3.7.12

Descobertas imagens pornográficas feitas por homens das cavernas


Marcas de 37 mil anos retratam partes da anatomia íntima feminina em teto de caverna no sul da França.
Foto: Reprodução/PNASAs imagens de um círculo com um traço, que representariam a vulva feminina, estão espalhadas pelo teto da caverna Abri Castanet


Talvez isso fosse a pornografia do homem das cavernas. Pesquisadores descobriram ilustrações da anatomia feminina em uma caverna na França de 37 mil anos de idade.

Trata-se da "evidência mais antiga de imagem explícitas", afirmou Randall White, antropólogo da Universidade de Nova York e um dos pesquisadores que trabalham no projeto.

Ele e seus colegas relataram as descobertas na edição atual do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Entre os desenhos estão o que parecem ser imagens da vulva feminina, formadas de um círculo com uma pequena fenda em um dos lados.

"Vemos essas imagens repetidamente", afirmou White.

Há também imagens bastante simples: perfis de animais, incluindo cavalos e grandes felinos que se assemelham a leões.

A arte foi descoberta na cobertura desmoronada de uma caverna, no sítio arqueológico de Abri Castanet, no vale do rio Vézère, sul da França. Os seres humanos daquele tempo viviam em cavernas como essas, afirmou White, e foi um período de nascimento da cultura.

"Eles produziam contas de marfim e outros afirmou. "Adornavam o corpo de um modo complexo."

White e sua equipe continuam o trabalho de escavação no sítio e, por meio de mais interpretações dessa arte, esperam conseguiram compreender melhor a cultura dessas pessoas.

"Esperamos ser capazes de mapear a distribuição das imagens da cobertura e todas as atividades daquele tempo", afirmou. "Talvez haja uma relação entre a arte da cobertura
e o estilo de vida deles."

Fonte:
The New York Times

Milagre Econômico

A participação do Estado na economia

À medida que a industrialização avançava, a partir de 1930, crescia a polêmica sobre a participação do investimento estrangeiro na economia. Se por um lado era evidente a necessidade desses capitais para impulsionar o crescimento interno, por outro fortalecia-se um discurso nacionalista, que encarava as empresas estrangeiras como exploradoras e não como parceiras do Brasil. Com a subida de Getúlio Vargas ao poder em 1930, essa dualidade foi reforçada. Temas como a exploração do ferro e do petróleo por indústrias nacionais passaram a ser bandeiras de luta de grupos que viam como inaceitável a participação estrangeira na gerência das indústrias de base.
1. O Estado gerenciando a economia


A partir de 1930, no início do período Vargas, começou o debate sobre a intervenção do Estado na economia. Também ganhou força a ideia de que sem um planejamento global o Brasil não teria uma economia forte e estável. Para Vargas e seu grupo mais próximo, o Estado deveria ser o responsável por essa interferência. A teoria desenvolvimentista, proposta pelo governo, defendia a prioridade dos financiamentos e subsídios para a indústria, a garantia de infra-estrutura básica (energia, transportes) e uma política de proteção aos produtos nacionais frente à concorrência das importações.Embora tendo de dividir espaço, com essa nova tendência as lideranças agroexportadoras não perderam totalmente seu lugar como elite econômica.

O chamado "Estado de Compromisso" tratava de manter as regras do jogo atendendo também aos interesses das lideranças agroexportadoras.
2. JK e a promessa dos "50 anos em 5"

Um dos períodos mais festejados de nossa história econômica foi o de Juscelino Kubitschek (1956 a 1961). Sustentado por um competente esquema de comunicação, JK entusiasmou o país com a promessa de modernização, traduzida em seu lema "50 anos em 5".
2a. O Plano de Metas de JK

O projeto econômico de Juscelino foi apresentado em seu Plano de Metas, que focalizava:
Energia: ampliação do fornecimento.
Transporte: ampliação e melhoria das estradas de rodagem e estímulo às montadoras de automóveis.
Alimentação: maiores investimentos no setor de alimentos para aumentar a oferta.
Indústrias de base: maiores investimentos no setor.
Educação: melhoria e ampliação do ensino público.
A construção de Brasília: incentivo ao desenvolvimento do Brasil Central.

Sem conseguir cumprir satisfatoriamente a maior parte de suas propostas, o Governo JK permitiu anos de intenso crescimento econômico e favoreceu a consolidação da face industrial do Brasil. Hidrelétricas gigantescas, indústria automobilística e estradas que cortavam o país anunciavam um modelo de progresso que depositava na tecnologia as esperanças da resolução dos males do país.
3. Invasão do capital estrangeiro

O Governo JK investiu com convicção na atração de capitais externos para equipar as indústrias locais. Com medidas que privilegiavam esses empréstimos, como a adoção de uma taxa cambial favorável e de facilidades na remessa de lucros para o exterior, o Brasil assistiu a uma invasão veloz do capital estrangeiro em áreas estratégicas.


Efeitos da euforia desenvolvimentista

O alto preço dessa euforia começou a ser percebido durante o próprio Governo Kubitschek. A dívida externa dobrou de valor, tornando-se um tema cada vez mais polêmico nas discussões nacionais. A inflação atingiu níveis altíssimos e o déficit da balança comercial alcançou uma proporção que se tornou preocupante para os credores internacionais. Eles já não acreditavam que o país teria condições de pagar suas dívidas.

Nesse contexto, entrou em cena o Fundo Monetário Internacional (FMI), que passou a representar o vilão estrangeiro, com suas ingerências na política econômica brasileira e exigências para o saneamento das finanças.

Apesar do crescimento econômico, os empréstimos externos e os acordos com o FMI ajudaram a aumentar a inflação e o arrocho salarial.


4. Período de instabilidade

O início dos anos 60 juntou instabilidade política e crise econômica. Sem conseguir costurar apoios políticos que sustentassem suas iniciativas, os dois presidentes civis que sucederam a JK tiveram governos curtos e desastrosos. Jânio Quadros renunciou em 1961 e João Goulart, seu sucessor, foi deposto em 1964.

A inflação atingiu índices alarmantes, pressionada pelas emissões sucessivas de papel-moeda desses dois governos.
4a. Jango e as manifestações políticas

O Governo João Goulart procurou rever o conceito de desenvolvimento de JK. Sua política econômica incluía, entre as prioridades, a melhoria das condições sociais do país. Ganharam espaço as manifestações em defesa das reformas de base (agrária, tributária e educacional).

Outro fenômeno que marcou esse período foi a entrada maciça das indústrias multinacionais no país. Norte-americanos e europeus ocuparam rapidamente a liderança nos setores de maior investimento tecnológico.





5. A economia na ditadura militar



Com a deposição de Goulart, em 1964, inaugurou-se um novo modelo de administração da economia. As decisões políticas concentraram-se nas mãos do Poder Executivo e os presidentes do período militar conseguiram implantar seu projeto econômico, ignorando as negociações democráticas. As primeiras decisões visavam estabilizar a moeda, reduzir o déficit do governo e modernizar o mercado financeiro.

5a. Luta em busca do capital

Primeiro presidente militar, o marechal Humberto Castello Branco tentou atrair novos investimentos de capital para o país. De acordo com o modelo de 1964, o investimento do Estado na indústria pesada, como a siderúrgica e de bens de capital, transformaria o Brasil em uma potência gigante. A utilização da correção monetária surgiu para driblar a inflação e reduzir as perdas dos investidores. Com o Banco Nacional de Habitação (BNH), em 1965, a classe média era incluída no sistema de crédito, aumentando a receita federal. A criação da poupança obrigatória, ou poupança compulsória dos trabalhadores, por meio do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), em 1966, canalizava recursos para financiar os projetos do governo.
5b. "Milagre Econômico"

O estouro de crescimento econômico, ocorrido entre 1968 e 1973, ficou conhecido como "Milagre Econômico". Mas, ao lado da euforia da classe média, que teve seu poder aquisitivo ampliado naquele momento, existia um outro país, que não era atingido por esse milagre.
5c. A crise do petróleo

As medidas do governo militar, visando à auto-suficiência econômica, esbarraram na alta crise do petróleo, em 1973, de dimensões mundiais. Mesmo assim, o presidente Ernesto Geisel (1974 a 1979) manteve seus projetos de desenvolvimento, elevando a dívida externa a patamares altíssimos. O governo de João Figueiredo, último presidente militar, iniciou um processo de recessão econômica que atingiu duramente o país, em especial os assalariados.
6. A democracia e a luta contra a inflação

O governo de José Sarney iniciou-se em 1985 com um índice de inflação de 223,8%, herdado do ano anterior. Após 20 anos de ditadura, foi necessário reaprender a organizar a economia, administrando os grupos de apoio e de oposição.

O combate à inflação

Tornou-se o centro das iniciativas econômicas e a esperança de resolução dos problemas. O Plano Cruzado, em 1986, inovou ao promover um choque na economia. Criou uma nova moeda; acabou com a correção monetária; congelou preços e salários, todas medidas destinadas a eliminar a inflação inercial. O índice da inflação, em 1986, ficou em 58,5%. Foi uma queda expressiva, mas o plano não conseguiu evitar o ágio nos preços, forçado por empresários ou pela explosão do consumo.

O déficit nas contas públicas escapou ao controle e, no final do mesmo ano, a inflação voltou a disparar.
7. O liberalismo econômico do Governo Collor

Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito diretamente no Brasil após 29 anos, iniciou seu governo com uma atitude radical: o bloqueio do dinheiro nas contas bancárias cujo saldo estava acima do valor de 50 mil cruzados novos (equivalente a US$ 1.300). Collor reafirmou a tradição autoritária da maioria dos administradores públicos em nome da estabilização econômica — confiscos (ao proibir os saques nas contas bancárias), impostos compulsórios e congelamento de salários.
O Plano Collor 1 visava:
Diminuir o consumo, por meio do enxugamento da circulação de moeda, e com isso forçar a queda dos preços.
A abertura da economia, baixando as tarifas de importações.
A diminuição do déficit público, com uma reforma administrativa e o processo de privatização das estatais.


Esse plano naufragou devido, principalmente, ao desgaste do governo e à perda de credibilidade de seus membros. Collor sofreu um impeachment e renunciou em dezembro de 1992.



Durante o governo de Itamar Franco, em 1º de julho de 1994, foi lançado o Plano Real de estabilização econômica. O sucessor de Itamar, Fernando Henrique Cardoso, elegeu o Plano Real como a prioridade máxima de sua gestão. O real é a nova moeda do país.


O Estado retira-se
Com a inflação estacionada em porcentagens muito baixas, a meta do Governo Fernando Henrique é diminuir a participação do Estado nas atividades econômicas. O debate atual na sociedade brasileira tem girado em torno dos limites desse afastamento e da definição das áreas nas quais a atuação governamental é estratégica.
Enquanto isso...

No Brasil, as várias mudanças de moeda e o descontrole inflacionário sempre penalizaram a parcela mais pobre da população e os problemas sociais costumam ser mascarados e controlados por acordos entre as elites dominantes. Na Alemanha – após a Primeira Guerra Mundial –, o problema da inflação galopante levou, junto com outras causas, ao fortalecimento do nazismo.
Em 1923, o valor do dólar naquele país chegou a 4 trilhões de marcos! Eram comuns cenas de pessoas empurrando carrinhos de dinheiro para uma simples compra no mercado. A incapacidade do governo alemão de encontrar soluções para reerguer a economia facilitou o caminho para que um líder extremista empolgasse o povo com o sonho da grande Alemanha.
Em busca da autovalorização

Com um discurso nacionalista, a Revolução de 1930 cobrava a proteção das riquezas brasileiras contra as investidas imperialistas das corporações internacionais.

O governo criou departamentos para implementar uma política nacional sobre os produtos considerados estratégicos:
O Departamento Nacional de Produção Mineral (1934); o Conselho Nacional de Petróleo (1938); o Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica (1939); e o novo Código de Minas, que proibia a participação de estrangeiros na mineração e na metalurgia (1940).
Rumo ao progresso

O projeto do governo de Juscelino Kubitschek tornava mais fáceis as relações com os Estados Unidos. Ele pretendia recuperar o atraso da infra-estrutura econômica brasileira e atualizar sua tecnologia. Para tanto, Juscelino escreveu diretamente ao presidente norte-americano, Dwight Eisenhower, sugerindo a retomada do ideal pan-americano para fortalecer toda a América Latina. Um dos resultados concretos dessa aproximação foi a criação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 1959, uma instituição regional de financiamento. A energia que JK investia na modernização do país criou situações favoráveis ao capital estrangeiro, como a aplicação da Instrução 113, da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), que reduzia as taxas cobradas sobre remessas de lucros.

Diversas indústrias estrangeiras construíram, naquele período, suas filiais no Brasil:
No setor automobilístico, as europeias chegaram primeiro, como a alemã Volkswagen e a francesa Simca.
A construção naval contou com capitais holandês e japonês.

A política desenvolvimentista atraía o empresariado brasileiro, também, pela facilidade de créditos e baixas taxas de juros.
A tecnocracia em ascensão

O primeiro momento do regime militar, durante a Presidência do marechal Humberto Castello Branco, preocupou-se com a reorganização econômica. A inflação era altíssima e a dívida externa brasileira parecia inadministrável. O economista Roberto Campos, que havia sido embaixador de João Goulart em Washington, tornou-se ministro do Planejamento. A chegada maciça de investimentos de instituições norte-americanas ao Brasil foi, nesse período, indiscutível para a retomada do crescimento. Junto com o dinheiro vieram também as implacáveis críticas nacionalistas.
Nacionalismo e estatismo

Durante a Presidência do general Arthur da Costa e Silva, surgiu a política do "tripé econômico", formada pelo Estado, pelo grande capital local e pelas multinacionais. Essa estratégia foi mantida, ajudando a compor as empresas de indústria pesada e de exploração de recursos naturais. Exemplos disso são a associação da Vale do Rio Doce com a U.S. Steel para explorar ferro em Carajás ­ e a formação da hidrelétrica Itaipu Binacional, com o Paraguai.
O "milagre econômico"

O florescimento das estatais, com declínio do setor privado

O ano de 1970 marca o início do período do chamado "milagre econômico brasileiro". Empréstimos e investimentos estrangeiros alavancam o processo de desenvolvimento.
Novos empregos e inflação baixa trazem euforia à classe média e ao empresariado. Ao mesmo tempo,
vive-se o auge da repressão, com censura à imprensa e violência contra a oposição.

É o momento da linha-dura no poder, que tem no presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, seu grande representante. Em seu governo, a inflação anual ficou abaixo dos 20 por cento e o crescimento do PIB em 1970 foi de 10,4 por cento, chegando a 14 por cento em 1974.

A ênfase da presença do Estado na economia alinhava-se ao projeto Brasil Potência, que o governo militar vislumbrava para o país. Iniciativas econômicas grandiosas, somadas a uma propaganda competente, culminaram no governo Medici com o chamado "Milagre Econômico" (1968 a 1973). Seu principal artífice foi o economista Antônio Delfim Netto, que já tinha sido ministro da Fazenda no Governo Costa e Silva.

Os Estados Unidos viviam crises internas com a Guerra do Vietnã e o escândalo de Watergate, que levou ao impeachment e à renúncia do presidente Richard Nixon em 1974.
As novas alianças

A crise internacional do petróleo, em 1973, levou a economia mundial a uma retração. O Brasil não seguiu essa orientação. Optou por manter sua política de crescimento. O presidente Ernesto Geisel também incentivou os megaprojetos, sobretudo no setor hidrelétrico. Em 1975, assinou com a Alemanha um acordo nuclear de US$ 10 bilhões para instalar oito usinas atômicas no Brasil.

A iniciativa foi atacada pelo péssimo momento econômico para o investimento e pela aquisição de uma tecnologia obsoleta e defeituosa. Além disso, em nada interessava, externamente, que o Brasil avançasse na área nuclear.
O imperialismo torna-se o vilão

A decadência do regime militar esteve associada à crise econômica e à má administração dos governos Medici, Geisel e Figueiredo. A oposição ao sistema criticava a intervenção e as imposições ditadas pelo FMI. Depois disso, o alvo das oposições foi o imperialismo norte-americano ­ representado pelo governo e pelo empresariado.

As multinacionais eram acusadas de ser o escoadouro das riquezas do Brasil. As auditorias do FMI nas contas do país eram uma dura interferência na soberania nacional.

A transição para a democracia, com o governo José Sarney (1985 a 1990), em um período de caos econômico, antes de mais nada teve de recuperar a confiança nacional e internacional.
O impeachment de Collor

Primeiro presidente civil eleito diretamente depois do golpe militar de 1964, Fernando Collor de Mello (1990 a 1992) viu-se envolvido em uma série de denúncias de desfalque, corrupção, tráfico de influência que abalou a credibilidade de seu governo. Sindicatos, políticos, associações civis, entidades de classe uniram-se e foram às ruas, em 1992, exigir o impeachment do presidente. Nessa campanha, destacaram-se os alunos secundaristas, que, com os rostos pintados e muito bom humor, juntaram-se aos manifestantes e ficaram conhecidos como "caras-pintadas".

Fonte: http://www.escolavesper.com.br/milagre_economico.htm

Sobrevivendo no inferno de Nanquim Drama das populações atingidas pelo famoso massacre de 1937, durante a Guerra Sino-Japonesa, é retratado no filme Flores do Oriente




A China invadiu Hollywood. Ou talvez seja o contrário. Flores do Oriente, filme indicado para concorrer ao Oscar em 2012 e dirigido pelo chinês Zhang Yimou, é o primeiro em 100 anos de filmografia do país asiático a incluir uma estrela hollywoodiana no elenco: o ator britânico Christian Bale.

O longa-metragem trata do massacre de Nanquim, em 1937, no início da Guerra Sino-Japonesa, o maior conflito da Ásia no século XX. China e Japão já estavam envolvidos em disputas territoriais havia anos quando o Japão invadiu a cidade de Xangai, encontrando forte resistência. Depois de grandes perdas, as tropas japonesas seguiram para Nanquim, onde impuseram um clima de terror que resultaria na morte de mais de 200 mil pessoas.

Christian Bale faz o papel do americano John Miller, agente funerário que se disfarça de padre durante a ocupação japonesa de Nanquim. O resultado do trabalho de Yimou – mesmo diretor de Amor e sedução, Lanternas vermelhas, Herói e O clã das adagas voadoras – é um filme épico, de amor e guerra, que reúne em uma igreja um bando de crianças, algumas cortesãs e um americano, todos tentando sobreviver em um verdadeiro inferno.

Fonte:

Missões Jesuíticas


Por Araújo, A. Ana Paula de

Os primeiros padres jesuítas que chegaram ao Brasil, juntamente com os primeiros colonizadores, integravam o sistema de colonização europeu, que tinha como lema: “dilatar a fé e o império”.



Deste modo, junto com as expedições vinham também padres, especialmente os padres da Companhia de Jesus, que tinha como vocação específica a catequese de povos não-cristãos.

Fazia parte do projeto jesuíta a construção de colégios que serviriam de base catequética para os povos recém-dominados.

Assim, em 1549, desembarcam no Brasil os padres que vinham catequizar os povos indígenas. Eles chegam junto com o primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, e têm como superior o padre Manuel da Nóbrega.

Destaca-se na atuação jesuíta no Brasil a fundação dos colégios, o primeiro na capital do Brasil, Salvador, e após um no Rio de Janeiro, um em Pernambuco e outro na Bahia.

Deve-se também aos jesuítas a fundação de importantes vilas e cidades em torno das missões, tal como a cidade de São Paulo, que se originou a partir do colégio e teve como principal responsável o Padre Anchieta, que foi beatificado pela Igreja Católica.

O padre Anchieta compôs uma gramática da língua tupi para facilitar a comunicação entre os padres e os indígenas, além de peças de teatro e poesias de cunho catequético.

No colégio, os jesuítas ensinavam também Teologia, Religião, Letras e Filosofia.

Um importante reduto jesuíta no Brasil era a colônia de Sete Povos das Missões, no Rio Grande do Sul, na época dominado pela Espanha.

Os jesuítas foram expulsos do Brasil no século XVIII pelo primeiro-ministro português, Marquês de Pombal, que retirou a Igreja Católica do domínio da educação de Portugal e suas colônias.

Fonte:
http://www.historiabrasileira.com/brasil-colonia/missoes-jesuiticas-no-brasil/

Quantos significados tem uma eleição?


Socialista François Hollande é eleito presidente da França. Fato evidencia um novo cenário político que ganhou força no país após a crise econômica mundial de 2008

Nashla Dahas



Praça da Bastilha tomada pela multidãoA vitória do socialista François Hollande nas eleições presidenciais, realizadas no domingo passado (6), admite reflexões importantes à direita e à esquerda do cenário político francês e europeu. Com uma plataforma política vaga e promessas sabidamente irrealizáveis em curto prazo, certamente não foi o ideário político, o plano de governo ou o projeto de Estado socialista o vitorioso nessa disputa. O discurso eleito foi o da mudança: de política econômica interna e externa, alteração na relação estabelecida com os imigrantes legais e ilegais, e, sobretudo, a transformação gradativa da imagem que os franceses cultivam de si mesmos.



A França foi um dos países mais afetados pela crise financeira que eclodiu no ano de 2008 e que colocou potências europeias em ambígua situação de ajuda mútua e competição interna na tentativa de salvar suas economias. As taxas de desemprego crescentes e a política de austeridade liderada pela agora orgulhosa Alemanha tem provocado a união de diferentes setores sociais. Estudantes, trabalhadores e classes médias aparecem juntos em constantes reivindicações por melhorias nas condições básicas de emprego, salários e juros.

As desigualdades sociais e as dificuldades emergenciais de uma economia em crise são problemas comuns às tensões e adaptações da combinação entre democracia liberal e justiça social. Nesse contexto, não é surpreendente que a questão econômica tenha se constituído em elemento mobilizador fundamental nas políticas nacionais. Contudo, no atual momento francês, os descontentamentos dos diversos setores sociais parecem conectados a outros elementos mais estruturais, ligados à complexidade da reconstrução de uma identidade coletiva.



Insatisfação social

O rebaixamento da nota econômica internacional da França, segundo agência legitimada para esta tarefa de classificação, em janeiro deste ano, decretou o início de um impressionante decréscimo de popularidade do então presidente Nicolas Sakozy. As constantes revoltas estudantis aliadas aos protestos dos imigrantes e os conflitos sociais daí decorrentes, frequentes há pelo menos 5 anos, não se mostraram tão impactantes em curto prazo quanto a “humilhação” internacional. Nesse sentido, vale lembrar como o orgulho nacional tornou-se ao longo da história europeia um detonador de transformações políticas e sociais à direita e à esquerda.




François Hollande após a vitória nas eleições francesasA Espanha invadida por Napoleão no início do século XIX considerou estratégia política mais acertada colaborar com o invasor a ver anulada qualquer possibilidade de exercício de poder e de resquício de soberania. O nazismo de Hitler na Alemanha teve na pretensa reconstrução do Reich e do orgulho nacional, ferido pela derrota e pelas sanções sofridas após a Primeira Guerra Mundial, um discurso importante para a coesão social e para sua ascensão ao poder. Aliado à reconstrução econômica e étnica do alemão, o orgulho destrutivo completou uma alternativa então convincente diante do fracasso do modelo ocidental capitalista e democrático. E ainda, no colaboracionismo francês de Vichy podem ser encontradas raízes de uma necessidade de manter-se no poder a um custo apenas descoberto pelas gerações seguintes.



Reformulação da memória francesa

Nestas eleições, enquanto o presidente derrotado assumiu explicitamente uma plataforma conservadora de restrição política a entrada de imigrantes, Hollande anunciou a intenção de regularizar a entrada e a sobrevivência dos estrangeiros no país. Ao que tudo indica, trata-se de uma questão mais ampla e que inclui a reformulação da memória e da história oficial da nação francesa.

A violência e a discriminação alegada em diversas cidades tem chamado a atenção para a presença de uma comunidade bastante diversificada de imigrantes argelinos, marroquinos, tunisianos e da África Negra que reivindicam não apenas sua diferença e a importância de suas culturas, por vezes, já enraizadas no cotidiano da população, mas de sua igualdade de direitos, condições de trabalho e de vida. Trata-se de uma das bandeiras mais agitadas no conhecido maio de 1968 francês, talvez vencida pela reação conservadora e não incorporada à prática social. A miscigenação de Gilberto Freyre nos trópicos parece agora mais bem-vinda no berço da “civilização” do que a homogeneidade do mito nacional afirmado diante dos conflitos externos no contexto europeu da formação dos Estados Nacionais.

Entendida como um corpo político e um agente coletivo, a nação francesa se vê atualmente como um conjunto heterogêneo, composto por grupos, classes e etnias diferentes e em conflito. Por outro lado, as narrativas que conferiam legitimidade aos mitos e à história oficial francesa enfrentam uma necessidade revisionista em situação de impasse. O desafio de Hollande será construir e viabilizar uma agenda política e econômica coletiva que combine a reconstrução dos vínculos sociais e nacionais ao desenvolvimento produtivo, através de uma única história cuja narrativa convença a todos. Ocorre, contudo, que a nação inclui também os 48% de eleitores que votaram em Sarkozy e, certamente, complicarão essa luta por convencimento.

A população entoou a simbólica Marselhesa e marchou pela cidade rumo à praça da Bastilha, onde ao menos 100 mil pessoas se concentraram para receber o novo presidente. Os símbolos de uma sociedade revolucionária pesam mesmo sobre aqueles cujos laços de sangue não podem ser evocados nessa afirmação identitária. São, contudo, personagens da reconstrução cotidiana das representações, narrativas e mitos que fundam uma nova nacionalidade com a velha disposição para a transformação.

Fonte:

A Batalha de Marengo


A Batalha de Marengo foi uma das mais surpreendentes vitórias do exército napoleônico.

Ao longo de sua carreira como militar, Napoleão Bonaparte construiu uma quase inabalável fama de conseguir triunfar em batalhas que pareciam estar praticamente perdidas. O seu comportamento eloquente, o vínculo próximo junto a seus comandados e o exímio conhecimento de estratégia foram decisivos para que o processo revolucionário francês não fosse terrivelmente sufocado pelas tropas absolutistas.

Logo após derrubar o Diretório e se transformar em Primeiro Cônsul, Napoleão acreditava que não seria interessante reorganizar as suas tropas em um único grupamento. Contrariando o óbvio, decidiu dividir os seus exércitos em diferentes frentes. Tal ação era tomada com a expectativa de que as forças austríacas não empreendessem um ataque contra a França.

Entretanto, as forças do general Michael Von Melas se lançaram à sorte contra os franceses em um ataque surpresa na região de Marengo, norte da Itália. Confiante de que poderia abater as tropas napoleônicas facilmente, o general Melas decidiu repassar o comando das tropas para antecipar as notícias e recompensas da vitória de seu exército na cidade de Viena. A atitude tomada, de natureza visivelmente presunçosa, acabou se transformando na grande oportunidade dos militares franceses.

O general-major Anton Zach, novo responsável pelas tropas austríacas, cometeu o erro de posicionar os seus comandados em uma única e extensa fileira. Até aquele momento, as divisões francesas estavam com pouca munição e sem condições de conter a investida dos austríacos. Entretanto, ao perceber longinquamente os disparos de canhão na direção de Marengo, o general Louis Desaix, enviado um dia antes para a Áustria, ordenou que seus soldados retornassem para a região italiana.

Com o reforço surpresa de cinco mil combatentes, Napoleão e Desaix tiveram condições para fazer frente contra as poderosas forças da Áustria. Logo em seguida, dando maior corpo àquela virada que parecia impossível, o general François Etienne Kellerman e a sua cavalaria empreenderam um ataque surpresa pela ala esquerda dos austríacos. Com isso, a formação dos inimigos foi completamente desordenada e a França garantiu o triunfo nessa impressionante batalha.

Ao fim, podemos observar que este conflito rendeu um grande número de baixas para ambos os lados do conflito. Os franceses perderam mais três mil soldados e tiveram um número semelhante de feridos. Já os austríacos contabilizaram cerca de três mil soldados aprisionados e mais de sete mil comandados entre mortos e feridos. No dia 15 de julho de 1800, um dia após a batalha de Marengo, o general Melas assinou o acordo que determinou a retirada de suas tropas da Itália.


Por Rainer Sousa

Fonte: http://guerras.brasilescola.com/seculo-xvi-xix/a-batalha-marengo.htm

Império Austríaco


Por Emerson Santiago

O nome de Império Austríaco (Kaisertum Österreich ou Kaiserthum Oesterreich na grafia antiga) é geralmente aplicado a um estado monárquico e multi-étnico europeu existente entre 1804 e 1867, e cujo núcleo é o território da atual república austríaca.



Esta monarquia absolutista, sediada em Viena, era na verdade uma versão reformulada do que restou do antigo Sacro Império Romano-Germânico, dissolvido em meio à Guerra da Terceira Coligação programada para bater Napoleão Bonaparte, em um processo bastante semelhante ao que aconteceu com a formação do Império Bizantino a partir do Império Romano do Oriente. Quando Napoleão declara o primeiro Império Francês, em 1804, a resposta da Áustria é fundar das cinzas do Sacro Império o Império Austríaco, reunindo as terras ainda sob controle da dinastia dos Habsburgo. O termo “Império Austríaco” ou popularmente “Áustria” já era na prática utilizado para se referir aos domínios de tal dinastia, mas só se tornou oficial a partir de 1804.

Seu criador foi o monarca Francisco (I da Áustria e II do Sacro Império), que pretendia evitar que Napoleão viesse a ser seu sucessor no trono do Sacro Império, pois boa parte de seu antigo território agora estava sob controle do então imperador francês. Desse modo, fundando novo império em separado, Francisco I evitava tal possibilidade. Ambos, porém, criaram uma situação em que décadas mais tarde permitira o surgimento do moderno estado alemão às custas tanto de franceses como também de austríacos.

Assim como seu antecessor, o Sacro Império, e seu sucessor, o Império Austro-Húngaro, o Império Austríaco tinha seu núcleo na atual Áustria, mas era bastante diversificado, reunindo húngaros, romenos, tchecos, eslovacos, eslovenos, croatas, sérvios, italianos, poloneses, ucranianos e diversas outras minorias, que conservavam bastante de suas línguas, cultura e costumes e alguma autonomia administrativa.

Em 1815, em meio à Congresso de Viena, que tinha como objetivo restaurar a situação geopolítica europeia pré-Revolução Francesa, a Áustria busca o resgate do predomínio em terras do antigo Sacro Império (basicamente a atual Alemanha, ainda à época fragmentada em várias monarquias regionais) e junto com a Prússia e vários estadosalemães menores passa a formar a Confederação Germânica. Assim, a Áustria passou a fazer parte ao mesmo tempo do Império Austríaco e da Confederação Germânica, exercendo papel predominante em ambas as organizações.

O Império Austríaco será reformulado em 1867, depois da derrota na Guerra Austro-prussiana, travada com a Prússia pelo predomínio político na Confederação Germânica. A derrota provoca a saída da Áustria da Confederação, fator que facilitou a unificação da Alemanha logo depois em 1871. Enfraquecida, a monarquia austríaca aceita dividir o poder com os húngaros, a segunda etnia mais importante dentro do império. Assim, nasce o Império Austro-Húngaro, uma duarquia, com duas capitais, Viena e Budapeste, ainda que com um leve predomínio político da Áustria.

Bibliografia:
What was the Austrian Empire? (em inglês). Disponível em: . Acesso em: 20 mai. 2012.

History of the Austrian Empire (em inglês). Disponível em: . Acesso em: 20 mai. 2012.




Fonte:

Civilizações da Mesopotâmia | O Segundo Império Babilônico | 1000 aC a 1aC



Os caldeus, povos de origem semita, derrotaram os assírios e fizeram da Babilônia novamente a capital da Mesopotâmia.

Assim nasceu o Império Neobabilônico, mais grandioso que o de Hamurábi, e mais de mil anos depois.

Durante o reinado de Nabucodonosor (604 a.C. – 561 a.C.), o Segundo Império Babilônico viveu o seu apogeu.

Foi a época das grandes construções públicas, como os templos para vários deuses, especialmente o de Marduk, as grandes muralhas da cidade e os palácios, a exemplo dos "Jardins Suspensos da Babilônia", considerados pelos gregos como uma das maiores "maravilhas do mundo".

Nabucodonosor também expandiu seu império, dominando boa parte da Fenícia, Síria e Palestina, e escravizando os habitantes do reino de Judá (Esdras, 20-1), que foram transferidos como escravos para a capital ("Cativeiro da Babilônia").

O Segundo Império Babilônico não sobreviveu por muito tempo à morte de Nabucodonosor, sendo conquistado em 539 a.C. pelo rei persa Ciro I.

A partir daí, a Mesopotâmia e seus domínios passaram a pertencer ao Império Persa.


Fonte: http://br.geocities.com/culturauniversalonline/acontecimentos_2.htm

O eu e o outro nas relações transcendentais: Um Mergulho na Teoria Sociocultural de Vigotsky



Por: nezi nilda monteiro pimentel

Dorislene Alves.Almeida Cantarela [1]

Gilza Andrade Cruz[2]

Maria Benedita de Paula [3]

Nezi Nilda Monteiro Pimentel[4]

Rosalina de Oliveira Reis Goebel[5]

Judite Filgueiras Rodrigues[6]

As relações entre o Eu e o Outro nas dimensões sociais são apresentadas no texto abaixo, mediante os pressupostos de Vigotsky na teoria sócio cultual, revelando que a aprendizagem e o desenvolvimento humano ocorre nas interações intersubjetivas.

Para entendermos os pensamentos de Vigotsky é necessário conhecer um pouco de sua biografia. Lev Seminovitch Vigotsky nasceu em 1896 na Bielorrusia. No ano de 1917 graduou-se na Universidade de Moscou em Literatura. Começou suas investigações no campo da Psicologia, coordenando e dirigindo varias pesquisas acerca da educação de pessoas portadoras de necessidades especiais.

Seu interesse por estas temáticas e a importância de suas pesquisas neste campo o levaram a direção do Departamento de Psicologia no Instituto de Medicina Experimental.

Aos 38 anos morreu de tuberculose. Seu trabalho só foi divulgado muito tempo após ser produzido, devido “a guerra fria”. Sem dùvida, ele foi uma das personalidades mais influentes na área da Educação e da Psicologia.

As posturas evolucionistas e biologopsicologistas presentes nas idéias de Vigotsky, postularam duas vertentes importantes:

1) A interação existente entre o desenvolvimento e a aprendizagem;

2) Os vínculos relevantes produzidos pelas relações professor e aluno.

Estes pressupostos constituem os pilares das suas investigações, sendo fundamentais, propícios e pertinentes à realização deste ensaio teórico.

Entre idas e vindas, encontros e desencontros, princípios e fins, palcos e platéias, viagens e paragens: o EU e o OUTRO.

O outro que sou eu e o eu que é o outro. São identidades construídas pelo preço da destruição, singularidades emitidas pela gloria da pluralidade, formas impressas em função das disformes e multiformes apresentadas.

Nesta ótica, não é o fim um principio? A morte uma vida?

Numa análise metafórica neutraliza-se e mortifica-se a vida, criamo-na e recriamo-na a cada dia, a cada momento; é pela possibilidade de ressignificar idéias, conceitos, pensamentos e ações que imortalizamos concepções e até teorias seculares.

É no rol da imortalidade que situamos o pensamento de Vigotsky, que continua vivo mesmo após séculos. O autor corrobora para um olhar mais profundo e sensível, no sentido de perceber que qualquer ser, em sua individualidade que é social, pode registrar seu pensamento, sua alma nas entranhas das “letras”, garantindo um nincho da memória imortalizada nas reentranças do conhecimento humano.

O pensamento e a linguagem, por serem sustentação da vida humana, são reconhecidos por Vigtsky (1988) como estruturas superiores do indivíduo, por elas, acrescenta-se: é possível alcançar a transcendência.

Para isso é importante mortificar iniciativas que aprisionam os sujeitos em concepções diretivas e lineares. A idéia de morte aqui tratada planta uma outra: a de vida surgida a partir dela. Novas idéias não surgem do nada, mas da “recriação” do velho, complementação do anterior, ressignificação do ultrapassado na ótica do novo paradigma. A vida se constitui a partir dessa morte caracterizando um processo de interdependência: a morte que gera vida, que gera morte...

É possível esta metaforização, porque se visualiza atualmente as relações de desenvolvimento, ensino e aprendizagem a partir do principio vigotskyano, na medida que se assume debates e práticas em torno da dialética, dialógica, problematização, metodologias ativas, planetarização e integralidade do sujeito.

Dessa forma, todas essas abordagens são caracterizadas por uma educação e ensino constituintes de formas universais e necessárias do desenvolvimento mental, em cujo processo se ligam os fatores socioculturais e as condições internas dos indivíduos. Todo debate que se vincula aos elementos de interatividade e aos pressupostos sociais e culturais assumem relevância no cenário educacional.

Para entender as relações existentes entre o desenvolvimento e a aprendizagem é importante compreender o conceito de Vigotsky, de zona de desenvolvimento proximal apresentado por ele.

Tal conceito se evidencia como maturidade intelectual do aluno e suas potencialidades para resolver situações problematizadoras com ou sem intervenção do “outro”.

Estas idéias são importantíssimas para a atividade docente já que ele é esse “outro significativo” para o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem e o manejo da informação permitindo-lhe saber que todos os alunos homogêneos ou heterogêneos que existam nos cursos, contam com essa capacidade de maneira latente.

Desta forma, o docente poderá adotar recursos didáticos que otimizem a tarefa pedagógica, implementando distintas formas de organização do espaço educativo.

A zona de desenvolvimento proximal manifesta-se então como uma aproximação interativa entre os diferentes sujeitos em suas individualidades e coletividades, singularidades e pluralidades. São as idiossincrasias (individuais e coletivas) do ser que formam o grande mosaico que garante a diversidade de aprendizagens.

Amplia-se o nível real porque a necessidade sócio-cultural dos seres humanos revela potenciais inesgotáveis.

Observa-se que esta perspectiva da psicologia insere-se vivamente dentro da tradição filosófica marxista, porque revela crítica, ideologias, culturas e multiculturas. Neste sentido, Vygotsky, à medida que explicou a constituição histórico-social do desenvolvimento psicológico humano insere-o no processo de apropriação da cultura mediante a comunicação com outras pessoas.

Dá-se pois, a justificativa de que um EU se faz mediante outros “EUS”. Tais processos de comunicação e as funções psíquicas superiores neles envolvidas se efetivam primeiramente na atividade externa (interpessoal) que, em seguida, é internalizada pela atividade individual, regulada pela consciência.

No processo de internalização da atividade há a mediação da linguagem, em que os signos adquirem significado e sentido. Há uma lógica vigente no tocante a estes: os significados atribuídos aos signos podem ser relativos, mediante valoração de determinada cultura, uma vez que as normas e os valores de uma coletividade caracterizam o sentido dado a cada indicativo, ícone ou símbolo. É o OUTRO que material ou imaterialmente vive no EU que consolida todo o desenvolvimento social, cultural e paralelamente o cognitivo.

Ao destacar a atividade sócio-histórica e coletiva dos indivíduos na formação das funções mentais superiores, não se pode deixar de elucidar o caráter de mediação cultural do processo de conhecimento e, ao mesmo tempo, a dimensão individual da aprendizagem pela qual o sujeito se apropria ativamente da experiência sócio-cultural.

Fica claro então, que o ato de aprender se constitui nas relações intersubjetivas. É nestas, que a vida latente se manifesta eminentemente “sapiente”, em que o pensar pensante gera a imortalidade da alma[7], no conhecer e na transcendência do OUTRO e do EU.

REFERÊNCIAS

Idoneos.com Suscripciones Web 2.0 → Homepage → Las Enseñanzas de Vigotsky Las Enseñanzas de Vigotsky. Lic. Marcelo Albornoz

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. SP, Martins Fontes, 1988

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[1] Graduada em Enfermagem e Obstetrícia .Especialista em : Saúde da Família, Educação Profissional em Saúde- Enfermagem, Licenciatura Plena em Ciências Físicas e Biológicas- PEFOPE, Mestranda em Ciências da Educação. É Coordenadora do Curso Técnico em Agentes Comunitários de Saúde em Porto-velho-RO

[2] Licenciada em Letras.Especialista em Estratégias de Ensino e Aprendizagem e Psicologia do Conhecimento, mestranda em Ciências da Educação. É Professora e Coordenadora do Colegiado de Letras e do Comitê Gestor em Orientação Pedagógica da Faculdade de Ages.

[3] Graduada em Enfermagem e Obstetrícia e Licenciatura em Enfermagem.Especialista em : Saúde Comunitária, Educação Profissional em Saúde – Enfermagem, Gestão de Serviços de Saúde, Educação a Distancia e Informática em Saúde. Mestranda em Ciências da Educação. È Professora na Faculdade Anhanguera e Responsável Técnica do Serviço de Enfermagem do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal

[4] Graduada em Letras.Especialista em Língua Portuguesa: uma Abordagem Textual. Mestranda em Ciências da Educação. É Professora da Secretaria Executiva de Educação do Pará e da Universidade do Vale do Acaraú

[5] Graduada em Enfermagem e Obstetrícia.e Licenciatura em Pedagogia. Especialista em Saúde Pública, Saúde da Família, Educação Profissional em Saúde – Enfermagem, Metodologia do Ensino Superior, Licenciatura Plena em Ciências Físicas e Biológicas _ PEFOPE. Mestranda em Ciências da Educação. È Enfermeira da III Gerencia Regional de Saúde de Vilhena –Ro, e Professora do Curso de Técnico em Enfermagem do SENAC- RO.

[6] Dra em Ciências do Movimento Humano. Docente da UTIC

[7] Aqui entendida como essência humana


A Semana de Arte Moderna de 1922






Foto: Divulgação



"... seria uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulista" - DI CAVALCANTI

Numa entrevista a uma revista cultural de São Paulo, feita em 1939, a pintora Anita Malfatti narrou os antecedentes da sua polêmica exposição de 1917. O acontecimento revelou-se quase tragédia para ela, mas acredito que pelo impacto que suscitou junto à público e críticos, tornou-se chave para o que veio depois.

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Ela mesma confessa que quando mostrou suas telas a umas colegas "acharam-nas feias, dantescas e todas ficaram tristes ..., alguns jornalistas pediram-me para ver os quadros tão mal feitos e todos acharam que devia fazer uma exposição". Estava fortemente influenciada pelo expressionismo alemão, com aquela inclinação pelo grotesco e pelo caricatural. O comportamento do público era muito estranho, em geral a reação da maioria era de espanto, de frustração, com aquela nova estética importada da vanguarda europeia.

A resposta conservadora à ousadia de Anita Malfatti não demorou. Um pouco antes do Natal de 1917, Monteiro Lobato, num artigo publicado em O Estado de São Paulo, desancou não só a exposição como o futurismo, o cubismo, o impressionismo e todos os "ismos" da moda, dizendo-os produtos dos tempos decadentes, de cérebros deformados, afirmando que a única diferença das telas de Anita daquelas feitas nos manicômios, como terapia, é que a dos loucos era "arte sincera."

Comentando o choque provocado pela crítica de Lobato, Mario de Andrade disse que Anita ficou meio desaparecida uns quatro ou cinco anos. Quem a defendeu foi o jovem Oswald de Andrade, que mais tarde seria um dos mentores da nossa vanguarda, balançando sempre entre ser bufão ou anarquista, dizendo que a exposição pelo menos havia sacudido a crítica paulista da "sua tradicional lerdeza de comentários." Oswald por aqueles tempos era militante futurista, resultado da sua viagem à Europa em 1912, quando voltou com uma penca de manifestos inspirados por Fillipo Marinetti. Mas ele e os outros intelectuais que o cercavam não gostavam de ser assim designados, preferindo o de modernistas. O nome futurista tinha ligações com as loucuras feitas pelos vanguardistas europeus, que os rapazes paulistas, mais acanhados, não estavam preparados para assumir.

A crítica de Lobato serviu como elemento catalisador. Pensaram em aglutinar forças e marcar presença através de um ato espetacular. A revolução estética que anunciavam merecia algo apoteótico. Aproximava-se o ano de 1922, o ano do centenário da Independência brasileira. Era o momento ideal!

Como quase todos os integrantes do movimento modernista eram filhos da oligarquia paulista, não tiveram dificuldade em obter a adesão de Paulo Prado, curador do Teatro Municipal, que também providenciou os recursos.

Entre os dias 11 a 17 de fevereiro, promoveram conferências sobre a nova estética entremeadas de recitais, de música ou leitura de algumas obras. No saguão, alguns pintores e escultores espalharam seus trabalhos. A plateia foi à loucura: urravam, guinchavam, pateavam, silvavam, vaiavam de enrouquecer para mostrar seu desagrado com aquilo tudo. Não permitiram que se escutasse nenhuma frase do que Oswald disse. Com Villa Lobos não foi diferente. Tendo adentrado no palco com sandálias, pensaram que era uma pantomima do músico e ficaram quase histéricos. Na verdade, o jovem havia se machucado.

Uns tempos depois, passado o vendaval, Yan de Almeida Prado disse que tudo não passou de uma estudantada, uma brincadeira para quebrar o marasmo da paroquiana São Paulo. Mas é claro que não se reduziu a isso. Para alguns críticos, foi uma vigorosa tentativa de liderar o universo cultural brasileiro, sequestrando do Rio de Janeiro a primazia de estar à frente das coisas. A Paulicéia começara a se projetar como poderoso centro industrial, ambicionando ser também a vanguardeira das artes.

Mas afora essas interpretações de ser apenas mais um ato da longa novela de rivalidades entre paulistas e cariocas, se aceita hoje que a Semana de Arte Moderna de 1922 foi um momento de rompimento com a arte acadêmica e com a neocolonizada prosa parnasiana então predominante. Tornou o estilo anterior intragável e forçou a adoção, tanto na poesia como na prosa, de uma linguagem solta, ausente de formalismos, afastada da pedanteria e da incorrigível vocação academicista. Não conseguiu, porém, fazer com que o público aderisse com entusiasmo às novas formas de expressão, aliás, como bem poucas vanguardas o fizeram. Em nosso século, os artistas foram lançados num limbo de incompreensão raro de encontrar na história da estética universal.

Para os intelectuais, a Semana serviu como uma redescoberta do Brasil, mostrando-o fruto de uma cultura mestiça, vacilando entre o bestialismo e a civilização, em perpétuas dúvidas sobre ser ou não ser parte da periferia do Ocidente.


Fonte: VOLTAIRE SCHILLING