7.12.10

REVOLUÇÃO RUSSA

A Revolução Russa de 1917 foi uma série de eventos políticos na Rússia, que, após a eliminação da autocracia russa, e depois do governo provisório (Duma), resultou no estabelecimento do poder soviético sob o controle do partido bolchevique. O resultado desse processo foi a criação da União Soviética, que durou até sua dissolução em 1991.

A Revolução compreendeu duas fases distintas:

Antecedentes

Até 1917, o Império Russo foi uma monarquia absolutista. A monarquia era sustentada principalmente pela nobreza rural, dona da maioria das terras cultiváveis. Das famílias dessa nobreza saíam os oficiais do exército e os principais dirigentes daIgreja Ortodoxa Russa.

Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, a Rússia tinha a maior população da Europa, com cerca de 175 milhões de habitantes. Defrontava também com o maior problema social do continente: a extrema pobreza da população em geral. Enquanto isso, as ideologias liberais e socialistas penetravam no país, desenvolvendo uma consciência de revolta contra os nobres. Entre 1860 e 1914, o número anual de estudantes universitários cresceu de 5000 para 69000, e o número de jornaisdiários cresceu de 13 para 856.

A população do Império Russo era formada por povos de diversas etnias, línguas e tradições culturais. Cerca de 80% desta população era rural, sendo duramente explorada pelos senhores feudais. Com a industrialização foi-se estabelecendo progressivamente uma classe operária, igualmente explorada, mas com maior capacidade reivindicativa e aspirações de ascensão social. A situação de extrema pobreza e exploração em que vivia a população tornou-se assim um campo fértil para o florescimento de idéias socialistas.

A decadência da monarquia czarista

Para compreender as causas da Revolução Russa, é fundamental conhecer o desenvolvimento básico das estruturas socioeconômicas na Rússia, durante o governo dos três últimos czares.

Alexandre II (1858 - 1881)

Ver artigo principal: Alexandre II da Rússia.

Alexandre II tinha consciência da necessidade de se promover reformas modernizadoras no país, para aliviar as tensões sociais internas e transformar a Rússia num Estado mais respeitado internacionalmente. Com sua política reformista, Alexandre II promoveu, por exemplo:

Mesmo sem provocar alterações significativas na estrutura social existente na Rússia, a política reformista do czar encontrou forte oposição das classes conservadoras da aristocracia, extremamente sensíveis a quaisquer perdas de privilégios sociais em favor de concessões ao povo.

Apesar das medidas reformistas, o clima de tensão social continuava aumentando entre os setores populares. A terra distribuída aos camponeses era insuficiente, estando fortemente concentrada nas mãos de uma aristocracia latifundiária. A esta faltavam no entanto recursos técnicos e financeiros para uma modernização da agricultura. Esses problemas se traduziam na baixa produtividade agrícola, que provocava freqüentes crises de abastecimentos alimentares, afetando tanto os camponeses como a população urbana.

Em 1881, o czar Alexandre II foi assassinado por um dos grupos de oposição política (os Pervomartovtsi) que lutavam pelo fim da monarquia vigente, responsabilizada pela situação de injustiça social existente.

Alexandre III (1881 - 1894)

Ver artigo principal: Alexandre III da Rússia.

Após o assassínio de Alexandre II, as forças conservadoras russas uniram-se em torno do novo czar, Alexandre III, que retomou o antigo vigor do regime monárquico absolutista.

Alexandre III concedeu grandes poderes à polícia política do governo (Ochrana), que exercia severo controle sobre os setores educacionais, a imprensa e os tribunais. Impedidos de protestar contra a exploração de que eram vítimas, camponeses e trabalhadores urbanos continuaram sob a opressão da aristocracia agrária e dos empresários industriais. Estes, associando-se a capitais franceses, impulsionavam o processo de industrialização do país. Apesar da repressão políticacomandada pela Ochrana, as idéias socialistas eram introduzidas no país por intelectuais preocupados em organizar a classe trabalhadora.

Alexandre III faleceu em 1894.

Nicolau II (1894 - 1917)

Ver artigo principal: Nicolau II da Rússia.

Nicolau II, o sucessor de Alexandre III, procurou facilitar a entrada de capitais franceses para promover a industrialização do país. O desenvolvimento capitalista russo foi ativado por medidas como o início da exportação do petróleo, a implantação de estradas de ferro e da indústria siderúrgica.

O impulso dado ao processo de industrialização teve como conseqüência a ampliação da classe operária em cidades comoMoscou e Petrogrado. Toda essa crescente classe operária enfrentava um terrível regime de exploração, sendo submetida asalários miseráveis e a jornadas de trabalho extenuantes. Nessa dramática situação de exploração do operariado, as idéias socialistas encontraram um campo fértil para o seu florescimento.

O Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR)

Stalin, Lenin e Kalinin em 1919.

Com o desenvolvimento da industrialização e o maior relacionamento com a Europa Ocidental, a Rússia recebeu do exterior novas correntes políticas que chocavam com o antiquado absolutismo do governo russo. Entre elas destacou-se a corrente inspirada no marxismo, que deu origem ao Partido Operário Social-Democrata Russo.

Este partido foi violentamente combatido pela Ochrana. Embora tenha sido desarticulado dentro da Rússia em 1898, voltou a organizar-se no exterior, tendo como líderes principais Gueorgui Plekhanov, Vladimir Ilyich Ulyanov (conhecido como Lênin) e Lev Bronstein (conhecido como Trotski).

A divisão do Partido: mencheviques e bolcheviques

Em 1903, os membros do POSDR dividiram-se em dois grupos básicos:

  • os mencheviques: liderados por Plekhanov e por Martov, defendiam que os trabalhadores podiam conquistar o poder participando normalmente das atividades políticas. Acreditavam, ainda, que era preciso esperar o pleno desenvolvimento capitalista da Rússia e o desabrochar das suas contradições, para se dar início efetivo à ação revolucionária. Como esses membros tiveram menos votos em relação ao outro grupo, ficaram conhecidos comomencheviques, que significa minoria.
  • os bolcheviques: liderados por Lênin, defendiam que os trabalhadores somente chegariam ao poder pela luta revolucionária. Pregavam a formação de uma ditadura do proletariado, na qual também estivesse representada aclasse camponesa. Como esse grupo obteve mais adeptos, ficou conhecido como bolchevique, que significa maioria. Trotsky, que inicialmente não se filiou a nenhuma das facções, aderiu aos bolcheviques mais tarde.

A Revolta de 1905: o ensaio para a revolução

Ver artigo principal: Revolta de 1905.

Em 1904, a Rússia, que desejava expandir-se para o oriente, entrou em guerra contra o Japão mas foi derrotada. A situação socioeconômica do país agravou-se e o regime político do czar Nicolau II foi abalado por uma série de revoltas, em 1905, envolvendo operários, camponeses, marinheiros (como a revolta no navio encouraçado Potemkin^ ) e soldados do exército.Greves e protestos contra o regime absolutista do czar explodiram em diversas regiões da Rússia. Em São Petersburgo, foi criado um soviete para auxiliar na coordenação das várias greves e servir de palco de debate político.

Diante do crescente clima de revolta, o czar Nicolau II prometeu realizar, pelo Manifesto de Outubro, grandes reformas no país: estabeleceria um governo constitucional, dando fim ao absolutismo, e convocaria eleições gerais para o parlamento (aDuma), que elaboraria uma constituição para a Rússia. Os partidos de orientação liberal burguesa (como o Partido Constitucional Democrata ou Partido dos Cadetes) deram-se por satisfeitos com as promessas do czar, deixando os operários isolados.

Terminada a guerra contra o Japão, o governo russo mobilizou as suas tropas especiais (cossacos) para reprimir os principais focos de revolta dos trabalhadores. Diversos líderes revolucionários foram presos, desmantelando-se o Soviete de São Petersburgo. Assumindo o comando da situação, Nicolau II deixou de lado as promessas liberais que tinha feito no Manifesto de Outubro. Apenas a Duma continuou funcionando, mas com poderes limitados e sob intimidação policial das forças do governo.

A Revolta de 1905 tinha fracassado, mas serviu de lição para que os líderes revolucionários avaliassem seus erros e suas fraquezas e aprendessem a superá-los. Foi, segundo Lênin, um ensaio geral para a Revolução Russa de 1917.

Revolução de 1917

A queda do czar e o processo revolucionário

Mesmo abatida pelos reflexos da derrota militar frente ao Japão, a Rússia envolveu-se noutro grande conflito, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em que também sofreu pesadas derrotas nos combates contra os Alemães. A longa duração da guerra provocou crise de abastecimento alimentar nas cidades, desencadeando uma série de greves e revoltas populares. Incapaz de conter a onda de insatisfações, o regime czarista mostrava-se intensamente debilitado.

Numa das greves em Petrogrado (actualmente São Petersburgo, então capital do país), Nicolau II toma a última das suas muitas decisões desastrosas: ordena aos militares que disparem sobre a multidão e contenham a revolta. Partes do exército, sobretudo os soldados, apóiam a revolta. A violência e a confusão nas ruas tornam-se incontroláveis. Segundo o jornalista francês Claude Anet, morreram em São Petersburgo cerca de 1500 pessoas e cerca de 6000 ficaram feridas.

Em 15 de março de 1917, o conjunto de forças políticas de oposição (liberais burguesas e socialistas) conseguiu depor o czar Nicolau II, dando início à Revolução Russa. A partir daqui identificam-se normalmente três grandes fases: a revolução de Fevereiro, a revolução de Outubro e a guerra civil.

Revolução de Fevereiro ou Revolução Branca

Ver artigo principal: Revolução de Fevereiro.

A primeira fase, conhecida como Revolução de Fevereiro, ocorreu de março a novembro de 1917.

Em 23 de Fevereiro (C.J.) (8 de Março, C.G.), uma série de reuniões e passeatas aconteceram em Petrogrado por ocasião do Dia Internacional das Mulheres. Nos dias que se seguiram, a agitação continuou a aumentar, recebendo a adesão das tropas encarregadas de manter a ordem pública, que se recusavam a atacar os manifestantes.

No dia 27 de Fevereiro (C.J.), um mar de soldados e trabalhadores com trapos vermelhos em suas roupas invadiu o Palácio Tauride, onde a Duma se reunia. Durante a tarde, dois comitês provisórios se formaram em salões diferentes do palácio. Um, formado por deputados moderados da Duma, se tornaria o Governo Provisório. O outro era o Soviete de Petrogrado, formado por trabalhadores, soldados e militantes socialistas de várias correntes.

Temendo uma repetição do Domingo Sangrento, o Grã-duque Mikhail ordenou que as tropas leais baseadas no Palácio de Inverno não se opusessem à insurreição e se retirassem. Em 2 de Março, cercado por amotinados, Nicolau assinou sua abdicação.

Após a derrubada do czar, instalou-se o Governo Provisório, comandado pelo príncipe Georgy Lvov, um latifundiário, e tendo Aleksandr Kerenski como ministro da guerra. Era um governo de caráter liberal burguês, intensamente interessado em manter a participação russa na Primeira Guerra Mundial. Enquanto isso, o Soviete de Petrogrado reivindicava para si a legitimidade para governar. Já em 1 de Março, o Soviete ordenava ao exército que lhe obedecesse, ao invés de ao Governo Provisório. O Soviete queria dar terra aos camponeses, um exército com disciplina voluntária e oficiais eleitos democraticamente, e o fim da guerra, objetivos muito mais populares do que os almejados pelo Governo Provisório.

Com ajuda alemã, Lênin regressa à Rússia em Abril (C.J.), pregando a formação de uma república dos sovietes, bem como a nacionalização dos bancos e da propriedade privada. O seu principal lema era: Todo o poder aos sovietes.

Entretanto, o processo de desintegração do Estado russo continuava. A comida era escassa, a inflação bateu a casa dos 1.000 %, as tropas desertavam do front matando seus oficiais, propriedades da nobreza latifundiária eram saqueadas e queimadas. Em Julho, Kerenski tornou-se chefe do governo (primeiro-ministro), mantendo a participação da Rússia na guerra.

Revolução de Outubro ou Revolução Vermelha

Ver artigo principal: Revolução de Outubro.

A segunda fase, conhecida como revolução de Outubro, teve início em novembro de 1917.

Na madrugada do dia 25 de outubro (7 de novembro pelo Calendário gregoriano), os bolcheviques, liderados por Lênin,Zinoviev e Radek, cercaram a capital, onde estavam sediados o Governo Provisório e o Soviete de Petrogrado. Muitos foram presos, mas Kerenski conseguiu fugir. À tarde, numa sessão extraordinária, o Soviete de Petrogrado delegou o poder governamental ao Conselho dos Comissários do Povo, dominado pelos bolcheviques. O Comitê Executivo do mesmo Soviete de Petrogrado rejeitou a decisão dessa assembléia e convocou os sovietes e o exército a defender a Revolução contra o golpe bolchevique. Entretanto, os bolcheviques predominaram na maior parte das províncias de etnia russa. O mesmo não se deu em outras regiões, tais como a Finlândia, a Polônia e a Ucrânia.

Sem demora, o Conselho tomou uma série de medidas de impacto, como:

Guerra civil

Ver artigo principal: Guerra Civil Russa.

Durante o curto período em que os territórios cedidos no Tratado de Brest-Litovski estiveram em poder do exército alemão, as várias forças anti-bolcheviques (liberais, nacionalistas e Tzaristas) puderam se organizar e se armar. Digno de nota, também havia socialistas e anarquistas insatisfeitos com o rumo ditatorial e centralizante que governo bolchevique tomava. Com a derrota da Alemanha em 1919, esses territórios se tornaram novamente alvo de disputa, bem como bases das quais partiriam forças que pretendiam derrubar o governo bolchevique.

Ao mesmo tempo, Trotsky se ocupou em organizar o novo Exército Vermelho. Com a ajuda deste, os bolcheviques mostraram-se preparados para resistir aos ataques do também recém formado Exército polonês, dos Exércitos Brancos deDenikin, Kolchak, Yudenich e Wrangel, e também para suprimir o Exército Insurgente anarquista de Makhno e o soviete revoltoso de Kronstadt. No início de 1921, encerrava-se a guerra civil, com a vitória do Exército Vermelho. O Partido Bolchevique, que desde 1918 havia alterado sua denominação para Partido Comunista, consolidava a sua posição no governo do Estado.

Criação da União Soviética

Ver artigo principal: História da União Soviética.

Terminada a guerra civil, a Rússia estava completamente arrasada, com graves problemas para recuperar sua produção agrícola e industrial. Visando promover a reconstrução do país, Lênin criou, em fevereiro de 1921, a Comissão Estatal de Planificação Econômica ou GOSPLAN, encarregada da coordenação geral da economia do país. Pouco tempo depois, em março de 1921, adotou-se um conjunto de medidas conhecidas como Nova Política Econômica ou NEP, que promoveu um certo retorno a formas econômicas capitalistas, designadamente da agricultura. "Um passo para traz, para poder dar dois para frente" (Lenin)

Entre as medidas tomadas pela NEP destacam-se: liberdade de comércio interno, liberdade de salário aos trabalhadores, autorização para o funcionamento de empresas particulares e permissão de entrada de capitais estrangeiros para a reconstrução do país. O Estado russo continuou, no entanto, exercendo controle sobre setores considerados vitais para a economia: o comércio exterior, o sistema bancário e as grandes indústrias de base.

A ditadura comunista e a fundação da URSS

Em 1921, o Partido Comunista impôs uma verdadeira ditadura partidária, proibindo toda oposição ao regime socialista. Emabril de 1922, Stalin foi nomeado secretário-geral do Partido, encarregando-se de combater as oposições faccionárias no interior do Partido e de garantir os postos importantes da administração estatal para pessoas da inteira confiança do regime- o que foi por ele utilizado para impor à administração interna a hegemonia do seu grupo pessoal.

Em dezembro de 1922, foi organizado um congresso geral de todos os sovietes, ocorrendo a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). O governo da União, cujo órgão máximo era o Soviete Supremo(Legislativo), passou a ser integrado por representantes das diversas repúblicas.

Competia ao Soviete Supremo eleger um comitê executivo (Presidium), dirigido por um presidente a quem se reservava a função de chefe de estado. Competiam ao governo da União as grandes tarefas relativas ao comércio exterior, política internacional, planificação da economia, defesa nacional, entre outros.

Paralelamente a essa estrutura formal, estava o Partido Comunista, que controlava, efetivamente, o poder da URSS. Sua função era escolher as novas elites que serão os quadros da nação, controlar os órgãos estatais, estimulando sua atividade e verificando sua lealdade e manter os dirigentes em contato permanente com as massas. Também assegurava à população a difusão das diretrizes vindas da alta cúpula.

A ascensão de Stalin

Lênin, o fundador do primeiro Estado socialista, morreu em janeiro de 1924. Teve início, então, uma grande luta interna pela disputa do poder soviético, Num primeiro momento, entre os principais envolvidos nesta disputa pelo poder figuravam Trotskie Stalin.

Trotski defendia a tese da revolução permanente, segundo a qual o socialismo somente seria possível se fosse construído à escala internacional. Ou seja, a revolução socialista deveria ser levada à Europa e ao mundo.

Opondo-se a tese trotskista, Stalin defendia a construção do socialismo num só país. Pregava que os esforços por uma revolução permanente comprometeriam a consolidação interna do socialismo na União Soviética.

A tese de Stalin tornou-se vitoriosa. Foi aceita e aclamada no XIV Congresso do Partido Comunista.

Trotski foi destituído das suas funções como comissário de guerra, expulso do Partido e, em 1929, deportado da União Soviética. Tempos depois, em 1940, foi assassinado no México, a mando de Stalin, por um agente de segurança soviético, que desferiu no antigo líder do Exército Vermelho golpes de picareta na cabeça.

A burocracia e o terror

A partir de dezembro de 1929, Stalin converteu-se no ditador absoluto da União Soviética. O método que utilizou para a total conquista do poder político teve como base a sua habilidade no controle da máquina burocrática do Partido e do Estado, bem como a montagem de um implacável sistema de repressão política a todos os opositores. Desse modo, Stalin conseguiu eliminar do Partido, do Exército e dos principais órgãos do Estado todos os antigos dirigentes revolucionários, muitos dos quais tinham sido grandes companheiros de Lênin, como Zinoviev, Bukharin, Kamenev, Rikov, Muralov entre outros.

Depois de presos e torturados, os opositores de Stalin eram forçados a confessar crimes de espionagem que não haviam praticado. E, assim, conhecidos patriotas eram executados como traidores da pátria. Era a farsa jurídica que caracterizou as chamadas depurações estalinistas.

Durante o período stalinista (1924 - 1953) calcula-se que o terror político soviético foi responsável pela prisão de mais de cinco milhões de cidadãos e pela morte de mais de 500 mil pessoas.

Fonte: Wikipédia

GRANDE DEPRESSÃO

A Grande Depressão, também chamada por vezes de Crise de 1929, foi uma grande recessão econômica que teve início em 1929, e que persistiu ao longo da década de 1930, terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. A Grande Depressão é considerada a pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX. Este período de recessão econômica causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países, bem como quedas drásticas na produção industrial, preços de ações, e em praticamente todo medidor de atividade econômica, em diversos países no mundo.

O dia 29 de outubro de 1929 é considerado popularmente o início da Grande Depressão. Porém, as taxas na queda da produção industrial americana já haviam começado a cair a partir de julho do mesmo ano, causando um período de leve recessão econômica que estendeu-se até 29 de outubro, quando valores de ações na bolsa de valores de Nova Iorque, aNew York Stock Exchange, caíram drasticamente. Assim, milhares de acionistas perderam, literalmente, da noite para o dia, grandes somas em dinheiro. Muitos perderam tudo o que tinham. Esta quebra na bolsa de valores de Nova Iorque piorou drasticamente os efeitos da recessão já existente, causando deflação e queda nas taxas de venda de produtos, que por sua vez obrigaram o fechamento de inúmeras empresas comerciais e industriais, elevando assim drasticamente as taxas de desemprego.

Os efeitos da Grande Depressão foram sentidos no mundo inteiro. Estes efeitos, bem como sua intensidade, variaram de país a país. Outros países, além dos Estados Unidos, que foram duramente atingidos pela Grande Depressão foram a Alemanha,Austrália, França, Itália, o Reino Unido e especialmente o Canadá. Porém, em certos países pouco industrializados à época, como a Argentina e o Brasil, a Grande Depressão acelerou o processo de industrialização.

Os efeitos negativos da Grande Depressão atingiram seu ápice nos Estados Unidos em 1933. Neste ano, o Presidente americano Franklin Delano Roosevelt aprovou uma série de medidas conhecidas como New Deal. O New Deal, juntamente com programas de ajuda social realizados por todos os estados americanos, ajudaram a minimizar os efeitos da Depressão a partir de 1933. A maioria dos países atingidos pela Grande Depressão passaram a recuperar-se economicamente a partir de então. Em alguns países, a Grande Depressão foi um dos fatores primários que levaram à ascensão de regimes de extrema-direita, como os nazistas comandados por Adolf Hitler na Alemanha. O início da Segunda Guerra Mundial terminou com qualquer efeito remanescente da Grande Depressão nos principais países atingidos.

Causas da Grande Depressão

Economistas, historiadores e cientistas políticos têm criado diversas teorias para a causa, ou causas, da Grande Depressão, com supreendentemente pouco consenso. A Grande Depressão permanece como um dos eventos mais estudados da história da economia mundial. Teorias primárias incluem a quebra da bolsa de valores de 1929, a decisão de Winston Churchill em fazer com que o Reino Unido passasse a usar novamente o padrão-ouro em 1925, que causou massiva deflação ao longo doImpério Britânico, o colapso do comércio internacional, a aprovação do Ato da Tarifa Smoot-Hawley, que aumentou os impostos de cerca de 20 mil produtos no país, a política da Reserva Federal dos Estados Unidos da América, e outras influências.

Segundo teorias baseadas na economia capitalista concentram-se no relacionamento entre produção, consumo e crédito, estudado pela macro-economia, e em incentivos e decisões pessoais, estudado pela micro-economia. Estas teorias são feitas para ordenar a seqüência dos eventos que causaram eventualmente a implosão do sistema monetário do mundo industrializado e suas relações de comércio. Já teorias baseadas na economia marxistas concentram-se no relacionamento do controle da produção e da concentração de renda. Para os marxistas, a Grande Depressão é o tipo de crise a que o capitalismo é vulnerável, e ocorrências deste tipo não são surpreendentes.

Outras teorias heterodoxas sobre a Grande Depressão foram criadas, e gradualmente estas teorias passaram a ganhar credibilidade. Estas teorias incluem a teoria da atividade de longo ciclo e que a Grande Depressão foi um período na intersecção da crista de diversos longos e concorrentes ciclos.

Mais recentemente, a teoria mais predominante entre economistas é que a Grande Depressão não foi causada primariamente pela quebra das bolsas de valores de 1929, alegando que diversos sinais na economia americana, nos meses e mesmo anos que precederam à Grande Depressão, já indicavam que esta Depressão já estava a caminho nos Estados Unidos e na Europa. Atualmente, a teoria mais aceita entre os economistas é de Peter Temin. Segundo Temin, a Grande Depressão foi causada por política monetária catastroficamente mal-planejada pela Reserva Monetária dos Estados Unidos da América nos anos que precederam a Grande Depressão. A política de reduzir as reservas monetárias foi uma tentativa de reduzir uma suposta inflação, que de fato somente agravou o principal problema na economia americana à época, a deflação.

Raízes da Grande Depressão

Europa

Ver artigo principal: Primeira Guerra Mundial.

O custo da Primeira Guerra Mundial para os países envolvidos foi de cerca de 340 bilhões de dólares. Estes fundos foram arrecadados primariamente através de duas maneiras. A primeira foi aumentos sucessivos em impostos. Estes aumentos, porém, não foram o suficiente para bancar com os altos custos da guerra em todos os países envolvidos com exceção dosEstados Unidos da América. O restante dos fundos necessários foram arrecadados primariamente através da impressão dedinheiro - o que fez com que as taxas de inflação dos países envolvidos crescesse drasticamente - e o empréstimo de fundos, armas e suprimentos provenientes dos Estados Unidos, no caso dos países da Tríplice Entente. Estes países - especialmente aFrança e o Reino Unido - importaram grandes quantidades de armamento e outros suprimentos dos Estados Unidos. Ao final da guerra, a dívida externa dos países da Tríplice Entente na Europa era altíssima, e a inflação de todos os países europeus envolvidos na guerra era severa.

A Primeira Guerra Mundial gerou grande destruição em diversos países europeus. Estes países iniciaram o processo de reconstrução com o fim da guerra. Grande parte dos fundos econômicos que foram usados para a reconstrução destes países vieram na forma de empréstimos cedidos pelos Estados Unidos. Além disso, a Alemanha foi obrigada a pagar uma pesada dívida aos países da Tríplice Entente. O valor desta dívida, em dólares americanos atuais, é da ordem dos trilhões de dólares.

A Primeira Guerra Mundial também ajudou a desenvolver a economia de outros países do continente americano - especialmente a Argentina, o Brasil e o Canadá - bem como a Austrália. A demanda por suprimentos - especialmente alimentos - levou a um grande crescimento das exportações destes países para os países europeus. Após a guerra, estes países tornaram-se grandes competidores dos países europeus, em mercados de diversos produtos - primariamente agropecuários - anteriormente dominados pelos europeus. Os soldados que vinham da guerra muitas vezes não conseguiam achar emprego, e a taxa de desemprego nos países europeus continuou alta por muito tempo.

Anteriormente à Primeira Guerra Mundial, diversos países europeus - especialmente o Reino Unido - utilizavam o ouro como padrão econômico, isto é, fixaram o valor de suas moedas nacionais a um dado peso de ouro. Este padrão econômico é conhecido como padrão-ouro. Neste padrão econômico, os valores de uma dada moeda em relação à outra dada moeda eram fixadas pelos seus respectivos valores em um dado peso de ouro. Estes valores foram abandonados durante a guerra, para auxiliar no financiamento das dívidas de guerra. Após o término da guerra, a maioria destes países voltaram a usar o padrão do ouro, primariamente como uma tentativa de baixar as taxas de inflação e de estabilizar preços em geral. Porém, o retorno às taxas de câmbio fixas causou problemas, principalmente porque os preços de produtos em geral continuou a aumentar rapidamente após a guerra. Como conseqüência, os governos destes países tentaram resolver o problema dos preços em crescimento através da impressão de mais moeda, o que causava diminuição dos preços em geral, causando massiva deflação que gradualmente abriu terreno para os efeitos da recessão econômica que viria na década de 1930.

Estados Unidos da América

Ao final da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos da América respondiam por cerca de 50% de toda a produção industrial do mundo. A economia dos Estados Unidos continuou a prosperar, em grande parte por causa da expanção de crédito promovida pela Reserva Federal americana, sustentando o novo estilo de vida americano, o American Way of Life. A diminuição das exportações de produtos americanos para os países europeus foi compensado pelo crescimento da demanda nacional por produtos industrializados inventados há poucas décadas tais como automóveis, telefones, rádio e outros produtos industrializados, que provocaram grandes transformações sociais nos Estados Unidos. A maioria destes produtos era comprado através do uso de crédito e prestações mensais, e não com dinheiro vivo. À época, a taxa de desemprego no país era de apenas 2%. Os setores comerciais e industriais prosperaram nos Estados Unidos.

Porém, nem todos os setores da economia americana prosperaram ao longo da década de 1920. A Primeira Guerra Mundial fez com que a produção agropecuária de diversos países como a Argentina e o Brasil, por exemplo, crescesse. Os preços destes produtos, graças ao aumento mundial da produção destes dados produtos, diminuíram drasticamente ao final da guerra. Além disso, a demanda por estes produtos também caiu com o fim da guerra, uma vez que muito dos consumidores destes produtos agropecuários eram os europeus. Estes preços continuaram baixos ao longo da década. Muito dos fazendeiros americanos, durante e logo após o término da Primeira Guerra Mundial, acreditaram que os preços e a demanda iriam continuar altos após a guerra. Com isto, muitos tomaram grandes empréstimos. Porém, os preços dos produtos agropecuários caíram, e muitos agricultores viram-se incapazes de pagar suas dívidas. Muitos abandonaram suas fazendas e mudaram-se para as cidades. Muitos bancos faliram também, especialmente aqueles localizados em regiões rurais, devido à inabilidade dos fazendeiros em pagarem suas dívidas. A falência em massa dos estabelecimentos bancários diminuiu muito a credibilidade dos bancos frente ao público, agravando a crise no setor bancário americano. Ao longo da década de 1920, cerca de 5 mil estabelecimentos bancários foram fechados nos Estados Unidos.

A grande demanda nacional por produtos industrializados nos Estados Unidos levou a um grande crescimento nos lucros dos setores comerciais e industriais americano. Entre 1925 e 1929, o preço médio das ações comercializadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque duplicou. O preço médio das ações em bolsas de valores nos países europeus também cresceu, à medida que as economias destes países gradualmente recuperavam-se. Os crescentes preços das ações fizeram com que cada vez mais pessoas passassem a especular - isto é, passaram a comprar grandes somas em ações, esperando que o preço destas ações eventualmente subisse. Em 1928, a Reserva Federal americana decidiu aumentar as taxas de juro para tentar reduzir especulação econômica. Ao mesmo tempo, reduziu também as reservas monetárias nacionais, esperando reduzir as taxas de inflação. Em 1929, a Reserva Federal novamente aumentou as taxas de juro. Como muito dos produtos comercializados no país eram vendidos através de empréstimos e prestações, os consumidores passaram a gastar menos, causando uma queda no setor comercial americano. Além disso, muitos países europeus já haviam se recuperado economicamente. Isto fez com que se reduzissem as exportações americanas para os países europeus. Todos estes fatores juntos fizeram com que a produção industrial americana passasse a cair a partir de 1929. A taxa de desemprego aumentou para cerca de 5% em setembro do mesmo ano.

Além da crise no setor agrário, existiam outros sinais que indicavam que a economia americana fragilizada, tornando o país vulnerável à uma depressão, como a má distribuição de renda, deixando a economia real dependente das decisões de investimento e de consumo dos mais ricos, a má estrutura das empresas, com falcatruas sistêmicas e uso de alavancagem reversa (bloqueio de investimentos produtivos para valorizar seus títulos e dividendos), o estado fragilizado do superávit externo americano, acarretando em um excesso de divisas na economia interna e à emissão de empréstimos externos fraudulentos, e o pensamento econômico da época, cujas políticas, como um câmbio rígido e um orçamento equilibrado, seriam fracas e dogmáticas, deixando a economia nacional prone à um colapso iminente no mercado de ações.

Quebra na Bolsa de Valores de Nova Iorque

Em 24 de outubro de 1929, em um dia atualmente conhecido como Quinta Feira Negra, os preços das ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque caíram subitamente. Estes preços estabilizaram-se ao longo do final de semana, para caírem drasticamente novamente na segunda feira, 28 de outubro. Muitos acionistas passaram a entrar em pânico. Cerca de 16,4 milhões de ações subitamente entraram à venda na terça feira, 29 de outubro. O excesso de ações à venda e a falta de compradores fizeram com que os preços destas ações caísse em cerca de 80%. Com isto, milhares de pessoas perderam grandes somas em dinheiro. Os preços destas ações continuaria a flutuar, caindo gradativamente nos próximos três anos. As milhares de pessoas que tinham todas as suas riquezas na forma de ações eventualmente perderiam tudo o que tinham.

Esta súbita quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque causou grande incerteza entre a população americana, quanto ao futuro do país. Muitos decidiram cortar gastos supérfluos. Outras pessoas, aquelas que haviam comprado produtos através de empréstimo e prestações, reduziram ainda mais seus gastos, e assim poder economizar dinheiro para efetuar seus pagamentos. A súbita queda nas vendas do setor comercial americano estendeu a recessão ao setor industrial e comercial dos Estados Unidos.

As altas taxas de juros dos Estados Unidos foram um dos fatores que estenderem a Grande Depressão à Europa. Os países europeus - especialmente aqueles que utilizavam-se do padrão-ouro, para manter um câmbio fixo com os Estados Unidos, foram obrigados a aumentarem drasticamente suas próprias taxas de juros, o que levou à redução de gastos por parte dos comerciantes e habitantes destes países, que levou à quedas na produção industrial destes países.

A economia dos Estados Unidos da América entrou em uma fase de grande recessão econômica que perduraria até 1933. Até este ano, a economia dos Estados Unidos somente colapsaria. Durante este período, milhares de estabelecimentos bancários, financeiros, comerciais e industriais foram fechados. Outros foram obrigados a demitirem parte de seus trabalhadores e/ou a reduzir salários em geral.

A Grande Depressão nos Estados Unidos da América

A Grande Depressão causou pobreza geral nos Estados Unidos e em diversos países do mundo. Aqui, família desempregada, vivendo em condições miseráveis, em Elm Grove, Califórnia, Estados Unidos.

Com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque de 1929, bancos e investidores perderam grandes somas em dinheiro. A situação dos bancos era agravada pelo fato que muitos destes bancos haviam emprestado grandes somas de dinheiro a fazendeiros. Após o início da Grande Depressão, porém, estes fazendeiros tornaram-se incapazes de pagar suas dívidas. Isto, por sua vez, causou a queda dos lucros destas instituições financeiras. Pessoas que utilizavam-se de bancos, temendo uma possível falência destas, removeram seus fundos destes bancos. Assim, várias instituições bancárias foram fechadas. O total de instituições bancárias fechadas durante a década de 1920 e de 1930 foi de 14 mil.

Em 17 de maio de 1930, o governo dos Estados Unidos aprovou uma lei, o Ato Tarifário Smoot-Hawley, que aumentava as tarifas alfandegárias em cerca de 20 mil itens não-perecíveis estrangeiros. O Presidente americano Herbert Hoover pedira aoCongresso uma diminuição nos impostos, mas o Congresso, ao invés disto, votou a favor do aumento dos impostos. Um abaixo-assinado, assinado por mil economistas, pediu ao presidente americano rejeitar este aumento. Apesar disto, Hoover assinou o Ato em 17 de maio. O Congresso e o Presidente acreditavam que isto iria reduzir a competição de produtos estrangeiros no país. Porém, outros países reagiram através da aprovação de leis e atos semelhantes, assim causando uma queda súbita nas exportações americanas. As taxas de desemprego subiram de 9% em 1930 para 16% em 1931, e 25% em1933. Durante a década de 1930, a taxa de desemprego nos Estados Unidos não retornaria mais às taxas de 9% de 1930, se mantendo em perto da casa dos 20%.

Com o crescente fechamento de instituições bancárias, menos fundos estavam disponíveis no mercado americano, fazendo com que a queda na produção industrial americana continuasse a cair. Em 1929, o valor total dos produtos industrializados fabricados nos Estados Unidos foi de 104 bilhões de dólares. Em 1933, este valor havia caído para 56 bilhões, uma queda de aproximadamente 45%. A produção de aço caiu em cerca de 61%, entre 1929 e 1933, e a produção de automóveis caiu em cerca de 70% no mesmo período.

1933 foi o ápice da Grande Depressão nos Estados Unidos da América. As taxas de desemprego eram de 25% (ou um quarto de toda a força de trabalho americana). Cerca de 30% dos trabalhadores que continuaram nos seus empregos foram obrigados a aceitarem reduções em seus salários, embora grande parte dos trabalhadores empregados tenham tido um aumento nos seus salários por hora. Outro problema enfrentado foi a grande deflação - queda do preço dos produtos e custo de vida em geral. Entre 1929 e 1933, os preços dos produtos industrializados não-pericíveis em geral nos Estados Unidos caíram em cerca de 25%. Já o preço de produtos agropecuários caiu em cerca de 50%, por causa do excedente da produção destes produtos - primariamente trigo. A quantidade destes produtos à venda excedia facilmente a demanda, o que causou uma queda dos preços destes dados produtos. Os baixos preços levaram ao endividamento de muitos destes fazendeiros.

Combate à Grande Depressão e o fim da recessão nos EUA

Ver artigo principal: New Deal.

O Presidente americano Herbert Hoover acreditava que o comércio - se não supervisionado pelo governo - iria eventualmente minimizar os efeitos da recessão econômica. Eventualmente, Hoover acreditava, a economia dos Estados Unidos iria recuperar-se, sem que a intervenção do governo americano na economia do país fosse necessária. Hoover rejeitou diversas leis aprovadas pelo Congresso, alegando que davam ao governo americano poderes demais.

Hoover também acreditava que os governos dos estados americanos deveriam ajudar os necessitados. Muitos destes estados, porém, não tinham fundos suficientes para tal. Assim sendo, Hoover propôs a criação de um órgão governamental, oReconstruction Finance Corportation (Coorperação de Reconstrução Financeira), ou RFC, em 1932. Este órgão seria responsável por fornecer alguma ajuda financeira a empresas e instituições comerciais e industriais chave, como bancos,ferrovias e grandes empresas, acreditando que a falência destas instituições agravaria o efeito da Grande Depressão. No final de 1932, as eleições presidenciais americanas foram realizadas. Os dois principais candidatos foram Hoover e Franklin Delano Roosevelt. Muito da população americana acreditava que Hoover fora o principal causador da recessão, e/ou que pouco fizera para solucionar esta recessão. Roosevelt saiu-se vencedor da eleição, tornando-se Presidente dos Estados Unidos em 4 de março de 1933.

Roosevelt, ao contrário de Hoover, acreditava que o governo americano era a principal responsável para lutar contra os efeitos da Grande Depressão. Em uma sessão legislativa especial, sessão conhecida como Hundred Days ("Cem Dias"), Roosevelt, juntamente com o congresso americano, criaram e aprovaram uma série de leis que, por insistência do próprio Roosevelt, foram nomeadas de New Deal ("Novo Acordo"). Estas leis forneceriam ajuda social às famílias e pessoas que necessitassem, forneceriam empregos através de parcerias entre o governo, empresas e os consumidores, e reformou o sistema econômico e governamental americano, de modo a evitar que uma recessão deste gênero ocorresse futuramente.

Diversas agências governamentais foram criadas para administrar os programas de ajuda social. A mais importante delas foi aFederal Agency Relief Administration, criada em 1933, que seria responsável pelo fornecimento de fundos aos governos estatais, para que estes empregassem estes fundos em programas de ajuda social. Outros órgãos governamentais similares foram criados com o intuiro de fundear, administrar e/ou empregar trabalhadores na área de construção de aeroportos,escolas, hospitais, pontes e represas. Estes projetos federais forneceram milhões de empregos aos necessitados, embora as taxas de desemprego continuassem altas durante toda a década de 1930.

Outros órgãos foram criados com o intuito de admistrar programas de recuperação, como a Agricultural Adjustment Administration, criada em 1933 com o intuito de regular a produção de produtos agropecuários em uma dada fazenda. Outro órgão similar, o National Recovery Administration, criada em 1933, passou a forçar leis anti-monopólio, estabeleceusalários mínimos e limites na carga horária de trabalho. Esta última agência, porém, foi fechada a mando do Congresso, em 1935, por pouco estimular o comércio americano.

Por fim, outros órgãos federais foram criados com o intuito de supervisionar reformas trabalhistas e financeiras. O Federal Deposit Insurance Corporation foi criado em 1933 com o intuito de promover transações e o comércio bancário. OSecurities and Exchange Commission, criado em 1934, regulava o comércio de bolsa de valores e evitar com que acionistas comprassem ações que o órgão considerassem "perigosas". O National Labor Relations Board foi criado em 1935, com o intuito de regular sindicatos, e de proteger os trabalhadores e seus direitos. Ainda em 1935, um ato do governo americano, o Ato da Segurança Civil passou a fornecer pensões mensais para aposentados, bem como ajuda financeira regular por um certo período de tempo, para pessoas desempregadas.

O New Deal ajudou a minimizar os efeitos da Grande Depressão nos Estados Unidos da América. A economia americana gradualmente, mas lentamente, passou a recuperar-se, desde 1933. O governo americano também diminuiu as tarifas alfandegárias em certos produtos estrangeiros, assim estimulando o comércio doméstico. Ao longo da década de 1930, os Estados Unidos gradualmente abandonaram o uso do padrão-ouro, decidindo ao invés disso, fortalecer a moeda nacional, odólar, o que também ajudou na recuperação da economia americana. A produção de comodidades tais como automóveis voltaria aos patamares de 1929, porém, somente após o fim da guerra, como a produção de automóveis, por exemplo 1949- a maior parte da matéria-prima à época possuía prioridade pela indústria bélica nacional.

Porém, apesar dos programas governamentais criados com o intuito de reduzir o desemprego, cerca de 15% da força de trabalho americana continuava desempregado em 1940. Foi necessário a entrada do país na Segunda Guerra Mundial para que as taxas de desemprego caíssem aos níveis de 1930, de 9%. A entrada do país na guerra acabou com os efeitos negativos da Grande Depressão, e a produção industrial americana cresceu drasticamente, e as taxas de desemprego caíram. No final da guerra, apenas 1% da força de trabalho americana estava desempregado. Perto do final da guerra, os Estados Unidos e todos os outros 44 países Aliados assinaram o que é conhecido como os Acordos de Bretton Woods, com o intuito de evitar futuramente uma nova crise monetária e econômica da escala da Grande Depressão

A Grande Depressão em outros países

Fila de famílias esperando por ajuda financeira. Diversos programas de ajuda social foram criadas pelo governo dos Estados Unidos a partir de1933.

A Grande Depressão causou grande recessão econômica em diversos outros países que não os Estados Unidos da América. Em muito destes países, a recessão provocada pela Grande Depressão gerou efeitos similares na economia destes países, como o fechamento de milhares de estabelecimentos bancários, financeiros, comerciais e industriais, e a demissão de milhares de trabalhadores.

Os efeitos da Grande Depressão em vários países foram agravados pelo Ato Tarifário Smoot-Hawley, um ato americano introduzido em 1930, que aumentava impostos a cerca de 20 mil produtos não-pericíveis estrangeiros, que causou a aprovação de leis e atos semelhantes em outros países, reduzindo drasticamente exportações e o comércio internacional.

Em vários dos países afetados, partidos políticos extremistas, de caráter nacionalista, apareceram. Outros partidos políticos, de cunho comunista, também foram criados. No Reino Unido, por exemplo, tanto o Partido Comunista quanto o Partido Facista britânico receberam considerável suporte popular. O mesmo ocorreu com o Partido Comunista canadense.

Outros partidos políticos menos extremistas também surgiram. A grande maioria, se não todos, prometiam retirar o país (ou uma dada província/estado) da recessão. O Partido do Crédito Social do Canadá, de cunho conservador ganhou grande suporte popular em Alberta, província canadense severamente afetada pela Grande Depressão. Em alguns destes países, partidos extremistas foram proibidos, como no Canadá. Outros partidos políticos extremistas, porém, conseguiram chegar ao poder, notavelmente os nazistas na Alemanha e os facistas na Itália.

Canadá

Entre a década de 1900 e a década de 1920, o Canadá possuía a economia em mais rápido crescimento do mundo, tendo passado por apenas um período de recessão após a Primeira Guerra Mundial. Ao contrário dos Estados Unidos da América, onde o crescimento exuberante da economia americana era em grande parte apenas ilusório, a economia do Canadá properou verdadeiramente durante a década de 1920. Enquanto a indústria imobiliária dos Estados Unidos havia estagnado em volta de 1925, esta indústria continuou forte no Canadá até maio de 1929. O mesmo podia se dizer da indústria agropecuária, que ao longo da década de 1920 esteve em pleno crescimento no Canadá, enquanto nos Estados Unidos este setor entrara em recessão econômica.

O principal produto de exportação do Canadá, à época, era o trigo. Este produto era então um dos pilares da economia do país. Em 1922, o Canadá era o maior exportador de trigo do mundo, e Montréal era o maior centro portuário exportador de trigo do mundo. Entre 1922 e 1929, o Canadá foi responsável por 40% de todo o trigo comercializado no mundo. As exportações de trigo ajudaram a fazer do Canadá um dos líderes mundiais do comércio internacional, com mais de um terço de seu produto interno bruto tendo origem no comércio internacional.

O sucesso do trigo canadense era baseada, porém, em problemas que afligiam outros países no mundo. A Primeira Guerra Mundial devastou a produção agropecuária dos países europeus. Mais importante foi, porém, a Revolução Russa de 1917, que manteve o trigo russo fora do mercado mundial. Em torno de 1925, a gradual recuperação da economia e da agropecuária da Europa Ocidental, bem como uma nova política econômica na Rússia, fez com que a produção mundial de trigo aumentasse no mundo, assim diminuindo os preços do produto. Esperando por um rápido retorno aos altos preços, os fazendeiros e comerciantes canadenses estocaram muito de seu trigo, ao invés de reduzirem sua produção. A introdução de maquinário, especialmente o trator, levou ao crescimento da produção de trigo tanto no Canadá quanto nos Estados Unidos. Em junho de 1929, isto levou à um colapso dos preços do trigo, destruído a economia de Alberta, Saskatchewan eManitoba, e afetando severamente a economia de Ontário e Quebec.

A parte dos Estados Unidos da América, o Canadá foi o país mais duramente atingido pela Grande Depressão. O Canadá, ainda oficialmente parte do Império Britânico, usava ativamente o padrão-ouro. Isto, aliado com os estreitos laços econômicos existentes entre o Canadá e os Estados Unidos (muito dos produtos fabricados no Canadá eram exportados para os Estados Unidos, por exemplo), fez com que o colapso da economia americana após a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque rapidamente afetasse o Canadá. O colapso econômico canadense é considerado o segundo mais acentuado da Grande Depressão, atrás somente do colapso da economia do próprio Estados Unidos da América.

A economia do Canadá também dependia da exportação de certos produtos industrializados tais como automóveis. Com a Grande Depressão, as exportações canadenses aos Estados Unidos caíram drasticamente. O colapso dos preços do trigo fizeram com que muitos fazendeiros canadense endividassem-se pesadamente. Os fazendeiros no Alberta e no Saskatchewansofreram, além disso, com grandes períodos de seca e de constante ataque de pragas tais como enxames de gafanhotos. A queda na produção industrial canadense, por sua vez, significou a demissão de grandes quantidades de trabalhadores.

A economia do Canadá tinha algumas vantagens sobre outros países, especialmente seu sistema bancário extremamente estável. Antes e ao longo da Grande Depressão, apenas um único estabelecimento bancário canadense faliu, em comparação aos 9 mil que faliram somente ao longo da Grande Depressão. A economia do Canadá foi atingida duramente pela Grande Depressão primariamente por causa de sua dependência em relação ao trigo e produtos industrializados, mas também por causa da dependência da economia do canadense em relação às exportações de produtos canadenses para os Estados Unidos. A primeira reação de vários países, incluindo os Estados Unidos, quando a Grande Depressão teve início, foi de aumentar impostos. Isto causou mais danos à economia do Canadá do que para outros países no mundo.

Richard Bedford Bennett, que atuou como Primeiro-Ministro do Canadá entre 1930 e 1935, tentou minimizar os efeitos da Grande Depressão no país, inclusive, através da introdução de uma New Deal semelhante aos dos Estados Unidos, implementado em 1934. Porém, a economia do país continuou somente passou a recuperar-se muito lentamente a partir de 1934.

Em 1933, 30% da força de trabalho canadense estava desempregado, deflação ocorreu, reduzindo salários e preços de produtos e reduziu investimentos. Em 1932, a produção industrial canadense havia caído para 58%, em relação à produção industrial em 1929. Enquanto isto, o PIB canadense havia caído em cerca de 42%, em relação ao PIB do país em 1929. Apesar de ter passado por um período de curto e pequeno crescimento econômico entre 1934 e 1937 - que de longe fora suficiente para atenuar os efeitos causados pela Depressão - a economia do Canadá entrou novamente em uma grande recessão. Foi somente com a entrada do país na Segunda Guerra Mundial, em 1939, que os efeitos da Grande Depressão teriam fim no país.

Reino Unido

O Reino Unido saiu-se vencedor na Primeira Guerra Mundial. Porém, a guerra e a destruição causada pela última destruíram a economia britânica. Desde 1921, a economia do Reino Unido lentamente recuperou-se da guerra, e da recessão causada por esta. Mas em abril de 1925, o chancellor britânico Winston Churchill, respondendo a um conselho do Banco da Inglaterra, fixou o valor da moeda nacional ao padrão-ouro, à taxa pré-guerra, de 4,86 dólares. Isto fez o valor da moeda britânica convertível ao seu valor em ouro, mas causou também o encarecimento dos produtos exportados pelo Reino Unido a outros países. A recuperação econômica do país caiu drasticamente, o que causou redução de salários no país inteiro, debilitando a economia nacional.

Quando a Grande Depressão teve início nos Estados Unidos, em 1929, diversos países no mundo inteiro criaram ou aumentaram tarifas alfandegárias, o que causou uma grande diminuição nas exportações de produtos britânicos. A taxa de desemprego saltou de 8% para 20% no final de 1930. O Reino Unido cortou gastos públicos - que incluíram fundos dados para programas de ajuda social aos desempregados. Em 1931, mais cortes em salários e programas de ajuda social foram realizadas, e o imposto de renda nacional, foi aumentado. Estas medidas somente pioraram a situação socio-econômica do país, e em 1932, ápice da Grande Depressão no Reino Unido, as taxas de desemprego eram de 25%. Foi somente com o abandono do padrão-ouro e a instalação de tarifas alfandegárias para produtos importados de qualquer país que não fossem parte do Império Britânico, que a economia britânica passou a gradualmente recuperar-se.

Alemanha

Ver artigos principais: República de Weimar, Nazismo

A Alemanha foi derrotada pela Tríplice Entente na Primeira Guerra Mundial. A Entente cobrou pesadas indenizações por parte dos alemães - que em dólares americanos atuais seria da ordem dos trilhões de dólares - entre outras pesadas punições impostas pelo Tratado de Versalhes. Começa então o perído da história alemã, chamado por historiadores como República de Weimar. Os anos da década de 1920 foram caracterizadas por massiva inflação em 1923 e o grande aumento da dívida externa do país entre 1925 e 1930.

Quando a Grande Depressão teve início em 1929, o governo alemão acreditou que cortes em gastos públicos iriam estimular o crescimento econômico do país, assim cortando drasticamente gastos estatais, incluindo no setor social. O governo alemão esperava e acreditava que a recessão, inicialmente, iria deteriorar a Alemanha socio-economicamente, esperando com o tempo, porém, a melhoria da estrutura socio-econômica do país, sem intervenção do governo. A República de Weimar cortou completamente todos os fundos públicos ao programa de ajuda social para desempregados - o que resultou em maiores contribuições pelos trabalhadores e menores benefícios aos desempregados - entre outros cortes no setor social. Quando a recessão chegou ao seu auge em 1932, a República de Weimar perdera toda sua credibilidade junto à população alemã, fator que facilitou a ascenção do nazista Adolf Hitler no governo do país, em 1933, marcando o fim da República de Weimar e o início a um breve e ilusório período de crescimento econômico alemão, conhecido como III Reich.

Outros países

Na França, a Grande Depressão atingiu o país um pouco mais tardiamente do que outros países, em torno de 1931. Como o Reino Unido, a França estava ainda recuperando-se da Primeira Guerra Mundial, tentando sem muito sucesso recuperar os pagamentos que possuía direito da Alemanha. Isto levou à ocupação do Ruhr por forças francesas no início da década de 1920. A ocupação francesa do Ruhr não fez com que a Alemanha retomasse os seus pagamentos, levando à implementação do Plano Dawes em 1924, e do Plano Young em 1929. Porém, a Grande Depressão teve drásticos efeitos na economia local, e explica em parte os motins de 6 de fevereiro de 1934 e a formação da Frente Popular, liderada pelo socialista Léon Blum, que venceu as eleições de 1936.

Por causa da Grande Depressão, o comércio internacional de produtos caiu drasticamente. A Austrália, que dependia da exportação de trigo e algodão, foi um dos países mais severamente atingidos pela Depressão no Mundo Ocidental. A taxa de desemprego alcançou um recorde de 29% em 1932, uma das mais altas do mundo até os dias atuais. As exportações de produtos agrários e minérios, tais como café, trigo e cobre, de países da América Latina, caiu de 1,2 bilhão de dólares em 1930 para 335 milhões de dólares em 1933, aumentando para 660 milhões de dólares em 1940. Os efeitos da crise fizeram com que em alguns destes países, muitos agricultores passassem a investir seu capital na manufatura, causando a industrialização destes países, em especial, a Argentina e o Brasil.

A Ásia também foi afetada negativamente com a Grande Depressão, por causa da dependência da economia de diversos países asiáticos em relação à exportação de produtos agrários à Europa e à América do Norte. O comércio internacional asiático caiu drasticamente, à medida em que os Estados Unidos e a Europa foram cercadas pela recessão. Instalações comerciais e industriais asiáticas responderam através de demissões e redução nos salários. O PIB do Japão, com uma base industrial em crescimento, sofreu uma queda de 8% entre 1929 e 1930. As taxas de desemprego e de pobreza cresceram drasticamente, afetando desproporcionalmente as classes inferiores. Esta foi uma das causas da ascenção do nacionalismojaponês. O Japão recuperou-se da crise em 1932.

A vida durante a Grande Depressão

A maior parte da população dos países mais afetados pela Grande Depressão cortaram todo e qualquer tipo de gasto considerado supérfluo, agravando os efeitos da recessão na economia destes países.

Por causa da Grande Depressão, milhões de pessoas nas cidades perderam seus empregos nos países mais atingidos pela recessão. Sem fonte de renda, estas pessoas não tinham mais como sustentar-se a si próprios e suas famílias. A maioria das residências destas famílias, por sua vez, eram alugadas ou, ainda estavam sendo pagas através de prestações. Como conseqüência, milhares de famílias eventualmente foram expulsas de suas residências, por não terem como pagar os aluguéis ou as prestações de sua casa. Além disso, o desemprego fez com que a subnutrição tornasse-se comum entre a população dos países mais atingidos. Milhares de pessoas morreram por causa da subnutrição.

Algumas pessoas e famílias sem fonte de renda mudaram-se para a residência de parentes, quando perdiam suas residências. A maioria destas famílias, porém, instalaram-se em favelas. Abrigos rústicos feitos com telas de metais, madeira e papelão tornaram-se comuns em áreas vadias das grandes cidades dos países mais atingidos. As condições de vida nestas favelas eram precárias.

A indústria agropecuária de diversos países - especialmente os Estados Unidos e o Canadá - foi duramente atingida pela Grande Depressão. Nos Estados Unidos, muitos fazendeiros endividaram-se pesadamente, e vários foram forçados a cederem suas terras para instituições bancárias. Na Califórnia, no centro-norte dos Estados Unidos e no centro-oeste do Canadá, grandes períodos de seca, invernos rigorosos e pestes agravaram a recessão econômica já existente nestas regiões. Muitos dos jovens das áreas rurais abandonaram suas fazendas e suas famílias, e buscaram a sorte nas cidades. Estas pessoas, juntamente com muitas das pessoas desempregadas nas cidades, viajavam de cidade a cidade, pegando carona emtrens de carga, em busca de emprego. Esta foi uma cena muito comum nos Estados Unidos e no Canadá.

Os chefes de estado e outras pessoas importantes dos países atingidos passaram a ser frequentemente considerados diretamente culpados pelo início da Grande Depressão por muito da população atingida pela recessão. As favelas dos Estados Unidos foram apelidadas de Hoovervilles, em uma sátira da população americana ao presidente Herbert Hoover. No Canadá, muitos donos de automóveis apelidaram seus veículos de Bennett Buggies - Carroças Bennett - em uma sátira ao Primeiro-Ministro Richard Bennett. Isto porque estas pessoas não tinham como adquirir o combustível necessário para abastecer seus veículos, ou cortaram a compra de combustível por considerarem um gasto supérfluo. Estes veículos passaram a serem usados como carroças, puxados por cavalos ou outro eqüinos.

Nem todos as pessoas sofreram igualmente com a Grande Depressão. Paras pessoas que conseguiram manter seus empregos os países mais afetados pela recessão, ou que dispunham de uma poupança considerável, o padrão de vida não mudou muito. Apesar que muitos trabalhadores sofreram de cortes consideráveis em seus salários, a deflação fez com que os preços de produtos em geral caísse drasticamente. Ao longo da Grande Depressão, os preços da maioria dos produtos de consumo manteve-se muito baixo nos países mais afetados.

Por outro lado, muitos afro-americanos nos Estados Unidos não conseguiam emprego, especialmente no sul americano, por causa de discriminação racial. Empregos eram dados primariamente aos brancos. Por isto, em todo os Estados Unidos, a taxa de desemprego entre a população afro-americana foi muito maior do que o da população branca. Mulheres com famílias para sustentar também dificilmente encontravam empregos, uma vez que a prioridade era dada para trabalhadores do sexo masculino, e que a discriminação contra mulheres trabalhadoras aumentou.

Grupos étnicos minoritários - especialmente imigrantes - dos países mais atingidos passaram a serem discriminados por muito da população dos países mais afetados. Estes grupos étnicos eram discriminados porque, na visão de várias pessoas dos países afetados pela Grande Depressão, estes grupos étnicos competiam com a "população nativa" dos países atingidos por empregos. Isto, aliado à forte recessão econômica da década de 1930, fez com que as taxas de imigração caíssem sensivelmente no Canadá e nos Estados Unidos.

Legado

Após o fim da Grande Depressão, muitos dos países mais severamente atingidos passaram a fornecer maior assistência social e econômica aos necessitados. Por exemplo, o New Deal dava ao governo americano maior poder para fornecer esta ajuda para estes necessitados, bem como para aposentados.

A Grande Depressão gerou grandes mudanças na política econômica em vários dos países envolvidos. Anteriormente à Grande Depressão, por exemplo, o governo dos Estados Unidos da América pouco intervinha na economia do país. Executivos financeiros e grandes magnatas comerciantes eram vistos como líderes nacionais. A Grande Depressão, porém, mudou as atitudes de diversas pessoas em relação ao comércio. Muitos passaram a favorecer maior controle da economia do país por parte do governo. Outras grupos, mais extremistas, favoreciam a instalação de um regime comunista de governo.

Fonte: Wikipédia

GUERRA DE TRÓIA

A Guerra de Tróia foi um episódio sangrento da Idade Antiga (cerca de 3000 a. C.) que culminou com a destruição da cidade-estado de Tróia e também facilitou o fim da Idade do Bronze no Mediterrâneo. A causa deste conflito de cerca de dez anos foi o rapto de Helena de Esparta por Páris de Tróia. Segundo a lenda, a cidade de Tróia acabou por ser tomada após um longo cerco através do uso do estratagema do cavalo de Tróia.

Os gregos antigos acreditavam que a guerra de Tróia era um fato histórico, ocorrido por volta de 1200 a.C. no período micênico, mas estudiosos atuais têm dúvidas se ela de fato ocorreu. Até a descoberta do sítio arqueológico em Anatólia, naTurquia, se acreditava que Tróia era uma cidade mitológica.

A obra de Homero: A Ilíada descreve os acontecimentos finais da guerra, que incluem as mortes de Pátroclo e Heitor.

Mito

Guerra de Tróia se deu quando os aqueus atacaram a cidade de Tróia, buscando vingar o rapto de Helena, esposa do rei de Esparta, Menelau, irmão de Agamenon. Os aqueus eram os povos que hoje conhecemos como gregos, que compartilhavam uma cultura e língua comuns, mas na época se enxergavam como vários reinos, e não como um povo só.

A lenda conta que a deusa (ninfa) do mar Tétis era desejada como esposa por Zeus e seu irmão Poseidon. Porém Prometeufez uma profecia que o filho da deusa seria maior que seu pai, então os deuses resolveram dá-la como esposa a Peleu, um mortal já idoso, intencionando enfraquecer o filho, que seria apenas um humano. O filho de ambos é o guerreiro Aquiles e sua mãe, visando fortalecer sua natureza mortal, o mergulhou quando ainda bebê nas águas do mitológico rio Estige. As águas tornaram o herói invulnerável, exceto no calcanhar, por onde a mãe o segurou para mergulhá-lo no rio (daí a famosa expressão “calcanhar de Aquiles”, significando ponto vulnerável). Aquiles se torna o mais poderoso dos guerreiros, porém, ainda é mortal. Mais tarde, sua mãe profetisa que ele poderá escolher entre dois destinos: lutar em Tróia e alcançar a glória eterna, mas morrer jovem ou permanecer em sua terra natal e ter uma longa vida, porém ser logo esquecido.

Para o casamento de Peleu e Tétis todos os deuses foram convidados, menos Éris, ou Discórdia. Ofendida, a deusa compareceu invisível e deixou à mesa um pomo de ouro com a inscrição “À mais bela”. As deusas Hera, Atena e Afroditedisputaram o título de mais bela e o pomo. Zeus não quis ser o juiz, para não descontentar duas das deusas, então ordenou que o príncipe troiano Páris, à época sendo criado como um pastor ali perto, resolvesse a disputa. Para ganhar o título de “mais bela”, Atena ofereceu a Páris poder na batalha e sabedoria, Hera ofereceu riqueza e poder e Afrodite, o amor da mulher mais bela do mundo. Páris deu o pomo à Afrodite, ganhando assim sua proteção, porém atraindo o ódio das outras duas deusas contra si e contra Tróia.

A mulher mais bela do mundo era Helena, filha de Zeus e Leda. Leda era casada com Tíndaro, rei de Esparta. Helena possuía diversos pretendentes, que incluíam muitos dos maiores heróis da Grécia, e o seu pai adotivo, Tíndaro, hesitava tomar uma decisão em favor de um deles temendo enfurecer os outros. Finalmente um dos pretendentes, Odisseu (cujo nome latino era Ulisses), rei de Ítaca, resolveu o impasse propondo que todos os pretendentes jurassem proteger Helena e o marido que escolhesse, qualquer que fosse. Helena então se casou com Menelau, que se tornou o rei de Esparta.

Quando Páris foi a Esparta em missão diplomática, se enamorou de Helena e ambos fugiram para Tróia, enfurecendo Menelau. Este apelou aos antigos pretendentes de Helena, lembrando o juramento que haviam feito. Agamenon então assumiu o comando de um exército de mil naus e atravessou o Mar Egeu para atacar Tróia. As naus gregas desembarcam na praia próxima a Tróia e iniciam um cerco que iria durar 10 anos e custaria a vida muitos heróis de ambos os lados. Dois dos mais notáveis heróis a perderem a vida na Guerra de Tróia foram Heitor e Aquiles.

Finalmente, seguindo um estratagema proposto por Odisseu, o famoso Cavalo de Tróia, os gregos conseguem invadir a cidade governada por Príamo e terminaram a guerra.

Fonte: Wikipédia

GUERRA DO AFEGANISTÃO

Período

1979 -1988

Área do conflito

Ásia Central

Protagonistas

URSS e guerrilheiros afegãos mujahedin

Histórico

Em 29 de novembro de 1979, o general soviético Viktor Paputin voou para Cabul, capital do Afeganistão, presumivelmente com a tarefa de convencer o então primeiro-ministro Hafizullah Amin a entregar o governo a Babrak Karmal, exilado desde1978, e apoiado pelos soviéticos. Amin resistiu às pressões e a recusa selou seu destino. Nas semanas seguintes, mais de 100.000 homens de unidades motorizadas soviéticas, apoiadas por blindados e artilharia, ocuparam posições junto à fronteira afegã. Em 24 de dezembro, unidades da 105ª Divisão Aerotransportada de Guardas começaram a aterrissar no aeroporto de Cabul, estabelecendo uma cabeça-de-ponte, de onde iniciaram sua ofensiva, capturando várias bases aéreas, os prédios do Ministério do Interior e da central telefônica. Cerca 1.500 conselheiros militares que atuavam no país sabotavam equipamentos do exército afegão e desestimulavam qualquer tipo de resistência por parte das tropas oficiais. No dia 27, uma coluna de VBTT cercou o palácio do governo, que foi tomado de assalto por pára-quedistas. Na luta que se seguiu, Amin foi morto e Babrak Karmal assumiu o poder. Sem resistência, outras quatro divisões chegaram ao Afeganistão: a 66ª e a 357ª Divisões Motorizadas seguiram para Herat e Kandahar, a noroeste e ao sul; a 201ª e a 360ª divisões, com tanques T-54 e T-62 cruzaram o rio Amu Darya e atingiram Bagram. A princípio, os soviéticos deram prioridade ao controle das áreas urbanas e linhas de comunicação. Mas com o exército afegão desmoralizado na luta contra os guerrilheiros mujahedin, os soviéticos tiveram que mudar de tática, empregando suas tropas em incursões terrestres, apoiadas por veículos blindados e maciços ataques aéreos e assaltos com helicópteros. Os mujahedin, liderados por Ahmed Massoud, bem treinados e armados pelos chineses e americanos com fuzis AK-47, canhões anti-aéreos ZU-23, minas e lança-granadas RPG-7, conheciam a região melhor do que ninguém, atacando os comboios inimigos, infringindo-lhes pesadas perdas e fugindo em direção às montanhas. Até 1984, haviam resistido no vale de Panjshir a seis ataques em larga escala. Trata-se de um vale estreito de mais de 100 km, circundado por altas montanhas, ideal para a luta de guerrilhas. Na Operação Panjshir 5, em maio de 82, um batalhão soviético foi helitransportado para uma posição elevada, enquanto a Div.Motzda.Nevel-Polotsk com tanques T-62 e VBTT subia o vale. Porém os guerrilheiros atacaram o Batalhão no cume impondo-lhe muitas baixas e em seguida bloquearam o avanço da Div.Motzda. submetendo-a a um ataque constante nas estreitas estradas do vale, caindo vitíma dos campos minados da guerrilha. Na Operação Panjshir 6, em agosto, os soviéticos, agora mais cautelosos, fizeram um bombardeio preparatório realizado por aviões e helicópteros armados Mi-24. As tropas avançaram, consolidando cada estágio com ataques secundários aos vales laterais, para cortar as rotas de fuga dos mujahedin. Em abril de 1984, o comando soviético lançou a sétima ofensiva contra o vale do Panjshir, mobilizando 20.000 homens, seiscentos blindados e sessenta helicópteros, com mais de trinta incursões aéreas diárias sobre as posições guerrilheiras. O líder Massoud recuou com seus homens para regiões menos expostas e passou a efetuar atentados nas cidades contra alvos militares. No final de 1988, após todo o desgaste sofrido em termos materiais e em sua imagem junto a outros países, a União Soviética retirou suas tropas do Afeganistão, deixando seu aliado Babrak Karmal entregue à própria sorte.

Forças envolvidas

URSS: 110.000 homens (20.000 baixas, sendo 5.000 fatais); carros de combate T-54 e T-62; veículos VBTT; helicópteros Mi-8 Hip, Mi-24 Hind e Mi-26; aviões de ataque MIg-23; custo anual da invasão US$ 3 bilhões.

Guerrilheiros mujahedin: 10.000 homens com apoio financeiro e material de chineses, americanos, egípcios e paquistaneses.


Principal batalha

Campanhas pelo domínio do Vale do Panjshir.

Resultado final

Sem o apoio das tropas soviéticas e com o exército afegão praticamente desmantelado, Brabak Karmal foi deposto pelos guerrilheiros mujahedin que implantariam um regime muçulmano ultra tradicionalista, o Talibã, permanecendo no poder até a recente invasão americana, em 2001, em represália ao apoio dado a Osama Bin Laden e sua organização terrorista Al-Qaeda.

Fonte: Wikipédia

GUERRA DO VIETNÃ

GUERRA DO VIETNÃ

Recolha do 2º Batalhão, 14º Regimento de Infantaria, de uma plantação de borracha em Filhol, durante a Operação Wahiawa.

A Guerra do Vietnã (ou Vietname, ou ainda Vietnam) foi um conflito armado entre 1964 e 1975 no Vietnã do Sul e nas zonas fronteiriças do Camboja e do Laos, e bombardeios (Rolling Thunder) sobre o Vietnã do Norte. O envolvimento dos EUA no conflito teve como pretexto um ataque norte-vietnamita aos seus navios USS Maddox e USS C.Turney Joyenquanto patrulhavam o golfo de Tonquim, em Julho de 1964. Hoje em dia sabe-se que o ataque foi uma farsa do governo estado-unidense para ter um pretexto de intervir no Vietnã.

As hostilidades originaram-se com a intromissão dos EUA na política interna do Vietnã. Conforme definido pela Convenção de Genebra, os vietnamitas teriam direito a eleições livres para escolher seus governantes. Mas diplomatas estado-unidenses sabiam muito bem que, se fossem autorizados plebiscitos no país, os comunistas venceriam com mais de 90% dos votos, graças à enorme popularidade de seu líder, Ho Chi Minh, patriota e herói da resistência vietnamita contra as ocupaçõesjaponesa e francesa. O maior temor dos Estados Unidos não era apenas a possibilidade de o Vietnã cair nas mãos dos comunistas, e sim o chamado "efeito dominó", isto é, que outros países vizinhos tentassem seguir o exemplo da insubordinação vietnamita.

No início, os EUA apoiavam o regime ditatorial do Vietnã do Sul com dinheiro, armas, carros de combate, assessores militares e, a partir de 1962, tropas. Combatiam de um lado uma coalizão de forças incluindo os Estados Unidos da América, a República do Vietnã (Vietnã do Sul), a Austrália, a Nova Zelândia, as Filipinas e a Coréia do Sul, e do outro lado a República democrática do Vietnã, a Frente de liberação nacional (FLN, Vietcong, ex-Vietmin) e a guerrilha comunista sul-vietnamita. Cerca de 2 400 000 estado-unidenses foram enviados para o Vietnam entre 1965 e 1973 para ajudar a preservar a independência do Vietnam do Sul pró-capitalista em relação ao norte comunista. Os helicópteros indispensáveis à campanha dos aliados e a artilharia pouco ou nada podiam fazer, na maioria das vezes os soldados estado-unidenses ficavam vulneráveis neste território pouco conhecido, ao contrário dos Vietcongs que o conheciam como a palma da mão e possuíam uma grande rede de abrigos subterrâneos e túneis, realizando armadilhas e emboscadas. A URSS e a China forneceram ajuda material ao Vietnã do Norte e ao FLN, mas não tiveram participação militar ativa no conflito.

Essa guerra era uma parte do conflito regional envolvendo os países vizinhos do Cambodja e do Laos, conhecido comoSegunda Guerra da Indochina.

No Vietnã, esta guerra é chamada de guerra da América (Vietnamita: Chiến Tranh Chống Mỹ Cứu Nước, literalmenteguerra contra os Americanos e para salvar a nação). Para tal, os vietnamitas tiveram de suportar baixas e bombardeamentos terríveis. A mortandade de militares americanos – 57939 perderam suas vidas entre 1962 e a retirada aliada, em 1975 – tornou o conflito extremamente impopular. Muitos dos que passaram a protestar contra essa guerra eram pessoas que a apoiaram entusiasticamente no início.

Este conflito se inscreve no contexto da Guerra Fria, conflito entre as potências capitalistas e o bloco comunista.

Fonte: Wikipédia

CONFLITO ENTRE JUDEUS E PALESTINOS

O Conflito israelo-palestino (Brasil) ou conflito israelo-palestiniano (Portugal) é a designação dada à luta armada entre israelenses e palestinos, sendo parte de um contexto maior, o conflito árabe-israelense. Seu início de facto remonta ao imediato período do pós-Segunda Guerra Mundial quando instruídos pelos Aliados inúmeros judeus mudaram-se da região da Alemanha e Polônia e Áustria na Europa para a região da Terra Prometida por Deus com a intenção de viverem uma nova fase na milenar Palestina. Isto fez o fluxo migratório para esta região crescer consideravelmente e logo aumentaram os atritos entre os emigrantes e os administradores ingleses que dominavam a região, que coincidindo com fim do mandato britânico naPalestina o atrito transferiu-se aos residentes palestinos que logo transformou-se em uma confrontação militar entre os povos nativos de direito e os recém-chegados israelenses, povos ricos de cultura mais avançada que logo dominaram toda a região deram início a existência do Estado de Israel.

História

Mapa da partilha da palestina realizada pela ONU em 1947

Ver artigo principal: Conflito árabe-israelense.

A partir de 1897 depois de fundado o movimento sionista, os judeus voltaram para a região da Palestina. De 1918 até 1939o protetorado ficou para os britânicos, após o fim do Império Otomano na região, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial mais judeus voltam a Palestina. Em 1947 a ONU propõe a divisão das terras Palestinas entre judeus e árabes, com a proporção maior e mais rica para os judeus o que os palestinos rejeitam. Em 1948 os britânicos saem da região e os judeus proclamam o Estado de Israel, apartir daí que o conflito se amplia. Egito, Jordânia,Líbano, Síria e Iraque atacam a região do Estado de Israel para conquistar algum espaço. O Egito consegue a região da Faixa de Gaza e a Jordânia consegue as regiões da Cisjordânia e Jerusalém oriental e os Palestinos acabam sem território. Em 1964 os Palestinos criam a OLP e apartir de 1967 inicia a Guerra dos Seis Dias onde Israel ocupa as regiões da Faixa de Gaza, Monte Sinai, Colinas de Golã,Cisjordânia e Jerusalém oriental e muitas pessoas entre Palestinos são refugiados em outros países. Em 1973 começa aGuerra do Yom Kippur e entre 1977 a 1979 Israel e Egito fazem um acordo de paz e a região de Sinai é devolvida para oEgito. Em 1982 Israel invade o Líbano. Em 1987 explode a Intifada. Em 1988 o Conselho Palestino renuncia a Intifada e aceita o Plano de Partilha da ONU. Em 1993 com o Acordo de Paz de Oslo foi criada a Autoridade Palestina com o comando de Yasser Arafat. A partir de 2000 iniciou-se o segundo levante da Intifada, em 2001 Ariel Sharon é eleito primeiro ministro do Estado de Israel, onde ocupa territórios Palestinos e dá o início da construção do Muro da Cisjordânia, em 2004Yasser Arafat morre e deixa o cargo da Autoridade Palestina para o eleito Mahmud Abbas e Israel destrói assentamentos palestinos na Faixa de Gaza e Cisjordânia.

Eclosão do conflito

A Organização das Nações Unidas (ONU), aprovou por meio de sua Assembléia Geral no ano de 1947, a criação de um estado judeu e outro árabe ao final do mandato do protetorado britânico (1948) na palestina. De acordo com este plano, a cidade de Jerusalém seria um território administrado internacionalmente pelas própria ONU. No entanto, os países árabes não aceitavam a existência de Israel, pretendendo invadir logo após a saída das tropas britânicas. Da mesma maneira, alguns judeus não aceitavam a co-existência de um estado árabe palestino.

Começou desta maneira o conflito israelo-palestino, com novo estado de Israel rechaçando as forças árabes e ocupando aCisjordânia e a Faixa de Gaza, territórios do planejado estado árabe/palestino. Desta maneira, contrariando o plano inicial da ONU, o povo palestino continuou a existir sem um país e sem reconhecimento internacional, o que o levou à luta armada, tanto com as revoltas populares conhecidas como intifada quanto com a formação de grupos armados como a Organização para a Libertação da Palestina.

Ademais, no início do conflito em 1948, aproximadamente 711.000 palestinos que viviam na região abandonaram suas casas para fugir das batalhas, criando uma grande onda de refugiados que se abrigaram nos países vizinhos, Faixa de Gaza eCisjordânia. Com o passar do tempo seu número cresceu, e a dúvida é se estes refugiados palestinos algum dia poderão retornar a seus antigos lares, complicando as conversações entre as partes envolvidas.

Outro grande entrave para as negociações de paz é a reivindicação de soberania com relação à cidade de Jerusalém. Devido ao seu valor histórico e religioso, tanto palestinos como israelenses a consideram capital de seus respectivos países, sem muitas expectativas de criarem um modelo de administração compartilhada da cidade.

Houve inúmeros períodos de acirramento do conflito, com hostilidades militares de ambos os lados, e vários acordos de paz que acabaram fracassando.

Atualmente, há grandes chances do estado Palestino surgir de fato, pois as bases políticas e institucionais da Autoridade Nacional Palestina (ANP) são reconhecidas pela comunidade internacional, inclusive estando presente nas Nações Unidas como membro observador.

Retirada de Israel da Faixa de Gaza

De acordo com o governo do Primeiro-Ministro Ariel Sharon, a consolidação do cessar-fogo entre as partes beligerantes possibilita a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza, concretizando a transferência de soberania e conseqüente materialização da territorialidade, dois fatores fundamentais para a existência de um Estado soberano palestino.

A transferência, com a saída dos exército e colonos judaicos da Faixa de Gaza será em agosto de 2005. Por conta disto, a ANP está treinando um efetivo de 5.000 policiais para a manutenção da ordem da região após a retirada israelense.

Fonte: Wikipédia