Hobbes: o Estado visto como um contrato em que os homens superam seu “estado de natureza”.Thomas Hobbes foi um pensador britânico que iniciou sua carreira acadêmica em algumas escolas de Westport, seguindo posteriormente seus estudos na Universidade de Oxford. Inicialmente trabalhou como responsável pela educação de William Cavendish, filho de uma tradicional família inglesa. Nesse período, teve a oportunidade de entrar em contato com as obras clássicas, principalmente, nas temporadas em que esteve na França e na Itália.
Após a viagem, percebeu que as teorias aristotélicas perdiam espaço para os princípios recentemente difundidos pelos cientistas Galileu Galilei e Johannes Kepler. Por isso, gastou um bom tempo revisando as obras de grandes figuras da cultura greco-romana. Foi a partir daí que Thomas Hobbes publicou, em 1629, uma tradução de “História da Guerra do Peloponeso”, do escritor ateniense Tucídides. Logo após essa primeira publicação, voltou a realizar viagens com outro aluno da família Cavendish.
Nesse novo período de viagens, Hobbes encontrou-se com três proeminentes cientistas de sua época: Galileu, Descartes e Mersenne. Ao entrar em contato com as contribuições de cada um desses ilustres, a empolgação de Hobbes pelo racionalismo atingiu novos patamares. Inspirado pelos teoremas e princípios desenvolvidos pelas ciências da natureza, o pensador britânico começou a enxergar a razão como uma maneira infalível de se compreender o mundo.
Tomando como referência algumas importantes descobertas da Física, iniciou a fabricação da obra "Uma Curta Abordagem a Respeito dos Primeiros Princípios". Logo em seguida se dedicou a uma coleção dividida em três partes: “De Corpore” que tratava da observação de fenômenos físicos à luz de conceitos de movimento; “De Homine”, obra em que reflete sobre os desejos e o processo de apreensão humano; e “De civie”, onde pensa sobre as instituições que organizam a sociedade.
Sendo contemporâneo das guerras civis que aconteceram durante a Revolução Inglesa, Hobbes teve maior interesse na reflexão política. No ano de 1650, publicou a obra “Os elementos da lei”, sendo essa dividida nas seções “Natureza Humana” e “Do Corpo Político”. No ano seguinte, Thomas Hobbes publicou “O Leviatã”, aquela que seria a maior de suas contribuições intelectuais. É com esse livro que temos consolidada a perspectiva contratualista da teoria política de Hobbes.
De acordo com suas teorias, os homens teriam uma necessidade natural de abandonar seu “estado de natureza”. Tal estado seria um tipo de ordem caótica onde “o homem é lobo do homem”, ou seja, onde a necessidade de sobrevivência seria predominante a qualquer tipo de ordenação maior. Para Hobbes, seria impossível definir quando os homens abandonaram o estado de natureza, pois esse fora experimentado em épocas bastante remotas.
Com o abandono do estado de natureza, os homens passariam a se perceber enquanto seres sociais e, por isso, teriam que delimitar regras de convivência harmoniosa. É a partir de então que aparece a idéia do “contrato”. Para Hobbes, o contrato teria origem na vontade dos homens em abdicar de algumas de suas vontades em favor da legitimação de uma autoridade real incumbida de buscar a ordem e a segurança nacional.
Dessa maneira, Hobbes compreende o Estado como um mal necessário para que a estabilidade entre os homens fosse alcançada. O poder de livre escolha seria entregue ao Estado que, em nome de um bem comum, utilizaria de suas várias instituições e ferramentas administrativas para sustentar a ordem. É mediante a enormidade de instrumentos de controle que o autor denomina o Estado como um leviatã, um conhecido monstro marinho da narrativa bíblica.
Passada a conturbação política inglesa com a restauração monárquica, Thomas Hobbes voltou para seu país de origem, em 1660, depois de ter sua obra desaprovada por algumas autoridades da época. No ano de 1666, Thomas Hobbes foi novamente incomodado pelas autoridades britânicas quando recaiam suspeitas de que “O Leviatã” teria inspiração ateísta. No fim da sua vida, dedicou-se a traduzir outras obras clássicas como “Ilíada” e “Odisséia”, ambas do poeta grego Homero.
Por Rainer Sousa
Fonte:
http://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/thomas-hobbes.htm
4.10.11
Thomas Hobbes
Arte Brasileira
Nos séculos dezesseis e dezessete as primeiras manifestações de pintura do Brasil-colônia foram surgindo em igrejas e conventos, não só sob a forma de painéis com temas religiosos, mas também de imitações pictóricas de talha.
A Segunda Guerra Mundial provoca uma interrupção por contatos dos artistas brasileiros com a arte internacional, embora já vivesse no Brasil uma série de artistas estrangeiros. Terminado o conflito, os tempos melhorariam em consequência sobre tudo da alta do preço do café no exterior e do impulso da industrialização no Eixo São Paulo-Rio.
Nesse processo cultural a tônica foi dada pela cultura européia, o que se reflete também na produção de bens utilitários na colônia. Porém a influência das culturas negra e indígena aparece principalmente nos objetos de cunho mais popular: cerâmica e cultária. Do escasso mobiliário indígena, uma das poucas coisas que restaram foi a rede de dormir a peça mais comum nos alpendres e varanda das moradias contemporânea, de norte a sul do país.
Fonte:
Imagem: http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/jackdesenhos.arteblog.com.br/images/gd/1227990405/INDIO-AEROGRAFIA-EM-PAPEL-40-KG-PINTURA.jpg
http://br500.tripod.com/Cultura_Arte.htm
O Terremoto de Lisboa e a Tirania de Pombal
Por Cristiano Catarin
Há pouco mais de duzentos e trinta e três anos Portugal enfrentava seu momento de maior pavor e destruição causado por um grande terremoto que atingira a até então pacata cidade de Lisboa no primeiro dia de novembro de 1755.
Era feriado, dia de Todos os Santos. Lisboa preparava-se para manifestações de fé e festividades. Entretanto, nas primeiras horas da manhã daquele 1º de novembro o feriado religioso seria cenário de um atemorizante terremoto, seguido de grande incêndio e por fim, de um esmagador maremoto com a elevação das águas do rio Tejo em mais de oito metros do seu costumeiro nível.
A tragédia parecia uma união de três forças juntando-se para atingir e destruir a cidade portuguesa. Era muita desgraça para tão pouco tempo: milhares de mortos – casas, igrejas, conventos e palácios destruídos – a fúria estava alocada em Portugal.
Muitas foram às interpretações a respeito de tal tragédia. Numa cidade impregnada de presságios, superstições e misticismo, grande parte do povo estava convicta de que tal tragédia fazia referência a uma espécie de acerto de contas do Todo Poderoso Deus. Os adeptos do sebastianismo (crença desenvolvida na época em que o então rei d. Sebastião desapareceu após dirigir-se para Batalha de Alcácer-Quibir em 1578, muitos aguardam sua volta triunfante como messias) não demoraram em relacionar tal episódio a suas esperanças sobrenaturais.
Por outro lado, muitos defendiam que Lisboa fora vítima de uma fatalidade e que, na verdade, tal tragédia poderia ter ocorrido em qualquer região. E era esta a versão que a as pessoas próximas da Casa Real pretendiam passar.
O fato é que independentemente das justificativas, o saldo desta catástrofe era desolador. Milhares de mortos (embora não existam registros confiáveis do número total de vítimas, alguns falam em, 10, 15 70, 90 ou até 100 mil, o próprio Marquês de Pombal preferiu divulgar um numero mais modesto, algo em entre sete a nove mil mortos), das vinte mil casas existentes na época, cerca de três mil sobreviveram aos estragos; palácios, hospitais, igrejas, nada escapou da terrível força destrutiva que atingiu Lisboa.
Dentre as vítimas, a maioria dos fidalgos e praticamente toda Casa Real não sofreram qualquer dano, visto que não estavam presentes nos eventos comemorativos daquele dia de Todos os Santos. A nobreza tinha sim, o hábito de prestigiar tais eventos, porém marcava sua presença para depois das 11 horas da manhã, horário em que (naquela ocasião) já havia ocorrido toda desgraça. Dos fidalgos, cerca oito perderam suas vidas no desastre de primeiro de novembro. Sendo assim, o povo foi quem mais sofreu baixas com o terremoto, visto que muitos estavam orando e assistindo missas espalhadas pelas diversas igrejas e conventos de Lisboa.
Dos sessenta e cinco conventos da cidade portuguesa, apenas onze permaneceram de pé (em condições precárias, é verdade). A Lisboa de novembro de 1755 era um cenário de desolação, destruição e inconformismo. Todos os hospitais foram destruídos, havia pedaços de corpos humanos espalhados por toda parte.
Numa cidade em que a religiosidade tomava conta de grande parte da população, os milagres atribuídos ao episódio do terremoto não foram poucos: o padre Manoel Portal, sobrevivente no momento do desabamento de sua igreja, estava seguro de que havia previsto em sonho tido naquela noite (da qual se tornaria manhã de 1º de novembro), o fatídico acontecimento. Para ele, o sonho tornou-se realidade, ainda que desastrosa para os portugueses. A sobrevivência de uma jovenzinha aos braços de sua mãe morta e a preservação intacta duma imagem de Nossa Senhora do Carmo num convento tomado pelo fogo acompanham os milagres que se apresentaram da tragédia. São relatos que reforçam a fé e o crédito na estreita relação estabelecida entre a catástrofe e o mundo divino.
Histórias pessoais também passaram a contar com o “amparo da realidade” e ampliaram-se em forma e força de lendas. Uma dessas lendas fica por conta de um certo conde da Ribera que cortejava durante muitos anos uma donzela. Suas investidas eram correspondidas, entretanto, o pai da pretendida não demonstrava disposição em aceitar tal união, até que fora vencido ao perceber que o casal não desistiria de seu propósito amoroso. Logo depois de ouvirem as belas e esperadas palavras do sacerdote, os noivos foram surpreendidos ao ouvirem o terrível estrondo do primeiro abalo que atingira Lisboa. A partir daí tomaram a decisão de fugir do local refugiando-se numa embarcação na esperança de serem poupados do pior. Porém, as águas do rio Tejo, como informado anteriormente, sofreram grandes elevações e tragou muitas embarcações, inclusive a do casal recém casado.
O terremoto que atingiu Lisboa em 1755 não fora o único de sua história, outros dois pelo menos ocorreram em 1531 e 1597 respectivamente. De qualquer forma, a magnitude presente no de 1755 é sem dúvida bem maior em comparação aos demais mencionados. A cidade portuguesa era uma das grandes capitais da Europa dos anos 1750, ultrapassada somente por Londres, Paris, Amsterdã e Nápoles.
O poder da natureza dá lugar ao poder do homem
O ano de 1756 significou profundas mudanças na política interna de Portugal, sob o reinado de d. José I, Sebastião de Carvalho, mais tarde marquês de Pombal (1769), tornou-se secretário de Estado dos Negócios do Reino de Portugal, cargo equivalente atualmente a de um primeiro ministro. Pombal foi presenteado com grande poder de decisões, com ele na liderança do secretariado dos negócios estrangeiros, Portugal registraria um longo período de extrema e rigorosa concentração de poder do Estado, afastando toda e qualquer tentativa dos nobres em manifestarem-se independentes da vontade do rei e do Estado (o marquês utilizou desse poder absoluto por 21 dos 27 anos de governo).
Os jesuítas, constituintes da Companhia de Jesus também tiveram suas atividades destituídas. Para Pombal estas eram medidas inevitáveis para iniciar a reconstrução do país que ainda “sangrava as feridas” do terremoto. O marquês pretendia assim eliminar, o que pare ele eram os obstáculos mais poderosos para dar início a seus planos, tirando de cena os aristocratas e a poderosa ordem religiosa. A confiança oferecida pelo rei a Sebastião Carvalho, segundo alguns escritores, fica por conta da frase que ele, Pombal, teria dito em resposta a d. José I (ainda sob impacto da tragédia e confuso quanto ao que deveria ser feito para recomeçar e reconstruir Lisboa): “é preciso enterrar os mortos e cuidar dos vivos”!
Muitos dizem que depois da hecatombe de ordem natural (terrível terremoto de 1755) Portugal sofrera com o nascimento do poder de Pombal. Para o escritor Charles Boxer, “Pombal não admitia nenhuma tirania além da sua”.
Para saber mais:
SCHWARCZ, Lilia Moritz. (2002) A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis: do terremoto de Lisboa à Independência do Brasil. Companhia das Letras, SP.
MAXWELL, Kenneth. (1998) O Marquês de Pombal: paradoxo do iluminismo. Paz e Terra, RJ.
BOXER, Charles. (1969) A Idade de Ouro do Brasil. Nacional, SP.
Referência Iconográfica:
(figura 1)
http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://jofrealves.com.sapo.pt/Terramoto%25201755.jpg&imgrefurl=http://padornelo.blogs.sapo.pt/8523.html&usg=__I8J48eUszhIOfV93nq7ATM-dt7s=&h=308&w=300&sz=52&hl=pt-BR&start=4&tbnid=TbbVG6LzLZIWzM:&tbnh=117&tbnw=114&prev=/images%3Fq%3DTERREMOTO%2BEM%2BLISBOA%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR
(figura 2)
http://3.bp.blogspot.com/_vHfhEO08cCE/SF_yBTmQVgI/AAAAAAAAHmg/ffz7knGix0A/s400/MARQUES+DE+POMBAL+-+PEQUENO.gif
Créditos:
Cristiano Catarin
Aspectos da Guerra entre Palestinos e Israelenses
Oriente Médio
Assunto: Oriente Médio;
Ponto de vista: Os aspectos religioso, político e social na guerra do Oriente Médio;
Objetivo: Analisar a íntima relação entre esses três fatores e a conotação destes aspectos numa eventual busca pela paz;
Há mais de meio século, israelenses e palestinos disputam palmo a palmo uma porção de terras inferior a área do estado de Sergipe. Nesta guerra que perdura por décadas, acordos de paz e apertos de mão são anulados por explosões e tiros. Nos momentos em que a carnificina se intensifica, os mais visionários propõe uma Confraternização Universal, enquanto os mais céticos consideram qualquer proposta de paz mera utopia. Como o problema é complexo, uma análise do contexto político, religioso e social que engloba o conflito deve preceder qualquer conclusão.
Numa guerra marcada pela discrepância, palestinos e israelenses convergem para o mesmo sentimento: o sofrimento. Ao chorarem por seus mortos, os dois povos tornam-se semelhantes. As pessoas vivem em constante medo. Palestinos, proibidos de circular, temem bombardeios. Israelenses, temendo homens bomba, proíbem-se de circular. Numa região em que crianças aprendem desde pequenos a odiar o outro, o fator social é deixado em segundo plano e o lamento das famílias, que contam seus mortos e feridos e mais sofrem com a guerra, torna-se inaudível.
A busca pela paz torna-se ainda mais penosa quando passa pelo tortuoso caminho da política. Estados Unidos e União Européia buscam soluções apenas quando estas lhes interessam. A postura pró Israel norte-americana se justifica pela busca de votos junto à colônia judia e a expansão de sua influência no Oriente Médio, encravando uma ilha de democracia e consumo num mar fundamentalista. Os europeus buscam o assentamento definitivo de palestinos para refrear a imigração dos árabes para a Europa. Nesse jogo político, os árabes fundamentalistas são contra qualquer tentativa de paz que ameace a hegemonia do absolutismo, sob a bandeira de que o judeu é o Satã que deve ser exterminado.
Neste momento da guerra, duas figuras se destacam. Ariel Sharon, primeiro-ministro israelense que após 115 mortes israelenses em um único mês atacou os assentamentos palestinos com todo seu poderio militar e extrema violência, exacerbando o ódio os extremistas islâmicos. Sharon justifica a guerra como questão de sobrevivência e aplaudido pela extrema direita de Israel e criticado pelos organismos internacionais, destrói cidades palestinas inteiras.
Do lado palestino, Yasser Arafat, último resquício de legitimidade da Autoridade Palestina, enfraquecido diplomaticamente e acusado de envolvimento direto com grupos terroristas, ressurge como mártir ao ser encurralado em seu quartel-general. Arafat tenta manter distância dos terroristas, porém grupos islâmicos espalham o terror em nome de Alá, visando aniquilar os judeus iníquos, manifestando publicamente apoio a Arafat.
Conhecendo os diversos aspectos que influem na guerra entre palestinos e israelenses podemos discutir verdadeiras soluções para o conflito. Devemos ter em mente que qualquer acordo meramente político por si só não trará paz. Os palestinos e israelenses devem procurar coexistir e entender que esta postura beneficia os dois lados. Qualquer solução permanente para a Guerra no Oriente Médio precisa contemplar um equilíbrio político, religioso e social.
Cenário Político até 2004.
Fonte:
http://www.supercarloshp.hpg.com.br/orientemedio.htm
No início das guerras, Roma domina a península Itálica, enquanto a cidade fenícia de Cartago domina a rota marítima para a costa ocidental africana, assim como para a Bretanha e a Noruega. Na I Guerra Púnica, que dura de 264 a.C. a 241 a.C., Roma e Cartago são chamadas para ajudar a cidade de Messina, na ilha da Sicília, ameaçada por Hiero II, rei de Siracusa. Os romanos, para expulsar os cartagineses da ilha, provocam a guerra e saem vitoriosos. Sicília, Sardenha e Córsega são anexadas ao domínio de Roma, e os cartagineses têm restringida a influência ao norte da África.
A II Guerra Púnica (218 a.C.-201 a.C.) começa na Espanha, onde Cartago amplia seu poder para compensar a perda da Sicília. Comandadas por Aníbal, as tropas cartaginesas tomam Saguntum, cidade espanhola aliada de Roma: é a declaração de guerra. Com 50 mil homens, 9 mil cavalos e 37 elefantes, Aníbal atravessa os Pireneus e conquista cidades no norte da Itália. Durante essa campanha fica cego de um olho e perde metade dos homens. Mesmo assim chega às portas de Roma. A falta de reforços e o cerco de Cartago pelas forças romanas sob o comando de Cipião, o Africano (235 a.C.-183 a.C.) obrigam Aníbal a voltar para defendê-la. Vencido, refugia-se na Ásia Menor, onde se envenena para não ser preso pelos romanos. A paz custa caro aos cartagineses: entregam a Espanha e sua esquadra naval, comprometendo-se ainda a pagar por 50 anos pesada indenização de guerra a Roma.
A III Guerra Púnica tem início em 149 a.C. É fomentada pelo persistente sucesso comercial dos cartagineses, apesar de sua diminuída importância política. Uma pequena violação dos tratados de paz serve de pretexto para a terceira guerra. Roma destrói Cartago em 146 a.C. e vende 40 mil sobreviventes como escravos. A antiga potência fenícia é reduzida a província romana na África.
Fonte:
http://br.geocities.com/vinicrashbr/historia/geral/guerraspunicas.htm
A Guerra de Independência
Raramente ouvimos falar das lutas por nossa independência. Parece que tudo ocorreu de forma pacífica, e o pior, sem a participação do povo. É verdade que, o Partido Brasileiro foi muito hábil em conduzir nossa independência, sem a participação popular nas principais decisões. É verdade que, mesmo ficando independente de Portugal, nosso governante seria o filho do rei dessa mesma nação. E é verdade também que, as lutas por nossa independência não foram tão violentas e longas como aconteceram com os nossos vizinhos latino-americanos, mas não podemos deixar de lado, a participação da população brasileira, mesmo que, essa independência não tenha significado liberdade e igualdade sociais para a maioria do povo brasileiro.
Desde a transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, o clima nas forças militares era de competição. No Exército, enquanto os portugueses ocupavam os postos mais altos, os brasileiros ficavam com os mais baixos. Acusações ocorriam dos dois lados: os brasileiros acusavam os portugueses de autoritários e arrogantes e os mesmos acusavam os brasileiros de despreparados. Na Marinha a situação era pior, pois, praticamente todos os postos eram ocupados por portugueses.
Quando a Revolução do Porto aconteceu e mostrou seus reais interesses em relação ao Brasil e D. João teve que voltar a Portugal, a insubordinação explodiu, com os brasileiros não aceitando as ordens dos oficiais portugueses, e esses recusando a aceitar as ordens do príncipe-regente D. Pedro.
Após o Dia do Fico, em 19 de janeiro de 1822, iniciou-se a formação de um Exército brasileiro, mas a desconfiança na qualificação militar e na sua lealdade provocaram a contratação de mercenários para ajudar nas lutas de terra e mar. Rapidamente chegaram os oficiais estrangeiros com seus comandados. Entre eles, os ingleses Lord Cochrane, John Taylor e John Grenfell; o francês Pedro Labatut e o português Carlos Lecor. Após o 7 de setembro, as lutas pela independência ocorreram onde a presença lusitana era maior: Bahia, Grão-Pará, Maranhão e Cisplatina.
Bahia
Com a Revolução do Porto, a população da Bahia dividiu-se, e os conflitos entre brasileiros (contra a recolonização) e portugueses (à favor da recolonização) aumentaram. Quando as Cortes portuguesas nomearam o general português, Madeira de Melo, para governar a província os conflitos armados tiveram início. A partir de 14 de fevereiro de 1822, "A cidade vira um grande campo de batalha. Brasileiros e portugueses buscam controlar seus pontos estratégicos, usando de extrema violência. Na perseguição a um grupo de brasileiros, soldados portugueses invadem o convento da Lapa, assassinando a abadessa Joana Angélica, que heroicamente o defendia."
Após cinco dias de combate, os portugueses anunciaram o controle de Salvador, enquanto os brasileiros comandados por Manuel Pedro se refugiaram na região do Recôncavo Baiano. Com o apoio de latifundiários, organizaram-se os batalhões patrióticos, formados por combatentes da capital e do interior da Bahia. Destacou-se então, a baiana Maria Quitéria, moradora de Feira de Santana que alistou-se nos batalhões patrióticos. Lutando corajosamente contra o machismo, existente na época, e os portugueses, obteve o posto de cadete e após a guerra recebeu das mãos do imperador a comenda da Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul.
Em 22 de setembro de 1822, teve início a reviravolta. Na Câmara Municipal de Cachoeira foi proclamada a independência, instalando-se um governo paralelo. Enviados por D. Pedro, os brasileiros foram auxiliados pelo general Labatut e o almirante Lord Cochrane cercando a cidade de Salvador, impossibilitando-a de receber alimentos e munições. Em abril de 1823, a situação de Salvador era dramática, faltavam alimentos e as doenças matavam os mais fracos. Em 2 de julho de 1823, o general Madeira de Melo entregou sua rendição. Os brasileiros haviam libertado a Bahia e garantiam a independência.
Grão-Pará
A Revolução do Porto também provocou reações contraditórias na província do Grão-Pará.
Inicialmente, portugueses e brasileiros se uniram com a decisão das Cortes de criar uma monarquia constitucional, porém, quando as Cortes decidiram recolonizar o Brasil, o padrão de reação se repetiu:
brasileiros contra as decisões das Cortes, de um lado, e portugueses, à favor das Cortes, de outro. Em abril de 1823 chegou de Portugal, o brigadeiro José Maria de Moura, para governar a província. Em 1º de março, os primeiros combates tiveram início, porém as tropas portuguesas reagiram com violência. Várias pessoas morreram e foram feridas e 267 foram presas.
Em agosto de 1823, D. Pedro I enviou para Belém, um navio comandado por Grenfell. Usando de astúcia anunciou que, uma grande esquadra estaria chegando à Belém e que, qualquer resistência por parte dos portugueses seria inútil. Com medo da ameaça, os portugueses não reagiram e a província de Grão-Pará se incorporou ao Império do Brasil, em 12 de outubro de 1823.
Contudo a mentira não durou muito. Como a esquadra não chegava, os portugueses reiniciaram as perseguições aos simpatizantes da independência. A violência iniciada pelos portugueses foi revidada com mais violência pelos brasileiros. Grenfell resolveu agir para acabar com os confrontos e convocou a população para uma reunião, em frente ao palácio do governo. Com a população reunida, escolheu cinco soldados ao acaso, e mandou executá-los. Depois prendeu 256 militares no porão de um navio, onde morreram sem ar e sem água. Assim, Grenfell apaziguou a província.
Maranhão
A província do Maranhão era também uma região com forte presença de portugueses. Por isso, ao saber da independência, se colocou contrária a ela. Apesar disso, lentamente os brasileiros foram conquistando o apoio de várias cidades e povoados maranhenses, e aos poucos, os portugueses foram ficando isolados. Contudo, a capital, São Luís, permanecia controlada pelos portugueses. Enviada pelo Rio de Janeiro, uma frota comandada por Lord Cochrane aproximou-se de São Luís fingindo ser um reforço português. Conchrane conseguiu desembarcar seus homens e aprisionou alguns chefes militares portugueses. Usando-os como reféns, conseguiu conquistar o controle da cidade. No final de agosto de 1823, o Maranhão se incorporava ao Império.
Cisplatina
Ocupada desde 1816 pelas forças de D. João, a Banda Oriental foi rebatizada como Cisplatina. Após a independência, a disputa entre tropas brasileiras e portuguesas pela posse da região começaram. Comandadas pelo português Carlos Lecor que, resolveu apoiar D. Pedro, as tropas brasileiras tiveram que recuar para o Rio Grande do Sul, pois, os portugueses, chefiados por D. Álvaro da Costa, conseguiram controlar Montevidéu, capital da província. Reunindo 1800 homens, Lecor contra-atacou. Cercando Montevidéu, as tropas portuguesas, formadas por 2000 homens resistiram bravamente. Contudo, a chegada de três navios, comandados por David Jewett, começaram a desequilibrar as ações. Em 18 de novembro de 1823, os brasileiros tomaram a cidade e moveram a Cisplatina unida ao Império.
BIBLIOGRAFIA
A Independência
FAUSTO, Boris. História do Brasil. 4.ed., São Paulo: Editora Universidade de São Paulo, 1996.
MENDES Jr., Antônio et. alii. Brasil História, Texto e Consulta.Vol.2. 6.ed., São Paulo: Hucitec,1988.
MOTA, Carlos Guilherme & LOPEZ, Adriana. Brasil Revisitado: palavras e imagens. São Paulo: Rios, 1989.
SILVA, Arlenice Almeida da. As Guerras da Independência. São Paulo: Editora Ática, 1995.
TEIXEIRA, Francisco M. P. e TOTINI, Maria Elizabeth. História econômica e a administrativa do Brasil. 3.ed., São Paulo: Ática, 1993.
Fonte do documento:
http://www.geocities.com/Area51/Realm/3377/indep.doc
História da Matemática na China
A civilização chinesa desenvolveu-se, desde o 3º milénio a.C., ao longo das margens do rio Amarelo e do Azul, na dinastia Hsia, iniciada pelo imperador Yu. Continuou com a dinastia Shang, por volta de 1500 a.C., que ocupou a região de Shangai. São desta dinastia os primeiros numerais chineses inscritos sobre carapaças de tartarugas e ossos de animais - os ossos oraculares que usavam para adivinhações. A dinastia Shang domina até cerca de 1027 a.C. A partir daí, o poder é exercido pela dinastia Chou; a China torna-se um Estado feudal.
O grande império desintegra-se, por volta do 700 a.C., e até aproximadamente, 400 a.C. coexistem estados independentes em, praticamente, permanente guerra uns com os outros.
É desta altura o primeiro texto sobre matemática - o Chou Pei Suan Ching - que contém um diálogo sobre as propriedades do triângulos rectângulos, e no qual o teorema de Pitágoras é enunciado e é dada uma sua demonstração geométrica. Neste livro existe uma breve explicação sobre o cálculo aritmético.
Foi nessa época que surgiram as duas principais correntes filosóficas da China: o confucionismo, que ressaltava os princípios morais, e o taoísmo, que defendia uma vida em harmonia com a natureza.
Por volta de 221 a.C. a China foi reunificada pelo imperador Shih Huang Ti. Este mandou queimar todos livros, centralizou o poder, construiu cidades, palácios e estradas, e iniciou a construção da ''Grande Muralha'' para deter as invasões das tribos mongólicas.
Na dinastia a seguir, a dinastia Han (200 a.C. a 220 d.C.), muitos dedicaram o seu tempo a transcrever, de memória, textos literários e científicos e a procurarem manuscritos que tivesses escapado à destruição. Foi nesta altura que o mais influente dos textos matemáticos chineses foi compilado - Chiu Chang Suan Shu (Os nove capítulos da arte matemática), o livro contém 246 problemas distribuídos por 9 capítulos. É também deste período o texto Shu Shu Chi Yi onde se encontra uma primeira abordagem dos quadrados mágicos.
A época compreendida entre os anos 221 e 581 é conhecida como a dos três reinados e das seis dinastias. Nesse período, a China sofreu divisões internas e o ataque de diversos povos nómadas (tibetanos, turcos e mongóis). Contudo esta época atribulada não pôs cobro à actividade matemática.
Neste período, viveu o matemático Liu Hui (c. 260), que comentou os Nove Capítulo e escreveu Haidao Suanjing - O manual da aritmética da ilha - escrito inicialmente como apêndice ao capítulo 9º dos Nove Capítulos o livro contém 9 problemas, versando o teorema de Pitágoras, com soluções. É também desta época o livro Sunzi Suanjing - Manual aritmético do Mestre Sol (c. 300 d.C.) - escrito por Sun Zi. O livro está dividido em 3 capítulos, o último dos quais tem uma colecção problemas aritméticos.
Na segunda metade do século V, aparece o Manual Aritmético escrito por Zhang Quijan, este livro contém 92 problemas divididos por 3 capítulos.
Em 581, a dinastia Sui (581 a 618), reunificou, de novo, o país.
Segui-se a dinastia Tang (618-906). Durante essa época, a China conheceu grande desenvolvimento artístico (poesia e pintura) e científico e entrou em contacto com outras civilizações, como a japonesa, a coreana, a indiana e a árabe. Este período foi caracterizado por uma forte influência estrangeira. É desta altura o texto Jigu Suanjing - Continuação da Matemática Antiga (cerca de 625). Foi escrito por Wang Xiatong, e contém 22 problemas sobre irrigação, construção de celeiros e resolução de triângulos rectângulos. É, também. deste período uma enciclopédia sobre a matemática clássica do passado - Suan Ching Shih Shu - Os Dez Manuais de Matemática.
O período de florescimento cultural e de expansão territorial da dinastia Tang terminou com a derrota chinesa frente aos árabes em 751, na fronteira norte-ocidental. A partir desse momento, começou uma fase de decadência e esta resultou em nova fragmentação que sobreveio à queda dos Tang, em 907.
O período das cinco dinastias e dos dez estados, entre 907 e 960, caracterizou-se pelo caos político.
A partir de 960, a dinastia Sung (960-1279) reorganizou o país impondo reformas tributárias que aliviaram a situação económica dos camponeses e favoreceram o comércio. Nessa época houve grande desenvolvimento cultural, com a difusão de textos impressos. Este período produziu alguns dos grandes matemáticos da China, especialmente do século XIII.
Fonte:
http://www.grupoescolar.com/pesquisa/historia-da-matematica--na-china.html
Parlamento Brasileiro
Decidido pela Câmara dos Deputados em 29 de setembro de 1992, o afastamento do presidente Fernando Collor demonstrou o poder e a importância daquele órgão.
A Câmara dos Deputados é, no sistema bicameral, um dos órgãos coletivos pelos quais se exerce o poder legislativo. Também é chamada câmara baixa, em oposição à câmara alta, ou Senado.
No Brasil, a Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo eleitos em todas as unidades da federação, por voto direto e secreto. O candidato deve ser brasileiro no pleno exercício de seus direitos políticos, alistado como eleitor, com domicílio eleitoral na circunscrição da eleição, filiado a um partido político e com no mínimo 21 anos de idade. A constituição de 1988 determinou que o número de deputados por unidade da federação seria estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à respectiva população. Antes de cada eleição fazem-se ajustes para que nenhuma unidade da federação tenha menos de oito nem mais de setenta deputados.
Os deputados federais desfrutam de imunidade parlamentar, durante o exercício do mandato, por opiniões ou votos que venham a emitir. Não podem ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, nem processados criminalmente sem prévia licença da Câmara. No caso de flagrante de crime inafiançável, os autos devem ser remetidos à Câmara dentro de 24 horas, para que ela autorize ou não o processo. Os deputados são julgados pelo Supremo Tribunal Federal e não são obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram essas informações ou deles as receberam. A incorporação de deputados às forças armadas, mesmo que sejam militares e o país esteja em guerra, depende de autorização prévia da Câmara. Todas as imunidades parlamentares vigoram durante o estado de sítio, somente podendo ser suspensas se um parlamentar praticar, fora do recinto do Congresso, ato incompatível com a execução da medida, desde que dois terços da Câmara aprovem a suspensão.
Os deputados estão proibidos, desde a expedição de seu diploma, de estabelecer certo tipo de vínculo com entidades de direito público, como empresas públicas, autarquias, concessionárias de serviços públicos e outras. Não podem firmar nem manter contratos, ou aceitar cargo nessas organizações. Tampouco podem ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que se beneficie de contrato com pessoa jurídica de direito público. A constituição proíbe igualmente a acumulação de cargos eletivos, vedando o patrocínio de causa em que sejam interessadas as empresas públicas, autarquias etc.
O deputado que infringir qualquer um desses dispositivos está sujeito a perder o mandato. Também pode perdê-lo se seu procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar; se faltar a um terço das sessões ordinárias de um período legislativo; se perder os direitos políticos; se for condenado criminalmente e se assim o decidir a Justiça Eleitoral com base na constituição. Contudo, o deputado não perderá o mandato se estiver exercendo cargo de ministro de estado, secretário de estado, governador do Distrito Federal, prefeito de capital ou chefe de missão diplomática temporária. Tampouco o perderá se estiver licenciado sem vencimentos pela própria Câmara para tratamento de saúde ou para cuidar de interesses particulares.
A Câmara dos Deputados reúne-se a partir de 1º de fevereiro do primeiro ano da legislatura para empossar seus membros e eleger a mesa, que tem mandato de dois anos, sem possibilidade de reeleição para o mesmo cargo. Ordinariamente, reúne-se na capital federal de 15 de fevereiro a 30 de junho e de 1º de agosto a 15 de dezembro de cada ano.
São atribuições exclusivas da Câmara dos Deputados: autorizar a instauração de processo contra o presidente e o vice-presidente da república e contra os ministros de estado; proceder à tomada de contas do presidente da república; eleger membros do Conselho da República e proceder à própria administração interna, elaborando um regimento interno e dispondo sobre seus cargos administrativos.
Como parte do Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados participa das decisões referentes ao sistema tributário, à declaração de guerra, ao planejamento nacional, à convocação de plebiscitos, à organização judiciária e às atividades nucleares, entre outros assuntos.
Senado
Instituição de representação política com uma longa e constante presença na história da civilização romana, o Senado adquiriu suas conotações contemporâneas a partir da preocupação dos fundadores do estado americano com a preservação do princípio federativo.
Senado é uma das duas casas do poder legislativo nos países que adotam o sistema bicameral de representação parlamentar. É também chamado câmara alta, em oposição à Câmara dos Deputados, ou câmara baixa. De modo geral, seus membros são eleitos conforme normas eleitorais diferentes daquelas usadas para a eleição dos deputados. Com exceção dos Estados Unidos, o Senado normalmente tem menos poderes do que a Câmara dos Deputados. Nos sistemas bicamerais de estados federados, como o Brasil, os deputados federais são representantes do povo e os senadores representam as unidades da federação.
O nome "senado" é de origem romana e designava o órgão de governo e aconselhamento que se mostrou a mais permanente das instituições políticas de Roma. Suas atribuições, grau de poder e número de componentes sofreram modificações ao longo do tempo, mas a instituição sobreviveu até mesmo às mudanças de regime -- de monarquia para república e depois de novo para a monarquia -- que ocorreram nos mil anos da história romana. Desapareceu ao mesmo tempo que o Império Romano.
O modelo do Senado moderno, entretanto, não é o romano, mas calcado na Câmara dos Lordes da Inglaterra, que nasceu no século XIV, quando o Parlamento inglês se dividiu em "câmara baixa", que passou a agrupar os representantes da pequena aristocracia e das cidades, e em "câmara alta", que reunia os representantes da grande aristocracia e os bispos. O mandato na Câmara dos Lordes é hereditário, exceção feita aos bispos, mas o rei tem o direito de nomear lordes de acordo com sua vontade. No século XIX, quando a Câmara dos Lordes opôs resistência à democratização gradual do país, os reis, aconselhados por gabinetes liberais, fizeram amplo uso de prerrogativas de nomeação e, com o tempo, o caráter da instituição foi radicalmente modificado. Com as reformas de 1911 e 1949, os poderes da Câmara dos Lordes ficaram muito limitados.
O primeiro Senado moderno foi criado nos Estados Unidos pela constituição de 1789, para garantir o caráter federativo da União. Na Câmara dos Representantes os estados estão representados conforme a população, mas cada estado, grande ou pequeno, tem a representá-lo dois senadores; o sistema eleitoral é, entretanto, o mesmo. O Senado dos Estados Unidos tornou-se com o tempo cada vez mais poderoso, enquanto na maior parte dos países a câmara alta perdeu considerável parcela de poder.
Na atualidade, o Senado é a instituição mais influente na vida política americana. Sua atuação é decisiva em dois setores essenciais: a política externa, já que todo tratado internacional dos Estados Unidos deve ser ratificado pela maioria de dois terços do Senado; e a organização das atividades administrativas e judiciais, porque os candidatos designados pelo presidente da república para cargos como os de juízes da Corte Suprema e do gabinete executivo precisam da aprovação do Senado. Cabe também ao Senado processar e julgar os casos de impeachment iniciados na Câmara dos Representantes.
Em outros países de sistema federativo, o Senado é rigorosamente limitado à função de garantir os direitos dos membros da federação, como o Bundesrat (Conselho Federal) na Suíça. Para os regimes políticos de caráter unitário, o modelo foi o Senado que, na França, substituiu a antiga Câmara dos Pares. Sobreviveu a todas as mudanças constitucionais do país e tornou-se um poder eminentemente conservador, representante da alta burguesia e dos proprietários rurais. Os senadores são eleitos conforme o mesmo sistema eleitoral que elege os deputados. Diferente é apenas o modo de eleição, por província em vez de circunscrições eleitorais. Em alguns países, os senadores são eleitos pelas assembléias provinciais.
No Brasil, o Senado imperial, formado por representantes nomeados, foi substituído em 1891 pelo Senado da república como uma das casas do Congresso Nacional bicameral e manteve essa estrutura nas constituições republicanas que se seguiram, apesar das diversas ocasiões em que os parlamentares tiveram suas atividades suspensas por intervenções de força.
Na década de 1970, o regime militar, que temia uma vitória expressiva da oposição nas eleições parlamentares de 1978, fechou o Congresso, modificou a legislação eleitoral e instituiu a figura do senador "biônico": um dos três senadores que representavam cada unidade federativa passou a ser eleito de forma indireta, pelas assembléias legislativas de seus estados. Como parte do processo de abertura política, uma emenda constitucional de 1980 eliminou a eleição indireta de senador, respeitando os mandatos em curso.
Pela constituição de 1988, cada estado da federação continua representado por três senadores, eleitos segundo o princípio majoritário, juntamente com dois suplentes, com mandato de oito anos. A renovação se faz a cada quatro anos em um terço e dois terços, alternadamente. O Senado brasileiro tem atribuições semelhantes às do Senado dos Estados Unidos, mas seu poder político é sensivelmente mais reduzido, prevalecendo sua função revisora das leis aprovadas pela Câmara dos Deputados.
Além de suas atribuições como uma das casas do Congresso Nacional, o Senado detém alguns poderes privativos, como o de processar e julgar, nos crimes de responsabilidade, funcionários do executivo e do judiciário dos níveis mais elevados, como o presidente e o vice-presidente da república e os ministros do Supremo Tribunal Federal.
Fonte:
http://www.grupoescolar.com/pesquisa/parlamento-brasileiro.html
O Ciclo do Pau-Brasil - 1503
Muito antes da chegada de Cabral às terras ameríndias, os europeus já conheciam a madeira de cujo cerne avermelhado, cor de brasa, extraíam um corante com que se tingiam panos. Era trazido das Índias pelos árabes, que auferiam grandes lucros nessa empresa, já que a cor vermelha dos tecidos, durante muitas décadas reservada aos eclesiásticos, entrara na preferência do vestuário burguês.
O pigmento responsável pela cor (substância depois denominada “brasilina”) era utilizado para tingidura desde a Idade Média. No século 16, seu valor comercial tornou-se tão grande que influiu na disputa por novas terras, entre franceses, holandeses e portugueses. Botanicamente, trata-se de árvore da família das leguminosas, pertencente à espécie Caesalpinia echinata (nome derivado dos numerosos espinhos que possui no tronco), praticamente extinta no século 20.
Em sua segunda expedição (1503) às terras encontradas três anos antes, Américo Vespúcio enviou a dom Manuel, rei de Portugal, um relatório informando que entre as riquezas procuradas as de maior proveito eram “infinitas árvores de pau-brasil”. Realmente, quando os portugueses chegaram ao Brasil, encontraram nas matas atlânticas da região do Espírito Santo e da Bahia uma enorme quantidade de madeira de lei (caviúna, jacarandá e outras), especialmente uma árvore alta (8 a 10 metros e diâmetro de 80 centímetros), dura e resistente, cujo cerne tinha intensa coloração vermelha, da cor de brasa. Por isso, recebeu o nome de pau-brasil.
Logo após o regresso da expedição de Américo Vespúcio, dom Manuel colocou o comércio do pau-brasil sob monopólio da Coroa, mas os lucros obtidos com sua exploração eram bem inferiores aos que Portugal vinha conseguindo apurar com as especiarias trazidas da Índia. Assim, a extração da madeira foi entregue a uma companhia particular que se obrigou a vender todo o produto à Coroa, tendo-se estabelecido, para isso, um consórcio comercial de cristãos novos (de origem judaica) chefiados por Fernando de Noronha, com uma concessão de três anos.
Os primeiros mercadores comprometeram-se a enviar às novas terras seis navios por ano, explorar 300 léguas do seu território, além de construir e manter feitorias no litoral, pagando uma taxa fixa (4.000 ducados por ano) à Coroa portuguesa, em troca da licença concedida. Vencido o prazo da concessão, Fernando de Noronha conseguiu renová-la até 1511. Durante esse período a exploração anual da madeira foi avaliada em cerca de 20.000 quintais (medida equivalente a 4 arrobas, ou 60 quilos, a unidade), valendo cada um deles em torno de 2 ducados e meio (moeda de ouro e de valor variável, usada antigamente em muitos países da Europa) . A partir de 1513 o contrato passou para as mãos de Jorge Lopes Bixorde, mas bastante alterado: a companhia, por exemplo, poderia comerciar livremente a madeira, mediante imposto no valor de um quinto do carregamento.
Segundo Gabriel Soares de Souza, no Tratado Descritivo do Brasil de 1587, a madeira existia em abundância no litoral do Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte. A de melhor qualidade era obtida em Pernambuco, onde recebia o nome de “pau de Pernambuco”, e de onde saíam enormes carregamentos. O pau-brasil era extraído de maneira rudimentar. Os índios, que o chamavam de ibirapitinga, derrubavam as árvores e as empilhavam em troca de presentes. Eram eles também que, caminhando várias léguas, transportavam achas e toras nos ombros, ate o porto, e carregavam os navios (trabalho que seria executado pelos negros, após a introdução da escravatura).
Os franceses já haviam entrado em contato com os indígenas desde 1504, instalando feitorias no litoral brasileiro e enviando regularmente para a Europa navios carregados de madeira. Os protestos de dom Manuel jamais foram aceitos por Francisco I, rei da França. Mais habilitados no trato com os índios, os franceses conseguiram maiores vantagens que os português, mas seu sistema de exploração causou graves prejuízos às matas brasileiras: ao invés de cortar as árvores, eles ateavam fogo na parte inferior do tronco, provocando assim muitos incêndios que também matavam animais e destruíam preciosas essências (na ilustração, flores do pau-brasil).
Com a finalidade de acabar com a “pirataria estrangeira”, dom João III enviou expedições de guarda-costas para a colônia. Entre 1516 e 1519, e entre 1526 e 1528, os portugueses, chefiados por Cristóvão Jaques, conseguiram afundar e apreender vários navios franceses. Mas o policiamento era insuficiente para cobrir todo o imenso litoral brasileiro, e por isso Portugal viu-se diante da única alternativa para impedir o contrabando francês: enviar colonos para povoar definitivamente a nova terra.
Em 1530 Martim Afonso de Souza partiu de Lisboa à frente de quatrocentos homens, trazendo semente, mudas de plantas, instrumentos agrícolas e gado, com instruções para fundar feitorias e lotear o território da colônia. Após deixar três colonos na Bahia, ele chegou à baía de Guanabara, onde os franceses haviam se instalado. Três meses depois seguiu em direção ao sul, atingindo o rio da Prata. O navegador português fundou vilas (São Vicente, Santo Amaro e Santo André da Borda do Campo), e de regresso a Pernambuco aprisionou dois navios piratas carregados de pau-brasil, matando toda a tripulação. Ainda assim, em 1532, a fragata La Pelerine, transportando cerca de 5.000 toros, foi apreendida por uma frota portuguesa em Málaga e conduzida à corte de Lisboa.
Diante da insistência francesa, Portugal dividiu o Brasil em várias capitanias, cada uma delas tendo por governador um capitão-mor encarregado de controlar o litoral e expulsar os piratas franceses. Mas já se encontrava em declínio o curto ciclo do pau-brasil: a madeira escasseava e o nomadismo que caracterizava a atividade extrativa, impedia a constituição de verdadeiros núcleos de povoamento, Apesar do esgotamento das matas junto ao litoral, a extração continuou sob a forma de monopólio régio, possibilitando mesmo uma pequena exportação.
Até 1660, quando o pau-brasil já não era o principal produto exportado, os lucros eram consideráveis. Segundo balanço da época, num embarque de 10.000 quintais (limite máximo admitido no contrato), registrou-se a renda bruta de 40 contos. Eram deduzidos 10 contos de custo no Brasil, 3 contos de despesas com o transporte para Portugal, e 21 contos pagos a Real Fazenda. Isto significava 34 contos de despesas e 6 contos de lucros. Nessa época, a exploração do pau-brasil já estava sendo ultrapassada por uma nova atividade econômica: a da cana-de-açúcar.
Fonte: Enciclopédia Abril
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Fonte do texto: http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=1152955
Ciclo do Café - História do Brasil
As primeiras mudas e sementes de café chegam ao Brasil no século XVIII, por volta de 1730, vindas da América Central e das Guianas. Mas é só a partir do começo do século XIX que a cafeicultura ganha o interesse dos grandes proprietários. Torna-se rapidamente a principal atividade agrícola do país, responsável por mais da metade da renda obtida com exportação. A crescente importância econômica faz dos produtores de café de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais o centro da elite dirigente do Império e da República, até quase meados do século XX.
Expansão cafeeira – Das pequenas plantações nas vizinhanças da corte, entre 1810 e 1820, os cafeeiros espalham-se por todo o vale do rio Paraíba, primeiro na porção fluminense, depois na paulista e no sul de Minas. Em meados do século XIX ocupam parte das terras das antigas lavouras de cana-de-açúcar e algodão e invadem o chamado Oeste Paulista, inicialmente a região de Campinas e Sorocaba e, em seguida, Ribeirão Preto e Araraquara. No início do século XX, os cafezais cobrem extensa faixa paralela ao litoral das regiões Sul e Sudeste, que vai do Paraná ao Espírito Santo. A cafeicultura ganha a primazia entre as monoculturas exportadoras, desbancando a tradicional agricultura canavieira.
O sucesso e a vigorosa expansão cafeeira no Sudeste brasileiro durante o século XIX devem-se a uma combinação de fatores. De um lado, uma conjuntura externa favorável, com o crescimento do consumo na Europa e nos Estados Unidos, e uma crise em importantes regiões produtoras, como Haiti, Ceilão (atual Sri Lanka) e Java, na Indonésia. Com isso, os preços mantêm-se em alta nos mercados consumidores. Por outro lado, no Brasil há terras e escravos subutilizados nas lavouras tradicionais de açúcar e algodão e solos novos e férteis, como as terras roxas no interior paulista.
A rápida ampliação das plantações de café cria também o primeiro problema: a escassez de mão-de-obra provocada pela interrupção definitiva do tráfico de escravos africanos em 1850. A solução encontrada é a atração de imigrantes, com o apoio oficial. Nas últimas décadas do século XIX, as fazendas de café recebem milhares de imigrantes europeus – italianos, portugueses, espanhóis, alemães, suíços e eslavos – e asiáticos, que vêm trabalhar em regime de parceria, recebendo por produção ou como assalariado. Com a substituição do trabalho escravo pelo livre, a cafeicultura não apenas se desenvolve como também apressa o fim da escravidão.
Política do café – Nas primeiras décadas do século XX, a continuidade do crescimento é reforçada por uma política governamental bastante favorável aos interesses do setor, que garante crédito, formação de estoques e intervenções no câmbio para compensar eventuais baixas dos preços internacionais. Isso tem efeito positivo: mantém o desenvolvimento da cafeicultura, possibilitando aos fazendeiros investir parte de sua renda em atividades comerciais e industriais, dinamizando a economia urbana. Mas tem igualmente um efeito nocivo: no final da década de 20, a produção interna (28 milhões de sacas anuais) aumenta muito mais que a demanda externa (15 milhões).
Depois da Revolução de 1930 e dos abalos provocados pela crise econômica mundial iniciada nos Estados Unidos em 1929, o governo Vargas mantém o apoio ao setor cafeeiro por meio do Conselho Nacional do Café e, ao mesmo tempo, decide impulsionar a industrialização. Para reduzir a oferta e melhorar os preços, manda queimar todo o seu estoque e erradicar cafezais, pagando pequena indenização aos produtores. A longo prazo, a produção e a exportação estabilizam-se, sob a supervisão do Instituto Brasileiro do Café, criado em 1952. Na década de 50, as exportações de café ainda representam a maior parte do total comercializado, e o Brasil permanece como o maior produtor mundial. Mas seu reinado absoluto na economia brasileira chega ao fim quando o setor industrial, a partir da segunda metade do século XX, se torna o carro-chefe do desenvolvimento econômico nacional.
Fonte:
http://br.geocities.com/vinicrashbr/historia/brasil/ciclodocafe.htm
