3.6.14

1948: "Seis potências" decidem futuro da Alemanha Ocidental

De 23 de fevereiro a 2 de junho de 1948, Estados Unidos, Reino Unido e França, bem como países do Benelux (Bélgica, Luxemburgo e Holanda) discutiram o futuro das zonas de ocupação da Alemanha.


'Nova moeda, novos preços', após a reforma monetária de 1948


Após a Segunda Guerra Mundial, a aliança das potências vencedoras foi abalada por confrontos internos, do que resultaram ideias divergentes quanto à política a ser adotada na Alemanha. A arquitetura política da República Federal da Alemanha foi debatida, pela primeira vez, na Conferência das Seis Potências, em Londres.

O então governador de Baden-Würtemberg, Reinhold Maier (do Partido Liberal), fez quatro reivindicações aos participantes da conferência: "O reconhecimento internacional da Alemanha como Estado autônomo; um acordo de paz, ao qual temos direito dois anos e meio após a capitulação incondicional; a definição das reparações em termos que nos garantam uma base econômica; e, finalmente, a libertação de nossos prisioneiros de guerra".

Os participantes da Conferência das Seis Potências concordaram em fomentar a recuperação econômica das três zonas ocidentais com recursos do Plano Marshall (que, entre 1948 e 1952, forneceu 14 bilhões para a reconstrução europeia). Em troca do apoio a essa decisão, a França obteve o direito de anexar a região do Sarre ao seu território. Paris também se dispôs a apoiar a reforma monetária alemã, que entrou em vigor com a introdução do marco alemão (Deutsche Mark) a 20 de junho de 1948.

Os franceses queriam que a Alemanha fosse organizada apenas como confederação informal de Estados, enquanto os ingleses e norte-americanos propunham a criação de uma república federativa. No final, chegou-se ao consenso de formar um governo alemão-ocidental, baseado no sistema de governo democrático federativo.

Conferência selou divisão da Alemanha...

Com isso, os Aliados não só demonstraram a intenção de criar um Estado alemão. Na prática, selaram a divisão do país, um fato reconhecido pelo vereador berlinense Walther Schreiber (da CDU), numa crítica aos resultados da Conferência de Londres. "A definição da organização de nosso país é um assunto estritamente interno que deve ser decidido livremente pelo nosso povo. Para a autoridade da futura Constituição alemã seria importante que todas as potências de ocupação evitassem intervir na questão, estritamente alemã, da formação do nosso Estado", escreveu.

A Conferência das Seis Potências aprovou uma série de recomendações que, a 1º de julho de 1948, foram entregues aos governadores alemães e ficariam conhecidas como os Documentos de Frankfurt. O texto levemente modificado previa a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e a elaboração de um estatuto de regulamentação das relações entre o governo alemão-ocidental e as potências de ocupação.

Os governadores rejeitaram a expressão Verfassung (Constituição) e sugeriram, em vez disso, o uso do termo Grundgesetz (Lei Fundamental) – detalhe meramente semântico, sem qualquer significado político. Eles tiveram dificuldade ainda maior em dar um sentido real à palavra "democracia": rejeitaram a realização de um plebiscito constitucional, sob o pretexto de que os parlamentos estaduais deveriam aprovar a Lei Fundamental.

... e acelerou cisão entre Aliados

A Conferência de Londres acelerou a divisão das potências aliadas, vencedoras da Segunda Guerra Mundial. No dia 20 de março de 1948, o representante soviético na 82ª sessão do Conselho Controlador, marechal Sokolovski, exigiu informações sobre as negociações de Londres. Percebendo que recebia apenas respostas evasivas dos diplomatas ocidentais, abandonou o Conselho, para nunca mais voltar.

Enquanto as potências ocidentais ainda elaboravam as recomendações aos governadores alemães-ocidentais, Stalin usou a introdução do Deutsche Mark como pretexto para fazer um bloqueio a Berlim Ocidental, no verão europeu de 1948. Foi o primeiro incidente de repercussão internacional da Guerra Fria, que duraria 40 anos, até a queda do Muro de Berlim, em 1989.


Autoria Michael Marek
Fonte: DW

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Sebastianismo

Por Ana Paula de Araújo


O Sebastianismo foi um movimento místico-secular que ocorreu em Portugal, durante a segunda metade do séc. XVI. Foi causado pela morte do rei D. Sebastião, durante a batalha de Alcácer-Quibir, no ano de 1578.



Como D. Sebastião não possuía herdeiros, o trono de Portugal ficou sob o poderio do rei Filipe II, da Espanha. O Sebastianismo, foi, portanto, uma esperança na vinda de um salvador, adaptado às condições lusas. Seria traduzido como uma inconformidade, um sentimento de insatisfação com a situação política da época, e uma expectativa de mudança (salvação), mesmo que para isso acontecer fosse necessário um verdadeiro milagre, como a ressurreição do rei morto, D. Sebastião.

Em Portugal foi divulgada uma lenda de que o Rei ainda estava vivo, esperando o momento certo para retomar o trono e afastar o rei estrangeiro, lenda que foi encorajada pelo fato de o povo não aceitar a história de que o corpo do Rei haveria sido transportado para Belém.

O Sapateiro de Trancoso, Bandarra (poeta português), escreveu diversos versos que clamavam o retorno do Rei, chamado de “Desejado” como cognome. Isso fez com que o sentimento se propagasse ainda mais no país. Ocorreu também de vários oportunistas tentarem se fazer passar pelo rei, tentando ganhar algum benefício, mas ao serem descobertos, eram condenados à morte.

O movimento perdeu forças quando a situação política finalmente mudou, no dia 1 de Dezembro de 1640, quando um grupo de conjurados chefiados pelo Duque de Bragança retomou o trono português através do golde da Restauração. Portugal voltou à independência, mas o Sebastianismo ainda permaneceria por muito tempo na mente dos portugueses. O Duque de Bragança viria a se tornar D. João IV.

Após este episódio, o movimento (sebastianismo) tomaria novas formas por todo o Império Português, e chegaria ao Nordeste do Brasil como forma de crença popular na chegada de um “rei bom”. Escritores importantes como Padre Antonio Vieira e Fernando Pessoa deixaram escritos a respeito do movimento, ressaltando principalmente o patriotismo por ele causado.

No Brasil, o Sebastianismo influenciou movimentos populares desde o Rio Grande do Sul até o Norte, isso por consequências de alguns fatos como o de Antonio Conselheiro empregá-lo em seus discursos em Canudos, afirmando que D. Sebastião retornaria dos mortos para restaurar a monarquia no Brasil. Como neste episódio, o termo foi empregado em outros no país, e acabou ficando bastante conhecido na região Nordeste.

O Sebastianismo acabou, portanto, tornando-se um mito, e como é próprio dos mitos, tem sido adaptado a realidade de diversos momentos da história.

Fontes:
http://www.pt-comunidades.com/index.php?option=com_content&view=article&id=632:lendas-e-mitos-de-portugal-o-mito-do-sebastianismo&catid=70:lendas-e-mitos-de-portugal&Itemid=305
http://aulete.uol.com.br/sebastianismo
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/canudos7.htm
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=721
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=419&Itemid=1
http://www.citi.pt/cultura/historia/personalidades/d_sebastiao/garrett.html
http://www.infopedia.pt/$sebastianismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sebastianismo

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Greves operárias

Por Felipe Araújo


No Brasil, o movimento de greves operárias teve início no começo do século XX a partir de uma sucessão de lutas visando mudanças nas relações entre trabalhadores e empregadores, além de melhorias no que se refere à garantias, salários e condições de trabalho.



A partir do aumento do número de pessoas em áreas urbano-industriais, diversas cidades do Brasil ramificaram-se em bairros operários. A maior parte dos integrantes do operariado era de estrangeiros que tinham imigrado ao país. A vida nos bairros operários refletia a remuneração que os trabalhadores da classe recebiam: precariedade em setores básicos, jornadas de trabalho fatigantes e falta de garantia jurídica aos trabalhadores como aposentadoria, férias, descanso semanal.

Um dos problemas mais visíveis ocorria nas fábricas, onde era empregada mão de obra infantil por salários muito abaixo dos oferecidos aos adultos. Diversas crianças acabaram tendo partes do corpo multiladas ao utilizar o maquinário sem o devido treinamento e, além disso, não tinham garantias como seguro acidentes no ambiente de trabalho ou convênio médico.

Influenciada pelas lutas operárias que ocorriam ao redor do mundo, a luta operária brasileira manifestou-se a partir dos ideais anarquistas e socialistas difundidos na Europa - capitaneados pelos imigrantes presentes no Brasil. Com a massa operária unida, os grupos manifestavam-se publicamente a favor da conquista de melhores condições. Visavam resultados imediatos como melhor remuneração, entre outros.

Organizados, os trabalhadores acabaram por fundas várias associações sindicais e jornais – alavancando a causa dos operários e tornando o movimento mais coeso e forte. Ao exemplo de atitudes políticas do operariado em outras nações, greves e protestos eclodiram em muitos Estados brasileiros, notavelmente em São Paulo, cidade que conglomerava a maior parte das indústrias.

Um marco ocorreu no ano de 1907, quando a capital paulista passou por uma paralisação devido a uma greve que tinha os seguintes objetivos: conquista da jornada de trabalho de oito horas, assistência médica, fim do trabalho de crianças e do trabalho noturno para mulheres e o direito a férias. Organizada por trabalhadores dos setores metalúrgico, deconstrução civil e alimentício, essa manifestação influenciou outras categorias profissionais, chegando a outras cidades e Estados.

De acordo com matéria publicada no portal Klick Educação, “sob a direção dos anarquistas, operários de vários ramos da indústria, funcionários das estradas de ferro e do Liceu de Artes e Ofícios paralisaram suas atividades exigindo jornada diária de oito horas. O movimento estendeu-se para o interior. Houve piquetes, reprimidos com violência”.

Fontes:
http://www.klickeducacao.com.br/conteudo/pagina/0,6313,POR-1231-9062-,00.htmlhttp://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/imigrantes-anarquistas-patria-nem-patrao-435180.shtmlhttp://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-59702007000200017&script=sci_arttext

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Desnazificação

Por Antonio Gasparetto Junior


Desnazificação é o termo utilizado para identificar a eliminação da influência cultural nazista após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.



O regime totalitário mais conhecido da história da humanidade é o nazismo, que teve como grande representante Adolf Hitler. Após a Primeira Guerra Mundial, Hitler começou a se aprofundar no mundo político, espalhando suas ideias e conquistando admiradores. Durante a década de 1920, ele tentou um golpe que o levaria ao comando político na Alemanha que, no entanto, foi mal sucedido. Seu fracasso nessa tentativa o levou a viver longos anos na prisão. Mas foi justamente na prisão que Adolf Hitler escreveu a obra que daria base para todo o regime que implantaria na Alemanha. O livro Minha Luta é um relato de seus anos como prisioneiro, mas também uma cartilha ideológica que serviria para influenciar muitos alemães. Ao ser liberto, Hitler encontrou uma Alemanha quebrada em função de dois grandes fatores. O primeiro deles foi a própria Primeira Guerra Mundial que rendeu a Alemanha grandes punições, deixando o país fragmentado em sua estrutura e economia. O segundo fator que traria graves consequências foi a grande crise do capitalismo ocorrida em 1929. Este intensificou muito o já estado de debilidade que o país vivia. A população passava fome, não tinha emprego e as perspectivas de futuro eram péssimas. Foi nesse cenário que Adolf Hitler conquistou vários seguidores através de seus discursos que encorajavam a nação. Em um momento de grandes dificuldades, seus discursos apresentavam esperança para a população.

A definitiva chegada ao poder em 1933 iniciou uma profunda transformação ideológica na Alemanha. O Partido Nazista estabeleceu toda uma estrutura de dominação do Estado e de controle da sociedade. Criou-se um regime totalitário, no qual todo o poder está no Estado e, especialmente, em um representante, Adolf Hitler. Logo a máquina nazista estabeleceu seus meios de divulgar a cultura nazista, doutrinando todos desde cedo de acordo com seus preceitos. Uma das características mais marcantes desse regime foi a crença em uma raça superior, os arianos. Hitler semeou a ideia de que os alemães representavam a raça mais pura no planeta e, por outro lado, os judeus seriam a grande praga da humanidade. Assim estabeleceu-se uma intensa caça aos judeus que foi absorvida por boa parte da população alemã. Em 1939, a Alemanha invadiria a Polônia iniciando o mais terrível conflito da história da humanidade, a Segunda Guerra Mundial. Outros países governados por regimes totalitários, como Japão e Itália, se alinhariam com Hitler e este promoveria um grande processo de expansão em nome da raça ariana e da eliminação do povo judeu. Até o final da guerra, em 1945, mais de seis milhões de judeus seriam assassinados nos campos de extermínio.

A Alemanha conquistou muitos territórios durante a Segunda Guerra Mundial, mas foi derrotada pelos países Aliados e seu líder, Adolf Hitler, cometeu suicídio em 1945. Imediatamente após o término do conflito, a Alemanha foi dividida em quatro zonas que seriam controladas a partir de janeiro de 1946 pelos países vencedores, Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética. O território da Áustria também foi dividido da mesma forma, porém a Alemanha esteve sob ocupação até 1948, enquanto a Áustria permaneceu ocupada até 1955. O objetivo dessa divisão e ocupação era eliminar todos os vestígios do regime nazista. Mais de 200 mil nazistas foram aprisionados. Os Acordos de Postdam reforçaram a proposta de limpeza da sociedade, da cultura, da imprensa, da justiça e da política de toda influência nazista. Ainda em 1945, os principais líderes vivos do nazismo começaram a ser julgados em Nuremberg, onde 24 pessoas foram condenadas e também seis associações julgadas criminosas. Essa divisão do território alemão e austríaco daria base para o novo conflito que duraria mais algumas décadas, a Guerra Fria, colocando em oposição Estados Unidos e União Soviética.

A Desnazificação se encarregou de eliminar um dos regimes mais bárbaros do mundo. No entanto, ainda hoje existem pessoas e grupos que alegam seguir a ideologia nazista, defendendo o preconceito e o extermínio de outros povos. Os neonazistas são uma realidade triste para o mundo, mas que, felizmente, hoje, são minoria e não possuem poderes expressivos.

Fontes:
http://www.dw.de/1948-fim-oficial-da-desnazifica%C3%A7%C3%A3o/a-301967http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Desnazificacao-na-Alemanha-passado-presente-e-futuro/20690http://www.encontro2010.historiaoral.org.br/resources/anais/2/1270045282_ARQUIVO_Artigorecife2.pdfhttp://anpuh.org/anais/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S25.0713.pdf


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História do Kuwait

Por Antonio Gasparetto Junior


O Kuwait é um país localizado na Península Arábica na Ásia Ocidental que faz fronteira com o Iraque e com a Arábia Saudita. Possui um território de aproximadamente 18 mil Km² e uma população de cerca de três milhões de habitantes. Sua capital é a Cidade do Kuwait e a língua oficial é o árabe. Possui um elevado Índice de Desenvolvimento Humano.


Origens

A região onde hoje se encontra o território do Kuwait foi colonizada pelos gregos no século III antes de Cristo, local onde acreditavam que havia sido enterrado Ícaro, um ser mitológico filho Dédalo conhecido por tentar deixar Creta voando. No decorrer dos séculos seguintes, a região testemunhou a presença de muitos impérios e a intensa disputa entre grupos étnicos distintos.
Dominação

Além do domínio dos gregos iniciado no século III antes de Cristo, a região do Kuwait esteve sob o domínio de outros grandes impérios que marcaram a história do Oriente Médio. Depois dos gregos, a região foi dominada pelo Império Parta, que também é chamado de Império Arsácida e foi uma das principais potências político-culturais iranianas da antiga Pérsia. Em seu auge, o império dominava um território que se estendia das margens do Rio Eufrates até o leste do Irã, dominando a Rota da Seda, importante rota comercial do Ocidente com o Oriente na época. Mais tarde, a região ficou sob controle do Império Sassânida, que foi o último império persa pré-islâmico. Foi uma das principais potências da Ásia Ocidental e Central e uma das mais influentes. Nesta época, a região do atual Kuwait era conhecida como Hajar. Mais tarde, com a conversão da população da região ao islamismo, o território do Kuwait passou a fazer parte dos califados islâmicos.
Formação do Kuwait

O termo Kuwait é o diminutivo de kut, que significa forte. Ou seja, fortezinho. Os primeiros colonos permanentes na região vieram da tribo Bani Khalid e foram eles que estabeleceram o Estado do Kuwait. Este foi fundado no início do século XVIII reunindo vários clãs da região de Anaiza, resultando na miscigenação dos migrantes. Após vários deslocamentos, esses povos encontraram um lugar aprazível para viver e se uniram a tribo Bani Khalid. Progressivamente, o Kuwait se tornou um ponto central de comércio e se beneficiou de sua posição favorável. Mas, como aconteceu em toda região, o Kuwait ficou sob influência do Império Otomano no final do século XIX. Apesar dos otomanos reconhecerem a autonomia da dinastia al-Sabah, eles reivindicaram a soberania sobre o Kuwait. O crescente interesse de países europeus na disputa por mercados consumidores e áreas de influência no Oriente causou a aproximação do Kuwait com o Reino Unido no final do mesmo século. O país áraba deu o controle da política externa aos britânicos, em troca de proteção e subsídios. O início do século XX marcou a intensificação das tensões internacionais nas disputas por mercado, que veio acompanhada de outros problemas políticos resultando na Primeira Guerra Mundial. O conflito extinguiu o Império Otomano, gerando vários Estados independentes no Oriente. O Kuwait se tornou um principado independente protegido pelo Império Britânico. Nas décadas de 1920 e 1930, o Kuwait se tornou um dos países mais pobres do mundo por causa do colapso da coleta de pérolas no Golfo Pérsico, que arruinou sua economia. A dependência cresceu mais ainda em relação aos britânicos, que desfrutavam de regalias e privilégios em seu território.
Kuwait Contemporâneo

O Kuwait se tornou totalmente independente no dia 19 de junho de 1961, acabando com as regalias dos britânicos. Logo em seguida, foram descobertos postos de petróleo na região, o que causou um grande investimento de recursos no país, refletindo em enorme crescimento da indústria de petróleo, responsável por transformar o Kuwait. O país deixou de ser um pobre produtor de pérolas e se tornou um dos mais ricos da Península Arábica em pouco tempo, atraindo muitos trabalhadores do Egito e da Índia. A independência e o poderio econômico do Kuwait foram reconhecidos pelos vizinhos árabes no decorrer da década de 1960. Mas, após a nacionalização da principal empresa de petróleo do país, na década de 1970, o Kuwait sofreu com uma grave crise econômica em 1982. Naquela época, ficou registrada uma severa crise do petróleo, iniciada em 1979, que causou grandes prejuízos em escala global. Ainda que ela tenha durado pouco tempo, foi suficiente para causar muitos danos. Só que o Kuwait aumentava constantemente sua produção, preenchendo as lacunas deixadas por Iraque e Irã na produção de petróleo.

Na ocasião da guerra entre Iraque e Irã, o Kuwait concedeu ajuda econômica ao Iraque. Ao terminar o conflito, os iraquianos pediram o perdão da dívida de mais de 65 milhões de dólares, o que foi recusado pelos kuwaitianos. Assim, nasceu uma disputa econômica entre os dois países que cresceu gradativamente. O Kuwait continuou aumentando sua produção de petróleo e o Iraque o acusou de abusar dos direitos de exploração. Sob o governo de Saddam Hussein, o Iraque invadiu o Kuwait em agosto de 1992 e instalou seu próprio governador. A ocupação iraquiana causou a morte de mais de mil civis e a fuga de mais de 300 mil habitantes. Os Estados Unidos lideraram uma coalizão internacional que reuniu 34 nações e enfrentou o exército iraquiano na segunda Guerra do Golfo. Assim, em fevereiro de 1991, os estadunidenses conseguiram expulsar os iraquianos do Kuwait. Mas, antes de sair, o exército do Iraque prejudicou 737 poços de petróleo kuwaitianos, destruindo cerca de 5 milhões de barris de petróleo. Com todas as ações destrutivas dos iraquianos, o Kuwait gastou mais de 50 bilhões de dólares para reconstruir sua estrutura existente antes da invasão. Mais uma vez, contudo, o Kuwait demonstrou sua capacidade de recuperação, retomando boas condições socioeconômicas e ambientais. O país diversificou sua produção e suas exportações estabelecendo fortes vínculos comerciais com Japão, Estados Unidos e União Europeia, por exemplo. Hoje, o Kuwait é um dos países mais ricos do mundo, com uma economia que cresce consideravelmente.

Fontes:
http://www.getcited.org/pub/100175425http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/histensino/article/view/12773http://sedici.unlp.edu.ar/handle/10915/10200http://smtp.ciadasletras.net/trechos/80186.pdf


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Ciclo da mineração no Brasil

Por Ana Paula de Araújo

No Brasil, uma das primeiras atividades desenvolvidas foi a mineração, por parte dos europeus que quando aqui chegaram já conheciam as técnicas deste ofício, e ao verem tanta terra inexplorada encontraram a oportunidade delucrar bastante com a extração dos recursos naturais.

A partir do século XVI, expedições portuguesas partiam da Bahia para o interior do país, com o objetivo de encontrar minas de prata. No século seguinte, Fernão Dias foi de São Paulo a Sabará, em busca de prata e esmeraldas. Já no final do século XVII foram encontradas as minas de ouro na região da atual Minas Gerais. A atividade de mineração viria a crescer e ser ainda mais valorizada na segunda década do século XVIII, quando foram descobertas as minas de diamante. A partir de então, a mineração passou a ser a atividade econômica mais importante da colônia. Foram descobertas minas de ouro também em Mato Grosso e em Goiás, ainda na primeira metade do século XVIII.

Nesta época, a economia estava abalada por conta do declínio do açúcar, o que fez com que o governo iniciasse a procura por ouro no sertão. Com a notícia de que tais minas haviam sido encontradas, chegavam pessoas de Portugal, do sul do Brasil e de outras regiões em busca de ouro. Os paulistas e os forasteiros iniciaram, então, uma verdadeira disputa pelo ouro, o que resultou na “Guerra dos Emboabas”, entre 1708 e 1709.

O governo controlava rigidamente a exploração do ouro, e retinha parte do ouro encontrado: a quinta parte de todo o outro produzido nas minas era destinada ao governo. Este imposto ficou conhecido como “o Quinto”. A mineração tomou o lugar do açúcar, era o ciclo do ouro! Portugal encontrou uma nova fonte de recursos, porém acabou perdendo boa parte desta riqueza para a Inglaterra.

No país, o eixo da economia mudava, e assim também a capital, que se transferia da Bahia para o Rio de Janeiro. A sociedade mineradora, diferente da açucareira, era um povo mais urbano e diversificado, composto pelos donos das minas, pelos funcionários da Coroa, pelos chamados homens livres (profissões de prestígio como advogados, médicos, religiosos e militares), pela classe dos trabalhadores (profissões mais populares como sapateiros, alfaiates, etc.) e pelos escravos.

A região das Minas ficou repleta de índios, escravos, bandeirantes, colonos, dentre outras pessoas. Os negros escravos escondiam o ouro e compravam sua liberdade, ou então fugiam rumo aos quilombos.

Na segunda metade do século XVIII as minas começaram a se esgotar e a mineração iniciou sua decadência no Brasil. Novas técnicas foram trazidas, em busca de modernizar a mineração, porém o investimento trouxe apenas prejuízos. E eis que o ciclo do ouro chegaria ao seu fim, já no século XIX, o que resultou em uma grave crise econômica para o país, que só foi interrompida com a atividade de exportação do café.

Fontes:
http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2013/08/09/ci-promove-terceiro-painel-de-ciclo-sobre-mineracaohttp://www.clickescolar.com.br/ciclo-da-mineracao.htmhttp://prof-ferdinando.blogspot.com.br/2012/10/ciclo-da-mineracao-no-brasil.htmlhttp://dorasiqueira.files.wordpress.com/2013/03/o-ciclo-da-minerac3a7c3a3o-e-a-sociedade-mineradora.pdfhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclo_do_ourohttp://pt.wikipedia.org/wiki/Minera%C3%A7%C3%A3o_no_Brasil


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História do Iraque

Por Antonio Gasparetto Junior

O Iraque é um país localizado no Oriente Médio que, atualmente, faz fronteira com a Turquia, o Irã, o Kuwait, a Arábia Saudita, a Jordânia e a Síria. Sua capital é Bagdá e sua organização política é o parlamentarismo republicano. Com um território de mais de 400 mil Km² e uma população de mais de 28 milhões de pessoas, o país tem como línguas oficiais o curdo e o árabe, um Índice de Desenvolvimento Humano médio e sua moeda oficial é o Dinar.


Origem

A região onde se encontra atualmente o país Iraque coincide em grande parte com a antiga Mesopotâmia, localidade de onde vêm os primeiros registros históricos da escrita e da primeira civilização do mundo, a Suméria. Há cerca de cinco mil anos, a área entre os rios Tigre e Eufrates abrigou a primeira civilização conhecida, a qual deixou um imenso legado histórico para a humanidade. Os habitantes da região enfrentaram uma série de conflitos naquela época ocasionados por intensas disputas territoriais. A região entre os rios oferecia condições extremamente férteis para a vida, o que despertava o interesse de muitos grupos pelo local. Assim, seus habitantes originários tiveram que conviver com muitas invasões de diferentes povos, que dominaram o território e submeteram os indivíduos.
Invasões

É enorme a quantidade de grupos étnicos que entraram em conflito na Antiguidade em disputas pelas terras do Oriente Médio. A população da área conviveu com ameaças de dominação dos elamitas, amoritas, mitanni, egípcios, hititas, assírios e outros. Com tanta pressão por todos os lados, o que era originalmente território da civilização Suméria foi aos poucos se fragmentando entre vários grupos étnicos, que, muitas vezes, eram rivais mortais. Ou seja, a instabilidade existente hoje no Oriente Médio possui raízes muito antigas, que remetem à época da formação das primeiras civilizações. Claro que é preciso considerar muitos outros fatores posteriores que ajudaram a temperar os problemas de relacionamento com as populações vizinhas, mas muitas culturas antigas tornaram a região um local de intensos conflitos. Não tardou também para que os primeiros povos europeus começassem a invadir a região e conquistar território para seus impérios, como fizeram os gregos e romanos.
Otomanos

O território iraquiano fez parte de um dos maiores impérios do mundo por quase quatro séculos, o Otomano. Entre 1638 e a Primeira Guerra Mundial, o atual Iraque só pode ser compreendido dentro deste contexto. Da mesma forma que o Iraque contemporâneo está profundamente ligado à fragmentação do Império Otomano. Ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX, os otomanos detiveram grande poder político e militar no mundo, com a capacidade de enfrentar qualquer outro império ou país existente. Sua importância no cenário político mundial era respeitada e fundamental para obter alguma paz nas relações com o Oriente. No entanto, o interior do Império Otomano, como qualquer outro, era pautado por intensas disputas pelo poder, as quais acabavam prejudicando a estabilidade do próprio império. A intensificação desses conflitos levou a várias tentativas de golpes e conflitos internos, contribuindo para a gradativa ruína do Império Otomano. Externamente, os países europeus estavam se fortalecendo e participando de uma fase do desenvolvimento capitalismo que acirrava muito as disputas comerciais no mundo. O Reino Unido e a Alemanha, especialmente, se tornaram grandes rivais e passaram a se interessar especialmente pela região. Britânicos e alemães fizeram vários negócios importantes com os otomanos. No início do século XX, a situação internacional se tornou muito mais delicada, deixando os países preparados para um possível conflito armado. O resultado das animosidades da época foi a Primeira Guerra Mundial, um conflito sem precedentes que envolveu muitos país em todo o planeta, mesmo que não diretamente atuantes nos combates. No que se refere especificamente ao Oriente, a Turquia participou da guerra ao lado da Alemanha, Itália e Áustria-Hungria, o que refletiu no envio de tropas do Reino Unido para o país árabe em defesa de seus interesses. O exército britânico marchou até Bagdá, dominando não só o Iraque, mas territórios ao redor. Com o fim da Primeira Guerra Mundial em 1918, o Império Otomano estava todo dividido em vários novos países e sob domínio dos vencedores do conflito. O Reino Unido dominou a área do atual Iraque.
Século XX

Anos mais tarde, a Segunda Guerra Mundial causou grande instabilidade com mais um conflito de enormes proporções. Desta vez, muitos outros países participaram diretamente dos combates, registrando o maior conflito humano da história. O genocídio cometido contra o povo judeu pela Alemanha nazista levou à criação de um estado judeu no Oriente Médio, Israel, que tornaria a região muito mais complexa e instável. Desde então, houve vários conflitos com Israel e o Iraque protagonizou alguns deles.

Após graves conflitos e crises na região, o Iraque conseguiu estabelecer sua república em 1958. Com várias agitações internas e intensas disputas políticas envolvendo grupos com origens culturais diferenciadas, a república durou 21 anos e foi derrubada através de um golpe militar em 1979. O general sunita Saddam Hussein assumiu o poder no Iraque no dia 15 de julho daquele ano estabelecendo um poder autocrático, marcado pela execução de centenas de oposicionistas. Em seu governo, o Iraque se envolveu em duas guerras no Golfo. Na primeira contra o Irã, e na segunda como tentativa de anexar o Kuwait ao seu país. A participação de exércitos poderosos na guerra, como dos Estados Unidos e da Inglaterra, frustraram o plano de Hussein. Como consequência, o Iraque reconheceu a independência do Kuwait e passou a sofrer com várias sanções econômicas entre 1991 e 2003. Uma nova Guerra do Golfo emergiu em 2003, comandada pelos Estados Unidos contra os crimes que supostamente eram cometidos pelo Iraque. Tratava-se, na verdade, de uma estratégia estadunidense para se apoderar das reservas de petróleo do país árabe. Assim, chegou ao fim o governo de Saddam Hussein, que foi executado.

Desde então, o Iraque convive com instabilidade política e social e ameaças de grupos terroristas. O confronto constante existente entre xiitas e sunitas impossibilita o desenvolvimento de relações amistosas no país.

Fontes:

http://visionvox.com.br/biblioteca/h/Historia-Universal-da-Destruicao-dos-Livros-Fernando-Baez.doc

http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=_eEMAQAAQBAJ&oi=fnd&pg=PT6&dq=Iraque+&ots=sUZYa3p7Rn&sig=Cce56FlVBzvKJir7osx70Yt4W6o#v=onepage&q=Iraque&f=false

http://dspace.universia.net/bitstream/2024/764/1/Geopolitica


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Guerrilha


Por Antonio Gasparetto Junior

Guerrilha é uma técnica de combate baseada na ocultação e na mobilidade dos combatentes.

Muito utilizada e popularmente conhecida no século XX, acredita-se que a Guerrilha tenha surgido no início do século XIX por ocasião da invasão promovida por Napoleão Bonaparte na Península Ibérica, como parte de seu planejamento de expansão do Império que estabelecia na França. A Guerra Peninsular que Portugal e Espanha tentaram travar contra o imperador francês para defender seus territórios entre 1808 e 1812 teria utilizado técnicas já conhecidas naAntiguidade Clássica, mas que, só então passavam a ser designada pelo termo Guerrilha. É possível citar muitos casos ao longo da história em que técnicas semelhantes de combate foram utilizadas, no entanto, o termo só chegou a ser cunhado mesmo naquele início do século XIX. Um termo ibérico que repercutiu em outras localidades mantando a mesma nomenclatura em vários deles, inclusive.

A Guerrilha tem como estratégia submeter o adversário, que pode até ser muito mais poderoso, a condições adversas que causem extrema dificuldade as suas ações. Desta forma, combatentes podem fazer frente a poderios militares superiores. A inferioridade dos guerrilheiros em questões bélicas, por exemplo, é compensada pela estratégica ação militar e pelo impacto da ação psicológica. Ao contrário do que pode se supor no Brasil, em função da recorrência do termo durante nosso período de ditadura militar, a Guerrilha não é aplicada apenas por movimentos insurgentes, mas como estratégia de combate que pode providenciar conquistas em situações diversas. É fato, contudo, que a guerra de guerrilha foi praticada, quase na totalidade dos casos, por movimentos revolucionários que buscavam independência de regiões e de grupos, pela mudança de regimes políticos e pela expulsão de invasores de territórios autônomos.

Os guerrilheiros recorrem à ocultação extrema para superar o desfavorecimento militar por meio de ataques surpresa e da aprimorada utilização de espaços de combate dominados por eles. Como seu poderio bélico é baseado em armamentos leves, há benefício para a rápida movimentação dos guerrilheiros, concedendo-os o benefício da surpresa. Os guerrilheiros são oriundos de grupos locais que estabelecem relação próxima com a população próxima, diferentemente do que acontece com os exércitos oficiais, isolados em seus quarteis. A aproximação com a população permite muitas outras técnicas de ocultação e de ação ofensiva.

No decorrer do século XX, a Guerrilha esteve presente em grandes eventos, dos quais podemos citar três deles. No final da década de 1950, um movimento guerrilheiro liderado por Che Guevara e Fidel Castro conseguiu derrubar o governo cubano, apoiado pela política estadunidense, e implementar um regime comunista através da Revolução Cubana que permanece até hoje no país. Na mesma década iniciou-se a Guerra do Vietnã, no país com o mesmo nome. O conflito era fruto da disputa ideológica marcada pela oposição entre o bloco capitalista e o bloco socialista no mundo. A guerra foi marcada pela intervenção dos Estados Unidos no país asiático. Apesar da notória superioridade militar e bélica do país americano, a tática de guerrilha utilizada muito bem pelos asiáticos resultou na vitória dos vietnamitas. Por fim, cabe ressaltar os diversos movimentos de guerrilha existentes no Brasil durante o regime militar. Com o propósito de derrubar o governo ditatorial, grupos de esquerda se organizaram para a luta armada em várias regiões do país. Mas, como eram pequenos e enfrentavam muitas dificuldades e desinteresses de articulação conjunta, vários guerrilheiros foram massacrados pelo exército brasileiro.

Fontes:
http://www.fpabramo.org.br/sites/default/files/P1_Resenha%20Jean%20R%20Sales.pdf

http://www.bocc.uff.br/pag/dantas-edmundo-a-propaganda-de-guerrilha.pdf

http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=oA_2PV9k_PoC&oi=fnd&pg=PA6&dq=Guerrilha&ots=3-Bg2NeZRW&sig=O_apS8IsaZEuO4zrVO8WJcXovX4#v=onepage&q=Guerrilha&f=false


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O pioneirismo português




O infante Dom Henrique teve grande papel no desenvolvimento marítimo de Portugal.

O período das Grandes Navegações e a consolidação da economia mercantil dentro da Europa estabeleceu um novo tipo de relação entre as nações européias. O interesse na conquista de novas rotas comerciais e a descoberta de áreas de colonização permitiu uma relação competitiva entre as nações européias. O controle de uma terra distante e a descoberta de um novo ponto comercial significava a possibilidade de fortalecimento do Estado por meio da expansão de suas atividades mercantis.

Apesar de termos essa situação competitiva se desenvolvendo ao longo da Idade Moderna, o papel pioneiro desempenhado pela nação portuguesa colocou este Estado à frente de outros países durante um bom tempo. Para que possamos entender essa diferença de Portugal em relação ao restante da Europa, é necessário que visualizemos uma série de acontecimentos históricos que contribuíram diretamente para que a nação lusitana fosse a primeira potência marítima de seu tempo.

Um dos pontos que primeiramente diferencia o caso português está relacionado ao processo de formação de sua monarquia nacional. Ao contrário dos longos e desgastantes conflitos que marcam a grande maioria dos processos de formação das monarquias nacionais, Portugal formou um estado centralizado em um relativo curto período de tempo. Já no século XIV, a chamada dinastia de Avis havia fixado uma situação política estável naquele país.

Além disso, devemos também salientar alguns outros aspectos de ordem histórico-geográfica que contribuíram enormemente na vanguarda marítima lusitana. A sua posição geográfica privilegiada transformava o litoral português em ponto de chegada e partida de várias embarcações que circulavam por diversos mares e, principalmente, pelo Oceano Atlântico. Não por acaso, a classe mercantil desse país teve a oportunidade de firmar laços comerciais com diferentes nações.

Sob o ponto de vista tecnológico, Portugal também ocupava uma posição privilegiada em comparação às outras nações do Velho Mundo. Nas primeiras décadas do século XV, com o incentivo do infante Dom Henrique, vários navegadores, cartógrafos, astrônomos, matemáticos e construtores se reuniram em torno do aprimoramento das técnicas de navegação. Tal concentração de estudiosos formou a chamada Escola de Sagres, nome que designa a presença desses vários profissionais na região do Algarve.

Dessa forma, os portugueses se aproveitaram de uma situação de cunho histórico, político, geográfico e econômico que ofereceu claras vantagens na corrida pelos mares. Ao longo do século XV, a conquista de vários pontos do litoral africano, de algumas ilhas atlânticas e a ultrapassagem do Cabo da Boa Esperança marcaram a expansão marítima dessa nação. No fim desse mesmo século, esse ciclo de descobertas se encerra com a chegada ao Brasil, oficializada no ano de 1500.

Por Rainer Sousa

Fonte: http://www.mundoeducacao.com/historiageral/o-pioneirismo-portugues.htm

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Contrarreforma

por: Rainer Gonçalves Sousa


O Concílio de Trento reformulou as posições da Igreja Católica frente ao avanço protestante.

O movimento reformista católico, também conhecido como Contrarreforma, desenvolveu-se desde a Idade Média quando os clérigos já percebiam a necessidade de uma revisão nas práticas eclesiásticas. No entanto, a tomada de ações mais incisivas contra a fragmentação do poder religioso só se desenvolveram com o aparecimento das religiões protestantes. Uma das primeiras medidas tomadas pela Igreja foi restabelecer o Tribunal do Santo Ofício, que atuou na Idade Média contra os movimentos heréticos.

Durante o mandato do papa Paulo III (1468 – 1549), foi organizado um dos mais importantes eventos da história católica: o Concílio de Trento. Essa reunião teve como principal objetivo buscar uma definição da Igreja frente ao estabelecimento das religiões protestantes. Após os debates, foi definida a reafirmação dos dogmas católicos, a preservação de todos os atos litúrgicos, a confirmação da transubstanciação, do celibato e da hierarquia clerical.

Com relação à crise moral vivida no interior da Igreja, os participantes do Concílio reprovaram a venda de indulgências e incentivaram a criação de seminários teológicos responsáveis por aprimorar a formação religiosa dos futuros integrantes da Igreja. Em uma das reuniões realizadas pelos líderes católicos, ficou definido o “Index Librorum Proibitorum”, que consistia em uma relação de obras que não deveriam ser apreciadas pelos verdadeiros católicos cristãos.

Entre outros livros relacionados estavam o “Elogio da Loucura” (Erasmo de Roterdã), as traduções protestantes da Bíblia, as obras do italiano Boccaccio e o Livro da Oración (Frei Luís de Granada). Outra ação que marcou o movimento da Contrarreforma foi a criação das ordens religiosas. A mais importante delas foi a Companhia de Jesus, criada pelo clérigo Inácio de Loyola, fundada em 1540. Seu papel foi de grande importância na conversão religiosa dos povos colonizados no continente americano.

A partir de então, a Igreja conseguiu fortalecer os seus laços e conter o galopante avanço da religião protestante. No entanto, o novo contexto de diversidade religiosa criou um mundo marcado por diferentes concepções de fé e vida. Dessa forma, a identidade do homem moderno calcava-se em um leque de possibilidades que, antes de tudo, realçava a sua individualidade e seu poder de escolha.

Apesar disso, podemos ver que a sensação de liberdade oferecida pelo próprio protestantismo foi combatida por seus líderes. A intolerância religiosa e o combate à bruxaria também foram responsáveis por um movimento inquisidor entre os protestantes.


Fonte: http://www.mundoeducacao.com/historiageral/contra-reforma.htm


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