Foram três: a Guerra do Paraguai e a do Pacífico, no século 19, e a Guerra do Chaco, no século 20. Apesar desses entreveros, a América do Sul é calma quando comparada a outras partes do mundo. Os especialistas atribuem isso a quatro motivos: Equilíbrio militar Os países da região mantêm um certo equilíbrio entre suas Forças Armadas, o que acaba desestimulando ataques contra os vizinhos. Isolamento da região A América do Sul está distante das principais áreas de tensões econômicas e geopolíticas globais. Mediações aceitas Os países sul-americanos têm disposição de mediar crises entre eles e de aceitar essas mediações. Sentimento cultural O sentimento de união cultural entre populações de diferentes países desestimula os confrontos. Mas isso não quer dizer que as coisas por aqui sejam 100% pacíficas. No mapa você vê detalhes das três principais guerras e de outros conflitos recentes. EQUADOR X PERU Quando - 1995 Cerca de 50 soldados peruanos e 30 equatorianos morreram quando as Forças Armadas dos dois países entraram em choque em janeiro de 1995. Tudo por causa da disputa territorial por uma remota região fronteiriça de selva, onde existem reservas de ouro, urânio e petróleo. Em 1998, Equador e Peru assinaram um tratado de paz definindo suas fronteiras Quando - 1879 a 1883 De um lado, o Chile; do outro, Peru e Bolívia. A briga começou com uma disputa pelo controle de parte do deserto de Atacama, território rico em recursos minerais. Os chilenos venceram a guerra, tendo perdido cerca de 5 mil homens, contra 9 mil peruanos e mil bolivianos. Após o conflito, a Bolívia deixou de ter acesso ao oceano Pacífico ARGENTINA X CHILE Quando - 1978 A posse de três ilhotas no extremo sul do continente quase causou uma guerra entre os países, então governados por ditaduras militares. Esquadrões navais foram para a região, mas a mediação do papa João Paulo II evitou o conflito. Um tratado de paz assinado em 1984 determina que as ilhas pertencem ao Chile, mas dá direitos de navegação à Argentina COLÔMBIA X VENEZUELA Quando - 1987 Barcos de guerra das Marinhas colombiana e venezuelana chegaram perto de entrar em combate nas águas do golfo da Venezuela, disputadas pelos dois lados e ricas em petróleo. A crise não chegou a resultar em guerra, e se dissipou depois que ambos os governos suspenderam seus alertas militares Quando - 1932 a 1935 Na disputa pela região do Chaco, área útil para a criação de gado e até com petróleo, Paraguai e Bolívia travaram uma guerra desastrosa. Foram cerca de 50 mil bolivianos mortos e mais 40 mil paraguaios. Ao final do conflito, toda a região do Chaco foi ocupada pelo Paraguai e a economia da Bolívia entrou em colapso Quando - 1864 a 1870 Foi a primeira e mais sangrenta guerra da região. Segundo algumas estimativas, o número de mortos passou de 350 mil, dos quais cerca de 50 mil brasileiros. Brasil, Argentina e Uruguai enfrentaram o Paraguai num conflito provocado por disputas por poder regional, áreas de fronteiras e tarifas comerciais. A Tríplice Aliança derrotou os paraguaios. Fonte: É hora do pau!
Maior guerra na região provocou a morte de quase 400 mil pessoas
27.11.10
Quais foram as principais guerras entre países da América do Sul?
Quais foram as maiores levas de imigração para o Brasil?
As principais levas de imigração para o Brasil ocorreram entre meados do século 19 e a primeira metade do século 20. "Portugueses, italianos, espanhóis, japoneses e alemães constituíram os principais fluxos em termos quantitativos", diz a socióloga Ethel Kosminsky, da Unesp de Marília (SP). A entrada no país de mais de 4 milhões de estrangeiros dessas nacionalidades teve dois momentos bem diferentes. Até a primeira metade do século 19, muitos vinham atraídos por terras oferecidas pelo governo brasileiro, principalmente para ocupar o sul do país. A partir de 1870, a coisa mudou. Nessa época, o principal produto de exportação do Brasil era o café, e sua produção baseada no uso da mão-de-obra escrava estava em crise - o tráfico de escravos já havia sido suspenso e a abolição total da escravatura viria em 1888. A saída encontrada pelo governo e pelos grandes fazendeiros para substituir os trabalhadores libertos foi incentivar a vinda de mão-de-obra de fora do país. Assim, a nova geração de imigrantes chegava não para ter sua terrinha, mas para trabalhar duro nas lavouras, principalmente em São Paulo. Para atrair os estrangeiros, pagavam-se as passagens de navios e eram oferecidos alojamentos temporários até o imigrante arrumar trabalho. No século 20, essa política de apoio à imigração passaria por altos e baixos. Em 1902, por exemplo, uma crise na indústria cafeeira levou à redução dos incentivos aos estrangeiros. Após a Primeira Guerra (1914-1918), porém, o fluxo migratório voltaria a crescer, dessa vez impulsionado também por trabalhadores de outras nacionalidades, como poloneses, judeus e russos. O período posterior à Segunda Guerra (1939-1945) seria marcado pela chegada de outro tipo de estrangeiro: os refugiados de países afetados pelo conflito, como chineses, que se deslocavam com a ajuda de organismos internacionais. A partir de 1960, outros povos, como bolivianos e coreanos, passaram a desembarcar aqui, mas o ritmo migratório para o Brasiljá era bem menor e diminuiria ainda mais nas décadas seguintes.
Terra nostra
Italianos e portugueses foram os mais numerosos e alemães, um dos grupos pioneiros
PORTUGUESES
Quantos vieram: mais de 1,6 milhão
Em que época: a partir da metade do século 19
É claro que os portugueses estão por aqui desde o descobrimento, mas os que vieram para o Brasil após nossa independência, em 1822, são considerados imigrantes. Eles se espalharam por todo o país, mas a maior concentração ocorreu no Rio e em São Paulo. O uso do mesmo idioma e a falta de crescimento econômico de Portugal no século 19 foram os principais motivos a incentivar a migração para o Brasil
ITALIANOS
Quantos vieram: mais de 1,5 milhão
Em que época: a partir de 1870
Os primeiros a chegar vinham principalmente do norte da Itália. No século 20, porém, predominaram os imigrantes vindo do centro-sul e do sul do país. São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais foram os principais destinos. A maior parte dos que se fixaram em São Paulo ganhou subsídios para vir trabalhar em lavouras ou como operários; já os do Rio Grande do Sul migraram por conta própria, tornando-se pequenos agricultores
ESPANHÓIS
Quantos vieram: mais de 700 mil
Em que época: a partir de 1872
Os imigrantes espanhóis só foram menos numerosos que portugueses e italianos - entre as décadas de 1870 e 1970, representaram cerca de 14% dos estrangeiros que desembarcaram aqui, contra 31% de italianos e 31% de portugueses. Foi a colônia que mais se concentrou no estado de São Paulo e teve como principal ocupação o trabalho nas lavouras de café. Os espanhóis foram ainda os europeus que chegaram com mais crianças e grupos familiares
ALEMÃES
Quantos vieram: mais de 200 mil
Em que época: a partir da primeira metade do século 19
Um dos primeiros grupos a chegar, os alemães - e cidadãos de outras nacionalidades de idiomas germânicos, como austríacos e suíços - se fixaram principalmente nos estados da região Sul. Muitos viraram pequenos proprietários rurais, ocupando terras oferecidas pelo governo. O período de maior desembarque de alemães no Brasil foi em 1920, quando a Alemanha estava destroçada pela derrota na Primeira Guerra
"TURCOS"
Quantos vieram: mais de 50 mil
Em que época: a partir de 1870
Embora viessem principalmente da Síria, do Líbano e de outros pontos do Oriente Médio, esses imigrantes passaram a ser chamados de "turcos" no Brasil, pois na época tais regiões faziam parte do Império Turco-Otomano. A crise econômica do império - que logo se desmancharia, dando origem à República da Turquia - incentivou a migração. Aqui, a maior parte de sírios e libaneses se dedicou ao comércio e se fixou principalmente no estado de São Paulo
JAPONESES
Quantos vieram: cerca de 250 mil
Em que época: a partir de 1907
No início do século 20, a Itália dificultou a migração subsidiada para oBrasil. Então, esse tipo de política se voltou para o Japão, que tinha interesse em exportar a mão-de-obra excedente no país. Entre 1932 e 1935, um terço dos imigrantes que entraram no Brasil eram nipônicos. Os estados preferidos foram São Paulo e, em menor escala, o Paraná. Chegaram para trabalhar em lavouras, mas aos poucos viraram pequenos agricultores.
Fonte:
Quais estados brasileiros já mudaram de capital?
Passa de uma dezena o número de províncias e estados brasileiros que já tiveram suas capitais transferidas de uma cidade para outra - ou que simplesmente tiveram seu nome mudado. Essas trocas ocorreram desde meados do século 19 até o período do governo militar (1964-1985) e foram provocadas pelos mais diversos motivos: da construção de novas capitais planejadas para esse fim - como é o caso de Belo Horizonte (MG) - à simples mudança de nome para homenagear políticos famosos - como ocorreu com João Pessoa (PB). Na tabela abaixo, montada com a ajuda da historiadora Fabiana Lopes da Cunha, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), você confere todas as vezes em que as capitais de nossos estados e províncias mudaram de lugar ou de nome.
Endereço novo
Das 11 trocas, quatro foram apenas de nome, e não de cidade
MUDANÇA SÓ DE NOME
Estado/província - Alagoas
Capital antiga - Alagoas
Passou a se chamar - Maceió
Ano - 1839
Estado/província - Amazonas
Capital antiga - Barra do Rio Negro
Passou a se chamar - Manaus
Ano - 1856
Estado/província - Paraíba
Capital antiga - Paraíba
Passou a se chamar - João Pessoa
Ano - 1930
Estado/província - Sergipe
Capital antiga - São Cristóvão
Passou a se chamar - Aracaju
Ano - 1855
MUDANÇA DE CIDADE
Estado/província - Ceará
Capital antiga - Aquiraz
Nova capital - Fortaleza
Ano - 1810
Estado/província - Goiás
Capital antiga - Goiás
Nova capital - Goiânia
Ano - 1937
Estado/província - Mato Grosso
Capital antiga - Vila Bela
Nova capital - Cuiabá
Ano - 1835
Estado/província - Minas Gerais
Capital antiga - Ouro Preto
Nova capital - Belo Horizonte
Ano - 1893
Estado/província - Pernambuco
Capital antiga - Olinda
Nova capital - Recife
Ano - 1827
Estado/província - Piauí
Capital antiga - Oeiras
Nova capital - Teresina
Ano - 1852
Estado/província - Rio de Janeiro
Capital antiga - Niterói
Nova capital - Rio de Janeiro
Ano - 1975
Fonte:
Quais eram os principais tipos de gladiador?
TRÁCIO
Havia pelo menos seis tipos de gladiadores comuns e outros dois a cavalo. Os trácios eram os únicos a lutar com a sica, uma espada curva. Como usavam um escudo pequeno, eles tinham também chapas de metal para proteger as pernas. O capacete com plumas era outra marca registrada
SECUTOR
Treinado para encarar o retiarius, era um "tanque de guerra" bem protegido. Tinha um grande escudo retangular e capacete mais liso (para não prender na rede do retiarius) e com pequenos buracos para os olhos (para evitar as pontas do tridente). Sua arma era uma espada
DIMACHAERI
Há poucos registros sobre este tipo de gladiador - os historiadores não sabem ao certo nem quem ele enfrentava nas arenas. Mas, pelo fato de usar só duasespadas, alguns especialistas acreditam que o dimachaeri era um dosgladiadores mais bem treinados
RETIARIUS
Era o tipo mais ágil e veloz, mas também o mais indefeso, pois tinha pouca proteção - nem sequer usava capacete. Encarava gladiadores "pesados",como o secutor, usando só uma rede e um tridente. Para finalizar a luta, contava ainda com uma adaga
MURMILLO
Tinha o apelido de "homem-peixe" por usar um capacete com o desenho de um peixe na lateral. As armas e proteções eram similares às do secutor, podendo variar o escudo. As lutas entre trácios, murmillos e retiarius eram consideradas os verdadeiros clássicos das arenas
HOPLOMACHUS
Homenageava os guerreiros das falanges gregas, por isso portava uma lança, que podia ser usada junto com uma adaga ou com uma espada. Tinha boas proteções para o corpo, como o secutor, mas precisava se virar apenas com um pequeno escudo circular
ANDABATI
A cavalo, os andabatis se enfrentavam com um capacete com o visor tampado. É isso mesmo, um combate às cegas, sem escudo e portando apenas uma espada! Eles não eram do mesmo nível dos outros gladiadores e serviam mais como um "alívio cômico" durante os jogos
EQUITES
Gladiadores montados bem mais sérios que os andabati, combatiam entre si com uma lança e um escudo circular médio. Em alguns duelos, trocavam a lança por uma espada. Os equites podiam lutar em pares ou em grupos - atuando como uma cavalaria
MULHERADA DE PEITO
Pode acreditar: no Império Romano rolava também combates entre mulheres. Aliás, esses duelos eram eventos especiais na programação dos jogos. Alguns pesquisadores acreditam que, para "animar a torcida", as gladiadoras não usavam capacetes e lutavam com pelo menos um seio aparecendo
NÃO VALIA TUDO
Lutas tinham algumas regras e até juiz acompanhando os combatentes
GOLPE FINAL
Poupar a vida de um gladiador era decisão do patrocinador da luta. Mas a torcida influenciava. Ao gritar missa, ela pedia que a vida do perdedor fosse poupada; ao berrar jugula, queria ver a execução com um golpe certeiro na jugular!
DE OLHO NO LANCE
Pouca gente sabe, mas havia uma espécie de juiz, que entrava em ação quando um gladiador estava dominado. O tal "juiz" ouvia do patrocinador dos jogos e da torcida o veredicto final: se o lutador derrotado devia ser morto ou poupado
UMA MÃOZINHA
A luta acabava quando um gladiador morria durante o combate. Mas, às vezes, o perdedor era dominado pelo rival ainda com vida. Nessas horas, o gesto de rendição era levantar um dos braços com o dedo indicador para cima. Quando isso rolava, o juiz era acionado
ARSENAL MILITAR
Armas tradicionais dos legionários romanos também faziam sucesso nas arenas
TRIDENTE
Arma que intimidava e tinha o alcance de uma lança. As três pontas serviam ainda para desarmar o adversário - a lâmina da espada do rival ficava presa entre elas
ADAGA
Possuía corte nos dois lados da lâmina e uma ponta extremamente afiada. Assim como o gládio, fazia parte do arsenal carregado pelos legionários romanos
ESPADA CURVA
Original da Trácia - região entre a atual fronteira da Grécia com a Turquia -, era um pouco mais leve e longa que outras espadas da época, possibilitando cortes rápidos
REDE
Tinha pesos nas bordas, como uma rede de pesca. Funcionava tanto para manter o adversário a distância, como para imobilizá-lo ao ser lançada sobre ele
GLÁDIO
Clássica espada romana, o gládio não era muito longo - tinha cerca de 70 cm. Ideal para luta a média distância, era uma arma tanto de corte como de perfuração
LANÇA
Além desta lança - a hasta, que era mais longa -, havia ainda o pilo (um tipo de dardo para arremesso). O equites era o único gladiador que usava o pilo
Quais eram as principais máquinas de guerra na Antiguidade?
Do arco da velha
Arsenal incluía de megaescada inclinável a lança- chamas primitivo
ÉPOCA - Século 4 a.C.
QUEM USAVA - Habitantes de Atenas (cidade grega) e da Macedônia
Usada no ataque a cidades muradas, essa torre para cerco podia ter mais de 40 metros de altura e pesava em torno de 150 toneladas. Feita de madeira reforçada com placas de ferro, movia-se sobre oito rodas, cada uma com quase 5 metros de altura
PONTO FORTE - Enorme poder destrutivo, com espaço para tropas e armas de infantaria
PONTO FRACO - Além de exigir terreno plano para ser manobrada, era cara e difícil de construir e operar
ANDARES - Eram nove, ao todo. Nos inferiores ficavam as catapultas. Nos de cima ficavam os arqueiros
PROPULSÃO - Levada no braço, a torre era manejada por pelo menos 200 homens
ÉPOCA - Século 5 a.C.
QUEM USAVA - Habitantes de Colophon (cidade grega, atual Turquia)
Com capacidade para cerca de dez homens, a engenhoca servia para desembarcar tropas em castelos. A máquina era empurrada até a muralha, e a unidade de ataque desembarcava
PONTO FORTE - Permitia superar a maioria das muralhas, independentemente de sua altura ou resistência
PONTO FRACO - Construída de madeira e couro, era altamente inflamável
TETO - Feito de peles de animais, protegia os soldados das flechas inimigas
ARTICULAÇÃO - Feita de metal, permitia o movimento de gangorra da engenhoca
CONTRAPESO - Duas toneladas e meia de pedras faziam a frente da máquina se erguer
ÉPOCA - Século 4 a.C.
QUEM USAVA - Várias cidades gregas
Grande arco de madeira montado sobre um cavalete. Servia para disparar flechas - em alguns modelos, pedras - com muita força
PONTO FORTE - Precisão e impacto no alvo, graças ao mecanismo de disparo
PONTO FRACO - Exigia conhecimento especializado para ser construída
CORDAS - Feitas com tendões de bois, eram esticadas por um mecanismo de alavancas
ÉPOCA - Século 4 a.C.
QUEM USAVA - Várias cidades gregas
Montado dentro de uma carroça, um poste ficava preso por correntes ao teto do veículo e fazia movimento pendular, sendo usado para bater contra muralhas e portões
PONTO FORTE - Era capaz de enfraquecer e derrubar seções inteiras das muralhas inimigas
PONTO FRACO - Difícil de manobrar em terreno acidentado, podia ser bloqueado por valetas
COBERTURA - Feita de camadas de algas marinhas e peles de boi, era à prova de fogo
POSTE - Feito de madeira com ponta de metal (geralmente bronze), mais resistente
ÉPOCA - Século 5 a.C.
QUEM USAVA - Habitantes de Tebas (cidade grega)
Esta máquina consistia de duas carroças de madeira que suportavam um caldeirão com brasa - por sua vez, soprado por um fole que alimentava suas chamas
PONTO FORTE - Eficiente para incendiar paliçadas (barreiras feitas com estacas de madeira)
PONTO FRACO - Poder limitado contra construções de pedra
CANO OCO - Feito de ferro, transmitia os sopros do fole ao caldeirão
CALDEIRÃO - Nele, ardia uma mistura de carvão, enxofre e piche.
Fonte:
Por que os nazistas queriam exterminar os judeus?
Nessa visão preconceituosa, não eram só os judeus que deveriam ser perseguidos, mas outros supostos obstáculos à "pureza racial", como os ciganos, os deficientes físicos e os homossexuais, também assassinados em grande número nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Fonte: Essa questão ainda divide os historiadores. Há aqueles para quem exterminar os judeus sempre fez parte dos planos de Hitler. Outros acreditam que essa política foi endurecendo aos poucos, até chegar ao terrível assassinato em massa. Mas não há dúvida de que a semente do anti-semitismo germinou bem antes de os nazistas chegarem ao poder na Alemanha (na década de 30). No final do século XIX, já havia, na Europa, uma boa dose de preconceito. Preconceito por motivos econômicos - os judeus eram vistos como manipuladores das finanças no mundo - e religiosos - eram acusados de terem entregue Jesus Cristo aos romanos. Na Alemanha, em particular, o anti-semitismo ganhou mais força por causa de teorias biológicas racistas. Os judeus eram classificados como uma "raça deformada", uma ameaça à "raça ariana" - descendentes dos árias, uma das etnias que formaram as populações européias.
Por que Nero mandou pôr fogo em Roma?
Calma lá! Os historiadores modernos acreditam que o mais provável é que o fogo tenham nascido por um acidente - e não provocado por Nero. A única certeza é que houve realmente um incêndio arrasador, que começou entre 18 e 19 de julho do ano 64 d.C. e destruiu boa parte de Roma, causando grande quantidade de mortes, embora o número total não seja conhecido. Um dos motivos do mistério é que os registros sobre o incêndio foram escritos várias décadas depois - não há testemunhos deixados por pessoas que tenham presenciado o fato. A teoria que põe a culpa em Nero parte da seguinte idéia: ele queria fazer uma grande reforma urbana na cidade, pondo bairros inteiros abaixo para erguer construções mais modernas. Aí, para apressar essa repaginação na metrópole, Nero teria mandado tascar fogo geral! A outra teoria - a do fogo acidental - é de que as chamas surgiram em algum dos cubículos de madeira do imenso "camelódromo" que ficava ao lado do Circo Máximo, o maior dos hipódromos romanos. Nero pode não ter feito essa loucura, mas também foi acusado de matar a mãe! Na edição do mês que vem, a gente conta essas e outras insanidades dos imperadores romanos.
É uma brasa, mora!
Chamas detonaram dois terços da cidade
1. A maioria dos historiadores acredita que o incêndio que destruiu Roma surgiu perto do Circo Máximo, um hipódromo romano. Nas redondezas, havia um "camelódromo": centenas de cubículos de madeira ocupados por astrólogos, prostitutas e cozinheiros, que usavam o fogo para cozinhar e iluminar o ambiente
2. Na noite de 18 ou 19 de julho do ano 64 d.C., o calor do verão em Roma era intenso e as chamas de um desses cubículos se alastraram. Por causa do clima quente e da enorme quantidade de madeira, o fogo se espalhou, atingindo lojas de materiais inflamáveis da área
3. Para piorar, estaria soprando em Roma um forte vento no sentido sudeste, que teria atiçado as chamas e feito com que o fogo se espalhasse com rapidez pela cidade, deixando pouco tempo para que as pessoas fugissem pelas ruelas estreitas e tortuosas
4. A área mais povoada de Roma era ocupada por precários prédios de até cinco andares, feitos de madeira, tijolos e alvenaria. O fogo teria se disseminado primeiro por esses prédios e, em seguida, teria avançado para os setores mais ricos, destruindo as sólidas construções onde vivia a nobreza
5. Horas depois do início do fogo, uma gigantesca nuvem de fumaça cobria toda a cidade. Pessoas que tiveram suas casas arrasadas e testemunharam a morte de parentes entraram em desespero: em vez de fugir, elas preferiram se suicidar, jogando-se às chamas
6. Nas ruas, pessoas tentavam combater o incêndio jogando água com baldes. Algumas caíam mortas por asfixia ou morriam ao ser pisoteadas. Alguns relatos dizem que as tentativas de apagar o fogo foram impedidas por bandidos, interessados em saquear as casas abandonadas
7. E Nero nessa história? Segundo boatos, o imperador romano teria subido ao teto de seu palácio e começado a tocar sua lira, enquanto apreciava os efeitos do fogo. Outros relatos desmentem essa versão, argumentando que Nero chegou a participar de brigadas para conter o incêndio - e que as chamas destruíram até o seu palácio
8. Para conter o incêndio, grandes áreas de Roma foram demolidas para eliminar do caminho do fogo tudo o que pudesse alimentá-lo. As versões são de que o incêndio durou entre cinco e sete dias. As áreas destacadas em vermelho e laranja foram gravemente afetadas pelo desastre. Apenas a região em verde escapou de sofrer danos.
Fonte:
26.11.10
O que são os Zumbis?
Todo mundo já ouviu falar em vodu, palavra que se tornou sinônimo de magia negra e bruxaria da pesada praticamente no mundo todo. Trata-se, na verdade, de um culto religioso praticado nas ilhas caribenhas chamadas Antilhas, principalmente o Haiti, baseado em rituais de possessão e com origem africana - obviamente, parente do candomblé brasileiro e da santería cubana. Para os adeptos do vodu, o zumbi seria como um morto-vivo, fabricado por feiticeiros ressuscitando um cadáver, para transformá-lo em um trabalhador braçal sem vontade própria - mais que um escravo, um autômato de carne. As figuras de zumbis tornaram-se parte do imaginário popular ao inspirarem dezenas de filmes de terror, como o clássico White Zombie, de 1932. Porém, o assunto foi estudado a sério por pelo menos um cientista, o antropólogo e etnobotânico canadense Wade Davis. No início da década de 80, ele passou uma temporada no Haiti, descrita em dois livros: A Serpente e o Arco-Íris (1986), adaptado para o cinema por Wes Craven (famoso pela série A Hora do Pesadelo), e Passage of Darkness (1988, inédito no Brasil). Davis investigava a hipótese de os zumbis serem pessoas colocadas em estado de transe e catalepsia por meio de um veneno. Sua conclusão foi de que os sacerdotes usavam um pó à base de uma neurotoxina (substância danosa ao sistema nervoso) encontrada em peixes como o baiacu. A narrativa teve impacto imediato na comunidade científica, mas logo foi rejeitada pela maioria - especialmente por um químico japonês especialista em tetrodotoxina, a tal substância. Outros testes foram realizados na amostra do pó comprado de um sacerdote vodu pelo estudioso canadense, mas não se chegou a nenhum resultado definitivo. A palavra "zumbi" é igualmente cercada de mistério, mas sua origem pode estar nos termos nzambi ou nzumbi, que, em alguns idiomas do oeste africano, significam "divindade" ou "espírito ancestral" - possivelmente a mesma raiz do nome do nosso Zumbi, líder dos escravos rebeldes do célebre Quilombo de Palmares, no Brasil Colonial do século XVII. Fonte:
O que foi o movimento sufragista?
Foram diversas campanhas realizadas a partir de meados do século XIX para garantir às mulheres da Inglaterra e dos Estados Unidos algo então inédito para elas: o sufrágio, direito de votar em eleições políticas. Desde as antigas civilizações da Grécia e de Roma às democracias surgidas na Europa após a Revolução Francesa (1789), o voto feminino nunca havia sido permitido. "O movimento sufragista tem suas origens na urbanização e na industrialização do século XIX", diz a historiadora Lidia Possas, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Quando mudaram do campo para as cidades, para trabalhar nas fábricas, as mulheres passaram a se conscientizar mais de seus direitos. A escritora inglesa Mary Wollstonecraft (1759-1797) foi a grande pioneira da defesa do voto feminino, em livros e manifestos publicados a partir de 1792. Suas idéias se espalharam para os Estados Unidos e, décadas depois, influenciaram duas ativistas da luta contra a escravidão: Elizabeth Cady Stanton (1815-1902) e Susan Anthony (1820-1906). Em 1852, as duas se uniram para reivindicar também a participação das mulheres na democracia. Apesar de o movimento ter sido mais forte na Inglaterra e nos Estados Unidos, o primeiro país a permitir o voto feminino foi a Nova Zelândia, em 1883. Fonte:
O que foi o Movimento de Maio de 68 na França?
Foi uma grande onda de protestos que teve início com manifestações estudantis para pedir reformas no setor educacional. O movimento cresceu tanto que evoluiu para uma greve de trabalhadores que balançou o governo do então presidente da França, Charles De Gaulle. "Os universitários se uniram aos operários e promoveram a maior greve geral da Europa, com a participação de cerca de 9 milhões de pessoas. Isso enfraqueceu politicamente o general De Gaulle, que renunciou um ano depois", diz o historiador Alberto Aggio, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Franca (SP). O começo de tudo foi uma série de conflitos entre estudantes e autoridades da Universidade de Paris, em Nanterre, cidade próxima à capital francesa. No dia 2 de maio de 1968, a administração decidiu fechar a escola e ameaçou expulsar vários estudantes acusados de liderar o movimento contra a instituição. As medidas provocaram a reação imediata dos alunos de uma das mais renomadas universidades do mundo, a Sorbonne, em Paris. Eles se reuniram no dia seguinte para protestar, saindo em passeata sob o comando do líder estudantil Daniel Cohn-Bendit. A polícia reprimiu os estudantes com violência e durante vários dias as ruas de Paris viraram cenário de batalhas campais. A reação brutal do governo só ampliou a importância das manifestações: o Partido Comunista Francês anunciou seu apoio aos universitários e uma influente federação de sindicatos convocou uma greve geral para o dia 13 de maio. No auge do movimento, quase dois terços da força de trabalho do país cruzaram os braços. Pressionado, no dia 30 de maio o presidente De Gaulle convocou eleições para junho. Com a manobra política (que desmobilizou os estudantes) e promessas de aumentos salariais (que fizeram os operários voltar às fábricas), o governo retomou o controle da situação. As eleições foram vencidas por aliados de De Gaulle e a crise acabou.
Paris em pé de guerra
Universitários montaram barricadas nas ruas e usaram pedras para enfrentar a polícia
No dia 6 de maio de 1968, uma passeata foi convocada pela União Nacional de Estudantes da França e pelo sindicato dos professores universitários. O objetivo era protestar contra a invasão da Universidade de Sorbonne pela polícia. A marcha teve a participação de mais de 2 mil estudantes, professores e simpatizantes do movimento, que avançaram em direção à Sorbonne, sendo violentamente reprimidos pelos policiais. A multidão se dispersou, mas alguns manifestantes começaram a erguer barricadas, enquanto outros lançavam pedras contra os soldados, que foram obrigados a bater em retirada. Depois de se reagrupar, a polícia retomou a ofensiva, disparando bombas de gás lacrimogêneo e prendendo centenas de estudantes. Alguns dias depois, em 10 de maio, outras concentrações voltaram a acontecer em Paris. A multidão ergueu novas barricadas e se preparou para resistir ao ataque policial, que aconteceu no começo da madrugada. Os confrontos duraram até o amanhecer do dia seguinte, resultando na prisão de outras centenas de manifestantes, além de deixar um grande número de feridos.
Fonte:
