4.10.07

O PROGRESSO TÉCNICO NA IDADE MÉDIA

O PROGRESSO TÉCNICO NA IDADE MÉDIA
Ênio José Toniolo
Em geral, os historiadores mostram grande má vontade para com o período medieval: Teria sido uma época de superstição e atraso, estagnação e crueldade. É uma visão certamente preconceituosa, causada pelo ódio à influência exercida naquela época pela Igreja Católica tradicional, de cujo espírito estavam impregnadas, em maior ou menor grau, todas as instituições.
Todavia, a Idade Média foi época de muitos inventos, grandes e pequenos, de cuja origem às vezes não se suspeita. Vejamos, por exemplo, o setor de transportes.
Com o desenvolvimento dos mastros, a junção da vela latina e da vela quadrada, a multiplicação dos remadores nas galeras, o reforço do casco por meio de um esporão robusto, obtiveram-se melhores condições de nevegabilidade. (Perroy, 1957 : 177). Contudo, maior progresso alcançou-se no século XIII, ao generalizar-se o leme de cadaste, que veio substituir o pesado remo situado na popa do navio, permitindo uma direção mais segura de embarcações muito maiores. (Wolff, 1988: 146; Heers, 1968 : 255). “Devido à pressão exercida pela vela de proa sobre o leme, tornou-se necessário um certo contrapeso mais a ré. Isso levou ao acréscimo de um terceiro mastro na popa conhecido como mastro de mezena. A primeira ilustração datada de uma carraca de três mastros é de 1466. No final da Idade Média algumas dessas embarcações tinham 60 metros de comprimento com uma boca de 15 metros e uma capacidade de cerca de 1.400 toneladas.” (Hodgett, 1975 : 131) A invenção do leme (desconhecido na civilização greco-romana) e da bússola provocaram o ciclo das descobertas dos séculos XV e XVI. (Fonseca, 1958 : 273-274). É quando aparecem as primeiras cartas marítimas (Giordani, 1993 : 324), invenções que, associadas ao astrolábio, permitiram a navegação em alto-mar. (Vianna, 1962 : 620). Atribui-se ao Papa Silvestre II a invenção, ou talvez a introdução, a partir do mundo islâmico, do astrolábio “para medir a altura dos astros sobre o horizonte, da esfera sólida destinada a estudar os movimentos ce-lestes e do primeiro relógio mecânico acionado por pesos. As conseqüências foram incalculáveis.” (Puiggrós, 1965 : 173). O astrolábio, de início ainda rudimentar, aperfeiçoou-se pouco a pouco: Presença dos azimutes, aparecimento do ostensor, exatidão na graduação da eclíptica. (Beaujouan, 1959 : 130). Em 1434, surge a caravela em Valença. (Wolff, 1988 : 237). Nos Países Baixos, apareceu a eclusa; constituída por uma câmara com portas em cada extremidade, possibilitava a passagem da embarcação de um nível de água para outro. Canais e eclusas surgiram em Flandres e na Holanda já no século XII. (Hodgett, 1975 : 132).
No século XI, os europeus começaram a usar ferraduras nos animais; isto lhes aumenta a vida útil e, com a utilização da carreta de quatro rodas, possibilita um distanciamento maior entre a aldeia e os campos. (Silva, 1986 : 47). “Do século X ao século XII, generaliza-se no Ocidente o moderno atrelamento dos animais, a coelheira dura, os tirantes, a disposição em fila e a ferragem com pregos: desde então os cavalos podem tirar com toda a sua força e peso, em vez de erguerem a cabeça, semi-estrangulados, como ‘os altivos corcéis’ da Antiguidade. (...) o jogo dianteiro móvel data do século XIV e permitirá a tração das peças de artilharia recém-inventadas.” (Beujouan, 1959 : 143). A adoção generalizada da coelheira possibilitou o atrelamento aos arados de cavalos em lugar de bois, uma mudança que ocorreu por volta de 1200. Os bois também passaram a ser utilizados com maior eficiência através da invenção da canga frontal, pois esta deu-lhes mais força de tração que a anterior, presa nos chifres. (Hodgett, 1975 : 220). Surge um pequeno objeto, na aparência evidente — mas totalmente desconhecido na Antiguidade: o estribo, graças ao qual o cavaleiro podia empunhar a sua arma com muito mais força e confiança. (Trevor-Roper, 1966: 102-104).
A pavimentação das estradas, mais fácil e mais econômica, substitui com vantagem o lajeamento das vias romanas. O São Gotardo, por tanto tempo intransponível, transformou-se em via de trânsito, através da primeira ponte pênsil de que se tem conhecimento, datada provavelmente do início do século XIII. (Pirenne, 1982 : 39). Por outro lado, o túnel de estrada mais antigo, o do Monte Viso, com de cerca de cem metros, foi construído entre 1478 e 1480, com a finalidade de facilitar o transporte do sal da Provença. (Wolff, 1988 : 144). Foi inventado também esse aparelho extraordinário, o carrinho de mão, que permite a um homem realizar o trabalho de dois. (Fremantle, 1970 : 125; Vianna, 1962 : 621)
Nas cidades, a calçada destinada aos pedestres introduziu-se a partir de 1185 em Paris, 1235, em Florença, 1310, em Lübeck. (Mumford, 1965 : 401). As ruas largas não eram necessárias, “pois havia pouco tráfego sobre rodas, e nenhum exigia trânsito rápido.” (Hodgett, 1975 : 71). São também criações medievais a chaminé doméstica, a vela e o círio. (Vianna, 1962 : 621)
A partir do século X, os cursos d’água são regulados, cortados por desvios, barragens e quedas destinadas a movimentar moinhos de cereais e lagares. A roda d’água era tão utilizada que na Inglaterra de Guilherme o Conquistador (século XI) contavam-se cinco mil. Foi usada em toda a parte, para bombear água, serrar madeira, pulverizar o pigmento das tintas e o malte da cerveja, acionar máquinas, triturar minérios, forjar ferro, espichar arames... Com ela, a escavação das minas ultrapassou em muito os 800 metros de profundidade. (Puiggrós, 1965 : 179; Hodgett, 1975: 28). Aprimoraram-se as engrenagens e outros dispositivos mecânicos. Surge o fole com placas e válvulas. “No fim da Idade Média, o alto-forno possibilitou a fabricação do ferro fundido. Essa foi a invenção mais importante da indústria metalúrgica. O bronze, uma liga de cobre e estanho, com um ponto de fusão mais baixo que o ferro, era fundido desde os começos do século XII e utilizado na fabricação de sinos e estátuas.” (Hodgett, 1975 : 189). “A fabricação de um sino exigia técnica especial para que o mesmo produzisse um som adequado. O fundidor deveria, antes de iniciar o trabalho, calcular o tamanho do sino e as proporções exatas.” (Giordani, 1993 : 159).
A partir do século XII, explorou-se outra fonte de energia: o vento. Os moinhos de vento são mencionadas em Arles pela primeira vez entre 1162 e 1180. (Hodgett, 1975 : 222). No século XIII, já se comprova a existência de moinhos de maré na foz do Adour, perto de Bayonne. (Giordani, 1993 : 158).
O primeiro poço artesiano conhecido foi perfurado em 1126. Entre as inovações medievais, aparecem também a sericultura (introduzida na Sicília por volta de 1130), a falcoaria, o arenque defumado e a “champanhização” do vinho branco. (Beaujouan, 1959 : 144).
Na indústria doméstica, a roca substitui o fuso para enrolar a estriga. E a partir de 1280, “a roda de fiar ( provavelmente uma das grandes invenções da indústria têxtil) compete com a roca e o fuso, os quais possibilitaram às mulheres trabalhar enquanto supervisionavam outras atividades. No século XIV, o linho é pela primeira vez empregado na confecção de roupas brancas, em oposição aos grosseiros panos de lã até então usados, o que acarreta uma melhoria na higiene e o retrocesso da lepra; fornece também matéria-prima barata para a indústria papeleira trazida da China no século XIII. (Beaujouan, 1959 : 144; Hodgett, 1975 :161). A introdução do tear horizontal de pedal provavelmente triplicou a produtividade dos lanifícios. (Anderson, 1982 : 215). Em fins do século XII, surge um invento no processo de tecelagem da lã: O pisão, que substituiu a pisagem de pés humanos pela batida de martelo sobre o tecido. Um tambor giratório, preso ao eixo de uma roda d’água, acionava os martelos. Outra invenção foi a máquina cardadora, constituída por um conjunto de rolos com cardas, movimentado também pela força hidráulica. (Hodgett, 1975 : 160, 177). O moinho mecânico de dobar a seda parece ter surgido na Itália no fim do século XIII. (Wolff, 1988 : 100). Além disso, foram inventados o botão e a camisa.
O álcool aparece em Salerno por volta de 1110 e sua fabricação melhora rapidamente, com o emprego de desidratantes, como o carbonato de potassa. Além disso, a técnica da destilação aperfeiçoa-se, empregando-se o alambique clássico cujo escoadouro tubular, em forma de serpentina, mergulha numa cuba para a circulação da água. (Beaujouan, 1959 : 144-145). Em Toulouse, fabrica-se aguardente no começo do século XV, “o último grande século do comércio de vinho. Concorrentes vão aparecer e desenvolver-se: em primeiro lugar a cerveja, que se aprende a fabricar melhor na Alemanha no século XIV, com a utilização do lúpulo.” (Wolff, 1988 : 89).
Alberto Magno (1183-1280) conseguiu preparar a potassa cáustica. Foi o primeiro a descrever a composição química do cinabre, do alvaiade e do mínio. Raimundo Lúlio (1235-1315) preparou o bicarbonato de potássio. Teofrasto Paracelso (1493-1541) descreveu o zinco, desconhecido até então. Introduziu igualmente na medicina o uso dos compostos químicos.
Os óculos para corrigir a miopia aparecem por volta de 1285; primeiro, de cristal de rocha, depois de vidro. Nos séculos seguintes, outros artesãos iriam melhorar as lentes, de onde resulta-riam o telescópio e o microscópio. (Fremantle, 1970 : 149).
Os relógios mecânicos de peso difundem-se no fim do século XIII. No século XV surgem os relógios de areia, ou ampulhetas. (Wihthrow, 1993 : 119)
O estilo gótico, na arquitetura, surge como um progresso essencialmente técnico, que consistia numa diminuição das pressões exercidas pelas abóbadas, as quais podiam elevar-se pelo afilamento das flechas e o equilíbrio dos arcobotantes leves (filhos da ciência dos números, inven-tados em Paris em 1180 para erguer mais alto a nave de Notre-Dame) e colunas com coruchéus. As abóbadas atingem alturas cada vez maiores: 32 metros em Paris, 37 em Chartres , 42 em Amiens, 48 em Beauvais! Acessoriamente, a abóbada melhorava os valores acústicos dum edifício destinado à execução do canto coral. Por sua vez, o adelgaçamento das paredes fez desabrochar a técnica do vitral, cujo emprego fora até então limitado pela estreiteza das aberturas românicas; os vãos puderam alargar-se, havendo mais espaço para as janelas e, assim, as igrejas tornam-se mais iluminadas. No período que vai de 1170 a 1270 construíram-se na França mais de 500 grandes igrejas góticas. (Fremantle, 1970 : 127; Duby, 1979 : 121, 281; Perroy, 1957 : 166-167) . Aliás, a herança mais duradoura da Idade Média é sua arquitetura. Os castelos são em sua maioria ruínas impressionantes; as catedrais continuam de pé, desafiando os séculos. (Ferguson, 1970 : 220).
No domínio das obras públicas, mencionam-se as pontes com arcos em segmento, as comportas e as dragas. (Beaujouan, 1959 : 145-146)
A contabilidade ganha em clareza com a adoção do método veneziano das duas colunas, frente a frente (crédito e débito); mas sua transformação mais importante consistiu nas partidas dobradas que, provavelmente, surgiram simultaneamente em várias cidades italianas entre 1250 e 1350. Elas não precisarão sofrer, até o fim do século XIX, senão pequenas alterações de detalhe. A letra de câmbio aparece no século XIII. (Wolff : 1988 : 126). Os cambistas examinavam e pesavam as moedas; do “banco” onde eles realizavam essa operação surgiu a instituição bancária, e as variadas práticas financeiras nasceram desse serviço primitivo de câmbio de dinheiro. (Fremantle, 1970 : 74). O seguro marítimo está presente em documentos genoveses desde o século XII. (Pirenne, 1982 : 124).
As feiras, existentes desde o século XI, eram centros de intercâmbio em grande escala , que se esforçavam em reunir o maior número possível de homens e produtos. (Pirenne, 1982 : 102).
Foram fundadas no século XIII, algumas organizações postais privadas. Em 1357, dezessete companhias florentinas fundaram a ‘Scarsella dei Mercanti Fiorentini’ que mantinha, toda semana, um correio comum e nos dois sentidos com Avignon. Foi a primeira companhia postal conhecida, cujos estatutos foram conservados. (Wolff, 1988 : 156).
“Em 1305, para uniformizar as medidas em certos negócios, o rei Eduardo I, da Inglaterra, decretou que fosse considerada como uma polegada a medida de três grãos secos de cevada, colocados lado a lado. Os sapateiros ingleses gostaram da idéia e passaram a fabricar, pela primeira vez na Europa, sapatos em tamanho padrão, baseados no grão de cevada.” (Superinteressante, São Paulo, 2 : 13, fev. 1988).
A obra medieval de Beda contém a primeira investigação científica das marés, envolvendo o mais antigo estudo sobre o intervalo médio entre o momento da maré cheia e o do trânsito anterior do meridiano pela lua. (Whithrow, 1993 : 90).
“A primitiva lavoura utilizava, no Médio Oriente e no Mediterrâneo, o sistema da ‘sulcagem’: um espigão, com a ponta virada para baixo, puxado por uma junta de bois, primeiro numa direção, depois transversalmente, arroteava um lote quadrado de terra. Este método era suficiente para os terrenos leves e secos. Mas, nos solos húmidos e pesados do norte da Europa, esse tipo de arado era inadequado, exceto nos outeiros bem drenados. Por conseguinte, a agricultura foi, a princípio, praticada apenas em zonas muito limitadas. Na Idade Média, começou a generalizar-se, gradualmente, pelo Norte da Europa, um novo tipo de arado. Tratava-se de um arado pesado com lâmina e relha para fender o solo e uma aiveca para voltar os torrões para os lados e abrir um sulco, drenando desse modo o terreno, ao mesmo tempo que o lavrava.” (TrevorRoper, 1966 : 121-122; Heers, 1968 : 121). Começa-se a utilizar a grade; revolvido mais amplamente, melhor arejado, o solo absorve melhor a marga, uma argila que contém carbonato de cálcio e, quando misturada à camada superior do solo, mostra-se um fertilizante valioso. (Perroy, 1957 : 23-24). A irrigação (de pastos e terras de lavoura) começou a ser empregada em larga escala e a Itália provavelmente abriu o caminho. Na Idade Média, outra invenção, o mangual, que substituiu a vara de bater, aperfeiçoa o processo de debulha. (Hodgett, 1975 : 29, 221; Mumford, 1965 : 337).
Nesse período, além das plantas cultivadas nos tempos clássicos, foram aprimorados: A espelta, o centeio, a aveia e o fagópiro. Além do sorgo, outras culturas foram introduzidas na região mediterrânea, pelos gregos ou árabes: Arroz, cana-de-açúcar, algodão e amoreira. (Hodgett, 1975: 30, 225). O pousio trienal e, a partir do século VIII, o sistema de três plantações alternadas, permitem a aclimatação de novas culturas e aumentam acentuadamente a produção agrícola.
Seria o mundo medieval um inferno de misérias? Descobre-se o contrário a partir de um levantamento referente à cidade de Toulouse, onde, em 1322, havia 177 açougueiros, ou seja, um para cada 226 habitantes, “para uma população máxima de 40.000 almas — cerca de duas ou três vezes mais que hoje; e alguns figuravam entre os comerciantes mais ricos da cidade.” (Wolff, 1988 : 82-83). A conserva do arenque no sal foi descoberta em 14l6, por Willem Beeckelz. (Fonseca, 1958 : 314). “Apareceram as boas maneiras, a ‘etiqueta’, a faca passou a ser um componente da mesa, assim como o garfo, que acabou se tornando um utensílio doméstico após a peste negra (1348-1349).” (Villa, 1998 : 10).
“Já em 1159, os primeiros pôlderes, porções de terra tomadas aos alagadiços ou ao mar por meio de diques, foram criados em Flandres.” (Mumford, 1965 : 336). A maior parte dos diques holandeses foi construída entre os anos de 1250 e 1350. Em 1408, aparece o primeiro exemplo conhecido de moinho de vento para bombear a água dos pôlderes.
Depois da manivela — descoberta de importância fundamental — ocorreu a invenção alemã da biela, peça rígida com duas articulações para transformar o movimento rotativo em alternativo. Começaram a utilizar-se ferramentas, como a plaina, e passou-se a usar o carvão como combustível. Diversas invenções, como a cola e o papel, foram transmitidas pela China à Europa. (Whithrow, 1993 : 102, 109). A tinta romana para escrever, feita do negro da fumaça com goma e água, não tinha fixadores; era uma tinta moída; ao passo que a utilizada na Idade Média se fazia por infusão, com goma, pedra-ume e resina de carvalho. (Spina, 1977 : 30-31).
Vê-se, portanto, que a Idade Média, ao contrário do que muitos imaginam, foi extremamente fecunda em avanços técnicos.
Bibliografia:
ANDERSON, Perry. Passagens da antiguidade ao feudalismo. Porto, Afrontamento, 1982.
BAGUÉ, Enrique. Pequeña historia de la humanidad medieval. Barcelona, Aymá, 1953.
BARK, William Carroll. Origens da Idade Média. 4. ed., Rio de Janeiro, Zahar, 1979.
BEAUJOUAN, Guy. A ciência no Ocidente medieval cristão. In: TATON, René (dir.). A ciência antiga e medieval (A Idade Média). São Paulo, Difusão Européia do Livro, 1959. v. 3.
CARVALHO, Delgado de. História geral. 2. ed., Rio de Janeiro, Record, s/d. v. 2.
DUBY, Georges. O tempo das catedrais. Lisboa, Estampa, 1979.
FERGUSON, John. Los fundamentos del mundo moderno. Barcelona, Martínez Roca, 1970.
FONSECA, Gondin da. Senhor Deus dos desgraçados! 2. ed., São Paulo, Fulgor, 1958.
FREMANTLE, Anne. Idade da fé (Biblioteca de história universal Life). Rio de Janeiro, José Olympio, 1970.
GIORDANI, Mário Curtis. História do mundo feudal. 2. ed., Petrópolis, Vozes, 1993. v. 2, t. 2.
HEERS, Jacques. Précis d’histoire du Moyen Âge.Paris, Presses Universitaries de France, 1968.
HERRERO, Victor José. Introducción al estudio de la filología latina. 2. ed., Madrid, Gredos, 1976.
HODGETT, Gerald A. J. História social e econômica da Idade Média. Rio de Janeiro, Zahar, 1975.
LINS, Ivan. A Idade Média, a Cavalaria e as Cruzadas. 4. ed., Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1970.
MUMFORD, Lewis. A cidade na história. Belo Horizonte, Itatiaia, 1965. v. 1, p. 401
PAUWELS, Louis & BERGIER, Jacques. O despertar dos mágicos. São Paulo, Clube do Livro, s/d.
PERROY, Édouard. História geral das civilizações. A Idade Média. São Paulo, Dif. Européia do Livro, 1957. t. 3, v., 2.
PIRENNE, Henri. História econômica e social da Idade Média. 6. ed. São Paulo, Mestre Jou, 1982.
PUIGGRÓS, Rodolfo. Génesis y desarrollo del feudalismo. México, Editorial F. Trillas, 1965.
SILVA, Francisco C. Teixeira da. Sociedade feudal: Guerreiros, sacerdotes e trabalhadores. 3. ed. São Paulo, Brasiliense, 1986.
SPINA, Segimundo. Introdução à edótica. São Paulo, Cultrix/EDUSP, 1977. p. 30-31.
Superinteressante, São Paulo, 2 : 13, fev. 1988.
THIERRY, J. W. Draining of polders in the Netherlands. First Congress of Irrigation and Drainage. New Delhi, vol. 2 : 17-21, 1951.
TREVOR-ROPER, Hugh. A formação da Europa cristã. Lisboa, Verbo, 1966.
VIANNA, Eremildo Luiz. Noção de Idade Média. Kriterion, Belo Horizonte, 15 (61/62) : 602-627, 1962.
VILLA, Marco Antônio. Olhos, bocas e barrigas. Folha de São Paulo (Mais!), São Paulo, 06-12- 1998, p. 10.
WHITROW, Gerald James. O tempo na história. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1993.
WOLFF, Philippe. Outono da Idade Média ou primavera dos tempos modernos? São Paulo, Martins Fontes, 1988

24.9.07

É muita história: Tiradentes

É muita história: Tiradentes

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM734377-7823-E+MUITA+HISTORIA+TIRADENTES,00.html

PROJETO INTERDISCIPLINAR – MÓDULO III

PROJETO INTERDISCIPLINAR – MÓDULO III

Para este TERCEIRO MÓDULO de estudos, você cursará disciplinas que são específicas à sua formação e outras que são fundamentais para a sua habilitação. Nas disciplinas específicas, você terá a oportunidade de conhecer e aprofundar os conteúdos próprios de sua área. Já nas disciplinas de formação docente, você irá ampliar seus conhecimentos sobre a realidade e os
fundamentos da Prática Educativa. Neste sentido, você já deve ter percebido que não há como ser um bom educador sem conciliar estas duas áreas de formação. Por isso, a equipe pedagógica da UNIASSELVI procurou pensar uma Prática Educativa coerente e pertinente para esta etapa. Assim, o tema proposto é:

DESENVOLVIMENTO HUMANO NO PROCESSO EDUCATIVO

Desta forma, para as Práticas Educativas deste módulo, forme seu grupo (de até 5 integrantes) e monte um projeto para analisar o contexto educativo a partir do eixo temático proposto. A problematização deste tema está focada nas seguintes questões:

Quais as relações entre o processo educativo e o desenvolvimento humano?

É possível a ação docente dar conta de questões afetivas e cognitivas?

Como a escola resolve (encaminha) as questões de ordem psicológica e/ousocial que se apresentam no espaço escolar?

Como as questões sociais (de ordem cultural, política, econômica e religiosa) se entrelaçam no processo educativo e contribuem para o desenvolvimento humano?


Neste sentido, para esta prática não há necessidade de fazer uma aplicação prática em atividades disciplinares na sala de aula. A proposta é que vocês dialoguem com alguns educadores, no objetivo de tomar conhecimento sobre como o desenvolvimento humano se dá no processo educativo. Para isso, vocês irão fazer leituras sobre o tema, organizar o projeto e aplicar algumas entrevistas com professores. A partir disso, vocês irão redigir o memorial descritivo.

Vejamos, por etapas, como vocês devem proceder para realizar essa prática:PRIMEIRA ETAPA – PROJETO

Para construir um projeto, vocês precisam integrar os seguintes passos:

1 Apresentar o tema;
2 Apresentar os objetivos;
3 Apresentar a justificativa (pautada em uma fundamentação teórica);
4 Apresentar a metodologia da pesquisa;Apresentar uma proposta de pesquisa bibliográfica e outras fontes;
Elaborar cinco perguntas (abertas) a partir do eixo temático propostoda delimitação do projeto.
Definir quantos professores cada integrante da equipe irá entrevistar (no mínimo dois para cada acadêmico).

5 Apresentar o cronograma de execução;
6 Referências.

Obs.: Após a organização do projeto, vocês irão aplicar as entrevistase, com as respostas em mãos, cada um deverá desenvolver o seu memorial descritivo.

SEGUNDA ETAPA – MEMORIAL DESCRITIVO (INDIVIDUAL)

Após a execução do projeto, cada acadêmico irá analisar as respostas e redigir o memorial. Para que haja coerência, sugerimos que você redija o memorial em três seções:

Depois das leituras realizadas, qual o seu entendimento sobre o desenvolvimento no processo educativo?

Que perguntas foram realizadas e que respostas você obteve?

Que considerações são possíveis de se fazer a partir das entrevistas?

Obs.: Lembramos que esta atividade será apresentada em forma de Memorial Descritivo. O Memorial Descritivo é um relato histórico, analítico e crítico, que apresenta e avalia os fatos/acontecimentos constituintesda atividade desenvolvida. A construção do projeto e a sua descrição (memorial) devem ser entregues ao monitor de sua turma no segundo encontroda última disciplina do módulo.

PRÁTICA EDUCATIVA

PRÁTICA EDUCATIVA

Prezado(a) Acadêmico(a)!

Você pode observar, na matriz curricular de seu curso, a existência de carga horária específica para as Práticas Educativas. As Práticas Educativas são previstas e regulamentadas pelo item 1 da resolução CNE/ CP 2, de 19/02/ 2002. Elas compreendem um componente curricular que deve ser realizado ao longo do seu curso, com carga horária de 414 horas. Agora veja: para que você possa integralizar esta atividade é necessário que você elabore e aplique projetos nterdisciplinares para cada um dos seis módulos de estudo. Na agenda de cada disciplina destes módulos será encaminhada a atividade: um projeto de ensino e aprendizagem para a sala de aula do Ensino Fundamental ou Médio que contemple a relação teoria- E prática, ou seja, a partir dos conteúdos teóricos estudados, você deve propor ações que possam ser desenvolvidas em sala de aula. Assim sendo, você construirá um projeto, em equipe de até cinco integrantes, que deve ser aplicado em uma escola de sua cidade. Se você já é professor, este projeto pode ser aplicado em sua própria sala de aula.

Para construir um projeto você precisa integrar os seguintes passos:

1 Apresentar o tema
2 Apresentar os objetivos
3 Apresentar a justificativa (pautada em uma fundamentação teórica)
4 Apresentar a metodologia de trabalho
5 Propor formas de avaliação
6 Apresentar o cronograma de execução


Após a execução do projeto, você irá descrever o processo (ou seja, como foi realizada a atividade na escola? Qual foi a participação dos alunos? Quais os resultados alcançados?), em forma de memorial descritivo.

Lembramos que o Memorial Descritivo é um relato histórico, analítico e crítico, que apresenta e avalia os fatos/acontecimentos que constituíram a trajetória da atividade desenvolvida. A construção do projeto e a sua descrição (memorial), devem ser entregues ao monitor de sua
turma no segundo encontro da última disciplina do módulo.

19.9.07

LINK PARA VIDEOS DO QUADRO E MUITA HISTÓRIA

OS LINKS ABAIXO SÃO DOS EPISÓDIOS DO QUADRO DO FANTÁSTICO
E MUITA HISTÓRIA.

PRIMEIRO EPISÓDIO
Dia de Fúria

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM728673-7823-E+MUITA+HISTORIA+DIA+DE+FURIA,00.html


SEGUNDO EPISÓDIO
o Conde Maurício de Nassau

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM731708-7823-E+MUITA+HISTORIA+O+CONDE+MAURICIO+DE+NASSAU,00.html

Aluno a distância vai melhor no Enade

10/09/2007 - 09h35
Aluno a distância vai melhor no Enade

Folha Online

Os alunos que ingressaram em cursos superiores com a modalidade de educação a distância têm mostrado melhor desempenho do que os estudantes que fazem o mesmo curso da maneira tradicional, segundo os primeiros resultados do Enade (exame do MEC que avalia o ensino superior), revela reportagem publicada nesta segunda-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes da Folha ou do UOL).
Levantamento feito pelo Inep (órgão de avaliação e pesquisa do MEC) aponta que os alunos de cursos a distância se saíram melhor em 7 das 13 áreas onde essa comparação é possível.
A análise mostra vantagem ainda maior nos primeiros anos de curso --9 entre 13 áreas de ensino. Turismo e ciências sociais apresentam vantagem favorável aos cursos a distância. No ensino presencial, o melhor desempenho foi registrado nos cursos de geografia e história

5.9.07

Historia da América




A pintura rupestre da “Caverna das Mãos”: uma manifestação do homem paleolítico na Patagônia.


O processo de ocupação do continente americano aconteceu a milhares de anos atrás. Apesar do consenso existente com respeito a essa informação, não existe uma data exata reconhecida por todos os especialistas da área. Se de um lado temos estudiosos que trabalham com a datação de 60 mil anos atrás, outros preferem trabalhar com a hipótese de que os primeiros homens americanos teriam surgido há 12 mil anos. Em meio a tantos vestígios diferentes, a exatidão é praticamente uma tarefa impossível.

Contudo, sabemos que a história do homem nas Américas começa no período Paleolítico Inferior, época que tem suas informações fundamentais restritas à análise de um conjunto específico de vestígios. Em geral, o homem americano trabalhava com instrumentos produzidos em pedra talhada. Além de utilizarem pedras talhadas com uma ou duas faces, os grupos dessa época também construíam objetos com ossos de bisões, camelídeos, mastodontes e mamutes.

Na passagem do Paleolítico Inferior para o Paleolítico Superior, há 17 mil anos, a caça se transformou em uma prática mais comum entre os grupos humanos. A prova material dessa mudança pode ser atestada na aparição de pontas de flecha, facas e outros instrumentos pontiagudos utilizados no abatimento e no corte da carne animal. Vale destacar que a caça provocou uma ampliação do cardápio dessas populações e a adoção das peles como vestimenta.

Na Patagônia, porções sul do território argentino, foram encontradas pinturas rupestres, restos de fogueira e pontas de lança que evidenciam a chegada do homem a essa região há mais ou menos 11.500 anos. Além da caça, os povos dessa região também se sustentavam através da coleta de frutos do mar e da pesca de peixes. Assim como no litoral brasileiro, a Patagônia é marcada pela existência de depósitos calcários também conhecidos como sambaquis.

Em Monte Verde, no Chile, temos um rico sítio arqueológico onde especialistas encontraram restos de madeira, plantas medicinais, ferramentas e pegadas humanas. O alto número de vestígios dessa localidade é explicado pela formação das turfas, material orgânico fossilizado capaz de preservar os vestígios pré-históricos encontrados na região. Segundo apontam as estimativas, os fósseis de Monte Verde teriam entre 13.500 e 11.800 anos de idade.

21.8.07

Os Estados Unidos e a Conquista do Oeste

INTRODUÇÃO

Na passagem do século XVIII para o XIX, os Estados Unidos recém-independentes, ainda formavam um pequeno país, que se estendia verticalmente entre o Maine e a Flórida e horizontalmente entre a costa do Atlântico e o Mississipi. O primeiro momento do processo de independência dos Estados Unidos, havia se iniciado efetivamente com a mobilização das 13 colônias, frente o fortalecimento fiscal estabelecido pela metrópole com o término da Guerra dos 7 Anos em 1763. Após o episódio do "Boston Tea Party", a Inglaterra recrudesceu ainda mais sua relação com as colônias, através das Leis Intoleráveis, o que provocou uma maior mobilização dos colonos através da convocação do Primeiro e Segundo Congresso da Filadélfia. Esse último, contando com a participação de Benjamim Franklin e Thomas Jefferson, elaborou e proclamou a Declaração de Independência dos Estados Unidos (4 de julho de 1776), que por ter sido a primeira independência na América, exercerá forte influência nos demais movimentos de emancipação política do continente, no contexto da crise do Antigo Sistema Colonial.

ANTECEDENTES: LEIS, PARTIDOS E PRINCÍPIOS

Antes mesmo da independência os colonos americanos já cobiçavam as terras do Oeste, impedidas de serem colonizadas pela Lei do Quebec (parte das Leis Intoleráveis, 1774), que proibia a ocupação de terras pelos colonos entre os montes Apalaches e o Mississipi. Apesar de pressões como essa, a expansão para o Oeste ganhou força após a independência, sendo alimentada ideologicamente pelo "Destino Manifesto", princípio que defendia a idéia de que os colonos norte-americanos de origem calvinista estariam na América por predestinação divina, com a missão civilizatória de ocupar os territórios situados entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A Lei Noroeste de 1787 já visava consolidar o futuro expansionismo, ao estabelecer que as terras ocupadas que atingissem 60 mil habitantes formariam um novo território que seria incorporado à União como Estado. Nesse mesmo ano foi sancionada a constituição federal, até hoje em vigor que formalizou a política da nova nação através de uma República Presidencialista Federalista. O primeiro presidente eleito após a carta de 1787 foi George Washington (1789-97), que enfrentou as primeiras dificuldades na política interna, em razão da interpretação dada à constituição. Os grupos políticos iam se definindo em organizações partidárias, originando a formação dos partidos Federalista e Republicano Democrático. O primeiro, liderado por Alexander Hamilton no governo de John Adams (1797-1801) apoiava-se mais nos interesses dos grandes comerciantes do norte, enquanto que o segundo, que chegou ao poder com Thomas Jefferson (1801-09), estava mais ligado aos pequenos proprietários rurais e aos cidadãos dos Estados menores. O Partido Federalista defendia um poder central mais forte, enquanto que o Partido Republicano Democrático era favorável a uma maior autonomia para os Estados. Ao eleger os dois presidentes seguintes - James Madison (1809-17) e James Monroe (1817-25) -- o Partido Republicano Democrático dava um novo impulso ao expansionismo com a conhecida Doutrina Monroe ("América para os americanos"), que defendia as independências na América Latina, frente ao caráter recolonizador europeu do Congresso de Viena. Contudo, conforme os interesses territoriais dos Estados Unidos foram ampliando-se, a Doutrina Monroe seria mais bem definida pela frase "América para os norte-americanos", caracterizando objetivos já inseridos na esfera do imperialismo. Entre 1829 e 1837 o governo de Andrew Jackson iniciou uma nova orientação político-partidártia, representada pelo Partido Democrático, que estava ligado aos interesses dos latifundiários do Oeste e do operariado do norte. Conhecida na história como "era Jackson", essa fase, foi marcada por perseguições e expurgos de elementos que pertenciam a governos anteriores, processo que ficou conhecido como "sistema de despojos" (Spoil Sistem). Com um crescimento demográfico fulminante -- 4 milhões de habitantes em 1801, para 32 milhões em 1860 -- associado às constantes correntes de imigrantes, à construção de uma vasta rede ferroviária à descoberta de ouro na Califórnia em 1848, a expansão em direção ao Oeste tornava-se cada vez mais inevitável.

A EXPANSÃO

O expansionismo pode ser dividido em três frentes: negociação, Guerra do México e anexação de terras indígenas. A ação diplomática dos Estados Unidos foi marcada por um grande êxito já no início do século XIX, quando Napoleão Bonaparte em 1803 debilitado pelas guerras na Europa, vendeu a Lousiana (um imenso território onde foram formados 13 novos Estados) por 15 milhões de dólares. Em seguida (1819), a Espanha vendia a Flórida por apenas 5 milhões de dólares. Destaca-se ainda a incorporação do Oregon, cedido pela Inglaterra em 1846 e do Alasca, comprado da Rússia por 7 milhões de dólares em 1867, dois anos após o término da Guerra de Secessão. Em 1821 os norte-americanos passaram a colonizar parte do México com aval do próprio governo mexicano, que em troca, exigiu adoção do catolicismo nas áreas ocupadas. As dificuldades para consolidação de um Estado Nacional no México, marcadas por constantes conflitos internos e ditaduras, acabaram criando condições mais favoráveis ainda para a expansão dos Estados Unidos. Foi nessa conjuntura, que em 1845, colonos norte-americanos proclamaram a independência do Texas em relação ao México, incorporando-o aos Estados Unidos. Iniciava-se a Guerra do México (1845-48), na qual a ex-colônia espanhola perdia definitivamente para os Estados Unidos as regiões do Texas, além das do Novo México, Califórnia, Utah, Arizona, Nevada e parte do Colorado. Em apenas três anos cerca de metade do México incorporava-se aos Estados Unidos. Destaca-se ainda, a anexação de terras indígenas, através de um verdadeiro genocídio físico e cultural dos nativos, o que ficava evidenciado na visão que alguns colonos difundiam durante o expansionismo, de que "o único índio bom é um índio morto", afirmação essa, atribuída ao general Armstrong Custer, considerado um dos maiores matadores de índios nesse contexto. A configuração geográfica atual dos Estados Unidos seria concluída apenas em 1912, com a incorporação do Arizona.

CONSEQUÊNCIAS DA EXPANSÃO

Durante o movimento expansionista dos Estados Unidos, o avanço econômico era notado no país de forma bem diferente. Enquanto o norte assistia o crescimento do comércio e principalmente de uma indústria cada vez mais sólida, o sul permanecia agrícola, e as novas terras do oeste eram marcadas pela pecuária e mineração. Ao longo da primeira metade do século XIX essas divergências entre o norte (industrial e abolicionista) e o sul (rural e escravista), serão agravadas, já que ambos tentarão impor seus respectivos modelos sócio-econômicas sobre os novos Estados incorporados.
Uma poderosa burguesia industrial e comercial, juntamente com um crescente operariado fabril marcava o desenvolvimento da sociedade nortista, antagonizando-a com a sulista, que permanecia estagnada e dominada por uma aristocracia rural escravista vinculada ao latifúndio agro-exportador. Nas novas terras do Centro-Oeste nascia uma sociedade organizada a partir dos pioneiros com base na agricultura e na pecuária. Os Estados Unidos formavam um único país, mas esse país pensava, trabalhava e vivia diferente, abrigando na realidade duas nações: o Norte-Nordeste de um lado e o Sul-Sudeste de outro. A manutenção da escravidão no sul e o aumento da rivalidade social e econômica durante a conquista do Oeste, associado a outros elementos também conflitantes, como a questão das tarifas alfandegárias e o crescimento do novo Partido Republicano, criam condições historicamente favoráveis para aquela que é considerada a maior guerra civil na história do século XIX: a Guerra de Secessão.
Fonte: HistóriaNet