Por Emerson Santiago
Recebe o nome de Tratado de Petrópolis o documento firmado entre a Bolívia e o Brasil a 17 de novembro de 1903.Assinado naquela cidade do estado do Rio de Janeiro, este tratado tornou oficial a anexação do atual estado do Acre ao território brasileiro.
Surgimento da questão
Desde a segunda metade do século XIX, alguns brasileiros, sobretudo nordestinos fustigados por sucessivas secas em suas áreas instalam-se na bacia do rio Acre, para se dedicar à atividade extrativista (leia-se extração do látex, matéria-prima da borracha, obtido das seringueiras, árvores nativas do lugar). Sem conhecer ou se importar com títulos de propriedade, estes migrantes começam a ocupar as terras, cuja maior parte pertencia à Bolívia. As fronteiras permaneciam inexatas, apesar de estabelecidas reiteradas vezes por tratados internacionais.
A Bolívia, no entanto, jamais exercera ali sua soberania. A área entre os rios Javari e Madeira constava nos mapas locais como “tierras non descubiertas”. Habitando em sua grande parte os altiplanos, os bolivianos não se mostravam aptos ou mesmo interessados em tomar posse daquela isolada região de planície. Como consequencia, as incursões populacionais nessas áreas não preocupavam os países vizinhos. Este era o cenário na região enquanto a borracha era apenas um item exótico das exportações amazônicas.
A riqueza da borracha
No entanto, as mudanças trazidas pela Revolução Industrial fizeram com que a região do Acre atraísse a atenção de governos e particulares. Mais precisamente, a borracha começou a ser empregada em larga escala na indústria, principalmente na fabricação de pneus de veículos, motocicletas e bicicletas, uma prática viabilizada pelo processo de vulcanização inventado por Charles Goodyear em 1839. Desse modo, torna-se inevitável uma corrida ao chamado “ouro negro” da Amazônia, já valorizado graças ao incremento da produção de calçados e das exigências do maquinário empregado no processo de industrialização em si.
A reação boliviana
Assim, em 1898, as autoridades bolivianas deixam de lado a indiferença em relação à ocupação brasileira da fronteira. O que antes eram “simples escaramuças locais” envolvendo seringueiros brasileiros e vizinhos bolivianos toma a forma de conflito internacional.
Em 1899 os bolivianos fundam Puerto Alonso, nome dado em homenagem ao então Presidente Severo Fernandes Alonso. O governo brasileiro não se manifesta, buscando uma posição inerte em relação à questão. Naquele momento, predominava o entendimento vindo do Tratado de Ayacucho, de 1867, onde Brasil e Bolívia entendiam que o Acre era território boliviano. A falta de reação brasileira era interpretada por seringalistas e seringueiros como a oficialização da soberania estrangeira na região, alimentando a primeira insurreição acreana. Em 1º de maio de 1899, cerca de quinze mil brasileiros, a maioria residentes na região, sob o comando do advogado José Carvalho e com o apoio do governo do Estado do Amazonas, levantaram-se contra os bolivianos.
Os seringueiros se revoltam
A segunda insurreição deu-se em 14 de julho de 1899, chefiada pelo jornalista espanhol Luiz Galvez Rodrigues de Arias. Em Puerto Alonso, já rebatizada Porto Acre, Galvez hasteia a bandeira acreana, proclamando a criação do Estado Independente do Acre. As autoridades federais brasileiras, ainda buscando preservar o conteúdo do Tratado de Ayacucho, interpretam o gesto como uma invasão territorial à Bolívia e enviam forças para desbaratar o Estado Independente. Assim, a 15 de março de 1900, o Brasil promove a transição política, passando o controle da região à Bolívia.
O Bolivian Syndicate
Aparentemente resolvida a questão, eis que vem à tona a existência de um acordo militar entre norte-americanos e bolivianos envolvendo a região, o que levantou preocupações do governo brasileiro. Em 1901, a Bolívia, presidida pelo General José Manuel Pando, estava ansiosa por se livrar dos problemas de administração das terras consideradas acreanas pelos brasileiros. Com isso, elas foram arrendadas a um sindicato de capitalistas majoritariamente norte-americanos e ingleses, o Bolivian Syndicate, que por trinta anos assumiria o controle total sobre a região, incluindo a movimentação alfandegária e militar.
Para o lado brasileiro, tal acordo significava uma ameaça às soberanias tanto da Bolívia quanto do Brasil. As tentativas diplomáticas do Brasil para conseguir a anulação do contrato provocaram a pronta reação das autoridades governamentais em Washington e Londres. Em resposta, o presidente Campos Sales decide fechar o rio Amazonas e seus afluentes à navegação, ignorando os protestos dos EUA, Grã-Bretanha, França e Alemanha.
O Barão do Rio Branco assume
Quando a controvérsia em torno do Bolivian Syndicate acirrou-se, surgiu na cena política a figura de José Maria da Silva Paranhos, o Barão do Rio Branco, que havia sido convidado pelo Presidente Rodrigues Alves a assumir a pasta do Ministério das Relações Exteriores e, de imediato estudar o tema delicado. Rio Branco decidiu interpretar o Tratado de 1867 ao pé da letra, e declarou o território do Acre litigioso com relação ao Brasil e ao Peru, com quem a Bolívia acabara de firmar um tratado para submetê-lo à arbitragem da Argentina.
Com o real intento de forçar a Bolívia a negociar, o Barão apresentou a proposta de permuta de territórios ou de compra do Acre pelo Brasil, que assumiria o compromisso de acertar-se com o Bolivian Syndicate. Ambas as propostas foram rechaçadas pela Bolívia, que se fiava no apoio norte-americano.
Brasileiros contra bolivianos
Enquanto isso, no Acre, o gaúcho Plácido de Castro inicia um movimento armado contra a Bolívia, pela posse da região. As tropas bolivianas são derrotadas, e é proclamada, pela terceira e última vez, o Estado Independente do Acre, o que soluciona militarmente o litígio. O presidente boliviano, General Pando, percebendo que não poderia manter o controle sobre o Acre, busca finalmente o entendimento diplomático. Em 21 de março de 1903, ele concordou com a ocupação e administração brasileira na região até a conclusão dos termos do acordo que culminaria com o Tratado de Petrópolis, assinado meses depois.
O tratado
Por esse instrumento, ficou acordado que a Bolívia receberia compensações territoriais em vários pontos da fronteira com o Brasil. O governo brasileiro se comprometeria a construir a Estrada de ferro Madeira-Mamoré, e preservaria a liberdade de trânsito pela ferrovia e pelos rios até o oceano Atlântico, facilitando o escoamento das exportações bolivianas. Como não havia equivalência entre as áreas permutadas, estabeleceu-se, ainda, uma indenização de dois milhões de libras esterlinas, a ser paga pelo Brasil em duas parcelas.
A Bolívia cederia a parte meridional do Acre, reconhecidamente boliviana, mas povoada por brasileiros, e desistiria da reclamação da outra parte do território mais ao norte, também ocupada só por brasileiros. O Bolivian Syndicate aceitou a rescisão contratual mediante uma compensação financeira de 114.000,00 libras esterlinas, em distrato assinado em 26 de fevereiro de 1903.
O Tratado de Petrópolis praticamente selou o destino do Acre, que até hoje permanece como integrante da federação brasileira de modo praticamente incontroverso. O Peru seguiria mais alguns anos manifestando-se diplomaticamente por direitos na região, mas acabaria chegando a um acordo com as autoridades brasileiras.
Bibliografia:
LIMA E ALVES, Flávia. O Tratado de Petrópolis - Interiorização do conflito de fronteiras. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/22127-22128-1-PB.pdf >
Mapa: http://jchistorybrasil.webnode.com.br/album/galeria-de-fotos-primeira-republica-ou-republica-oligarquica-1889-1930-/quest%C3%A3o%20do%20acre-png/
Fonte: http://www.infoescola.com/historia/tratado-de-petropolis/
5.3.14
Tratado de Petrópolis
Reino dos Francos
Por Antonio Gasparetto Junior
O Reino dos Francos é a raiz histórica dos atuais países França e Alemanha.
A origem dos Francos ainda é um mistério para os pesquisadores. Não há consenso sobre sua primeira aparição na história, entretanto há versões que apontam algumas teses. Alguns acreditam que esse povo tenha se originado da unificação de pequenos grupos germânicos que habitavam o vale do Rio Reno. Outra corrente de estudiosos argumenta que os Francos são originários de uma região no Nordeste da Holanda. Sabe-se, contudo, que a palavra Franco significa livre na língua frâncica falada por esse povo. Uma liberdade que, como acontece quase sempre, não era acessível a todos. Mulheres e escravos não possuíam os mesmos direitos dos francos livres.
Os Francos incomodavam muito o Império Romano. O embate entre ambos era constante. Mas entre 355 e 358, o Imperador Juliano conseguiu dominá-los, tornando-os o primeiro povo germânico a estabelecer-se de modo permanente no Império Romano. Aos Francos foi dada uma porção de terra da Gália Belga, com considerável território. Mas o imperador romano não imagina o crescimento que teriam no futuro. A partir de suas terras centrais, os Francos conquistaram a maior parte da Roma gaulesa, o que, a princípio, foi favorável aos romanos, já que eles atuaram como aliados na defesa do Império. Porém a expansão inicial dos Francos já dava as bases de seu reino.
Clóvis I, rei dos Francos entre os anos 481 e 511.
Acredita-se que o Reino dos Francos teve início nas primeiras décadas do século V. Todavia os relatos não são confirmados e têm aspecto de mito sobre a fundação da dinastia merovíngia. Um desses reis, Clódio, teria sido o primeiro a conquistar terras na Gália. Mas esta seria uma condição verdadeira mais à frente. Os Francos conquistariam cava vez mais terras e mais poder sobre os galo-romanos. O nome da dinastia dos merovíngios provavelmente está relacionado a um dos filhos de Clódio, Meroveu. Um de seus sucessores, Clóvis, foi responsável por consolidar os vários reinos francos e encerrar o controle romano na região de Paris, expandindo seu reino até os Pirineus. A conversão de Clóvis ao cristianismo no final do século V aproximou os Francos do papa. Os filhos de Clóvis continuaram a expansão territorial e chegaram a cobrir a maior parte do território francês atual.
A dinastia merovíngia perdeu forças em meados do século VII quando uma série de mortes prematuras levou ao reinado de menores de idade. Essa fraqueza administrativa abriu espaço para o poder dos mordomos do palácio, que eram também superintendentes de estado, e para a organização de sua própria regência hereditária. Criando, assim, a dinastia dos carolíngios.
Pepino, o Breve, foi coroado como primeiro rei franco da dinastia carolíngia em 751. Ele foi um rei eleito que solidificou sua posição através de uma aliança com o Papa Estevão III. O rei franco foi responsável por reconquistar as áreas perdidas em torno de Roma e entrega-las ao papa, uma doação que criaria os estados papais. A Igreja estava muito satisfeita e a ação de Pepino mudaria o curso da história. O novo poder papal estabeleceria uma nova ordem que caracterizaria toda a Idade Média, a supremacia da Igreja Católica. O sucessor de Pepino, seu filho, foi um dos mais notórios reis da história, Carlos Magno. Letrado, poderoso e inteligente, ele restaurou a igualdade entre papa e imperador e se tornou emblemático para a história tanto da França como da Alemanha. Carlos Magno estabeleceu a prática de cristianizar os povos conquistados, aumentando a influência da Igreja Católica e do cristianismo no mundo. Soberano em grande território na Europa, Carlos era o grande líder da cristandade ocidental e foi coroado pelo Papa Leão III como Imperador dos Romanos. A cerimônia, na verdade, reconhecia o Império Franco como sucessor do Romano. Depois da morte de Carlos Magno e de seu filho, o Império Franco foi dividido entre os herdeiros, dando origem aos territórios da atual Alemanha e da França.
Não se sabe ao certo quando os franceses deixaram de se considerar francos. Pelo menos até o século XIII, os reis franceses da dinastia capetíngia se denominavam ainda como francos. O primeiro registro de Rei da França que se tem notícia está em um documento do Rei Felipe II, de 1204. No entanto, sua adoção seria gradual. De toda forma, a tradição dos francos como grandes aliados da Igreja Católica permaneceu na França, que foi muito atuante nascruzadas.
O Reino dos Francos mudou a organização e a distribuição do poder na Europa e foi fundamental para o poderio dominante da Igreja Católica no mundo medieval. Seu legado deixou marcas culturais no Ocidente que persistem até hoje.
Fontes:
http://www.revistasignum.com/signum/index.php/revistasignumn11/article/viewFile/85/86http://www.anpuhsp.org.br/sp/downloads/CD%20XX%20Encontro/PDF/Autores%20e%20Artigos/Thiago%20Juarez%20Ribeiro%20Silva.pdfhttp://www.portvitoria.com/Documents/13_Pires-O'Brien_A%20Cultura%20Ib%C3%A9rica_Pt_PV7.pdfhttp://www.bv.fapesp.br/pt/auxilios/38023/a-realeza-crista-na-alta-idade-media-os-francos-e-a-autoridade-publica-no-periodo-merovingio/http://www.historia.uff.br/cantareira/v3/wp-content/uploads/2013/05/e05a06.pdfhttp://www.historialivre.com/revistahistoriador/espum/mauro.pdf
Ilustração: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fran%C3%A7ois-Louis_Dejuinne_(1786-1844)_-_Clovis_roi_des_Francs_(465-511).jpg
http://www.infoescola.com/historia/reino-dos-francos/
Código de Hamurabi
Por Emerson Santiago
É chamado Código de Hamurabi uma compilação de 282 leis da antiga Babilônia (atual Iraque), composto por volta de 1772 a.C. Hamurabi é o sexto rei da Babilônia, responsável por decretar o código conhecido com seu nome, que sobreviveu até os dias de hoje em cópias parcialmente preservadas, sendo uma na forma de uma grande estela(monolito) de tamanho de um humano médio, além de vários tabletes menores de barro.
Características
Estela contendo as inscrições do Código de Hamurabi. Foto: Sailko / Wikimedia.
O Código de Hamurabi é visto como a mais fiel origem do Direito. É a legislação mais antiga de que se tem conhecimento, e o seu trecho mais conhecido é a chamada lei de talião. Ele é pequeno, tendo em seu original três mil e seiscentas linhas, sendo essas linhas ordenadas em duzentos e oitenta e dois artigos, sendo que de alguns deles não há conhecimento completo de sua redação.
O original do Código de Hamurabi foi escrito/gravado em um bloco, e parte desses artigos foram apagados quando o bloco foi levado para Susa, confiscado depois de uma guerra. Com isso, alguns artigos ficaram com a sua compreensão comprometida. Alguns dos artigos apagados são conhecidos pela existência de cópias. O bloco original em que foi escrito o Código encontra-se atualmente nomuseu do Louvre, em Paris.
Na verdade, como o Código de Hamurabi é a única legislação daquele povo, ele não deveria receber tal nomenclatura, tendo em vista que não apresenta-se da maneira de um código, noção que foi concebida após o Código Civil Napoleônico. Vale lembrar que o este código é uma legislação que está composta por vários fragmentos, sendo alguns civis, outros penais, alguns referentes ao direito do trabalho, etc.
Sociedade babilônica
Importante lembrar que a sociedade que produziu o Código de Hamurabi era uma sociedade estratificada. As disposições determinam qual comportamento é pertinente para cada classe.
A sociedade babilônica tinha por base a desigualdade. A primeira classe, e mais numerosa era a dos awilu, os cidadãos, proprietários, camponeses, artesãos e comerciantes.
Em posição intermediária estavam os mushkenu (palavra, através do árabe, responsável pelo vocábulo português “mesquinho”); são os semi-livres, entre livres e escravos. Era formada por antigos escravos, homens livres desclassificados (plebe), muitas vezes estrangeiros.
Abaixo destes estava a classe dos escravos, wardu, resultante, sobretudo, da guerra, mas também determinada pelo nascimento, em virtude de sua hereditariedade.
As disposições presentes no Código contemplam todas as classes, mas podemos observar que a legislação é feita com total parcialidade em favor da classe superior, os “awilum”. A maior parte dos artigos dão a entender que somente eles possuem direitos, pois frequentemente lemos a palavra awilum, e não qualquer expressão mais genérica que demonstraria imparcialidade.
No parágrafo 271 temos:
“Se um awilum alugou animais, um carro e seu condutor, dará três parsiktum de grão por dia.”
No 272 está escrito:
“Se um awilum alugou só o carro dará 4 uitum de grão por dia.”
Isso demonstra claramente que o código não considera a todos como iguais, pois se assim fosse qual a necessidade de se especificar qual a classe? Os enunciados dos artigos certamente trariam a palavra cidadão ou equivalente, evitando assim, a distinção de classe social. Entretanto, assim não é, pois as leis são específicas para cada classe social. Assim, cada classe tem o seu nome especificado no código.
A Mesopotâmia e Hamurabi
Hamurabi é o responsável pela fundação do primeiro império babilônico, conseguindo com isso, unificar a região. Para sua edificação foi decisiva ainda a invasão dos amoritas, que derrubaram os acádios, a força predominante na área.
Esta parte do planeta está delimitada por dois rios importantíssimos, que são o Tigre e o Eufrates, vindo daí o nome Mesopotâmia, derivado do grego, e que significa “terra entre rios”. É por isso mesmo que encontramos no código determinados artigos que tratam sobre a irrigação e regulamentam a profissão de barqueiro. Isso já deixa evidente a importância da água, não somente como a necessidade física, mas para finalidades secundárias, mas não menos importantes. Nos parágrafos 53, 55 e 56 temos exemplos de disposições que demonstram a preocupação com a racional utilização da água:
Se alguém é preguiçoso em ter em boa ordem o próprio dique e não o tem em ordem, e em conseqüência nele produziu-se uma fenda e os campos da aldeia foram inundados pela água, aquele em cujo dique produziu-se a abertura deverá ressarcir o grão que fez perder
Se alguém abre seu reservatório de água para irriga, mas é negligente, e a água inunda o campo do seu vizinho, deverá ressarcir o grão conforme o produzido pelo vizinho.
Se alguém deixa passar a água, e a água inundar o cultivo do vizinho, deverá indenizá-lo pagando para cada dez ‘gan’ (medida de superfície) dez ‘gur’ (medida de volume) de grão.
Nesses parágrafos vemos a preocupação com a questão da irrigação, e delitos previstos em caso de negligência no uso da água, prevendo penas para os infratores. A presença de três parágrafos para mostrar o que deveria ser feito quando ocorresse algum problema com a irrigação de algum campo demonstra claramente a importância acentuada da água, considerando que são apenas duzentos e oitenta e dois artigos. Afinal, a atividade econômica desenvolvia-se toda praticamente em torno da exploração da água.
Divisão do Código de Hamurabi
Como era de se imaginar, o Código de Hamurabi não apresenta o mesmo formato das leis contemporâneas. A conformação que prevalece nos dias atuais surgiu apenas com o Código Civil Napoleônico.
As lacunas existentes no código são evidentes para os especialistas. Exemplo disso é o fato de somente as classes profissionais especiais terem as suas atuações regulamentadas. Porque somente algumas classes eram contempladas? Mesmo na Antiguidade já havia uma diversidade considerável de profissões.
De qualquer modo, estudiosos como E. Bergmann procuraram estruturar de forma racional a estrutura do código:
Leis punitivas de prováveis delitos praticados durante um processo judicial (parágrafos 1 a 5)
Leis regulatórias do direito patrimonial (parágrafos 6 a 126)
Leis regulatórias do direito de família e heranças (parágrafos 127 a 195)
Leis destinadas a punir lesões corporais (parágrafos 196 a 214)
Leis que regulam os direitos e obrigações de classes especiais como: a) Médicos (§§215 – 223) b) Veterinários (§§ 224 – 225) c) Barbeiros (§§ 226 – 227) d) Pedreiros (§§ 228 - 233) e) Barqueiros (§§ 234 – 240) (parágrafos 215 a 240)
Leis regulatórias de preços e salários (parágrafos 241 – 277)
Leis adicionais regulatórias da posse de escravos (parágrafos 278 – 282)
Ao contrário da classificação sugerida por Bergman, Hugo Winker faz a divisão em quatorze partes:
Encantamentos, juízos de Deus, falso testemunho, prevaricação dos juízes. (parágrafos 1 a 5)
Crime de furto e rapina, reivindicação de móveis. (parágrafos 6 a 25)
Direitos e deveres dos oficiais, dos gregários em geral.(parágrafos 26 a 41)
Locação em regime geral dos fundos rústicos, mútuos, locação de casas, doações em pagamento. (parágrafos 42 a 65)
Relação entre comerciantes e comissionários. (parágrafos 100 a 107)
Regulamento das tabernas (taberneiras prepostas, polícia, penas e tarifas). (parágrafos 108 a 111)
Obrigações (contratos de transportes, mútuos), processo de execução e servidão por dívidas. (parágrafos 112 a 119)
Contratos de depósitos (parágrafos 120 a 126)
Injúria e difamação (parágrafo 127)
Matrimônio e família, crimes contra a ordem da família, contribuições e doações nupciais, sucessão. (parágrafos 128 a 184)
adoção, ofensa aos genitores. Substituição do recém-nascidos. (parágrafos 185 a 195)
Crimes e penas (lesões corporais) talião, indenização e composição. (parágrafos 196 a 214)
Médicos e veterinários, arquitetos e barqueiros (mercês, honorários e responsabilidade), choque de navios. (parágrafos 215 a 240)
Sequestro, locações de animais, trabalhos nos campos, pastores, operários. Danos, furtos de utensílios para água, escravo (ação redibitória, responsabilidade por evicção, disciplina). (parágrafos 241 a 282)
Este detalhamento nada mais é do que a ampliação do significado do primeiro. Entretanto, podemos aqui observar que o Código de Hamurabi não é somente morte e disposições penais como muitos o conhecem. Tal sistematização serve ainda para demonstrar que esta é uma legislação de grande valor e que traz alguns princípios que, com certeza, foram adotados por legislações posteriores no mundo do direito.
Lei de talião
A lei (ou pena) de talião é o ponto principal e fundamental para o Código de Hamurabi.
A despeito do que muitos pensam, talião não é um nome próprio. O termo vem do latim talionis, que significa “como tal”, “idêntico”. Daí temos a pena que se baseia na justa reciprocidade do crime e da pena, frequentemente simbolizada pela expressão “olho por olho, dente por dente”.
Ela se faz presente na maior parte dos duzentos e oitenta e dois artigos do código. Muitos delitos acabam tendo com sanção punitiva o talião, ou às vezes a pena de morte. Apesar de parecer chocante a condenação à pena de morte, esta era uma condenação bastante usual, pelo menos na legislação.
Finalidade
Com uma melhor análise do conteúdo do código, fica claro que o objetivo (ao menos aparentemente) dessa legislação era trazer a justiça, mesmo que a maioria dos seus duzentos e oitenta e dois artigos sejam taliônicos e não correspondam às ideias mais modernas de justiça científica.
Um bom ponto que talvez ilustre perfeitamente a finalidade da composição de tal legislação é o prólogo, no qual está escrito o seguinte: “(...) por esse tempo Anu e Bel me chamaram, a mim Hamurabi, o excelso príncipe, o adorador dos deuses, para implantar justiça na terra, para destruir os maus e o mal, para prevenir a opressão do fraco pelo forte, para iluminar o mundo e propiciar o bem-estar do povo (...)”
Bibliografia:
KERSTEN, Vinicius Mendez. O Código de Hamurabi através de uma visão humanitária. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=4113 >
Código de Hamurabi. Disponível em < http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/hamurabi.htm >
Foto: Wikimedia / http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Codice_di_hammurabi_03.JPG
Fonte: http://www.infoescola.com/historia/codigo-de-hamurabi/
Guerra dos Seis Dias
Por Emerson Santiago
A Guerra dos Seis Dias, também conhecida como Guerra de 1967 ou Guerra de junho de 1967 ou ainda Terceira Guerra Árabe-Israelense, foi o conflito que envolveu Israel, Síria, Egito, Jordânia e Iraque. Ocorreu entre 05 e 10 de junho de 1967, e foi a mais consistente resposta árabe à fundação do Estado de Israel, apesar do estado sionista ter saído como grande vencedor.
Antecedentes
Pouco antes do conflito, o Egito estava enfraquecido econômica e militarmente. O presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, fervoroso pan-arabista nacionalista, defensor do não-alinhamento e da proeminência do Egito no seio da Liga Árabe, estimulava os outros países a não entrarem em conflito com Israel.
Apesar dos constantes avisos de Nasser, a Síria estava envolvida em um embate com Israel por conta da água. A Síria tinha um plano para obstruir um dos afluentes do Rio Jordão e desviá-lo para irrigar suas plantações. Contudo, o Jordão era de suma importância também para Israel, e o avanço sírio ameaçava não só Israel como outros países árabes.
As origens da guerra dos Seis Dias costumam ser traçadas na conferencia da Liga Árabe realizada no Cairo, em 1964, onde foi debatido o desvio das águas do Jordão, questão de suma importância para aqueles ali presentes. Ficou decidido então que o estabelecimento de Israel era uma ameaça que a nação árabe em sua totalidade deveria impedir. Assim, já que a existência de Israel era uma ameaça, o desvio das águas do Jordão multiplicaria os perigos à existência árabe. Logo, os estados árabes estavam elaborando planos para a liquidação final de Israel.
Preparações
Aparentemente, nenhum lado desejava a guerra, mas o desejo israelense de realizar operações preventivas e o aval dos Estados Unidos selaram o confronto.
Às vésperas da celebração do seu vigésimo aniversário (em 1968), Israel encontra-se numa posição bastante confortável face aos seus vizinhos árabes, que ainda lutavam para construir um estado centralizado forte e que não caísse nas mãos de radicais locais, sedentos por reavivar a doutrina islâmica tradicional como forma de contestar as elites responsáveis pela independência das potências europeus.
Previamente humilhados tanto na guerra da independência israelense, como durante a crise de Suez, o mundo árabe pretendia fazer jus àquela que considerava ser uma ocupação indesejada por um vizinho incômodo.
Com isso, no ano de 1967, Egito e Síria iniciam um conjunto de ofensivas diplomáticas entre as nações árabes para obter o apoio necessário para a batalha que seria decisiva contra Israel.
O movimento palestino Fatah passa a realizar pequenas rebeliões ao longo da fronteira israelense, cujo resultado é uma resposta contra a Jordânia e um combate aéreo com a Síria. Com isso, inicia-se a contagem regressiva para a Guerra dos Seis Dias.
Nasser é pressionado a agir contra Israel, mesmo com o Egito exaurido economicamente, devido a um conflito recente com o Iêmen. Apesar de não desejar a guerra naquele momento, o líder egípcio toma três medidas: o envio de tropas para a península do Sinai (ocupada por forças da ONU), um pedido para a retirada da força de defesa da ONU na Síria e o fechamento do estreito de Tiran à navegação israelense.
O conflito
Israel não vê outra alternativa que não seja um ataque preventivo. Os principais objetivos eram abrir o estreito de Tiran e neutralizar o exército egípcio no Sinai. Objetivos políticos e territoriais não foram definidos pelo governo quando da ordem de ataque para. Os objetivos da guerra só surgiram, de forma confusa e contraditória, durante o combate.
Apesar dos acordos de Israel com a Jordânia, ela decide se juntado ao Egito. Esta união foi fundamental para que Israel decidisse anexar a região de Jerusalém oriental.
A 18 de Maio, Nasser emite um pedido a U Thant, o secretário-geral das Nações Unidas, para que retirasse imediatamente todos os capacetes azuis do Golfo de Ácaba, enquanto procedia à interdição de todo o tráfego israelita, pretendendo mantê-lo isolado dentro da península. Após um ataque israelita à aviação síria, aliada por tratado ao Egito, era óbvio que em breve as tensões resultariam numa guerra.
De fato, no dia 5 de junho de 1967, as primeiras batalhas ocorrem próximo à cidade de Charm-el-Cheikh, a Leste do Sinai, no Golfo de Ácaba, onde as tropas das Nações Unidas são incapazes de conter a violência. Essa cidade estava sob administração internacional desde a crise de Suez de 1956.
O resultado é amplamente favorável a Israel. Sua força aérea destrói a homóloga egípcia juntamente com aeroportos e instalações anexas, incapacitando totalmente o braço aéreo do vizinho a sudoeste. O Sinai é ocupado militarmente por Israel, que apodera-se também de Gaza e do Golfo de Ácaba.
A 7 de junho, temendo a aliança sírio-egípcia, Israel avança em novo ataque preventivo, desta vez contra a Síria, conquistando a Cisjordânia e as colinas de Golã.
No dia 8 de junho, o Egito aceita o cessar-fogo proposto, e a Síria faz o mesmo no dia 10, terminando assim com a guerra dos Seis Dias. A sensação inicial foi de triunfo. O país de apenas 19 anos, rodeado de inimigos vencera não apenas o poderoso Egito, mas também a Jordânia e a Síria, tudo em cerca de 132 horas.
Consequências
Territórios Israelenses antes e depois da Guerra dos Seis Dias. Ilustração: Wikimedia.
Israel começara a guerra com apenas 20.300 km2 de área sob sua administração, mas depois do dia 10 contava com cerca de 102.400 km2, um aumento de cerca de cinco vezes em seu território. As conquistas consolidavam o projeto da Grande Israel que havia sido, outrora, um dos projetos de algumas escolas sionistas.
A Guerra dos Seis Dias deu a Israel o controle das colinas de Golã, o deserto do Sinai, a faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Mais que territórios, Israel conquistou em 1967 problemas que, quatro décadas depois, continuam tão vívidos quanto a memória da guerra entre os que sobreviveram a ela.
Outro resultado da guerra foi a proclamação por parte do Knesset, o parlamento israelita, da anexação da parte árabe de Jerusalém, o que suspendeu todas as recomendações do Conselho de Segurança e Assembleia Geral das Nações Unidas.
O caráter meticuloso, planejamento e a audácia israelita tiveram uma grande repercussão nos inimigos aliados. A cooperação com os norte-americanos finalmente traduzia-se numa impressionante superioridade militar face aos restantes vizinhos, numa região de grande hostilidade.
Apenas no dia 22 de novembro de 1967 as Nações Unidas emitiriam a Resolução 242 que, entre outros pontos, buscava persuadir Israel a abandonar os territórios ocupados, assim como a reconhecer o direito de todas as nações vizinhas à paz e estabilidade como povos livres. Até hoje, a Resolução 242 não foi cumprida em grande parte.
Terras por paz
Por outro lado, a guerra teve o efeito de tolerância (mas nunca aceitação) do Estado de Israel, e levou a uma proposta de paz árabe. De certo modo, a guerra deu a Israel algo para oferecer em troca da paz.
A devolução dos territórios ocupados na guerra dos Seis Dias sempre se mostrou complicada. A península do Sinai foi devolvida ao Egito em 1979, resultado de uma inédita oferta de paz do sucessor de Nasser, Anwar Sadat. Infelizmente, isso selou o destino de Sadat, morto por extremistas islâmicos em 1982. A questão das colinas de Golã, aparentemente, ainda se arrastará por anos, devido à corrente guerra civil na Síria e os entraves que Israel cria para a devolução da área.
Já os territórios de Gaza e Cisjordânia são alvo de complicadíssimos arranjos entre israelenses e representantes da autoridade palestina, que pretendem administrá-los e neles erigir o futuro estado palestino. Para Israel, a manutenção dos territórios representa, sem dúvida, mais uma ameaça do que uma vantagem.
Efeito colateral
A guerra dos Seis Dias teve o efeito colateral de trazer a questão palestina para a agenda global. A ocupação de um território três vezes maior do que o inicialmente previsto favoreceu a criação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que manteve firme a ideia de criação de um estado para seu povo. Apenas em 1968 Iasser Arafat e seus companheiros puderam assumir a liderança e reformular o movimento.
Desdobramentos recentes
Nos últimos anos, o governo israelense tentou retirar-se unilateralmente de Gaza em 2005. Com uma plataforma de decisões unilaterais, o atual partido no poder, o Kadima, foi eleito. Mas essa idéia fracassou no verão de 2006, com a guerra com o Líbano e novos conflitos com os palestinos. Para a população, os territórios que começavam a ser desocupados se mostraram perigosos e povoados por ferrenhos adversários. A maioria dos israelenses ainda apoia a ocupação de Jerusalém oriental, mas o mesmo não acontece com outros territórios, incluindo Gaza, por acreditarem que a tendência é a de separação do estado israelense.
Assentamentos
Por outro lado, ainda há significativa presença de fundamentalistas judeus contrários à devolução dos locais de onde Israel já retirou suas forças, como nos antigos assentamentos judaicos em Gaza e, em menor escala, na Cisjordânia. Os ex-colonos formaram até mesmo associações para buscar o retorno aos assentamentos, e a partir delas consegue exercer grande pressão sobre o governo.
A razão principal para is colonos defenderem os assentamentos é que a conquista dos territórios ocupados confirma um direito divino dos judeus de voltarem a seu lar histórico.
Enquanto o governo aplicava inúmeros benefícios econômicos aos assentamentos e os estimulava, a vida nas grandes cidades israelenses ficava cada vez mais cara.
Bibliografia:
JUNQUEIRA, Joana. O Conflito Israelo-Palestiniano - A Guerra dos Seis Dias. Disponível em: <http://brevesescritosinternacionais.blogspot.com.br/2008/08/o-conflito-israelo-palestiniano-guerra_4207.html >
CASTELO BRANCO, Juliana Foguel. Faces de uma relação de reflexividade: Da consolidação do estado israelense à Guerra dos Seis DiasDisponível em < http://www.egn.mar.mil.br/arquivos/revistaEgn/junho2012/edicao18.195-214.pdf>
Ilustração: Ling.Nut [CC-BY-SA-2.5], via Wikimedia Commons
Fonte: http://www.infoescola.com/historia/guerra-dos-seis-dias/
Guerra dos Cem Anos
Por Emerson Santiago
Ficou conhecido como Guerra dos Cem Anos um dos maiores conflitos da Idade Média, que envolveu duas das principais potências europeias, França e Inglaterra. Apesar do nome, durou mais de um século, pois começou em 1337 e terminou em 1453. Além disso, a guerra não foi um confronto ininterrupto, mas uma série de disputas permeadas por várias batalhas.
A guerra dos Cem Anos atravessou eras, superou o fim da idade média e o começo do período moderno. A luta colaborou também para formação dos estados modernos europeus e a queda do feudalismo.
De certo modo, o episódio sintetiza, em vários aspectos, o caráter transitório do período. O cenário é o de um mundo feudal em decomposição, mas ainda predominante, que gradualmente caminha para uma nova realidade, marcada pelo crescimento do comércio, da economia urbana e da riqueza mercantil.
Panorama
O início do conflito deriva de um conjunto de desacordos entre as casas monárquicas inglesa e francesa, pois desde a conquista do trono inglês por Guilherme, duque da Normandia, em 1066, a a coroa inglesa e o reino normando estavam interligados. Tal união, iria, no futuro, trazer uma confusão entre reis, terras e sucessores.
As relações entre os dois lados, como era de se esperar, sempre foram tensas. Os reis ingleses que se sucederam estavam obrigados a fazer votos de lealdade e vassalagem aos reis franceses.
As províncias tanto de um lado como do outro agiam sempre isoladamente, mas sem tentar escapar ao poder da administração real, de muito poder. Não existia na França um sentimento nacional ou uma união de classes suficiente forte, apenas uma lealdade comum à coroa. Com ampla autoridade sob suas terras, os condes e duques tomavam partido em conflitos sem realizar qualquer consulta à coroa.
Crise sucessória
A morte do monarca francês Carlos IV, em 1328, sem herdeiros, mas com uma rainha grávida, criou imediatamente o problema da regência e o de sucessão. Haviam dois candidatos ao trono, um deles o rei inglês Eduardo III, sobrinho de Carlos IV, porém, por linhagem feminina. O parente mais próximo por linhagem masculina era Filipe de Valois, da casa monárquica francesa.
Uma assembleia entre os vassalos do reino foi convocada para escolher o regente até o nascimento do filho ou filha de Carlos IV. A rainha dá à luz a uma menina, e logo depois Filipe de Valois é coroado rei da França, sob o nome de Filipe VI da Casa de Valois. Eduardo III protesta, mas acaba por prestar homenagem ao novo rei.
O aparente entendimento e o fim das disputas, no entanto, é breve, e a tensão entre a coroa francesa e inglesa iriam aumentar ainda mais. Filipe VI possuía parentes nas cortes do reino de Nápoles e no reino da Hungria Cristã, além de aliados no Império Romano-Germânico e apoio do papado de Avignon. Além disso, a França da época era forte, rica e populosa. Com cerca de 12.000.000 de habitantes, o país teve a sorte de contar com uma competente linhagem de reis capetíngios, que conseguiram promover um período de paz e segurança, permitindo o desenvolvimento do comércio e da agricultura, e ao mesmo tempo atenuaram as obrigações da servidão.
A guerra se aproxima
Mas é exatamente neste ambiente de tamanha confiança que Filipe VI acabou tomando medidas radicais que abririam caminho para a guerra entre França e Inglaterra.
No condado de Flandres, região fornecedora de lã para a indústria têxtil flamenga, rebeldes burgueses favoráveis aos ingleses se rebelam. As forças reais de Filipe neutralizam os rebeldes e os vassalos franceses tomam as terras inglesas na região. O fato do rei francês ignorar os abusos de seus vassalos em territórios ingleses deixava Eduardo III sem opções além de recorrer à guerra, mas os conflitos com a Escócia mais uma vez impediam que tropas inglesas fossem levadas ao continente.
A guerra finalmente irrompe quando Filipe VI declara seu apoio a Davi II da Escócia, o que significava uma enorme afronta a Eduardo III. Em resposta, o rei inglês levanta novamente sua pretensão ao trono francês em 1336.
O confronto
As forças de ambos eram desequilibradas, pois os franceses estavam em maioria. Eduardo III contava, porém, com um reino mais coeso e estratégias militares das mais avançadas. As constantes guerras entre ingleses e escoceses acabaram por aprimorar as táticas militares dos ingleses, com destaque para o uso do arco e flecha. Os franceses, por outro lado, faziam uso de uma cavalaria feudal tecnologicamente ultrapassada.
Mesmo assim, a ideia de tomar os castelos e senhorios no continente de assalto era bem improvável. Eduardo resolveu então criar uma linha de aliados ao longo da fronteira do reino francês. O primeiro passo foi incitar uma revolução no condado de Flandres, declarando um embargo econômico de lã. Isso resultou no exílio do conde Luís II, o governante local e a ascensão de um influente burguês, ligado à indústria têxtil, Jaime Van Artevelde de Gand, em 1337.
Apesar do sucesso em Flandres, as outras campanhas se mostravam falhas, e os franceses resistiam bem aos avanços inimigos, sem necessidade de tomar a ofensiva. Com isso, Eduardo perde a confiança dos aliados que conquistara no e volta à Inglaterra como derrotado.
Em 1340, os exércitos franceses organizaram toda sua armada marítima rumo à região de Sluys, no rebelde condado de Flandres, mas foram surpreendidos pela armada inglesa, no que gerou a primeira grande batalha da guerra dos Cem Anos. A armada francesa é liquidada pela frota inglesa, o que acaba com qualquer chance de Filipe VI de invadir a Inglaterra. É a primeira grande vitória de Eduardo III na guerra.
Um problema de sucessão dentro de seus territórios, porém, impede que o rei inglês avance. Ao retornar ao confronto principal, Eduardo III não contava mais com seu representante em Flandres, Van Artevelde, assassinado por uma facção flamenca pró-Filipe. Como resposta, um exército comandado pelo seu primo Henrique (futuro Lancaster) é enviado contra Flandres, e perseguido pelos franceses e seu exército de aliados. As forças inglesas guiadas por Henrique ganharam os reforços de Eduardo III e Godofredo de Harcourt da Normandia, aplicando uma devastadora derrota aos franceses em Grecy, em Junho de 1346.
Eduardo III prosseguiu cercando os castelos da região, com o propósito de se apoderar de todo o norte da França. Por volta de 1347, o enfraquecido exército francês não mais oferecia resistência e o norte francês foi tomado pelos ingleses.
A peste paralisa a guerra
É neste momento que surge um protagonista inesperado: a peste negra, resultado das condições precárias de higiene e de uma alta população de ratos (os veículos da doença) acaba por frear os avanços de Eduardo III. A guerra sofre uma pausa forçada.
Filipe VI morre em 1350 e João II, filho de Filipe, assume o trono. O rei inglês retoma a guerra na França enviando seu filho, príncipe de Gales, Eduardo, príncipe negro, em 1355 para devastar as terras centrais da França. As forças de João encontrarão as do príncipe negro em Poitiers, onde sofrem novamente uma esmagadora derrota. João II é capturado e levado à Inglaterra.
França dividida
O reino francês fica assim enfraquecido, divido entre norte e sul. Bandos de ingleses e gascões dispersos pelo território formavam grupos que devastavam as terras. Os camponeses eram os que mais sofriam com a ação de soldados desocupados e das companhias livres, não recebendo a devida proteção de seus senhores, além de serem submetidos a pesados impostos. Este era um sinal inequívoco de desmantelamento do sistema feudal dentro da França.
O poder é entregue um regente, o delfim Carlos, que se recusa a conceder a tutela da França a Carlos de Navarra e organiza tropas para lutar em Paris.
A revolta interna de camponeses contra seus omissos senhores, porém, acaba por alterar o cenário do conflito, e o delfim consegue retomar o poder.
Em 1359, Edward III lança nova ofensiva para a tomada do trono, mas perde muitos homens no cerco a Paris. Em 1360 é negociado um acordo de paz preliminar, onde o rei inglês fica com vastas terras ao norte da França em troca da liberdade do rei João II. Porém, um neto de João, que permanecera como refém foge, e para garantir o tratado, o rei francês se vê forçado pela honra a retornar para o cativeiro, e ali acaba por morrer, em 1364.
Após um relativo período de paz, o delfim Carlos, agora como Carlos V, reorganiza o exército e os planos de reconquistas. Em 1377 morre Eduardo III e seu filho, levando ao trono inglês Ricardo II, de apenas dez anos de idade. Carlos V morre em 1380, o que esfriou o conflito novamente.
Na França ascende ao trono Carlos VI, e na Inglaterra Ricardo II, que, ao atingir a maioridade, combate revoltas camponesas e a oposição da nobreza liderada por Henrique de Lancaster que tomara o trono em 1399. As forças inglesas retomam sem dificuldades o norte da França, recém-reconquistado pelos franceses durante o reinado de Carlos V. Em 1422 ambos os reis morrem, e a coroa da Inglaterra e do norte da França é herdada por Henrique VI, ainda era recém-nascido, deixando seu reino sob regência, enquanto que o filho de Carlos VI, o delfim, retirou-se para governar em Bourges nos poucos territórios do sul que dominava.
Joana d’Arc
Eis que surge nesse período uma personagem de extrema relevância para a formação da identidade nacional francesa. Joana nasceu provavelmente em Domremy, a 6 de Janeiro de 1412. Era uma simples pastora, pessoa do povo. Desde a infância tinha “visões” místicas que lhe anunciavam a vontade divina de libertar a França do domínio inglês.
Joana d’Arc não lutava por um senhor ou um feudo, mas sim todo um povo, um único rei. Sob seu comando os exércitos franceses venceram importantes batalhas, quando em 1430 ela foi capturada pelos ingleses e queimada como herética na fogueira no ano seguinte. Seu martírio tornou-se inspiração ao povo francês para reconquistar as terras do norte.
Desfecho
Em 1450 a coroa francesa tomava a Normandia e em 1453, vence a batalha de Castillon, tomando o último castelo inglês e confirmando a soberania de todo o território por Carlos VII. A guerra dos Cem Anos acabou por gerar um sentimento nacional na França, além de uma reformulação nas táticas de guerra como a utilização da pólvora no campo de batalha e lançamento de projéteis.
Bibliografia:
DOMINGUES, Breno Campelo. A guerra dos cem anos nos livros didáticos. Disponível em: <http://projeto.unisinos.br/rla/index.php/rla/article/viewFile/249/202 >
NAVARRO, Roberto. O que foi a Guerra dos Cem Anos? Disponível em: < http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-foi-a-guerra-dos-cem-anos >Fonte:http://www.infoescola.com/historia/guerra-dos-cem-anos/
Terceira Guerra Árabe-Israelense
Por Antonio Gasparetto Junior
A Terceira Guerra Árabe-Israelense ocorreu entre países árabes em 1967.
Entre as trágicas consequências da Segunda Guerra Mundial, que causou milhões de mortes e genocídio, está o acirramento das tensões no Oriente Médio. Como tentativa de reparar as atrocidades sofridas pelos judeus durante o regime nazista, a Organização das Nações Unidas, fundada em 1947 para tentar garantir a paz no mundo e evitar uma terceira e destrutiva guerra para a humanidade, resolveu ceder terras ao povo vítima de massacre durante o conflito internacional. A criação do Estado de Israel abrigaria os judeus em território considerado sagrado para eles. No entanto, a região também é sagrada para povos islâmicos que já estavam no local anteriormente. Iniciava assim um conflito que não aparenta ter solução tão cedo na história contemporânea.
Os desentendimentos entre judeus de Israel e islâmicos dos países árabes no Oriente Médio cresceram gradativamente. A incompatibilidade de interesses e a incapacidade de harmonia entre os povos distintos semearam uma condição de constante instabilidade na localidade. Aos poucos os conflitos se evidenciaram de maneira direta, com grupos pegando em armas de ambos os lados. A situação realmente se agravou com a Guerra de Suez, em 1956. Na ocasião, Israel, que utilizava o canal com o mesmo nome para o comércio, declarou guerra ao Egito, que havia nacionalizado o Canal de Suez. Era uma época em que governos nacionalistas se instalavam em países árabes substituindo a colonização europeia, movimentos de resistência eram criados, países orientais se militarizavam e exigiam a saída da ONU de seus territórios ou se apresentavam contra os modos ocidentais. Todos esses foram, e são, componentes que aumentaram a tensão até um novo conflito armado de curta duração. Sem ignorar, claro, o conflito ideológico que dividia o mundo, a Guerra Fria. Logo, Estados Unidos e União Soviética sempre estiveram presentes nesse cenário instável oriental, mesmo sem protagonizar os papeis mais importantes, como era comum entre eles. Porém a participação desses países cresceria gradualmente.
A Guerra dos Seis Dias, como também é chamada foi resultado da insustentabilidade das tensões entre Israel os países árabes que os levou a mobilizarem o efetivo militar em combate direto no ano de 1967. O estopim para o conflito ocorreu no dia 7 de abril daquele ano, quando Israel atacou a artilharia árabe nas Colinas de Golã. Vale ressaltar que, desde sua fundação, Israel sempre recebeu apoio dos Estados Unidos, o que era uma clara estratégia em tempos de Guerra Fria. Com a intenção de solidificar o capitalismo no Oriente Médio e, com ele, todas as suas consequências, ou seja, influência ideológica, aproveitamento dos recursos naturais da região e domínio de mercado consumidor, por exemplo, os estadunidenses ofereciam suporte militar aos israelenses. Naturalmente, em oposição, a União Soviética fazia o mesmo com os países árabes. Com a ação dos israelenses em abril, os soviéticos alertaram os países árabes sobre um ataque mais poderoso e os estimulou à guerra, promovendo um cerco a Israel.
Em meio a turbulenta situação na região e às influências de Estados Unidos e União Soviética, Israel tomou iniciativa preventiva atacando a força aérea egípcia com grande poder de destruição. Antes das oito horas da manhã do dia 5 de junho de 1967, a força aérea israelense atacava os egípcios. Apenas para fins de compreensão, um ataque surpresa e destrutivo arquitetado ao modo do ocorrido em Pearl Harbor durante a Segunda Guerra Mundial. Evidentemente, com personagens e razões diferenciadas. Além disso, a operação israelense acontecia ao mesmo tempo com suas tropas invadindo a Faixa de Gaza, o sul da Síria, as Colinas de Golã e o norte do Sinai. Como retaliação, os países árabes diretamente afetados atacaram também os israelenses.
A ONU pressionou desde o início pelo fim dos combates no Oriente e os Estados Unidos e União Soviética travavam forças como coadjuvantes do conflito. Assim, a guerra não duraria muito tempo. Durante os seis dias de conflito, Israel assumiu o controle do Sinai e ocupou a Cisjordânia e regiões importantes como a parte oriental de Jerusalém e as Colinas de Golã, na Síria. Por fim, a Guerra dos Seis Dias foi uma enorme derrota para os países árabes, que perderam mais da metade de seus equipamentos militares e tiveram mais de 18 mil mortos. A guerra iniciou a fuga dos palestinos de suas casas, que se refugiaram nos países árabes vizinhos. Seria o início de outro problema que persiste sem solução no Oriente Médio, a questão palestina. Além disso, outras consequências foram importantes para a geopolítica mundial. Países como Síria e Egito se aproximaram mais ainda da União Soviética e receberam apoio para renovação do arsenal militar. Os países que se envolveram indiretamente no conflito, dando apoio a cada um dos lados, passaram a ser vistos como inimigos diretos, o que iniciou uma onda de ataques terroristas pelo mundo todo, outra característica de nosso tempo. Assim, a Guerra dos Seis Dias terminou no dia 10 de junho de 1967, mas suas marcas são ainda muito presentes em nosso cotidiano.
Fontes:
http://bvespirita.com/Israel,%20Palestina%20-%20A%20Verdade%20Sobre%20um%20Confito%20(Alain%20Gresh).pdfhttp://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0104-71832003000100010&script=sci_arttexthttp://repositorio.furg.br:8080/handle/1/203http://www.faapmba.org.br/revista_faap/juris/juris_vol_3_2010.pdf#page=54
http://www.infoescola.com/historia/terceira-guerra-arabe-israelense/
Parnasianismo
PROFª Edna Prado
O Parnasianismo foi um movimento literário essencialmente poético, contemporâneo do Realismo-Naturalismo. É interessantedestacar, que ao contrário de outros movimentos que ocorreram em Portugal e no Brasil, o Parnasianismo apresentou características significativas somente no Brasil e na própria França, onde teve origem.
A palavra parnasianismo vem de Parnaso, nome de um montegrego, que segundo a mitologia era a morada de Apolo, deus das artes.Contemporâneo do Realismo-Naturalismo, o Parnasianismo nãopode ser entendido apenas como a manifestação em poesia dascaracterísticas realistas e naturalistas presentes na prosa. Emboraexistam alguns aspectos comuns, há uma grande diferença: oParnasianismo não se preocupava com a temática do cotidiano, com adescrição dos costumes da época e com o cientificismo, característicasmarcantes do Realismo.
Entre as principais características parnasianas estão:
Esteticismo, Impassibilidade, Poesia descritiva, Retomada dos modelos clássicos, Perfeição formal
Esteticismo = A poesia parnasiana estava preocupada com o belo, coma parte estética, daí a palavra esteticismo. Era uma poesiades compromissada com os problemas sociais. Sua única preocupaçãoera a arte pela arte, ou seja, a arte deveria existir em função delamesma.
Impassibilidade = A impassibilidade é a negação do sentimentalis moexagerado presente no Romantismo. Os parnasianos negavam qualquer expressão de subjetividade em favor da objetividade temática.
Poesia descritiva = A poesia parnasiana é marcadamente descritiva, freqüentemente aparecem descrições pormenorizadas de objetos ecenas da natureza.
Retomada dos modelos clássicos = O Parnasianismo, assim como fez o Classicismo, também se voltou para a Antigüidade greco-romana, tida como modelo de perfeição e beleza.
Perfeição formal = A maior preocupação dos poetas parnasianos era aforma, o conteúdo ficava num segundo plano. O importante era apalavra, a aparência e a sonoridade. Tamanha era a preocupação formalque os parnasianos ficaram conhecidos como “poetas de dicionário”.
Autor: PROFª Edna Prado
Fonte: http://www.scribd.com/doc/3373975/Literatura-Aula-17-Parnasianismo
Fonte Foto: http://www.patrimonioslz.com.br/ICON/FOTOPARNASO.jpg
GrupoEscolar.com: http://www.grupoescolar.com/pesquisa/parnasianismo.html

