1.4.12

União Ibérica


A ação de Filipe II estabelece a união dos tronos português e espanhol.


No ano de 1578, durante a batalha contra os mouros marroquinos em Alcácer-Quibir, o rei português dom Sebastião desapareceu. Esse evento iniciou uma das mais complicadas crises sucessórias do trono português, tendo em vista que o jovem rei não teve tempo suficiente para deixar um descendente em seu lugar. Nos dois anos seguintes, o cardeal dom Henrique, seu tio-avô, assumiu o Estado português, mas logo morreu sem também deixar herdeiros.

Imediatamente, Filipe II, rei da Espanha e neto do falecido rei português D. Manuel I, se candidatou a assumir a vaga deixada na nação vizinha. Para alcançar o poder, além de se valer do fator parental, o monarca hispânico chegou a ameaçar os portugueses com seus exércitos para que pudesse exercer tal direito. Com isso, observamos o estabelecimento da União Ibérica, que marca a centralização dos governos espanhol e português sob um mesmo governo.

A vitória política de Filipe II abriu oportunidade para que as finanças de seu país pudessem se recuperar após diversos gastos em conflitos militares. Para tanto, tinha interesse em estabelecer o comércio de escravos com os portugueses, que controlavam tal atividade na costa africana. Além disso, o controle da maior parte das possessões do espaço colonial americano permitiria a ampliação dos lucros obtidos através da arrecadação tributária.

Apesar de todas estas vantagens, o imperador espanhol teve a astúcia de manter uma significativa parcela dos privilégios e posições ocupadas por comerciantes e burocratas portugueses. No Tratado de Tomar, assinado em 1581, Filipe II assegurou que os navios portugueses controlassem o comércio com a colônia, a manutenção das autoridades lusitanas no espaço colonial brasileiro e o respeitodas leis e costumes brasileiros.

Mesmo preservando aspectos fundamentais da colonização lusitana, a União Ibérica também foi responsável por algumas mudanças. Com a junção das coroas, as nações inimigas da Espanha passam a ver na invasão do espaço colonial lusitano uma forma de prejudicar o rei Filipe II. Desta maneira, no tempo em que a União Ibérica foi vigente, ingleses, holandeses e franceses tentaram invadir o Brasil.

Entre todas essas tentativas, podemos destacar especialmente a invasão holandesa, que alcançou o monopólio da atividade açucareira em praticamente todo o litoral nordestino. No ano de 1640, a chamada Restauração, definiu a vitória portuguesa contra a dominação espanhola e a consequente extinção da União Ibérica. Ao fim do conflito, a dinastia de Bragança, iniciada por dom João IV, passou a controlar Portugal.


Por Rainer Sousa

Fonte:

Ditadura argentina, a mais sanguinária da América do Sul, foi fracasso militar e econômico

Os argentinos recordam hoje – feriado nacional – os 33 anos do golpe que instaurou, no dia 24 de março de 1976, a mais sanguinária Ditadura Militar da América do Sul. Organizações de defesa dos Direitos Humanos, associações civis, partidos políticos e sindicatos realizarão cerimônias para recordar os 30 mil civis assassinados pela Ditadura. Diversas marchas estão programadas para exigir que a Justiça acelere os processos contra os autores de crimes contra a Humanidade.


O ditador argentino Jorge Rafael Videla acreditava que estava realizando uma missão divina

FATOS E NÚMEROS
- Entre 1976 e 1983 os militares assassinaram ao redor de 30 mil civis, entre eles, crianças e idosos, segundo estimativas de ONGs argentinas e organismos internacionais de defesa dos Direitos Humanos.

- Os militares afirmam que mataram “somente” 8 mil civis (segundo declarações do próprio general e ex-ditador Reynaldo Bignone, à TV francesa na virada do século, outros colegas seus dizem que não mataram pessoa alguma)

- O Estado argentino, com a volta da Democracia, recebeu pedidos para indenizações da parte de parentes de 10 mil desaparecidos.

- A Ditadura teria sido responsável pelo sequestro de 500 bebês, filhos das desaparecidas. Desde o final dos anos 70 as avós da Praça de Mayo localizaram e recuperaram a identidade de 95 dessas crianças, atualmente adultos.

- Em 1983, nos últimos meses da Ditadura, um relatório das próprias forças armadas argentinas indicou que a guerrilha e grupos terroristas de esquerda e cristãos nacionalistas teriam assassinado 900 pessoas. Diversos historiadores afirmaram ao longo dos anos que esse número está ligeiramente inflacionado, já que diversos dos mortos da lista militar teriam sido assassinados pelos próprios militares, na miríade de brigas internas (e, convenientemente, teriam colocado a culpa nos terroristas).


Nos últimos anos, equipes de especialistas começaram a descobrir fossas comuns onde estão enterrados os corpos dos desaparecidos

MODALIDADES DE ASSASSINATOS
Formas de assassinar civis, por parte dos militares, durante a Ditadura:
- Jogar pessoas vivas, desde aviões, sobre o rio da Prata ou o Oceano Atlântico.
- Juntar prisioneiros, amarrados, e dinamitá-los.
- Fuzilamento.
- Morte por terríveis torturas

MODALIDADES DE TORTURAS
As modalidades de tortura abrangeram um amplo leque. Algumas foram criadas na Argentina, outras, importadas das forças de segurança da França que haviam atuado na Guerra da Argélia.

- Picana elétrica – criada nos anos 30 na Argentina por Leopoldo Lugones Hijo, filho do escritor Leopoldo Lugones. Era o instrumento para assustar o gado com choques elétricos. Aplicado a seres humanos, tornou-se no instrumento preferido de tortura na Argentina. A neta do escritor e filha do torturador, Susana ‘Piri’ Lugones, militante de esquerda, foi torturada e morta na Ditadura com o invento criado pelo próprio pai.

- Submarino molhado: afundar a cabeça de uma pessoa em uma tina d’água. Ocasionalmente a tina também estava cheia de excrementos humanos.

- Submarino seco: colocar a cabeça de uma pessoa dentro de um saco de plástico e esperar que ela ficasse quase asfixiada.

- O rato no cólon: colocação de um rato, faminto, no cólon de um homem. Nas mulheres, o rato era colocado na vagina.

Diversas testemunhas indicam que os torturadores argentinos ouviam marchas militares do Terceiro Reich e discursos de Adolf Hitler enquanto torturavam.


Colegas ditadores: o chileno Augusto Pinochet (ao fundo) e o argentino Jorge R. Videla (em primeiro plano)

GUERRA CIVIL OU GUERRILHA LOCALIZADA?
Os militares deram o golpe e instauraram a ditadura mais sanguinária da História da América do Sul (América do Sul, não América Latina) com o argumento (um dos vários) de que a guerrilha controlava grande parte do país.
Mas, a realidade é que a pequena guerrilha argentina, mais especificamente a que era protagonizada pelo ERP (Exército Revolucionário do Povo), dominava às duras penas uma pequena porcentagem da província de Tucumán, a menor província da Argentina (localizada no norte do país).
A magnificação da guerrilha foi útil para os militares e também para o prestígio dos guerrilheiros. A nenhum dos dois lados era conveniente admitir a realidade, de que a área controlada pela guerrilha era ínfima.
Os militares e os setores civis que apoiaram o golpe (e os saudosistas daqueles tempos) afirmavam (e ainda afirmam) que o país estava em guerra civil nos nos 70.
Mas, “guerra civil”, rigorosamente, seriam conflitos de proporções mais substanciais, tais como a Guerra da Secessão dos EUA, a Guerra Civil Espanhola, a Guerra Civil Russa logo após a proclamação do Estado Soviético, a Guerra das Duas Rosas (Lancasters versus Yorks, na Inglaterra) ou a Guerra Civil da Grécia após o fim da Segunda Guerra Mundial. Ainda: a Guerra Civil da Nicarágua, e a de El Salvador.
Isto é: bombardeios de cidades, grandes êxodos de refugiados, centenas de milhares de mortos, uma boa parte de um país controlado por um dos lados, e outra parte controlada por outro lado. Isso não ocorreu na Argentina nos anos 70.

FRACASSOS ECONÔMICOS E MILITARES
Além de ter sido a mais sanguinária Ditadura da região no século XX, o regime de 1976-83 foi um fracasso tanto na área militar como na esfera econômica.

Fiascos Militares:

O general Galtieri – famoso por seu costume de ingerir significativas doses de scotch – protagonizou a invasão das ilhas Malvinas em abril de 1982; em junho seus oficiais já estavam assinando a rendição às tropas britânicas

- Entre 1976 e 1978 a Ditadura colocou quase a totalidade das Forças Armadas para perseguir uma guerrilha que já estava praticamente desmantelada desde antes do golpe, em 1975. Analistas militares destacam que este desvio das Forças Armadas argentinas (que havia iniciado no final dos anos 60 mas intensificou-se a partir do golpe) reduziu drásticamente o profissionalismo dos militares.

- Em 1978, a Junta Militar argentina levou o país a uma escalada armamentista contra o Chile. Em dezembro daquele ano, a invasão argentina do território chileno foi detida graças à intermediação papal. O custo da corrida armamentista colocou o país em graves problemas financeiros.

- Em 1982, perante uma crise social, perda de sustentabilidade política e problemas econômicos, o então ditador Leopoldo Fortunato Galtieri – famoso por seu intenso approach ao scotch – decidiu invadir as ilhas Malvinas para distrair a atenção da população. Resultado: após um breve período de combate, os oficiais do ditador renderam-se às tropas britânicas.

Desastres econômicos:

Martínez de Hoz, Ministro da Economia do ditador Videla, aumentou a dívida pública argentina, elevou o déficit fiscal e criou ‘la plata dulce’ (a ciranda financeira argentina)

- Em sete anos de Ditadura, a dívida externa subiu de US$ 8 bilhões para US$ 45 bilhões.

- A inflação do governo civil derrubado pela Ditadura, que era considerada um índice “absurdo alto” pelos militares havia sido de 182% anual. Mas, este índice foi superado pela política econômica caótica da Ditadura, que encerrou sua administração com 343% anual.

- A pobreza disparou de 5% da população argentina para 28%

- A participação da indústria no PIB caiu de 37,5% para 25%, o que equivaleu a um retrocesso dos níveis dos anos 60.

- Além disso, a Ditadura criou uma ciranda financeira, conhecida como “la plata dulce”, ou, “o doce dinheiro”.

- Ao mesmo tempo em que tomavam medidas neoliberais, como a abertura irrestrita das importações, os militares continuavam mantendo imensas estruturas nas empresas estatais, que transformaram-se em cabides de emprego de generais, coronéis e seus parentes.

- Os militares também estatizaram US$ 15 bilhões de dívidas das principais empresas privadas do país (além das filiais argentinas de empresas estrangeiras).

- No meio desse caos econômico, os militares provocaram um déficit fiscal de 15% do PIB.

- A repressão provocou um êxodo de centenas de milhares de profissionais do país. Os militares, em cargos burocráticos, exacerbaram a corrupção na máquina estatal.

MILITARES E ESPORTE - Apesar das denúncias de graves violações aos Direitos Humanos a FIFA não cancelou a realização da Copa de 1978. Para a Ditadura, a vitória nesse evento esportivo foi um trunfo político, que lhe garantiu alta popularidade. Os argentinos exilados discutiam no exterior se deveriam torcer a favor ou contra a seleção. Alguns argumentavam que a vitória na Copa não favoreceria a Ditadura, e que esporte e política nunca se misturam. Outros destacavam que esporte e política misturam-se, e muito.

NEGOCIATAS DE 1978 – O Orçamento inicial da Copa de 1978 era de US$ 70 milhões. Custo final da Copa: US$ 700 milhões (o valor supera amplamente o custo da Copa realizada na Espanha, em 1982, que foi de US$ 520 milhões).

Fonte: ESTADO.COM.BR - Blogs

A construção de Brasília por Marcel Gautherot




Fotógrafo francês Marcel Gautherot fez essas imagens em preto e branco da construção da nova cidade de Brasília projetado por Oscar Niemeyer para substituir o Rio de Janeiro como a capital do Brasil na década de 50.



























Fonte:A caixa verde

A Tragédia do Principessa Mafalda - O relato do maior naufrágio na história do Brasil


Recentemente o naufrágio do transatlântico Costa Concórdia na Itália serviu para nos lembrar de outras grandes tragédias em alto mar.

Lendo uma matéria à respeito de grandes naufrágios, fiquei sabendo da história doPrincipessa Mafalda. O transatlântico italiano, que se dirigia para Buenos Aires - e que faria uma parada nos portos do Rio de Janeiro e Santos - naufragou próximo aAbrolhos, litoral da Bahia em Outubro de 1927.

O acontecimento foi considerado na época uma enorme tragédia, revivendo a memória da maior de todas as tragédias náuticas, o naufrágio do Titanic, ocorrido apenas 15 anos antes. Para todos os efeitos, a tragédia do Principessa Mafalda em águas brasileiras é considerado como um dos mais dramáticos naufrágios em nossa história.

A História do Navio

Em 1902 por ocasião do nascimento da segunda filha do Rei Vittorio Emanuele III,Mafalda di Savoia, uma embarcação de luxo foi batizada como Principessa Mafalda.

O transatlântico, de propriedade do Lloyd Italiano (Lloyd Italiano Società di Navegazione), foi construído nos estaleiros da Società Esercizio Bacini em Riva Trigoso, próximo a Gênova, e veio a substituir sua embarcação gêmea, a Principessa Iolanda, a fim de estabelecer uma linha rápida de luxo para a América do Sul.


Nessa época, os navios de passageiro de grande porte eram chamados de Ocean Linerspois ligavam o globo através de rotas marítimas levando milhares de pessoas de um canto para o outro. A América do Sul era uma terra que sinalizava com oportunidades para todo tipo de pessoa, desde os pobres imigrantes interessados em tentar a sorte no novo mundo, até ricos investidores estrangeiros ambicionando conquistar fortuna.

O Principessa Mafalda inaugurou a linha Gênova-Buenos Aires com escalas em Barcelona, Rio de Janeiro, Santos e Montevidéu, tendo partido para sua primeira viagem a 30 de Março de 1909.

Com seus 147 metros de comprimento, 17 metros de boca, 10 metros de calado e suas 9.210 toneladas, O Principessa era uma das maiores embarcações italianas de passageiros da época. Um verdadeiro gigante dos mares. Seu casco era dividido em 10 compartimentos estanques e seus dois motores, do tipo “quadruple expansion” de 4 cilindros, lhe forneciam 917 hp. permitindo-lhe, com suas duas hélices, navegar a uma velocidade de cruzeiro de 16 nós e uma velocidade máxima de 18,5 nós.

Suas acomodações eram divididas em 1a., 2a. e 3a. classes. Os que viajavam nas classes superiores dispunham de conforto equivalente a um hotel de luxo. Ele gozavam de amplos salões de jantar com cozinha internacional, salões de leitura, cassino, lounge para fumantes, decoração de excelente gosto com obras de arte, serviço de camareiro e sala de exercício. Um luxo que sequer podia ser imaginado pelos passageiros da terceira classe, apinhados em cabines apertadas quase no porão da embarcação.
Durante a Grande Guerra, o Mafalda fez o transporte de passageiros que fugiam para a América e trouxe de volta toneladas de armamento e munições. Chegou a ser avariado por torpedos e escapou de um bombardeio em Taranto com poucas avarias. Após o conflito, ele foi reintegrado a rota sul-americana.

Em 1927, o navio ainda realizava esse trajeto, embora a longa carreira já cobrasse seu preço, tanto que rumores davam conta de que o navio no ano seguinte faria trechos mais curtos no Mediterrâneo.

A viagem Final

No dia 11 de Outubro de 1927 a Principessa Mafalda partiu de Gênova em sua rota normal transportando à bordo 971 passageiros instalados da seguinte forma: 52 na 1a. classe, 92 na 2a. e 827 na 3a. A maior parte dos passageiros tinha como destino final a cidade de Buenos Aires, sendo que iriam desembarcar passageiros também no Rio de Janeiro e Santos em sua maioria empresários locais.

A tripulação composta de 288 pessoas, sendo 20 oficiais e 268 tripulantes era experiente. O Capitão, Simone Guli, já comandava o navio a mais de 10 anos e havia provado suas qualidades durante a guerra quando salvou o Principessa da predação dos submarinos e do perigo de minas marinhas.

O navio realizou sua primeira escala em Barcelona e partiu para a América do Sul porém, por um problema mecânico à bordo, realizou nova escala em Cabo Verde. Tendo sido o problema sanado retomou seu curso.

No dia 24 de Outubro, novo problema mecânico ocorre e, mesmo com as categóricas afirmações do comandante Guli comunicando aos passageiros de que nada de grave estava ocorrendo, a velocidade da embarcação foi reduzida a 10 nós, fato que inspirava preocupação e evidenciava um problema no maquinário.

O Naufrágio

No final da tarde do dia 25, segundo alguns passageiros, pouco depois do jantar, uma forte trepidação sacudiu o transatlântico. Esta trepidação foi causada, segundo confirmado posteriormente, pelo rompimento do tubo da hélice direita. A hélice descreveu então um giro excêntrico atingindo o casco que se rompeu com o choque. Em questão de minutos a casa das máquinas foi tomada pelas águas. O volume de água que penetrou foi tão grande que as caldeiras se apagaram e o navio parou com um tranco. Segundo alguns rumores foram ouvidas três explosões e logo a parte de trás do navio começou a adernar.

Rapidamente a tripulação verificou a extensão dos danos e um pedido de S.O.S. foi emitido informando a navios próximos que havia grande avaria estrutural. A mensagem fornecia a posição da embarcação e uma terrível constatação: "Principessa Mafalda afundando rapidamente! Posição 16º 58’ S / 31o. 51’ W. Mandem ajuda!".

As máquinas pararam 10 minutos depois, enquanto o comandante Guli tocava o apito de emergência e mandava preparar os botes para a evacuação imediata. Quando as sirenes de bordo soavam foi dada a ordem para que mulheres e crianças seguissem para os botes salva-vidas.

Em meio ao embarque apressado, uma nova e mais violenta trepidação levou desespero aos passageiros. Muitos se atiraram sobre os botes salva-vidas tentando conseguir um lugar. Há relatos de brigas e de pessoas sendo empurradas ou arrancadas à força de seus lugares. Houve rumores também de que tiros foram disparados em meio à confusão reinante.

Na terceira classe a situação era ainda mais grave. Muitos passageiros reclamaram de que portas e corredores de acesso para o deck superior foram trancadas, impedindo-os de procurar socorro. Pior ainda, não haviam coletes salva-vidas para todos e a disputa para conseguir um dos poucos disponíveis descambou para a agressão física e tumulto.

Em, meio a balbúrdia, uma das portas finalmente foi arrombada e os passageiros da terceira classe convergiram em desespero para o deck superior no momento que um dos botes era baixado. Muitas pessoas saltaram para dentro dele, ferindo os passageiros e fazendo com que o sobrepeso rompesse uma das amarras. Como resultado, o bote despencou e virou lançando dezenas na água.

O drama e o socorro

Com os pedidos de S.O.S. emitidos pelo Principessa Mafalda, vários navios se dirigiram para a área a fim de auxiliar no resgate. O Empire Star de bandeira inglesa foi a primeira embarcação a confirmar que se dirigia para prestar socorro. Logo em seguida a embarcação holandesa Alhena seguiu para o resgate, acompanhada do cargueiro francês Formose.

A primeira embarcação a chegar no local é a Alhena seguida do Empire Star. Imediatamente informam a posição e iniciam os trabalhos de socorro dificultados pelo mar agitado.
O pânico continuava e muitas pessoas se atiravam ao mar tentando então nadar até os botes salva vidas. Os marinheiros e passageiros dentro deles os repeliam violentamente para evitar a super-lotação e o risco de virar. Um passageiro informou que um dos marinheiros agrediu um homem que tentava subir à bordo "partindo-lhe o crânio com um violento golpe de remo".

A noite se aproximava e, na escuridão, o quadro era ainda mais assustador. O Principessa Mafalda se inclinava à medida que a água tomava os porões. Gritos pedindo socorro das pessoas que se encontravam na água se somavam aos gritos das que iam subindo para os conveses superiores em fuga. Os marinheiros se esforçavam para prestar socorro, jogando cordas para os náufragos que não sabiam nadar.

Neste momento é que foi notada a presença de mais um fator aterrorizante: tubarões. As correntes quentes nos arredores de Abrolhos favorecem a presença de várias espécies. Com o cair da noite eles surgiram entre os náufragos atraídos pelos que se debatiam na água. As barbatanas rondavam e por vezes um passageiro era puxado violentamente para as profundezas desaparecendo.

O Principessa emitiu um último comunicado de emergência para os outros navios. Seu pedido à estas embarcações era dramático: “Venham depressa. Há ainda muitos passageiros a bordo e não há mais luz”.
Mas a narrativa do naufrágio não se resume apenas a desespero e confusão. Houve momentos de heroísmo e desapego em que tripulantes ajudaram a salvar passageiros e manter a ordem. Homens saltaram na água para resgatar pessoas se afogando. Senhores cederam seu lugar para mulheres e velhos nos botes. Um dos passageiros tomou o comando de um dos botes e comandou os outros no esforço para resgatar o maior número possível de náufragos. O Comandante Guli ficou à bordo até o fim coordenando a retirada, honrando o ditado "o capitão é o último a abandonar o navio".

Por volta das 20:30, o Principessa adernou para bombordo e estremeceu, ouviu-se um horrível som evidenciando que o casco está se partindo. Em seguida a água entra rapidamente, cerca de 500 passageiros ainda estavam à bordo. Tomado pela água, o navio afunda em poucos minutos.

Consta que no naufrágio do Princesa Mafalda, pereceram 292 passageiros e 32 tripulantes - o número não foi determinado com exatidão uma vez que o manifesto de bordo não informava quantas pessoas embarcaram em Barcelona.

A notícia da tragédia foi recebida com tristeza no Brasil, na Itália e Argentina, os países que tinham o maior número de passageiros à bordo. No Brasil houve uma longa espera por notícias; muitos navios provenientes da Europa faziam esse trajeto e logo que a notícia foi dada pela imprensa não se sabia ao certo o nome da embarcação que havia afundado. Como consequência centenas de pessoas seguiram para os portos desesperadas para saber se seus entes queridos estavam entre os mortos e desaparecidos. A imprensa local também fez enorme alarde sobre a tragédia afirmando que o número de vítimas era maior do que o real.

O naufrágio do Principessa Mafalda é ainda hoje considerado como a maior tragédia marítima ocorrida no litoral brasileiro.

Fonte: http://mundotentacular.blogspot.com.br/2012/01/tragedia-do-principessa-mafalda-o.html

Colônia de Exploração


empresa açucareira representou o modelo colonial exploratório no Brasil.
desenvolvimento da prática mercantil empreendeu mudanças profundas no cenário econômico europeu. O avanço do comércio estabeleceu o fortalecimento da burguesia enquanto classe econômica. Paralelamente, os Estados Nacionais em formação percebiam que o desenvolvimento das práticas mercantis pavimentava a sustentação financeira dos governos por meio da arrecadação de impostos. 

Nesse contexto, o desenvolvimento de ações monopolistas em outras regiões do planeta se transformou em ponto fundamental da atividade comercial. Em alguns casos, estes Estados Nacionais buscavam formas para controlar exclusivamente prósperas rotas comerciais que interligavam o mundo Ocidental e Oriental. No século XVI, com a descoberta do continente americano, a exploração dos vastos territórios também inseriu a colonização neste contexto econômico.

O desenvolvimento da colonização empreendeu um fato histórico que demarcou a entrada definitiva dos europeus na América. Nesse sentido, com a chegada dos colonizadores europeus, foi organizada formas de uso e domínio dos territórios. No caso do Brasil, percebemos que a Coroa Portuguesa reservou ao espaço colonial brasileiro a condição de colônia de exploração. Dessa forma, quais seriam as implicações ligadas a essa política empregada? 

De forma geral, as colônias de exploração tinham seu espaço ocupado por indivíduos que representavam o interesse da metrópole no território colonizado. Nesse sentido, as leis, obrigações, impostos e instituições presentes na colônia zelavam por interesses que só tinham relações diretas com as demandas do Estado que as controlavam. Em tal âmbito, os moradores da colônia usufruíam de pouca ou nenhuma autonomia para elaborar e impor direitos que se remetiam a seus interesses próprios. 

No que se refere à economia, a administração colonial buscava se instalar prontamente nas regiões que ofereciam melhores condições ao desenvolvimento de uma atividade econômica rentável. O investimento na atividade econômica costumava se vincular a alguma outra atividade comercial que oferecia retorno imediato e atendesse à demanda do mercado externo. Dessa forma, as necessidades econômicas locais eram facilmente lançadas ao segundo plano.

Com o surgimento de uma sociedade mais ampla e complexa na colônia, observamos que as situações de conflito acabaram abaladas a mando metropolitano. No século XVIII, podemos destacar que o desenvolvimento do pensamento liberal e a própria Revolução Industrial também favoreceram a desarticulação dos pactos coloniais. Assim, movimentos de orientação separatista gradualmente desarticularam o sustentáculo das colônias de exploração na América.
 
Por Rainer Sousa
Fonte:

Pergaminho de Chinon

Por Antonio Gasparetto Junior

O Pergaminho de Chinon é parte integrante da obra “A Vida dos Papas de Avignon”.



No início do século XIV, os Templários, famosa ordem monástico-militar do mundo cristão, foram presos em Paris, na França, sob várias acusações. A Santa Inquisição se encarregou de todo o processo de investigação e manutenção em cárcere com o objetivo de verificar os argumentos contra os cavaleiros. Berengar, Nereus, Achileus,Sephanus e Landolf, que eram agentes do papa, ficaram hospedados no Castelo de Chinon para conduzir as investigações. Entre os dias 17 e 20 de agosto, esses indivíduos se encarregaram do interrogatório deRaymbaud de Caron, Geoffroy de Charney, Geoffroy de Gonneville,Hugo de Pérraud e do Grão-mestre da Ordem dos Templários, Jacques de Molay. Todos eles responderam questões como prática da sodomia, negar a Deus, beijos ilícitos, cuspir na cruz e adoração a um ídolo. Os interrogatórios foram acompanhados por testemunhas selecionadas e um público destacado.

A história dos Cavaleiros Templários ficou famosa e virou exemplo de comprometimento com uma causa e companheirismo. A iniciativa de agredir a Ordem, estimulando o processo e a sua dissolução partiu dos interesses materiais do monarca francês Felipe, o Belo. Os cavaleiros presos na França ficaram presos de 1307 a 1314, quando a sentença final foi executada. O Grão-mestre dos Templários e outros cavaleiros foram queimados vivos em uma pequena ilha do Rio Sena, em Paris. O Pergaminho de Chinon, contudo, é um documento que está em desacordo com todos os atos papais ocorridos depois dos interrogatórios de agosto de 1308. A inquisição da época absolveu todos os cinco cavaleiros interrogados entre 17 e 20 de agosto.

O Pergaminho de Chinon, preparado por Robert de Condet, é rico em detalhes sobre os Cavaleiros Templários, nele estão descritas informações sobre aparência dos aprisionados, juramentos, acusações e o modo da interrogação. O documento, porém, só foi publicado oficialmente no século XVII por Étienne Baluze integrando a obra “A Vida dos Papas de Avignon”. Embora não tenha mudado em nada no destino dos Templários, que foram dissolvidos e condenados à fogueira, o Pergaminho de Chinon é importante para revelar que o papa Clemente V absolveu em segredo Jacques de Molay e outros líderes dos Templários. Sua publicação é uma forma de atenuar uma das maiores injustiças e atrocidades da Idade Média. Muitos pesquisadores já indicavam a existência de tal pergaminho ao longo do século XX, mas Barbara Frale foi quem realmente encontrou uma cópia do documento nos arquivos do Vaticano.

Fonte:
FRALE, Barbara. Os Templários e o Pergaminho de Chinon. São Paulo: Madras, 2005.

Aventuras na História

Existe alguma diferença entre rei e imperador?
Na prática, rei e imperador são a mesmíssima coisa: soberanos de países que têm regimes políticos monárquicos. As variações dessas denominações, porém, estão associadas, na maior parte das vezes, à noção de superioridade que cada país ou governante atribui a si próprio. Assim, um rei geralmente governa uma área prédeterminada. Já um imperador pode ter suas terras aumentadas – na maioria das vezes, resultado de guerras e dominações. A França de Napoleão Bonaparte, no século 19, ou a Rússia do czar Nicolau II, no começo do século 20, são exemplos – “czar” significa “césar”, título dos antigos imperadores romanos. No Brasil, tivemos imperadores (Pedro I e II) porque eles governavam um país remanescente do império ultramarino português. Fatores como tradição e hereditariedade também contam. A Inglaterra, por exemplo, que sustenta um regime monárquico governado por reis desde o século 9 (hoje uma monarquia parlamentarista), teve em sua história períodos de expansão imperialista, com colônias na América do Norte, África, Ásia e Oceania. Mas seus soberanos sempre foram chamados de reis.
Fonte: Aventuras na História

Cleópatra: A serpente do Nilo

Como mulher ou estrategista política, não houve ninguém como Cleópatra. Nariguda e feia ou não.

No ano passado, não se falou de outra coisa. A descoberta de uma moeda cuja cara exibia Cleópatra – feita pela Universidade de Newcastle na Inglaterra – arranhou a lenda de que a rainha egípcia seria um monumento de beleza. Nela, Cleópatra aparecia nariguda e com olhos protuberantes. Antes disso, outros já conjecturaram que ela raspava a cabeça completamente, devido às pragas de piolho que infestavam o Egito. Uma coisa, porém, é certa: a rainha foi genial na conjugação de sexo e política. Se ela de fato foi tão feia, a genialidade aumenta muito mais.

Cleópatra VII Téa Filopator (seu nome completo) não tinha sangue egípcio. Descendia de uma dinastia grega, a dos ptolomeus. Nascida em Alexandria em 69 a.C., foi coroada aos 18 anos, depois que seu pai (o rei) morreu. Alexandria então era uma das capitais mais cultas do Mediterrâneo, e Cleópatra, educada com os melhores professores da cidade, cedo aprendeu matemática, astronomia, filosofia, política e nove idiomas. A barra deve ter sido pesada para uma monarca vista como estrangeira pelos próprios súditos. Além disso, o Egito vivia um período turbulento, de crise financeira e corrupção. Cleópatra, porém, não se intimidava com essas coisas. Para manter o poder político nas mãos de sua família, casou com seus dois irmãos mais jovens – um hábito das famílias reais de então. É provável que eles não tivessem vida íntima em comum. O primeiro morreu, o outro ela envenenou, após uma disputa pelo poder. Na corte egípcia, Cleópatra não tinha amigos, mas sim interesses. A pessoa mais próxima a ela era o conselheiro, um eunuco. Cleópatra, depois, seduziu dois imperadores romanos, Júlio César, em 47 a.C., e Marco Antônio, em 41 a.C. O objetivo? Manter o Egito soberano. Sem sua diplomacia, feita na cama, era certa a anexação do país do rio Nilo pela Roma imperial. A estratégia pode ter dado certo, mas teve um preço. Em 44 a.C., Júlio César foi assassinado. Depois, em 30 a.C., Marco Antônio suicidou-se no Egito, deixando Roma à beira da guerra civil e desordem militar. Para não ser presa e executada pelos oficiais romanos, Cleópatra preferiu dar cabo de sua vida. Deixou-se picar, em seu quarto, por uma cobra. Uma naja, segundo versões. Não tinha ainda 40 anos de vida. Mas que vida.


"Eu era careca"
Morta antes de completar 40 anos, Cleópatra é a rainha mais famosa de todos os tempos. Nesta entrevista póstuma, ela só fala sobre coisas fúteis

História – Há quem diga que sua beleza é um mito. Como então conseguiu seduzir tantos homens?

Cleópatra – Não posso forçar ninguém a me achar linda, mas negar que sou muito interessante ninguém pode.

Interessante?

Sim, interessante – e inteligente. Aliás, conhecimento nunca é suficiente.

Como aprendeu a arte da sedução?

Eu não tinha mãe ou pai. A pessoa mais próxima era meu conselheiro. Mas não poderia perguntar a um eunuco como seduzir um homem.

E então...

Simples: ordenei que trouxessem até mim uma hetaíra, uma cortesã. Ela me deu boas demonstrações, que pus em prática no primeiro momento com César. Me senti pequena demais diante daquele homem. Com o tempo fui ficando mais segura. Consegui me soltar, tomar a iniciativa e dominar a situação na cama. Os homens adoram isso.

Algum segredo de beleza?

Os óleos deixam a pele macia e muito atraente. Com o sol forte do Egito, era preciso um cuidado especial. Eu recebia massagens com diversos óleos e tomava banhos de leite de jumenta.

Você sabe que a maquiagem se originou do kohl negro, que você usava para pintar os olhos?

Sim. Às vezes, eu usava o pó demalaquita, um kohl verde. Essa pintura deixava os olhos lindos e os protegia do excesso de claridade.

E para os cabelos, algum segredo?

Que cabelo? O piolho foi uma praga do deus hebreu e tivemos de depilar todo o corpo para não propagar a desgraça. Chegamos a usar cera de abelha no alto da cabeça para espantar as moscas, outra praga divina. Eu era careca.

Mas a sua franja foi eternizada por Elizabeth Taylor no filme Cleópatra...Mas era filme. Ouvi dizer que essa atriz só usou o que quis durante as filmagens. Foi tratada como rainha.

Fonte: Aventuras na História

Abastecendo carros elétricos em 1900

A corrida pelo desenvolvimento dos carros elétricos – desde a introdução de modelos novos movidos a eletricidade até avanços na tecnologia das baterias de carregamento – está, hoje em dia, aproximando cada vez essa tecnologia dos motoristas no mundo. Mas a verdade é que as manchetes atuais sobre os carros elétricos poderiam ser lidas em um jornal de 1900.

É difícil de acreditar, mas 38% dos veículos nos Estados Unidos eram elétricos nesse ano, 40% a vapor e apenas 22% a gasolina. Havia inclusive uma frota de táxis elétricos em Nova York.

No entanto, com o número de carros elétricos e a falta de infraestrutura para suportar a recarga deles, o mercado naquela época começou a buscar uma fonte nova e mais barata de reabastecimento dos veículos, que veio na forma da combustão interna, utilizada por carros movidos a gasolina. Confira nossa galeria de fotos abaixo para ver como era a tecnologia dos carros elétricos na época de Thomas Edison.
Recarregando as baterias: em publicações produzidas por Thomas Edison, que pode ser visto à esquerda, o Mercury Arc Rectifier da GE foi descrito como “o mais eficiente já desenhado para recarregar baterias de veículos elétricos, tendo uma eficiência de pelo menos 80% ao fazer a recarrega de uma bateria padrão”.



Mulher em carro elétrico deixando a garagem



Mulher com carregador e carro elétrico – 1912



Chris Hunter, curador de coleções e exposições no Museu Schenectady, forneceu as fotos. Ele diz que a GE desenvolveu seus carregadores de veículos elétricos de 1904 até 1920 e que eles foram usados em garagens públicas e privadas. Na década de 1920, a GE substituiu os carregadores grandes por menores, que tinham um tubo cheio de argônio retificador com um filamento de tungstênio.

Clique aqui e veja mais fotos no Flickr do GE Reports USA

“O uso crescente do automóvel elétrico, com suas inúmeras vantagens, resultou em uma demanda por alguns meios de carregar as baterias.” Essa frase foi tirada do Boletim n º 4.772 da GE, publicado há mais de 100 anos, em setembro de 1910.

Clique nas imagens abaixo para ler as 10 páginas do boletim “Electric Appliances Automobile” (conteúdo em inglês), que descreve os carregadores de automóveis elétricos com detalhes e explica como eles funcionavam. Há também um boletim de 1914, “Mercury Arc Retificadores”, no qual se constata que houve mais de 12.000 retificadores GE sendo usados para carregar baterias para carros elétricos, carros de estrada de ferro a vapor e uma variedade de motores.

Missões Artísticas e Científicas

Por Camila Souza

Há aproximadamente 200 anos, o então jovem general Napoleão dominava boa parte da Europa. Ninguém poderia imaginar que a chamada Era Napoleônica influenciaria tanto a história brasileira.

Tudo começou com o Bloqueio Continental criado por Napoleão em 1806, o qual pretendia, sobretudo, atingir sua tradicional inimiga, a Inglaterra. Portugal manteve uma posição dúbia quanto ao bloqueio, o que gerou um atrito com o general francês. Ele então ordenou a invasão do país de D. João, o que culminou na partida da corte portuguesa rumo às terras brasileiras.

A partir do momento que o príncipe regente D. João e milhares de cortesãos desembarcaram no Brasil em janeiro de 1808, a colônia portuguesa na América viveu um choque cultural, político e econômico. Primeiro com a abertura dos portos às nações amigas e a criação de instituições administrativas. Em seguida, pela vinda de artistas, cientistas e outros estudiosos europeus. Nesse momento, destacam-se três momentos da história cultural brasileira:
1816 - Missão Artística Francesa
1817 – Missão Austríaca
1824 – Expedição Langsdorff

Estas missões, que tinham por objetivo “mapear” a cultura e a natureza brasileira, ajudaram a criar uma identidade para o país perante o mundo. Conheça, a partir de agora, a história dessas missões que tiveram influência direta sobre nosso modo de vida.
Missão artística francesa

No dia 26 de março de 1816 — em meio à tristeza pelo falecimento de D. Maria I, rainha portuguesa —, desembarca no Rio de Janeiro um grupo de artistas franceses encabeçados por Joaquim de Lebreton, ex-Secretário da Seção de Belas-Artes do Instituto de França. Entre os artistas encontravam-se Jean-Baptiste Debret, Nicolas Antoine Taunay e seu irmão Auguste Marie Taunay, Auguste Grandjean de Montigny e outros. No ano seguinte, chegam os irmãos Ferrez.
Há quem afirme que os artistas franceses vieram ao Brasil por intermédio do Conde da Barca e do Marquês de Marialva, admiradores das idéias francesas. Outros dizem que estes vieram por iniciativa própria, bonapartitas desapontados com o retorno da monarquia dos Bourbon na França após o Congresso de Viena em 1815. A questão é que Lebreton liderou a Missão Artística Francesa, também conhecida como colônia Lebreton, a qual trazia consigo o objetivo de criar uma instituição destinada ao ensino de artes no Brasil, a Imperial Academia e Escola de Belas Artes no Rio de Janeiro, que seria inaugurada em 1826.
Nesse meio tempo, os artistas franceses realizaram trabalhos para a corte portuguesa. Montigny, Debret e Auguste Taunay participaram da organização dos cerimoniais da chegada da Imperatriz Leopoldina em 1817, aclamação de D. João VI em 1818 e a coroação de D. Pedro I em 1822.
Apesar do entusiasmo da corte com a presença de artistas franceses no Brasil, estes vivenciaram situações difíceis. Primeiro, em 1817, morre o Conde da Barca e seu lugar é assumido pelo Visconde de São Lourenço, partidário do retorno de D. João à Portugal. Em 1819, morre Lebreton. Desapontado com as adversidades, Nicolas Taunay volta para a França em 1821. Em 1831 é a vez de Debret retornar a sua terra natal.

Saiba mais:

Leia o manuscrito escrito por Joaquim de Lebreton em 12 de junho de 1816, para o estabelecimento da Escola de Belas Artes no Rio de Janeiro.

Correspondências entre Joaquim de Lebreton e a corte portuguesa na Europa. O nascimento da missão artística de 1816.

Conde da Barca

Congresso de Viena

Visconde de São Lourenço

Academia Imperial de Belas Artes - Aiba (Rio de Janeiro, RJ)

Saiba mais sobre as medalhas do Brasil Imperial

Biografias

Joaquim Lebreton - Saint Meel de Gaël (França), 1760 – Rio de Janeiro, 1819

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Jean-Baptiste Debret - Paris (França) 1768 - 1848

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Nicolas Antoine Taunay - Paris (França), 1755 - 1830

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Auguste Marie Taunay – Paris (França), 1768- Rio de Janeiro, 1824

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Marc Ferrez - Saint-Laurent (França), 1788- Rio de Janeiro, 1850

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Zéphirin Ferrez - Saint-Laurent (França), 1797- Rio de Janeiro, 1851

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Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny – Paris (França), 1776 – Rio de Janeiro, 1850

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Missão Austríaca

No dia 15 de julho de 1817, chegava ao Brasil a arquiduquesa Leopoldina da Áustria, que se casaria com o príncipe regente Pedro de Alcântara, futuro Imperador do Brasil D. Pedro I. Com ela vieram cientistas, botânicos, zoólogos e artistas europeus, formando a Missão Austríaca. A vinda de tantos estudiosos muito se deve à ação da própria imperatriz Leopoldina, que mostrava grande interesse pelas ciências naturais e pelas artes. Outro motivo foi a publicação do primeiro volume do livro do geógrafo alemão Alexander von Humboldt, Viagem às regiões equinociais do novo continente, feita de 1799 a 1804 por Alexandre de Humboldt e Aimé Bonpland, obra composta por 30 fólios e quatro volumes.
Na Missão Austríaca estavam Karl Philip von Martius, Johann von Spix e Thomas Ender, entre outros. Após reconhecerem as regiões circunvizinhas do Rio de Janeiro, em dezembro de 1817, a expedição partiu para São Paulo. Depois, rumou para Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão e Pará. Em 1819, Spix e Martius chegaram ao Amazonas e seguiram separados: Spix subiu o Rio Negro e seus afluentes; enquanto Martius rumou para o Rio Solimões e Jupará. Assim, a expedição viajou cerca de 10 mil quilômetros pelo Brasil durante três anos (de 1817 a 1820), recolhendo informações sobre a flora, fauna e sociedade brasileiras.
Em abril de 1820, Spix e Martius voltaram a Belém. Pouco tempo depois, retornaram à Europa e chegaram a Munique em dezembro do mesmo ano, onde deram início ao trabalho de catalogação e classificação do material recolhido durante todo a viagem pelo Brasil. O resultado da Missão Austríaca foi a publicação dos livros Reise in Brasilien(Viagem pelo Brasil) e Flora brasiliensis.

Saiba mais:

Conheça na íntegra o livro Flora brasiliensis, uma das obras mais completas da Botânica nacional. Produzida entre os anos de 1840 e 1906, apresenta 22.767 espécies catalogadas, reunidas em 15 volumes.

Biografias

Karl Friedrich Philip von Martius (Alemanha, 1794–1868)

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Johann Baptiste von Spix (Alemanha, 1781–1826)

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Thomas Ender (Áustria, 1793–1875)

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Expedição Langsdorff

Fascinado por viagens e conhecimentos científicos, o barão Langsdorff conseguiu patrocínio do czar russo Alexandre I para organizar uma grande expedição de reconhecimento no interior do Brasil, em 1821. Entre os integrantes estavam artistas, botânicos, naturalistas e cientistas.
A cidade do Rio de Janeiro, sede do governo português no Brasil, foi o ponto de partida para o grupo de exploradores, que percorreria cerca de 17 mil quilômetros entre os anos de 1822 e 1829. Primeiramente, os estudiosos exploraram a região do Rio de Janeiro. No ano de 1824, partiram rumo à província de Minas Gerais. No mesmo ano, ainda em território mineiro, o artista austríaco Rugendas deixou a expedição, após uma série de desentendimentos com Langsdorff, e retornou ao Rio de Janeiro. Rugendas foi substituído por Aimé-Adrien Taunay, jovem desenhista filho de Nicolas Taunay — integrante da Missão Artística Francesa.
A partir de 1825, a expedição seguiu viagem pelas províncias de São Paulo, Mato Grosso e Amazonas, analisando os aspectos naturais, sociais, etnológicos e lingüísticos brasileiros.
A fantástica trajetória desses estudiosos — os primeiros a estudar certos aspectos da flora, fauna e povos indígenas brasileiros —, também apresentou momentos ruins, pois muitos sofreram com doenças tropicais, sobretudo, malária. O próprio barão Langsdorff perdeu a memória em 1828, após contrair febre tropical, da qual nunca se recuperou. Colocando em números, dos 39 integrantes da expedição, somente 12 sobreviveram.
Todo o material coletado — amostras minerais, animais e vegetais —, os desenhos e os manuscritos foram enviados à Rússia, permanecendo no esquecimento em caixas lacradas no Jardim Botânico de São Petersburgo até 1930, quando foram encontrados ocasionalmente em função de uma reforma. Mesmo com as dificuldades enfrentadas pela Rússia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e a Guerra Fria (1945-1989), pesquisadores conseguiram estudar e divulgar boa parte da coleção enviada pela expedição um século antes.
Atualmente, o professor Boris Komissarov, da Universidade de São Petersburgo, é considerado o maior especialista no estudo do material coletado pela Expedição Langsdorff, além de ser presidente da Associação Internacional de Estudos Langsdorff, fundada em Brasília no ano de 1990.


Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Extraído de Girafamania

selo Langsdorff

Biografias

Georg Heinrich von Langsdorff (Alemanha, 1774 –1852)

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Johann Moritz Rugendas (Áustria, 1802–1859)

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Antoine Hercule Romuald Florence (Nice, França, 1804–Brasil, 1879)

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Aimé-Adrien Taunay (França, 1803 – Brasil, 1828)

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Bibliografia
BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. The voyager’s Brazil, São Paulo: Metalivros, 1995. vol. 2.
Fonte: Início