6.8.13

Direita e Esquerda




“Direita” e “esquerda” costumam apontar as diferenças ideológicas entre os políticos.

Ao ligarmos a televisão, é muito comum percebermos que as expressões “direita” e “esquerda” são comumente utilizadas para se referir a determinadas personagens e grupos políticos. De fato, poucos sabem por qual razão esses dois termos de orientação tem a função de descrever a perspectiva vigente de algum partido ou político. Para que esse questionamento seja resolvido, devemos nos deslocar até os eventos que marcaram o processo revolucionário francês, nos fins do século XVIII.

Naquela época, a chamada Assembleia Nacional Constituinte ganhou força política mediante as urgentes reformas que o país necessitava. Em geral, o governo francês estava atolado em dívidas que atingiam a sustentação econômica de amplos setores da sociedade. Com isso, não suportando a pressão daqueles tempos difíceis, o rei Luis XVI organizou uma eleição em que representantes políticos votariam novas medidas que pudessem sanar tantos problemas.

Durante essas reuniões, observamos que as tendências políticas da Assembleia Nacional se viam espacialmente distribuídas. Na ala direita do plenário, os integrantes do funcionalismo real, os nobres proprietários de terra, os burgueses enriquecidos e alguns clérigos recusavam qualquer tipo de reforma que atingisse seus antigos privilégios. Na ala esquerda do mesmo local, os membros da pequena e média burguesia e demais simpatizantes buscavam uma grande reforma que aplacasse a grave crise nacional.

Com o passar do tempo, a própria disseminação dos atos que marcaram o processo revolucionário francês determinaram a adoção dos termos “direita” e “esquerda”, segundo a divisão feita na Assembleia Nacional. Em suma, os políticos “de direita” representariam o interesse de grupos dominantes e a conservação dos interesses das elites. Por outro lado, os políticos “de esquerda” teriam uma orientação reformista baseada na conquista de benefícios às classes sociais menos privilegiadas.

Sob outra perspectiva, a utilização dos termos “direita” e “esquerda” também pode variar em função das transformações sofridas em determinado contexto político. Os partidários que se colocam contra as ações do regime vigente seriam entendidos como “de esquerda” e os defensores do governo em vigência ocupariam a ala “de direita”. Dessa forma, a determinação dos grupos políticos varia segundo os partidos ou orientação ideológica que controlam o poder central.

Atualmente, a utilização dos termos “direita” e “esquerda” nem sempre consegue definir a natureza mais ampla de um contexto político. Em muitas situações, vemos que antigos adversários políticos colocam suas ideologias de lado para alcançarem um objetivo em comum. Como exemplo, podemos indicar na história do Brasil que a chegada do Partido dos Trabalhadores, rotulado como “de esquerda”, ao governo esteve marcada por diálogos e conchavos com antigos adversários políticos “de direita”.


Por Rainer Sousa

Fonte:http://www.brasilescola.com/politica/direita-esquerda.htm

Era Vargas – Estado Novo




Estado Novo: período de controle e concessão aos trabalhadores

Era Vargas – Estado Novo

Dado como um governo estabelecido por vias golpistas, o Estado Novo foi implantado por Getúlio Vargas sob a justificativa de conter uma nova ameaça de golpe comunista no Brasil. Para dar ao novo regime uma aparência legal, Francisco Campos, aliado político de Getúlio, redigiu uma nova constituição inspirada por itens das constituições fascistas italiana e polonesa.

Conhecida como Constituição Polaca, a nova constituição ampliou os poderes presidenciais, dando a Getúlio Vargas o direito de intervir nos poderes Legislativo e Judiciário. Além disso, os governadores estaduais passaram a ser indicados pelo presidente. Mesmo tendo algumas diretrizes políticas semelhantes aos governos fascista e nazista, não é possível entender o Estado Novo como uma mera imitação dos mesmos.

A inexistência de um partido que intermediasse a relação entre o povo e o Estado, a ausência de uma política eugênica e a falta de um discurso ultranacionalista são alguns dos pontos que distanciam o Estado Novo do fascismo italiano ou do nazismo alemão. No que se refere às suas principais medidas, o Estado Novo adotou o chamado “Estado de Compromisso”, onde se criaram mecanismos de controle e vias de negociação política responsáveis pelo surgimento de uma ampla frente de apoio a Getúlio Vargas.

Entre os novos órgãos criados pelo governo, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) era responsável por controlar os meios de comunicação da época e propagandear uma imagem positiva do governo. Já o Departamento Administrativo do Serviço Público, remodelou a estrutura do funcionalismo público prejudicando o tráfico de influências, as práticas nepotistas e outras regalias dos funcionários.

Outro ponto importante da política varguista pode ser notado na relação entre o governo e as classes trabalhadoras. Tomado por uma orientação populista, o governo preocupava-se em obter o favor dos trabalhadores por meio de concessões e leis de amparo ao trabalhador. Tais medidas viriam a desmobilizar os movimentos sindicais da época. Suas ações eram controladas por leis que regulamentavam o seu campo de ação legal. Nessa época, os sindicatos transformaram-se em um espaço de divulgação da propaganda governista e seus líderes, representantes da ideologia varguista.

As ações paternalistas de Vargas, dirigidas às classes trabalhadoras, foram de fundamental importância para o crescimento da burguesia industrial da época. Ao conter o conflito de interesses dessas duas classes, Vargas dava condições para o amplo desenvolvimento do setor industrial brasileiro. Além disso, o governo agia diretamente na economia realizando uma política de industrialização por substituição de importações.

Nessa política de substituições, o Estado seria responsável por apoiar o crescimento da indústria a partir da criação das indústrias de base. Tais indústrias dariam suporte para que os demais setores industriais se desenvolvessem, fornecendo importantes matérias-primas. Várias indústrias estatais e institutos de pesquisa foram criados no período. Entre as empresas estatais criadas por Vargas, podemos citar a Companhia Siderúrgica Nacional (1940), a Companhia Vale do Rio Doce (1942), a Fábrica Nacional de Motores (1943) e a Hidrelétrica do Vale do São Francisco (1945).

Em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, uma importante questão política orientou os últimos anos do Estado Novo. No início do conflito, Vargas adotou uma postura contraditória: ora apoiando os países do Eixo, ora se aproximando dos aliados. Com a concessão de um empréstimo de 20 milhões de dólares, os Estados Unidos conquistaram o apoio do Brasil contra os países do Eixo. A luta do Brasil contra os regimes totalitários de Adolf Hitler e Benito Mussolini gerou uma tensão política que desestabilizou a legitimidade da ditadura varguista.

Durante o ano de 1943, um documento intitulado Manifesto dos Mineiros, assinado por intelectuais e influentes figuras políticas, exigiu o fim do Estado Novo e a retomada da democracia. Acenando favoravelmente a essa reivindicação, Vargas criou uma emenda constitucional que permitia a criação de partidos políticos e anunciava novas eleições para 1945. Nesse meio tempo surgiram as seguintes representações partidárias: o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Democrata (PSD), ambos redutos de apoio a Getúlio Vargas; a União Democrática Nacional (UDN), agremiação de direita opositora de Vargas; e o Partido Comunista Brasileiro (PCB), que saiu da ilegalidade decretada por Getúlio.

Em 1945, as medidas tomadas pelo governo faziam da saída de Vargas um fato inevitável. Os que eram contrários a essa possibilidade, organizaram-se no chamado Movimento Queremista. Empunhados pelo lema “Queremos Getúlio!”, seus participantes defendiam a continuidade do governo de Vargas. Mesmo contando com vários setores favoráveis à sua permanência, inclusive de esquerda, Getúlio aceitou passivamente a deposição, liderada por militares, em setembro daquele ano.

Dessa maneira, Getúlio Vargas pretendeu conservar uma imagem política positiva. Aceitando o golpe, ele passou a ideia de que era um líder político favorável ao regime democrático. Essa estratégia e o amplo apoio popular, ainda renderam a ele um mandato como senador, entre 1945 e 1951, e o retorno democrático ao posto presidencial, em 1951.

Por Rainer Sousa

Fonte: http://www.brasilescola.com/historiab/vargas.htm

Revolta dos Ciompi: um levante operário?


Florença, no século XIV, foi palco da primeira revolta operária da história


A revolta dos Ciompi foi o cume a que chegou uma série de revoltas populares ocorridas em Florença, região da Toscana na Itália, entre as décadas de 1340 e 1380. O nome de Ciompi é decorrente dos trabalhadores assalariados dos lanifícios que passaram a participar dos órgãos diretivos da cidade entre os dias 22 de julho de 1378 a 31 de agosto de 1378. O debate entre historiadores diz respeito à consideração da Revolta dos Ciompi como a primeira revolta operária da História.


Florença tornou-se uma república que se pretendia popular e democrática em 1293, com a publicação dos ordinamenti di giustizia (ordenamentos de justiça), que estruturavam em 21 artes as corporações profissionais da cidade, excluindo a aristocracia e boa parte dos assalariados. Os artesãos e pequenos comerciantes formavam as artes menores e os banqueiros e grandes comerciantes as artes maiores.


Contando com aproximadamente 100 mil habitantes em 1338, a cidade era rica por causa da indústria, do comércio e das atividades bancárias, sendo que politicamente se dividia em dois partidos: os gibelinos, partidários do Império contra o papa; e os guelfos, partidários da causa papal.


Entre 1343 e 1348, os magnatis (famílias nobres) foram expulsos dos órgãos de poder. A cidade se viu ainda governada por um breve período por Gautier de Brienne (1342-1343), duque de Atenas, período que ficou marcado por diversos conflitos populares, terminados com a peste, em 1348. Para enfrentar a alta burguesia, o duque se apoiou nos operários e agradou, por exemplo, os tintureiros, que queriam formar uma nova arte, a vigésima-segunda. Ele organizou os operários da lã não em uma arte, mas numa associação armada. Depois de um levante que o derrubou, apoiado por quase toda a cidade, menos açougueiros e uns poucos operários, as armas continuaram nas mãos dos operários da lã que as utilizaram nos anos posteriores.


Em 1343, 1.300 operários se sublevaram contra a ditadura dos capitalistas nos locais de trabalho; em 1345, uma nova revolta dirigida por um cardador objetivava a organização dos operários da lã. A peste dizimou boa parte da população em 1348, causando o aumento dos salários, devido à falta de trabalhadores para os serviços, e aumentando os conflitos entre patrões e operários. Entre 1370 e 1372, uma greve dos tintureiros ocorreu, sendo derrotada, porém não arrefeceu os ânimos dos trabalhadores.


Ao mesmo tempo, a alta burguesia viu seus interesses se oporem aos da pequena burguesia, causando conflitos no partido guelfo. A disputa interna ao partido teve como consequência a ascensão de Salvestro de Médici ao cargo de magistrado de justiça em junho de 1378, representando a pequena burguesia e propondo medidas contra artes maiores. As várias artes saíram às ruas para defenderem suas posições, os operários também partiram para o conflito, pondo fogo em casarões e em prisões. Salvestro de Médice venceu, mas a direção que era da pequena e média burguesia caiu nas mãos dos operários.


Foi a partir das características da revolta que estudiosos do tema, como Simone Weil, afirmaram que foi a primeira revolta proletária da história. A primeira medida tomada espontaneamente pelos insurrectos foi a pena de morte para os saqueadores, o que não significou uma ação sanguinária. Além disso, reivindicavam alterações na cobrança de impostos; a supressão de oficiais estrangeiros que atuavam como policiais; e mais três novas artes: uma para os trabalhadores da lã não assalariados; outra para os alfaiates e pequenos artesãos não organizados; e uma para o popolo minuto, o povo miúdo, operários principalmente das oficinas de lã. Esta última foi um sindicato dos operários, cujo objetivo era compor em igualdade a representação no poder do Estado.


Como não houve resposta rápida às reivindicações, os trabalhadores invadiram o palácio do Governo em 21 de julho de 1378, nomeando Michele di Lando, um cardador de lã, como magistrado de justiça. Ele formou um governo provisório com os chefes das artes menores. Em 08 de agosto, uma nova forma de governo foi instituída atendendo às reivindicações dos operários, somando uma força armada composta por cidadãos. Os operários ainda não confiavam no governo constituído em aliança com as artes menores e se retiraram para Santa Maria Novella, no noroeste da cidade, organizando-se de forma semelhante a um partido e convidando as outras artes para formar uma nova constituição. Formaram-se, dessa forma, dois governos, um no Palácio e outro em Santa Maria Novella.


Entretanto, Michele de Lando se voltou contra os operários, reprimindo-os e vencendo-os no início de setembro, aparecendo posteriormente apenas alguns levantes que foram esmagados. As artes menores dividiram o poder durante um tempo com as artes maiores, mas somente até a burguesia novamente se ver forte para impor seu poder, principalmente com a desorganização dos operários. Michele di Lando foi, posteriormente, exilado, as artes dos trabalhadores da lã não proletarizados e as dos alfaiates foram extintas e a estrutura do poder anterior ao levante de 1378 foi restaurada em 1382.




Por Tales Pinto
Fonte:http://guerras.brasilescola.com/idade-media/revolta-dos-ciompi-um-levante-operario.htm

Medos X Persas








A Pérsia se encontrava na região a leste da Mesopotâmia (atual Iraque), no longo planalto do Irã. A maioria dos territórios ocupados pelos persas era improdutível, ou seja, pouco fértil. No ano 2000 a. C., os medos e os persasoriginários dos territórios da atual Rússia foram ocupando a região do planalto iraniano. Os medos se estabeleceram ao norte; e os persas, ao sul do território.

A partir do século VIII a. C., os medos dominaram a região do planalto iraniano e, com um hábil e organizado exército, submeteram vários povos que viviam na região – os persas foram um desses povos conquistados pelos medos. Após o domínio, os persas passaram a pagar altos tributos para os conquistadores.

No ano de 550 a. C., o príncipe persa, Ciro, chamado de o Grande (559-529 a.C.), liderou e executou uma ação militar contra os medos. Após a vitória persa sobre os medos, Ciro foi declarado o único imperador dos povos que habitavam o planalto iraniano.

A fim de obter riquezas para resolver problemas ocasionados pela baixa produção agrícola em razão da infertilidade da terra, Ciro iniciou o processo de expansão territorial, começando naquele período a história do Império Persa.

Após um pequeno intervalo de tempo, o Imperador Ciro, o Grande, conquistou juntamente com o exército persa uma enorme extensão territorial. Dessa maneira, Ciro se tornou o maior imperador do Oriente Médio antigo. A hegemonia de Ciro ficou conhecida através de uma política de respeito às diferenças culturais e religiosas dos povos conquistados, mas que não os isentava de pesados tributos.

Com a morte do grande imperador, no ano de 529 a. C., os sucessores de Ciro, como Cambises e Dario I, continuaram a política expansionista, o que ampliou a fronteira do Império Persa, que passou a incorporar a região do Egito antigo e o norte da Grécia até o vale do rio Indo (situado no atual Paquistão, país ao sul da Ásia).

Leandro Carvalho

Fonte: http://guerras.brasilescola.com/idade-antiga/medos-x-persas.htm

Nacionalismo e I Guerra Mundial


O discurso nacionalista foi utilizado politicamente como estímulo à participação popular na I Guerra Mundial.



Brasão do Império Alemão. Pangermanismo foi um dos argumentos a favor da expansão do império




Um dos fatos que marcaram a ascensão das hostilidades entre os países que participaram da I Guerra Mundial foi o nacionalismo. Criado como identidade de povos durante o século XIX, o nacionalismo foi utilizado como forma de persuasão das massas populares para os desejos expansionistas dos governantes de Impérios e demais países. O discurso da necessidade do cidadão civil em se alistar no exército para defender sua nação e pátria foi um recurso utilizado como forma de ampliar o contingente dos exércitos.

Além disso, o discurso nacionalista serviu para fomentar a expansão territorial de alguns estados, situação que era apresentada como necessária para unir povos. Nesse sentido que surgiram alguns grandes movimentos nacionalistas que iriam influir na I Guerra Mundial.

O primeiro que se pode referir é o plano da Grande Sérvia, que consistia em estender a jurisdição sérvia sobre os povos da região dos Balcãs, no centro da Europa, utilizando a afirmação da necessidade de autonomia dessa etnia em relação aos impérios que controlavam a região. O objetivo era unir os povos sérvios, e se iniciou depois que a Sérvia se libertou do domínio do Império Turco em 1878. Essa proposta iria levar à eclosão da guerra dos Balcãs em 1912-1913, acirrando os sentimentos nacionalistas contra a dominação do Império Austro-húngaro na região. O resultado disso foi o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, dando motivos para o início da I Guerra Mundial.

A própria entrada da Rússia nesse conflito estava ligada a pretensões expansionistas baseadas no nacionalismo. A Grande Sérvia era uma vertente do Pan-eslavismo, política defendida pela Rússia. Como os sérvios declararam guerra ao Império Austro-húngaro, o czar russo, Nicolau II, decidiu intervir no conflito para ajudar os sérvios, que são de etnia eslava como os russos. Mas o objetivo real do czar era a expansão de Império e o controle da região balcânica. Essa expansão russa estava alicerçada no pan-eslavismo, uma tentativa de unir todos os povos eslavos sob o manto da santa mãe Rússia.

Entretanto, havia outros interessados na região, que utilizavam do mesmo discurso nacionalista para dominar os territórios. Um grupo de alemães nacionalistas havia constituído o pangermanismo, movimento originário da Liga Pangermânica, de 1895, que preconizava a expansão do Império Alemão, com a anexação de todos os territórios habitados por povos de origem germânica na Europa Central. Esse discurso do pangermanismo foi um dos argumentos utilizados pelo kaiser Guilherme II para a participação da Alemanha na I Guerra Mundial, fundamentando assim sua política expansionista.

Nessa intrincada teia de sentimentos nacionais historicamente criados e politicamente utilizados surgiu orevanchismo francês contra os alemães. Na guerra Franco-Prussiana de 1870-1871, os prussianos (originários da Prússia, reino que conduziria a unificação alemã) venceram os franceses e anexaram ao seu território a rica região da Alsácia-Lorena. Essa perda alimentou dentro da França um sentimento de revanche contra os germânicos por parte dos nacionalistas franceses. Esse sentimento foi fartamente utilizado durante a I Guerra Mundial como estímulo à participação dos cidadãos franceses nos combates contra os alemães.

Todos esses sentimentos nacionalistas, construídos ao longo do tempo, serviram como instrumento político pelas classes dominantes para conseguir apoio popular aos seus objetivos de expansão econômica e territorial.


Por Tales Pinto

Fonte:http://www.brasilescola.com/historiag/nacionalismo-i-guerra-mundial.htm

As transformações da moda ocorridas na Europa com a Primeira Guerra Mundial


No período da Primeira Guerra Mundial, com a ida dos homens para o “front”, as mulheres assumiram os postos de trabalho que eram ocupados por eles. Existiu uma limitação geral de comida e material; com isso as roupas ficaram mais funcionais e passaram a gastar menos tecido.



As vestimentas femininas com o advento da Primeira Guerra Mundial




O Continente Europeu sofreu terrivelmente com a Primeira Guerra Mundial. A guerra sempre foi sinônimo da mais forte expressão da dor, pois ceifa, arruína, destrói vidas, família, tudo por onde passa. Mais de vinte milhões de pessoas morreram nesse conflito, a economia ficou paralisada e gerou o caos inflacionário, grandes epidemias ocorreram, houve decréscimo de produção de alimentos e, consequentemente, fome. Uma sociedade em tempos de guerra sofre muitas e severas transformações.

A partir desse cenário as mulheres foram observadas de outra forma. Elas, historicamente repelidas a um papel reduzido socialmente, passaram a ter destaque como propulsoras de uma sociedade decadente, onde os homens deixavam suas famílias, lares, pátria, para ir ao “front”. Neste momento acompanhou-se a passos lentos a libertação da mulher e o declínio do prestígio familiar e cristão. Apareceu um novo modelo de casamento.

Quando o homem voltou da guerra mudou em muito o seu comportamento no contexto familiar, ele passou a participar mais das tarefas domésticas. E a mulher, ao encarregar-se dos cargos de trabalho fora de casa, enquanto os homens estavam fora, aprenderam as funções do mercado de trabalho adquirindo certa independência econômica que as levou a reclamar os mesmos direitos que os homens tinham.

A vida social ficou limitada. Os belos espetáculos praticamente desapareceram, com isso a moda feminina ficou menos elaborada e consequentemente menos enfeitada. Diante de mudanças radicais e de um cenário sem esperança, as mulheres buscaram preencher suas insatisfações, aflições, por meio da preocupação com a sua aparência física e mudanças na vestimenta feminina.

Muitas das novas ocupações com o trabalho exigiram uniformes, incluindo calças. Assim, uma visão militarista invadiu os figurinos de moda, como jaquetas com estilo militar, cintos e palas. Os estilistas eram inspirados pelo momento em que viviam. Nesse contexto podemos dizer que a Europa viveu dias de grande espírito criativo no mundo da moda. Muitos estilos inovadores nasceram dessa paisagem crítica, como a da jovem Gabrielle Chanel, mais conhecida como “Coco Chanel”.

Nessa época, o espartilho foi deixado para trás e foi substituído pela cinta elástica, a quantidade de tecido das roupas diminuiu em razão da falta de matéria-prima e de grande parte das fábricas estarem fechadas devido à guerra. Assim ocorreram adaptações nas vestimentas femininas. As roupas ficaram mais curtas, as calças, mais largas; as saias e casacos, retos. Em 1915 a altura das saias ficou um pouco acima dos tornozelos.

Os chapéus diminuíram de tamanho e eram pouco enfeitados, bem discretos. Esses chapéus viraram moda e passaram a ser chamados de chapéus “cloche”; especialmente criados para acompanhar os cabelos curtos e penteados que estavam na moda “la garçonne”. Esse modelo acentuava um estilo esportivo e prático. Na maquiagem, a tendência era o batom. A boca era carmim, em forma de coração. A maquiagem era forte nos olhos, as sobrancelhas tiradas e o risco pintado a lápis. O intuito da maquiagem era que a pele ficasse bem branca.

As cores neutras e a cor negra preponderaram nos anos da guerra, contrastando com o cenário lastimável da guerra, um sinal da falta de esperança, desolação e de morte. Fatos interessantes ocorreram no período, como a publicação de revistas de moda apresentando modelos de roupa para o luto em páginas inteiras. Foram organizados diversos desfiles de moda com o intuito de arrecadar fundos aos esforços de guerra e também aos desprotegidos e aos refugiados.

Podemos dizer que a vida simplificou-se e não parou. Isso quer dizer que “A Primeira Guerra Mundial”devastou e ao mesmo tempo inovou o mundo da moda. A guerra trouxe carência, simplicidade e severidade para a população e, naturalmente, afetou a beleza e a moda. A história da moda sempre esteve unida às transformações sociais, distinguindo classe, idade, momento. Consequências de um tempo onde a desordem imperava.

Por Lilian Aguiar




Fonte: http://www.brasilescola.com/historiag/as-transformacoes-moda-ocorridas-na-europa.htm

Embargo dos Estados Unidos a Cuba


Por Felipe Araújo

Conhecido em Cuba como “el bloqueo“, o embargo dos Estados Unidos em relação a Cuba consiste em uma interdição de caráter econômico, financeiro e comercial imposta pelos EUA ao governo cubano no ano de 1962. Posteriormente, o bloqueio tornou-se lei no começo dos anos 90.



O então presidente Bill Clinton, no ano de 1999, aumentou a proibição comercial entre as duas nações ao limitar as comercializações de filiais estrangeiras de empresas americanas com Cuba em setecentos milhões de dólares por ano. Com a ampliação do esquema de interdição, o embargo a Cuba é considerado um dos mais longos do mundo contemporâneo.

Porém, o embargo não impede completamente que os EUA relacionem-se com a economia cubana. A partir do ano de 2000, a exportação de alimentos norteamericanos para Cuba teve autorização com a condição de que o pagamento fosse realizado sempre à vista, sendo que os produtos deveriam ser pagos antes que as embarcações saíssem dos portos dos Estados Unidos. Desta forma, os EUA tornaram-se o 7º exportador de produtos alimentícios para Cuba, levando-se em consideração a ajuda humanitária.

Na comunidade internacional, o embargo dos Estados Unidos a Cuba é um assunto bastante delicado e gera controvérsias, além de não ser apoiado pelas Nações Unidas. Em 2007, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o embargo dos Estados Unidos a Cuba foi condenado pela décima sexta vez. Na ocasião, os países que se demonstraram favoráveis ao embargo foram os seguintes: EUA, Ilhas Marshall, Palau e Israel. Com este resultado, a Organização das Nações Unidas pediu pela “finalização do embargo financeiro, comercial e econômico dos EUA em relação a Cuba da forma mais rápida possível”. Porém, apesar de influenciar a opinião pública em escala mundial, a proposta da ONU não pode ser legalmente imposta contra os Estados Unidos, tornando-se mais uma ação teórica e sem aplicação da ONU.

A interdição sofre críticas até mesmo dos que são contra o regime socialista cubano. Para eles, o embargo mais ajudou Fidel Castro do que qualquer outra coisa, pois lhe proporcionou uma desculpa para os reais problemas da ilha. Homens de negócios e empresários afirmam que, ao coibir as relações comercias entre Estados Unidos e Cuba, outros países podem levar vantagens caso o embargo seja suspenso, justamente por já conhecerem melhor o funcionamento da economia cubana . Outra razão alegada pelos contrários à medida é que, ao isolar Cuba, as relações dos EUA com as nações latino-americanas são prejudicadas, podendo endossar a criação de um bloco contra os Estados Unidos.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Embargo_dos_Estados_Unidos_a_Cubahttp://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/25433/governo+dos+estados+unidos+mantera+embargo+a+cuba+diz+porta-voz.shtmlhttp://www.brasil247.com/pt/247/poder/93967/

http://www.infoescola.com/economia/embargo-dos-estados-unidos-a-cuba/

Celtas


Por Antonio Gasparetto Junior

Os Celtas eram os povos de família linguística indo-europeia que se localizavam no Oeste da Europa reunidos em diversas tribos.

A Civilização Celta começou a se formar a partir do segundo milênio antes de Cristo reunindo diversas etnias em tribos que ocupavam grande extensão territorial no Europa. Entre os constituintes mais famosos estavam os bretões, os gauleses, os belgas e os batavos, por exemplo. Não por acaso, esses nomes se tornaram denominações de regiões doImpério Romano, que conquistaria enorme território. Os celtas, inclusive, por exemplo, iniciaram a introdução das técnicas de manuseio do ferro e da metalurgia no continente europeu.

Ao mesmo tempo em que se diz que os Celtas eram compostos de diversas tribos, é importante ressaltar que essas etnias não formavam um grupo coeso. Os vários povos que constituíam a Civilização Celta, como os já citados, seguiram rumos diversos na história do continente europeu. Alguns deles eram rivais entre si, alguns aliados do Império Romano ou isolados dos demais grupos. De toda forma, esses povos foram importantes e organizados o suficiente para gerar uma civilização com heranças históricas e culturais fundamentais para a humanidade. Devido ao vasto território ocupado por esses povos, os celtas estabeleceram contatos comerciais com diferentes civilizações do mundo antigo. Essa abrangência foi tamanha e hoje é assim reconhecida porque pode-se encontrar elementos materiais de origem etrusca e chinesa que datam de séculos antes de Cristo em territórios reconhecidamente ocupados pelos antigos celtas.

Se a Civilização Celta fosse um império coeso e unificado, ela seria um dos maiores impérios conhecidos, pois seus povos constituintes se espalharam por grande parte da Europa e mantiveram relações econômicas com diferentes etnias. Mais tarde, quando os romanos iniciaram uma grande expansão territorial, eles se beneficiaram muito das conquistas, das terras e das técnicas previamente estabelecidas pelos celtas.

Os celtas foram incapazes de combater o Império Romano em expansão por causa de sua tradicional organização. O grande número de povos e tribos, que, em diversas ocasiões, não se relacionavam pacificamente, fragmentava o poder de combate dessa civilização. Sua sociedade era, geralmente, dividida em clãs que reunia famílias dividindo as terras férteis. A sociedade era dividida em nobres, homens livres, servos, artesãos e escravos, reservando grande prestígio e influência ainda para os druidas, denominação que era dada aos sacerdotes.

Culturalmente, a Civilização Celta utilizava a língua céltica derivada dos ramos indo-europeus. Possuíam grande apreço pelas artes, marcadas por uma tendência abstrata. A religião celta contava com muitas divindades, era politeísta, que representava elementos da natureza e da vida animal. Alguns de seus mitos e lendas foram incorporados pelo paganismo romano e também na trajetória de alguns santos cristãos, como São Patrício.

Atualmente, a Civilização Celta é muito cultuada em função de seus diversos mitos que ilustram contos fantásticos retratados em livros e filmes. São riquíssimas as narrativas da mitologia celta e muito populares no Ocidente. Suas lendas influenciaram a cultura de vários países na Europa, com destaque para a corte do Rei Arthur, a espada Excalibur e as lendas de Avalon. O país que possuí maiores vestígios da civilização celta hoje é a Irlanda.

Leia também:
Mitologia Celta

Fontes:
http://ppg.revistas.uema.br/index.php/brathair/article/viewFile/593/514http://www.canalacademico.com.br/revistasunic/index.php/revistaletrasmil/article/viewFile/57/50http://ppg.revistas.uema.br/index.php/brathair/indexhttp://anpuh.org/anais/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S24.0687.pdf

http://www.infoescola.com/civilizacoes-antigas/celtas/


Por Felipe Araújo
Conhecida em espanhol pelo nome de “La Batalla de Girón em Cuba“, a Invasão da Baía dos Porcos ocorreu quando um contingente de exilados cubanos contrários a Fidel Castro, organizados pelos EUA, tentaram invadir a região sul de Cuba. Este episódio ocorreu no ano de 1961 e os exilados de Cuba foram apoiados pelo exército norteamericano e tiveram treinamento de agentes da CIA (Central Intelligence Agency). O objetivo era depor o governo socialista que tinha se instalado após a Revolução Cubana e derrubar Fidel Castro.
baia dos porcosMenos de três meses após John Kennedy assumir a presidência dos EUA, o plano da Invasão da Baía dos Porcos foi colocado em ação, mas acabou sendo um fracasso. Isso ocorreu devido ao equipamento e treinamento do exército cubano, financiado pelos países do Bloco do Leste, e acabaram vencendo os exilados em um período de 3 dias, sendo que grande parcela dos agressores foram presos pelas forças armadas de Cuba. Este confronto acirrou ainda mais o relacionamento ruim entre os Estados Unidos e Cuba e teve como consequência a Crise dos Mísseis.

Ciente de manobras militares norteamericanas para invadir a Guatemala pós-revolucionária, Che Guevara alertou Fidel Castro sobre a possibilidade de um ataque à ilha. Em abril de 1961, Fidel Castro, sabendo que a invasão ocorreria, discursou e anunciou o cunho socialista da revolução. Um dia depois, a ilha sofreu o ataque dos EUA, que começaram pela região da Praia de Girón, localizada na Baía dos Porcos.

Por meio da CIA, os Estados Unidos realizaram o treinamento de mais de mil cubanos que tinham sido exilados de seu país. A maior parte deste grupo apoiava o ditador Fulgencio Batista, ditador militar cubano, e se localizava em Miami. Na época, o então presidente John Kennedy vetou o apoio da Força Aérea dos EUA nesta operação por temer um envolvimento de forma aberta e institucional na operação. Esse foi um dos fatores que levou a operação a ser diluída pelo exército cubano em 3 dias. Esta operação realizada secretamente pelos EUA para sabotar o governo cubano ficou conhecida pelo nome de Operação Mangusto.

Fontes:
COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e geral. São Paulo: Editora Saraiva, 2005.
GOMBRICH, Ernst H. Breve história do mundo. 1ª edição: Martins Fontes. São Paulo, 2001.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Invas%C3%A3o_da_Ba%C3%ADa_dos_Porcos
http://revistaconhecer.uol.com.br/historia/o_fracasso_na_baia_dos_porcos.html
http://www.dw.de/1961-invas%C3%A3o-da-ba%C3%ADa-dos-porcos/a-800189
http://personal.ashland.edu/~jmoser1/eikenberryindex.htm
http://www.infoescola.com/historia/invasao-da-baia-dos-porcos/

Operação Northwoods



Felipe Araújo

As diversas operações secretas planejadas durante a década de 60 pelo exército norte-americano foram denominadasOperação Northwoods. O objetivo deste plano era a prática de atentados terroristas e o assassinato de pessoas inocentes, manipulando a opinião pública para conseguir apoio em uma guerra contra Cuba.



Entre as intervenções da Operação Northwoods estavam o assassinato de refugiados de Cuba, a sabotagem de embarcações e aviões comerciais cubanos, atos de terrorismo contra cidades dos EUA e destruição de um navio dos Estados Unidos. Um livro em que estas ações foram reveladas é de autoria de James Bamford. Com o título “Body of Secrets“, a obra de Bamford, jornalista investigativo, conta os detalhes das operações e revela segredos sobre aNational Security Agency (NSA), maior órgão de inteligência e espionagem dos EUA.

Apesar de planejar a maioria dos ataques e a manipulação da opinião pública, a NSA não foi a única responsável pela Operação Northwoods. No mês de março do ano de 1962, Robert McNamara, então Secretário de Defesa dos EUA, recebeu dossiês sobre as ações da Northwoods, que tinham sido aprovadas de forma unânime pelas forças armadas dos Estados Unidos.

Com a realização de ataques terroristas arquitetados pela Operação Northwoods, os Estados Unidos atribuiriam a morte de cidadãos americanos a Fidel Castro, que junto a Che Guevara e Camilo Cienfuegos, havia instaurado umarevolução socialista em Cuba. Atrelados às principais redes de TV norte-americanas, os militares tinham o objetivo de manipular a opinião pública para uma invasão à nação cubana. Para isso, foram desenvolvidos planos para instaurar uma onda de terrorismo em cidades importantes dos EUA como Washington e Miami, entre outras. A imprensa dos Estados Unidos iria promover uma suposta rede de terror envolvendo os “comunistas cubanos”.

Em um dos trechos do livro de Bamford, é possível analisar qual era a real intenção do alto escalão militar americano naquela época: “essa campanha de terror seria dirigida contra refugiados cubanos asilados nos EUA. Nós afundaríamos um barco carregado de refugiados cubanos a caminho da Flórida (real ou simulado). Poderíamos promover atentados às vidas de cubanos que vivem nos Estados Unidos, até mesmo a ponto de feri-los, em ocasiões que serão amplamente divulgadas. Explodir algumas bombas plásticas em locais estratégicos, prender alguns agentes cubanos e divulgar documentos, previamente preparados, para comprovar a participação de Cuba seria útil para divulgar a imagem de um governo cubano irresponsável”.

Fontes:
BAMFORD, James. Body of Secrets: Anatomy of the Ultra-Secret National Security Agency. Doubleday, 1ª edição; 2001.
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