Por Danilo Cezar Cabral
Sim. As Convenções de Haia e o Protocolo de Genebra - não confundir com as Convenções de Genebra -, elaborados por vários países desde 1899 até o fim da década de 1990, restringem o uso de oito tipos de armas em campos de batalha. Na prática, porém, quase todo tipo de arsenal proibido segue sendo usado em guerras. Os acordos não são levados a sério porque nem todos os documentos foram assinados pelas nações que participaram das discussões. Os EUA, por exemplo, nunca apoiaram o protocolo que proíbe o uso de armas incendiárias desde 1980. Em geral, esses tratados servem para marcar o desfecho de grandes guerras internacionais, funcionando como instrumento de punição aos derrotados - isentando, contudo, vencedores que usaram armas proibidas.
Fora da lei
Oito categorias de armas são proibidas na guerra, mas bombam nos campos de batalha
PROJÉTEIS EXPANSIVOS
A convenção de Haia proíbe, desde 1988, munições destruidoras, como o projétil de ponta oca. Quando atinge um alvo mole, como o corpo humano, a pressão do impacto faz a ponta desabrochar, aumentando o diâmetro da bala e, consequentemente, o estrago causado
MODIFICAÇÕES AMBIENTAIS
Desde 1977, a Convenção de Genebra proíbe qualquer ato militar que afete ou destrua o meio ambiente. Um caso recente de modificação ambiental foi a queima dos campos de petróleo no Iraque pelos americanos, em 1991 - os EUA nunca foram punidos por isso
ARMAS LASER
Outra proibição preventiva! Até existem armas laser, como o designador. Ele é usado para marcar alvos terrestres, indicando o alvo para mísseis de alta precisão. O que não pode é apontar o laser contra seres humanos, causando cegueira, por exemplo
ARMAS NUCLEARES
Em 1968, o número de bombas atômicas por país ficou limitado pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear. O complemento desse tratado, em 1995, proibiu o desenvolvimento e a aquisição de armas nucleares, além de exigir um desarmamento gradual de países com arsenal atômico
ARMAS INCENDIÁRIAS
Na guerra, em tese, não vale queimar pessoas ou áreas civis. Incendiar instalações militares, por outro lado, é do jogo, desde que o alvo não esteja dentro ou próximo de áreas urbanas. Disparar bombas incendiárias por via aérea também não pode
ARMAS QUÍMICAS E BIOLÓGICAS
A primeira proibição a armas com agentes químicos ou biológicos começou em 1907 - a última versão da convenção é de 1993. Dois exemplos matadores dessa categoria são o gás VX, que mata em 30 minutos, no máximo, e o antraz, que causa infecções e feridas
FRAGMENTOS NÃO DETECTÁVEIS
Algumas proibições são preventivas e rolam antes de a arma ser usada em combate. É o caso de explosivos que estilhaçam em fragmentos impossíveis de ser detectados via raio X. Ou seja, fragmentos metálicos pode, mas granadas ou minas que se partem em pedaços mortais de plástico, nem pensar!
MINAS E ARMADILHAS
O tratado de Ottawa, de 1997, proíbe o uso de minas antipessoais, como a Claymore. O modelo tem uma camada externa com 680 g de explosivo plástico. Na detonação, pequenas esferas de aço são lançadas em alta velocidade, sendo letais a até 50 m da explosão
Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/existem-armas-proibidas-em-guerra
22.8.13
Existem armas proibidas em guerra?
Quem eram os bobos da corte?

Tudo indica que eram os melhores comediantes da sua época, a Idade Média. Ao contrário do que muita gente pensa, esses plebeus pagos para entreter a nobreza e a realeza não eram loucos, nem faziam parte do time de vítimas de deformidades físicas, como corcundas e anões, que muitas cortes adotavam como circo particular. "Os bobos da corte não eram nada bobos. Eles possuíam várias habilidades: versejavam, faziam malabarismos e mímica. Eram, principalmente, gente com talento, sabedoria e sensibilidade para divertir os outros", afirma o historiador Nachman Falbel, da USP.
Principalmente nos séculos XIV e XV, o bobo fazia parte do grupo de artistas sustentados pelas cortes, junto com pintores, músicos e poetas. Quem melhor definiu sua posição junto aos poderosos foi o gênio do teatro inglês William Shakespeare (1564-1616), que destacou a figura dos bobos dando a eles papéis de grande importância em sua obra. "Em peças como Rei Lear e A Noite de Reis, o bobo é o mais esperto dos personagens. Ele tem licença para falar aquilo que ninguém mais ousa dizer", diz John Milton, professor de Literatura Inglesa da USP. A liberdade do personagem é tão grande que ele chega a criticar os próprios reis, com comentários ácidos e que divertem o público. "No teatro de Shakespeare, o público não ri dos bobos da corte, ri junto com eles", afirma Milton.
Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-eram-os-bobos-da-corte
Qual é o programa exibido há mais tempo na TV brasileira?
por Victor Affonso
O Mosaico na TV está no ar há 52 anos, desde 16 de julho de 1961. Criada por Francisco Gotthilf (1923 - 2012), a atração divulga a cultura e os eventos judaicos em São Paulo, mas também traz reportagens, músicas, filmes, documentários e entrevistas, além de manter uma tradicional vídeoconferência transmitida de Israel. O programa já passou por várias emissoras, como Excelsior, Cultura, Tupi, Gazeta, Canal 21 e CNT, e atualmente é exibido nos canais da TV Aberta ( quarta às 21h, e sexta-feira, às 16h30) eNET cidade (domingo, às 22h). Entre os 250 mil telespectadores, se destacam as faixas sociais A e B, sendo que cerca de 65% da audiência não é da comunidade judaica. Desde o começo, o programa se mantém de forma independente, com renda vinda de anunciantes comerciais - na maior parte, empresas de propriedade de tradicionais famílias judaicas. Entre os mais célebres ex-apresentadores estão Boris Casoy - que inclusive começou sua carreira no programa -, Ney Gonçalves Dias, Mona Dorf, Mauro Zukerman e Eliana Guttman.
Fontes Livro Guinness Book - O livro dos recordes e Senhor Mosaico: Francisco Gotthilf e o Programa Mosaico na TV, de Monica Musatti Cytrynowicz, TV Aberta São Paulo e Federação Israelita do Paraná
Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/qual-e-o-programa-exibido-ha-mais-tempo-na-tv-brasileira
Como era o laboratório de um alquimista medieval?
por Luiz Fujita
Era escuro e bagunçado, ou seja, nada parecido com um laboratório de química atual. No meio dessa zona, os alquimistas eram pessoas comuns que manipulavam ingredientes minerais e vegetais a fim de produzir ouro a partir de outros metais. Essa busca pelo nobre metal tinha uma motivação mais espiritual do que materialista, já que, para eles, transformar metais comuns em ouro seria um jeito de libertar a essência divina que existe em todas as coisas. O nobre ideal, porém, não convenceu a Igreja Católica, que, no século 14, proibiu a alquimia - nessa época, os alquimistas eram perseguidos como servos do demônio - e a prática só voltou a ser socialmente aceita no século 15.
Ouro que é bom, nada...
Banho-maria, porcelana e uma série de compostos químicos surgiram nos porões dos alquimistas
VOVÔ DA MARVADA
O destilador, criado pelos alquimistas por volta do ano 800, é usado até hoje em laboratórios químicos. O instrumento separa líquidos misturados e funciona assim: a mistura é fervida e o líquido que evapora mais cedo sobe até o topo do destilador, onde vira gotas que escorrem para outro recipiente
BRINCANDO COM FOGO
O fogo era usado na maioria dos experimentos, para queimar materiais e para ferver líquidos. Por isso, era comum instalar o laboratório na cozinha. Para tocar as experiências em outros cômodos da casa, usava-se um fogareiro, parecido com uma churrasqueira portátil, e um soprador, que mantinha o fogo aceso
QUÍMICA DO AVESSO
Os alquimistas foram mais eficientes para destruir do que para criar ouro. É que eles descobriram uma substância chamada água-régia, que corrói o precioso metal amarelo
Vitriol (cristal de sulfato) + Nitrato de potássio (cinzas de madeira + xixi) + Água-forte (ácido nítrico) + Cloreto de amônia (sal de vulcão) + Água-régia (ácidos nítrico e clorídrico)
BALANÇA, MAS NÃO CAI
Outros recipientes usados na química atual têm origem na alquimia, como os cadinhos - potes de metal ou porcelana, de alta resistência, usados para fundir metais. Os alquimistas também mediam as quantidades de ingredientes com balanças para poder repetir os experimentos que dessem certo
MAGOS DO PORÃO
O ambiente de trabalho dos ancestrais dos químicos era sujo e escuro. Para manter segredo sobre suas atividades e descobertas, o alquimista realizava experimentos sozinho, enfurnado em um sótão ou em um porão, à luz de velas. O cheiro era forte por causa da mistureba de materiais
PROJETOS PARALELOS
Transformar metais comuns em ouro era fichinha para aqueles que também tentavam descobrir um elixir que curasse tudo e desse a vida eterna. Outro desafio era misturar ingredientes para fazer surgir uma criatura surreal: o homúnculo - havia até receita de como criar o pequeno ser!
RECEITA DE SUCESSO
Rodeados por livros e pergaminhos, os alquimistas registravam os experimentos e descobertas a fim de compartilhar com os colegas. Para evitar que roubassem fórmulas e instruções, os caras faziam anotações cifradas - com gravuras no lugar das palavras, por exemplo
A alquimista Maria, a Judia, esquentava recipientes com água fervente, dando origem ao termo "banho-maria"
Explosões eram comuns e, às vezes, tão violentas que matavam o alquimista
A porcelana foi trazida para o Ocidente pelo alquimista alemão Johann Böttger, no século 18
Uma das receitas de homúnculo leva sêmen humano magnetizado, enterrado em cocô de cavalo!
Tribos elementares
O sonho dourado de alquimistas europeus e árabes nunca virou realidade. Chineses buscaram, em vão, a receita da vida eterna
EUROPEUS
Não fabricaram ouro, mas revelaram alguns tesouros. O inglês Roger Bacon criou uma lente que concentrava raios do Sol e acendia velas. O suíço Paracelso foi um dos primeiros médicos a tratar a epilepsia como doença
ÁRABES
Fizeram grandes descobertas químicas. Abu Musa Jabir Hayyan, por exemplo, descobriu o ácido nítrico. Até algumas palavras usadas na química, como álcool, foram introduzidas pelos alquimistas árabes
ASIÁTICOS
Os chineses perseguiam a imortalidade por meio de boa alimentação, prática de exercícios físicos e poções. Algumas receitas, porém, levavam direto para a cova, contendo arsênico e mercúrio na fórmula
Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-era-o-laboratorio-de-um-alquimista-medieval
Qual era o tanque mais poderoso da 2ª Guerra?
por Tiago Cordeiro
O Tiger II, mais importante tanque da artilharia alemã, era maior que os outros e tinha blindagem e poder de fogo imbatíveis. Os tanques surgiram na Inglaterra, em 1916, mas não passavam de tratores com chapas acopladas. Foi só na 2ª Guerra que eles se tornaram cada vez maiores e mais mortais. No começo do conflito, os modelos alemães, Panzer I e Panzer II, eram inferiores aos dos adversários, mas as estratégias de penetração nos territórios inimigos eram tão eficientes que ambos se tornaram peças cruciais do jogo de guerra. Os aliados reagiram com tanques mais fortes, como o soviético T-34, e os alemães responderam criando o Tiger II. Mais forte e bem equipado que seus adversários, ele estreou na Batalha da Normandia e foi fundamental para barrar o avanço inimigo, em especial na Batalha de Debrecen e na resistência à Operação Market Garden, entre outros confrontos. Não impediu que os alemães caíssem perante os aliados, mas foi um grande avanço militar para a época.
Monstro Blindado
De 492 unidades fabricadas, cerca de dez ainda restam e uma ainda funciona
Mira Certeira
O canhão tinha capacidade para operar com seis tipos de munição, com alcances e tipos de estragos diferentes, capazes de penetrar a até 18,5 cm. Conseguia destruir qualquer veículo terrestre inimigo, pois atravessava placas de metal de 15 cm a até 2,2 km de distância. Na batalha frente a frente com qualquer outra máquina, o Tiger II não podia ser derrotado
Casca-grossa
A chapa de metal na área dianteira tinha 18 cm e era praticamente impenetrável: aguentava todas as armas e minas antiataque da época. Para ter uma ideia, o M4 Sherman, de producão americana, tinha proteção frontal de apenas 9,1cm. Na parte traseira, sempre mais vulnerável em tanques, a proteção do Tiger II era razoável: uma chapa de 5 cm logo abaixo dos dois escapamentos
Linha direta
Enquanto muitos veículos dos aliados, em especial os soviéticos, sequer tinham rádio, os alemães tinha um sistema de comunicação eficiente. O Tiger II contava com um operados especializado, cuja tarefa exclusiva era receber e enviar as informações que sustentavam as operações sincronizadas entre centenas de veículos
Enlatados
Em muitos dos tanques da 2ª Guerra, não havia espaço para mais do que três tripulantes, e o motorista precisava exercer outras funções simultaneamente. No Tiger II, havia espaço de sobra: cabiam o piloto, um operador de rádio, um artilheiro, um carregador de munição e um comandante, que avaliava as mudanças de situação no meio da batalha
Muita areia pro caminhãozinho
O motor modelo Maybach HL 230 V-12 era movido a gasolina e eficiente quando usado em outros modelos alemães como o Panther e o Tiger I. No Tiger II, não dava conta do peso do veículo, consumuia muito combustível e falhava com alguma frequeência - era o ponto fraco desta máquina que, muitas vezes, ficava atolada na lama dos campos europeus.
Pés de Metal
Para movimentar um carro de 56,9 toneladas , as esteiras eram formadas por centenas de elos e movidas por 11 rodas de metal de cada lado, cada uma com 80 cm de diâmetro. Produzidas para veículos menores e adaptadas às pressas, elas não eram reforçadas o suficiente para o tamanho do veículo e, às vezes, paravam de funcionar
Ficha técnica
Peso - 56,9 toneladas
Altura - 2,88 m
Comprimento - 7,38 m (10,28 m com o canhão)
Largura - 3,75 m
Tripulação - 5 pessoas
Velocidade Máxima - 38 km/h
Autonomia - 170 km
Curiosidades
Para dirigir, o tanque tinha dois manches, um para cada mão. A alavanca era puxada para o lado que se desejava ir. O veículo era lento como um barco
As duas metralhadoras tinham capacidade de disparar 5.850 tiros. Eram eficientes para atingir outros tanques ou mesmo aviões
Fontes - How It Works - Book of Incredible History (vários autores) e German Tanks of World War II de S.Hart e R.Hart Consultoria Mark Stoler, professor de história da Universidade de Vermont
Qual é a origem do dominó?

Existem várias versões que tentam decifrar de onde veio o jogo, mas nenhuma delas até hoje pôde ser confirmada. Acredita-se, porém, que ele tenha surgido na China, inventado por um soldado chamado Hung Ming, que teria vivido de 243 a 181 a.C. Os primeiros indícios da presença do dominó na Europa são de meados do século XVIII, quando era jogado nas cortes de Veneza e Nápoles. As peças eram feitas de ébano, com pontos de marfim, representando os números. O antigo dominó chinês traz todas as 21 combinações que podem ser obtidas ao lançar dois dados, sugerindo que um jogo possa ter nascido do outro. Já na Europa, há sete peças a mais, combinando esses números também com o zero. Alguns estudiosos sustentam até que, por ser extremamente simples, o jogo pode ter aparecido simultaneamente em várias partes do mundo - como o jogo-da-velha.
O nome dominó provavelmente deriva da expressão latina domino gratias, que significa "graças a Deus", dita pelos padres europeus enquanto jogavam. Atualmente, o dominó é jogado em quase todos os países do mundo, mas é mais popular na América Latina. Na China, ele deu também origem a outro jogo, mais complexo: o mah jong.
Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/qual-ea-origem-do-domino
Por que a salva de funerais tem 21 tiros?
por Gabriela Portilho
A origem mais provável data da Idade Média, quando cavaleiros europeus sepultavam militares de alta patente dando três tiros ao alto, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, para afastar maus espíritos. Os 21 tiros surgiriam depois, ainda no período medieval, quando os rituais de salva fúnebre e de gala (para cumprimentos militares) se unificaram. Ao se aproximar de uma fortificação, tropas de guerra descarregavam canhões e mosquetes, demonstrando vir em paz. O procedimento também foi adotado por tripulações de navios, avisando sobre sua chegada em território alheio. Para o historiador Claudio Moreira Bento, uma das possíveis escolhas do número 21 teria se dado porque, na época, sete era a salva máxima de tiros a bordo, que devia ser respondida três vezes pelas fortificações de terra, ou seja, com 21 tiros. Daí em diante, a tradição permaneceu.
Salvas de gala homenageiam governantes e militares. Salvas fúnebres são feitas pela Força Armada
à qual pertencia
o falecido.
Big Ben

O nome que batiza o relógio mais famoso do mundo homenageia o sino em seu interior
Fernando Duarte, de Londres
Tecnicamente, mesmo quem esteve em Londres, nas cercanias de Parliament Square, com foto e tudo para provar, não pode se gabar de ter visto o Big Ben. Afinal, o apelido associado a um dos cartões-postais mais famosos da capital britânica e do mundo refere-se, na verdade, ao principal sino do relógio encarapitado na torre, erguida entre 1843 e 1859, como parte dos esforços de reconstrução dos edifícios do Parlamento Britânico - um incêndio destruiu praticamente toda a construção anterior em 1834. O novo palácio foi erguido em plena Era Vitoriana, que marcou o apogeu do Império Britânico e foi um período de extremo otimismo e ostentação - vem daí a falta de modéstia do Big Ben.
A torre tem 96,3 m de altura e foi projetada em estilo neogótico por Augustus Pugin, designer e arquiteto inglês, cuja carreira foi interrompida por graves problemas mentais. Pugin morreu em 1852, sem ver seu projeto sair do papel. Culpa do atraso nas obras, que resultou numa inauguração sem festas e pompa.
O sino
Big Ben foi o apelido dado ao monstro de metal de 13,7 toneladas cujas badaladas são ouvidas de hora em hora - chegava a ser notado a 3 km de distância, mas o tráfego da Londres moderna abafa seu som. Não é o único sino da torre: há 4 auxiliares, que tocam a cada quarto de hora.
O mecanismo
O relógio é famoso por sua pontualidade. O sistema, porém, não é infalível e o relógio já parou diversas vezes ao longo dos 152 anos de história: em 1976, por exemplo, durante 9 meses as operações foram intermitentes por causa de obras de emergência para a substituição das engrenagens.
O relógio
Em altura, a torre do Big Ben perde de longe para rivais construídas recentemente na Ásia e no Oriente Médio, mas seu relógio de 4 faces ainda é o maior do mundo. Cada face é composta por uma moldura de ferro e pedaços de vidro. Na base de cada mostrador está, em latim, a inscrição "Deus salve nossa rainha, Vitória 1ª".
Na mira da Luftwaffe
A torre do Big Ben escapou com danos só em duas faces durante os inúmeros bombardeios da força aérea alemã a Londres durante a 2ª Guerra.
Trocados pontuais
O movimento do relógio (obra de Edmund Denison e George Airy), aproveita a força da gravidade. O sistema de ajuste na velocidade do pêndulo usa moedas antigas, colocadas numa bandeja. A adição de uma moeda acelera o relógio em 4 décimos de segundo. A solução evita mexer no pêndulo de 3,9 m de altura e 321 kg.
Balançando
Erguida sobre alicerces relativamente rasos (apenas 3 m de profundidade), a torre começou a sofrer inclinações logo após a inauguração. O processo foi agravado por obras na região, fazendo com que o Big Ben hoje tenha uma inclinação de cerca de 50 cm em seu ponto mais alto. O ângulo de 0,26 é 16 vezes menos severo que o da famosa Torre de Pisa.
Escadaria
Com 334 degraus, a escadaria interna da torre não é um desafio qualquer. E não apenas em termos físicos. A permissão para o passeio precisa ser obtida por intermédio de deputados. E com 4 meses de antecedência. O passeio deixou de ser gratuito e a partir deste ano custa 15 libras.
Entenda como era a linha de montagem do Ford-T
Com a criação da linha de montagem, Henry Ford diminuiu o tempo de produção do carro e aumentou as vendas.
"O cliente pode escolher a cor que desejar, desde que seja preta." A célebre frase, dita por Henry Ford em referência ao carro Ford modelo T, tem lógica: a tinta preta era a única com secagem rápida no mercado de 1913. E Ford precisava de tintas desse tipo para finalizar sua criação, a primeira linha de montagem automobilística do mundo.
Produto da segunda revolução industrial, o "fordismo" mudou a forma de confeccionar carros. Se em 1908, ano de criação do Ford T, um automóvel era feito de forma artesanal e demorava aproximadamente 12 horas para ser montado, seis anos depois ele era produzido, em massa, em apenas 93 minutos. Além de produzir muito - foram mais de 15,4 milhões de veículos até 1927 -, a linha de montagem também permitiu baratear o produto. O carro custava US$ 850 (ou R$ 42,7 mil em valores atuais) quando apareceu pela primeira vez e chegou a ser vendido a US$ 280 (R$ 7,1 mil) poucos anos depois.
Peças por todos os lados
As peças do carro eram produzidas na mesma fábrica, em pequenas linhas de montagem, que se posicionavam nos andares acima da linha principal e convergiam a ela por elevadores.
Puxado no braço
Em 1913, Ford instalou a primeira linha de montagem do T, na fábrica de Highland Park, no estado de Michigan, EUA. Os operários ficavam em seu posto, esperando o chassi chegar para executar o trabalho. No primeiro modelo da linha, o chassi era puxado pelo chão da fábrica por meio de uma corda e um sarilho. No ano seguinte, a linha foi posicionada na altura da cintura, facilitando o trabalho. As cordas foram trocadas por trilhos.
Motor
O motor do Ford T, de 4 cilindros com válvulas laterais, era fixado ao chassi na 10ª etapa da linha de produção. Depois, eram instalados os tanques de combustível, que ficavam sob o banco do passageiro. Primeiro colocavam o tanque de álcool e depois o de gasolina - sim, o Ford T era flex e funcionava com um dos dois combustíveis ou os dois juntos.
Pretinho básico
A carroceria era a última etapa da produção do Ford T. Assim que os operários colocavam a cobertura preta, ele saía da fábrica pronto para o uso. A partir de 1913, a cor da carroceria foi padronizada como preta por ter secagem mais rápida. Anos depois, com o aperfeiçoamento nas tintas, o modelo T tornou-se disponível em outras cores.
Rodas de madeira
Nos primeiros anos de produção do modelo T, as rodas eram feitas de madeira, depois passaram a ser de ferro. Os pneus eram pretos, mas o consumidor poderia escolher a opção com a roda de faixa branca.
Montando o carro
Cada funcionário era responsável por uma fase da produção, em 84 etapas distintas. Os primeiros operários da linha fixavam os suportes dos para-lamas à estrutura do chassi. Para reduzir a dependência de mão de obra qualificada, as peças eram intercambiáveis e podiam ser facilmente montadas por operários não qualificados.
Ford Bigode
O modelo T, conhecido como Ford Bigode no Brasil, não foi o primeiro automóvel do mundo. Esse mérito é do alemão Patent-Motorwagen, de 1886. O carro da Ford foi o primeiro produzido em massa. Tinha estrutura de madeira revestida de metal e possuía duas marchas, além da ré. Era cheio de opcionais, como o volante rebatível, que facilitava o acesso do motorista. Sem chaves, a partida era dada por uma alavanca do lado de fora.
Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/entenda-como-era-linha-montagem-ford-t-748425.shtml
Revolta do Vintém, o passe livre do século 19
Como foi a Revolta do Vintém, os protestos da população carioca contra o aumento do preço dos bondes que chacoalhou a monarquia
Texto Marcus Lopes | Ilustrações Pedro Hamdan
Não é de hoje que aumentos das tarifas de transporte público tornam-se estopim para manifestações e revoltas populares no Brasil. Em 1880, a cobrança de uma taxa na passagem de bonde transformou a capital do Império, o Rio de Janeiro, em praça de guerra - e contribuiu para desestabilizar a monarquia brasileira, que cairia nove anos depois. O movimento, considerado o primeiro grande distúrbio urbano no país pela melhoria dos serviços públicos, ficou conhecido como Revolta do Vintém. Pelo menos três pessoas morreram e centenas ficaram feridas durante os dias em que a confusão tomou conta das ruas do Rio. Um vintém equivale a menos de 20 centavos em dinheiro de hoje, mas o cálculo é uma aproximação.
A revolta começou em 13 de dezembro de 1879, quando a Coroa anunciou um imposto de 20 réis - equivalente a um vintém - sobre as tarifas de bondes puxados a burro, um dos principais meios de transporte da população na época. O tributo, chamado de "imposto do vintém" seria cobrado diretamente nas passagens a partir de 1º de janeiro de 1880 e foi instituído pelo governo como forma de diminuir o déficit público. Na prática, era um aumento no preço da passagem, e considerável: da ordem de 20%.
Não tardou para que a medida ganhasse as páginas dos jornais e a reação negativa da população. A principal crítica era que o novo imposto atingiria da mesma maneira os ricos e os pobres, já que o bonde era praticamente o único meio de deslocar-se por grandes distâncias na cidade. A primeira manifestação ocorreu no dia 28 de dezembro. Foi um ato pacífico que reuniu 5 mil pessoas (a população do Rio era de 1,1 milhão de habitantes) no Campo de São Cristóvão para ouvir o discurso do abolicionista e republicano José Lopes Trovão. Dono do jornal Gazeta da Noite, Trovão tornou-se um dos principais líderes do movimento. Dali, a multidão seguiu em passeata até o Palácio da Boa Vista, onde estava o imperador dom Pedro II.
Um mensageiro da Coroa trouxe a informação de que o monarca, mesmo a contragosto, aceitaria receber uma comissão de manifestantes para discutir a taxa, mas o recado foi ignorado. Os republicanos procuravam tirar o máximo de proveito político da situação. Mesmo assim, o dia terminou sem incidentes e a multidão se dispersou em paz.
Nos dias seguintes, a imprensa conservadora criticou o fato de os manifestantes não terem aberto o diálogo com dom Pedro II. No dia em que o imposto começaria a ser cobrado, uma grande manifestação foi organizada no Largo do Paço. Trovão fez um breve discurso pedindo que a população resistisse pacificamente à cobrança do imposto, mas não foi ouvido. Grupos de manifestantes começaram a seguir pelas ruas da Carioca, Uruguaiana, Visconde do Rio Branco e Largo São Francisco, ponto de partida e chegada da maioria das linhas.
Ali, começou o confronto. Para protestar contra a cobrança do vintém adicional, os manifestantes tomavam os bondes, espancavam os condutores, esfaqueavam os animais utilizados como tração, despedaçavam os carros, retiravam os trilhos e, com eles, arrancavam as calçadas. Os focos de tumulto pipocaram em vários pontos do centro do Rio de Janeiro, com barricadas e depredação. Manifestantes entraram em conflito com a polícia, que respondeu à bala, matando três pessoas.
A confusão continuou no dia seguinte. Trilhos de bonde continuaram a ser arrancados das ruas e as chaves dos veículos, roubadas. Das janelas, garrafas e pedras eram atiradas em direção aos veículos. No decorrer do dia, várias pessoas foram presas e a polícia solicitou reforço ao Exército, que passou a controlar a situação reprimindo os focos com golpes de cassetete - ou tiros. No dia 3 de janeiro, a situação estava um pouco mais calma, resumindo-se a alguns focos de tumulto na Rua do Ouvidor, rapidamente sufocados pelas tropas do Exército.
A situação só foi totalmente controlada no final do dia 4, quando alguns manifestantes tentaram impedir a circulação de bondes na Rua Sete de Setembro, sem sucesso. Por causa da pressão popular, o imposto acabou sendo revogado em setembro de 1880. Mas os danos foram além de manifestantes mortos e dos bondes destruídos. Diante do desgaste político, todos os integrantes do Ministério da Fazenda foram substituí-dos por ordem do imperador.
Não se sabe ao certo o número de feridos durante as manifestações e tampouco se os mortos foram apenas os três registrados no primeiro dia do confronto. O que se sabe é que o Rio de Janeiro viveu dias de grande tumulto, com saques de lojas, roubos e população em pânico. O episódio foi resgatado na minissérie Chiquinha Gonzaga, exibida pela Rede Globo em 1999 e que retratou a vida da compositora do século 19. Na trama, a protagonista, na pele da atriz Regina Duarte, se vê em meios às manifestações contra a taxa.
"A Revolta do Vintém representou uma mudança na forma de atuação política, até então concebida apenas como a atividade institucional e parlamentar, com um sistema eleitoral marcado pelo voto indireto e censitário", afirma o historiador Claudio H. M. Batalha, do departamento de História da Universidade Estadual de Campinas e coordenador do Dicionário do Movimento Operário: Rio de Janeiro do Século XIX aos anos 1920. "A política deixou de ser restrita ao Parlamento e passou a ser feita também nas ruas, por meio de panfletos, comícios e manifestações." Batalha lembra que a revolta teria efeitos de longo prazo, ao ampliar as campanhas abolicionista e republicana com gente na rua.
É muito difícil - tirando o foco de que a razão que deu início ao protesto foi o aumento no preço do transporte urbano - traçar paralelos entre o que aconteceu na década final do império e as manifestações que começaram a ocupar as ruas das principais cidades brasileiras em junho.
"Ambos tiveram como estopim o aumento do custo das passagens do transporte público, depararam-se com reações violentas da polícia e a questão inicial dos transportes apontou para outros problemas enfrentados pela população", afirma Batalha. "Mas na Revolta do Vintém as lideranças políticas tiveram papel essencial, enquanto que o processo recente é muito mais horizontalizado", diz o historiador. Para Batalha, assim como a Revolta do Vintém mudou a percepção da política, dos gabinetes para as ruas, no final do império, muita gente acredita que algo similar ocorrerá a médio prazo no processo que o país vivenciou a partir do meio do ano. Mas isso é pauta para as futuras edições de AVENTURAS NA HISTÓRIA.
Tostões da discórdia
Aumentos de tarifa têm potencial explosivo
A briga por redução de tarifas sempre esteve na pauta de movimentos estudantis e populares do Brasil. Em maio de 1956, a União Nacional dos Estudantes (UNE) promoveu manifestações nas ruas do Rio de Janeiro pela redução das tarifas de bonde. O confronto mais grave ocorreu no dia 31 de maio, quando houve uma briga entre estudantes e polícia em frente ao prédio da UNE, na praia do Flamengo.
Após o conflito, que rendeu inúmeros discursos na Câmara dos Deputados, o presidente Juscelino Kubitschek resolveu intervir pessoalmente. Chamou o presidente da UNE, Carlos Veloso de Oliveira, para negociar. Bem ao seu estilo, JK pediu para o líder sentar em sua mesa, no Catete, para que sentisse o peso da responsabilidade e a gravidade da situação. Por fim, o presidente, conhecido pelo seu instinto afiado, lançou um convite: "Carlos, me ajude a salvar o regime". O movimento acabou ali mesmo.
Dois anos depois, em 1958, foi a vez de São Paulo. Quatro manifestantes morreram e dezenas ficaram feridos, no final de novembro, após os protestos contra o aumento das passagens de ônibus e bonde. O reajuste foi concedido na calada da noite e os paulistanos só ficaram sabendo do novo preço na manhã do dia 30, ao ver o valor majorado afixado no para-brisa dos veículos.
Durante a manhã, as manifestações foram pacíficas e até bem-humoradas. Um grupo de estudantes do Mackenzie jogou xadrez sobre o trilho de uma linha de bonde para impedir a passagem do veículo. Ao cair da tarde, porém, diversos piquetes foram realizados no centro da cidade. Ônibus foram depredados, vidraças, quebradas e o comércio baixou as portas. Fiscais da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC) orientavam os motoristas a recolher bondes e ônibus. Para conter a multidão impaciente pela falta de transporte e os manifestantes que atiravam paus e pedras nos veículos, integrantes da Força Pública começaram a atirar para o alto.
"As cidades estavam crescendo depressa naquela época, inclusive com a chegada de muitos migrantes, mas não ofereciam infraestrutura urbana adequada", afirma o historiador Marco Antonio Villa, do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), para explicar as manifestações no Rio e em São Paulo. Pelo visto, a infraestrutura continua ruim.

