29.2.12

O Contrato Feudo-Vassálico



Juliana, Grupo Escolar
Durante o período feudal, em que a sociedade era caracterizada por extrema rigidez social, houve um momento de grandes invasões na Europa que criou um clima de insegurança. Essa situação fez com que os reis pedissem auxílio aos membros da nobreza e ao clero.

Foi nesse momento que surgiram os chamados contratos Feudo-Vassálicos, que criavam laços de dependência. O contrato funcionava da seguinte forma: os ricos menos poderosos punham à disposição dos grandes senhores seus exércitos e armas, em troca recebiam proteção e terras.

Assim, os menos poderosos se tornavam vassalos dos grandes senhores, os suseranos.

Esse tipo de acordo criava relações entre todos os membros da sociedade, como suseranos ou como vassalos.

Os contratos Feudo-Vassálicos eram definidos a partir de cerimônias de homenagem. Uma vez acordados, eles impunham obrigações e direitos tanto para vassalos, quanto para os suseranos.

No caso do vassalo, ele devia ser fiel ao seu senhor, garantindo a ele, inclusive, apoio econômico e militar. Em contrapartida, ele tinha o direito de receber os feudos, que poderiam ser terras ou cargos.

Já ao suserano, cabia a obrigação de dar proteção ao vassalo e sustentá-lo.
Fonte: http://www.grupoescolar.com/pesquisa/o-contrato-feudovassalico.html

Guglielmo Marconi




Juliana, Grupo Escolar
Guglielmo Marconi marcou a história do radialismo. Na verdade, ele foi um pioneiro do rádio e considerado seu inventor oficial.

Marconi nasceu em uma família rica na cidade de Bolonha. Seu pai era italiano e sua mãe irlandesa.

Depois de estudar nas melhores escolas da Itália, ele começou a demonstrar interesse pela ciência, mais especificamente pela física e a eletricidade.

Aos 23 anos de idade, Marconi patenteou um sistema de telegrafia sem fios. Com isso, ele conquistou o monopólio das radiocomunicações.

Em 1909, ele ganhou o Prêmio Nobel de Física por suas invenções.

Em 1920, Marconi conseguiu implementar a primeira rede intercontinental de comunicação por rádio. O grande feito de Marconi foi conseguir produzir e detectar ondas de rádio em longas distâncias.

Ao apoiar o regime fascista de Benito Mussolini, na Itália, Marconi passou a ocupar importantes cargos no governo e em órgãos públicos. Foi nomeado senador, marquês e presidente da Real Academia Italiana.

Em 1931, ele transmitiu a partir de Roma, por rádio, o sinal que ligou o sistema de iluminação do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

Quando Marconi morreu, as estações de rádio em todo o mundo fizeram dois minutos de silêncio.

Fonte:Pesquisas e Trabalhos escolares no Grupo Escolar

Marquês de Pombal




Juliana, Grupo Escolar
O nome do famoso Marquês de Pombal é, na verdade, Sebastião José de Carvalho e Melo. Vindo de uma família nobre, o marquês ficou conhecido por seu título.

O marquês estudou direito por um ano na Universidade de Coimbra e depois disso resolveu entrar para o serviço militar, como cadete. Aparentemente, o Marquês de Pombal não se adaptava a nada.

Ele viveu uma vida agitada até casar-se com Teresa de Noronha e Bourbon.

Aos 39 anos de idade, iniciou sua vida pública, assumindo cargos como o de embaixador do governo português na Inglaterra.

Sebastião José de Carvalho e Melo ficou viúvo, e se casou pela segunda vez, com Leonor, condessa de Daun.

Depois do ano de 1750, o marquês assumiu um papel importante no Estado português.

O Marquês de Pombal foi o principal responsável pela expulsão dos padres jesuítas de Portugal e das colônias.

No Brasil, o marquês acusou os jesuítas de apoiar os indígenas na resistência contra Portugal.

A partir de 1758, Pombal passou a tirar poderes da nobreza e a torturar e matar. A época ficou conhecida como o Terror Pombalino.

O marquês tornou-se um ditador e passou a defender o absolutismo como forma de governo.

Apesar de sua perversidade, Pombal também é lembrado por avanços em Portugal. Foi ele quem reformou a Universidade de Coimbra, o Exército e a Marinha, reorganizou as finanças do Estado, criou a Imprensa Real e a Escola de Comércio, e deu impulso a várias manufaturas para tornar Portugal menos dependente da Inglaterra.

Em 1777, quando a rainha Maria subiu ao trono, o marquês perdeu poder político e foi afastado do governo. Ele acabou condenado ao exílio, acusado de corrupção, mas não teve que deixar Portugal em razão de estar doente e idoso.

O Marquês de Pombal viveu até os 83 anos.
Fonte:Pesquisas e Trabalhos escolares no Grupo Escolar

Acordos de “paz” no pós-guerra


Os líderes da Inglaterra, EUA e União Soviética decidiram os rumos que o mundo iria tomar após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)

Após a capitulação da Alemanha, em maio de 1945, os países aliados (Inglaterra, França e Estados Unidos) e a União Soviética realizaram várias conferências antes de terminar a guerra e após o término da batalha na tentativa de consolidar os acordos de “paz” entre as nações no mundo pós-guerra.

As nações aliadas que saíram vitoriosas durante a Segunda Guerra Mundial impuseram, conforme o Tratado de Versalhes (1919), duras imposições aos países derrotados, ou seja, decidiram a partir de seus próprios interesses os rumos que a política mundial iria seguir.

No mês de fevereiro de 1945, antes do término da guerra, o presidente norte-americano (Roosevelt), o primeiro ministro inglês (Winston Churchill) e o líder comunista soviético (Josef Stálin) reuniram-se na Conferência de Yalta (Rússia) para definir as estratégias finais para derrotar a Alemanha nazista (o que culminou no dia D) e como iriam dividir entre si os territórios no pós-guerra. Ou seja, as três potências bélicas dividiram a Alemanha e a Áustria em zonas de ocupação, além disso, definiram novas fronteiras na Europa oriental.

Também em fevereiro de 1945 a Conferência de Teerã (atual Irã) tornou-se o palco onde os líderes políticos da União Soviética, da Inglaterra e dos EUA definiram as fronteiras polonesas em relação à União Soviética, que incorporou os países bálticos (Letônia, Estônia e Lituânia).

No mês de julho de 1945, as duas potências mundiais, EUA e a União Soviética, dividiram o mundo em zonas de influência, na Conferência de Potsdam (Berlim), deliberaram sobre o destino da Alemanha e de outras nações europeias e do Japão.

Durante os acordos de paz, as nações vitoriosas logo criaram uma nova Sociedade das Nações, a Organização das Nações Unidas (ONU). A Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação: a zona francesa, a inglesa, a norte-americana e a zona soviética. A capital, Berlim, ficou dividida em duas partes de influências, uma socialista e a outra capitalista. Outra preocupação das nações se constituiu na desmilitarização e no desarmamento da Alemanha. As indústrias alemãs foram transferidas (o capital) para Inglaterra e França. Mais uma vez, a Alemanha sofreria duras perdas, a perda bélica e a diplomática. Grande parte da população alemã no período pós-guerra foi duramente penalizada com a fome e a miséria que assolava duramente o país.

No oriente, o Japão sofreu duras sanções econômicas, o país foi ocupado pelos norte-americanos e desmilitarizado. O mundo no pós-guerra se tornou bipolarizado, ou seja, foi dividido em duas grandes áreas de influências, uma socialista e outra capitalista.

O bloco socialista era liderado pela União Soviética e reunia países que incorporaram o regime socialista como a Polônia, a Tchecoslováquia, a Hungria e a Coreia do Norte. O bloco capitalista foi liderado pelos EUA e agrupou nações que adotaram o regime capitalista, como Bélgica, Holanda, França e Brasil.

Os acordos entre os países aliados no período pós-guerra tinham como principal objetivo propiciar a paz mundial após os horrores causados pela Segunda Guerra, entretanto, as disputas pela hegemonia mundial entre a União Soviética (Socialista) e os EUA (Capitalista) levaram ao início da Guerra Fria.

Por Leandro Carvalho
Fonte:

Motins do Maneta


Os motins do Maneta tomaram de assalto a cidade de Salvador.

No século XVIII, a concorrência comercial entre as nações européias levava reis a se lançarem no mais variado tipo de afronta a seus concorrentes. Nesse período, a Inglaterra desfrutava de uma notória ascensão que, paulatinamente viria a viabilizar sua supremacia econômica sobre os demais países da Europa. Entre outras ações empreendedoras, destacamos a série de vantajosos acordos firmados com a Coroa Portuguesa.

Essas alianças, além de agitarem o ambiente econômico europeu, também reconfiguraram as relações entre Portugal e Brasil. Isso porque a relação de dependência de Portugal em relação à economia inglesa obrigava a metrópole lusitana a aumentar os ganhos com a exploração colonial, principalmente, por meio da elevação dos impostos. As conseqüências trazidas de tal situação puderam ser visivelmente observadas durante os chamados Motins do Maneta.

Nesse contexto, ainda temos que destacar a influência da Guerra de Sucessão Espanhola (1702 – 1714) que acirrou os ânimos das monarquias européias. A guerra contou com uma aliança entre Portugal e Inglaterra contra a possibilidade de unificação das coroas francesa e espanhola. A vitória luso-britânica frente às pretensões francesas contou com intensas batalhas que motivaram o envio de uma esquadra francesa contra as possessões coloniais portuguesas no Brasil.

Porém, um pouco antes dessa tentativa de invasão francesa, o governo português impôs o aumento dos impostos cobrados sobre o sal e os escravos comercializados no Brasil. A elevação tributária e a Guerra de Secessão se encontram neste ponto, tendo em vista os gastos excessivos da coroa lusitana na guerra européia. Os colonos, insatisfeitos com os reajustes, mobilizaram uma revolta a ser liderada pelo comerciante João de Figueiredo da Costa, conhecido como Maneta.

A primeira revolta, acontecida na cidade de Salvador, contou com uma distribuição de cartazes convocando a população contra os novos impostos. Mobilizados, os revoltosos se dirigiram contra a casa de comércio de Manuel Dias Figueiras, considerado o maior negociador de sal da região. Depois de realizarem o saque e a depredação da casa de comércio, os manifestantes foram à Casa do Governador exigindo o fim da medida. Acuada, a autoridade local cedeu à pressão anistiando os insurgentes e anulando os impostos.

Em meio à Guerra de Sucessão, a coroa francesa decidiu atacar a cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1711. Os cidadãos de Salvador, aterrorizados pela invasão estrangeira, organizaram uma nova revolta exigindo a organização de tropas contra a ocupação francesa. Nesse meio tempo, o corsário francês René Duguay-Trouin exigia das autoridades cariocas um carregamento de gado e açúcar – e uma indenização em dinheiro para não atacar o Rio de Janeiro.

A pressão dos populares baianos – agora liderados por Domingos da Costa Guimarães, Luís Chafet e Domingos Gomes – ficou conhecida como Motim Patriota. Os protestos e a organização de tropas brasileiras não chegou a se consolidar, pois o comandante francês recebeu seu resgate e partiu para as Guianas. O fim da presença francesa acabou desarticulando o novo movimento. Em contrapartida, as autoridades portuguesas resolveram punir com o degredos os líderes do motim, reafirmar os impostos e indicar um novo governador para o Rio de Janeiro.

Por Rainer Sousa

Fonte:

Dia D


Dia D: tropas anglo-americanas desembarcaram no norte da França, na região chamada Normandia
No dia 6 de junho de 1944, forças bélicas norte-americanas e inglesas desembarcaram e sobrevoaram a região norte da França, na Normandia, iniciava-se naquele momento a libertação da França e a derrota nazista.

O dia D, como ficou conhecido na história, tornou-se o marco inicial da efetiva derrota alemã nazista durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), um enorme contingente de navios de guerra transportou soldados e equipamentos bélicos da Inglaterra pelo Canal da Mancha até a região da Normandia, na França, que se encontrava dominada pelos alemães desde o ano 1940.

Os aliados haviam colocado em ação a operação ‘Overlord’, que tinha como principal objetivo a reconquista do norte da Europa, dominado pelos nazistas desde o início da guerra. Após a chegada das tropas aliadas à Normandia, efetivou-se os primeiros ataques com paraquedistas, uma sequência lógica de ataques havia sido planejada, os aliados, principalmente Inglaterra e Estados Unidos, formaram uma coalizão de forças a fim de derrotar e conquistar o exército alemão.

Seguido dos ataques dos paraquedistas, uma série de navios (caçadores de minas) eliminaram qualquer possibilidade de minas no mar, paralelamente, aviões bombardearam posições estratégicas alemãs. Outro fato que se tornou fundamental para o início da queda da Alemanha nazista no dia D se deu pelas estratégias de guerra, os aliados desembarcaram em Caen (Normandia), conseguiram enganar os alemães que esperavam o desembarque e ataques em Pas-de-Calais (também na Normandia), os dois locais se distanciavam em aproximadamente 400 km.

O erro de estratégia alemã rendeu sérias baixas, a Alemanha acreditava que as tropas aliadas chegariam por Pas-de-Calais, região francesa mais próxima da Inglaterra via Canal da Mancha. As tropas anglo-americanas com cerca um milhão e meio de soldados dominaram as defesas que os alemães forjaram no litoral e logo em seguida adentraram no território francês rumo à capital, Paris. No dia 25 de agosto de 1944, a resistência francesa juntamente com os aliados tomaram Paris.

As tropas aliadas conseguiram libertar Paris, setenta e cinco dias após a invasão da Normandia, logo em seguida, marcharam em direção à Alemanha. Paralelamente à frente ocidental regimentada pelos EUA e Inglaterra, a Rússia continuava sua marcha rumo a Berlim, os alemães recuaram suas posições frente às derrotas impostas pelos russos, na chamada frente oriental. Após o início da Batalha de ‘Overlord’, conhecida como dia D, a Alemanha nazista se encontrava encurralada entre o ocidente (EUA e Inglaterra) e o oriente (Rússia).

No mês de fevereiro de 1945, o exército russo se encontrava a 150 km da capital alemã, Berlim. Em março, soldados norte-americanos entraram no território alemão; no mês de abril, ingleses, norte-americanos e russos alcançaram Berlim, a cidade estava completamente cercada pelas tropas aliadas.

No dia 30 de abril de 1945, o exército russo estava a poucos metros do bunker onde Hitler se refugiava, a conquista da Alemanha seria iminente, o que fez o führer alemão nomear o almirante nazista Karl Doenitz a presidente do Reich e Joseph Goebbels, chanceler. Logo em seguida, Hitler e sua mulher, Eva Braun, suicidaram-se.

Em maio de 1945, os alemães assinaram a capitulação final, desta maneira estava decretada oficialmente a derrota da Alemanha nazista durante a Segunda Guerra.

Por Leandro Carvalho
Fonte:

A Semana de Arte Moderna de 1922

 . Foto: Divulgação

"... seria uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulista" - DI CAVALCANTI
Numa entrevista a uma revista cultural de São Paulo, feita em 1939, a pintora Anita Malfatti narrou os antecedentes da sua polêmica exposição de 1917. O acontecimento revelou-se quase tragédia para ela, mas acredito que pelo impacto que suscitou junto à público e críticos, tornou-se chave para o que veio depois.

Quiz: teste seus conhecimentos sobre a Semana 
Saiba mais sobre a Semana de Arte Moderna

Ela mesma confessa que quando mostrou suas telas a umas colegas "acharam-nas feias, dantescas e todas ficaram tristes ..., alguns jornalistas pediram-me para ver os quadros tão mal feitos e todos acharam que devia fazer uma exposição". Estava fortemente influenciada pelo expressionismo alemão, com aquela inclinação pelo grotesco e pelo caricatural. O comportamento do público era muito estranho, em geral a reação da maioria era de espanto, de frustração, com aquela nova estética importada da vanguarda europeia.

A resposta conservadora à ousadia de Anita Malfatti não demorou. Um pouco antes do Natal de 1917, Monteiro Lobato, num artigo publicado em O Estado de São Paulo, desancou não só a exposição como o futurismo, o cubismo, o impressionismo e todos os "ismos" da moda, dizendo-os produtos dos tempos decadentes, de cérebros deformados, afirmando que a única diferença das telas de Anita daquelas feitas nos manicômios, como terapia, é que a dos loucos era "arte sincera."

Comentando o choque provocado pela crítica de Lobato, Mario de Andrade disse que Anita ficou meio desaparecida uns quatro ou cinco anos. Quem a defendeu foi o jovem Oswald de Andrade, que mais tarde seria um dos mentores da nossa vanguarda, balançando sempre entre ser bufão ou anarquista, dizendo que a exposição pelo menos havia sacudido a crítica paulista da "sua tradicional lerdeza de comentários." Oswald por aqueles tempos era militante futurista, resultado da sua viagem à Europa em 1912, quando voltou com uma penca de manifestos inspirados por Fillipo Marinetti. Mas ele e os outros intelectuais que o cercavam não gostavam de ser assim designados, preferindo o de modernistas. O nome futurista tinha ligações com as loucuras feitas pelos vanguardistas europeus, que os rapazes paulistas, mais acanhados, não estavam preparados para assumir.

A crítica de Lobato serviu como elemento catalisador. Pensaram em aglutinar forças e marcar presença através de um ato espetacular. A revolução estética que anunciavam merecia algo apoteótico. Aproximava-se o ano de 1922, o ano do centenário da Independência brasileira. Era o momento ideal!
Como quase todos os integrantes do movimento modernista eram filhos da oligarquia paulista, não tiveram dificuldade em obter a adesão de Paulo Prado, curador do Teatro Municipal, que também providenciou os recursos.

Entre os dias 11 a 17 de fevereiro, promoveram conferências sobre a nova estética entremeadas de recitais, de música ou leitura de algumas obras. No saguão, alguns pintores e escultores espalharam seus trabalhos. A plateia foi à loucura: urravam, guinchavam, pateavam, silvavam, vaiavam de enrouquecer para mostrar seu desagrado com aquilo tudo. Não permitiram que se escutasse nenhuma frase do que Oswald disse. Com Villa Lobos não foi diferente. Tendo adentrado no palco com sandálias, pensaram que era uma pantomima do músico e ficaram quase histéricos. Na verdade, o jovem havia se machucado.

Uns tempos depois, passado o vendaval, Yan de Almeida Prado disse que tudo não passou de uma estudantada, uma brincadeira para quebrar o marasmo da paroquiana São Paulo. Mas é claro que não se reduziu a isso. Para alguns críticos, foi uma vigorosa tentativa de liderar o universo cultural brasileiro, sequestrando do Rio de Janeiro a primazia de estar à frente das coisas. A Paulicéia começara a se projetar como poderoso centro industrial, ambicionando ser também a vanguardeira das artes.

Mas afora essas interpretações de ser apenas mais um ato da longa novela de rivalidades entre paulistas e cariocas, se aceita hoje que a Semana de Arte Moderna de 1922 foi um momento de rompimento com a arte acadêmica e com a neocolonizada prosa parnasiana então predominante. Tornou o estilo anterior intragável e forçou a adoção, tanto na poesia como na prosa, de uma linguagem solta, ausente de formalismos, afastada da pedanteria e da incorrigível vocação academicista. Não conseguiu, porém, fazer com que o público aderisse com entusiasmo às novas formas de expressão, aliás, como bem poucas vanguardas o fizeram. Em nosso século, os artistas foram lançados num limbo de incompreensão raro de encontrar na história da estética universal.
Para os intelectuais, a Semana serviu como uma redescoberta do Brasil, mostrando-o fruto de uma cultura mestiça, vacilando entre o bestialismo e a civilização, em perpétuas dúvidas sobre ser ou não ser parte da periferia do Ocidente.

Fonte:VOLTAIRE SCHILLING

Nuremberg: o nazismo no banco dos réus

Com o fim da Segunda Guerra, os Aliados organizaram um tribunal para processar a cúpula do III Reich pelas atrocidades cometidas durante o conflito. Tinha início o maior julgamento de crimes de guerra já visto na história


United States Holocaust Memorial Museum, Washington D.C.

Os acusados durante uma sessão do Tribunal Militar Internacional montado na cidade alemã
por Henri Amouroux

Nuremberg, 16 de outubro de 1946. Treze degraus levam a uma plataforma com três forcas pintadas de verde. O carrasco, sargento John C. Woods, faz os últimos ajustes nas cordas. Ao pé da pequena escadaria estão quatro generais representando os Aliados, oito jornalistas, oficiais de exército e alguns soldados de guarda. Também o primeiro-ministro da Baviera e o procurador-geral de Nuremberg estão no local, convocados como testemunhas. Ao todo, 45 pessoas observam a cena.

Pouco depois da 1h00 da madrugada, o primeiro condenado caminha para a forca. É Joachim von Ribbentrop, ex-ministro de Relações Exteriores do III Reich. Ele pronuncia com dificuldade seu próprio nome, pois todos haviam recebido a ordem de se identificar antes da execução, e diz suas palavras finais: “Que Deus proteja a Alemanha e tenha piedade da minha alma. Meu último desejo é que meu país reencontre sua unidade e que o leste e o oeste se entendam pela paz mundial”. Sua morte será oficialmente constatada à 1h32.

O próximo condenado conduzido ao cadafalso é o marechal de campo Wilhelm Keitel, ex-chefe do comando supremo das Forças Armadas. Em seguida, Ernst Kaltenbrunner, ex-chefe da Gestapo, e Alfred Rosenberg, ideólogo do Partido Nazista e ministro dos territórios ocupados do Leste.

São 2h00 da manhã, e John C. Woods passa a corda pelos pescoços de Hans Frank, ex-governador da Polônia, e Wilhelm Frick, ministro do Interior do III Reich. O próximo na fila é Julius Streicher, editor do jornal antissemita Der Stümer e único condenado a gritar “Heil Hitler!” antes de sua execução. Ainda no pé da forca ele diz: “Feliz Yom Kippur! E agora no caminho em direção a Deus” e, após um breve silêncio, completa: “Os bolcheviques enforcarão

Por último sobem Ernst "Fritz" Sauckel, o organizador dos recrutamentos forçados de mão de obra, o general Alfred Jodl e, finalmente, às 3h45, Arthur Seyss-Inquart, ex-comissário do Reich nos Países Baixos.

Terminados os dez enforcamentos, os condenados são alinhados ao pé do cadafalso. Ainda encapuzados e com o torço nu, os corpos passam pelo exame dos médicos aliados, que constatam cada morte diante dos jornalistas.

A esses cadáveres se juntaria um 11o: o de Hermann Göring. Apesar de supostamente estar vigiado “a todo instante”, o ex-líder nazista havia conseguido se suicidar às 22h45 do dia 15, quebrando uma ampola de cianeto de potássio em sua boca. Até hoje não se sabe como Göring conseguiu o veneno.

Ao lado de seu corpo foi encontrada uma carta, datada de 11 de outubro. Proclamando-se “marechal do grande Reich alemão”, o acusado número um do processo de Nuremberg escreveu: “Eu teria permitido-lhes fuzilar-me sem nenhuma outra forma de processo. Mas é impossível capturar o marechal do Reich alemão! Não posso permitir que isso aconteça, pela Alemanha. Além disso, não tenho obrigação moral de submeter-me à justiça de meus inimigos. Por isso escolhi a maneira de morrer do grande Aníbal”, fazendo referência ao general cartaginês que, sob a ameaça de ser capturado pelos romanos, cometeu suicídio em 183 a.C.

Ao amanhecer, os 11 corpos foram colocados em caminhões do exército americano. Sob identidades falsas, os cadáveres foram transportados até o cemitério leste de Munique e incinerados junto com as cordas usadas nos enforcamentos. As cinzas foram lançadas no rio Isar, que atravessa a capital da Baviera. O objetivo dessa operação era eliminar qualquer vestígio das execuções, evitando que restos mortais ou objetos se tornassem alvo de veneração de nostálgicos do nazismo.

Enquanto esse comboio transportava os 11 corpos, os demais altos funcionários do III Reich capturados limpavam o ginásio da prisão onde haviam ocorrido as execuções. Ao todo eram sete prisioneiros, condenados à prisão perpétua ou a longas penas.

Terminavam, assim, os processos de Nuremberg, iniciados às 10 horas da manhã no dia 20 de novembro de 1945. Chegava ao fim o maior julgamento de crimes de guerra já visto na história.

Mas como surgiu a ideia de levar os criminosos nazistas a um tribunal? É preciso recordar, em primeiro lugar, o Tratado de Versalhes (1919). Segundo seus artigos 227 a 230, o acordo que selou o fim da Primeira Guerra Mundial obrigava a derrotada Alemanha a entregar às potências vencedoras 900 pessoas consideradas culpadas por crimes de guerra, incluindo o próprio imperador Guilherme II. Obviamente, essa ordem não foi cumprida.


Memorium Nuremberg Trials/Nara

Escoltado por dois guardas, Göring ouve sua sentença. De acordo com os presentes, o ex-lider nazista não esboçou qualquer reação


Pensando nisso, e tendo em mente a gravidade das ações dos nazistas, os Aliados publicaram, em janeiro de 1942, uma declaração na qual se comprometiam a castigar todos os criminosos alemães “por meio da justiça organizada”. No entanto, Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética só conseguiram chegar a um acordo sobre essa punição em agosto de 1945, quatro meses depois de sua vitória.

Até essa data, dirigentes dos três países ainda defendiam uma “solução política”, ou seja, a execução sem julgamento de milhares de alemães. Durante a Conferência de Teerã, em novembro de 1943, Stalin chegou a declarar que a execução sumária de 50 mil oficiais e técnicos seria suficiente para aniquilar definitivamente a força militar alemã. Essa solução radical também era cogitada por Henry Morgenthau, secretário do Tesouro dos Estados Unidos e autor do plano de “desindustrialização total” da Alemanha, o que fez com que a proposta chegasse aos ouvidos do presidente Roosevelt. Mas Churchill rejeitou a ideia.

Decidiu-se, portanto, que os principais responsáveis pelos crimes nazistas seriam julgados, com direito a advogados de defesa alemães. Além deles, o próprio Partido Nacional-Socialista, as SS, a Gestapo e o comando supremo da Wehrmacht (Forças Armadas alemãs) também iriam para o banco dos réus.

Em um país destruído pela guerra, a primeira tarefa foi encontrar um lugar apropriado para instalar a corte. A cidade de Nuremberg, no estado da Baviera, foi escolhida por um motivo simples: o palácio de justiça e a prisão haviam sido poupados pelos bombardeios. A necessidade de “exorcizar” a memória do nazismo contou pouco.

Acordou-se, por fim, que o tribunal estaria fundado no sistema judiciário anglo-saxão, o que desconcertou juristas e jornalistas pouco acostumados com esse modelo. Assim, o que deveria ter sido um processo rápido só pôde começar 104 dias após a decisão de instalá-lo.

Os juízes encarregados do processo foram designados exclusivamente pelos países que saíram vitoriosos da Segunda Guerra, o que gerou protestos dos advogados alemães. De fato, magistrados germânicos não alinhados com o nazismo ou de países neutros não tiveram participação no tribunal, o que gerou uma situação questionável: os “vencedores” julgaram os “vencidos”. Mas seria possível tamanha isenção em outubro de 1945? Além disso, o tribunal não poderia, por sua composição e sua natureza, pôr em um impossível pé de igualdade os crimes de guerra cometidos por algum dos Aliados e os crimes nazistas: eles eram monstruosos e inomináveis.

No total, a acusação forneceu 12.630 documentos e convocou 33 testemunhas. A defesa respondeu com 2.700 documentos e 64 testemunhas. Os debates ocuparam 22 volumes, e os anexos preencheram outros 20. Logo, seria impossível mencionar, em um pequeno texto como este, mais do que alguns momentos marcantes do julgamento.

Um dos pontos mais dramáticos foi a projeção de um filme sobre os campos de concentração na tarde de 29 de novembro de 1945. Enquanto o vídeo era rodado, jornalistas se esforçavam para descobrir as reações dos réus diante do horror. O escritor Lucien Corosi, que assistia à audiência, escreveu que Göring de vez em quando olhava as imagens, Joachim von Ribbentrop desviou o olhar, Rudolf Hess parecia descobrir algo completamente desconhecido até então, e Hans Frank, responsável por vários crimes na Polônia, chorava.

Outro momento importante foi o testemunho de Otto Ohlendorf, um dos membros do alto comando das SS, que trouxe revelações aterrorizantes sobre o extermínio de comunistas e judeus nos territórios ocupados da Rússia. Questionado pelo general Iona Nikitchenko, representante da União Soviética em Nuremberg, sobre os massacres de crianças, Ohlendorf respondeu:

– A ordem prescrevia que a população judia deveria ser totalmente exterminada.
– Incluindo as crianças? – replicou Nikitchenko.
– Sim.
– Todas as crianças judias foram massacradas?
– Sim.

Um diálogo entre Ernst Kaltenbrunner, ex-chefe da Gestapo, e seu advogado também foi marcante. Com a vã esperança de atenuar a culpa de seu cliente, o representante da defesa perguntou: “Ao chegar (a um campo de concentração), as vítimas deveriam deixar tudo o que possuíam, desnudar-se completamente, entregar suas bijuterias etc.?”. A resposta foi seca: “Sim”. O advogado insistiu: “Mas elas partiam diretamente para a morte?”. Mais uma vez, Kaltenbrunner respondeu afirmativamente.

Ao fim dos processos, quatro denúncias foram acolhidas pelos juízes, a começar pela existência de um plano entre 1919 e 1945 para montar um complô e dominar a Europa. Portanto, era possível imputar aos réus crimes cometidos antes de sua adesão ao nacional-socialismo.

Outras duas denúncias foram as de crimes contra a paz, que teriam ocorrido desde a remilitarização da Renânia (1936) até a invasão da Polônia (1939), e crimes de guerra, cometidos, segundo o tribunal, “em proporções desconhecidas pelas guerras anteriores” e fruto da “concepção nazista de 'guerra total' aplicada à guerra de agressão”.

A quarta denúncia foi a mais importante: pela primeira vez na história um país foi acusado de cometer “crimes contra a humanidade”. Essa noção não existia até a descoberta dos campos de extermínio nazistas. Do ponto de vista do direito internacional, a definição desse tipo de crime mudou ao longo das últimas seis décadas, mas a ideia ganhou seus primeiros contornos jurídicos em Nuremberg.

No dia 30 de setembro, o veredicto foi lido na presença de todos os prisioneiros. No dia seguinte, o presidente do tribunal, o lorde britânico Geoffrey Lawrence, leu a sentença a cada um dos réus. Cercado por dois guardas, Göring foi o primeiro a se apresentar diante da corte. Às 14h50 ouviu que estava condenado à pena de morte por enforcamento e foi retirado do salão sem manifestar nenhuma emoção. Um a um, todos os outros 20 acusados conheceram seu destino na tarde do dia 1º de outubro.

Às 15h36, após ler todas as sentenças, lorde Lawrence anunciou pela 416ª vez desde o início dos processos de Nuremberg: “A audiência está suspensa”. Dessa vez, em definitivo.

Fonte:

O genocídio em Ruanda



O presidente Paul Kagame ainda enfrenta o desafio de sanar o ódio mortal entre tutsis e hutus.

Conforme sabemos, a ação imperialista no continente africano foi responsável por várias situações de conflito entre as populações nativas. Um dos mais lamentáveis frutos desse tipo de intervenção se desenvolveu quando os belgas, no início do século XX, se instalaram na região de Ruanda. Ali temos a presença dos tutsis e hutus, duas etnias que há muito ocupavam a mesma região.

Do ponto de vista cultural, tutsis e hutus partilhavam de uma série de similaridades por falarem a mesma língua e seguirem um mesmo conjunto de tradições. Contudo, quando os belgas chegaram à região, observaram que estes dois grupos étnicos se diferenciavam por conta de algumas características físicas. Geralmente, os tutsis têm maior estatura, são esguios e tem um tom de pele mais claro.

Na perspectiva dos belgas, essas características eram suficientes para acreditarem que os hutus – mesmo sendo a maioria da população – seriam moralmente e intelectualmente inferiores aos tutsis. Dessa forma, os imperialistas criaram uma situação de ódio e exclusão socioeconômica entre os habitantes de Ruanda. A política distintiva dos belgas chegou ao ponto de registrar nas carteiras de identidade quem era tutsi e hutu.

Na década de 1960, seguindo o processo de descolonização do pós-Segunda Guerra, o território ruandês foi deixado pelos belgas. Em quase meio século de dominação, ódio entre as duas etnias transformara aquela região em uma bomba prestes a explodir. Cercados por uma série de problemas, a maioria hutu passou a atribuir todas as mazelas da nação à população tutsi.

Pressionados pelo revanchismo, os tutsis abandonaram o país e formaram imensos campos de refugiados em Uganda. Mesmo acuados, os tutsis e alguns hutus moderados se organizaram politicamente com o intuito de derrubar o governo do presidente Juvenal Habyarimana e retornar ao país. Com o passar do tempo, esta mobilização deu origem à Frente Patriótica Ruandense (FPR), liderada por Paul Kagame.

Na década de 1990, vários incidentes demarcavam a clara insustentabilidade da relação entre tutsis e hutus. No ano de 1993, um acordo de paz entre o governo e os membros do FPR não teve forças para resolver o conflito. O ponto alto dessa tensão ocorreu no dia 6 de abril de 1994, quando um atentado derrubou o avião que transportava o presidente Habyarimana. Imediatamente, a ação foi atribuída aos tutsis ligados ao FPR.

Na cidade de Kigali, capital da Ruanda, membros da guarda presidencial organizaram as primeiras perseguições contra os tutsis e hutus moderados que formavam o grupo de oposição política no país. Em pouco tempo, várias estações de rádio foram utilizadas para conclamar outros membros da população hutu a matarem os “responsáveis naturais” daquele atentado.

A propagação do ódio resultou na formação de uma milícia não oficial chamada Interahamwe, que significa “aqueles que atacam juntos”. Em pouco mais de três meses, uma terrível onda de violência tomou as ruas de Ruanda provocando a morte de 800 mil tutsis. O conflito contra as tropas governistas acabou sendo vencido pelos membros do FPR, que tentaram estabelecer um regime conciliatório.
Apesar dos esforços, a matança e a violência em Ruanda fizeram com que cerca de dois milhões de cidadãos fugissem para os campos de refugiados formados no Congo. Nesta região, o problema entre as etnias tutsi e hutu continuaram a se desenvolver em várias situações de conflito. O atual governo de Ruanda, liderado por tutsis, promoveu algumas invasões ao Congo em busca de alguns líderes radicais da etnia hutu.

Nos últimos anos, a prisão do guerrilheiro tutsi Laurent Nkunda e as experiências bem sucedidas nos campos de desmobilização vêm amenizando a convivência entre tutsis e hutus. Além disso, o presidente Paul Kagame anulou os antigos registros que diferenciavam a população por etnia. Em algumas cidades de pequeno porte, já é possível observar que os traumas do genocídio de 1994 estão sendo superados.


Por Rainer Sousa
Fonte:http://guerras.brasilescola.com/

Comércio de escravos na África

O comércio de escravos existiu na África desde a Antiguidade, porém o número de escravos acentuou-se na Idade Moderna, com o tráfico negreiro europeu.

Da captura de escravos no interior do território ao comércio de escravos nos navios negreiros

Da captura de escravos no interior do território ao comércio de escravos nos navios negreiros

O comércio de pessoas que se tornavam escravizadas estava presente no continente africano desde os egípcios antigos. As pessoas se tornavam escravas na África principalmente em razão das guerras: membros de tribos rivais eram reduzidos à condição de cativos, ou seja, escravos. As guerras se davam entre os diversos reinos africanos e, também, por meio dos conflitos que ocorriam entre as diferentes etnias africanas. Outra forma pela qual as pessoas se tornavam escravas era através das dívidas.

Na África, o comércio de escravos teve início por volta do século II a. C., quando o faraó Snefru retornou da região da Núbia com milhares de prisioneiros de guerra que se tornaram escravos no Egito Antigo. Posteriormente, gregos e romanos continuaram a traficar e a escravizar os africanos que se tornaram prisioneiros de guerra. É bom ressaltar que grande parte do norte da África integrou o Império Romano, e os gregos dominaram por muito tempo o mar Mediterrâneo, que liga o continente europeu com o continente africano. Em razão disso, vários africanos foram escravizados pelos romanos e gregos.

Com a conquista árabe, no século XII, principalmente no norte da África, o tráfico de escravos e o número de pessoas escravizadas na África aumentaram. Porém, o comércio de escravos africanos aumentou significativamente a partir do tráfico negreiro inaugurado pelos europeus no contexto da expansão marítima europeia, no século XV (Idade Moderna).

No decorrer do século XV, os europeus, no intuito de expandir suas atividades comerciais, exploraram a costa africana. Com a colonização da América, necessitavam de mão de obra para trabalhar nas terras conquistadas no “Novo Mundo”.

Diante dessa nova realidade, os europeus passaram a praticar o lucrativo tráfico negreiro, que aconteceu durante quatro séculos entre o continente africano e o continente americano. O tráfico negreiro ocasionou transformações na sociedade africana, pois o aumento ou a diminuição da escravidão interna (na África) estava relacionado (a) com a maior ou a menor demanda externa (para a América). Portanto, quanto maior a necessidade de escravos na América, maior era o número de pessoas escravizadas na África. Assim, o tráfico negreiro se tornou um negócio rentável.

O contingente de africanos que foram trazidos forçadamente para a América como escravos não é preciso, mas situa-se entre dez e onze milhões de africanos escravizados, desde o século XV até a abolição do tráfico negreiro em Cuba, no ano de 1868. No Brasil, o tráfico negreiro foi proibido com a Lei Eusébio de Queiroz em 1850, mas a escravidão somente foi abolida no ano de 1888.

Leandro Carvalho
Fonte: