13.9.17

ERA NAPOLEÔNICA



Napoleão Bonaparte, em francês Napoléon Bonaparte, (Ajaccio, Córsega, 15 de Agosto de 1769Santa Helena 5 de Maio de 1821) foi o dirigente efectivo da França a partir de 1799 e foi Imperador de França de 18 de Maio de 1804 a 6 de Abril de 1814, adoptando o nome de Napoleão I. Além disso, conquistou e governou grande parte da Europa central e ocidental. Napoleão nomeou muitos membros da família Bonaparte para monarcas, mas eles, em geral, não sobreviveram à sua queda. Foi um dos chamados "monarcas iluminados". No tempo em que vivia tomava banho na frente dos outros sem ter vergonha de mostrar o seu corpo.

Napoleão Bonaparte tornou-se uma figura importante no cenário político mundial da época, já que esteve no poder da França durante 15 anos e nesse tempo conquistou grandes partes do continente europeu. Os biógrafos afirmam que seu sucesso deu-se devido ao seu talento como estrategista, ao seu talento para empolgar os soldados com promessas de riqueza e glória após vencidas as batalhas, além do seu espírito de liderança.
Carreira: Era Napoleônica

A sociedade francesa estava passando por um momento tenso com os processos revolucionários ocorridos no país, de um lado com a burguesia insatisfeita com os jacobinos, formados por monarquistas e revolucionários radicais, e do outro lado as tradicionais monarquias européias, que estavam temendo que os ideais revolucionários franceses se difundissem por seus reinos.

O governo do Directório foi derrubado na França sob o comando de Napoleão, que, junto com a burguesia, instituiu o "consulado", primeira fase do governo de Napoleão. Este golpe ficou conhecido como 'Golpe 18 de Brumário' (data que corresponde ao calendário estabelecido pela Revolução Francesa e equivale a 9 de novembro do calendário gregoriano) em 1799. Muitos historiadores alegam que Napoleão fez questão de evitar que camadas inferiores da população subissem ao poder.

O fim do processo revolucionário na França, com o Golpe 18 de Brumário, marcou o início de um novo período na história francesa, e conseqüentemente, da Europa: a Era Napoleônica.

Seu governo pode ser dividido em três partes:
Consulado (1799-1804)
Império (1804-1814)
Governo dos Cem Dias (1815)
Consulado

O governo do consulado de Napoleão foi instalado após a queda do Directório. O consulado possuía características republicanas, além de ser centralizado e controlado por militares. No poder Executivo, três pessoas eram responsáveis: os cônsules Roger Ducos, Emmanuel Sieyès e o próprio Napoleão. Apesar da presença de outros dois cônsules, quem mais tinha influência e poder no Executivo era Napoleão, que foi eleito primeiro-cônsul da República.

Novas instituições criadas com a Constituição de dezembro de 1799, com cunho democrático, eram criadas para disfarçar o seu centralismo no poder. As instituições criadas foram o Senado, Tribunal, Corpo Legislativo e o Conselho de Estado. Mas o responsável pelo comando do exército, pela política externa, pela autoria das leis e quem nomeava os membros da administração era o primeiro-consul.

Quem estava no centro do poder na época do consulado era a burguesia (os industriais, os financistas, comerciantes), e consolidaram-se como o grupo dirigente na França. Os ideais "liberdade, igualdade, fraternidade" da época da Revolução Francesa foram abandonados, e através de forte censura à imprensa e a acção violenta dos órgãos policiais, a oposição ao governo foi desmanchada.
Reforma dos sectores do governo francês

Durante o período do consulado, uma recuperação económica, jurídica e administrativa ocorreu em França. Napoleão realizou diversos feitos em áreas diferentes durante este período.
Economia - o Banco da França foi criado, em 1800, controlando a emissão de moedas, reduzindo a inflação. As tarifas impostas eram proteccionistas (ou seja, com aumento de impostos para a importação de produtos estrangeiros), o resultado geral foi uma França com comércio e indústria fortalecidos, principalmente com os estímulos a produção e consumo interno.
Religião - com o objetivo de usar a religião como instrumento de poder político, Napoleão assinou um acordo, a Concordata (1801), entre a Igreja Católica e o Estado. O acordo, sob aprovação do papa, dava o direito do governo francês de confiscar as propriedades da Igreja, e em troca, o governo teria de amparar o clero. Napoleão reconhecia o catolicismo como a religião da maioria dos franceses, mas dava-se o direito de escolher bispos, que mais tarde seriam aprovados pelo papa.
Direito - o Código Napoleônico, um código civil, foi estabelecido, representando em grande parte interesses dos burgueses, como casamento civil (separado do religioso), respeito à propriedade privada, direito à liberdade individual e igualdade de todos perante à lei.
Educação - o ensino foi reorganizado e a prioridade foi a formação do cidadão francês. A educação pública foi reconhecida como importante meio de formação das pessoas, principalmente nos aspectos do comportamento moral, político e social.
Administração - pessoas da confiança de Napoleão eram indicadas para os cargos administrativos.

Após uma década de conflitos gerais no país, com a Revolução Francesa, as medidas aplicadas deram para o povo francês a esperança de uma estabilização do governo. Os resultados obtidos neste período do governo de Napoleão agradaram à elite francesa. Com o apoio destas, Napoleão foi elevado ao nível de cônsul vitalício em 1802, podendo indicar seu sucessor. Esta realização implicou na instituição de um regime monárquico.
Império

Ingres, Napoleão I

A opinião pública foi mobilizada pelos apoiadores de Napoleão, que levou à aprovação para a implantação definitiva do governo do Império. Em plebiscitorealizado em 1804, a nova fase da era napoleônica foi aprovada com quase 60% dos votos, e o regime monárquico foi reinstituído na França, e Napoleão foi indicado para ocupar o trono.

Uma festa foi realizada em 2 de Dezembro de 1804 para formalizar a coroação do agora Napoleão I na catedral de Notre-Dame. Um dos momentos mais marcantes da história ocorreu nesta noite, onde, com um acto surpreendente, Napoleão I retirou a coroa das mãos do Papa Pio VII, que tinha viajado especialmente para a cerimônia, e ele mesmo se coroou, numa atitude para deixar claro que não toleraria autoridade alguma superior a dele. Logo após também coroou sua esposa, a imperatriz Josefina.

Títulos de nobreza foram concedidos aos familiares de Napoleão, por ele mesmo. Além disso, colocou-os em altos cargos públicos. Uma nova corte com membros da elite militar, da alta burguesia e da antiga nobreza foi formada. Para celebrar os triunfos de seu governo, Napoleão I construiu monumentos grandiosos, como o Arco do Triunfo.

O Império Francês atingiu sua extensão máxima neste período, em torno de 1812, com quase toda Europa Ocidental e grande parte da Oriental ocupadas, possuindo 150 departamentos, com 50 milhões de habitantes, quase um terço da população europeia da época.
Expansão territorial militar

Neste período, Napoleão realizou uma série de batalhas para a conquista de novos territórios para a França. O exército francês aumentou o seu número de armas e combatentes, e tornou-se o mais poderoso de toda a Europa.

Pensando que a expansão e crescimento econômico e militar da França era uma ameaça à Inglaterra, os diplomatas ingleses formaram coligações internacionais para se opor ao novo governo francês e ao seu expansionismo. Também acreditavam que o governo francês poderia influenciar países que estavam sob doutrina absolutista e assim causar uma rebelião. A primeira coligação formada para deter os franceses era formada pela Inglaterra, Áustria,Rússia e Prússia.

Em outubro de 1805, os franceses usaram a marinha para atacar a Inglaterra por mar, mas não tiveram sucesso, derrotados pela marinha inglesa, comandada pelo almirante Nelson, batalha que ficou conhecida como Batalha de Trafalgar, firmando o poderio naval britânico.

Ao contrário do fracasso com os ingleses, os franceses venceram os seus outros inimigos da coligação, como a Áustria, em 1805, na Batalha de Austerlitz, além da Prússia em 1806 e Rússia em 1807.
Bloqueio Continental

Na busca de outras maneiras para derrotar ou enfraquecer os ingleses, o Império Francês decretou o Bloqueio Continental em 1806, onde Napoleão determinava que todos países europeus deveriam fechar seus portos para o comércio com a Inglaterra, enfraquecendo as exportações do país e causando uma crise industrial.

Um problema que afectou muitos países que participaram do Bloqueio era que a Inglaterra, que já havia passado pela Revolução Industrial, estava com uma consolidada produção de produtos industriais, e muitos países europeus ainda não possuíam produção industrial própria, e dependiam da Inglaterra para importar este tipo de produto, em troca de produtos agrícolas.

A França procurou beneficiar do Bloqueio com o aumento da venda dos produtos produzidos pelos produtores franceses, ampliando as exportações dentro da Europa e no mundo. A fraca quantidade de produtos manufacturados deixou alguns países sem recursos industriais.
Fuga da Família Real portuguesa para o Brasil
Ver artigo principal: Guerra Peninsular.

O governo português possuia relações privilegiadas com a Inglaterra, depois da assinatura do Tratado de Methuen, em 1703, e ainda graças à velha Aliança que vinha dos tempos da Dinastia de Avis.

Portugal tinha então Inglaterra como principal parceiro para seus negócios. Pressionados por Napoleão, os portugueses não tiveram escolha: como não podiam abdicar dos negócios com a Inglaterra, não participaram do Bloqueio Continental.

Insatisfeito com a decisão portuguesa, o exército francês começou a dirigir-se a Portugal. Napoleão havia forçado uma Aliança, sob a forma do Tratado de Fontainebleau com a Casa Real Espanhola (onde forçou a abdicação do trono de Carlos IV para o seu irmão, José Bonaparte) para a Invasão de Portugal, apesar de se saber que havia já planos anteriormente delineados para conquistar tanto Portugal, como Espanha. A ideia era a de dividir Portugal em três reinos distintos:
Lusitânia Setentrional, a ser governado pela filha de Carlos IV, Maria Luísa;
Algarves, a ser governado por Manuel de Godoy com o titulo de rei;
Resto do pais, a ser administrado directamente pela França Imperial até ao fim da Guerra.

Nesse sentido, foram realizadas três expedições militares a Portugal, conhecidas em Portugal sob o nome de Invasões Francesas.

Numa jogada estratégica, e sabendo-se que o Brasil era considerado, na época, a pérola da coroa portuguesa, a Família Real portuguesa, incluindo o príncipe-regente D. João VI, fugiram para o Brasil, instalando e operando o governo português diretamente do Rio de Janeiro em 1808.

Quase 10 mil pessoas fugiram para o Brasil, transferindo praticamente todo o quadro do aparelho estatal. Além de pessoas do governo, vieram muitos nobres, comerciantes ricos, juízes de tribunais superiores, entre outros.

O episodio da Fuga da Familia Real Portuguesa para o Brasil, assim como a dificuldade encontrada por Napoleão em, por um lado , invadir Portugal e por outro, controlar Espanha, pode ser visto como uma grande falha estratégica de Napoleão que, alias, se referiu a ele, nas Memoires de Ste. Hélène como: c'est ça que m'a perdu (tradução: foi isso que me fez perder).

A fuga da familia real para o Brasil marcou também o inicio do processo de Independência do Brasil.
Reação à política de expansão
Derrota francesa na Rússia

Em 1812, a aliança franco-russa é quebrada pelo czar Alexandre, que rompe o bloqueio contra os ingleses. Napoleão empreende então a campanha contra a Rússia. Entra em Moscou e, durante a retirada, o frio e a fome dizimam grande parte do Exército francês. Enquanto isso, na França, o general Malet, apoiado por setores descontentes da burguesia e da antiga nobreza francesas, arma uma conspiração para dar um golpe de Estado contra o imperador. Napoleão retorna imediatamente a Paris e controla a situação.


Invasão dos aliados na França e derrota de Napoleão

Tem início então a luta da coalizão européia contra a França. Com a capitulação de Paris, o imperador é obrigado a abdicar.
Governo dos Cem Dias

O Tratado de Fontainebleau, de 1814, exila Napoleão na ilha de Elba, de onde foge no ano seguinte. Desembarca na França com um Exército e reconquista o poder. Inicia então o Governo dos Cem Dias. A Europa coligada retoma sua luta contra o Exército francês. Napoleão entra na Bélgica em junho de 1815, mas é derrotado pelos ingleses na Batalha de Waterloo e abdica pela segunda vez, pondo fim ao Império Napoleônico. Mas a expansão dos ideais iluministas continuou.


Exílio em Santa Helena e morte

Napoleão foi preso e então exilado pelos britânicos na ilha de Santa Helena em 15 de outubro de 1815. Lá, com um pequeno legado de seguidores, contava suas memórias e criticava aqueles que o capturaram. Quando faleceu, em 5 de maio de 1821, suas últimas palavras foram: "França, o Exército, Josefina".

Em 1955, através de documentos escritos, Napoleão apareceu descrito nos meses antes de sua morte, e levou muitos a concluir que ele foi morto por envenenamento com arsênio. O arsênio era usado antigamente como um veneno indetectável se aplicado a longo prazo.

Em 2001, um estudo de Pascal Kintz, do Instituto Forense de Estrasburgo, na França, adicionou crença a esta possibilidade com um estudo de um pedaço de cabelo preservado de Napoleão após sua morte: os níveis de arsênio encontrados em seu pedaço de cabelo eram de 7 a 38 vezes maiores do que o normal.

Cortar pedaços do cabelo em pequenos segmentos e analisar cada segmento oferece um histograma da concentração de arsênio no corpo. A análise do cabelo de Napoleão sugere que doses altas mas não-letais foram absorvidas em intervalos aleatórios. O arsênio enfraqueceu Napoleão e permaneceu em seu sistema. Lá, poderia ter reagido com mercúrio e outros elementos comuns em remédios da época, sendo a causa imediata de sua morte.

Outros estudos também revelaram altas quantidades de arsênio presentes em outras amostras de cabelo de Napoleão tiradas em 1805, 1814 e 1821. Ivan Ricordel (chefe de toxicologia da Polícia de Paris), declarou que se arsênio tivesse sido a causa da morte, ele teria morrido anos antes. Arsênio também era usado na época em papel de parede, como um pigmento verde, e até mesmo em alguns remédios, e os pesquisadores sugeriram que a fonte mais provável de todo este arsênio seja um tônico para cabelo. Antes da descoberta dos antibióticos, o arsênio também era usado (sem efeito) no tratamento da sífilis, levando à especulação de que Napoleão poderia estar sofrendo de sífilis. A controvérsia continua.





Fonte: Wikipédia

Krakatoa: saiba tudo sobre a maior explosão da história



Em 27 de agosto de 1883, uma ilha inteira localizada no estreito de Sunda, entre as ilhas de Sumatra e Java foi para os ares na Indonésia. A violenta explosão é considerada a segunda erupção vulcânica mais fatal da História e a 6ª maior do mundo. Saiba mais!Krakatoa: saiba tudo sobre a maior explosão da história
Foto: Parker & Coward

O estrondo causado pelo vulcão pôde ser ouvido a quase 5 mil quilômetros – a distância entre Nova Iorque e Berlim, por exemplo, não é muito maior do que isso. Marés imensas arrebentaram de encontro às costas de quatro continentes. Ainda, a uma distância de 13 mil quilômetros, puderam-se observar vagas levantadas pelo vulcão, ao explodir. A onda de pressão de ar pôde ser percebida até muito mais longe: circundou a Terra, por várias vezes.

O vulcão desapareceu. Onde antes havia um monte de 800 metros de altura, escancarava-se uma cratera de 300 metros de profundidade e vários quilômetros de largura. Após a explosão, blocos de rocha voaram pelo espaço com ímpetoextraordinário. Fragmentos de rocha caíram em um território igual em extensão a toda a França. Quando caíam sobre uma ilha, cobriam o terreno com uma camada que chegava a ter mais de 30 metros de altura. Uma grande parte do vulcão, porém, desfizera-se em pó sob a força da explosão. As massas de poeira foram lançadas a quase 50 quilômetros de altura e giraram durante quase um ano ao redor da Terra, na estratosfera.

Foram por demais comoventes a perda de vidas humanas: 36 mil homens, mulheres e crianças pereceram diante da fúria explosiva do Krakatoa.

Fonte:http://leiturasdahistoria.uol.com.br/krakatoa-saiba-tudo-sobre-a-maior-explosao-da-historia/

Laconismo espartano



Esparta desenvolveu-se na região da Lacônia, Grécia, daí vem a expressão laconismo

Por Me. Cláudio Fernandes

Diferentemente de Atenas, que se caracterizou por uma estrutura política amplamente aberta à discussão e à deliberação – entre os homens livres e aptos a participarem da vida na pólis –, Esparta possuía uma estrutura política completamente associada à rígida formação militar dos membros que a compunham. Foi dessa rigidez e da consequente ausência de deliberação em assuntos políticos que nasceu a expressão laconismo.

Em Atenas, a discussão na Ágora (praça) entre os cidadãos livres e a reflexão sobre o exercício da vida na pólis (cidade-estado grega) – que ficou conhecida pela palavra política –, necessitavam de um elevado e sofisticado uso da retórica.Mas não retórica entendida no sentido pejorativo atual, de enganação, mas entendida no sentido original: uma arte(uma técnica) do bem falar, que era usada para chegar a um consenso sobre algum problema. O filósofo Aristóteles, que viveu em Atenas, escreveu um dos mais importantes tratados sobre política, mas também um igualmente importante sobre as funções da retórica entre os atenienses.

Esparta, por sua vez, concebeu sua estrutura política como expressão de sua formação guerreira, rígida e praticamente inflexível. Remete-se a fundação de sua legislação ao mítico rei Licurgo, que teria fixado as leis da cidade e as apresentado aos conselhos de anciãos, que as acatavam e as aplicavam. A rigidez das leis e o comportamento disciplinar, vindo da educação militar que vigorava desde a infância, tornaram os espartanos pouco afeitos à discussão política e à deliberação sobre temas que gerassem polêmica e embates.

Dessa forma, entre a sociedade espartana, não houve a necessidade do aprimoramento da arte retórica e de suas técnicas de persuasão e convencimento. Os espartanos, por essa razão, ficaram conhecidos como um povo de “vocabulário curto” ou “vocabulário reduzido”. Como era da região da Lacônia, o termo lacônico passou a designar esse tipo de comportamento pouco afeito à conversa e à discussão.

A brevidade de argumentos e a inflexibilidade política tornaram-se uns dos aspectos mais impressionantes da sociedade espartana.

Fonte:http://historiadomundo.uol.com.br/grega/laconismo-espartano.htm

O ESTADO NOVO - ERA VARGAS


Pronunciamento feito por Getúlio Vargas



A NAÇÃO



O homem de Estado, quando as circunstâncias impõem uma decisão excepcional, de amplas repercussões e profundos efeitos na vida do país, acima das deliberações ordinárias da atividade governamental, não pode fugir ao dever de tomá-la, assumindo, perante a sua conciência e a conciência dos seus concidadãos, as responsabilidades inerentes à alta função que lhe foi delegada pela confiança nacional.



A investidura na suprema direção dos negócios públicos não envolve, apenas, a obrigação de cuidar e prover as necessidades imediatas e comuns da administração. As exigências do momento histórico e as solicitações do interesse coletivo reclamam, por vezes, imperiosamente, a adoção de medidas que afetam os pressupostos e convenções do regime, os próprios quadros institucionais, os processos e métodos de govêrno.



Por certo, essa situação especialíssima só se caracteriza sob aspectos graves decisivos nos períodos de profunda perturbação política, econômica e social. A contingência de tal ordem chegamos, infelizmente, como resultante de acontecimentos conhecidos, estranhos à ação governamental, que não os provocou nem dispunha de meios adequados para evitá-los ou remover-lhes as funestas conseqüências.



Oriundo de um movimento revolucionário de amplitude nacional e mantido pelo poder constituinte da Nação, o Govêrno continuou, no período legal, a tarefa encetada de restauração economica e financeira e, fiei às convenções do regime, procurou crear, pelo alheiamente às competições partidárias, uma atmosfera de serenidade e confiança, propícia ao desenvolvimento das instituições democráticas.



Enquanto assim procedia, na esfera estritamente política, aperfeiçoava a obra de justiça social a que se votara desde o seu advento, pondo em prática um programa isento de perturbações e capaz de atender às justas reivindicações das classes trabalhadoras, de preferência as concernentes às garantias elementares de estabilidade e segurança econômica, sem as quais não pode o indivíduo tornar-se útil à coletividade e compartilhar dos benefícios da civilização.



Contrastando com as diretrizes governamentais, inspiradas sempre no sentido construtivo e propulsor das atividades gerais, os quadros políticos permaneciam adstritos aos simples processos de aliciamento eleitoral.



Tanto os velhos partidos, como os novos em que os velhos se transformaram sob novos rótulos, nada exprimiam ideologicamente, mantendo-se à sombra de ambições pessoais ou de predomínios localistas, a serviço de grupos empenhados na partilha dos despojos e nas combinações oportunistas em torno de objetivos subalternos.



A verdadeira função dos partidos políticos, que consiste em dar expressão e reduzir a princípios de govêrno as aspirações e necessidades coletivas, orientando e disciplinando as correntes de opinião, essa, de há muito, não a exercem os nossos agrupamentos partidários tradicionais. O fato é sobremodo sintomático se lembrarmos que da sua atividade depende o bom funcionamento de todo sistema baseado na livre concorrência de opiniões e interesses.



Para comprovar a pobreza e desorganização da nossa vida política, nos moldes em que se vem processando, aí está o problema de sucessão presidencial, transformado em irrisória competição de grupos, obrigados a operar pelo subôrno e pelas promessas demagógicas, diante de completo desinteresse e total indiferença das fôrças vivas da Nação. Chefes de govêrnos locais, capitaneando desassossegos e oportunismos, transformaram-se, de um dia para outro, à revelia da vontade popular, em centros de decisão política, cada qual decretando uma candidatura, como se a vida do país, na sua significação coletiva, fõsse simples convencionalismo, destinado a legitimar as ambições do caudilhismo provinciano.



Nos períodos de crise, como o que atravessamos, a democracia de partidos, em lugar de oferecer segura oportunidade de crescimento e progresso, dentro das garantias essenciais à vida e à condição humana, subverte a hierarquia, ameaça a unidade pátria e põe em perigo a existência da Nação, extremando as competições e acendendo o facho da discórdia civil.



Acresce, ainda, notar que, alarmados pela atoarda dos agitadores profissionais e diante da complexidade da luta política, os homens que não vivem dela mas do seu trabalho deixam os partidos entregues aos que vivem deles, abstendo-se de participar da vida pública, que só poderia beneficiar-se com a intervenção dos elementos de ordem e de ação construtora.



O sufrágio universal passa, assim, a ser instrumento dos mais audazes e máscara que mal dissimula o conluio dos apetites pessoais e de corrilhos. Resulta daí não ser a economia nacional organizada que influe ou prepondera nas decisões governamentais, mas as fôrças econômicas de caráter privado, insinuadas no poder e dele se servindo em prejuízo dos legítimos interesses da comunidade.



Quando os partidos tinham objetivos de caráter meramente político, com a extensão de franquias constitucionais e reivindicações semelhantes, as suas agitações ainda podiam processar-se à superfície da vida social, sem perturbar as atividades do trabalho e da produção. Hoje, porém, quando a influência e o controle do Estado sôbre a economia tendem a crescer, a competição política tem por objetivo o domínio das fôrças econômicas, e a perspectiva da luta civil, que espia, a todo momento, os regimes dependentes das flutuações partidárias, é substituída pela perspectiva incomparavelmente mais sombria da luta de classes.



Em tais circunstâncias, a capacidade de resistência do regime desaparece e a disputa pacífica das urnas é transportada para o campo da turbulência agressiva e dos choques armados.



É dessa situação perigosa que nos vamos aproximando. A inércia do quadro político tradicional e a degenerescência dos partidos em clans facciosos são fatores que levam, necessariamente, a armar o problema político, não em termos democráticos, mas em termos de violência e de guerra social. Os preparativos eleitorais foram substituídos, em alguns Estados, pelos preparativos militares, agravando os prejuízos que já vinha sofrendo a Nação, em consequência da incerteza e instabilidade creadas pela agitação facciosa. O caudilhismo regional, dissimulado sôb aparências de organização partidária, arma-se para impor à Nação as suas decisões, constituindose, assim, em ameaça ostensiva à unidade nacional. Por outro lado, as novas formações partidárias surgidas em todo o mundo, por sua própria natureza refratárias aos processos democráticos, oferecem perigo imediato para as instituições, exigindo, de maneira urgente e proporcional à virulência dos antagonismo, o refôrço do poder central. Isto mesmo já se evidenciou por ocasião do golpe extremista de 1935, quando o Poder Legislativo foi compelido a emendar a Constituição e a instituir o estado de guerra, que, depois de vigorar mais de um ano, teve de ser restabelecido por solicitação das fôrças armadas, em virtude do recrudescimento do surto comunista, favorecido pelo ambiente turvo dos comícios e da caça ao eleitorado.



A consciência das nossas responsabilidades indicava, imperativamente, o dever de restaurar a autoridade nacional, pondo termo a essa condição anômala da nossa existência política, que poderá conduzir-nos à desintegração, como resultado final dos choques de tendências inconciliáveis e do predomínio dos particularismos de ordem local.



Colocada entre as ameaças caudilhescas e o perigo das formações partidárias sistematicamente agressivas, a Nação, embora tenha por si o patriotismo da maioria absoluta dos brasileiros e o amparo decisivo e vigilante das fôrças armadas, não dispõe de meios defensivos eficazes dentro dos quadros legais, vendo-se obrigada a lançar mão, de modo normal, das medidas excepcionais que caracterizam o estado de risco iminente da soberania nacional e da agressão externa. Essa é a verdade, que precisa ser proclamada, acima de temores e subterfúgios.



A organização constitucional de 1934, vazada nos moldes clássicos do liberalismo e do sistema representativo, evidenciara falhas lamentáveis, sob esse e outros aspectos. A Constituição estava, evidentemente, antedatada em relação ao espírito do tempo. Destinava-se a uma realidade que deixara de existir. Conformada em princípios cuja validade não resistira ao abalo da crise mundial, expunha as instituições por ela mesma criadas à investida dos seus inimigos, com a agravante de enfraquecer e anemizar o poder público.



O aparelhamento governamental instituído não se ajustava às exigências da vida nacional; antes, dificultava-lhe a expansão e inibia-lhe os movimentos. Na distribuição das atribuições legais, não se colocara, como se devera fazer, em primeiro plano, o interesse geral; aluíram-se as responsabilidades entre os diversos poderes, de tal sorte que o rendimento do aparêlho do Estado ficou reduzido ao mínimo e a sua eficiência sofreu danos irreparáveis, continuamente expostos à influência dos interesses personalistas e das composições políticas eventuais.



Não obstante o esfôrço feito para evitar os incovenientes das assembléias exclusivamente políticas, o Poder Legislativo, no regime da Constituição de 1934, mostrou-se irremediavelmente, inoperante.



Transformada a Assembléia Nacional Constituinte em Câmara de Deputados, para elaborar, nos precisos termos do dispositivo constitucional, as leis complementares constantes da Mensagem do Chefe do Govêrno Provisório, de 10 de abril de 1934, não se conseguira, até agora, que qualquer delas fosse ultimada, mau grado o funcionamento quási ininterrupto das respectivas sessões. Nas suas pastas e comissões se encontram, aguardando deliberação, numerosas iniciativas de inadiável necessidade nacional, como sejam: o Código Penal, o Código do Ar, o Código das Águas, o Código de Minas, o Código Penal, o Código do Processo, os projectos da Justiça do Trabalho, da creação dos Institutos do Mate e do Trigo, etc. ete.. Não deixaram, entretanto, de ter andamento e aprovação as medidas destinadas a favorecer interesses particulares, algumas, evidentemente, contrárias aos interesses nacionais e que, por isso mesmo, receberam veto do Poder Executivo.



Por seu turno, o Senado Federal permanecia no período de definição das suas atribuições, que constituíam motivo de controvérsia e de contestação entre as duas casas legislativas.



A fase parlamentar da obra governamental se processava, antes como um obstáculo do que como uma colaboração digna de ser conservada nos termos em que a estabelecera a Constituição de 1934.



Função elementar e, ao mesmo tempo, fundamental, a própria elaboração orçamentária nunca se ultimou nos prazos regimentais, com o cuidado que era de exigir. Todos os esforços realizados pelo Govêrno no sentido de estabelecer o equilíbrio orçamentário se tornavam inúteis, desde que os representantes da Nação agravavam sempre o montante das despesas, muitas vezes, em benefício de iniciativas ou de interesses que nada tinham a ver com o interesse público.



Constitúi ato de estrita justiça consignar que em ambas as casas do Poder Legislativo existiam homens cultos, devotados e patriotas, capazes de prestar esclarecido concurso às mais delicadas funções públicas, tendo, entretanto, os seus esforços invalidados pelos próprios defeitos de estrutura do órgão a que não conseguiam emprestar as suas altas qualidades pessoais.



A manutenção dêsse aparelho inadequado e dispendioso era de todo desaconselhável. Conservá-lo seria, evidentemente, obra de espírito acomodatício e displicente, mais interessado pelas acomodações da clientela política do que pelo sentimento das responsabilidades assumidas. Outros, por certo, prefeririam transferir aos ombros do Legislativo os onus e dificuldades que o Executivo terá de enfrentar para resolver diversos problemas de grande relevância e de graves repercussões, visto afetarem poderosos interesses organizados, interna e externamente. Compreende-se, desde logo, que me refiro, entre outros, aos da produção cafeeira e regularização da nossa dívida externa.



O Govêrno atual herdou os erros acumulados em cêrca de vinte anos de artificialismo econômico, que produziram o efeito catastrófico de reter stocks e valorizar o café, dando em resultado o surto da produção noutros países, apesar dos esforços empreendidos para equilibrar, por meio de quotas, a produção e o consumo mundial da nossa mercadoria básica. Procurando neutralizar a situação calamitosa encontrada em 1930, iniciamos uma política de descongestionamento, salvando da ruína a lavoura cafeeira e encaminhando os negócios de modo que fosse possível restituir, sem abalos, o mercado do café às suas condições normais. Para atingir êsse objetivo, cumpria aliviar a mercadoria dos pesados onus que a encareciam, o que será feito sem perda de tempo, resolvendo-se o problema da concorrência no mercado mundial e marchando decisivamente para a liberdade de comércio do produto.



No concernente à dívida externa, o serviço de amortização e juros constitui questão vital para a nossa economia. Enquanto foi possível o sacrifício da exportação de ouro, afim de satisfazer as prestações estabelecidas, o Brasil não se recusou a fazê-lo. É claro, porém, que os pagamentos, no exterior, só pódem ser realizados com o estado da balança comercial, Sob a aparência de moéda, que vela e disfarça a natureza do fenômeno de base nas relações economicas, o que existe, em última análise, é a permuta de produtos. A transferência de valores destinados a atender a êsses compromissos pressupõe, naturalmente, um movimento de mercadorias do país devedor para os seus clientes no exterior, em volume suficiente para cobrir as responsabilidades contraídas. Nas circunstâncias atuais, dados os fatores que tendem a crear restrições à livre circulação das riquezas no mercado mundial, a aplicação de recursos em condições de compensar a diferença entre as nossas disponibilidades e as nossas obrigações só pode ser feita mediante o endividamento crescente do país e a debilitação da sua economia interna.



Não é demais repetir que os sistemas de quotas, contingentamentos e compensações, limitando, dia a dia, o movimento e volume das trocas internacionais, têm exigido, mesmo nos países de maior rendimento agrícola e industrial, a revisão das obrigações externas. A situação impõe, no momento, a suspensão do pagamento de juros e amortizações, até que seja possível reajustar os compromissos sem dessangrar e empobrecer o nosso organismo econômico. Não podemos por mais tempo continuar a solver dívidas antigas pelo processo ruinoso de contrair outras mais vultosas, o que nos levaria, dentro de pouco, à dura contingência de adotar solução mais radical. Para fazer face às responsabilidades decorrentes dos nossos compromissos externos, lançamos sôbre a produção nacional o pesado tributo que consiste no confisco cambial, expresso na cobrança de uma taxa oficial de 35%, redundando, em última análise, em reduzir de igual percentagem os preços, já tão aviltados, das mercadorias de exportação. É imperioso pôr um termo a êsse confisco, restituindo o comércio de câmbio às suas condições normais. As nossas disponibilidades no estrangeiro, absorvidas, na sua totalidade, pelo serviço da dívida e não bastando, ainda assim, às exigências, dão em resultado nada nos sobrar para a renovação do aparelhamento econômico, do qual depende todo o progresso nacional.



Precisamos equipar as vias férreas do país, de modo a oferecerem transporte econômico aos produtos das diversas regiões, bem como construir novos traçados e abrir rodovias, prosseguindo na execução do nosso plano de comunicações, particularmente no que se refere à penetração do hinteriand e articulação dos centros de consumo interno com os escoadouros de exportação. Por outro lado, essas realizações exigem que se instale a grande siderurgia, aproveitando a abundância de minéreo, num vasto plano de colaboração do Govêrno com os capitais estrangeiros que pretendam emprêgo remunerativo, e fundando, de maneira definitiva, as nossas indústrias de base, em cuja dependência se acha o magno problema da defêsa nacional.



É necessidade inadiável, também, dotar as fôrças armadas de aparelhamento eficiente, que as habilite a assegurar a integridade e a independência do país, permitindo-lhe cooperar com as demais nações do Continente na obra de preservação da paz.



Para reajustar o orgânismo político às necessidades econômicas do país e garantir as medidas apontadas, não se oferecia outra alternativa além da que foi tomada, instaurando-se um regime forte, de paz, de justiça e de trabalho. Quando os meios de govêrno (3) não correspondem mais às condições de existência de um povo, não há outra solução senão mudá-los, estabelecendo outros moldes de ação.



A Constituição (4) hoje promulgada creou uma nova estrutura legal, sem alterar o que se considera substancial nos sistemas de opinião: manteve a forma democrática, o processo representativo e a autonomia dos Estados, dentro das linhas tradicionais da federação orgânica.



Circunstâncias de diversas natureza apressaram o desfêcho déste movimento, que constitui manifestação de vitalidade das energias nacionais extra-partidárias. O povo o estimulou e acolheu com inequívocas demonstrações de regozijo, impacientado e saturado pelos lances entristecedores da política profissional; o Exército e a Marinha o reclamaram como imperativo da ordem e da segurança nacional.



Ainda ontem, culminando nos propósitos demagógicos, um dos candidatos presidenciais mandava ler da tribuna da Câmara dos Deputados documento francamente sedicioso e o fazia distribuir nos quartéis das corporações militares, que, num movimento de saudável reação às incursões facciosas, souberam repelir tão aleivosa exploração, discernindo, com admirável clareza, de que lado estavam, no momento, os legítimos reclamos da conciência brasileira.



Tenho suficiente experiência das asperezas do poder para deixar-me seduzir pelas suas exterioridades e satisfações de caráter pessoal. Jamais concordaria, por isso, em permanecer à frente dos negócios públicos se tivesse de ceder quotidianamente às mesquinhas injunções daacomodação política, sem acerteza de podertrabalhar, com real proveito, pelo maior bem da coletividade.



Prestigiado pela confiança das fôrças armadas e correspondendo aos generalizados apelos dos meus concidadãos, só acedí em sacrificar o justo repouso a que tinha direito, ocupando a posição em que me encontro, com o firme propósito de continuar servindo à Nação.



As decepções que o regime derrotado trouxe ao país não se limitaram ao campo moral e político.



A economia nacional, que pretendera participar das responsabilidades do Govêrno, foi também frustrada nas suas justas aspirações. cumpre restabelecer, por meio adequado, a eficácia da sua intervenção e colaboração na vida do Estado, Ao envés de pertencer a uma assembléia política, em que é óbvio, não se encontram os elementos essenciais às suas atividades, a representação profissional deve constituir um órgão de cooperação na esfera do poder público, em condições de influir na propulsão das fôrças econômicas e de resolver o problema do equilíbrio entre o capital e o trabalho.



Considerando de frente e acima dos formalismos jurídicos a lição dos acontecimentos, chega-se a uma conclusão iniludível, a respeito da gênese política das nossas instituições: elas não corresponderam, desde 1889, aos fins para que se destinavam.



Um regime que, dentro dos ciclos prefixados de quatro anos, quando se apresentava o problema sucessório presidencial, sofria tremendos abalos, verdadeiros traumatismos mortais, dada a inexistência de partidos nacionais e de princípios doutrinários que exprimissem as aspirações coletivas, certamente não valia o que representava e operava, apenas, em sentido negativo.



Numa atmosfera privada de espírito público, como essa em que temos vivido, onde as instituições se reduziam às aparências e aos formalismos, não era possível realizar reformas radicais sem a preparação prévia dos diversos fatores da vida social.



Torna-se impossível estabelecer normas sérias e sistematização eficiente à educação, à defesa e aos próprios empreendimentos de ordem material, se o espírito que rege a política geral não estiver conformado em princípios que se ajustem às realidades nacionais. Se queremos reformar, façamos, desde logo, a reforma política.



Todas as outras serão consectárias desta, e sem ela não passarão de inconsistentes documentos de teoria política. Passando do Govêrno propriamente dito ao processo da sua constituição, verificava-se, ainda, que os meios não correspondiam aos fins. A fase culminante do processo político sempre foi da escolha de candidato à Presidência da República. Não existia mecanismo constitucional prescrito a êsse processo. Como a função de escolher pertencia aos partidos e como êstes se achavam reduzidos a uma expressão puramente nominal, encontravamo-nos em face de uma solução impossível, por falta de instrumento adequado. Daí, as crises periódicas do regime, pondo, quadrienalmente, em perigo a segurança das instituições. Era indispensável preencher a lacuna, incluindo na própria Constituição o processo de escolha dos candidatos à suprema investidura, de maneira a não se reproduzir o espetáculo de um corpo político desorganizado e perplexo, que não sabe, sequer, por onde começar o ato em virtude do qual se define e afirma o fato mesmo da sua existência.



A campanha presidencial, de que tivemos, apenas, um tímido ensaio, não podia, assim, encontrar, como efetivamente não encontrou, repercussão no país. Pelo seu silêncio, a sua indiferença, o seu desinteresse, a Nação pronunciou julgamento irrecorrível sôbre os artifícios e as manobras a que se habituou a assistir periodicamente, sem qualquer modificação no quadro governamental que se seguia às contendas eleitorais. Todos sentem, de maneira profunda, que o problema de organização do Govêrno deve processar-se em plano diferente e que a sua solução transcede os mesquinhos quadros partidários, improvisados nas vésperas dos pleitos, com o único fim de servir de bandeira a interesses transitoriamente agrupados para a conquista do poder.



A gravidade da situação que acabo de escrever em rápidos traços está na conciência de todos os brasileiros. Era necessário e urgente optar pela continuação dêsse estado de coisas ou pela continuação do Brasil. Entre a existência nacional e a situação de caos, de irresponsabilidade e desordem em que nos encontrávamos, não podia haver meio termo ou contemporização.



Quando as competições políticas ameaçam degenerar em guerra civil, é sinal de que o regime constitucional perdeu o seu valor prático, subsistindo, apenas, como abstração. A tanto havia chegado o país. A complicada máquina de que dispunha para governar-se não funcionava. Não existiam órgãos apropriados através dos quais pudesse exprimir os pronunciamentos da sua inteligência e os decretos da sua vontade.



Restauremos a Nação na sua autoridade e liberdade de ação: - na sua autoridade, dando-lhe os instrumentos de poder real e efetivo com que possa sobrepôr-se às influencias desagregadoras, internas ou esternas; na sua liberdade, abrindo o plenário do julgamento nacional sôbre os meios e os fins do Govêrno de e deixando-a construir livremente a sua história e o seu destino.



Getúlio Vargas

Fonte:https://www.historiadobrasil.net/documentos/estado_novo.htm

Qual a origem dos símbolos de masculino e feminino?


A história dos símbolos começa na Roma antiga e passa pela Idade Média


(Juliana Caro/Mundo Estranho)

O espelho de Vênus (♀) e o escudo de Marte (♂) são símbolos criados pela alquimia e que aludem aos deuses da Roma antiga. Na mitologia romana, Vênus era a deusa do amor, associada com harmonia, beleza e empatia, enquanto Marte era o deus da guerra, associado com agressão, força e impulsividade. Durante a Idade Média, os alquimistas retomaram os estudos gregos que associavam metais, planetas e deuses. Marte representava o ferro e Vênus o cobre. Durante esse processo, os nomes originais deram origem aos símbolos que conhecemos hoje (veja abaixo). Por muito tempo, esses símbolos permaneceram esquecidos até que, no século 18, o sueco Carolus Linnaeus (criador da classificação científica) passou a se referir às plantas de linhagem feminina com o símbolo , às de linhagem masculina com e às híbridas com o Caduceu de Mercúrio.
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(Juliana Caro/Mundo Estranho)

PERGUNTA DO LEITOR Kaique Rossoni, Colatina, ES

FONTES Livro The Origin of the Male and Female Symbols of Biology, de William T. Stearn; revista Taxon Vol. 11, No. 4 (1962)

Fonte:https://mundoestranho.abril.com.br/historia/qual-a-origem-dos-simbolos-de-masculino-e-feminino/

Como a Muralha da China foi construída?


Obra chegou a ter mais de 21 mil quilômetros
Por Tiago Cordeiro



(Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

Ilustra Kiko Mauriz
Edição Felipe van Deursen


(Kiko Mauriz/Mundo Estranho)

1. OBRA DEMORADA
A construção demorou muito. Em 211 a.C., o senhor feudal Qin unificou parte do que hoje é a China e se tornou imperador. Na época, as fronteiras do país tinham dezenas de pequenos muros de barro, areia molhada ou madeira, levantados desde o século 7 a.C. Para reforçar a proteção contra as tribos do norte, Qin resolveu unir esses muros
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2. DE PEDRA EM PEDRA
A partir de então, a muralha foi ampliada, atingindo o auge no reinado da dinastia Ming (1368-1644). O processo de construção evoluiu: após quebrar pedras com picaretas no pé das montanhas, os trabalhadores (em geral, camponeses da região) as levavam sobre o lombo de cabras até a obra. Ali, colocavam as pedras e os tijolos de barro em bacias de bambu. Para erguerem as peças, usavam cordas e roldanas

3. ROTA SEGURA
A Rota da Seda, caminho usado por comerciantes do Ocidente e do Oriente, passava pela área coberta pela muralha. Com o tempo, a construção, que tinha função estritamente militar, assimilou alguns serviços da rota, como o uso de correios. Mensageiros percorriam a muralha de ponta a ponta e desciam nos vilarejos próximos a construções de apoio
Já ouviu falar que milhares de cadáveres foram misturados às pedras para reforçar a obra? Isso é lenda

4. CAMINHO SUAVE
Durante o período Ming, a muralha chegou a ser moradia de até 1 milhão de guardas, que caminhavam entre os postos de observação, preservando as fronteiras e observando a possível movimentação de inimigos, especialmente os mongóis. Nessa fase, a muralha já era uma espécie de fortaleza linear

VIDA CHATA
Os guardas faziam rondas de madrugada e, à luz do dia, circulavam entre os postos de observação, enquanto os colegas preparavam alimentos ou faziam a manutenção das armas. A comunicação entre as torres era feita por meio de sinais de fumaça. As fogueiras eram acendidas com palha misturada com fezes de soldados e animais de carga

ATRAÇÃO TURÍSTICA
A muralha perdeu utilidade militar quando a China expandiu suas fronteiras. No século 19, ela começou a atrair turistas. Partes da obra que ficam em regiões distantes estão desgastadas e em decadência. Além do tempo, a culpa também é do ex-ditador Mao Tsé-tung, que nos anos 1960 e 1970 retirou pedaços inteiros do muro para construir casas

Fonte:https://mundoestranho.abril.com.br/historia/como-a-muralha-da-china-foi-construida/

Governo de Jânio Quadros


Governo de Jânio Quadros
Jânio Quadros foi presidente do Brasil. Ele foi eleito por voto direto em 1960. Antes de concorrer às eleições presidenciais, o político já havia atuado como vereador, prefeito e governador do estado de São Paulo.

A campanha presidencial de Jânio Quadros foi uma das mais marcantes da história. Ele usou uma abordagem de marketing que tinha como objetivo atingir a massa, principalmente os brasileiros mais simples.

A ideia central da campanha era promover a moralização do Brasil e, por isso, o símbolo do marketing político foi uma vassoura, simbolizando que Jânio Quadros faria uma verdadeira limpeza no país, acabando especialmente com a corrupção. Seu slogan era: “varre, varre vassourinha, varre, varre a bandalheira”.


Conheça a biografia do Jânio Quadros:
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Fatos importantes do governo Jânio Quadros



Jânio da Silva Quadros assumiu a presidência em 31 de janeiro de 1961. Ele tomou posse em Brasília, mas só governou por 7 meses. O resultado de seu governo foi uma crise política que resultou no Golpe Militar.

O governo de Jânio Quadros foi marcado por polêmicas. Na economia, ele adotou uma postura conservadora e chegou a congelar salários e a desvalorizar a moeda brasileira. A inflação permaneceu alta durante seu governo, o que gerou grande descontentamento entre a população.

Outras medidas inusitadas foram a proibição do uso de biquíni na transmissão dos concursos de miss na televisão e a regulamentação dos jogos de carteado.

Em 1961, o jornalista Carlos Lacerda denunciou, em rede nacional, que Jânio Quadros estaria preparando um golpe. Essa acusação levou o presidente a renunciar ao cargo. Em carta enviada ao Congresso Nacional, Quadros afirmou que “forças terríveis o haviam levado a optar pela renúncia”.

Após a saída de Jânio Quadros, o Brasil passou a ser governado interinamente pelo presidente da Câmara, Ranieri Mazilli. Essa medida duraria até que o vice-presidente, João Goulart, retornasse de uma viagem oficial à China.

Jânio obteve mais de 6 milhões de votos nas eleições de 1960. Ele renunciou no dia 25 de agosto de 1961.

Durante o tempo em que esteve no cargo, o presidente também proibiu as brigas de galo e o uso de lança-perfume no Brasil.

Na política externa, ele tentou aproximar o Brasil da União Soviética e da China, criticou os Estados Unidos e condecorou o líder revolucionário comunista Che Guevara. Essa aproximação com o socialismo desagradou os conservadores brasileiros, principalmente os militares e os políticos de direita.

Por conta de suas medidas polêmicas, Jânio Quadros acabou amargando uma baixa popularidade durante seu governo.

Fonte:http://www.grupoescolar.com/pesquisa/governo-de-janio-quadros.html

Revolução de Outubro





A Revolução de Outubro aconteceu na Rússia, e também ficou conhecida como Revolução Bolchevique e Revolução Vermelha. Essa foi a segunda fase da revolução que começou em 1917 na Rússia. O processo teve início com a insurreição dos Bolcheviques, liderada por Vladimir Lênin.

Essa foi considerada a primeira revolução comunista marxista do século XX. O movimento se instaurou durante o chamado governo provisório, que não permitia a participação de determinados grupos nas decisões políticas do país.

Esse governo enfrentou dificuldades na economia e manteve as tropas russas na Primeira Guerra Mundial. Os fatos desagradaram os grupos revolucionários e fizeram com que a visão política de Lênin ganhasse adeptos.

Os revolucionários pregavam que a Rússia deveria ser governada pelos sovietes. Para isso, seria necessário realizar uma nova tomada de poder no país.

Em 25 de outubro de 1917, o soviete de Petrogrado realizou uma insurreição. O ato foi organizado pelo Comitê Militar Revolucionário. Com isso, Lênin passou a comandar o governo e o Partido Bolchevique passou a controlar os processos no país.



O governo bolchevique logo aprovou decretos relativos à paz, aos direitos civis e à distribuição de terras. Os sovietes também alteraram os padrões do Congresso Pan-Russo, garantindo a participação da população com o Conselho Executivo e o Conselho dos Comissários do Povo.

Contudo, o movimento teve uma grande rejeição dos conservadores russos. Sendo assim, uma guerra civil contra os bolcheviques foi iniciada, com a ajuda de tropas estrangeiras, burgueses e conservadores.

Essa guerra civil foi sangrenta e envolveu o exército vermelho (revolucionário) e o exército branco (anti-socialista). A guerra civil foi vencida pelo governo bolchevique.

Depois dessa vitória, em 1918, várias medidas foram adotadas a favor dos trabalhadores. O sistema judiciário russo também foi alterado e os presos passaram a ter o direito de frequentar escolas na prisão. Em 1922, os bolcheviques, liderados por Lênin, criaram a União Soviética.

Para os historiadores, a Revolução de Outubro marcou um período de recuperação da estrutura democrática na Rússia, pautada no pensamento de Lênin. Isso fez com que o país fosse capaz de mudar sua realidade.

A Revolução Russa de Outubro de 1917 encerrou diversos conflitos sociais no país, além de ter derrubado o Governo Provisório. Os sovietes, que comandaram o movimento, surgiram em Petrogrado, atual São Petersburgo, e representaram os interesses dos trabalhadores.

Após a morte de Lênin, em 21 de janeiro de 1924, Josef Stalin assumiu o poder na União Soviética.

Fonte:http://www.grupoescolar.com/pesquisa/revolucao-de-outubro.html

Caudilhismo

Por Tiago Ferreira da Silva

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São denominados caudilhos os políticos e grandes líderes de determinadas nações que exercem seu poder de forma carismática e de caráter populista por vias autoritárias ou autocráticas, fazendo com que sejam associados aos ditadores e tiranos.


A corrente do caudilhismo teve grande expressividade na América Latina, principalmente nos países que foram colonizados pela Espanha. Historicamente, os caudilhos foram se formando ao longo da independência das nações latino-americanas de suas colônias. Muitos deles eram grandes senhores de terra que queriam fazer prevalecer seus direitos acima dos outros de qualquer maneira.

No Brasil, com a força política da elite agropecuária e cafeicultora, muitos senhores de engenho formaram exércitos próprios e leis que privilegiavam sua autoridade para exercer um mandato sustentado por interesses pessoais e políticos.

Com os grandes avanços do sistema republicano em nações como Estados Unidos e França, os países latino-americanos queriam acabar com o regime autoritário das monarquias e acabaram formando governos influenciados pelos interesses das elites, os tais caudilhos.

Principais articuladores de movimentos de independência que pretendiam estabelecer o regime republicano, os criollos defendiam a importância do setor agroindustrial e do comércio de produtos manufaturados para impulsionar a economia local e criar mais empregos – além, é claro, de obter lucros com a compra e venda destes produtos.

Estes primeiros caudilhos conquistavam o apoio de grandes populações por meio do carisma, argumentando que as políticas motivadas por seus interesses atendiam às necessidades de todos, como a geração de mais empregos e a consolidação de uma economia estável.

A maioria dos políticos considerados caudilhos permanece por tempo prolongado no Poder e tem grande proximidade com as camadas mais baixas da população. No Brasil, o exemplo mais próximo ao caudilhismo foi o Governo de Getúlio Vargas, que trouxe grandes avanços nas leis trabalhistas do país, mas era sustentado por uma ditadura. Em países como Bolívia, Peru, Guatemala, Haiti, Paraguai,Venezuela, Nicarágua e Uruguai, houve muitos outros exemplos do caudilhismo.

Apesar de ser um sistema arcaico, muitos cientistas políticos afirmam que ainda hoje o caudilhismo se faz presente na América Latina, principalmente sob a influência do presidente venezuelano Hugo Chávez.

Considerada a grande ‘herança maldita’ do continente latino-americano, o caudilhismo não passou de uma tentativa frustrada de países outrora colonizados de instituir o regime republicano de forma ineficiente.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Caudilhismo
http://www.mundoeducacao.com.br/historia-america/caudilhismo.htm
http://www.brasilescola.com/historia-da-america/caudilhismo.htm

Fonte:http://www.infoescola.com/historia/caudilhismo/

Bandeira dos Estados Unidos



A bandeira dos Estados Unidos da América tem origem na guerra da independência das 13 colônias.

Suas cores são vermelha, azul e branca e possui 13 listras e 50 estrelas.



Bandeira atual dos Estados Unidos da América
Origem

Quando George Washington liderou as tropas americanas que lutavam contra os ingleses precisava de uma bandeira que unisse todos os soldados.

Pediu, então, a uma costureira da Pensilvânia, Besty Ross que confeccionasse uma bandeira a partir de um desenho seu. Besty Ross fez algumas modificações e George Washington as aprovou.



Primeira bandeira dos Estados Unidos também chamada de "Cores da União"

A bandeira ainda guardava o símbolo da bandeira do Reino Unido. Por isso, Besty Ross as teria substituído, posteriormente, pelas estrelas. George Washington a aprovou a modificação.

Leia mais sobre a Independência dos Estados Unidos.
Significado

A bandeira americana herdou as cores vermelha, azul e branca da bandeira inglesa.

Em heráldica – a ciência que estuda os brasões – o vermelho simboliza resistência e coragem; o branco remete à pureza e à inocência; e o azul representa vigilância, perseverança e justiça.

As 13 listras representam as colônias que lutaram contra a Inglaterra. São sete listras vermelhas e seis listras brancas.

As estrelas constituem cada um dos estados americanos que foram se incorporando ao longo do tempo. Atualmente são 50 estrelas.


O pavilhão americano também é apelidado de Stars and Stripes (Estrelas e Listras), OldGlory (Velha Glória) e Red, Blue and White (Vermelha, Azul e Branca).
História



Bandeira americana idealizada por Besty Ross e aprovada pelo Congresso americano

A história da bandeira americana mistura lenda e realidade. Besty Ross contou aos seus descendentes que ela idealizou a bandeira, a partir de um desenho de George Washington.

Verdade ou não, este modelo de bandeira americana foi aceita pelos estados que fizeram a independência. Ela passou a ser o símbolo de todo o país após a Guerra de Secessão.

Em 14 de Junho de 1777, o Congresso americano determinou que a nova bandeira teria treze listras e treze estrelas. Isso simbolizaria as colônias que lutaram contra as forças colonizadoras.


Curiosidades
A bandeira dos Estados Unidos já foi alterada 26 vezes. A versão atual data de 1960 quando o Havaí aderiu à União.
A letra do hino americano é um poema dedicado à bandeira e tudo o que ela representa para o país. Foi escrito em 1814 por Francis Scott Key e se intitula The Star-Spangled Banner ("A Bandeira Estrelada").
Fonte:https://www.todamateria.com.br/bandeira-dos-estados-unidos/