
Alberto Henschel. A Família Imperial reunida. Da esquerda para a direita: d. Antônio, em pé, princesa Isabel, sentada, tendo à sua frente d. Luís, sentado, d. Pedro de Alcântara, príncipe do Grão-Pará, e d. Augusto Leopoldo, ambos em pé; d. Pedro II, sentado, segurando um guarda-chuva, conde d’Eu, em pé, d. Teresa Cristina e d. Pedro Augusto, ambos sentados, 1887. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS
Dom Pedro II foi um entusiasta da fotografia, seja como mecenas seja colecionador. Foi o primeiro brasileiro a possuir um daguerreótipo, e, provavelmente, o primeiro fotógrafo nascido no Brasil. Devido ao seu interesse no assunto, implantou e ajudou decisivamente o desenvolvimento da fotografia no país. Sua filha, a princesa Isabel (1846-1921), foi, inclusive, aluna do fotógrafo alemão Revert Henrique Klumb (c. 1826- c. 1886). Ao ser banido do país, em 1889, pelos republicanos, Pedro II doou à Biblioteca Nacional a coleção de cerca de 25 mil fotografias, que então denominou, juntamente com a coleção de livros, de Coleção Dona Theresa Christina Maria. Segundo Pedro Vasquez, essa coleção é, até hoje, “o mais diversificado e precioso acervo dos primórdios da fotografia brasileira jamais reunido por um particular, e tampouco por uma instituição pública”.
A velocidade com que a notícia do invento do daguerreótipo chegou ao Brasil é curiosa: em 7 de janeiro de 1839, na Academia de Ciências da França, foi anunciada a descoberta da daguerreotipia, um processo fotográfico desenvolvido por Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851); cerca de 4 meses depois, foi publicado no Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1839, sob o título “Miscellanea”, na segunda coluna, um artigo sobre o assunto – apenas 10 dias após de ter sido assunto de uma carta do inventor norte-americano Samuel F. B. Morse (1791 – 1872), escrita em Paris em 9 de março de 1839 para o editor do New York Observer, que a publicou em 20 de abril de 1839.
Acessando o link para as fotografias de dom Pedro II disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.
O interesse de dom Pedro II pela fotografia teve quase a mesma idade do próprio daguerreótipo: menos de um ano após o anúncio oficial da invenção, feito por François Arago, em 19 de agosto de 1839, na França, ele, aos 14 anos, adquiriu o equipamento, em março de 1840, mesmo ano em que o abade francês Louis Comte (1798 – 1868) apresentou-lhe o invento, no Rio de Janeiro (Jornal do Commercio, de 17 de janeiro de 1840, na primeira coluna; e de 20 de janeiro de 1840, na terceira coluna).
Por sediar o Império, o Rio de Janeiro foi a capital da fotografia no Brasil. O imperador foi retratado por diversos fotógrafos, dentre eles Marc Ferrez (1843-1923) e Joaquim Insley Pacheco (c. 1830 – 1912), tendo conhecido praticamente o trabalho de todos eles. A fotografia passou a ser o instrumento de divulgação da imagem de dom Pedro II, “moderna como queria que fosse o reino”, segundo comenta Lilia Moritz Schwarcz no livro As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos, e tornou-se também mais um símbolo de civilização e status.
Foi um dos primeiros monarcas a oferecer seu real patrocínio a um fotógrafo, juntamente com a rainha Victoria da Inglaterra (1819 – 1901), quando, em 1851, permitiu que Buvelot & Prat, que haviam realizado uma série de daguerreótipos de Petrópolis – todos desaparecidos – usassem as armas imperiais na fachada de seu estabelecimento fotográfico.
Dom Pedro II governou o Brasil de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889 e, segundo José Murilo de Carvalho, o fez “com os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota. Foi respeitado por quase todos, não foi amado por quase ninguém”. Em seus quase 50 anos de governo – só superados pelas rainhas Vitória (1819 – 1901) e Elizabeth II (1926 -), ambas da Inglaterra – o tráfico e a escravidão foram abolidos, a unidade do Brasil foi consolidada, as principais capitais brasileiras se modernizaram, a ciência e a cultura se desenvolveram. Sinais, sobretudo estes últimos, de um reinado que, não obstante o conservadorismo escravista dominante, perseguiu sempre uma pauta liberal, humanista e civilizatória.
Em seu diário de 1862, Pedro II declarou: “Nasci para consagrar-me às letras e às ciências, e, a ocupar posição política, preferia a de presidente da República ou ministro a imperador”. De fato, no século XIX, muito do que se fez no Brasil nos campos das letras e das ciências deveu-se a ele, um dos monarcas mais eruditos de sua época.
Lista dos Fotógrafos Imperiais, na ordem cronológica em que foram agraciados com este título, segundo Guilherme Auler, sob o pseudônimo de Ricardo Martim, em dois artigos publicados na Tribuna de Petrópolis, em 1º e 8 de abril de 1956, segundo o livro O Brasil na fotografia oitocentista, de Pedro Vasquez:
Buvelot & Prat, título concedido em 8 de março de 1851 (província do Rio de Janeiro)
Joaquim Insley Pacheco, título concedido em 22 de dezembro de 1855 (província do Rio de Janeiro)
João Ferreira Villela, título concedido em 18 de setembro de 1860 (província de Pernambuco)
Revert Henrique Klumb, título concedido em 24 de agosto de 1861 (província do Rio de Janeiro)
Stahl & Wahnschaffe, título concedido em 21 de abril de 1862 (província do Rio de Janeiro)
Diogo Luiz Cipriano, título concedido em 20 de setembro de 1864 (província do Rio de Janeiro)
Antonio da Silva Lopes Cardoso, título concedido em 30 de novembro de 1864 (província da Bahia)
Tomas King, título concedido em 18 de maio de 1866 (província do Rio Grande do Sul)
José Ferreira Guimarães, título concedido em 13 de setembro de 1866 (província do Rio de Janeiro)
Fernando Starke, título concedido em 14 de dezembro de 1866 (província de São Paulo)
José Tomás Sabino, título concedido em 13 de agosto de 1873 (província do Pará)
Henschel & Benque, título concedido em 7 de dezembro de 1874 (província do Rio de Janeiro)
Antonio Henrique da Silva Heitor, título concedido em 2 de março de 1885 (província do Rio de Janeiro)
Juan Gutierrez de Padilla, título concedido em 3 de agosto de 1889 (província do Rio de Janeiro)
Ignácio Mendo, título concedido em 6 de agosto de 1889 (província da Bahia)
Apesar de não estarem na lista de Auler, os fotógrafos Mangeon & Van Nyvel, radicados no Rio de Janeiro e Luiz Terragno, do Rio Grande do Sul, também anunciavam esse título e as armas imperiais no verso de suas fotografias. Já Marc Ferrez foi o único com a distinção de Fotógrafo da Marinha Imperial. Seis fotógrafos estrangeiros também foram agraciados com o título de fotógrafos imperiais: o francês Alphonse Liebert, o português Joaquim Coelho da Rocha, o austríaco Guilherme Perimutter, os tchecos Franz Piedrich e Charles Molock; e o italiano Francesco Pesce.
Galeria de dom Pedro II![]()
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Cronologia de dom Pedro II 
Alphonse Léon Nöel; Victor Frond. Dom Pedro II, 1861. Paris, França / Acervo FBN
1825 – Em 2 de dezembro, nascimento de Pedro II, às 2h30 da manhã, no Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, filho mais novo do imperador dom Pedro I do Brasil (1798 – 1834) e da imperatriz dona Maria Leopoldina de Áustria (1797 – 1826) (Diário do Rio de Janeiro, de 5 de dezembro de 1825).
Foi batizado, em 9 de dezembro, e seu nome completo era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga (Império do Brasil: Diário Fluminense, de 10 de dezembro de 1825).
1826 – Em agosto, foi oficialmente reconhecido como herdeiro do trono brasileiro com o título de príncipe imperial .
Sua mãe, a imperatriz Leopoldina, faleceu em 11 de dezembro de 1826, poucos dias após dar a luz a um menino natimorto (Diário do Rio de Janeiro, de 15 de dezembro de 1826). Foi com a monarca que Carl Friedrich Phillip von Martius (Erlanger, Alemanha, 1794 – Munique, Alemanha, 1868), renomado naturalista do século XIX, veio ao Brasil, onde ficou de 1817 a 1820, como um dos integrantes da Missão Austríaca, que a acompanhou na ocasião de seu casamento com D.Pedro I.
1829 – O imperador Pedro I casou-se com a duquesa Amélia de Leuchtenberg (1812 – 1873), com quem, apesar de ter convivido pouco, o príncipe Pedro estabeleceu um relacionamento afetuoso (Imperio do Brasil: Diário Fluminense, de 8 de outubro de 1829, sob o título “Baviera”).
1831 – Em 7 de abril, o imperador Pedro I abdicou (Aurora Fluminense, de 11 de abril de 1831). O príncipe imperial Pedro tornou-se “Dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil“, sendo aclamado por uma multidão reunida no Campo de Santana. Dom Pedro I deixou seu filho aos cuidados do tutor José Bonifácio de Andrada (1763 – 1838), de dona Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho (? – 1855), tornada condessa de Belmonte, em 5 de maio de 1844, aia de Pedro II desde seu nascimento, a quem ele chamava de Dadama; e de Rafael, que era um empregado do paço em quem Pedro I possuía grande confiança.
No mesmo dia da abdicação, foi eleita, no Senado, a Regência Provisória, formada pelos senadores Nicolau do Campos Vergueiro (1788 – 1859), por José Joaquim de Campos (1768 – 1836), o Marquês de Caravelas, e pelo senador Francisco de Lima e Silva (1785 – 1853), pai de Luís Alves de Lima e Silva (1803 – 1880), o Duque de Caxias.
Dom Pedro I partiu para a Europa com Dona Amélia, em 13 de abril (Diário do Rio de Janeiro, de 14 de abril de 1831). Links para as cartas de despedida de dona Amélia, disponível no Correio IMS, e de Pedro I, ambas para dom Pedro II.
Em 17 de junho, a Regência Trina Permanente foi eleita pela Assembleia Geral. Era composta pelo deputado da Bahia, José da Costa Carvalho (1796 – 1860), o Marquês de Monte Alegre; do Maranhão, João Bráulio Moniz (1796 – 1835), e pelo senador Francisco de Lima e Silva (1785 – 1853), do Rio de Janeiro (Aurora Fluminense, de 20 de junho de 1831, na primeira coluna, sob o título “Rio de Janeiro”).
1833 - Em 15 de dezembro, José Bonifácio foi substituído pelo marquês de Itanhaém, Manuel Inácio de Andrada Souto Pinto Coelho (1782 – 1867), que passou a ser, por decreto, tutor de dom Pedro II (Jornal do Commercio, 17 de dezembro de 1833, na segunda coluna, sob o título “Rio de Janeiro”).
1834 - Em 12 de agosto foi aprovado o Ato Adicional, que estipulou o fim da Regência Trina e alterou a Constituição de 1824, autorizando cada uma das províncias a criar uma Assembleia Legislativa. A situação política do país se acalmou.
Em 24 de setembro, morreu, em Portugal, dom Pedro I (Diário do Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 1834).
1835 - Em 7 de janeiro, teve início a Cabanagem no Pará.
Em abril, realizaram-se as eleições para a primeira Regência Una. Venceu o padre Diogo Antônio Feijó (1784 – 1843), um dos líderes progressistas e antigo ministro da Regência Trina Permanente.
Em 20 de setembro, iniciou-se a revolta Farroupilha, no Rio Grande do Sul.
Diogo Antônio Feijó (1784 – 1843) assumiu a Regência Una em outubro (Aurora Fluminense, de 12 de outubro de 1835).
1837 - Para tentar acabar com o avanço da Cabanagem e da Farroupilha, movimentos revoltosos contra o governo, Feijó pediu a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do aumento dos efetivos militares do governo. Seu pedido foi negado e ele renunciou. O presidente da Câmara dos Deputados e líder da facção regressista, o marquês de Olinda, Pedro Araújo Lima (1793 – 1870), assumiu provisioriamente a regência (Jornal do Commercio, de 25 de setembro de 1837, na primeira coluna).
Em novembro, teve início a Sabinada, na Bahia.
Em 2 de dezembro, por decreto, foi fundado o Colégio Pedro II.
1838 – O senador Pedro Araújo Lima (1793 – 1870) foi eleito o novo regente, cujo mandato se prolongaria até 1842.
Foi criado, em 21 de outubro, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Jornal do Commercio, de 18 de outubro de 1838, na primeira coluna).
Em 13 de dezembro, teve início a Balaiada no Maranhão.
1839 – O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro recebeu o patronato do imperador dom Pedro II , que além de seu protetor, tornou-se um ativo membro, tendo presidido centenas de sessões.
1840 – O abade francês Louis Comte (1798 – 1868), capelão da corveta L´Orientale, fez na hospedaria Pharoux, a primeira apresentação do daguerreótipo no Brasil e na América Latina, realizando um ensaio fotográfico (Jornal do Commercio, de 17 de janeiro de 1840, na primeira coluna). Dias depois, apresentou o invento a dom Pedro II (Jornal do Commercio, de 20 de janeiro de 1840, na terceira coluna). Em março do mesmo ano, com menos de 15 anos, dom Pedro II adquiriu o equipamento, através do negociante Felício Luzaghy.
O Brasil encontrava-se em uma situação delicada com as revoltas e dom Pedro II só poderia ser declarado maior com 18 anos de idade. Além disso, a Regência sempre motivaria conflitos políticos. Em abril, o senador do Partido Liberal, José Martiniano de Alencar (1794 – 1860), pai do romancista José de Alencar, propôs a criação da Sociedade Promotora da Maioridade, que passou a se chamar Clube da Maioridade. Seu presidente, Antônio Carlos de Andrada (1773 – 1845), levou a campanha para as ruas, conseguindo a adesão do povo.
Em 23 de julho, dom Pedro II foi emancipado pela Assembleia Geral Legislativa do Brasil (Diário do Rio de Janeiro, de 27 de julho de 1840, sob o título “Rio de Janeiro”).
1841 – Em 18 de julho, realização da sagração e da coroação de dom Pedro II, imperador do Brasil (Diário do Rio de Janeiro, de 19 de julho de 1941, Jornal do Commercio, de 18 e 19 de julho de 1941, na segunda coluna e de 20 de julho, com ilustração de dom Pedro II coroado e da varanda da coroação). A cidade do Rio de Janeiro foi embelezada para a cerimônia e as festas se estenderam até o dia 24 de julho, quando foi realizado um grande baile de gala no Paço da cidade.
Terminou a revolta da Balaiada.
1842 / 1843 – Entre dezembro de 1842 e princípio de 1843, d.Pedro II foi apresentado ao fotógrafo norte-americano Augustus Morand, que ficou no Rio de Janeiro até abril de 1843, tendo produzido daguerreótipos do monarca, da família imperial e vistas dos arredores do Palácio Real de São Cristóvão.
1843 – Em 30 de maio, dom Pedro II e dona Teresa Cristina (1822 – 1889), princesa das Duas Sicílias, casaram-se por procuração, em Nápoles. Como eles eram primos, tiveram que obter licença de Roma. Em 3 de setembro, ela chegou ao Rio de Janeiro. Eles se encontraram pela primeira vez, a bordo da fragata Constituição (Jornal do Commercio, de 4 de setembro, na última coluna; e de 5 de setembro de 1843, na primeira coluna, ambas sob o título “Jornal do Commercio”). Dom Pedro II ficou muito decepcionado com a aparência de sua esposa .
1845 – Em 23 de fevereiro, nasceu o primeiro filho do casal, dom Afonso (Diário de Rio de Janeiro, de 24 de fevereiro de 1845, sob o título “O Diário”).
Em 1º de março, fim da Farroupilha.
Em 6 de agosto, dom Pedro II viajou para o sul do Brasil e visitou as províncias de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
1846 – Nasceu a primeira filha do casal real, a princesa Isabel, em 29 de julho (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de julho de 1846, sob o título “Parte official”).
1847 – Morreu dom Afonso, em 11 de junho (Diário do Rio de Janeiro, de 12 de junho de 1847) e nasceu a princesa Leopoldina, segunda filha do casal, em 13 de julho (Diário do Rio de Janeiro, de 14 de julho de 1847, sob o título “O Diário”). Dom Pedro II percorreu a província do Rio de Janeiro.
1848 – Nasceu dom Pedro Afonso, segundo filho do casal, em 19 de julho (Diário do Rio de Janeiro, de 20 de julho de 1848).
Teve início a Revolução Praieira, em Pernambuco. De caráter liberal e federalista, ganhou o nome de Praieira, pois a sede do jornal Diário Novo, comandado pelos revoltosos, ficava na rua da Praia.
1849 – O primo de d. Pedro II, Henrique Guilherme Adalberto da Prússia (1811-1873), em seu diário sobre a visita que havia feito ao Brasil, comentou que d. Pedro II fazia experimentos com o daguerreótipo.
1850 – Morreu dom Pedro Afonso, em 10 de janeiro (Diário do Rio de Janeiro, de 11 de janeiro de 1850).
Foram promulgados o Código Comercial, baseado nos Códigos de Comércio de Portugal, França e Espanha; e a Lei de Terras, que foi regulamentada em 1854. Esta lei estabelecia a compra como a única forma de acesso à terra e abolia, em definitivo, o regime de sesmarias.
Fim da Revolução Praieira (O Brasil, de 16 de abril de 1850, sob o título “Notícias Provinciaes”, na primeira coluna).
Em 4 de setembro, a Lei Eusébio de Queiroz pôs fim ao tráfico negreiro (Diário do Rio de Janeiro, de 5 de setembro de 1850).
O governo brasileiro rompeu relações com a Confederação Argentina, governada por Juan Manuel de Rosas (1793 – 1877).
1851 – Brasil, Uruguai e as províncias argentinas de Entre Ríos e Corrientes firmaram, em Montevidéu, uma aliança ofensiva e defensiva contra Rosas, que declarou guerra ao Império brasileiro.
Tornou-se um dos primeiros monarcas a oferecer seu real patrocínio a um fotógrafo, juntamente com a rainha Victoria da Inglaterra (1819 – 1901), quando, em 8 de março de 1851, permitiu que Buvelot & Prat, que haviam realizado uma série de daguerreótipos de Petrópolis – todos desaparecidos – usassem as armas imperiais na fachada de seu estabelecimento fotográfico.
1852 – Em fevereiro, Rosas foi derrotado pelo general Justo José de Urquiza (1801-1870) com o apoio do Brasil, na Batalha de Monte Caseros (Correio da Tarde, de 24 de fevereiro de 1952).
Início da telegrafia elétrica no Brasil. Telegramas foram trocados entre o imperador, que se encontrava na Quinta de São Cristóvão, e o ministro da Justiça, Eusébio de Queiroz (1812 – 1868), e o professor Guilherme Schüch de Capanema (1824 – 1908), que estavam no Quartel General, no Campo da Aclamação, atual Campo de Santana.
1854 – No Rio de Janeiro, instalação da iluminação à gás (Jornal do Commercio, de 25 de março de 1854, na penúltima coluna).
Inauguração da estrada de ferro que ligava a Corte à Petrópolis (Jornal do Commercio, de 1º de maio de 1854, na última coluna).
1855 - Em 17 de outubro, morte de Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho (1779 – 1855), a Dadama, aia e governanta de dom Pedro II, vitimada pela cólera-morbo (Diário do Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1855, na segunda coluna).
1856 – Dom Pedro II conheceu a tutora de suas filhas, a condessa de Barral, Luisa Margarida Portugal de Barros (1816 – 1891), por quem se apaixonou e se correspondeu intensamente ao longo de 26 anos de relacionamento. Cartas trocadas entre os dois estão disponíveis no Correio IMS: em 12 de junho de 1876, em 15 de março de 1877, em 29 de março de 1877 e em 7 de junho de 1880.
1857 – Foi criada a Imperial Academia de Música e a Ópera Nacional (Jornal do Commercio, de 7 de junho de 1857, sob o título “Publicações a pedido”).
1861 - Em dezembro, início da Questão Christie com o naufrágio e posterior pilhagem do navio inglês Prince of Wales nas costas do Rio Grande do Sul. O incidente diplomático envolvendo o Brasil Império e a Inglaterra foi batizado com esse nome porque o embaixador britânico no Brasil era William Dougal Christie (1816-1874).
1862 - Em 5 de dezembro, foram presos por terem causado distúrbios três oficiais da fragata inglesa Fort. Eles estavam bêbados e à paisana. O embaixador Christie exigiu a punição do chefe da polícia. Também cobrou o pagamento da indenização de 6 mil libras esterlinas pela pilhagem do navio inglês Prince of Wales. Esse fato teria gerado, segundo o historiador Bóris Fausto, um clima de “exaltação patriótica”. Houve manifestações populares contra a Grã-Bretanha, no Rio de Janeiro
1863 – Em janeiro, o governo brasileiro não atendeu às exigências de Christie e a Marinha inglesa fundeada no Rio de Janeiro bloqueou a baía de Guanabara e apreendeu 5 navios brasileiros. Sob protesto, em 26 de fevereiro, o Brasil pagou a indenização pelo Prince of Wales e Christie foi obrigado a deixar o país. O governo imperial brasileiro rompeu relações diplomáticas com a Inglaterra, em 25 de maio, pela ausência de desculpas do governo britânico.
1864 – Em 15 de outubro, casamento da princesa Isabel com o conde d´Eu (Diário do Rio de Janeiro, edição de 16 de outubro de 1864) e, em 15 de dezembro, casamento da princesa Leopoldina com o duque de Saxe (Diário do Rio de Janeiro, de 16 de dezembro de 1864). O conde d´Eu e o duque se Saxe eram primos.
O Paraguai declarou guerra ao Brasil, em dezembro.
1865 – Em 1º de maio, foi assinado o Tratado da Tríplice Aliança – Argentina, Brasil e Uruguai – contra o Paraguai.
Em 10 de julho, dom Pedro II foi para o teatro de operações da Guerra do Paraguai.
Em 23 de setembro, as relações diplomáticas entre o Brasil e a Inglaterra foram reatadas (Jornal do Commercio, de 5 de outubro de 1865, na sétima coluna, sob o título “27 de setembro”).
1870 - Solano López morreu e a Guerra do Paraguai terminou (O Paiz, suplemento de 14 de abril de 1870).
1871 – Em 7 de fevereiro de 1871, a filha de Dom Pedro II, a princesa Leopoldina de Saxe-Coburgo faleceu, em Viena (Diário de Notícias, de 7 de março de 1871).
Em 28 de de setembro de 1871, foi promulgada a Lei do Ventre Livre (Diário do Rio de Janeiro, edição de 30 de setembro de 1871).
1871 / 1872 – Em 25 de maio de 1871, dom Pedro II viajou pela primeira vez para a Europa e para o Oriente Médio. A princesa Isabel tornou-se, pela primeira vez, regente provisória. Em Lisboa, seu primeiro destino, Dom Pedro visitou dona Amélia, viúva de dom Pedro I, no palácio das Janelas Verdes. Conheceu diversos intelectuais portugueses, entre eles, Alexandre Herculano (1810 – 1877). Depois foi à Espanha, à França, onde encontrou a condessa de Barral e o filósofo Arthur de Gobineau (1816 -1882); à Inglaterra, à Bélgica, à Alemanha, onde conheceu o compositor Richard Wagner (1813 – 1883); à Áustria, à Itália, ao Egito, à Creta e à Suíça. Em 31 de março de 1872, retornou ao Rio de Janeiro (Diário do Rio de Janeiro, 1º de abril de 1872), trazendo o duque de Saxe, viúvo de de sua filha Leopoldina, e seus dois netos, Pedro Augusto (1866 – 1934) e Augusto Leopoldo (1867 – 1922), que seriam educados no Brasil.
1874 – Em 22 de junho, foi efetivada a ligação do Brasil a Portugal por telégrafo.
Teve início a revolta do Quebra-Quilos, quando várias cidades do nordeste se rebelaram contra o decreto que impunha a implantação de um novo sistema métrico. No ano seguinte, com a forte repressão promovida pelo governo imperial, a região foi pacificada.
1876 – Em março, dom Pedro II viajou para os Estados Unidos e para a Europa. Embarcou no Rio de Janeiro, no navio americano Hevelius, sob o comando do capitão Markwell (Diário do Rio de Janeiro, 26 de março de 1876, na terceira coluna). Acompanhando a comitiva real, estava o repórter J. O´Kelly, do jornal New York Herald. Chegou em Nova York, em 15 de abril. Visitou outras cidades como Chicago, Pittsburg e Washington. Inaugurou a Exposição da Filadélfia, que abriu ao lado do presidente Ulysses S. Grant (1822 – 1885), em 10 de maio, em meio a uma multidão de cerca de 200 mil pessoas. A cerimônia de abertura terminou no pavilhão de máquinas e equipamentos com Grant e Dom Pedro II acionando o motor a vapor Corliss Steam Engine. Na exposição, conheceu os cientistas Thomas Edison (1847 – 1931) e Grahan Bell (1847 – 1922), que apresentou ao imperador sua invenção – o telefone. Foi também à Niagara Falls. Em 12 julho, partiu para a Europa no vapor Russia, da Cunard Line: foi a Londres e Bruxelas, onde encontrou o famoso médico francês Jean-Marie Charcot (1825 – 1893). Deixou a imperatriz Teresa Cristina em Gastein, na Áustria, para tratamento de saúde, e partiu para a Grécia. No Oriente, a imperatriz e a condessa de Barral o encontraram. Foi à Roma, Viena e Paris, onde conheceu os intelectuais Jean Louis Quatrefages (1810 – 1892), Ernest Renan (1823 – 1892), Louis Pasteur (1822 – 1895) e Victor Hugo (1802 – 1885). Retornou em setembro.
1877 – Por ordem de dom Pedro II, foram instaladas linhas telefônicas entre as residências dos ministros e o palácio da Quinta da Boa Vista.
O New York Herald relembrou a visita de Pedro II aos Estados Unidos, e apresentou a seguinte proposta: “Para nossa chapa Centenária, indicamos Dom Pedro II e Charles Francis Adams, para presidente e vice-presidente. Estamos cansados de gente comum, e sentimo-nos dispostos a apoiar gente de estilo”. O advogado, político, diplomata e escritor americano Charles Frances Adams ( 1807 – 1886) era neto do presidente John Adams e filho do presidente John Quincy Adams.
1878 – Dom Pedro II viajou para a província de São Paulo.
1879 – Inauguração da iluminação elétrica na Estação Central da Estrada de Ferro Dom Pedro II.
Em 28 de dezembro de 1879, início no Rio de Janeiro da Revolta do Vintém, contra a cobrança de um tributo instituído pelo ministro da fazenda, o visconde de Ouro Preto, Afonso Celso de Assis Figueiredo (1836 – 1912), de vinte réis, ou seja, um vintém, nas passagens dos bondes. O ministério, desmoralizado, caiu no ano seguinte e o imposto foi revogado.
1880 – Criação da Telephone Company of Brazil, primeira companhia telefônica nacional.
Dom Pedro II viajou ao Paraná.
1881 – Em 9 de janeiro, aprovação da Lei Saraiva, que estabeleceu o voto direto e proibiu o voto dos analfabetos.
Dom Pedro II viajou para Minas Gerais.
1882 – Caso do “Roubo das jóias da Coroa”: na madrugada de 17 para 18 de março de 1882, um ladrão invadiu o Palácio de São Cristóvão, residência da família imperial, e roubou todas as jóias da imperatriz Teresa Cristina e da princesa Isabel. O tesouro foi avaliado em 400 contos de réis – verdadeira fortuna na época (Gazeta de Notícias, de 19 de março de 1882, na primeira coluna). As jóias foram encontradas dias depois na casa de um ex-empregado do palácio, Manuel de Paiva (Gazeta de Notícias, de 22 de março de 1882, na segunda coluna).
1883 – A cidade de Campos (RJ) tornou-se o primeiro município da América do Sul a receber iluminação elétrica pública.
Início da Questão Militar, uma série de conflitos entre autoridades da monarquia e os oficiais do Exército brasileiro, que fortaleceu a campanha republicana.
1885 – Promulgação da Lei dos Sexagenários, em 28 de setembro.
1887 / 1888 – Em 30 de junho de 1887, dom Pedro II viajou pela terceira vez para a Europa. Seu primeiro destino foi Portugal. De lá, seguiu para Paris. Aconselhado por médicos, seguiu para Baden-Baden, e retornou a Paris, onde visitou intelectuais, entre eles, Louis Pasteur. Fez um cruzeiro pela Riviera italiana e foi para a estação de cura de Aix-les-Bains, na França. Também visitou, atendendo a um desejo de sua esposa, dona Teresa Cristina Maria, as ruínas de Pompeia (Gazeta de Notícias, 17 de junho de 1888, quarta coluna). Em 22 de agosto de 1888, retornou ao Rio de Janeiro (Gazeta de Notícias, 23 de agosto de 1888, primeira coluna).
1888 – Foi abolida a escravidão no Brasil, em 13 de maio de 1888 (O Paiz, de 14 de maio de 1888).
1889 – O imperador Pedro II sofreu um atentado (Gazeta de Notícias, de 17 de julho de 1889, na penúltima coluna).
Em 9 de novembro, foi realizado o baile da Ilha Fiscal (Gazeta de Notícias, de 11 de novembro de 1889), que passou à história como o último baile da monarquia no Brasil.
Em 15 de novembro, foi proclamada a República (Gazeta de Notícias, 16 de novembro de 1889). Quando foi deposto, dom Pedro II tinha governado por 49 anos, três meses e 22 dias. Só foi superado pela rainhas Vitória (1819-1901) e Elizabeth II (1926-), ambas da Inglaterra.
Em 17 de novembro, a família real partiu para o exílio, na Europa, a bordo do Alagoas (Gazeta de Notícias, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna).
Chegaram em Lisboa em 7 de dezembro. Visitaram Coimbra e o Porto, onde a imperatriz Teresa Cristina faleceu, em 28 de dezembro.
1890 / 1891 – Pedro II passou esses anos entre Cannes, Vichy, Versalhes e Baden-Baden.
1891 – Em 14 de janeiro, faleceu a Condessa de Barral, em Paris (Diário de Notícias, 16 de janeiro de 1891).
Em 24 de outubro, Dom Pedro II chegou em Paris, onde se hospedou no Hotel Bedford, número 17 da rua de l’Arcade.
Em 5 de dezembro, faleceu, de pneumonia (O Paiz, de 6 de dezembro de 1891, e Gazeta de Notícias, de 6 de dezembro de 1891). Tradução do registro de morte do imperador:
‘Nós, abaixo assinados, Professores da Faculdade de Medicina e doutores em medicina, certificamos que Dom Pedro II d’Alcantara morreu em 5 de Dezembro de 1891 à meia noite e 35 (da manhã) no hotel Bedford, 17 rue de l’Arcade, em Paris, em conseqüência de uma pneumonia aguda do pulmão esquerdo.
Paris, 5 de dezembro de 1891
J.M Charcot
C. de Motta Maia Bouchard‘
Link para o registro da morte de Pedro II.
1920 – Foi anulado o decreto que bania a Família Imperial do Brasil.
1921 - Chegaram no Rio de Janeiro os corpos de dom Pedro II e de dona Teresa Cristina, que estavam no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa (O Paiz, de 9 de janeiro de 1921). Ficaram na Catedral Metropolitana.
1925 – Os restos mortais dos monarcas foram para a Catedral de Petrópolis.
Foi publicada em O Jornal, primeiro órgão de comunicação dos Diários Associados, uma edição comemorativa pelo centenário de nascimento de d. Pedro II, com um artigo escrito pelo proprietário do grupo, Assis Chateaubriand, intitulado “Professor de elites – A obra mais interessante de Pedro II consistiu na formação das elites no Brasil” (O Jornal, 2 de dezembro de 1925).
1939 – Em 5 de dezembro, foram para o Mausoléu Imperial, uma capela localizada à direita da entrada da Catedral de Petrópolis, numa cerimônia na qual estava presente o presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954). O túmulo foi esculpido em mármore de Carrara pelo francês Jean Magrou (1869 – 1945) e pelo brasileiro Hildegardo Leão Veloso (1899 – 1966) (Jornal do Brasil, de 6 de dezembro de 1939).
Para a elaboração dessa cronologia, além da pesquisa em inúmeros jornais da Hemeroteca da Biblioteca Nacional, a Brasiliana Fotográfica também se valeu, principalmente, dos livros Pedro II: ser ou não ser, de José Murilo de Carvalho, e As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos, de Lilia Moritz Schwarcz.
Andrea C. T. Wanderley
Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica
Bibliografia:
BESOUCHET, Lídia. Exílio e morte do Imperador. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1975
CARVALHO, José Murilo. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
FLETCHER, James Cooley ; KIDDER, Daniel Parrish. O Brasil e os brasileiros. Brasil: Companhia Editora Nacional, 1941.
HARING, Bertita. O Trono do Amazonas – a história dos Braganças no Brasil – José Olympio, RJ, 1944.
PAGANO, Sebastião. Eduardo Prado e Sua Época – O Cetro, SP, 1960.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
VASQUEZ, Pedro Karp. O Brasil na fotografia oitocentista. São Paulo: Metalivros, 2003.
VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1985.
WILLIAMS, Mary Wilhelmine. Dom Pedro the Magnanimous – the second emperor of Brazil. Oxon, Inglaterra: Frank Cass & Company Limited, 1966.
Outras fontes:
Artigo de Fabiana Rodrigues Dias: Polifonia e consenso nas páginas da Revista do IHGB: a questão da mão de obra no processo de consolidação na nação, na revista História da Historiografia, de setembro de 2010.
Artigo de Mauro Costa da Silva e Ildeu de Castro Moreira: A introdução da telegrafia elétrica no Brasil (1852-1870), publicado na Revista da SBHC, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 47-62, jan | jul 2007
Site da Câmara dos Deputados
Site do Ministério das Relações Exteriores
Site da MultiRio
Tese de doutorado de Lygia Segalla: Victor Frond – Luzes sobre um Brasil pitoresco, 2007.
18.2.19
Dom Pedro II ( RJ, 2/12/1825 – Paris, 5/12/1891), um entusiasta da fotografia
NDEPENDÊNCIA DO BRASIL POR MOREAUX Obrigado por compartilhar. Lembre-se de citar a fonte: http://ensinarhistoriajoelza.com.br/independencia-do-brasil-por-moreaux/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues
François-René Moreaux Nascido em 1807, em Rocroy, na França, François-René Moreaux se especializou como pintor de História e de paisagismo em uma época que vigorava o romantismo nas artes e literatura. A tela A proclamação da Independência, de 1844, foi feita a pedido do Senado Imperial e encontra-se hoje, no Museu Imperial de Petrópolis, Rio de Janeiro. Suas dimensões são grandes: tem 2,44 m x 3,83 m, sem contar a moldura. O quadro agradou a família imperial e aproximou Moreaux definitivamente da Corte. Pelo quadro A sagração de S.M. Dom Pedro II recebeu o Hábito da Ordem de Cristo. 
A proclamação da Independência, de François-René Moreaux, 1844. Museu Imperial de Petrópolis, Rio de Janeiro.
A independência de Moreaux No centro da tela, o príncipe D. Pedro, tal qual uma estátua equestre, com a mão direita erguida, agita seu chapéu bicorne. A figura é destacada da multidão pela luz que incide sobre o príncipe e o cavalo
A comitiva de D.Pedro está afastada dele, ao fundo da tela e alguns também erguem seus chapéus. A multidão na frente do príncipe – crianças, mulheres e homens – pouco se assemelha à população brasileira. Parece-se mais com a população rural da Europa. Os personagens congratulam-se, acenam, trocam abraços, correm. É uma festa popular, mas sem negros, mulatos nem índios que não foram retratados na tela. Duas figuras morenas se destacam na multidão, mas é difícil reconhecer de que grupo social se trata. A paisagem ao fundo é indefinida. Somente as palmeiras sombreadas fazem alusão de um lugar nos trópicos. Todo conjunto remete mais à imaginação do que à realidade o que, aliás, é característico da arte romântica, em voga na época. Uma cena idealizada que mostra um príncipe aclamado pelo seu povo e cavalgando entre a massa popular branca e europeizada.
Crianças que se assemelham a figuras europeias. “A proclamação da Independência”, de Moreaux, 1844.
Os trajes misturam estilos e lugares diferentes. Uma figura morena destaca-se na multidão branca. “A proclamação da Independência”, de Moreaux, 1844.
Personagem moreno, talvez um gaúcho. “A proclamação da Independência”, de Moreaux, 1844
Contexto histórico A França da época de Moreaux vivia tempos tumultuados. Em 1830, uma rebelião liberal derrubara a monarquia e Luis Felipe I ascendeu ao poder com o apoio da alta burguesia. Mas o novo rei não conseguiu restabelecer a ordem, enfrentou rebeliões favoráveis à volta dos Bourbons e dos republicanos (1830-1840), além de atentados contra sua vida que o levou a aplicar medidas severas e restritivas das liberdades. Moreaux chegou ao Brasil em 1838 e por aqui ficou até o final de seus dias, falecendo em 1860. O Brasil passava, então, pela consolidação da monarquia, após o tumultuado período das Regências. Ao contrário do que acontecia na França, o monarca brasileiro era popular e querido pelos brasileiros. A antecipação da maioridade, em 1840, foi comemorada com a esperança de novos tempos de paz e prosperidade. Vivendo na corte imperial, Moreaux assistiu a importantes festejos oficiais: o ritual de sagração e coroação de D. Pedro II, marcado pela pompa e ostentação; o casamento do imperador com Teresa Cristina, de Nápoles e ainda aos casamentos das princesas imperiais com nobres europeus. A monarquia brasileira firmava, assim, vínculos mais sólidos com as realezas europeias, apesar de reinar em um país de mestiços. Esse clima otimista deve ter influenciado o artista ao retratar D. Pedro I como um herói popular. O nome da tela reforça essa ideia, afinal “proclamar” é um anúncio solene, feito publicamente e que pressupõe um certo consenso. A proclamação da independência torna-se, assim, um gesto liberal, bem ao gosto da época, diferente de O Grito do Ipiranga, título do quadro de Pedro Américo.
D. Pedro aclamado por populares.
Fonte SCHWARCZ, Lilia. Reino da imaginação. Revista de História, 16/09/2009. CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. FRIEDLANDER, Walter. De David a Delacroix. São Paulo: Cosac & Naify, 2003
Fonte: http://ensinarhistoriajoelza.com.br/independencia-do-brasil-por-moreaux/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues
O coração de D. Pedro I (fatos e fotos)
Depois da repercussão da análise dos restos mortais de Dom Pedro I (do Brasil) e de suas duas mulheres (Maria Leopoldina de Áustria e Amélia de Leuchetenberg), o coração do imperador, doado à Igreja da Lapa, na cidade portuguesa do Porto, também deve ser estudado. Os vídeos estão no final da postagem.
Textos retirados do Jornal O Estado de São Paulo (fevereiro de 2013). Autores Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise.
Os exames – realizados em sigilo entre fevereiro e setembro de 2012 pela historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, com o apoio da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) – revelam fatos desconhecidos sobre a família imperial brasileira, agora comprovados pela ciência, e compõem retrato jamais visto dos personagens históricos.
Agora se sabe que o imperador tinha quatro costelas fraturadas do lado esquerdo, o que praticamente inutilizou um de seus pulmões – fato que pode ter agravado a tuberculose que o matou, aos 36 anos, em 1834. Os ferimentos agora constatados foram resultado de dois acidentes a cavalo (queda e quebra de carruagem), ambos no Rio, em 1823 e em 1829. O estudo também desmente a versão histórica – já próxima da categoria de “lenda” – de que Dona Leopoldina teria caído, ou sido derrubada, de uma escada no palácio da Quinta da Boa Vista, então residência da família real. Segundo a versão, corroborada por historiadores como Paulo Setúbal, ela teria fraturado o fêmur. Nas análises no Instituto de Radiologia da USP, porém, não foi constatada nenhuma fratura nos ossos da imperatriz.
Uma vez removidos os tampões de granito de 400 quilos que cobriam os caixões de Dom Pedro I e de Dona Leopoldina, e aberto o nicho de parede de Dona Amélia, os pesquisadores fizeram uma lista minuciosa do que havia dentro de cada urna. Encontraram medalhas e insígnias de ordens de Portugal, jóias de surpreendente baixa qualidade e até cartões de visita deixados por gente que acompanhou os traslados dos corpos até o Ipiranga.
Sabe-se agora que a roupa militar com que Dom Pedro I foi enterrado – túnica provavelmente marrom e calça branca – tinha, ao todo, 54 botões, a maioria de metal, com brasão da coroa portuguesa em alto relevo. Ele usava botas, que se decompuseram quase completamente por causa da umidade: restaram dois saltos de couro e duas esporas de metal. Havia também botões feitos de osso, usados na época principalmente em cuecas.
Trouxe surpresa à arqueóloga o fato de que não havia nenhuma comenda de ordens brasileiras entre as insígnias com que o imperador foi enterrado. “Esperava pelo menos a Ordem da Rosa, criada pelo próprio Dom Pedro I aqui no Brasil, para homenagear Dona Amélia. Foi uma pequena decepção”, diz a historiadora e arqueóloga Valdirene Ambiel, responsável pelas pesquisas na tumba.
Na conclusão do mestrado, a pesquisadora afirma que, “com base no histórico de fraturas e nas comendas encontradas, não há dúvidas” de que os restos mortais são de Dom Pedro I, mesmo antes dos futuros exames de DNA. Entre as comendas “comprobatórias” da identidade está o Tosão de Ouro, ordem de cavalaria fundada no século 15 e concedida apenas a soberanos e seus filhos.
Há também duas comendas da Ordem da Torre e da Espada – em uma delas, consta a reprodução da constituição portuguesa, uma reformulação proposta pelo próprio Dom Pedro I em referência a mudanças que fez na Carta Magna de Portugal em 1832 e que foi concedida a ele pouco antes de morrer. A placa, agora restaurada, estava em seis pedaços. Havia ainda uma comenda criada pela avó de Dom Pedro I, chamada Banda das Três Ordens, e duas reproduções da coroa de Portugal, como parte dos galões de ombro do imperador.
Todo o material encontrado em Dom Pedro I era feito de metal não nobre – ou latão, ou cobre – exceto o par de abotoaduras de punho, forjadas em ouro. Em meio ao material histórico, houve espaço para curiosidades mais recentes: dentro do caixão do imperador foram colocados 24 cartões de visita, de militares, dentistas, diplomatas, farmacêuticos, brasileiros e portugueses. “Foram colocados ali durante o traslado dos restos do imperador para o Brasil, em 1972. É gente que gostaria de ser ‘lembrada’, mas não será: não vamos divulgar os nomes”, diz a pesquisadora.
As vestes de Leopoldina. Outra conclusão interessante do trabalho de arqueologia na cripta é a forma como a imperatriz Leopoldina foi enterrada: com o mesmo vestido com que foi coroada, em 1822, inclusive com a faixa de imperatriz do Brasil. Ao verificar o resultado dos exames de ressonância magnética feitos na imperatriz no HC, os pesquisadores constataram detalhes dos ornamentos em prata envolvendo todos os restos mortais e, ao comparar com um dos retratos da imperatriz (de Simplício de Sá, pintado em 1826), perceberam a semelhança.
“Como era metal, aparecia claramente o bordado com fios de ouro e prata nas vestes de Leopoldina. Ficou interessante, porque o tomógrafo consegue fatiar a imagem de modo que só apareça esse bordado”, conta o médico Carlos Augusto Pasqualucci, diretor do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) da capital e professor da Faculdade de Medicina da USP, que acompanhou a tomografia. “Quando estava saindo, alguém me chamou. Pegaram um livro com um retrato dos imperadores e o traje de gala dela tinha exatamente o mesmo bordado. Era a carteira de identidade da Leopoldina.”
Os brincos de Leopoldina – que tinham um “L” estilizado gravado em cada um dos pares – também representaram uma surpresa para os pesquisadores. Apesar de os aros de metal serem de ouro (provavelmente 18 quilates), as gemas – que, esperava-se, seriam pedras preciosas – eram simples, feitas de resina. Uma “bijuteria”, como classificaram, meio de brincadeira, os pesquisadores. “Não era algo comum, principalmente para a realeza. É que nossa imperatriz jamais será conhecida pela vaidade, a menos que seja pela ausência dela”, justificou Valdirene. “Eu fiquei duvidando na época, mas realmente foi constatado que as supostas gemas eram de resina”, disse o perito e gemólogo Valter Muniz, que realizou a análise e higienização do material.
Leopoldina também vestia o mesmo toucado verde de penas com que foi retratada por Simplício de Sá – apesar da ausência total do penacho, notavam-se os mesmos ornamentos metálicos e a cor verde do toucado. A imperatriz foi enterrada com sapatilha simples e sem saltos.
O inventário do que foi encontrado dentro do caixão de Dona Amélia é o mais enxuto entre os três: a imperatriz mumificada estava coberta por duas mantas de um tecido que lembra seda (colocado na época em que foi trasladada para a cripta, em 1982). Amélia vestia roupas negras e simples e segurava um crucifixo. “É o mesmo com que ela foi retratada, em uma fotografia raríssima que está em meu trabalho. E é negro em sinal de um luto que ela guardou por 42 anos, desde que Dom Pedro I morreu, em 1834, até sua morte, em 1876”, explica Valdirene.
No caso da segunda mulher de Dom Pedro I, Dona Amélia de Leuchtenberg, a descoberta mais surpreendente veio antes ainda de que fosse levada ao hospital: ao abrir o caixão, a arqueóloga descobriu que a imperatriz está mumificada, fato que até hoje era desconhecido em sua biografia. O corpo da imperatriz, embora enegrecido, está preservado, inclusive cabelos, unhas e cílios. Entre as mãos de pele intacta, ela segura um crucifixo de madeira e metal.
As causas exatas da mumificação de d. Amélia ainda estão sendo investigadas – não era comum entre a nobreza de Portugal que mulheres recebessem tratamento para ficarem preservadas. “Pode ter sido um ‘acidente de percurso’. Ela foi tratada para ficar conservada alguns dias, para o funeral, e isso acabou inibindo o processo de decomposição”, diz Valdirene. Os exames no Hospital das Clínicas revelaram uma incisão na jugular da imperatriz. Por ali, foram injetados aromáticos como cânfora e mirra. “No caso de d. Amélia, havia um forte odor de cânfora quando abrimos o caixão. Certamente, ajudou a anular o processo de decomposição.” Também contribuiu para a mumificação, segundo a pesquisadora, a ausência de fatores para a decomposição. “A urna foi tão hermeticamente lacrada que não havia microorganismos para realizar a decomposição. É irônico que tenha acontecido justamente com Amélia, que pediu expressamente um funeral simples, nos quais não se costumava preparar os mortos para preservação”, explica Valdirene, referindo-se ao testamento de Amélia de Leuchtemberg, no qual consta o pedido de um funeral sem ostentações. O documento, porém, só foi lido após o enterro, quando a mumificação já havia sido preparada. Após passar pelo aparelho de tomografia do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas e de receber uma biópsia, a imperatriz foi “remumificada” – ela recebeu novo processo de embalsamamento, semelhante ao qual havia passado 136 anos antes. Valdirene também foi a responsável por preparar e aplicar na múmia uma solução semelhante à usada em Portugal no século 18 (500g de naftalina, 500g de cânfora, 300g de manganato de potássio, 2,5 litros de álcool a 92%, 2 litros de formol e 500g de timol). Com gaze e algodão, passou a mistura em todas as partes visíveis da imperatriz – face, pés, mãos e pescoço. “Também passamos a solução nas laterais do corpo preservado, para que receba o tratamento por absorção. Nas costas ficou do jeito que estava, já que não podíamos levantá-la do caixão”, conta a arqueóloga.
Fonte: https://historiacantada.wordpress.com/2013/07/27/264/
Força Expedicionária Brasileira - FEB
Brasileira. Tal operação contaria com o reforço da considerável Artilharia do V Exército e o valioso auxílio da Aeronáutica, inclusive da FAB. Assim, na manhã de 16 de fevereiro de 1945, uma conferência de altos chefes militares se realizou no QG do IV Corpo, em Lucca. Achavam-se presentes nessa reunião os generais Crittenberger, Mascarenhas de Moraes, George Hays e William Crane, respectivamente comandantes do IV Corpo de Exército, 1ª DIE, 10ª Divisão de Montanha e Artilharia do IV Corpo, assistidos por vários oficiais de menor patente. Foram apreciados nessa conferência os pontos mais importantes do ataque conjunto da 1ª DIE e 10ª Divisão de Montanha e combinados os entendimentos entre os chefes dessas duas Unidades.
u brilhantemente o desenvolver da ação. Ao cair da noite de 5 de março, cerca de 19 horas, penetravam vitoriosos em Castelnuovo os primeiros elementos do 6º RI. No dia seguinte, o general Crittenberguer comunicou que cessara a chamada "Ofensiva do IV Corpo", por ordem do V Exército. As forças do V Exército passariam a dispor de esplêndida base para desfechar o golpe final sobre Bolonha. Por sua vez, o IV Corpo liberava as comunicações dos vales doSilla e Reno das vistas e fogos do inimigo. O êxito da Ofensiva do IV Corpo de Exército promoveu um grande entusiasmo das tropas aliadas da Itália.
divisionário do observatório de Sassomolare. A reserva, nas mãos do comandante da 1ª DIE e com o valor global de quatro Batalhões, não só seria empregada na alimentação do ataque ao maciço de Montese, mas também seria destinada ao prolongamento do flanco oriental (direito) da Divisão e ao aproveitamento do êxito até o rio Panaro. As forças do IV Corpo de Exército iniciaram a fulminante Ofensiva da Primavera na memorável jornada de 14 de abril de 1945. O 11º RI, encarregado do ataque a Montese, coberto à direita pelo II Batalhão do Regimento Sampaio, iniciou às 10:15h a sua ação de patrulhas que conseguiram atingir os objetivos designados. O ataque propriamente dito teve início às 13:30h, precedido de compacta preparação de artilharia e contando ainda com o apoio de blindadas efumígenos. Por volta de 15 horas o I/11º RI conseguiu penetrar na vila de Montese, desorganizando e envolvendo as resistências antagônicas. Os blindados americanos, seguidos pela infantaria brasileira, atingiram, pouco antes das 18 horas, a encosta meridional de Montebuffone, ao norte deMontese. Revestiu-se de manifesta dureza a jornada de 14 de abril, que assinalou a memorável conquista de Montese, cuja posse vai-se manter através de cruenta luta . Impunha-se ainda a conquista das alturas de cota 927 e Montelo, para cobrir o avanço da 10ª Divisão de Montanha, contra as vistas e os fogos inimigos. Diante da situação ainda confusa, o 11º RI, dado a seu elevado estado moral, teve ordem de continuar o ataque na jornada de 15. As 11:45h desse dia as nossas posições se desafogaram com a tomada de Montebuffone e cota 788. Ao entardecer do dia 15, a Divisão Brasileira recebeu a missão de manter suas atuais posições e prolongar a sua frente para leste. A resistência obstinada do inimigo causou à nossa tropa um elevado número de baixas e um extremo cansaço, o que levou o chefe divisionário brasileiro a determinar a substituição do III/11º RI pelo 6º RI, então a dois batalhões. Na jornada de 16 os alemães desarticularam por três vezes a tomada do dispositivo do III/6º RI, por efeito das marteladas de sua artilharia que transformavam Montese em um verdadeiro inferno. No dia 17 recebeu o comando brasileiro a ordem do IV Corpo para não mais atacar. Os episódios que se desenrolaram em torno da tomada e posse definitiva de Montese, foram extremamente sangrentas, porém decisivos para o êxito da manobra do IV Corpo de Exército. Nessas jornadas severas, vividas sob os mais pesados bombardeios, glorificaram-se os soldados do Brasil pela sua resistência e capacidade combativa.

cavaleiro da estrada Medesano-Felegara-Fornovo, investindo sobre o inimigo. À noite, o inimigo, já contraíra o seu dispositivo, adentrando-se na área de Fornovo. A tropa brasileira, apesar do escuro da noite, decidiu-se a segui-lo de perto, aumentando a pressão. Horas depois, na madrugada de 29 de abril, tinha começo o espetacular episódio da rendição incondicional da 148ª DI Alemã e dos remanescentes da 90ª Divisão Blindada e Divisão Bersaglieri Itália. A 1ª DIE realizou um singular feito d'armas, que foi o cerco e aprisionamento de uma Divisão inimiga com a totalidade de seus meios de vida e de combate. Nesse famoso episódio da Campanha da Itália capturamos 14.779 prisioneiros, entre os quais figuravam dois generais e mais de oitocentos oficiais. Apreendemos também cerca de oitenta canhões, um milhar de viaturas automóveis, duas centenas de veículos de tração animal, quatro mil cavalos, grande quantidade de armas automáticas, fuzis e outros equipamentos vitais. As nossas baixas foram de 5 mortos e 50 feridos.
o de uma política de congraçamento com o povo, o comando brasileiro soube considerar e empregar os nobres sentimentos do nosso militar. Ao lado das afinidades raciais, lingüísticas e culturais, a tarefa de congraçamento encontrou, no elevado grau de disciplina da tropa e excelentes qualidades morais de nossos oficiais e praças, os fatores precípuos de sua concretização efetiva. Finalmente, a impressão deixada pela Força Expedicionária Brasileira foi a mais lisonjeira possível. Para corroborar esta afirmação, basta rememorar a visita que o General Mascarenhas de Moraes fez ao Príncipe Umberto de Savóia, chefe do Governo Italiano, por ocasião do seu retorno ao Brasil. Nessa oportunidade, o comandante da FEB teve a particular satisfação de ouvir daquele Regente palavras altamenteelogiosas à conduta das tropas brasileiras, durante todo o tempo que permaneceram naquele Teatro de Operações. A missão de Ocupação militar por parte da Divisão Brasileira terminou a 20 de junho, data em que o último elemento da tropa brasileira deixou a zona ocupada.
para ser transportada, por mar, da Itália ao Brasil. Todos os Escalões foram recebidos pelas populações do Rio de Janeiro e dos Estados entre delirantes demonstrações de júbilo e ao calor apoteótico das ovações. O regresso da FEB, infelizmente, ainda não terminou. Meio milhar de expedicionários brasileiros jazem no Campo-Santo de Pistóia. Atestam os seus despojos, plantados no silêncio evocador de Pistóia, holocausto de uma nova floração guerreira, para elevar o prestígio do Brasil na Comunidade Continental e firmar, perante a Nação Brasileira, o valor do Exército de Caxias. Síntese de sacrifícios, os restos mortais das expedicionários, tombados nos campos de batalha do Serchio, Reno, Panaro e Pó, já se alinharam, pela bravura e origem comum, às cinzas dos heróis patrícios, que, no passado, morreram pela honra e soberania do Brasil.
participaram das mesmas glórias e arrostaram as mesmas vicissitudes. O contacto mantido entre Norte-Americanos e Brasileiros traduziu a confraternização de nossas armas e concretizou a identidade de nossos propósitos. Serviu para que os expedicionários conhecessem a têmpera, o descortino e o valor de ilustres chefes americanos. As figuras brilhantes e intrépidas de Mark Clark, Lucian Truscott e WillisCrittenberger, vinculando-se aos destinos de nossas armas, entraram, plenas de refulgentes serviços ao Brasil, nos fastos de nossa História Militar.














Processo de industrialização no Brasil – Resumo
Por Waltter Júnior
Pode se afirma que o processo de industrialização brasileiro foi lento e tardio. Mesmo após deixar de ser colônia de Portugal, o Brasil conservou suas raízes tipicamente agrárias até meados do século XIX, como esclarece Mendonça (2011):
O processo de industrialização no Brasil, e por conseguinte da mudança de uma sociedade rural e agrária para uma urbana e industrial, iniciou-se na segunda metade do século XIX, ganhou impulso nas primeiras décadas do século XX e teve um grande salto no período pós-Segunda Guerra Mundial.
Como colônia, o Brasil servia unicamente para fins de “exploração” por parte de Portugal, de maneira que o que era produzido aqui servia basicamente para o sustento da coroa portuguesa. Tal condição fincou raízes profundas ruralistas no país, de forma que o processo de industrialização tornou-se tardio e bastante lento, assim como assevera Mendonça (2011):
Até o século XVIII e início do XIX, o Brasil permaneceu atado aos interesses da metrópole, sofrendo, entre outras imposições, barreiras ao nosso desenvolvimento industrial.
Sem qualquer traço de industrialização à época, a agricultura foi, por anos, a única base produtiva do país, tendo a industrialização brasileira ocorrida de maneira tardia quando comparada a outros países. Em meados do século XIX, de maneira ainda lenta, iniciou-se o processo de industrialização brasileiro:
A segunda metade do século XIX marcou o início do processo de industrialização, com a implantação de diversas fábricas. A lavoura de café era uma realidade consistente, exigindo do governo diversas obras estruturais, como a instalação de rede de telégrafos, ferrovias e navegação. Proliferaram fábricas nacionais de tecidos, chapéus, sapatos, vidros, couros, sabão e cerveja para o consumo interno. O fim da escravatura, em 1888, e a proclamação da República, em 1889, consolidaram esse processo. Mendonça (2011).
Atualmente, pode-se afirmar que o Brasil é um país que, embora subdesenvolvido, possui boa base industrial, tendo a produção industrial representado, inclusive, boa parcela do PIB do país, de forma que:
A indústria é muito importante na produção de riquezas do Brasil, mensurada no Produto Interno Bruto (PIB), embora a liderança seja do setor de serviços. Em 2009, o PIB brasileiro atingiu 3,14 trilhões de reais, e a indústria foi responsável por 25,4% de todo esse valor. Mendonça (2011).
Em virtude de sua raiz totalmente agrária, sua industrialização tardia e também por condições geográficas, a agricultura ocupa ainda importante papel na economia brasileira. Tal enfoque pode ser caracterizado, por exemplo, pela crescente modernização dos processos produtivos no país, ou seja, a agricultura reveste-se de tamanha importância nas terras tupiniquins, que altos investimentos são realizados no setor, conforme Delgado (1985):
[…] são dois momentos históricos distintos no processo de modernização da agricultura. O primeiro refere-se ao aumento dos índices da tratorização e do consumo de fertilizantes de origem industrial. A utilização de forma ampla de bens, baseada na importação de bens de capital, modificou o padrão tecnológico da agricultura brasileira. Depois, a demanda de insumos e máquinas era satisfeita via importação. O segundo fenômeno refere-se à industrialização da produção agrícola com o surgimento, no final da década de 50, das indústrias de bens de produção e insumos. (DELGADO, 1985, p. 35).
Outros países em desenvolvimento parecem estar anos luz a nossa frente, não se sabe se pela nossa industrialização tardia ou por nossas características como país. Desde a década de 1990, tendo em vista a “abertura do mercado”, empresas multinacionais estabeleceram-se no país, aumentando a oferta de produtos e, também, a concorrência. Tal cenário tinha tudo para garantir um bom futuro àindústria brasileira, contudo, não é que está acontecendo.
Como vemos nos últimos anos, a indústria vem enfrentando certa “crise”, passando por momentos de estagnação ou mesmo decréscimo. Tal desempenho negativo pode levar o país ao colapso, assim como expõe artigo publicado no sitio do Valor Econômico:
A crise enfrentada pela indústria está chegando ao emprego e se não for revertida pode criar uma espiral negativa na economia, avaliou o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, ao apresentar os “Indicadores Industriais” de maio. “É muito difícil uma empresa manter seu quadro de funcionários se está há quatro anos sem crescer. Se começar a aumentar o desemprego, aí as expectativas vão cair ainda mais”, disse ele.
Dessa forma, conforme exposto, o Brasil teve formação fortemente rural e, de início, servia unicamente como fonte de produção de riquezas para a coroa portuguesa. Com sua independência e desenvolvimento, entrou em processo de industrialização, mas esse se deu de maneira lenta e tardia. Atualmente, talvez pela falta de competência administrativa do executivo federal, o país enfrenta grave crise no setor industrial, crise essa que pode, e deve, afetar outros setores da economia. Que consequências serão sentidas pela população? Só o tempo dirá.
Fonte:https://www.estudoadministracao.com.br/ler/processo-de-industrializacao-no-brasil-resumo/

