Unidos, ainda desmente a suposição de que um alinhamento galáctico envolvendo o Sol, a Terra e o centro da galáxia destruirá nosso planeta. Só que esse fenômeno acontece todo mês de dezembro.

“Esse frenesi todo é irracional”, garante Marcelo Gleiser. Mas serviu, mais uma vez, de inspiração para a poderosa indústria cinematográfica norte-americana, que levou às telas “2012: o ano da profecia” (2009), uma superprodução que consumiu 200 milhões de dólares. Sucesso de bilheteria em vários países, como o Brasil, o filme mostrou que os mitos nascidos da credulidade humana ainda são generosas fontes de lucros. E, de quebra, enalteceu o esforço de reconstrução do mundo pelos Estados Unidos.

Fonte:

Ptolomeu

Por Emerson Santiago
Cláudio Ptolomeu (Ptolemaida Hérmia, Egito, 90 d.C. – Canopo, Egito, 168 d.C.) foi um cientista, astrônomo e geógrafo de origem grega. Nascido no Egito sob domínio romano, é um dos últimos grandes cientistas do mundo helenístico, e autor dos estudos de astronomia mais importantes produzidos antes de Copérnico e Galileu.
O nome Cláudio (Claudius) sugere que provavelmente tinha cidadania romana. A única informação concreta que temos de sua vida é que ele trabalhou em Alexandria entre 120 e 160 d.C., período esse determinado com base em observações astronômicas anotadas por ele. Nessa época, registra várias de suas observações astronômicas. Ptolomeu foi responsável por sintetizar a obra de seus predecessores, estudando não só astronomia, mas também matemática, física e geografia. Criou o sistema cosmológico baseado na teoria geocêntrica de Aristóteles e descrito em “A grande síntese”, geralmente citada com o título da tradução árabe, “Almagesto”, sua mais conhecida obra (nele, a Terra encontra-se no centro do universo, e em torno dela giram Mercúrio, Lua, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno, além de apresentar seus cálculos sobre a dimensão da Lua e a distância entre ela e o Sol). Tal sistema se tornou um dogma católico e vigorou desde a Antigüidade até a Revolução de Copérnico (1543).

Ptolomeu também desenvolveu trabalhos matemáticos e foi um notável geômetra. Os cronistas antigos mencionam várias obras de sua autoria, hoje desaparecidas, comno por exemplo, “Sobre a dimensão” (Peri Diastaseos, no original em grego), na qual ele procura provar que só pode haver espaço tridimensional, ou Analemma, em que discute detalhes da projeção ortogonal dos pontos da esfera celeste sobre três planos e propõe nova demonstração para o postulado das paralelas de Euclides.

Ele foi o primeiro a tratar da técnica de projeção de mapas, ou seja, a representação de superfícies curvas em um mapa plano. A “Geografia” contém tabelas com enormes listas de lugares e suas coordenadas geográficas, mapas e informações sobre países e seus habitantes. O estudo abrange o mundo conhecido pelos romanos na primeira metade do século II, que se estendia do Oceano Atlântico à China e do Mar Báltico à África Central. Os lugares mais importantes foram definidos em termos de latitude e longitude, o que permitiu a confecção de mapas do ecúmeno, palavra grega que representa o mundo conhecido.

Seu lado astrológico foi retratado no Tetrabiblos, em quatro volumes, onde pregava uma espécie de religião sideral, misturando astrologia, superstições e crendices tradicionais.

Seus dados, embora muitas vezes errados ou inexatos, utilizaram todos os conhecimentos então disponíveis, baseados principalmente nas referências de viajantes e mercadores e no material coligido por geógrafos anteriores, notadamente Marino de Tiro (70-130). Um dos maiores erros de Ptolomeu foi ter adotado um valor incorreto para a circunferência da Terra, calculado por Posidônio de Apaméia (-135/-51), ao invés de utilizar a medida de Eratóstenes (-285/-194), muito mais acurada.

Bibliografia:
Cláudio Ptolomeu. Disponível em http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0508. Acesso em: 10 dez. 2011.
Ptolomeu. Disponível em http://www.algosobre.com.br/biografias/ptolomeu.html. Acesso em: 10 dez. 2011.
Cláudio Ptolomeu. Disponível em http://educacao.uol.com.br/biografias/ptolomeu.jhtm. Acesso em: 10 dez. 2011.

Fórmula da Coca-Cola

Por Fernando Rebouças
Em 1886, John Pemberton, farmacêutico de Atlanta, EUA, criou uma bebida inicialmente vendida como xarope e que logo se tornaria numa referência de sabor de bebida não alcoólica mais conhecida em todo o mundo. A bebida havia sido batizada de Coca-Cola por Frank Robinson, contador do farmacêutico. Oficialmente, a data de criação da bebida ficou marcada no dia 8 de maio de 1886, mesma data em que foi lançada na farmácia de Jacob’s Pharmacy.
Cem anos depois, a empresa The Coca-Cola Company registrou produção de 38 bilhões de litros do xarope. No dia 8 de dezembro de 2011, pela primeira vez em 86 anos, a empresa mudou o lugar da fórmula secreta da bebida, o texto foi retirado do cofre de um banco para ser exposto no museu da empresa, ainda situada em Atlanta.

Porém, a fórmula completa e original da Coca-Cola permanecerá secreta, o documento foi encaminhado para exposição no World of Coca-Cola no final de 2011. A fórmula estava guardada no SunTrust Banks Inc, , situado no centro de Atlanta, desde 1925.

No ano de 2011, a empresa comemorou 125 anos. Segundo o livro “A Fórmula Sagrada da Coca-Cola”, o autor acredita ter descoberto a fórmula original da bebida. O livro editado e publicado em 1993, sumiu das livrarias e dos sebos brasileiros. A fórmula seria:

Citrato de Cafeína 1 onça (28,350g)
Ext. de Baunilha 1 onça
Saborizante 2 112 onças
F.E. Coco 4 onças
Ácido cítrico 3 onças
Suco de Lima 1 quarto
Açúcar 30 libras-peso
Água 2 1/2 galões (3,785 litros)
Caramelo o suficiente
Misture o Ácido de Cafeína e Suco de Lima em 1 quarto de água fervente e acrescente baunilha e saborizante quando frio.
Saborizante:

óleo de Laranja 80
óleo de Limão 120
óleo de Noz-Moscada 40
óleo de Canela 40
óleo de Coentro 20
Nerol 40
Álcool 1 Quarto
deixe descansar 24h
O autor teria seguido o rastro de uma história sobre a disposição da fórmula em 1977, pela própria empresa para o governo da Índia e acessado por meio de uma seção de arquivos indiano, com as descrições do farmacêutico Pemberton.

No decorrer dos recentes anos, os médicos nutricionistas alertam sobre o excesso do consumo da bebida, podendo comprometer a saúde do consumidor; para os especialistas, a coca-cola pode comprometer uma dieta balanceada, não somente a Coca-Cola, mas quem consome muito refrigerante demonstra maior quantidade de cálcio que pode gerar osteoporose.

Fontes:
http://www.consciencia.net/2005/mes/04/coca-cola-formula.html
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1018510-coca-cola-muda-formula-secreta-de-lugar-pela-1-vez-em-86-anos.shtml
http://www.cocacolabrasil.com.br/conteudos.asp?item=2&secao=39&conteudo=103&qtd_conteudos=1

Leis de Ranganathan

Por Felipe Araújo
Consideradas por estudiosos e profissionais da Biblioteconomia como cinco leis fundamentais da ciência, as cinco Leis de Raganathan foram criadas pelo matemático, bibliotecário e introdutor da biblioteconomia na Índia, Shiyali Ramamrita Ranganathan. Tamanha foi a importância de sua invenção, que estas leis são aplicadas hoje em dia em bibliotecas e centros documentais do mundo todo. Os estudos do indiano podem ser conferidos em sua obra “The Five Laws of Library Science” (1931).
As Cinco Leis de Raganathan podem ser resumidas da seguinte forma:

Primeira Lei – Livros são para Uso
De acordo com Raganathan, com exceção das obras clássicas da literatura, os livros não devem ser consumidos como matéria física e muito menos como produção de um indivíduo em especial. Para ele, as obras devem ser usadas como uma ideia incorporada nos livros. Desta forma, a organização das obras em uma biblioteca deve ser feita por assunto. Esta primeira lei advém da experiência do indiano, que visitou bibliotecas do mundo todo e conviveu com diversos profissionais da área. Ele percebeu que a maioria dos leitores procurava por assuntos específicos, independente de autor, daí veio a ideia de uma primeira organização por sequência de assuntos.

Segunda Lei – Para cada Leitor, seu Livro
Esta segunda lei de Ranganathan prioriza o leitor. Para o indiano, é necessário o atendimento de uma necessidade específica. Desta forma, os livros devem ser reunidos sobre um assunto e seguir uma sequência de assuntos. De acordo com Ranganathan, “Quando um leitor procura informação sobre um dado assunto, o arranjo dos livros na biblioteca vai ser útil para ele somente se todos os livros sobre um assunto estiverem reunidos. Ele será mais bem servido ainda se eles estiverem reunidos dentro de cada assunto por suas línguas, e se aqueles em qualquer grupo lingüístico estiverem na seqüência por ano de publicação, ficando os mais recentes no final de cada grupo. Este é um dos resultados da aplicação da Segunda Lei da Biblioteconomia.”

Terceira Lei – Para cada Livro, seu Leitor
Nesta lei a obra intelectual é priorizada acima de tudo. Em sua justificativa desta lei, o indiano afirma que os livros procuram os leitores que melhor se adéquam a eles. Segundo ele, “um livro sobre Solo pode interessar tanto a quem está querendo uma obra geral sobre o tópico como para quem está interessado em Adubação. Ao ordenar Adubação depois de Solo há grande probabilidade que o leitor o encontre. Da mesma forma, o tópico Cultivo deve ser colocado depois de Solo e antes de Adubação”.

Quarta Lei – Poupe o tempo do leitor
Esta lei prima pela organização, arrumação e catalogação dos livros como ferramenta importante para diminuir o tempo com que o leitor procura pelos livros e informações desejadas. A quarta regra ainda discute o serviço de referência, melhorias em processos técnicos e condições de acesso às estantes e prateleiras.

Quinta Lei – Lei – A Biblioteca á uma organização em crescimento
Nesta lei, Raganathan diz que a classificação das obras de uma biblioteca deve sempre permitir a inclusão de novos tópicos. Na opinião do estudioso, não importa o quanto uma coleção esteja ganhando novos títulos ou o quanto a biblioteca esteja crescendo, o arranjo deve sempre facilitar e dar novas oportunidades de consulta ao leitor, ficando implícito a inclusão de novos assuntos.

Fontes:
http://www.conexaorio.com/biti/revisitando/revisitando.htm#leis
http://sdi.letras.up.pt/uploads/sabia_que/Ranganathan.pdf
http://www.briquetdelemos.com.br/biblioteconomia/cinco-leis-da-biblioteconomia-as.html
http://fabianocaruso.com/reescrevendo-as-leis-de-ranganathan/

Revolução Praieira

Dando vazão à sua vocação revolucionária, Pernambuco é palco de mais uma revolução, agora em 1848. Trata-se da revolta Praieira. Foi ela a última das insurreições realmente relevantes contra a unidade regencial. A revolta estendeu-se até o ano de 1852.

De caráter liberal, a revolta praieira teve por inspiração os movimentos liberais ocorridos na Europa, com a Revolução Francesa. Entre os rebeldes, sobretudo os liberais radicais pernambucanos, já surgiam idéias que prefiguravam características do socialismo. Conhecidos como "praieiros", os liberais radicais pernambucanos se fizeram insatisfeitos com a arbitrariedade do império na destituição do governador da província. O governador Chichorro da Gama procurava anteriormente em seu governo refrear o poder constituído pela poderosas famílias da aristocracia rural pernambucana: a concentração de terras no Pernambuco nas mãos de uma pequena camada aristocrática era mais vultosa que em qualquer outra região do país, acarretando em grande exclusão social de grande parte da população, sobretudo os trabalhadores agrários livres, destituídos de terras próprias para sequer o cultivo de gêneros para subsistência, que acabavam sendo sujeitos ao poder dos proprietários, sofrendo grande repressão. O custo de gêneros alimentícios na província, portanto, estava sob controle integral desta aristocracia de poucas famílias, geralmente vinculada ao Partido Conservador. Ao mesmo passo, o comércio também concentrava-se nas mãos de estrangeiros, ingleses ou portugueses. Nota-se portanto no movimento uma origem do sentimento nacionalista no país, que na verdade nasceu forçadamente: os portugueses, por exemplo, empregavam apenas seus compatriotas no comércio que praticavam, excluindo assim a população nascida no Brasil.

O tradicional pendor pernambucano para os atos revolucionários logo foi reanimado: a revolução praieira, no início, foi deflagrada através dos conflitos políticos entre facções da classe dominante, convertendo-se mais tarde em uma causa popular. Com a destituição do governador liberal Chichorro da Gama, que combatia o poder das famílias aristocráticas, foi instituído o poder das forças conservadoras no comando da província. Assim, a rebelião eclode em Olinda no dia 7 de novembro de 1848. Os líderes desta primeira tentativa revolucionária foram Borges da Fonseca (então apelidado o Repúblico), o capitão Pedro Ivo Veloso e Nunes Machado. A população logo toma simpatia pela causa, sendo que o movimento passou rapidamente a espalhar-se pela chamada Zona da Mata, a região das terras mais férteis da província.

No dia 1(de janeiro de 1849, é publicado o "Manifesto de Mundo", em que os praieiros declaram suas ambições de reformulação geral do sistema instituído. Entre as principais reivindicações do Manifesto, podem ser citadas: a exigência de instituição do sufrágio universal, ou seja, o direito de voto para todos os cidadãos; o fim do poder moderador, que se tratava do poder pessoal do Imperador (cabia a ele o poder de fechamento da Assembléia, fato que lhe concedia poderes praticamente ilimitados); primazia para os brasileiros nas oportunidades de trabalho; nacionalização do comércio praticado pelos portugueses, o chamado "comércio a retalho" ou o comércio a varejo.

O problema da revolução é que os revoltosos, entre suas lideranças, possuíam facções que não entravam em entendimento quanto a algumas questões políticas: além disso, curiosamente o "Manifesto do Mundo" praticamente ignorava a existência da escravidão, não possuindo portanto força para a mobilização da mão de obra escrava. O Império possuía mais condições de mobilização de forças que terminaram por derrotar a revolução em 1852, numa grande demonstração de força. A vitória do Império assegurou a ele uma grande fase posterior de grande estabilidade política, sustentada pela grande confiabilidade que os aristocratas vinculados ao Partido Conservador passaram sobremaneira a depositar no regime, tendo visto seu poder obter total respaldo do governo então vigente.


Fonte:
http://www.sosprofessor.hpg.ig.com.br/Historia/revolucao_praieira.htm

Revolução Mexicana de 1910


Revolução Mexicana de 1910: Emiliano Zapata e os camponeses


No ano de 1910, o México se encontrava sob a liderança política de Porfírio Díaz, que havia implantado a ditadura no México no ano de 1876 a 1880 e de 1884 a 1911, permanecendo mais de trinta anos no poder.

Durante a ditadura porfirista, prevaleceram as grandes propriedades de terra e a ausência de liberdades democráticas. Porfírio Díaz conduziu a classe latifundiária a assumir as ideias da burguesia norte-americana e europeia, negando todas as tradições indígenas mexicanas. A política de José Porfírio visou valorizar a entrada de capital estrangeiro para explorar os recursos minerais e vegetais e para fabricar produtos de exportação.

A Revolução Mexicana teve como luta emblemática a busca pela revalorização da cultura indígena e a reforma agrária, ou seja, a distribuição de terras entre os camponeses. Essa necessidade de terras gerou o início da revolução que tinha como lema “Tierra y Libertad”.

A desapropriação das terras camponesas se iniciou no período colonial (pelos colonos espanhóis) e continuou no século XIX (com os latifundiários). A situação se agravou na ditadura de Porfírio, culminando no ódio dos camponeses que viviam explorados. As pressões da população, da igreja e de uma elite que fazia oposição aumentaram. Não tendo mais saída, Porfírio Díaz renunciou.

Após a renúncia de Porfírio, Francisco Madero, que era integrante de uma elite que fazia oposição ao governo anterior, assumiu o poder no México. Madero conquistou a população mexicana com promessas de reformas sociais que iriam diminuir a exclusão social – cerca de aproximadamente 70% da população mexicana era analfabeta.

Com o passar do tempo, o novo governo não cumpriu com suas promessas, o que foi gerando insatisfação entre os camponeses que reivindicavam a posse da terra por meio da reforma agrária. Dois camponeses se destacaram na oposição ao governo de Madero: Emiliano Zapata e Francisco ‘Pancho Villa’ (líderes revolucionários camponeses).

Emiliano Zapata se opôs a vários governos sucessivos no México: primeiro, o governo de Madero; depois, o governo de Victoriano Huerta; e, por último, o governo de Venustiano Carranza. Zapata acusou Carranza de não cumprimento da reforma agrária, tão reivindicada pelos camponeses. No ano de 1911, lançou o Plano de Ayala, que reivindicava a reforma agrária mexicana. O documento se tornou um referencial para a luta pela terra na América Latina.

Villa e principalmente Zapata, além da reforma agrária, tinham como meta o retorno às origens (uma revalorização da identidade indígena mexicana). Eles contestavam a transformação dos latifúndios em fazendas modernas (agroindústrias) e queriam a volta do antigo sistema indígena de comunidades coletivas (ejidos).

No ano de 1913, Francisco Madero foi assassinado a mando de Victoriano Huerta, que instalou novamente a ditadura no México. O retorno à ditadura levou Villa ao norte, e Zapata ao sul, visando a organização de novos movimentos revolucionários contra as tropas federais. Com o aumento das pressões populares, Huerta renunciou em 1914, assumindo o poder em seu lugar, por indicação, Venustiano Carranza, apoiado pelos Estados Unidos.

Uma nova Constituição foi promulgada no México no ano de 1917, o que levou Carranza às eleições presidenciais, sendo eleito presidente. Esse fato desagradou bastante as camadas populares e os camponeses, que continuaram os conflitos contra o governo central. Entretanto, depois da morte de Zapata, em 1919, e de Villa, em 1923, o movimento revolucionário perdeu força, abrindo as portas para a entrada do liberalismo com o apoio da elite proprietária de terras.

Por Leandro Carvalho
Fonte:

Em se plantando nada dá

A carta de Caminha estava errada. Plantar no Brasil foi bem mais complicado do que o patriotismo imagina
texto Fábio Marton / Design Leandro Guima / ilustrações clouds4sale | 30/11/2011 16h47
Em 26 de abril de 1500, realizou-se a 1ª missa no Brasil. Em 1º de maio de 1500, foi a vez da 1ª ação de marketing. Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei
dom Manuel o relato da viagem, com o seguinte trecho: “Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados (...) Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”. Pois é, “em se plantando, tudo dá” é um erro de citação. Seja como for, o trecho é uma desculpa por não terem achado no que estavam realmente interessados - ouro, só encontrado 200 anos depois. Note a menção esquisita aos “ares frios e temperados” em Porto Seguro, na Bahia.

Apesar do otimismo, o fato é que quase nada que os portugueses entendiam por comida nascia no Brasil. Os portugueses até tentaram: em 1532, na 1ª ex
pedição colonizadora, Martim Afonso de Souza plantou trigo em São Vicente. As plantas davam flores, mas murchavam sem grãos. As parreiras nasciam esquisitas, com uvas isoladas, e não rendiam vinho decente. Arroz nascia, mas pouco e em grãos pequenos. Os bois morriam ou passavam mal com o calor e não conseguiam se reproduzir. As terras brasileiras nunca tiveram problema de fertilidade. O caso sempre foi o clima e as decisões políticas. Parece contrassenso que não se consiga plantar algo que nasce no frio em regiões quentes: plantas vivem de sol. Isso acontece devido à fisiologia delas. “A planta detecta quando é época de dar flores de acordo com a diferença de duração do dia e da noite e pelo calor. Quando uma planta de clima temperado nasce nos trópicos, onde dias e noites são iguais ao longo do ano, não recebe esse sinal”, diz José Roberto Peres, da Embrapa.

Tempos de feijão, farinha e carne-seca


Os colonos portugueses se viravam com o que os índios conheciam: feijão, milho, mandioca, amendoim, batata-doce e pimenta e alguns produtos asiáticos que importaram, como coco, banana, manga e jaca. Na prática, a dieta era bem pobre. “A alimentação colonial era basicamente feijão, farinha e carne-seca”, diz o historiador Carlos Roberto Antunes dos Santos, da UFPR. Se você observar os pratos numa festa junina, pode ter uma ideia da dieta daquela época. Nas fazendas, plantar comida era secundário, só para o sustento. A estrutura agrícola era controlada pelo governo português. “Plantar alimentos aqui exigia o mesmo tipo de licença que para plantar cana”, diz Antunes.

A cana era sinônimo de dinheiro, de bem exportável em forma de açúcar. Assim, o clima brasileiro e as prioridades da coroa favoreceram plantar aqui o que não podia ser plantado na Europa. Na expedição de Martim Afonso, chegou a cana-de-açúcar e o primeiro engenho foi instalado em São Vicente, em 1532. A cana, originária da Índia, foi a base da economia da colônia até tomar um baque dos holandeses, que ocuparam uma grande faixa do Nordeste de 1630 a 1654 e levaram consigo mudas para o Caribe, acaba
ndo com o monopólio. A partir de 1727, quando foi plantado no Pará, o café iria se tornar o principal produto de exportação do Brasil. Vindo da Etiópia, a planta prefere um clima um pouco mais ameno e terras altas – adaptou-se melhor a São Paulo, mudando o centro da economia do país.


Enfim, o arroz encontra o parceiro

No século 19, o Império decidiu trazer europeus para o país. O Brasil entraria em sua 2ª fase de produção agrícola. Os europeus trabalharam no café em São Paulo, mas, o que talvez seja mais importante, ocuparam terras quase selvagens no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, adequadas a produtos de clima temperado. E os italianos e alemães não precisaram, como os portugueses antes, abandonar totalmente seus hábitos alimentares. Pela 1ª vez, surgiram plantações em escala de alimentos para venda. Pão de trigo e macarrão entraram na dieta.

Cerveja passou a ser produzida no país. O arroz tornou-se a primeira parte do arroz com feijão. O arroz não tem problemas com o clima tropical, mas se desenvolve melhor em regiões alagadas. Era plantado desde tempos coloniais. Mas isso era feito no seco, o que só rende um terço do arroz alagado e resulta em grãos pequenos, que não ficam soltos quando cozidos. Para plantar em terras alagadas, é preciso áreas planas e amplas e um solo com camada impermeável a pouca profundidade. “Na maioria do país, o solo só vai ter essa camada impermeável a 1,80 m. No Rio Grande do Sul, a 30 cm. Por isso o arroz se deu melhor por lá”, diz Ariano de Magalhães Jr., engenheiro agrônomo da Embrapa.

“Ou o Brasil acaba com a saúva...”

Toda planta importada é uma invasora e pode acontecer duas coisas: a espécie não encontra predadores e doenças locais, o que faz com que se dê melhor no ambiente importado do que no original. Ou encontra predadores e doenças aos quais não está adaptada. A saúva (Atta spp.) foi a grande inimiga das plantas que chegaram ao Brasil. Em 1911, no romance O Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto faz seu personagem ter sua utopia rural frustrada por um ataque de saúvas. Em 1928, Mário de Andrade colocou na boca de Macunaíma: “Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são”.

Em 1935, sob Getúlio Vargas, o Brasil decretou guerra à formiga. A Campanha Nacional Contra a Saúva tinha o lema “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Foi a 1ª iniciativa científica do Estado em lidar com as condições agrícolas. Agrônomos testaram várias soluções, inclusive tatus para comer as saúvas (ideia descartada porque tatus são vetores de doenças). Decidiu-se pelo uso de inseticidas químicos, e isso incentivou a indústria nacional. A saúva é um problema ainda hoje, em escala menor, mas Vargas dava o primeiro passo para implementar no Brasil o que seria chamada de Revolução Verde.

Comendo a vaca sagrada

Com a população aumentando, a demanda por carne também cresceu. O gado europeu, trazido desde o 1º momento da colonização, não era bem adaptado. Em 1904, um boi tido por pronto para o abate, aos 8 anos, pesava 150 kg. Hoje, uma raça considerada média pela Embrapa é abatida entre 450 e 500 kg. Em 1874, Henrique Hermeto de Carneiro Leão, o barão de Paraná, importou do zoológico de Londres um casal de gado indiano – o zebu, que se diferencia do gado europeu por ter corcova, o cupim. Logo se percebeu que as vacas da Índia se adaptavam muito melhor ao clima do Brasil. No início do século 20, produtores brasileiros trataram de importar animais da Índia, mas havia um probleminha: lá as vacas são sagradas, e eles não venderiam seus ancestrais reencarnados para comedores de carne. Os indianos vendiam suas vacas para estrangeiros desde que para zoológicos e circos. Assim, os fazendeiros brasileiros foram atrás dos criadores indianos que haviam vendido para zoos europeus e trouxeram as vacas para cá. Se você come bife, está comendo vacas sagradas. Só a raça nelore, importada da província de Nellore (em Andhra Pradesh), é responsável por 80% da carne consumida no país.

Vinho nordestino

A partir dos anos 1960, e com mais intensidade após a fundação da Embrapa, em 1972, a prioridade passou a ser aumentar a produção e ocupar regiões antes pouco utilizadas para a produção de alimentos – isto é, quase todo o país, sua região tropical. Um caso emblemático foi a soja. Trazida dos Estados Unidos no século 19 e usada basicamente para alimentar o gado, é uma cultura asiática de clima temperado que se adaptou ao sul do país. Por meio de seleção de espécimes menos sensíveis ao calor e pela falta de estações no ano, a partir dos anos 1970, começou a ser plantada no Centro-Oeste. A produção de soja passou de 1 milhão de toneladas, em 1979, para 57 milhões, em 2009, dos quais 18 milhões foram apenas no Mato Grosso (quase o dobro de Paraná e Rio Grande do Sul, os outros estados com mais plantações). Segundo o agrônomo Roberto Peres, da Embrapa, o trigo também já está pronto para conquistar o cerrado. O Nordeste também não passou despercebido. Nos anos 1960, sob o comando do economista Celso Furtado, foi feito um levantamento das regiões cultiváveis do semiárido.

A soja brota no calor

A partir dos anos 1980, frutas como o melão passaram a ser produzidas no Nordeste, e hoje já começam a ser plantadas outras de clima temperado, como maçãs, peras e caquis ou, o mais surpreendente, uvas para vinho - que precisam de condições muito específicas de sol e frio para dar certo. As plantas exigem frio, e não apenas estações do ano, para produzir um hormônio de crescimento chamado cianamida hidrogenada. Para plantar no Nordeste, os produtores precisam podar as plantas e aplicar o hormônio manualmente. Com os avanços tecnológicos, o que era maldição pode se tornar benesse. Segundo Manuel Abílio de Queiroz, professor de agronomia na Universidade do Estado da Bahia (Uneb), como não há estações do ano, é possível plantar em qualquer época, por demanda. “O agricultor pode até mesmo plantar por encomenda. A colheita passa a responder ao mercado, e não ao clima.” É um futuro promissor para o semiárido.

O fungo que domou Ford

Nativa da Amazônia, a seringueira (Hevea brasiliensis) era conhecida dos europeus desde o século 18. Mas, quando Charles Goodyear inventou a borracha vulcanizada, em 1839, criando um novo material com base no látex, o interesse pela planta explodiu. Usada dos pneus à vedação em válvulas hidráulicas de motores a vapor, a borracha se tornou um dos insumos fundamentais da Revolução Industrial, juntamente com o aço e o carvão. Data-se o início do ciclo da borracha em 1879, quando as exportações atingiram 10 mil toneladas, mas o fim já estava decretado antes do princípio. Em 1876, o inglês Henry Wickam havia levado 70 mil sementes para a Inglaterra a fim de serem estudadas por botânicos. Em 1895, passaram a ser plantadas na Ásia. Em 1900, o Brasil controlava 95% da produção de borracha. Em 1910, 50%. Em 1918, 20%. E, em 1940, 1,3%. Em 1928, Henry Ford tentou ressuscitar a borracha brasileira para produzir pneus para seus carros. Adquiriu 10 mil km² de terras perto de Santarém (PA) e criou Fordlândia, uma colônia com casas ao estilo dos subúrbios americanos. Logo descobriu o que tornava tão mais barata a borracha asiática: plantando as árvores lado a lado, elas foram devoradas por um fungo que não existe na Ásia. Fordlândia durou até 1945, por causa da 2ª Guerra, com os japoneses tomando posse da Malásia e dando uma sobrevida artificial à indústria de borracha do Brasil. Hoje, o Brasil importa dois terços da borracha que consome. Do que nasce aqui, 60% é produzida no estado de São Paulo.

Celeiro do mundo sob suspeita

Parece um final feliz? Bem, nem todos concordam. O movimento pelos orgânicos rejeita diversas tecnologias modernas de agricultura, principalmente agrotóxicos e transgênicos - o 1º algo que permite vencer a saúva no Brasil e o 2º uma possibilidade para a adaptação de mais culturas. O Greenpeace vem denunciando a soja como a nova vilã do desmatamento no país e realiza ações como a de 2006, na Holanda, que tentou barrar a entrada de soja brasileira produzida na Amazônia. O agronegócio também é tido como vilão para certos movimentos sociais. Ainda que hoje o forte do Brasil seja a produção de alimentos, a estrutura fundiária permanece concentrada em grandes fazendas e, em muitos casos, sob a coordenação de grupos multinacionais, como a Cargill e a Monsanto, que fornecem sementes transgênicas, insumos e todo o plano de produção. Não há como pequenos produtores bancarem as máquinas e a extensão de terras necessárias para produzir a preços competitivos. Conflitos rurais mataram 34 pessoas em 2010, segundo a Comissão Pastoral da Terra. De 1995 a 2010, 38 769 trabalhadores foram resgatados de fazendas em trabalho em condições análogas às da escravidão. O agronegócio respondeu por 37,9% das exportações do Brasil em 2010, dos quais a soja, sozinha, respondeu por 8,5% (dados dos ministérios do Desenvolvimento e da Agricultura). Depois de 5 séculos, o país finalmente tem condições de cumprir a profecia de Caminha e se tornar o “celeiro do mundo”. Será uma bênção ou uma maldição?

Cronologia

1532: A cana-de-açúcar, em São Vicente, é a 1ª cultura importada.

1890: O café toma o lugar da cana e o paíscomeça a importar mão de obra

1935: O governo assume o combate à saúva como prioridade nacional.

Anos 60: A soja começou a ser plantada no sul do país. Hoje se transformou na rainha do cerrado

Anos 80: O semiárido nordestino parecia condenado. Hoje, nascem ali plantas de clima frio, como maçãs e uvas para vinho.
Fonte:
http://guiadoestudante.abril.com.br/home/

Aécio de Amida

Médico grego nascido em Amida, Mesopotâmia, próximo de Tigris, e estudou medicina em Alexandria, onde desenvolveu adiantados estudos sobre ginecologia e câncer de mama e escreveu uma histórica enciclopédia médica de 16 livros, essencialmente uma coleção de conhecimentos de medicina até então e não suas idéias como um médico.

Estudou medicina em Alexandria e se tornou o médico de tribunal em Bizâncio e um dos principais médicos oficiais da casa imperial. Superstição e jogo de misticismo eram em grande parte seus remédios, como recomendar a castração dos epilépticos. Em sua enciclopédia médica, Tetrabiblios, em 16 livros, não demonstrou sua competência como doutor, produzindo escritos que literalmente uma coleção de informações de autores anteriores como Rufus de Ephesus, Antyllus, Leonides, Soranus e Philumenus, e compilou de várias fontes, especialmente de Galeno.

Oito livros do original grego foram impressos em Veneza (1534) e uma tradução latina completa por Janus Cornarius (1500-1550) se apareceu a Basel (1542) e foi adquirida por Thomas Rymer Jones (1810-1880), o primeiro Professor de Anatomia Comparativa do King's College London. Também estudou a menstruação afirmando que começava aos 14 anos e terminava aos 40 ou pouco mais tarde.

Nesse seu escritos estavam os melhores tratados antigas sobre doenças de ouvido, nariz, garganta e dentes e, mais exaustivamente, sobre doenças de olhos na literatura da antiguidade. Foi pioneiro em escritos sobre difteria e tratamentos de aneurismas por ligação de vasos. Provavelmente morreu em Bizâncio e depois dele, desafortunadamente, durante cerca de 1300 anos não se teve interesse significativo pelos problemas ginecológicos em geral.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/

Daniel Hale Williams


Cirurgião negro estadunidense nascido em Hollidaysburg, Pennsylvania, fundador do Provident Hospital in Chicago, pioneiro no treinamento de negras como internas e freiras e, como cirurgião-chefe do Freedmen's Hospital, Washington, DC (1893-1898), realizou com sucesso a primeira cirurgia aberta de coração, em Chicago (1893), no paciente James Cornish. Um dos sete filho do barbeiro Daniel e de Sarah Ann Price Williams, foi educado na Stanton School, Annapolis, Maryland. Depois da morte do pai mudou-se para Edgerton, Wisconsin onde com uma irmã abriu uma barbearia. Para continuar seus estudos mudou-se para Janesville, Wisconsin, onde terminou a high school (1878) no Hare's Classical Academy.

Começou a estudar medicina incentivado pelo Dr. Henry Palmer, um cirurgião local. Entrou para o Chicago Medical College (1880), onde se graduou (1883) e serviu como interno no Mercy Hospital, Chicago. Serviu como cirurgião no South Side Dispensary (1884-1892), instrutor clínico em anatomia em Northwestern e médico do Protestant Orphan Asylum (1884-1893). Foi a membro do Illinois State Board of Health (1887-1891) e fundou (1891) o Provident Hospital, Chicago, o primeiro hospital-escola para comunidade negra do seu país. Casou (1898) com Alice D. Johnson e assumiu as cátedra de Professor of Clinical Surgery do Meharry Medical College, Nashville, Tennessee (1899), cargo que exerceu até o ano de sua morte, e estabeleceu a primeira clínica cirúrgica, em Meharry. Também foi cirurgião do Cook County Hospital (1900-1906) e cirurgião associado do St. Luke's Hospital (1906-1931) e morreu em sua casa, em Idlewild, Mich. De fé católica, seu funeral foi realizado na St. Anselm's Roman Catholic Church, Chicago, e foi enterrado no Graceland Cemetery.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/