Livros Grátis de Michel Foucault para download
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Doença Mental e Psicologia (1954)
História da loucura na idade clássica (1961)
Nascimento da clínica (1963)
As palavras e as coisas (1966)
Arqueologia do saber (1969)
Vigiar e punir (1975)
História da sexualidade:
A vontade de saber (1976)
O uso dos prazeres (1984)
O Cuidado de Si (1984)
Ditos e escritos (2006)
Teorias e instituições penais (1971-1972)
A sociedade punitiva (1972-1973)
O poder psiquiátrico (1973-1974)
Os anormais (1974-1975)
Em defesa da sociedade (1975-1976)
Segurança, território e população (1977-1978)
Nascimento da biopolítica (1978-1979)
Microfísica do Poder (1979)
Do governo dos vivos (1979-1980)
Subjetividade e verdade (1980-1981)
A hermenêutica do sujeito (1981-1982)
Le gouvernement de soi et des autres (1983)
Le gouvernement de soi et des autres: le courage de la vérité (1984)
A Verdade e as Formas Jurídicas (1996) – trata-se de conjunto de conferências prounuciadas em 1973.
A ordem do discurso (1970)
O que é um autor? (1983)
Coleção Ditos e escritos (6 livros, 2006)
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Sobre Michel Foucault
Michel Foucault foi um importante filósofo e professor da cátedra de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France desde 1970 a 1984. Todo o seu trabalho foi desenvolvido em uma arqueologia do saber filosófico, da experiência literária e da análise do discurso. Seu trabalho também se concentrou sobre a relação entre poder e governamentalidade, e das práticas de subjetivação. Em 1954, Foucault publicou seu primeiro livro, a “Doença mental e personalidade”, um trabalho encomendado por Althusser. Rapidamente se tornou evidente que ele não estava interessado em uma carreira de professor, de modo que empreendeu um longo exílio da França. Porém, no mesmo ano, ele aceitou uma posição na Universidade de Uppsala, na Suécia como professor e conselheiro cultural, uma posição que foi arranjada para ele por Georges Dumézil, que mais tarde se tornou um amigo e mentor. Em 1958, ele saiu da Suécia para Varsóvia.
Foucault voltou à França, em 1960, para concluir a sua tese e uma posição em filosofia na Universidade de Clermont-Ferrand, a convite de Jules Vuillemin, diretor do departamento de filosofia. Foi colega de Michel Serres.
Em 1961, doutorou-se com a tradução e uma introdução com notas sobre “Antropologia do ponto de vista pragmático”, de Kant orientado por Jean Hyppolite. Sua tese intitulada “História da loucura na idade clássica”, foi orientada por Georges Canguilhem.
Na época, ele estava interessado na epistemologia da Medicina e publica nesta área, “Nascimento da clínica: uma arqueologia do saber médico” além de uma reedição de seu livro de 1954 (no âmbito de um novo título, “Doença e psicologia mental”).
Na sequência da atribuição de Defert para a Tunísia, para o período de serviço militar, Foucault se mudou para lá também e tomou uma posição na Universidade de Túnis, em 1965. Em janeiro, ele foi nomeado para a Comissão para a reforma das universidades estabelecido pelo Ministro da Educação da época, Christian Fouchet, no entanto, um inquérito sobre a sua privacidade é apontado por alguns estudiosos como a causa de sua não-nomeação.
Em 1966 ele publicou As Palavras e as Coisas, que tem um enorme sucesso imediato. Ao mesmo tempo, a popularidade do estruturalismo está em seu auge, e Foucault rapidamente é agrupado com estudiosos e filósofos como Jacques Derrida, Claude Lévi-Strauss e Roland Barthes, então visto como a nova onda de pensadores contrários ao existencialismo desempenhado por Jean-Paul Sartre. Inúmeras discussões e entrevistas envolvendo Foucault são então colocadas em oposição ao humanismo e ao existencialismo, pelo estudo dos sistemas e estruturas. Foucault, logo se cansou do o rótulo de “estruturalista”. O ano de 1966 é uma emoção sem igual na área de humanas: Lacan, Lévi-Strauss, Benveniste, Genette, Greimas, Dubrovsky, Todorov e Barthes publicam algumas das suas obras mais importantes.
Foucault ainda está em Túnis, durante os acontecimentos de maio de 1968, onde ele estava profundamente envolvido com a revolta estudantil na Tunísia, no mesmo ano. No outono de 1968, ele retornou à França e publicou “A arqueologia do saber”, como uma resposta a seus críticos, em 1969. Morreu devido à aids em 1984.
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Fonte: http://www.sobrehistoria.org/livros-gratis-de-michel-foucault-para-download/
9.2.14
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O comercio no Império Romano
Mario Curtis Giordani
A pax romana favoreceu, sobremaneira, o desenvolvimento das relações comerciais. «Especialmente desde que o Império deu ao mundo uma época de paz, e as províncias alcançaram o zénite do seu desenvolvimento, caíram as barreiras que antes separavam entre si os países, e a plena liberdade do tráfico pôde trazer seus benefícios. Sob o cetro daqueles magníficos imperadores, o Mediterrâneo converteu-se em um lago latino, no qual se dava um intercâmbio universal de cultura, tanto na ordem espiritual como mercantil».
Convém, entretanto, chamar a atenção desde logo para o fato de que, em Roma, predominava de longe a importação sobre a exportação.
Com exceção de alguns produtos, como o azeite e o vinho, os romanos viram-se na contingência de importar a maioria dos artigos de consumo.
Tal fato tomou a balança mercantil de Roma passiva e fez que «a prosperidade da Itália se perdesse apesar dos tesouros que afluíam para ela».
As mercadorias chegavam a Roma ou circulavam pelo Império por via terrestre ou marítima.
Augusto levantara no Forum um marco recoberto de bronze dourado (milliarium aureum) no qual se liam, em milhas, as distâncias que mediavam entre a Capital e as principais cidades do Império.
Os imperadores haviam dedicado especial atenção à construção de rodovias, especialmente nas províncias. Funcionários (curatores viarum) com a obrigação específica de zelar pelas estradas foram designados pelos imperadores. Um olhar pelo mapa do Império revela-nos os seguintes sistemas rodoviários.
Sistema Gaulês — devido a Agripa, no reinado de Augusto. A via Claudia-Julia-Augusta atravessava os Alpes no Brenner.
Sistema Espanhol — realização de Augusto, de Trajano e de Adriano.
Sistema Britânico — obra de Adriano; o nó desse sistema era
Londres.
Sistema Balcânico — construído por Trajano.
Sistema Africano — obra de Tibério e de Adriano.
Sistema Asiático — de grande importância, mas um tanto abandonado.
Os imperadores empenharam-se também no desenvolvimento da navegação.
Calígula e Nero pensaram em cortar o istmo de Corinto.
Trajano restaurou o antigo canal que ligava o Nilo ao Mar Vermelho. Faróis foram construídos em diferentes locais e é curioso notar que o farol edificado em Boulogne (Pas-de-Calais), na época de Calígula, permaneceu em uso até o século XVII.
O Mediterrâneo é a grande via marítima. O Mar Vermelho (viagens para a índia) e o Canal da Mancha (após a conquista da Grã-Bretanha) foram também muito freqüentados.
Ostia era o grande porto marítimo de Roma e mereceu cuidados especiais dos imperadores, de Cláudio a Trajano. Do porto marítimo as mercadorias eram transportadas em pequenas embarcações através do Tibre para os portos fluviais de Roma, onde as esperavam «as refinadas exigências e o apetite cotidiano de uma população imensa e, ainda mais, o insaciável apetite financeiro de uma nuvem de mercadores e homens de negócios».
Na zona comercial estavam os grandes depósitos de sal (salinae), os grandes mercados do Velabrum (onde se encontravam enormes quantidades de azeite, vinho, queijo e outros alimentos), do Forum Boarium (mercado de carnes), do Forum Holitorium (mercado de ervas), e do Forum Cuppedinis (mercado de gulodices).
Enormes armazéns (horreae) continham as mais variadas mercadorias, desde tochas e velas até rolos de papiro e cadernos de pergaminho.
— Enquanto nas margens do Tibre se efetuavam os grandes negócios, nos prolongamentos das ruas do Forum (Via-Sacra, Vicus Tuscus, Vicus Iugarius), nos bairros de Argiletum e de Suburra desenvolvia-se intenso o pequeno comércio de lojas.
Note-se de passagem que a Via Sacra era a principal e mais antiga rua do Forum; dela saíam as duas ruas centrais Vicus Tuscus e Vicus Iugarius.
Na Via Sacra alinhavam-se casas particulares e inúmeras pequenas casas de negócio.
No Vicus Tuscus se vendiam aromas e pimentas, no Argiletum predominavam os sapateiros e livreiros.
Esta fraternal promiscuidade do livro com os sapatos, comenta Paoli, «chega a causar-nos desgosto; porém, como assim sucedia, não há razão para não dizer as coisas como eram e, além disso, tal fato se explica quando pensamos que livreiros e sapateiros trabalhavam na pele curtida».
A Suburra era um bairro em que predominava a gente humilde e onde os escravos e os pobres iam fazer compras.
Após essas brevíssimas indicações sobre o movimento comercial na Roma dos Césares, passemos ao estudo das principais mercadorias que das províncias e de longínquas regiões, por terra e por mar, chegavam até as margens do Tibre.
Observe-se, desde logo, que o comércio interno, realizado entre as províncias dentro das próprias fronteiras do Império, era de muito maior importância para o desenvolvimento econômico do que o comércio externo com países exóticos e distantes.
O aumento desse comércio interno, anota Rostovtzeff, foi constante.
«Os semitas -— sírios, judeus e arameus — tomaram-se seus membros mais destacados. O transporte entre as províncias era fácil — pelo Mediterrâneo e em seguida pelos rios e estradas, até as regiões mais distantes. No fim do século III da era cristã, o Imperador Diocleciano divulgou uma tarifa ou lista dos preços fixados para as mercadorias destinadas às províncias orientais, mas incluindo grande número de produtos do Ocidente, especialmente os da Gália.
O comércio era estimulado também pelas taxas alfandegárias moderadas,
que variavam de 2 a 2,5% nas fronteiras de cada província. Isso representava um grande progresso sobre a época em que cada cidade grega ou reino helénico extorquia pesados impostos de todo comerciante que penetrasse seu território».
Das ricas minas da Espanha provinham ouro, prata, ferro, cobre, chumbo, estanho e mercúrio.
Além dessa matéria-prima, a península ibérica fornecia também o óleo e apreciadas lãs de cor vermelho-escura.
No século II o chumbo da Grã-Bretanha, de mais fácil exportação que o da Espanha, concorreu com este. A Gália também exportava ferro. O ouro do subsolo da Dácia foi uma das causas da conquista dessa região por Trajano.
Das Cassitéridas Roma importava estanho, da África recebia trigo, ouro, marfim e pedras preciosas. As feras do Atlas constituíam objeto de atração das multidões que freqüentavam o Coliseu.
A Gália exportava madeiras, tecidos de lã e, através da antiga Massilia, toucinho e carnes salgadas.
A Itália abastecia a capital do Império com materiais de construção (telhas e tijolos) e, sobretudo, com alimentos, como legumes, frutas, vinhos, etc...
«Os países orientais abasteciam a capital com o famoso vinho da Grécia, os habitantes de Quios e Lesbos, com mel, galinhas, ostras e outros artigos. Paros e Frigia forneciam seus mármores, que em forma de gigantescos blocos e colunas foram empregados em magníficas construções. As cidades industriais e mercantis de Leste acusaram na época romana um deslocamento quanto à sua influência mercantil.
Corinto, como praça mercantil em grande escala, feita também para a voluptuosa vida do prazer, manteve sua antiga importância, mas a maior parte das cidades gregas foi decaindo paulatinamente, e até mesmo Atenas, afastada então das grandes vias mercantis, não exercia outra atração que a de ser metrópole intelectual do mundo. Na costa da Ásia Menor, continuaram sendo Éfeso e Esmima portos muito freqüentados, mas Rhodes superou-os, tendo sido seus cais e estaleiros muito elogiados pelos escritores clássicos».
Na Germânia, os romanos adquiriam peles, cabeleiras louras, produtos agrícolas e, sobretudo, cavalos domados na Turíngia, «de grande resistência, apesar do seu pequeno tamanho e má figura».
Da Escandinávia procedia o âmbar, o cobiçado «ouro do Norte», muito usado nos ornamentos femininos e nas incrustações feitas em armas e em utensílios de caça.
O comércio de Roma com o Egito merece menção especial, não só por causa dos produtos da antiga terra dos faraós como também porque Alexandria constituía um entreposto importantíssimo de mercadorias provenientes do Oriente.
O Egito produzia o suficiente para a sua manutenção e para a exportação.
As embarcações desciam o Nilo carregadas de trigo que seria transportado por navios a Putéoli e Ostia. E ’ curioso notar que o regime de ventos dominante obrigava esses navios a passarem por Chipre, pelo norte da Síria, pelo sul da Ásia Menor, antes de encontrarem do lado de Creta uma rota mais direta para a Itália.
Além do trigo, o Egito produzia e exportava folhas de papiro, que substituíam o então desconhecido papel, tecidos de fino linho, objetos de cristal («ao ponto de os artísticos cristais de Alexandria, com sua grande riqueza cromática, serem mais estimados nas mesas dos patrícios romanos que os vasos de prata ou de ouro»), bálsamos, incensos e, finalmente, trabalhos em granito, mármore e pórfiro.
As atividades comerciais fizeram de Alexandria uma potência econômica e o maior porto do Império.
Neste gigantesco porto «reuniam-se barcos de todos os tamanhos e espécies, desde o pequeno e levíssimo veleiro até o bojudo barco de carga. No cais, os exóticos trajos das tribos africanas e asiáticas ofereciam um quadro interessante. Como na época imperial os partos, furiosamente combatidos, fecharam a antiquíssima via que conduzia, por terra, para o Leste, apresentara-se a necessidade de fomentar o comércio marítimo com a Índia. Na época de Estrabão, cada ano cerca de 150 naves viajavam para a costa de Malabar. De Alexandria partia a rota que subia o Nilo até os Coptas, águas abaixo de Tebas; daí as mercadorias eram conduzidas a lombo de camelo até Berenice (na região da atual Suakin), de onde se prosseguia a viagem para a Índia pelo Mar Arábico. Na ilha de Ceilão, encontravam-se com os empreendedores, mercadores hindus, árabes e chineses, para o intercâmbio de produtos».
Um dos aspectos curiosos da vida econômica de Roma são suas relações com o longínquo Oriente. Estrabão e Plínio, o Antigo, nos fornecem interessantes dados, mas, ao lado das importantes contribuições da Arqueologia, Papirologia e Epigrafia, o texto essencial para
o estudo das supracitadas relações é o Periplus Maris Erythiaei. Esta obra, comparada por uns aos portulanos, por outros à narrativa - de Marco Polo, é «menos seca que os primeiros e menos saborosa que a segunda». Seu autor, um anônimo mercador grego do Egito, tê-lo-ia escrito na época de Nero ou, em todo o caso, na segunda metade do primeiro século.
«Os dezoito primeiros parágrafos nos levam ao longo do litoral africano desde Myos Hormos até um ponto situado um pouco ao sul de Zanzibar; os parágrafos dezenove a sessenta levam um pouco ao norte de Pondichéry e o autor enumera cuidadosamente as mercadorias que podiam ser carregadas ou descarregadas em cada porto. Os seis últimos parágrafos se contentam em dar indicações sobre as regiões mais distantes: o delta do Ganges, a península de Malaca, a China... e Ceilão que os navios não parecem tocar normalmente.
A ponta sul da península indiana era difícil de contornar e o estudo das moedas encontradas prova que se cortava por terra a partir de Muziris (Cranganore, do lado de Cochin)».
No parágrafo quarenta e nove do «Périplo» encontramos curiosas informações sobre o comércio em Barygaza, atual Broach, situada a cerca de trezentos quilômertos ao norte de Bombaim.
«Neste entreposto vendem-se vinhos, sobretudo da Itália, mas também de Laodicéia e da Arábia, cobre, estanho e chumbo, coral e crisólita, vestes finas e diversas outras de qualidade inferior, cintos de tecido bordado da largura de um côvado, resina, meliloto, vidro não trabalhado, arsênico, antimônio, moedas de ouro e de prata, que têm preferência sobre a moeda local, perfume barato em pequenas quantidades.
Ao rei levam-se nessas regiões prataria de valor, escravos musicistas, belas moças para o harém, vinho escolhido, vestes caras e finas, perfumes da primeira qualidade. Importavam-se desses lugares nardo, goma, marfim, ônix, porcelana, abrunheiro, todas as qualidades de tecidos de algodão, seda, fazendas cor de malva, linha, pimenta de sabor picante, e tudo o que é importado dos outros entrepostos.
A boa época para partir do Egito com destino a este entreposto se situa por volta do mês de julho, que equivale ao mês de Epeiph».
Anteriores ao «Périplo» são as informações de Estrabão (que esteve no Egito por volta de 25 a.e.c.) sobre o comércio com o Oriente. «Recentemente os romanos fizeram uma expedição armada à Arábia Feliz, sob a chefia de meu amigo Aelius Gallus».
A seguir, o famoso geógrafo menciona o envio por negociantes de Alexandria de frotas pelo Nilo e o Golfo Arábico até a Índia.
E mais adiante: «Quando Gallus era prefeito do Egito, subimos com ele até Siene e as fronteiras da Etiópia e ficamos cientes, por indagações, de que 120 navios partiam anualmente de Myos Hormos para a índia, quando, antes, sob os Ptolomeus, só poucas pessoas ousavam navegar para importar a mercadoria indiana».
As viagens marítimas para a Índia tornaram-se mais seguras e fáceis no reinado de Tibério com a descoberta das monções por um negociante grego chamado Hippalus. «Este homem notável havia observado que a Índia formava uma península que avançava ao sul no vasto mar Eritreu. Em suas navegações de cabotagem, tinha feito um levantamento correto da forma do que chamamos, hoje, Mar de Oman e se fizera uma idéia dos portos indianos. Sabia, ainda, que, de maio a outubro, um vento marinho soprava com regularidade do sudoeste, enquanto que de novembro a março, também regularmente, soprava do nordeste. Com esses dados na mente, Hippalus, num dia de verão, fez-se audaciosamente ao mar, seguindo o litoral árabe com a brisa de sudoeste por trás; não arribou a nenhum porto árabe, salvo Aden, então sem importância, e, afastando-se da costa além de Ras Fartak, aproou para o mar alto. Suas teorias estavam certas, pois atingiu a Índia nas proximidades da foz do Indo. Muitas viagens executadas nessas condições por Hippalus ou por seus imitadores, conduziram-nos diretamente à Índia, em pontos situados entre o Indo e o Golfo de Cambay. Os negociantes faziam a viagem de volta no inverno, utilizando para isso a brisa do nordeste. Hippalus tornou-se célebre. Seu nome foi dado à monção do sudoeste, a um
cabo no litoral da África e a uma parte do Mar de Oman»."
Um texto de Plínio, o Antigo (H. N. VI, 24), revela-nos que, no reinado de Cláudio, o liberto de um certo Annius Plocamus, arrendatário dos direitos alfandegários no Mar Vermelho, ao fazer uma viagem, foi surpreendido por uma monção e arrastado durante quinze dias, até Taprobana (Ceilão), de onde regressou após seis meses.
A estada do liberto em Ceilão parece ter despertado interesse dos nativos, pois um rei da ilha enviou uma embaixada ao Imperador Cláudio chefiada por um «Rachias», isto é, por um Rajá.
A História, aliás, anota outras embaixadas orientais. Augusto recebeu duas missões hindus: uma em Tarragona (25 a.e.c.) e outra na ilha de Samos (20 a.e.c.).
Receberam, igualmente, enviados da Índia os seguintes imperadores: Cláudio, Trajano, Adriano, Antonino Pio, Setímio, Heliogábalo, Aureliano e Constantino.
Segundo os documentos chineses,19 em outubro de 166, uma «embaixada» (missão comercial) enviada por Antum (Marco Aurélio) foi saudar o imperador Huan-Ti.
Os presentes levados pelos comerciantes foram considerados pelos chineses como «tributo». Outras visitas de súditos do Império Romano são registradas em documentos chineses: uma em 226 a.e.c., e outra em 284. O Império Romano era designado com o nome de Ta-Ts’in e a cidade de Alexandria com o de Chi’ih-San.
As descobertas arqueológicas confirmaram as relações comerciais entre o Império Romano e o Oriente distante.
No vale do Ganges, na região de Benares, foram encontradas moedas romanas do século III d.e.c.
Mais importantes, como indícios de relações comerciais, são as moedas encontradas no Pendjab, as quais remontam a épocas diferentes.
A região onde se encontrou maior número de moedas foi a de Madras.
Confrontados esses achados com os de Misora e os de Cochin, verifica-se uma preferência, primeiramente, pelos denarii de Augusto e de Tibério; depois, pelos aurei que se prolongam até o século III.
«Tudo se passa como se, sob Cláudio ou pouco depois, à procura de denários houvesse sucedido a de aurei».
Convém aqui fazer uma observação curiosa: «Na realidade, exceção feita do Pendjab, a moeda romana possuía duas finalidades: ornar ou ser empregada como metal». A moeda romana era, pois, uma mercadoria como qualquer outra e, portanto, um artigo de importação.
Os romanos não possuíam artigos de exportação que pudessem contrabalançar as importações do Oriente e, assim, estavam obrigados a remeter grande quantidade de moedas que eram recebidas mais como metal precioso para ser aproveitado na fabricação de objetos de luxo que propriamente como dinheiro.
Compreende-se, assim, que as pedras, como rubis, safiras e diamantes, provenientes do país alto do Dekan, as pérolas do Golfo Pérsico e de Ceilão que ornavam as damas de Roma, contribuíssem poderosamente para o esvaziamento das arcas romanas: Tibério já se mostrava preocupado com a soma fabulosa que era dispendida para pagar o luxo e a elegância da alta sociedade. «Foi em vão que ele pretendeu sustar este êxodo, pois nada sobre a terra pode impedir uma mulher de usar o que ela quer, seja qual for o artigo ou seu preço, nem limitar o número de pérolas que ela ata ao pescoço».
Plínio, o Antigo (VI, 101), nos dá duas indicações sobre o montante dessas despesas. Segundo o autor da História Natural, a índia recebia anualmente 50 milhões de sestércios em troca de mercadorias vendidas em Roma pelo cêntuplo do valor.
Em outro local, o mesmo autor afirma que, «de acordo com a avaliação mais baixa, é de 100 milhões de sestércios o que a Índia, os Seres e a Arábia subtraem a nosso Império», acrescentando: «Tão caro nos custa o luxo das mulheres» (XII, 84).
«Se as cifras dadas foram conservadas corretamente nos manuscritos, o tráfico da Índia representaria, então, a metade total do comércio oriental; mas a propósito dessas cifras, Charlesworth escreveu:
«Essas cifras são correntemente aceitas como verdade do Evangelho, mas eu me interrogo, às vezes, com espanto, como Plínio teve conhecimento das mesmas».
Medidas, Moedas e Bancos. — Com relação à metrologia, observemos que nem sempre podemos conhecer com exatidão as medidas romanas pois as mesmas variavam bastante de acordo com a época.
Nas transações comerciais eram utilizadas, preferencialmente, as medidas de capacidade.
«A maior parte dos gêneros se vendia por medidas de capacidade e até a carga dos navios se calculava em ânforas». “
A ânfora romana (um pé cúbico) ( quadrantal ou vas pedis quadrati undique) era a unidade de medidas para líquidos e equivalia a pouco mais de 26 litros.
Os submúltiplos da ânfora eram a urna (% ), o congius (Vs), o sextarius (1/48), a hemina (1/96), o quaternarius (1/192), o acetabulum (1/384) e o cyatus (1/576).
O culeus equivalia a vinte ânforas. Os cereais e outros sólidos eram medidos pelo modius, que equivalia a Vs de ânfora ou quase 9 litros. As medidas de peso, os romanos usavam o sistema duodecimal, mais prático que o decimal, pois que, enquanto este apenas permite três divisões (2,5 e 10), aquele admite cinco (2,3,4,6 e 12).
A libra era a unidade das medidas de peso e equivalia a pouco mais de 327 gramas. A uncia (onça) era um submúltiplo da libra e equivalia a 1/12 da mesma, ou seja, cerca de 27 gramas.
Já vimos que, primitivamente, o gado era considerado uma unidade de valor (pecus: gado, daí pecunia: dinheiro). O cobre bruto (aes rude) substituiu o gado, mas devia, naturalmente, ser pesado (pagar e pesar eram expressos pelos latinos por uma só palavra: pendere).
Em data desconhecida, os lingotes de cobre recebem um sinal representando um animal (aes signatum).
A moeda primitiva se fixou o peso de uma libra, de onde o nome de As libralis, cujo péso real era de 10 onças ou cerca de 272 gramas.
Note-se que na época republicana o As sofreu várias reduções do peso.
Poucos anos antes da primeira guerra púnica (em 269 a.e.c. segundo Plínio, em 268, segundo Tito Lívio e outros historiadores) os romanos começaram a cunhar as primeiras moedas de prata.
«A unidade monetária da cunhagem da prata é o escrópulo, do peso de 1,1378: gramas.
Teoricamente o denário era o peso de 1/72 da libra romana (de 327 gr), que, por sua vez, era o peso da dracma ática.
Os gregos davam ao denário romano o nome de dracma romana e os romanos, por sua vez, chamavam a dracma grega denário grego.
«Os denários da República que circulavam como equivalentes da dracma ática, tiveram uma voga imensa, favorecidos não só pelo seu bom toque, como pela extensão das conquistas romanas. Foram imitados em diversos países, particularmente na Gália, entre os povos que habitavam o vale do Ródano; na Espanha, onde essas imitações receberam o nome genérico de argentum oscence e na própria Itália, onde os samnitas cunharam denários com legendas oscas e cujos tipos foram copiados dos denários de Roma».
O ouro como dinheiro circulou em Roma, primeiramente, sob a forma de lingotes. As primeiras moedas de ouro circularam pelo ano de 217 a.e.c. «Estas peças, que fazem parte da série chamada romano campânica, foram emitidas em virtude da Lei Flamínia, pelos generais encarregados de combater Aníbal na Campânia, o que leva a crer não possam essas peças ser consideradas moedas romanas propriamente ditas, porque sua emissão cessou rapidamente e os romanos não pensaram em substituí-las por outras espécies de ouro».
Só no último século da República é que se encontram emissões de moedas romanas feitas pelos generais com poderes ditatoriais. Sulla, Pompeu e César fazem sucessivas cunhagens. «Pode-se mesmo dizer que as peças de ouro de Sulla, de Pompeu e uma parte das de César, não são senão moedas de circunstância, cunhadas excepcionalmente, fora de Roma, para o serviço dos exércitos ou por ocasião de algum triunfo ou solenidades extraordinárias; o tipo do reverso e as legendas parecem confirmar isso».
Ângelo Segré, em seu estudo Metrologia e circolazione monetária degli antichi, dá-nos a seguinte informação sobre a moedagem de ouro romana: «A verdadeira origem do áureo romano somente data de 49 a.e.c., quando César tomou a si o direito de cunhar moedas, direito que exerceu por ocasião de seus triunfos em 46 e 45, por meio de seus dois prefeitos Aulo Hírcio e L. Munásio Planco, cunhando o primeiro o denarius aureus e o segundo, o quinarius. César supriu assim a distinção entre a moedagem de ouro em Roma e nas províncias e se arrogou o direito de emitir moedas que em Roma era exercido pelo Senado por meio dos tresviri monetales, fora da cidade pelos magistrados com pleno poder militar, os ditadores, os cônsules, os pretores, os procônsules e os propretores e, durante seu impedimento, pelos questores no âmbito de sua província.
Após o assassinato de César, o Senado retomou para si a cunhagem do ouro, delegando os prefeitos L. Céstio e Caio Norbano, que cunharam os áureos senatus consultus. De 43 a 37 a cunhagem do ouro foi associada pelo Senado à da prata, que foi confiada aos quatuorviri monetarii. Ao mesmo tempo, o ouro foi emitido nas províncias de Antônio, Bruto, Cássio, Domício Aenobarbo e L. Labieno; após a batalha de Náuloco, inicia-se finalmente a cunhagem regular do áureo imperial».
O ouro entrou definitivamente no sistema monetário romano quando Augusto reservou para si e seus sucessores o direito da cunhagem de metais preciosos.
As moedas de ouro eram de duas espécies: o denário de ouro e o meio denário de ouro ou quinário de ouro.
Sistema Bancário. — Catão, no prefácio do seu tratado sobre a agricultura, manifestou-se veementemente contra os que viviam do empréstimo de dinheiro. «Emprestar dinheiro a juros tem muitas vantagens mas não é honroso. Nossos pais ordenaram, por isso, e inscreveram em suas leis que o ladrão seria condenado a restituir o dobro, mas o homem que empresta a juros, o quádruplo. Vemos por aí até que ponto eles julgavam o usurário pior cidadão que o ladrão».
Apesar das palavras de Catão e do solene desprezo que certos aristocratas votavam aos que emprestavam dinheiro (feneratores) ou possuíam bancos (aigentaiii), a indústria do empréstimo de dinheiro foi cultivada pelos romanos com entusiasmo.
Os primeiros argentarii instalaram-se no forum em lojas (tabernae) alugadas pelo Estado e ocupavam-se com o câmbio.
Com o correr do tempo, foram ampliando suas atividades: recebiam depósitos, operavam com cheques, emprestavam a juros, transferiam quantias para diversos pontos do Império e, para evitar os
perigos e inconvenientes do transporte do numerário, notificavam a seus agentes para que os mesmos tivessem uma determinada quantia à disposição dos clientes que apresentassem uma letra de crédito.
Normas especiais protegiam os depósitos bancários e regulavam o funcionamento dos estabelecimentos de crédito.
Os argentarii utilizavam três espécies de livros: o livro de caixa, o diário e o livro de prazos. O livro de caixa (Codex accepti et depensi) possuía duas partes distintas: uma de registro das entradas (accepta), outra das saídas (expensa). No diário (adversarium) registravam-se as operações tão logo fossem realizadas.
No livro de prazos (Kalendarium) estavam assinaladas as datas em que os banqueiros deviam remeter ou receber capitais ou ágios.
As contas com os clientes eram anotadas nos Códices rationum.
Chamavam-se mensae (mesas em torno das quais se reuniam as pessoas) os bancos públicos de Roma encarregados de receber os impostos das províncias e de encaminhar as respectivas quantias ao Tesouro, e de lançar em circulação as moedas de ouro cunhadas nas oficinas imperiais. A mensa era dirigida por um diretor (adiudicator tabularii) escolhido entre os libertos do imperador (liberti Pii).
Fonte: http://www.historia.templodeapolo.net/civilizacao_ver.asp?Cod_conteudo=410&value=O%20comercio%20no%20Imp%C3%A9rio%20Romano&civ=Civiliza%C3%A7%C3%A3o%20Romana&topico=Economia#topo
Os haréns povoam há séculos o imaginário ocidental. No século XV, no palácio de Topkapi, em Istambul, 1.500 mulheres escravizadas – as odaliscas – disputavam as atenções do sultão
A vida entre prazeres e intriga
Por Jean-François Solnon
Dança do harém, óleo sobre tela, Giulio Rosati
No século XV, o palácio de Topkapi, construído no século precedente, foi ampliado. Seu harém pôde então abrigar até 1.500 mulheres. Uma cidade proibida, onde o amor e a política conviviam intimamente.
Na história do mundo, poucas instituições intrigaram tanto os ocidentais quanto os haréns dos sultões, que têm nos domínios do imperador otomano, em Istambul, o seu exemplo maior. Ele inspiraria as mais pródigas fantasias do mundo da cristandade, chegando ao carnaval do Brasil do século XXI. Gigantesco lupanar, sede incomparável de desvario sexual, o harém do grão-turco suscitava curiosidade, inveja ou repulsa, mas não deixava ninguém indiferente. Era possível imaginar belas ocidentais arrancadas de suas famílias para se tornarem as prisioneiras de um monarca libidinoso, submetidas a seus caprichos, joguetes de todas as suas fantasias, antes de serem lançadas no Bósforo quando não lhe agradavam mais.
Vinha também ao espírito o clichê dessas mulheres condenadas a uma vida reclusa, ocupando seus dias ociosos a se enfeitar à espera de um simples olhar de seu senhor, ou a tecer intrigas destinadas a se vingar de uma rival. Os pintores ocidentais, frequentemente, nos mostraram as mulheres do harém despidas – como o fez Ingres com a sua Grande odalisca –, quando o clima de Istambul absolutamente não se harmoniza com uma nudez constante. Os escritores viajantes se dedicaram a descrever a vida cotidiana do harém, ainda que nenhum deles tivesse chegado algum dia a transpor os seus portões, enquanto outros pintaram o gineceu otomano como o teatro de sangrentas tragédias – ou, ao contrário, o jardim do Éden.
O harém era um local secreto. Muitos falaram dele, poucos o conheceram. Além disso, esse lugar misterioso era propício aos voos da imaginação. A palavra vem do árabe haram, que designa um lugar protegido por regras, proibido, sagrado. Em um sentido mais comum, o harém correspondia à parte secreta de uma casa, uma parte na qual mulheres, crianças e empregados domésticos viviam em isolamento completo: um espaço vedado aos homens.
A vocação do harém imperial não se limitava a satisfazer os prazeres carnais do sultão, mesmo quando alguns entre eles – como Murad III (1546-1595), de quem se diz que “rendia homenagens” a duas ou três mulheres a cada noite – se mostravam insaciáveis em seu apetite sexual. Sua função essencial era assegurar a perenidade da dinastia, sua sobrevivência biológica, graças a uma abundante descendência masculina destinada a fazer contraponto à elevada mortalidade infantil e às frequentes mortes violentas. O grande número de parceiras femininas do sultão era a melhor garantia disso. Assim os “filhos de Osman”, criador no século XIII da dinastia que foi chamada de otomana, reinaram ininterruptamente sobre o império até a supressão do sultanato por Mustafá Kemal, em 1922. Mais ainda, ao contrário das monarquias europeias, a Sublime Porta jamais conheceu uma guerra de sucessão.
A concentração de mulheres devotadas a gerar descendentes não deveria suscitar dificuldades políticas com suas famílias. Para eliminar esse risco, eram escolhidas esposas privadas de laços familiares. Toda ameaça de conspiração e até mesmo de levante ou de revolta, fomentada por parentes excessivamente ambiciosos, era desse modo descartada. Se os primeiros sultões desposaram princesas da Anatólia, bizantinas, búlgaras ou sérvias, seus sucessores, desde o fim do século XV, preferiram as escravas.
Mais ainda, para evitar com certeza os pretendentes externos, as filhas do sultão quase nunca se uniam a príncipes estrangeiros, e sim a notáveis e altos dignitários do império. Onde encontrar, então, concubinas sem família destinadas ao palácio imperial?
Confira seleção de 11 frases que contam boa parte da história do Brasil
Cristiane Capuchinho
Em tempos de numerosas listas e de frases famosas compartilhadas em redes sociais, o jornalista Jaime Klintowitz decidiu resumir cinco séculos de história em frases marcantes. O resultado é o livro "A História do Brasil em 50 frases" (editora Leya). Confira uma seleção de 11 delas:
Se El-Rei determina povoar mais esta terra, é necessário que venham muitas mulheres órfãs e de toda qualidade, até meretrizes, porque há aqui várias qualidades de homens.
Padre Manuel da Nóbrega (1517-1570), jesuíta português, em carta ao rei Dom João 3° em 1550. O padre pedia o envio de portuguesas para evitar a miscigenação com as indígenas
Não existe pecado do lado de baixo do Equador
Gaspar Barleus (1584-1648), a frase foi usada pelo humanista em um relato sobre a experiência holandesa no Brasil. A carta, feita a pedido de Nassau, tentava explicar a lassidão moral nos trópicos
Será nossa divisa de agora em diante Independência ou Morte
Dom Pedro 1° (1798-1834), imperador do Brasil. A frase teria sido dita em São Paulo e foi considerada a declaração de independência do país
Eu proporia que se substituíssem todos os capítulos da Constituição por artigo único: todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara
Capistrano de Abreu (1853-1927), o historiador fez a proposta após a promulgação da segunda constituição brasileira. Até hoje, o Brasil teve sete constituições
O melhor programa econômico de governo é não atrapalhar aqueles que produzem, investem, poupam, empregam, trabalham e consomem
Barão de Mauá (1813-1889), empresário e industrial do século 19. Irineu Evangelista de Souza propagava o pensamento liberal no país
Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro
Dom Pedro 2° (1825-1891), imperador do Brasil. A frase foi dita em uma conversa em que confidenciou acreditar que sua vocação estava na ciência
O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral
Euclides da Cunha (1866-1909), autor de "Os Sertões". Acompanhando a Guerra de Canudos como jornalista, o escritor via ali o choque entre dois processos de mestiçagem, a litorânea e a sertaneja
O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História
Getúlio Vargas (1882-1954), presidente do Brasil, em carta-testamento encontrada após seu suicídio em 1954. Em seu segundo mandato, Getúlio enfrentava uma grave crise política
Em matéria de política, sou uma vaca fardada. Se de acordo com a minha consciência estou certo, quem quiser que me siga
General Olympio Mourão Filho (1900-1972), militar que deu início ao Golpe de 64, em resposta ao motivo de ter precipitado a ação
O que é isso, companheiro?
Fernando Gabeira, político e ex-militante durante a ditadura militar. A frase, título de seu livro, era dita a cada manifestação de dúvida sobre a luta armada
Em três meses quero a direita indignada e a esquerda perplexa
Fernando Collor de Mello, senador e presidente da república. A frase dita antes da eleição de 1990 acabou se confirmando em 1992, quando Collor foi deposto por um impeachment
Quando surgiram os homens-bomba?
Os primeiros terroristas suicidas que explodiam o próprio corpo apareceram entre os séculos 14 e 16. "Naquela época, o Império Turco-Otomano vivia um perído de expansão. Uma das armas de seu Exército eram os guerreiros suicidas conhecidos como bashi-bazouks, que se precipitavam contra fortificações ou linhas de batalha do inimigo", diz o historiador Márcio Scalércio, da Universidade Cândido Mendes (RJ). Depois vieram os anarquistas da Rússia czarista, os camicases japoneses durante a Segunda Guerra e os guerrilheiros vietnamitas a partir da década de 50. Mas é bom esclarecer que a expressão "homem-bomba" e a popularização da prática são bem mais recentes - mais precisamente, nos conflitos do Oriente Médio dos últimos 20 anos. Tudo leva a crer que a guerra entre Irã e Iraque (1980-1988) foi o marco fundante para essa cultura de terroristas explosivos. Inspirados pelas ações de xiitas iranianos, grupos radicais palestinos como Hamas, Jihad Islâmica e a Brigada dos Mártires de Al-Aqsa fizeram do homem-bomba sua arma favorita na luta contra Israel. Hoje, jovens são doutrinados em escolas muçulmanas ou mesquitas e recebem prêmios pelo "ato de fé" - o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein chegava a pagar 25 mil dólares para a família de um suicida. E a moda macabra já lança tendências: no Sri Lanka e na Chechênia já existem mulheres-bomba e, na Palestina, os terroristas não são mais mortos de fome sem perspectivas. Uma pesquisa recente mostrou que a maioria dos homens-bomba palestinos vêm da classe média e têm boa educação.
Vestidos para matarCarregados de explosivos, suicidas usam disfarces até o momento do atentado
MASSINHA PERIGOSA
O explosivo conhecido como C-4 (ciclotrimetileno-trinitramina) tem consistência maleável, semelhante à argila. Depois de ser acionado por uma carga elétrica, o C-4 explode quase instantaneamente, voando por um raio de centenas de metros. A ironia é que os Estados Unidos são os principais fabricantes desse explosivo plástico
DESTRUIÇÃO MULTIPLICADA
Pregos, bolinhas de ferro e pedaços de vidro são embalados junto com a massa explosiva. Quando a bomba é acionada, o material é arremessado com um impulso que supera em várias vezes a velocidade do som, alojando-se no corpo das vítimas. A hemorragia causada pelos estilhaços causa mais mortes que o impacto da explosão
O ÚLTIMO TRAJE
Embora não haja um padrão de roupa, no Oriente Médio os homens-bomba costumam usar um cinturão ou um colete com vários bolsos, onde são colocados pacotes contendo até 9 quilos de explosivo. Esse traje é usado sob a roupa normal do terrorista. Assim, disfarçado, ele chega ao alvo sem ser identificado
FOGO NA BOMBA
Nos atentados mais recentes, homens-bomba palestinos têm usado detonadores elétricos ligados a uma pilha. Quando o botão é acionado, a pilha emite um leve impulso elétrico, que logo detona toda a carga de C-4
CÍRCULO DO TERROR
Um homem-bomba consegue ferir pessoas a um raio de até 200 metros da explosão. Na hora da detonação, os terroristas escolhem locais cheios de gente, como centros comerciais
Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quando-surgiram-os-homensbomba
Quais foram as tentativas de fuga mais espetaculares de Alcatraz?
por Roberto Navarro
Nos 29 anos em que Alcatraz funcionou como penitenciária federal - entre 1934 e 1963 -, rolaram 14 tentativas de fuga. Oficialmente, nenhuma delas deu certo. Alguns fujões sumiram, mas é difícil que alguém tenha sobrevivido às frias e fortes correntes marítimas da baía de São Francisco, que rodeia a ilha da prisão.
TENTATIVA 1
DATA - 11 de junho de 1962
NÚMERO DE FUGITIVOS - Três
1. Frank Lee Morris e os irmãos Clarence Anglin e John William Anglin cumpriam penas por assalto a banco. Durante vários meses, eles usaram colheres e facas roubadas do refeitório para alargar às escondidas os respiradouros de suas celas
2. Depois da última contagem da noite, começou a fuga. Para evitar que os guardas notassem, os bandidos colocaram, junto a travesseiros, cabeças de algodão e cabelo colhido na barbearia para imitar corpos nas camas
3. Subindo pelos respiradouros alargados, os presos acharam um estreito duto no teto e seguiram fugindo por ele. Os bandidos usaram ainda um pé-de-cabra para entortar as grades que surgiram pela frente
4. Esgueirando-se pelo duto, os três chegaram ao telhado do presídio, levando uma balsa inflável que haviam feito com capas de chuva de borracha, além de remos improvisados com placas de madeira compensada
5. Pelo telhado, os criminosos alcançaram uma chaminé da cozinha, por onde desceram sem ser percebidos pelos guardas da torre de vigia. No chão, pularam duas cercas de arame farpado de 3 metros de altura e correram por uma estradinha até a beira da ilha
6. No último ato da fuga, os presos inflaram a balsa improvisada e entraram na água. Nunca mais foram vistos. Na manhã seguinte, a fuga foi descoberta. Os bandidos foram declarados desaparecidos, mas é quase certo que tenham morrido na fuga. O episódio inspirou o filme Alcatraz, Fuga Impossível, com Clint Eastwood
TENTATIVA 2
DATA - 31 de julho de 1945
NÚMERO DE FUGITIVOS - Um
1. Condenado por tentativa de assalto, John K. Giles estava em Alcatraz havia 10 anos. Lá, ele trabalhava descarregando uniformes militares para serem lavados na prisão. Ao longo do tempo, roubou várias peças de roupa, até juntar um fardamento completo
2. Na manhã de 31 de julho de 1945, uma lancha do Exército atracou no cais. Vestindo um uniforme de sargento, Giles subiu a bordo e tentou misturar-se aos passageiros. Mas, antes de atracar, os tripulantes da lancha haviam feito uma contagem das pessoas. Depois que a lancha saiu, uma nova contagem revelou que havia um passageiro a mais. Um barco mais veloz que a lancha foi despachado de Alcatraz e recapturou o fujão
TENTATIVA 3
DATA - 16 de dezembro de 1937
NÚMERO DE FUGITIVOS - Dois
Num dia de muita neblina, os presos conseguiram abrir um pequeno buraco na janela do prédio das oficinas - que fica fora do edifício das celas - e escaparam, alcançando o mar
CURIOSIDADE - Buscas rigorosas não encontraram nem sinal dos caras. Os cadáveres nunca foram achados, mas os fugitivos foram declarados mortos pela direção do presídio
TENTATIVA 4
DATA - 23 de maio de 1938
NÚMERO DE FUGITIVOS - Três
Os bandidos escaparam com um martelo, chegaram ao último andar do prédio das oficinas e mataram um guarda desarmado. De uma das torres, um vigia viu os fujões e acertou dois deles
CURIOSIDADE - Um dos fugitivos morreu naquela noite no hospital. Os outros foram recapturados e condenados a prisão perpétua
TENTATIVA 5
DATA - 13 de janeiro de 1939
NÚMERO DE FUGITIVOS - Cinco
De madrugada, cinco presidiários serraram as barras de suas celas e de um corredor de segurança, chegando à beira do mar. Lá, eles tentaram construir uma balsa improvisada com suas roupas e pedaços de madeira
CURIOSIDADE - Os guardas acharam os fujões e os prenderam. Na perseguição, um deles foi baleado e morreu no mesmo dia
TENTATIVA 6
DATA - 2 de maio de 1946
NÚMERO DE FUGITIVOS - Seis
Por dois dias, seis bandidos fizeram vários guardas de reféns, pegaram suas armas e controlaram parte da cadeia, iniciando uma rebelião com tentativas de fuga
CURIOSIDADE - Para controlar a bagunça, a Guarda Costeira e os Fuzileiros Navais lançaram um bombardeio. Quando a confusão acabou, dois guardas e três presidiários haviam morrido
TENTATIVA 7
DATA - 29 de setembro de 1958
NÚMERO DE FUGITIVOS - Dois
Do lado de fora da muralha, uma dupla de presos levava lixo sob a supervisão de um guarda armado. O cara deu bobeira e acabou dominado pelos dois criminosos
CURIOSIDADE - Um dos presos foi recapturado com água pela cintura. O cadáver do outro foi encontrado boiando 13 dias depois
Como foi a fundação de Israel?
Ela foi oficialmente anunciada em 14 de maio de 1948. A criação de Israel se baseou numa resolução aprovada um ano antes na Organização das Nações Unidas (ONU) e que previa a divisão do então território da Palestina em dois estados: um árabe e um judeu. Na época, a Palestina estava sob administração britânica e era habitada por uma maioria árabe. Por isso, a resolução da ONU, que foi aceita por líderes judeus, acabou sendo recusada pelos governantes dos países árabes vizinhos da Palestina. As discussões diplomáticas ainda estavam quentes quando líderes judeus se apressaram para decretar a independência de Israel em maio de 1948. A resposta árabe foi imediata: no dia seguinte à declaração de independência, Egito, Síria, Líbano e Iraque atacaram o novo país. Cerca de 750 mil árabes que viviam na região foram obrigados a fugir por causa do conflito. Por outro lado, 800 mil judeus residentes em países como Síria, Iraque, Tunísia, Líbia e Iêmen deixaram às pressas seus lares, a maioria tornando-se imediatamente cidadãos de Israel. A vitória israelense viria no ano seguinte, em 1949, garantindo a sobrevivência do novo país. Mas, longe de tranqüilizar as coisas, o resultado do conflito só semeou mais violência na região. Violência que dura até hoje.
Independência sangrentaRegião permanece em estado de guerra há quase 60 anos
1897
O primeiro Congresso Sionista, na Basiléia, na Suíça, marca o início do movimento que reivindica um estado para os judeus na Palestina. Essa região no Oriente Médio não é escolhida ao acaso: os judeus defendem que viviam lá até serem expulsos pelo Império Romano no século 1
1939
Com o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os nazistas alemães passam a perseguir judeus por toda a Europa. Estima-se que 6 milhões tenham morrido em campos de concentração e extermínio, acontecimento conhecido como Holocausto
1946
Ao final da guerra, com milhões de judeus perseguidos sem ter para onde ir, o sionismo ganha força. Os britânicos, que dominavam a Palestina, tentam evitar a imigração de judeus para a região mais de 50 mil refugiados são detidos na ilha de Chipre
1947
Em 29 de novembro de 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprova a divisão da Palestina em dois estados: um judeu e outro árabe. Líderes judeus aceitam a resolução da ONU, mas os países árabes não - na época, viviam na região 1,3 milhão de árabes e 600 mil judeus
1948
Enquanto as tropas britânicas deixam a Palestina, grupos sionistas agem para organizar logo o Estado judeu. Em 14 de maio, o presidente da Agência Judia para a Palestina, David Ben-Gurion, anuncia a formação de Israel
1948/49
Os países árabes vizinhos não reconhecem o novo país e tem início a Guerra de Independência de Israel, a primeira de uma série de conflitos entre árabes e israelenses. A guerra termina em 1949. Israel não só vence, como consegue a ampliação do Estado judeu
Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-foi-a-fundacao-de-israel
Como era um feudo na Idade Média?
por Roberto Navarro
As grandes propriedades rurais da época medieval eram divididas em três categorias de terras. A primeira - que englobava a maior parte do solo cultivável - era o chamado manso senhorial, onde tudo o que se produzia pertencia ao senhor feudal, o dono da fazenda. Os servos trabalhavam em todas as terras, mas só podiam tirar seu sustento dos minúsculos lotes que formavam a segunda categoria de terras, o manso servil. Por fim, os bosques, florestas e pântanos eram coletivos - ou quase isso: os animais maiores só podiam ser caçados pelos senhores. Apesar de costumarmos chamar esse tipo de propriedade de feudo, os especialistas alertam que esse não é o termo mais correto. "A palavra feudo, utilizada pela primeira vez no século 9, designava qualquer bem dado em troca de alguma outra coisa", diz a historiadora Yone de Carvalho, da PUC de São Paulo. Portanto, na Idade Média, feudos eram todos os bens e tributos trocados entre nobres - incluindo aí as propriedades, que eram mais conhecidas como senhorios. Esse sistema de trocas regulava todas as relações entre os nobres medievais. Por exemplo, um nobre ganhava o título de senhor quando dava um pedaço das suas terras a outro nobre, chamado de vassalo. Esse vassalo, por sua vez, podia cobrar uma espécie de aluguel sobre seu moinho, tornando-se senhor também. Em resumo, o dono de um "feudo" - ou melhor, senhorio - obedecia a seu senhor, mas também tinha seus vassalos. Para facilitar, o "feudo" que retratamos ao lado é o mais simples possível, com apenas um dono e seus servos.
Como se tratavam os dentes antes de surgirem os dentistas?
Alguns de nossos antepassados apelavam para métodos bem esquisitos. Caçar uma rã em noite de lua cheia e cuspir dentro da boca do bicho, pedindo que levasse a dor embora, foi uma das sugestões encontradas num manuscrito do século I. Mas havia opções menos nojentas, como compressas quentes, lavagens bucais e aplicações de vapor. Já se encontraram evidências, também, de que, por volta de 2700 a.C., os chineses usavam acupuntura para tratar das dores causadas pelas cáries. No antigo Egito, como demonstra o papiro Ebers, que reúne material originário de 3700 a.C., conheciam-se receitas de ungüentos que podiam ser aplicados para aliviar a dor de dente. Na China do século II usava-se o arsênio, elemento químico que até hoje é empregado em compostos medicinais. Essa substância provavelmente matava o miolo do dente.
E foram os chineses que, por volta do ano 600, desenvolveram as ligas metálicas usadas em obturações. Técnicas de tortu..., ou melhor, de tratamento, também existiram entre os antigos americanos. Uma arcada dentária de 1 000 anos, encontrada no sudoeste dos Estados Unidos, mostra um dente cuidadosamente perfurado, como que numa tentativa de retirar a parte danificada. No século XII, surgiram os cirurgiões-barbeiros. Na Europa dessa época, a medicina era praticada sobretudo nos monastérios. "Os barbeiros iam cortar o cabelo dos monges e acabavam aprendendo as técnicas cirúrgicas", diz o dentista Elias Rosenthal, do Instituto Museu e Biblioteca de Odontologia. Foram esses profissionais, peritos em extrações, que se transformaram nos dentistas que conhecemos hoje.

