9.11.12

Mouros


Por Felipe Araújo

Mouros são considerados os povos instalados na região da Península Ibérica durante a Idade Média. Os mais conhecidos eram os árabes e os berberes, mas existiam outros. Este termo foi empregado de forma especial no que se refere aos que se encontravam em áreas cristãs por motivo de cativeiro de guerra ou rendição de territórios. No início, os mouros eram aniquilados pelos povos que os conquistavam. Porém, após o século IX, eles passaram a ser poupados, alguns deles para serem utilizados no trabalho escravo, com maior concentração em Portugal.



Já na Espanha, os mouros viviam sob a proteção da monarquia, sendo beneficiados com diversas medidas a seu favor. Desta forma, com o passar dos anos, começa a ser estabelecida uma convivência entre os mouros e os cristãos. Porém, os mouros tinham uma moradia separada do resto da população, que tinha o nome de mouraria. Na época, eles começaram a ser chamados de mudejares e formaram uma parte de grande importância da sociedade espanhola no fim da Idade Média. Os mouros que não aceitaram o batismo foram expulsos tanto da Espanha como de Portugal, os que ficaram, após serem batizados, ganharam o nome de mouriscos.

Apesar de aparentemente terem concordado em seguir o cristianismo, os mouriscos, escondidos, mantiveram muitos de seus hábitos e rituais tradicionais como a comemoração do Ramadã, banhos e a circuncisão. Mas, essas manifestações acabavam sendo percebidas pelos espanhóis. Assim, em 1609, houve uma expulsão massiva dos mouriscos que continuavam com as práticas proibidas.

Assim que os mouriscos foram expulsos do território espanhol, a economia do país demonstrou grande queda. Isso ocorreu, pois, os mouriscos, apesar de divergirem religiosamente dos espanhóis, representavam uma parcela da população com habilidades para o artesanato e eram ótimos agricultores, pois aplicavam técnicas aprendidas com várias gerações anteriores.

Ao sentir o peso da expulsão dos mouriscos em seus bolsos, várias parcelas nobres da Espanha iniciaram um processo para evitar a saída de mais mouriscos. Só que isso não foi suficiente para combater os monarcas, que viam nos mouriscos um perigo à unidade da nação. Para a monarquia, eles eram inadaptáveis ao cristianismo, além de trazerem más influências externas de seu convívio com os estrangeiros.

O êxodo dos mouriscos ocorreu em diversos países, entre eles, Turquia, Tunísia, Argélia, Itália e França. Uma nação em que deixaram vastos traços culturais e influências foi a Espanha. A presença deste povo pode ser observada em diversos setores da sociedade espanhola.

Fontes:
AZEVEDO, Antonio Carlos do Amaral. Dicionário de nomes, termos e conceitos históricos. 3a. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-foi-a-ocupacao-moura-da-peninsula-ibericahttp://www.ufrgs.br/gtestudosmedievais/artigos/mouros_e_cristaos.pdf

Cei FMI da URSS


Bandeira da CEI




A estagnação econômica a partir de meados da década de 70, aliada à corrida armamentista, coloca em evidência as deficiências e distorções estruturais da sociedade soviética e a necessidade de reformas urgentes. A URSS enfrenta dificuldades crescentes para manter sua hegemonia na Europa Oriental, recua na Ásia, África e América Latina e naufraga no Afeganistão.

Mikhail Gorbatchov (1934- ), funcionário de carreira do Partido Comunista da União Soviética, torna-se um dos principais assessores de Iuri Andropov durante o curto governo deste, entre 1982 e 1984. Em março de 1985 é eleito secretário-geral do partido, após a morte de Konstantin Tchernenko, que substituíra Andropov.

Em 1986, desencadeia a glasnost e a perestroika, que, como ele próprio reconhece depois, definem o que deve ser destruído e mudado, mas não o que deve ser construído no lugar das estruturas antigas. Isso desencadeia movimentos que Gorbatchov não consegue controlar, conduzindo uma grave crise econômica, social e política, à sua própria queda, em 1991, e à desintegração da União Soviética. Seus entendimentos com os Estados Unidos e a Europa Ocidental para o desarmamento e a eliminação dos regimes socialistas na Europa oriental lhe granjeiam grande prestígio internacional, particularmente no Ocidente.

Perestroika

A perestroika, ou reestruturação econômica, é iniciada em 1986, logo após a instalação do governo Gorbatchov. Consiste num projeto ambicioso de reintrodução dos mecanismos de mercado, renovação do direito à propriedade privada em diferentes setores e retomada do crescimento. A perestroika visa liquidar os monopólios estatais, descentralizar as decisões empresariais e criar setores industriais, comerciais e de serviços em mãos de proprietários privados nacionais e estrangeiros.

O Estado continua como principal proprietário, mas é permitida a propriedade privada em setores secundários da produção de bens de consumo, comércio varejista e serviços não-essenciais. Na agricultura é permitido o arrendamento de terras estatais e cooperativas por grupos familiares e indivíduos. A retomada do crescimento é projetada por meio da conversão de indústrias militares em civis, voltadas para a produção de bens de consumo, e de investimentos estrangeiros.

Glasnost

A glasnost, ou transparência política, desencadeada paralelamente ao anúncio da perestroika, é considerada essencial para mudar a mentalidade social, liquidar a burocracia e criar uma vontade política nacional de realizar as reformas. Abrange o fim da perseguição aos dissidentes políticos, marcada simbolicamente pelo retorno do exílio do físico Andrei Sakharov, em 1986, e inclui campanhas contra a corrupção e a ineficiência administrativa, realizadas com a intervenção ativa dos meios de comunicação e a crescente participação da população. Avança ainda na liberalização cultural, com a liberação de obras proibidas, a permissão para a publicação de uma nova safra de obras literárias críticas ao regime e a liberdade de imprensa, caracterizada pelo número crescente de jornais e programas de rádio e TV que abrem espaço às críticas.

Desagregação nacional

A descompressão política, que permite a expressão do descontentamento numa escala inédita desde a Revolução de 1917, combinada com o impasse na condução das reformas econômicas, mergulha a União Soviética numa crise no final dos anos 80. A produção se desorganiza devido à ausência de uma estratégia definida de reestruturação econômica. O único ponto claro da perestroika é a liquidação do antigo sistema de planejamento centralizado.

A estruturação de um novo sistema é obscura. Organizam-se máfias, constituídas por antigos dirigentes de empresas e ministérios, que se apropriam do patrimônio público e acumulam fortunas. O Partido Comunista se divide em facções antagônicas. A União se desagrega, como resultado da pressão de movimentos nacionalistas e autonomistas nas diversas repúblicas. Um plebiscito, em 1990, aprova a continuidade da União, mas conflitos étnicos agravam o processo desagregador. O governo central perde poder sobre as repúblicas.

Golpe de Agosto

Em 19 de agosto de 1991, Gorbatchov enfrenta um golpe de Estado dado por civis e militares conservadores, que pretendem manter a União e revogar boa parte das reformas liberalizantes. Mas a reação ao golpe conta com o apoio da maioria das Forças Armadas e da população, assim como de diversas repúblicas. Em Moscou a resistência é dirigida por Boris Yeltsin (presidente da Rússia), Ruslan Khasbulatov (presidente do Parlamento da União) e pelo general Alexander Rutskoi, tendo como centro a defesa do Parlamento (Casa Branca).

Dissolução do império

Como conseqüência da resistência aos golpistas e do enfraquecimento da posição política de Gorbatchov, Yeltsin assume o poder de fato, proibindo o funcionamento do Partido Comunista na Rússia. O poder crescente de Yeltsin força a renúncia de Gorbatchov, em dezembro de 1991. As repúblicas declaram independência sucessivamente: a Lituânia, a Estônia e a Letônia em 22 de agosto, seguidas pela Ucrânia (24/8), Bielorrússia (25/8), Geórgia e Moldávia (27/8), Azerbaijão, Quirguizia e Uzbesquistão (30/8), Tadjiquistão (9/9) e Armênia (22/9). Em 9 de dezembro de 1991, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia formam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), dando por revogada a existência da URSS. Cazaquistão, Uzbesquistão, Turcomênia, Quirguizia e Tadjiquistão aderem à CEI em 14 de dezembro.

A CEI E AS NOVAS REPÚBLICAS

Desde sua fundação, a Comunidade dos Estados Independentes vem se debatendo com sua natureza ambígua: embora não seja um país, é mais do que uma simples comunidade econômica de nações, pois tem Forças Armadas centralizadas, o rublo ainda circula nas repúblicas que a integram e mantém-se em grande parte intacta a relação de supremacia da Rússia sobre as demais unidades da extinta Federação. Mas a explosão de contradições durante muito tempo represadas pelo Kremlin abala a coesão e as instituições ainda precárias da nova comunidade.

Divergências sobre o controle do arsenal nuclear e a ratificação do Tratato Start, de desarmamento, que a URSS tinha assinado com os EUA em julho de 1991; desentendimentos sobre a partilha proporcional, entre as repúblicas, da antiga dívida externa soviética, de US$ 74 bilhões; e a necessidade de conformar-se às regras do FMI para obter, no Ocidente, uma ajuda de US$ 24 bilhões, prometida pelos Estados Unidos e pela Alemanha, são alguns dos problemas globais enfrentados pela CEI em 1992.

Lutas pela independência

Mas há outros litígios que, em alguns casos, degeneraram em guerra aberta: a presença de 130 mil soldados do ex-Exército Vermelho na Letônia, Lituânia e Estônia, sob a alegação de que é preciso garantir a segurança da comunidade russa residente nesses países, mantém a tensão entre a Rússia e os Estados bálticos. Na Moldávia, o governo luta com os separatistas da autoproclamada República do Trans-Dniestr, habitada por russos e ucranianos que temem a possibilidade de integração dessa república à Romênia (os separatistas contam com o apoio do 14o Exército russo, estacionado em sua região). No Cáucaso, a Armênia e o Azerbaidjão continuam lutando pela posse do enclave de Nagorno-Karabakh, com grande número de baixas de parte a parte.

Entre a Rússia e a Ucrânia, além da disputa pelo controle da frota do mar Negro e do arsenal nuclear, há também a disputa pela posse da Criméia, habitada majoritariamente por russos, mas sob jurisdição ucraniana desde 1954 (o território luta pela independência, não se contentando com o status de autonomia relativa concedido por Kíev). A Geórgia, embora não pertença à CEI, tem também conflitos internos: além do que opõe os partidários e opositores do ex-presidente Zviad Gamsakhurdia, deposto em janeiro de 1992, há também a guerra das autoridades de Tbilisi com a Ossétia do Sul, território georgiano que reivindica a anexação à Ossétia do Norte, pertencente à Federação Russa (todas essas questões são herança da política stalinista de separar os grupos étnicos para enfraquecê-los).

Federação russa

A própria Federação Russa, as voltas com problemas políticos e econômicos dos mais graves, é uma colcha de retalhos de reivindicações das minorias étnicas que a compõem e ameaçam fazê-la implodir da mesma forma que a ex-URSS. O novo Tratado da Federação Russa, assinado por Boris Yeltsin, em março de 1992, com 18 das 20 repúblicas autônomas que a integram não encontra uma solução para seus problemas mais sérios: a reivindicação de soberania da Tartária, proclamada em 21/3/1992; o separatismo da Chechenia-Inguchétia, convertida em duas unidades independentes por um decreto do Soviete Supremo de junho de 1992; o desejo da comunidade russo-alemã de restaurar a antiga República Autônoma do Volgf, eliminada por Stalin em 1941; e a proposta de que a lakutia e a Buriatia, o distrito da Niénetz e as repúblicas de Komi e Tuva, territórios autônomos da Sibéria, fundem-se nos Estados Unidos do Norte da Ásia.

Em todos esses casos, a secessão seria economicamente desastrosa para Moscou, que perderia o controle sobre o petróleo tártaro, as jazidas de ouro buriatas e de gás natural nenétsio, o cobalto tuvânio, os diamantes iakútios, e assim por diante. Para complicar as coisas, o presidente Boris Yeltsin encontra-se, desde o início de 1992, em rota de colisão com Ruslán Khásbulatov, o presidente do Parlamento, com quem debate a distribuição do poder. Isso os levará, até o final do ano, à confrontação aberta.

Comunidade dos Estados Independentes (CEI)

Instituída em 21/12/1991, integrada pela maior parte das repúblicas que formavam a extinta União Soviética: Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Geórgia, Moldávia, Quirguízia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomênia, Ucrânia, Uzbequistão e Azerbaidjão. Sede em Minsk, na Bielorrússia. É gerida por conselhos de chefes de Estado e de governo das repúblicas participantes. A CEI não é um país, pois cada uma de suas unidades constitutivas é politicamente soberana; mas é mais do que uma comunidade econômica, pois tem forças armadas centralizadas. Além disso, embora os países membros estejam criando gradualmente suas próprias moedas, o rublo ainda circula paralelamente na maioria delas.

Por Gabriela Cabral

Fonte: 

Conflitos e crise política na Tunísia


Localizada ao Norte da África, a Tunísia foi o primeiro país a inaugurar a Primavera Árabe



Uma grande onda revolucionária surgiu nos países árabes no final de 2010 com o objetivo de eliminar os governos autocráticos da região. A Tunísia foi o primeiro país a inaugurar esse momento da história conhecido por Primavera Árabe. A população tunisiana se uniu para enfrentar o governo de Zine El Abidine Ben Ali, que entrou no poder em novembro de 1987.

No dia 17 de dezembro de 2010, um jovem desempregado ateou fogo no próprio corpo na cidade de Sidi Bouzid, quando os policiais o impediram de vender vegetais na rua por não ter autorização. A população comoveu-se com o desespero do rapaz e organizou uma onda de protestos contra o desemprego no país. Além disso, a falta de liberdade política e a desigualdade social reforçaram a luta da população contra o presidente.

Ben Ali ordenou que os policiais fossem para as ruas e impedissem os protestos contra o seu governo. Entretanto, a população engrossou o movimento e enfrentou os soldados, que utilizaram armas de fogo contra os revoltosos. Esse embate foi marcado por extrema violência, os integrantes da oposição contabilizaram cerca de 60 mortos.

O presidente também ordenou que as faculdades e as escolas fossem fechadas durante a manifestação popular, tentando manter os jovens em casa para diminuir o número de integrantes do movimento. Ben Ali, ao perceber a força da população, realizou políticas para conter os protestos. Em 12 de janeiro de 2011, ele demitiu o ministro do interior, criou um comitê para investigar as corrupções e prometeu criar mais de 300 mil vagas de emprego.

Bem Ali afirmou também que iria conceder liberdade de imprensa e internet, combater ospreços altos dos alimentos e estruturar um regime mais democrático para a população. Além disso, decidiu não alterar a constituição do país para permitir a própria reeleição. Foi com essas medidas que o governo tentou esquivar-se da pressão popular para permanecer no poder.

Todavia, os movimentos não cessaram, a pressão e os protestos continuaram contra Ben Ali, que acabou decidindo renunciar “temporariamente” seu cargo e depois se exilou na Arábia Saudita. Assim, o premiê Mohammed Ghannouchi assumiu a presidência do país com o objetivo de pacificar os ânimos da população e sistematizar uma sociedade mais democrática para os tunisianos.

A onda de protestos na Tunísia foi liderada em grande parte por jovens desempregadosque reivindicaram uma sociedade mais justa para as pessoas. Além do mais, a classe média, os trabalhadores e a intelectualidade do país também uniram forças contra o governo ditatorial de Ben Ali que renunciou ao cargo através do engajamento da população contra sua política.

Por Fabrício Barroso Dos Santos




Fonte:

15.10.12

11 prêmios importantes da ciência (além do Nobel)

Jessica Soares
Desde 1901, o Prêmio Nobel homenageia anualmente realizações nas áreas de física, química, fisiologia ou medicina, literatura e paz. No entanto, pouca gente sabe que o prêmio – permitido pela fortuna e legado do cientista, empresário, autor, pacifista e inventor Alfred Nobel – é apenas um dos representantes das quase três centenas de premiações que visam prestigiar e incentivar inovações e avanços científicos em todo o mundo. Prepare-se para o próximo bolão – a SUPER listou outros 11 prêmios importantes da ciência:

1. Medalha Copley



Início: 1731
Quem é premiado: pesquisador responsável por realizações de destaque em pesquisa nas áreas das ciências físicas e biológicas.

Se ainda fosse vivo, o pesquisador Charles Darwin com certeza exibiria com orgulho sua Medalha Copley. O naturalista inglês faz parte da longa lista de agraciados do mais antigo prêmio da Royal Society - sociedade britânica fundada em 1660 que reúne destacados cientistas. Inicialmente concedido à descoberta científica mais importante ou para a maior contribuição feita por meio de experimentos, em 1831 o prêmio passou a ser destinado anualmente ao autor da pesquisa que o Conselho da Sociedade julga o mais merecedor da honra.

2. Prêmio Demidov

Início: 1831
Quem é premiado: pesquisadores da Academia de Ciências da Rússia responsáveis por conquistas notáveis em ciências naturais e humanas.

Iniciado durante o Império Russo por Pavel Nikolaevich Demidov, membro de uma família nobre, o Prêmio Demidov é um dos mais antigos no ramo da ciência. Entre os anos de 1832 e 1866, a Academia de Ciências da Rússia concedeu 55 prêmios integrais a importantes pesquisadores russos, como o criador da tabela periódica, Dmitri Mendeleiv, e o inventor do método de imobilização em gesso para tratamento de fraturas, Nikolay Pirogov. A partir de 1866, 25 anos após a morte de Demidov, o prêmio deixou de ser concedido anualmente. Foi só em 1993 que o vice-presidente da Academia de Ciências da Rússia, Gennady Mesyats, e o governador do distrito de Óblast de Sverdlovsk, Eduard Rossel, resolveram restabelecer o tradicional prêmio, que segue homenageando importantes trabalhos em ciências naturais e humanas.

3. Medalha Perkin


Início: 1906
Quem é premiado: químicos residentes nos Estados Unidos que tenham promovido inovações em química aplicada, “resultando em excepcional desenvolvimento comercial”.

A premiação anual teve como primeiro homenageado o químico inglês William Perkin, responsável pelo desenvolvimento do primeiro corante de anilina sintético. Desde 1908, o prêmio é concedido pela seção estadunidense da Sociedade da Indústria Química.

4. Medalha Priestley



Início:1922
Quem é premiado: cientistas responsáveis por um trabalho notável no campo da química.

O nome da premiação estadunidense vem de Joseph Priestley, britânico que imigrou para os EUA em 1794 e tem no currículo um crédito nada insignificante: a descoberta do gás oxigênio. A condecoração, a maior oferecida pela American Chemical Society, foi inicialmente concedida a cada três anos e, a partir de 1944, passou a ser anual.

5. Nicholas Appert Award

Início: 1942
Quem é premiado: pesquisadores cujo conjunto da obra tenha representado avanços significativos na tecnologia de alimentos.

Considerada uma das maiores honras em tecnologia alimentar, o Nicholas Appert Award é concedido anualmente pela seção de Chicago do Institute of Food Technologists. Seu nome remete a um grande destaque do ramo: Nicolas Appert, o francês responsável por desenvolver a conservação hermética de alimentos.

6. Prêmio Louisa Gross Horwitz


Arnold J. Levine e Bert Vogelstein arremataram o prêmio em 1999, pelo trabalho desenvolvido no entendimento das alterações moleculares no gene supressor p53 responsáveis por quase 50% dos tumores humanos

Início: 1967
Quem é premiado: pesquisador ou grupo de pesquisadores que tenha feito contribuições notáveis nos campos de biologia e bioquímica.

O prêmio anual é concedido pela Universidade Columbia, em homenagem a Louisa Gross Horwits, filha de Samuel D. Cross - famoso cirurgião do século XIX e 20º Presidente daAssociação Médica Americana – e mãe de S. Gross Horwitz, que fez uma doação generosa para permitir a premiação. Para os fãs de apostas, vale acompanhar: a condecoração é considerada um ótimo termômetro para o Prêmio Nobel – dos 91 laureados até 2012, 31 arremataram a medalha em Medicina e 11 em Química.

7. Prêmio Crafoord



Início: 1980
Quem é premiado: pesquisas internacionais inovadoras em astronomia, matemática, geociência e biociência

Iniciado pelo sueco Holger Crafoord e administrado pela Academia Real das Ciências da Suécia, o prêmio dá ênfase especial ao desenvolvimento na área da ecologia e da poliartrite, doença da qual Holger sofreu em seus últimos anos de vida. A cada ano, uma única categoria é contemplada, em um esquema rotativo, e apenas é concedido um prêmio no campo da poliartrite quando a comissão considera que um avanço notável foi feito. A cerimônia de premiação acontece sempre no mês de abril e a homenagem é entregue pelo Rei da Suécia, que também é responsável por entregar as medalhas aos laureados do Prêmio Nobel em dezembro.

8. Prêmio Charles Stark Draper


Jack Kirby, o primeiro laureado do Prêmio Charles Stark Drapper e vencedor do Nobel da Física em 2000 pela sua contribuição no desenvolvimento das tecnologias da informação

Início: 1988
Quem é premiado: aqueles que contribuíram para o avanço da engenharia e para “melhorar a compreensão pública da importância da engenharia e da tecnologia”.

O prêmio anual, organizado pela Academia Nacional de Engenharia dos Estados Unidos, é considerado uma das mais importantes honras na área. Mais que uma busca pela inovação, há uma preocupação social na escolha dos homenageados: a ideia, segundo o site da instituição, é destacar realizações que tenham impactado significativamente a sociedade, “melhorando a qualidade de vida e proporcionando a capacidade de viver livre e confortavelmente”. A descrição enigmática fica mais clara ao se conferir os últimos laureados – o grupo de pesquisadores homenageados em 2012 foi responsável pelo desenvolvimento da engenharia do display de cristal líquido, o famoso LCD, utilizado em – olhe à sua volta – milhões de dispositivos de consumo pessoal e profissional.

9. Medalha Lovelace

Início: 1998
Quem é premiado: pessoas que fizeram uma excelente contribuição para compreensão ou avanço da Computação.

Apesar de ser filha do poeta Lord Byron, Ada Lovelace não precisou do pai famoso para deixar sua marca na história. A britânica, nascida em 1815, é considerada a primeira programadora da história – o que joga por terra a teoria de que este é um campo dominado pelos homens. Hoje, além de dar nome à uma linguagem da computação, Lovelace inspira a premiação administrada pela Academia de Computação da British Computer Society. A cada ano o prêmio determina uma área de foco, podendo contemplar engenharia, ciência ou produtos e práticas da computação.

10. Energy Globe Awards



Início: 1999
Quem é premiado: projetos que envolvam uso consciente e econômico de recursos naturais e explorem fontes de energia alternativas.

Uma comissão formada por membros da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, do Banco Mundial e do Conselho Europeu de Energias Renováveis é responsável por selecionar os ganhadores nas categorias Terra, Fogo, Água, Ar e coração Juventude. Focado em sustentabilidade, o prêmio ambiental é um dos mais prestigiados da atualidade.

11. Prêmio Dan David

Início: 2002
Quem é premiado: realizações que tenham promovido excepcional impacto científico, tecnológico, cultural ou social em nosso mundo.

Um prêmio em 3D – assim poderia ser descrito o Prêmio Dan David. Anualmente, a premiação internacional sediada na Universidade de Tel Aviv, em Israel, reconhece iniciativas em três “dimensões” – Passado, Presente e Futuro. Cada uma das categorias inusitadas remete ao impacto do pesquisador homenageado: o Passado refere-se às realizações que expandem o conhecimento dos tempos antigos; o Presente reconhece aquelas que moldam e enriquecem a sociedade de hoje; e o Futuro é focado em descobertas que prometem grandes melhorias. Em 2012, o historiador Robert Conquest, o artista plástico William Kentridge e o professor David Botstein, líder intelectual da pesquisa em genoma, foram os agraciados pelo prêmio em cada uma das respectivas dimensões.

Fonte:

Um Governo Holandês no Brasil Colônia

por Cristiano Catarin

Os holandeses perceberam a vulnerabilidade que as colônias portuguesas instaladas no Brasil apresentavam e decidiram colocar parte de seus planos em prática invadindo a região Nordeste do Brasil nas primeiras décadas do século XVII. A Holanda, nesta época, contava com uma poderosa tecnologia naval, fruto de investimentos advindos do "acolhimento", da parte dos holandeses, com relação aos cristãos -- novos, foragidos de outras regiões.
Para entendermos as intenções holandesas

1536 -- 1821 período em que o Santo Ofício já atuava na Espanha e também iniciou, em 1536, suas atividades em Lisboa.

A distinção entre cristãos -- velhos e cristãos -- novos percorreu desde o início desta instituição até 1775. Em Lisboa os judeus foram convertidos à força pela então realeza portuguesa. Entretanto, o que pretendemos a respeito da Inquisição é com relação ao seu alvo de atuação, ou fundo de argumentação, melhor dizendo, para o desenvolvimento das perseguições.



Grande parte dos livros de história relatam a questão religiosa referente a "necessidade" de tal perseguição. No entanto, é importante sabermos que além da dimensão religiosa (escândalos sexuais, heresia, questionamentos feitos a santos católicos, etc), há também a questão econômica.

A grande maioria dos descendentes de judeus, convertidos sob o reinado manoelita eram portadores de significativas fortunas, eram comerciantes de importante potencial, tais fortunas eram também representadas pelos bens materiais dos judeus.

O Santo Ofício, quando capturava um "herege" executava um procedimento. Este procedimento consistia no confisco de todos os bens do acusado, uma atitude que prevalecia até o julgamento final, seja ele condenatório ou não. Os bens do prisioneiro "teoricamente" eram devolvidos em casos raríssimos de absolvição do julgado.



Além disto, durante todo período de trâmite do processo inquisitorial, todas as despesas com o próprio acusado, como também a dos funcionários do Santo Ofício eram pagas pela família da própria "vítima".

"O confisco de seus bens significava a transferência de enormes somas para Inquisição e para Coroa. Tratava-se de uma forma de apropriar-se de lucros de comerciantes bem -- sucedidos. Por esta razão, o impacto das perseguições inquisitoriais sobre a economia foi bastante negativa." Pg. 47

Era desta forma que agia o tribunal do Santo Ofício. No Brasil não fora diferente, as visitas inquisitoriais ocorreram em localidades de maior riqueza e de maior população. No século XVII o Nordeste brasileiro foi alvo dos tribunais, já no século XVIII foi a vez de Minas Gerais e depois Rio de Janeiro.

Estas atuações do Santo Ofício acabou desenvolvendo dificuldades para Coroa portuguesa, este remanejamento de grandes fatias econômicas de certa forma, desestabilizou os investimentos na tecnologia naval, os cristãos -- novos foram perseguidos e com eles suas fortunas que mantinham a armada lusitana. Portugal que mantivera grande estabilidade econômica lucrativa nos séculos XV e XVI, ao final deste último, passou a conhecer as dificuldades e sua decadência. Portugal, agora era exclusivista, sujeitando-se a disposição da Coroa espanhola, o que acarretou no aparecimento dum poderoso inimigo, a Holanda, até então grande distribuidora de seus produtos. Todo este ambiente é importante e, sobretudo, necessário para que possamos entender um pouco melhor sobre as invasões holandesas no Nordeste do Brasil. Evidente que o fato desta manutenção da economia influenciada pelo Santo Ofício, na transferência de importantes valores e com o abrigo dado pela Holanda aos cristãos -- novos não satisfaz totalmente nossa pesquisa, mas demonstra uma importante contribuição.

Evaldo Cabral de Mello, o mais capacitado dentre os historiadores para relatar de forma brilhante este período da açucarocracia brasileira, termo por ele mesmo definido, afirma que as colônias portuguesas, desde sua formação, sempre ofereceram maior fragilidade com relação a um possível ataque do inimigo. Diferentemente da Espanha, o litoral brasileiro não dispunha de nenhum tipo de segurança, um ataque inimigo provavelmente seria bem sucedido, pois a concentração da produção de açúcar não ficava muito distante da região litorânea. Talvez este tenha sido outro atrativo para Holanda resolver atacar primariamente as colônias portuguesas no Brasil. Mas além desta fragilidade de localidade, a Holanda também pode contar com extremo avanço em sua tecnologia naval, tomando o primeiro lugar de Portugal e Espanha.

Este humilde artigo tentará tratar destes assuntos, respondendo perguntas como: Como foi se formando, ao longo do tempo, esta decisão da Holanda em invadir o litoral do Nordeste brasileiro? Qual o papel de João Maurício de Nassau quando da sua chegada no Brasil em 1637? Não trataremos, pelo menos neste artigo, das grandes guerras havidas entre 1630 a 1654. Pretendemos fazer, em breve, um outro artigo como se fosse uma segunda parte deste, uma continuação.
A ascensão holandesa

Enquanto Portugal observava seu próprio fracasso, a Holanda crescia em seu importante comércio de tecidos, com significativa ajuda dos cristãos -- novos, acolhidos pelo país. A Holanda desenvolveu um tipo de navio destinado especificamente para guerras, era a fragata. Com isto, o domínio marítimo até então atribuído a Espanha e Portugal, passara a Holanda. Ao final do século XVII a Holanda consegue sua dependência, após guerrear contra Espanha. Os holandeses, apercebidos dos bons resultados obtidos, tanto em estratégias com sua independência com também em seu poderio comercial, decide elaborar um plano para atacar as colônias portuguesas, por meio de um modelo já conhecido: a Companhia da Índias Orientais. Então, em 1620 é fundada, pelos holandeses, a Companhia das Índias Ocidentais, a exemplo da primeira, representando uma fusão entre comércio e guerra.
O primeiro ataque ao Brasil

O Brasil foi o primeiro alvo a ser atacado pelos holandeses. O primeiro ataque ocorreu na Segunda década do século XVII, com 1700 homens os holandeses invadiram a Bahia iniciando o conflito na região urbana, depois foram atraídos para regiões distantes, onde ficavam as instalações dos engenhos de cana -- de -- açúcar que funcionavam com a mão -- de -- obra escravista. Estes modelo de produção até então exclusivo dos portugueses despertou grande interesse aos holandeses.

Em maio de 1625 uma frota portuguesa consegue expulsar os holandeses, mas, durante o tempo em que os invasores estiveram ali, foi o suficiente para aprenderem o até então modelo exclusivo de produção escravista dos portugueses no trabalho com engenhos. Com isto o monopólio açucareiro da colônia portuguesa termina, tendo agora de competir sua produção com ingleses, franceses, holandeses e espanhóis.

O modelo escravista, a grosso modo representado pelos senhores de engenho e escravos conquistou a Europa daquele século. As Antilhas foi cede de engenhos franceses, ingleses, holandeses, etc. mesmo com toda concorrência, o Brasil ainda ocupava o primeiro lugar em lucratividade na produção do açúcar.

Sua localização privilegiada contribuía para isto, pois ficava próximo da África (facilitando o abastecimento de escravos), contava ainda com o fornecimento de alimentos advindos dos índios, fator que barateava a empresa.

Os holandeses, após serem derrotados no Brasil em 1625, decidem-se em 1630 realizar um novo ataque, agora em Pernambuco, região extremamente desenvolvida na produção açucareira do Nordeste brasileiro.

Desta vez com 3800 homens atracaram em Pernambuco, depois os holandeses contaram com reforço de mais aproximadamente 6000 homens, o domínio por parte dos holandeses foi incontestável, atingindo todo litoral nordestino até o Maranhão.
Jacobi Rabi

Estes personagem de origem alemã, chegou ao Brasil em 1637, logo se envolveu com os indígenas e fez uma verdadeira revolução com os nativos, ensinando-lhes táticas de guerra da europa, uma fusão da crueldade nativa com europeia. Os índios ficaram fortes aliados de Jacobi. Portugueses, judeus, protestantes, todos detinham grande ódio deste estrangeiro que não excitava em criar grandes problemas com quem resistia a seus interesses. Sua atuação durou até 1645, quando os próprios holandeses, temendo perder o controle sobre ele, decidiram executá-lo. Esta atitude dos holandeses foi um verdadeiro desastre contra eles próprios, pois todos os nativos que o apoiavam Jacobi passaram a apoiar os portugueses, com esta ajuda, o território seria novamente luso.

Porém, 1637 foi o ano em que ocorrera o fato mais ousado dos holandeses, agora com pleno domínio dos engenhos açucareiros, trouxeram para o Recife o conde Maurício de Nassau, que desembarcou no Brasil em janeiro de 1637, trazendo condigo uma equipe composta por pintores, escritores, arquitetos, etc. Nassau com isto, pretendia restaurar o Recife.

Pela primeira vez, uma colônia da América seria governada à europeia. Com supremacia militar e prevendo excelentes perspectivas econômicas, Nassau usou dinheiro e escravos da Companhia para atrair os donos de engenho para órbita holandesa. Com sinal de sua grandeza começou a reformar Recife, a primeira cidade planejada para ser capital do Brasil.
João Maurício de Nassau



Leia a biografia de João Maurício de Nassau

Sem dúvida um personagem de muito destaque durante o período da presença holandesa no Brasil. O Conde Maurício de Nassau chegou no Brasil, mais precisamente em Recife, região Nordeste do país, em 1637 -- quando a situação e ocupação militar já estava praticamente estabilizada, no que diz respeito ao domínio holandês frente as colônias portuguesas.

No entanto, Nassau não chegara só no território brasileiro, trouxe consigo uma equipe cultural, sim, composta, como já dissemos, por pintores, arquitetos, escritores, naturistas, médicos, astrólogos, etc. Suas intenções uniam conforto para sua estadia no país e também domínio da produção açucareira. Com a presença de Maurício, Recife sofreu uma verdadeira reformulação urbana, ele mandou construir jardins, lagos e um palácio para sua acomodação, localizado na ilha de Antônio Vaz. Em 1639 Nassau foi mais longe, acompanhou a construção de uma cidade inteira a seu gosto, denominada Cidade Maurícia, esta cidade ficava localizada ao lado de Recife, entre a foz do Capiberibe e Beberibe.
Artistas Registram As Riquezas Do Brasil Holandês



Os artistas que acompanharam Nassau retratavam a América naturalista, preocupavam-se em registrar a natureza destacando os animais e as paisagens vegetais, demonstrando assim, toda opulência do Brasil holandês, estes registros tinham o caráter científico, pois estas ilustrações ficaram conhecidas em toda Europa. Frans Post e Albert Eckhout foram os principais pintores trazidos por Maurício ao Brasil, registraram o Nordeste brasileiro, revelando as riquezas dos trópicos, a produção do açúcar, a cidade Maurícia, todos os feitos de Nassau foram devidamente registrados por estes dominadores de imagens.
Reação de Portugal

Diferentemente da dimensão holandesa, o Brasil português mostrava-se de mau a pior. A grande alternativa de Portugal foi buscar sua independência em 1640 ao nomear o duque de Bragança como D. João IV. Portugal dependia totalmente dos recursos advindos do açúcar brasileiro, distribuído pelos holandeses, para financiar seu conflito com a Espanha.
Holandeses próximos de deixar o Brasil

D. João IV conseguiu assegurar a independência de Portugal, sua busca agora referia-se a retomada das colônias apoderadas pela Holanda. Tarefa difícil, pois Nassau, por meio da Companhia das Índias, concedia créditos e escravos à vontade para os senhores de engenho do Brasil, a produção aumentava a cada período, entretanto, os próprios cofres na Holanda verificaram a falta de dinheiro em espécie, tudo o que tinham eram títulos de dívidas e empréstimos destes senhores de engenho. Começa então um questionamento quanto as atitudes de Maurício de Nassau. Em maio de 1644 a Holanda convoca a volta de Maurício de Nassau para estabelecer alguma manobra para reverter esta situação, então redigiram acordos, ou melhor, contratos onde ficou estabelecido que os senhores de engenho só teriam acesso a novos empréstimos após pagamento total das dívidas pendentes.

Em 1645, após tomarem conhecimento de que teriam de mexer em seus próprios bolsos, os colonos revoltaram-se contra tal atitude dos holandeses, a rebelião estava formada. Em pouco tempo, a Holanda perdera tudo o que havia conquistado até então, pondo fim ao grande sonho de conquista da América proferido pelos holandeses.

Somente em 1654 os holandeses deixaram definitivamente o território brasileiro, mas como dissemos, não entraremos nos detalhes das batalhas havidas, pelo menos neste expediente.

As terras brasílicas já conviveram com batalhas francesas, holandesas, enfim, com todos que aproveitavam-se de maneira ilegal das terras dos portugueses, que queriam manter o processo de colonização em desenvolvimento. Afinal, esta era uma alternativa que a Coroa portuguesa apostou com todas as suas forças para manter-se no cenário como nação a partir do século XVI.

A verdade é que os holandeses também desfrutaram um pouco das riquezas presentes nesta imensidão de terras produtivas, similarmente aos franceses que traficaram, em enorme quantidade, o pau -- brasil, por toda região litorânea. Fato que despertou os olhares de Portugal, no sentido da proteção e da necessidade de ocupação das terras recém "descobertas" por Cabral.

Com isso, a História do Brasil, tão rica, extensa e maravilhosa, nos comprova, ao longo dos séculos, a cobiça e a ambição dos estrangeiros pela exploração da imensa variedade de riquezas existentes na região conquistada pelos lusos em 1500. O Brasil é de quem?
Referência Bibliográfica

CALDEIRA, Jorge; CARVALHO, Flavio; MARCONDES, Claudio, GOES, Sergio. Viagem pela história do Brasil. 2ª Ed. São Paulo, Cia das Letras, 1997.
MELLO, Evando Cabral. Olinda Restaurada: guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. 2ª Ed. Rio de Janeiro, 1998.




Fonte: http://www.algosobre.com.br/historia/um-governo-holandes-no-brasil-colonia.html

EUA no Século XIX

1. Introdução

A primeira metade do século XIX na História dos EUA foi marcada pela conquista de territórios em direção ao Oceano Pacífico, conhecida como "a marcha para o Oeste". A população passou de 3.900.000 em 1790 para 7.200.000 em 1810, compondo uma sociedade essencialmente agrária, formada por granjas no Nordeste e grandes latifúndios exportadores no Sudeste.

2. Fatores da Expansão

Vários fatores são colocados para explicar essa expansão, vejamos a seguir. A imigração nesse período foi muito intensa, vinda principalmente da Alemanha, Irlanda e Inglaterra, sendo que os motivos para esse deslocamento está ligado a dificuldades financeiras pelas quais a população europeias passava, os camponeses eram expulsos da terra devido à concentração fundiária e os artesãos não conseguiam empregos devido à mecanização industrial nas cidades. No início do século XIX a população norte-americana passava a contar com cerca de sete milhões de habitantes. Esse crescimento demográfico e a pequena área do país contribuíram para que se pretendesse ocupar terras a Oeste, em razão da necessidade de aumentar a produção agrícola e a área destinada aos rebanhos.
A partir da segunda metade do século XIX a pecuária chegou a ocupar um quarto do território americano, em terras que se estendiam do Texas ao Canadá. A descoberta de ouro na Califórnia, em 1848, estimulou uma corrida em busca de "riqueza fácil", incentivando o deslocamento populacional. Além disso, a construção de ferrovias, iniciada em 1829, barateava o transporte. Em fins do século XIX a quantidade de quilômetros de linhas férreas nos Estados Unidos era maior que a soma de todos os países europeus. Em 1890, a ferrovia ligava a Costa do Atlântico ao Pacífico. a expansão para o Oeste foi justificada pela doutrina do "Destino Manifesto", que pregava serem os norte-americanos destinados por Deus a conquistar e ocupar os territórios situados entre o Atlântico e o Pacífico.
Em 1820, a expansão norte-americana ganha um conteúdo politizado com a Doutrina Monroe, que inicialmente colocou-se como defensora das recém-independentes nações latino-americanas ao pronunciar "a América para os americanos", mas conforme os interesses territoriais dos Estados Unidos foram ampliando-se em direção ao Oeste e ao Sul, a Doutrina seria mais bem definida pela frase "a América para os norte-americanos".

3. Leis sobre terras

Anterior à independência, os colonos americanos já cobiçavam terras a Oeste. Um dos motivos que levou ao início da luta contra os ingleses foi a Lei de Quebec - parte das Leis Intoleráveis, 1774 -, que proibia a ocupação de terras entre os Apaches e o Mississipi pelos colonos.
Após a independência foi elaborada, pela Convenção da Filadélfia, a Lei Noroeste (1787), que estabeleceu as bases para a ocupação das terras a Oeste e a integração dos novos territórios surgidos à União - ao definir que, quando a população atingisse 5.000 habitantes do sexo masculino em idade de votar, poderia organizar um Legislativo bicameral e passaria a ter o direito de um representante no Congresso, sem direito a voto; caso constituísse uma população livre de 60.000 habitantes, o território seria incorporado à União como Estado.
As grandes Companhias Loteadoras incorporaram essas terras e passaram a comercializá-las junto aos pioneiros por um preço bem reduzido (aproximadamente 2 dólares por hectare). Os pioneiros eram granjeiros, caçadores ou grandes latifundiários sulistas que estavam interessados em expandir a cultura algodoeira ou seu rebanho. A postura do governo norte-americano foi de incentivo à ocupação e, em 1862, o governo Lincoln concedia terras gratuitamente através do Homestead Act - 160 acres a todos aqueles que a cultivassem durante cinco anos.

4. Mecanismos de Conquista

a) Compra de Territórios

Pelo Tratado de Versalhes, 1783, firmado com a Inglaterra, o território dos Estados Unidos abrangia da Costa do Atlântico até o Mississipi.
No século XIX, essa realidade se altera consideravelmente.
Em direção ao Oeste aparece o território da Louisiana, colônia francesa, que Napoleão Bonaparte - devido às guerras na Europa e Antilhas, Haiti - negociou com os norte-americanos por 15 milhões de dólares (1803).
A Flórida foi comprada dos espanhóis, em 1819, por cinco milhões de dólares. A Rússia vendeu o Alasca aos Estados Unidos por sete milhões de dólares.

b) Diplomacia
A anexação de Óregon - Noroeste -, colônia inglesa, região que despertou pouco interesse até 1841, foi cedida aos americanos em 1846.

c) Guerra
O Sudoeste americano pertencia ao México. A conquista desse território ocorreu através da guerra.
Em 1821, os colonos americanos passaram a colonizar esse território com autorização do governo mexicano, que exigiu-lhes a lealdade e a adoção da religião católica por parte dos pioneiros.
A dificuldade encontrada pelo México na consolidação do Estado Nacional refletiu-se em conflitos internos e no estabelecimento de ditaduras, como a de Lópes de Sant'Anna. Esses fatos impediram um efetivo controle sobre essa região, outrora concedida. Dessa maneira, o Texas estava fadado a compor os Estados Unidos, o que ocorreu em 1845, quando os colonos norte-americanos ali estabelecidos declararam a independência do território em relação ao México e a sua incorporação aos Estados Unidos.
A guerra estendeu-se até 1848, quando foi assinado o Tratado de Guadalupe-Hidalgo, que estabelecia o Rio Grande como linha fronteiriça entre o México e o Texas, além da cessão da Califórnia, Arizona, Novo México, Nevada, Utah e parte do Colorado aos Estados Unidos, por 15 milhões de dólares.
Em 1853, foi completada a anexação de territórios do México com a incorporação de Gadsden. Metade do território mexicano havia sido perdida para os Estados Unidos. Lázaro Cárdenas, presidente mexicano (1934-1940), em relação ao imperialismo norte-americano comentou: "Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos".

d) A guerra de extermínio contra os indígenas
As maiores vítimas da marcha para o Oeste foram os indígenas. Estes encontravam-se em estágios de pouco desenvolvimento se comparados aos astecas, maias e incas, daí sua dificuldade para resistir ao domínio e força dos brancos europeus.
Os norte-americanos acreditavam que, além de serem os predestinados por Deus a ocuparem todo o território, deveriam cumprir a missão de civilizar outros povos. Nesse sentido, contribuíram decisivamente para o extermínio da cultura e da pessoa física do indígena.
As tribos do Sul, mais desenvolvidas, proporcionam uma resistência maior à ocupação do branco. No entanto, a única opção das tribos indígenas foi a ocupação de terras inférteis em direção ao Pacífico, até o seu extermínio.
De acordo com o "herói" americano, o general Armstrong Custer, considerado como o "grande matador de índios", "o único índio bom é um índio morto".

5 - A política no processo de Expansão

Em 1789, foi eleito o primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington, que governou o país durante dois quatriênios. Nesse período, dois grupos políticos disputavam o poder: o Partido Federalista e o Partido Republicano Democrático, liderados respectivamente por Alexander Hamilton e Thomas Jefferson, secretários do Tesouro e do Estado, ligados ao governo de George Washington.
O Partido Federalista defendia um governo com poder centralizado, representando os interesses dos grandes comerciantes, manufatureiros e financistas.
O Partido Republicano Democrático defendia um governo descentralizado, ou seja, uma maior autonomia para os Estados, como também, uma maior participação popular nas eleições - eram simpáticos aos ideais da Revolução Francesa e representavam os interesses dos pequenos proprietários.
O governo de Andrew Jackson (1829-1837, na foto ao lado) foi marcado pela mudança de orientação política. Ligado ao recém-criado Partido Democrático, defendia os interesses dos grandes fazendeiros do Oeste e operários do Norte.
Durante sua gestão foram realizados expurgos de elementos que pertenciam a governos anteriores, processo que ficou conhecido como "sistema de despojos" (Spoil System).

6. Consequências da Expansão

A conquista de um vasto território criou condições para o grande desenvolvimento da economia norte-americana.
Em 1912 conclui-se o processo de formação da União, com a incorporação do Arizona como Estado.
Foi acentuado o crescimento da agricultura, indústria, comércio, mineração e pecuária. A população cresceu para cerca de trinta milhões até 1860. Formaram sociedades diferenciadas dentro do país. a Norte e Leste, surgiu uma poderosa burguesia industrial e comercial, juntamente com um operariado fabril; ao Sul, predominavam os grandes aristocratas vinculados ao latifúndio, à monocultura, à exportação e à escravidão; na região Centro - Oeste, nasceu a sociedade a partir dos pioneiros, marcada pela base agrícola e pela pecuária.
No entanto, aumentou a rivalidade entre os interesses díspares de nortistas e sulistas, o que culminou mais tarde em uma guerra civil.

7. A Guerra de Secessão

A primeira metade do século XIX marca a primeira fase do processo de industrialização norte-americana. Ocorreu no Norte, sobretudo na região da Nova Inglaterra, sobre uma base vinda do Período Colonial.
Em meados do século, o Norte, ou mais precisamente, o Nordeste era o polo econômico vital da economia.
Esse desenvolvimento foi favorecido por ocasião das Guerras Napoleônicas e pela Segunda Guerra de Independência (l 812-14), já que as importações diminuíram e o mercado lnterno passou a consumir as manufaturas locais.
Essa incipiente indústria, por volta de 1810, beneficiou-se também de grande disponibilidade de ferro, carvão e energia hidráulica da Região Norte.
O mesmo processo não atingiu a Região Sudeste, que permanecia com uma economia marcadamente colonial, cuja produção ainda se fazia no interior da grande propriedade monocultora, voltada para o mercado externo e baseada na exploração do trabalho escravo.
Enquanto no Norte-Nordeste formava-se uma sociedade tipicamente industrial, dominada por uma forte burguesia, no Sul-Sudeste, a sociedade permanecia como que inalterada desde o Período Colonial.
Nos Estados Unidos, na realidade, abrigavam-se duas nações distintas - o Norte-Nordeste e o Sul-Sudeste - e do antagonismo entre os interesses o país passará por uma guerra civil, a Guerra de Secessão.

8. Fatores da Guerra


a) Desenvolvimento do Norte
O protecionismo alfandegário foi, certamente, fundamental para a eclosão da Guerra Civil Americana.
Os Estados do Norte, em processo de industrialização, reivindicavam altas tarifas de importação como mecanismo de manutenção de seu desenvolvimento, pois não conseguiam competir com os preços dos produtos ingleses. O Sul, por outro lado, dependia economicamente do Norte, exportando para lá parte de sua produção algodoeira e importando manufatura. Para sua sobrevivência defendia a liberdade de comércio, preferindo importar as manufaturados inglesas, de melhor qualidade e mais baratas do que as produzidas pelos Estados do Norte.
Além desse fato, os industriais ingleses poderiam deixar de comprar sua produção, caso optassem por dar apoio às propostas protecionistas dos industriais do Norte.

b) O Problema do escravismo
O problema da manutenção do escravismo encontrou seu campo de discussão, no nível político no Congresso, que, ao sintetizar as disputas políticas pela salvaguarda de interesses econômicos nortistas e sulistas, se dividiu entre abolicionistas e escravistas. Com o processo de expansão para o Oeste e a incorporação de novos Estados à União, as disputas acirraram-se em torno da questão abolicionista.
Ao Sul interessava que fosse livre a adoção do escravismo - assim o preço do escravo manter-se-ia elevado. O Norte defendia o abolicionismo em razão de pretender o crescimento do mercado consumidor e, ao mesmo tempo, obter mão-de-obra barata. Em 1820 o Missouri solicitou sua integração à União, gerando uma série de conflitos, pois a balança política passou a pender a favor dos sulistas.
Esses atritos levaram a se firmar o Acordo do Mississipi-Missouri, em 1820, que arbitrou a questão estabelecendo a incorporação do Missouri - Estado escravista - e a incorporação do Maine - Estado com mão-de-obra livre. O ponto de referência seria o paralelo 36 30', separando o trabalho livre (Norte) e o trabalho escravo (Sul). A incorporação da Califórnia, em 1849, como Estado livre, não obstante estar abaixo do paralelo 36 40', contribuiu para acirrar a polêmica, pois pelo Compromisso do Mississipi-Missouri, a Califórnia deveria ser escravista.
Um novo acordo foi firmado em 1850, o Compromisso Clay, definindo que caberia a cada Estado decidir sobre a continuidade ou não do escravismo. Em 1860, o Norte lança a candidatura de Abrahan Lincoln para a presidência. Lincoln, em relação ao escravismo tinha posições moderadas. Considerava que manter a União era mais importante do que a questão social dos negros. Depois de eleito chegou a pronunciar-se sobre a questão nos se guintes termos: "se pudesse salvar a União sem libertar nenhum escravo, eu o faria. Se pudesse salvar a União libertando os escravos,eu o faria".

c) A Questão Política
Desde a independência norte-americana coube aos grandes proprietários rurais sulistas e à burguesia nortista, através do Partido Democrata, o controle da vida política nacional. Em 1854, foi criado no Norte, o Partido Republicano, que continha em seu programa a intenção de lutar a favor do abolicionismo e manter a União, propostas que atraíram muitos políticos do Partido Democrata.
As eleições presidenciais de 1860, extremamente tensas, encontraram o Partido Democrata dividido em torno de dois candidatos, John Breckinridge e Stephen Douglas. O Partido Republicano uniu-se em torno da candidatura de Lincoln. O Partido da União Constitucional lançou um quarto candidato, John Bell. Lincoln vence o pleito e esse fato desencadeia a secessão.

d) A Eclosão da Guerra
Logo após a eleição de Lincoln, e não esperando a posse do presidente, a Carolina do Sul resolveu separar-se da União, arrastando consigo mais seis Estados. Formaram os Estados Confederados da América, sob a presidência de Jefferson Davis em 8 de fevereiro de 1861, com capital em Richmond, Virgínia.
As hostilidades começaram com o ataque da artilharia confederada, no dia 12 de abril de 1861, ao Forte Sumter, uma guarnição federal. Inicialmente as vitórias pertenceram aos sulistas. Mas, a correlação de forças foi tornando-se extremamente desigual à medida que se desenrolavam as batalhas. O Norte contava com o apoio de 25 Estados, uma população de cerca de 22 milhões de habitantes, uma economia industrial diversificada e uma marinha de guerra. O Sul obteve o apoio de 11 Estados, uma população de 9 milhões de habitantes, dos quais 4 milhões eram escravos, uma economia de base agrária o que o fez dependente de recursos exteriores para o desenvolvimento da guerra.
Durante os confrontos, Lincoln, para fortalecer os Estados Nortistas, extinguiu a escravidão e promulgou o Homestead Act,l862, - garantindo o apoio dos granjeiros e pioneiros interessados nas terras a Oeste. Ex-escravos, colonos e operários se incorporaram ao Exército da União, o que começou a reverter a guerra em favor do Norte, que passou a impedir a chegada de produtos europeus ao Sul, através de um bloqueio naval.
Em 6 de abril de 1865, o general Lee, comandante das tropas sulistas, pede os termos de rendição.

9. As consequências da Guerra

A vitória do Norte sobre o Sul decidiu definitivamente a questão da unidade nacional pelo fortalecimento da União. A sociedade urbana e industrial do Norte prevaleceu sobre a federação arrasando a sociedade agrária e aristocrática do Sul.
A grande propriedade cedeu lugar às pequenas e médias.
O escravismo foi suprimido, mas não encaminhou para uma solução da "questão negra"; apesar do direito de voto concedido, os negros continuaram marginalizados. Intensificaram-se as atitudes racistas com o surgimento de sociedades como a Ku-Klux-Klan, nascida em 1867.
Os mortos somaram 600.000. Em 14 de abril de 1865, Lincoln foi assassinado por John Wilkes Booth, um fanático do Sul.
Os Estados Unidos começavam a despontar como potência dentro da América.




Fonte: http://www.algosobre.com.br/historia/eua-no-seculo-xix.html

Os mitos por trás do zodíaco


O homem enxergou no céu referências para se orientar no tempo e no espaço. Viu também imagens que reproduziam os deuses e suas façanhas. Esse legado atravessou o tempo e está presente em nosso dia a dia

Texto Ricardo Muniz | Design Rodrigo Villas



A trajetória do Sol, as fases da Lua e a rotação do céu noturno foram as primeiras grandes referências que o homem descobriu e usou para se orientar no tempo e no espaço. A necessidade dessas referências cresceu há 10 mil anos, com o desenvolvimento da agricultura. E cresceria ainda mais no início das grandes navegações, nos séculos 15 e 16.

Mas foi há 3 mil anos que as civilizações do Crescente Fértil, a região atravessada pelos rios Nilo, Tigre e Eufrates (no Oriente Médio), esboçaram os primeiros estudos do céu - personificando fenômenos astronômicos na figura de deuses. Os sacerdotes da Mesopotâmia estabeleceram as constelações do zodíaco por volta do século 5 a.C. Elas não serviam para traçar o destino dos indivíduos em função da data de nascimento, como faria depois o horóscopo, mas para dar consultoria ao rei sobre a iminência de tempos difíceis.

A necessidade de referências, combinada à compulsão em dar sentido a tudo - incluindo o aparente caos celestial -, levou o homem a criar no firmamento, ligando estrelas com linhas imaginárias, um conjunto de imagens que simbolizam o enredo de alguns de seus mitos.



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O nome das constelações vem da mitologia grega - algumas delas, os helênicos herdaram de povos da Mesopotâmia. E nós herdamos deles. A de Aquário, por exemplo, lembra o sequestro de um jovem e belo troiano, Ganimedes, que foi obrigado a servir de copeiro no Olimpo. A titular da vaga era Hebe, deusa da juventude, filha de Zeus, mas ela largou o batente quando se casou com Hércules (herói que também ganhou uma constelação). Distraído enquanto se divertia com os amigos no monte Ida, Ganimedes foi raptado por Zeus, que estava de olho naquela beleza toda. Entre suas atribuições oficiais estava servir o néctar (a "água" da imortalidade) aos deuses. "Aquário", na Antiguidade, era o escravo responsável pela água - daí a constelação ser representada por um homem derramando líquido de um jarro.

Loteamento

A União Astronômica Internacional, fundada em 1919, na França, não se atreveu a abandonar todo o simbolismo que reina nas alturas quando a Délimitation Scientifique des Constellations loteou o firmamento em 88 grupos, em 1930. "Talvez alguém se incomode que, em pleno século 21, ainda façamos referência à mitologia quando falamos de constelações. Mas tudo é histórico. Tudo é cultural. São ‘causos’ que marcam a cultura ocidental", afirma Walmir Thomazi Cardoso, mestre em História da Ciência, doutor em Educação Matemática e professor do Departamento de Física da PUC-SP. "O arranjo que acabou por se consolidar presta uma homenagem às origens históricas da astronomia", avalia Marcelo Gleiser, professor de Física Teórica e Astronomia do Dartmouth College (EUA).

Os gregos antigos descreveram mais da metade dessas 88 constelações reconhecidas pela União Astronômica. Quarenta e oito delas foram registradas nos volumes 7 e 8 da Composição Matemática, a obra mais importante de Cláudio Ptolomeu (90-168), célebre astrônomo de Alexandria. Os volumes só foram resgatados do esquecimento graças à admiração e ao zelo dos árabes, que traduziram a Composição, batizando-a de Almagesto. O trabalho de Ptolomeu é fortemente influenciado pela obra de Eudóxio de Cnido, de aproximadamente 350 a.C. A essa natural transmissão de legado entre pensadores corresponde uma verdadeira corrida, de cultura para cultura, que marca o conhecimento astronômico que chegou até nós. Entre os séculos 16 e 18, astrônomos e cartógrafos celestes europeus, por sua vez, adicionaram novas constelações às 48 consolidadas por Ptolomeu. Em sua maioria, eram descobertas feitas pelos primeiros exploradores do Hemisfério Sul. Entre quem fez contribuições particulares para a nova safra estão os astrônomos Johannes Hevelius e Nicolas de Lacaille, os cartógrafos Houtman, Keyser, Mercator e Plancius e o navegador Américo Vespúcio. Lacaille, por exemplo, saiu batizando constelações, 14 ao todo, com as designações de aparelhos das ciências e das artes. Foi assim que ele prestou seus respeitos a itens como o forno químico, usado para destilação, e a máquina pneumática - sim, existe a constelação do Forno e a constelação da Máquina Pneumática.

O céu não é mais aquele

Mas o loteamento celeste que faz mais sucesso é o zodiacal, e aí não importa que a poluição atmosférica e o excesso de luzes urbanas tenham tornado difícil ver alguma coisa quando se olha para o céu noturno. Para chegar à divisão do zodíaco - 12 signos, de 30 graus cada um -, foram necessárias muitas observações precisas e uma aritmética elaborada. Os babilônios empregavam a numeração sexagesimal, mantida até hoje na divisão do círculo em 360 graus e na divisão do dia em 24 horas.

Por causa de um dos mais de 20 movimentos da Terra, chamado precessão, o eixo dos polos não aponta sempre para uma mesma estrela. Hoje o eixo mira Polaris, mas, na época dos egípcios, a estrela "polar" era Thuban - e daqui a 12 mil ou 13 mil anos será Vega. Como a nomenclatura atual das constelações do zodíaco foi codificada há 2 mil anos, o céu já mudou. E o zodíaco de hoje é ligeiramente diferente.Previsivelmente, o pensamento científico repudia a devoção persistente ao horóscopo - o que pouco se reflete no grande público consumidor das previsões para seus signos.

Ainda assim, ai de quem ousar mexer no horóscopo. Parke Kunkle, da Sociedade Planetária de Minnesota, apareceu no início deste ano falando em precessão, que os signos astrológicos não correspondem ao lugar real das coisas na abóbada celeste... E ainda por cima atreveu-se a afirmar que deveria haver um novo signo (ofiúco, ou serpentário). Kunkle foi alvo da ira planetária do numeroso e antiquíssimo fã-clube do horóscopo.


Fonte: Aventuras na História

Guerrilha do Caparaó



Por Antonio Gasparetto Junior

A Guerrilha do Caparaó foi um importante movimento armado de contestação ao regime militar no Brasil.



Com a ascensão do governo ditatorial militar no Brasil em 1964, formaram-se vários grupos de contestação ao regime. Geralmente, esses grupos eram dotados de referências que seguiam a ideologia socialista. Na ocasião, o mundo encontrava-se polarizado entre capitalismo e socialismo no embate conhecido como Guerra Fria. O governo brasileiro havia assumido uma posição clara de alinhamento com o capitalismo estadunidense e de oposição às manifestações orientadas pela ideologia socialista.

Um dos grupos de contestação ao regime vigente na década de 1960 foi o chamado Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR). A origem deste movimento aconteceu em Montevidéu, capital do Uruguai, local onde os militantes receberam apoio financeiro de Cuba, único país das Américas alinhado com o socialismo soviético na época. Uma importante figura nessas negociações de apoio foi o político brasileiro Leonel Brizola, que recebeu sustento de alguns ex-militares brasileiros. Esse relacionamento entre o MNR e o governo cubano funcionou muito bem durante algum tempo, porém Cuba preferiu apoiar o militante revolucionário Carlos Marighella, suspendendo a ligação com o MNR.

O Movimento Nacionalista Revolucionário foi responsável por articular a Guerrilha do Caparaó. A ação foi coordenada para ocorrer na serra do Caparaó, localizada na divisa dos estados de Minas Gerais com Espírito Santo, tendo como inspiração o modelo de guerrilha que havia sido praticado em Sierra Maestra. O movimento ocorreu no Brasil entre 1966 e 1967. Inicialmente, a guerrilha era financiada pelo governo cubano, mas com a suspensão do auxílio, seus integrantes passaram a enfrentar dificuldades agudas. Foi preciso começar a roubar e abater animais variados para alimentação, chamando, assim, a atenção da polícia. Os serviços de inteligência do governo investigaram a fundo o movimento e o repreenderam no ano de 1967 através da ação da Polícia Militar de Minas Gerais. Quando o governo brasileiro agiu, os guerrilheiros já estavam em posição desfavorável e, praticamente, não foi necessário disparar nenhum tiro. Os vinte guerrilheiros foram aprisionados facilmente e alguns moradores da região também foram levados para investigação.

Com a desarticulação a guerrilha, as Forças Armadas brasileiras tentaram criar a imagem de criminosos comuns, desqualificando os guerrilheiros como revolucionários. Entretanto a polícia mineira provou que se tratavam de ex-militares. O exército e as Forças Aéreas se uniram, então, em uma grande operação para caçar outros guerrilheiros que pudessem ter restado escondidos na serra. Ninguém foi encontrado, mas a operação foi uma grande demonstração de poder do exército brasileiro para desencorajar outros grupos revolucionários espalhados pelo país.

A Guerrilha do Caparaó acabou antes mesmo de entrar em ação efetiva. Os guerrilheiros permaneceram por meses na Serra do Caparaó desenvolvendo treinamento financiado por Cuba. As dificuldades enfrentadas com o fim do financiamento cubano deixou os guerrilheiros em situações complicadas e a população, assustada, denunciou o movimento.

Fontes:
http://www.ufjf.br/lahes/files/2010/03/c1-a57.pdfhttp://www.revistadehistoria.com.br/secao/livros/caparao-a-primeira-guerrilha-contra-a-ditadura

Movimento Nacionalista Revolucionário



Por Antonio Gasparetto Junior

Movimento Nacionalista Revolucionário foi uma organização brasileira de esquerda com objetivos de introduzir o socialismo no Brasil.



O Movimento Nacionalista Revolucionário foi criado no início da década de 1960 para ser uma organização armada e ilegal com a intenção de fazer do Brasil um membro do então existente Bloco Comunista. Ou seja, com o advento daGuerra Fria que polarizou o mundo entre capitalismo e comunismo, os revoltosos desse grupo se espelhavam no exemplo de Cuba, que foi o primeiro país do continente americano a assumir o sistema socialista, para tentar alterar a orientação ideológica vigente no Brasil. O grupo de revolucionários era liderado por Jefferson Cardim de Alencar Osório e recebia o apoio financeiro de Cuba, representante direto da União Soviética nas Américas. A relação entre o grupo revolucionário brasileiro e o governo cubano começou em território uruguaio, em Montevidéu, onde os brasileiros eram treinados e instruídos com táticas de guerrilha para lutar pela revolução.

O Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) seria o pioneiro na luta armada no Brasil com o início de suas atividades datando de janeiro de 1965. A primeira ação desse grupo revolucionário ocorreu na serra gaúcha e os envolvidos conseguiram dominar cinco cidades que eram mantidas pelas forças de repressão do nascente regime militar que se instalara no Brasil no ano anterior. Outras investidas vieram que nem foram consideradas como subversivas, mas que pretendiam dominar localidades estratégicas para o objetivo socialista. Sem dúvida, a movimentação mais famosa desse grupo revolucionário e que realmente chamou a atenção do governo brasileiro para agir em repressão ocorreu na Serra do Caparaó. No ano de 1967, os guerrilheiros se reuniram em tal localidade, que se encontra na divisa dos estados de Minas Gerais com Espírito Santo, para treinamento amparado e financiado por Cuba. De lá pretendiam expandir a revolução pelo sudeste, mas os cubanos suspenderam o patrocínio, o que deixou os integrantes do movimento em situações precárias. Foi preciso realizar assaltos e matar animais para que pudessem sobreviver. A população que vivia em volta, assustada, logo denunciou a organização dos revoltosos na região e o governo brasileiro interveio para resolver a situação. Os revoltosos foram todos presos e o movimento facilmente liquidado antes mesmo de qualquer ação.

O que restou do Movimento Nacionalista Revolucionário nos anos seguintes fundiu-se com a Organização Revolucionária Marxista Política Operária (POLOP) e uma parte dos integrantes, que decidiu persistir no movimento inicial, acabou dando origem à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Esses grupos foram responsáveis por diversas ações urbanas, como assaltos e sequestros, realizadas com o intuito de se arrecadar recursos para a causa revolucionária.

Fontes:
http://www.movimentorevolucionario.org/nacional.html

China Antiga



Por Araújo, A. Ana Paula de


Origens da Civilização Chinesa

Sendo parte de uma das mais antigas civilizações conhecidas, o Império Chinês já existia antes mesmo da ascensão de Roma no mundo antigo, e perdurou mesmo após a queda do Império Romano. Sua cultura influenciou vários países vizinhos como o Japão e a Coréia, sobrevivendo até a atualidade com muitos de seus costumes culturais.

Além de terem sido responsáveis pela descoberta da pólvora e pelas invenções do papel e da bússola, segundo economistas, a China tem grandes chances de se tornar futuramente uma das maiores economias do mundo, se não a maior, posição que é ocupada atualmente pelos EUA.

Foi na China que foram encontrados os vestígios fósseis do “Homem de Pequim” ou, cientificamente falando, Homo erectus pekinensis, que é um dos mais antigos fósseis pertencentes à espécie humana. Esse provável antepassado teria vivido há mais de 400 mil anos e andava ereto.

No leste da China encontram-se dois rios, o Yang-Tsé-Kiang e o Huang-Ho, também conhecido como rio Amarelo. Este segundo foi o responsável pelo desenvolvimento da agricultura e o surgimento de cidades na região. Ele se torna muito raso e arenoso durante as secas, e após as chuvas ele se enche e cobre as planícies. Esta dinâmica irrigava as terras e os camponeses podiam plantar na época em que estavam secas.

Acreditava-se que neste território teria se dado o início de toda a civilização chinesa, mas recentemente as pesquisas revelaram aos historiadores que este foi apenas um dos centros de difusão que deu origem à civilização chinesa.
Dinastias Chinesas

A China foi governada por diferentes linhagens de reis e imperadores, devido a isso, costuma-se dividir a história da China Antiga baseando-se nos períodos de governo de cada dinastia.

As cinco primeiras dinastias chinesas foram:
1. Dinastia Xia, 2205-1818 a.C.

A existência dessa dinastia é controvérsia entre os historiadores, de modo que não se sabe ao certo se ela realmente existiu.
2. Dinastia Shang, 1500-1050 a.C.

Apesar de alguns historiadores duvidarem da existência dessa dinastia, algumas descobertas arqueológicas recentes comprovaram a sua existência. Foram encontrados objetos de bronze, inscrições em ossos e cascos de tartaruga e sepulturas. Os escritos encontrados referentes ao período da dinastia Shang são considerados os mais antigos registros escritos da história da China.
3. Dinastia Zhou, 1050-256 a.C.

Os Zhou derrubaram os Shang e assumiram o poder. Eram de uma poderosa família e tinham o costume de distribuir terras aos seus aliados. Eram apoiados por famílias nobres e ricas, e cada uma destas famílias governava uma província.

Com o passar do tempo e o crescimento destas províncias, a China acabou sendo dividida em sete principados. Em pouco tempo, eles entraram em guerra entre si, período conhecido como “Época dos Estados Guerreiros”, guerra esta que foi vencida pelo primeiro reino de Qin.
4. Dinastia Qin, 221-207 a.C.

O rei de Qin, após vencer a dinastia Zhou, conquistou um território após o outro e fez crescer o seu reino. Chegou ao ponto de conquistar quase toda a China e ganhou o título de “primeiro rei de Qin”. Qin tornou-se o fundador do Império Chinês e estabeleceu pela primeira vez um Estado unificado.
5. Dinastia Han, 206 a.C. – 220 d.C.

Aproveitando-se da morte do imperador e da crise política no país, Liu Bang tomou o poder e deu início à dinastia Han. Esta dinastia se caracterizou por tentar comprar aliados vizinhos através de presentes como tecidos de seda, espelhos de bronze, perfumes, jóias, etc.

Nesta época os chineses se consideravam o centro do mundo, chegando a chamar seu país de “Império do Meio”.

Durante esta dinastia, a China teve um grande aumento da população e muitos avanços técnicos como a invenção do carrinho de mão e do moinho movido a água.

Apesar disso, os camponeses continuavam vivendo sob condições precárias, o que causou violentas revoltas camponesas no início da Era Cristã. Estas revoltar contribuíram para o enfraquecimento do Império chinês, trazendo ao fim a dinastia Han. A partir de então, o Império da China se dividiu em três reinos: Wei, Wu e Shu, que duraram do ano 220 ao ano 265 da Era Cristã.

Fontes:
http://educacao.uol.com.br/historia/china-antiga-1-o-rio-amarelo-e-as-origens-da-civilizacao-chinesa.jhtmhttp://educacao.uol.com.br/historia/china-antiga-2-as-cinco-primeiras-dinastias-chinesas.jhtm