2.4.14

Ditadura chilena




A ditadura de Pinochet e o assassinato de Allende: capítulos trágicos da história chilena.

Passados os conflitos da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), o Chile viveu um período de expressivo desenvolvimento econômico calcado na exportação de minérios e o desenvolvimento do parque industrial. Em meio a esse processo de modernização econômica, diversas empresas estrangeiras aproveitaram do bom momento do país para lucrar com a exploração de suas riquezas. Entre outros interessados, destacamos o papel exercido pelos Estados Unidos no interior da economia daquele país.

Chegada a década de 1960, a vida política do Chile se agitava com a consolidação de partidos políticos que discutiam os projetos que resolveriam as mazelas sociais que atingiam boa parte da população. Em linhas gerais, os movimentos de mudança se dividiam entre aqueles que apoiavam uma revolução aos moldes da experiência cubana e aqueles que defendiam a utilização das vias democrático-partidárias e das reformas políticas como instrumento de transformação.

Nesse mesmo período, o governo de Eduardo Frei chegou à presidência do Chile com um frágil conjunto de reformas que não alcançou os objetivos esperados. Dessa maneira, comunistas e socialistas se mobilizaram em torno da Unidade Popular, partido que acabou elegendo o presidente Salvador Allende. Após décadas de luta e mobilização, os setores de esquerda conseguiram se organizar e eleger uma figura comprometida com as lutas populares da nação.

Entre suas primeiras medidas no poder, Allende preferiu seguir uma política independente em relação aos Estados Unidos e defendeu a nacionalização das empresas norte-americanas que se encontravam no país. Imediatamente, setores políticos conservadores e as próprias autoridades estadunidenses passaram a ver com receio as propostas do novo presidente. Além disso, o governo de Allende teve que enfrentar uma crise do cobre no mercado internacional, que, na época, representava uma boa parcela da economia chilena.

A diminuição dos preços do cobre acarretou em uma elevação no preço dos alimentos mediante a forte dependência da economia chilena em relação a seus recursos minerais. Aproveitando da situação desfavorável, os EUA e os conservadores chilenos instigaram a organização de manifestações contrárias ao governo Salvador Allende. Em pouco tempo, um grupo de militares golpistas se formou com o objetivo de dar fim ao domínio dos socialistas.

Em setembro de 1973, as Forças Armadas do Chile – com expressivo apoio dos Estados Unidos – organizaram um golpe que pretendiam depor o presidente Salvador Allende. Resistindo até o ultimo momento, o presidente preferiu atentar contra a própria vida quando o grupo de militares promoveu a invasão do Palácio La Moneda. Com a morte do presidente Allende, uma junta militar liderada por Augusto Pinochet estabeleceu uma rígida ditadura militar dentro do Chile.

Seu governo ficou marcado como um dos mais violentos regimes ditatoriais latino-americanos. Dados indicam que cerda de 60 mil pessoas foram mortas ou desapareceram, e 200 mil abandonaram o país durante o período em que Pinochet esteve no poder. Apenas no final da década de 1980, as pressões políticas internacionais e internas passaram a desestabilizar a ditadura chilena. Em 1988, um plebiscito previsto na Constituição negou a renovação do mandato de Pinochet.

No ano seguinte, novas eleições presidenciais colocaram Patrício Aylwin Azocar, da frente política oposicionista, popularmente conhecida como “Concentración”, no poder. A partir de então, o Chile viveu um processo de redemocratização marcado pela denúncia e punição dos militares envolvidos com crimes políticos. Entretanto, Pinochet continuava no poder como chefe do Exército, cargo deixado em 1998 quando o mesmo assumiu o posto de senador vitalício.

Naquele mesmo ano, em uma missão diplomática na Inglaterra, Augusto Pinochet teve sua prisão decretada pelo juiz espanhol Baltasar Garzón. O pedido foi acatado pelas autoridades britânicas, mas, quinze meses depois, a prisão do ex-ditador conseguiu ser burlada com um pedido de licença médica. Voltando ao Chile, um forte movimento se organizou em favor do julgamento dos crimes políticos atribuídos ao antigo representante da ditadura chilena.

No ano de 2002, as autoridades judiciais chilenas decidiram arquivar o processo contra Pinochet, alegando o avançado estado de suas debilidades físicas. Pouco tempo depois, o ex-general de 86 anos de idade renunciou a seu cargo saindo finalmente da vida pública. Em 2004, novas denúncias indicavam a existência de contas secretas multimilionárias onde o ex-ditador acumulava os recursos provenientes das nações que apoiaram o golpe e outras transações ilegais. No final de 2006, Pinochet faleceu sem nunca ser efetivamente condenado pelos crimes que cometeu.

Por Rainer Sousa

Fonte http://www.brasilescola.com/historia-da-america/ditadura-chilena.htm

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Brasil 1964: revolução ou contra-revolução?

Voltaire Schilling

vencedores do movimento político-militar que derrubou João Goulart em 31 de março de 1964, sempre se referiram a si como "revolucionários". Segundo eles, de maneira alguma poderia dizer-se que o que havia ocorrido era um golpe militar como tantos outros que ocorreram entre os vizinhos do Brasil, mas sim o começo de uma verdadeira revolução que não apenas salvou o Pais do comunismo internacional como igualmente fez o País, livre do populismo e da ameaça esquerdista, ingressar na verdadeira modernidade, capitalista e ocidental.

Os derrotados, por seu lado, para desqualificar os adversários vitoriosos, nunca deixaram de tratar os eventos de março de 1964 como um golpe militar patrocinado pelos norte-americanos, colocando-o entre os tantos outros que infelicitaram a história da América Latina. Típica posição tomada pelo autor do livro O golpe começou em Washington, do jornalista Edmar Morel (Editora Civilização Brasileira, RJ, 1965).
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Mas afinal "1964" foi uma revolução ou uma contra-revolução?
De certo modo, ambos estão certos e ambos estão equivocados. Na concepção clássica, a palavra revolução é entendida como um movimento político radical e violento que remove à força, em geral por meio de uma guerra civil sangrenta, as classes dirigentes tradicionais, arrancando-as do governo e substituindo-as por uma outra força, composta pela nova geração emergente. Isso ocorreu na Revolução Americana de 1776 e durante a Revolução Francesa de 1789, ocasião em que a monarquia absolutista foi derrubada e a velha nobreza europeia viu seus privilegios ruírem.

Evidentemente que o movimento político-militar de 1964 não promoveu nada disso. Em nenhum momento ele deixou de ser amparado pelas classes dominantes brasileiras (os empresários, os latifundiários e fazendeiros, e as grandes corporações estrangeiras) e mesmo pela Igreja Católica (pelo menos até 1968). O que fez de imediato foi afastar o núcleo dirigente que cercava então o presidente João Goulart e, posteriormente, estendeu o seu raio punitivo, com o recurso às cassações e outros instrumentos repressivos, a outros setores da sociedade brasileira (líderes sindicais e partidários, jornalistas, intelectuais, artistas, acadêmicos, estudantes etc). Mas, passados os anos, observa-se que praticamente os mesmos grupos econômicos, sociais e midiáticos continuam no comando da sociedade brasileira, não ocorrendo pois uma substituição da camada dirigente.

Talvez cabe aceitar-se a palavra "revolução" num sentido mais restrito, naquele que comumente é aplicado às eventuais rebeliões militares na América Latina, os conhecidos "pronunciamientos". Tal reducionismo, todavia, é incorreto, porque 1964 não foi somente um outro golpe militar como tantos outros.

A influência da Sorbone e da sociedade civil
O movimento civil-militar foi solidamente alicerçado nas teorias autoritárias e anticomunistas defendidas e difundidas pela Escola Superior da Guerra (importante instituição fundada em 1949 pelo general Cordeiro de Farias, durante o governo do general Eurico Gaspar Dutra, para adequar o Brasil aos tempos da Guerra Fria). Conhecida no meio militar como a Sorbone, formada por oficiais intelectualizados, entre eles o general Castelo Branco e o coronel Golbery do Couto e Silva, a ESG propunha que a elite civil-militar, nas devidas circunstâncias, devesse assumir o controle da nação brasileira, ainda que por meios excepcionais, para dar um combate mais eficaz à guerra revolucionária e psicológica desencadeada pelos comunistas apoiados por Moscou. Mesmo que isso significasse sufocar as liberdades democráticas ou suspendê-las temporariamente.



Nos anos 60, asseguraram os teóricos da Sorbone, o Brasil estava em vias de mergulhar numa "guerra revolucionária". Os políticos janguistas e brizolistas, junto a seus aliados comunistas, esperavam implantar por aqui uma "nova Cuba", nacionalista, autoritária e antiamericana, apoiada num cinturão de sindicatos sob a liderança da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), subvertendo totalmente a ordem social e constitucional do Brasil. Somente poderiam ser detidos por um golpe de força que após faria o realinhamento do País com os valores defendidos pelos Ocidentais (EUA/Europa Ocidental), corrigindo definitivamente a "derrapagem" do governo Goulart para a esquerda.

Houve, como mostrou Renée Armand Dreifuss (A conquista do Estado: ação política, poder e golpe de classe, Petrópolis, Vozes, 1981), um enorme apoio das organizações de empresários, comerciantes e banqueiros ao Ipes/Ibad que, aliados às classes médias, temerosas dos comunistas, fizeram uma ampla frente comum com os oficiais conservadores e com a Igreja Católica contra o governo de João Goulart. Criaram por isso mesmo um conjunto de instituições paralelas ao governo janguista para desestabilizá-lo e em seguida derrubá-lo.

Não só colaboraram para o sucesso do golpe, como depois, ao longo dos 20 anos seguintes, as classes proprietárias sustentaram abertamente o partido do governo, a Arena (Aliança Renovadora Nacional, fundada em 1965). Foram as classes proprietárias em geral as principais beneficiadas com o crescimento material do País na época do "Milagre Econômico", entre 1970-74. Política esta defendida pelo famoso ministro Delfim Netto, o economista que afirmou "primeiro é preciso fazer o bolo crescer para depois dividí-lo".

A participação americana
É um tanto simplista afirmar que o movimento político-militar de 1964 resultou de um teleguiamento norte-americano, de uma grande conspiração dos serviços de espionagem dos EUA, especialmente da CIA, representada na ocasião pelo coronel Vernon Walters (um notório especialista na deposição de regimes suspeitos aos interesses norte-americanos e amigo do general Castelo Branco). O peso de uma ação golpista coordenada do exterior somente tem eficácia se ela estiver fortemente ligada aos interesses internos de parte considerável da sociedade do país visado (basta verificar o caso de Cuba por ocasião do desembarque organizado pela CIA na baía dos Porcos, em abril de 1961, que fracassou rotundamente por falta de apoio interno). Assim, nada do que os serviços secretos americanos, articulados com o Departamento de Estado, pudessem fazer, teria resultado significativo se não contassem com uma parte considerável da opinião pública e dos oficiais das Forças Armadas brasileiras unidos na deposição do governo Goulart.
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Observa-se também que a instalação de um Estado de Segurança Nacional no Brasil, em substituição ao Estado Democrático de Direito (que vingou de 1946 a 1964) não se limitou ao regime militar de 1964. Especialmente a partir da ditadura Médici o Brasil serviu como exemplo de sucesso a ser seguido pelos militares dos países latino-americanos.

Modelos variados dela foram, em seguida, impostos por oficiais superiores tanto na Argentina (em 1966 e, novamente em 1976), como no Chile e no Uruguai (em 1973), porque a difusão das teorias revolucionárias guevaristas haviam seduzido parte considerável das esquerdas latino-americanas. Que esperavam alcançar o poder com a ponta do fuzil e não por meio da urna eleitoral.

A ditadura Médici apresentou-se como a solução para liquidar por meios extremos com a subversão e encaminhar uma rápida prosperidade econômica que servia como "anestésico" a qualquer ameaça revolucionária. Serviu por igual para fixar o Brasil definitivamente no modelo econômico do capitalismo ocidental. O "sonho americano" parecia reproduzir-se no Brasil dos anos 70. O que o cidadão médio desejava (automóvel, casa própria e o padrão de consumo próximo aos dos EUA) começou a ser concretizado.

Grupos de guerrilheiros das mais diversas organizações, formados em quase todos os países latino-americanos, inspirados na tese da "luta armada", decorrente da teoria guevarista do foco revolucionário (o foquismo), decidiram partir para a guerra contra seus governos nacionais, fossem ditaduras ou democracias. Atendiam eles ao apelo vindo de Cuba, particularmente de Che Guevara, para que os Andes inteiros se "tornassem uma Sierra Maestra", ou um "novo Vietnã", provocaram uma forte reação militar que, em seguida à formação do Estado de Segurança Nacional, com um brutalidade inaudita, destruíram não somente as guerrilhas como a própria democracia a quem diziam defender.

Mas, afinal, como poderíamos definir o que ocorreu a partir de 1964? O mais correto é afirmar que houve uma contra-revolução cuja inspiração mais remota nos leva ao Levante de 1936, liderado pelo general Francisco Franco contra a República Espanhola controlada pelos esquerdistas. Naquela ocasião os militares igualmente se aliaram à Igreja Católica espanhola e aos falangistas (os fascistas espanhóis) para derrubar, na verdade destruir, um governo eleito democraticamente.
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No Brasil, tratou-se de um golpe civil-militar preventivo na medida em que as Reformas de Base, reafirmadas por Goulart no derradeiro discurso de 13 de maio na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, pareciam às classes conservadoras uma espécie de ponta de lança da comunização do País. Para Dreifuss o que ocorreu foi acima de tudo "um golpe de classes", no qual os proprietários, os sacerdotes e os militares impuzeram ao País um Estado Forte.

O fracasso do projeto nacional-populista deveu-se igualmente por outros motivos. A situação do Brasil não era a de um país colonizado como era o caso da ilha cubana. Além disso, o antiamericanismo não se enraizara neste país. Ao contrário, a maioria significativa do povo brasileiro tinha profunda admiração pelos Estados Unidos e seu desejo era poder algum dia atingir a algo parecido com o "modo de vida americano", política que começara a ser implantada por Juscelino Kubitchek (1956-1961), mas que estagnara durante a renúncia de Jânio e a ascensão de Goulart.

Não havia por aqui nenhum ódio reprimido como era o caso dos cubanos em relação aos americanos. Como constatou-se depois, a luta guerrilheira somente prosperou e teve sucesso em situações muito especiais (como foi o caso de Cuba e da Nicarágua), dois países governados por tiranos pró-americanos.

Mesmo tendo sido afastados do poder pelo movimento das Diretas Já, em 1984-5, os militares brasileiros conservaram uma imagem associada ao grande salto econômico que ocorreu entre 1970-1976. Nos dias que correm, a crítica maior concentra-se na violência institucional e nos malfeitos utilizados no combate às oposições (fossem pacíficas ou armadas).

BIBLIOGRAFIA

COMBLAIN, Joseph - A Ideologia da Segurança Nacional, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro. 1978.
DREYFUSS, Rene A. - 1964: A Conquista do Estado, Editora Vozes, Petrópolis, 1981.
MORAES, Dênis - A Esquerda e o Golpe de 64, Editora Espaço e Tempo, Rio de Janeiro, 1989.
MOREL, Edmar - O Golpe Começou em Washington, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1965.
PARKER, Phyllis - 1964: O Papel dos Estados Unidos no Golpe de Estado de 31 de Março, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1977.
SILVA, Helio - 1964: Golpe ou Contra-golpe?, Editora Civilização Brasileira, 1975.
SKIDMORE, Thomas - Brasil: de Getúlio a Castelo (1930-1964), Editora Saga, Rio de Janeiro, 1969.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/educacao/historia/brasil-1964-revolucao-ou-contra-revolucao,64ddfd981c915410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

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O último voo de Augusto Severo

O deputado brasileiro chegou a Paris em 1901 disposto a ganhar o prêmio Deutsch, mas foi superado por Santos Dumont. Seu dirigível, o Pax, voaria, mas por pouco tempo



MUSÉE DE L’AIR ET DE L’ESPACE

Augusto Severo: vocação para a engenharia e homem público com reputação de competência

por Rodrigo Moura Visoni

Augusto Severo de Albuquerque Maranhão, cujo nascimento, em 11 de janeiro de 1864, acaba de completar 150 anos, chegou a Paris no dia 5 de outubro de 1901, levando consigo os planos de uma aeronave revolucionária: o Pax, um formidável dirigível semirrígido que deveria resolver simultaneamente os problemas de manobrabilidade e estabilidade dos balões. Com esse veículo, ele pretendia concorrer a um prêmio de 100 mil francos (US$ 20 mil), o Grande Prêmio do Aeroclube da França, criado em 15 de abril de 1900 e destinado àquele que criasse a primeira máquina voadora eficiente.

Segundo o regulamento do concurso – chamado pela imprensa de “prêmio Deutsch” numa referência ao nome do fundador, o empresário francês Henri Deutsch de la Meurthe –, o prêmio seria entregue ao piloto que, num voo sem escalas, supervisionado por uma comissão do Aeroclube da França, partisse e retornasse ao Parque de Aerostação de Paris no tempo máximo de meia hora, cumprindo um trajeto preestabelecido de 11 quilômetros, tendo a Torre Eiff el no meio desse percurso.

Com Augusto Severo, viajara a sua companheira, Natália Silveira Cassini, e dois filhos. Logo no dia seguinte ao desembarque na capital francesa, ele encomendou o Pax à Casa Lachambre, famosa fabricante de balões. Depois, ele realizou a façanha de fazer subir em menos de duas semanas, no bairro de Vaugirard, um galpão de 35 metros de comprimento por 17 de altura e 15 de largura.

Em 15 de outubro de 1901, passados apenas dez dias de sua chegada à França, Severo foi entrevistado no hotel em que estava hospedado com a família por um repórter do Petit Phare, de Nantes, que tivera a informação de que ele era um importante deputado brasileiro:

– Desde quando se ocupa o sr. deputado de balões?

– Oh! Sou um matreiro do ar. Desde 1894, época em que mandei construir um grande balão de 52 metros de comprimento. Foi Lachambre quem o fez. Logo que fi cou pronto mandei-o para o Brasil. (...) Durante uma ascensão, a minha barquinha de madeira, que era realmente muito volumosa, quebrou-se pelo meio e tive uma queda. A coisa não passou, porém, de um grande susto. Peço-lhe para observar que já nessa época eu mandara colocar as minhas hélices na proa do meu balão. Preciso esse ponto por ser de importância capital. (...)

Encomendei (este ano) ao sr. Lachambre o meu segundo balão. Dei-lhe o nome de Pax. Se não receasse cair na ênfase, lhe diria que já estou vendo o meu aeróstato vencedor do vento, vencedor das tempestades, pairando sobre o mundo como um sinal de paz universal. Mas saibamos esperar. (...) Devo fazer antes algumas experiências para familiarizar os meus amigos Álvaro Reis e Pacheco com o ar; esses bons amigos nunca subiram em balão. Tentarei depois a grande experiência, que se realizará a 15 ou ao mais tardar a 20 de novembro (de 1901).

Severo, nessa entrevista, se referiu ao Bartholomeu de Gusmão, dirigível que o inventor projetara em 1892 e levantou voo dois anos depois, mas cujas estruturas, feitas em bambu, não suportaram o esforço. O acerto de suas concepções, no entanto, o animaram a um novo projeto, o Pax.

Enquanto o Pax era manufaturado, Severo, que devia ser ele mesmo o piloto da aeronave, fez três ascensões em balões esféricos como treino: a primeira, sob a direção de Emile Carton, no dia 28 de outubro de 1901, em companhia do fi lho Otávio e do amigo Álvaro Pereira Reis; a segunda, em 18 de novembro, com Natália e o construtor do Pax, Henri Lachambre; e a terceira, em 28 de novembro, na qualidade de piloto, com Reis e Antônio Pacheco da Silva.

Severo já havia então perdido o prêmio Deutsch: em 4 de novembro de 1901, após uma prova muito contestada realizada no dia 19 do mês anterior com o dirigível Nº 6, o Aeroclube da França resolvera conceder o prêmio a Alberto Santos Dumont, um experiente balonista brasileiro que desde 1898 vinha fazendo animadoras experiências de condução com balões alongados dotados de lemes, hélices e motores a gasolina.

Nos meses consecutivos, a construção do Pax prosseguiu a passos lentos. Se Severo havia encontrado excelentes operários como auxiliares, o mesmo não se podia dizer dos seus fornecedores, que o serviam mal. Rara era a peça do balão que não exigia substituição ou reparação, e muitas vezes, quando pensava poder fazer a primeira ascensão, tinha de adiar o evento em semanas. Tais inconvenientes acarretavam despesas consideráveis. Uma carta de Natália à sobrinha Alice Duarte, escrita em 13 de dezembro de 1901, revela um pouco do cotidiano da família e dos problemas enfrentados:

“Nós vamos bem, mas eu tenho saído muito pouco porque Augusto está todo o dia no balão, que tem dado um trabalho... e tem custado mais do que ele pensava. O trabalho está adiantado, mas parece que só no fi m do mês estará concluído. Temos tido muito desgosto com a imprensa do Brasil, quando a da Europa, em mais de quatrocentos artigos, só tem elogiado os trabalhos e planos de Augusto, sendo que o seu retrato tem sido dado em muitos jornais. Por estes dias, entre outras, Augusto receberá a visita de E. Zola.”

Ao contrário das expectativas, sóem abril de 1902 o Pax ficou pronto. Custou ao todo 150 mil francos, quando talvez não custasse mais de 100 mil, se não houvessem sido necessários tantos reparos e substituições de peças.

O enchimento com hidrogênio durou cinco dias e terminou em 1º de maio. Uma vez cheio o balão, iniciou-se uma verdadeira peregrinação ao hangar do inventor, onde a aeronave impressionava, com seu porte majestoso. O número de visitantes era tal que foi necessário estabelecer-se um serviço de ordem dirigido pela polícia.

O Pax tinha 2.334 metros de cubagem, 30 de comprimento, 20 de altura e 13 de diâmetro. Possuía dois motores a petróleo, da marca Buchet: um de 24 cv à traseira e o outro de 16 cv à dianteira, os quais lhe davam uma potência total de 40 cv. Era dotado de sete hélices: uma tratora, na proa, duas propulsoras (uma na popa e outra na barquinha) e quatro laterais, destinadas a proporcionarem os movimentos de esquerda e direita do aeróstato, à guisa de leme de direção.

Uma estrutura de bambu sustentava as hélices da popa e da proa exatamente as extremidades do eixo longitudinal do balão, em vez de na barquinha, como era usualmente feito, evitando assim que a atuação de duas forças em sentido contrário – a tração e o arrasto – em pontos não diametralmente opostos da aeronave, gerassem perturbações prejudiciais ao equilíbrio e à marcha. Tal problema era conhecido como “tangagem” e até então não havia tido uma solução prática.

Severo fez duas ascensões cativas (com o balão preso por cordas) em maio para se familiarizar com o manejo do dirigível: a primeira no dia 4 e a segunda no dia 7. Ambos os testes deram excelentes resultados. O balão obedecia com facilidade ao impulso das hélices e demonstrava equilíbrio perfeito. Severo parecia fazer jus à antonomásia que ganhara, o “vencedor dos ventos”; mas o Pax estava mantido pela corda, o que favorecia a estabilidade. Teria o dirigível a mesma estabilidade quando livre e entregue às correntes aéreas? Essa era a grande questão e só uma ascensão livre poderia elucidá-la.

O voo inaugural foi marcado para 12 de maio. Às 5h30min desse dia, o balão, ovacionado por uma pequena multidão, deixou o solo. A aeronave levava Severo e o mecânico francês Georges Saché, que havia trabalhado com Buchet, o fabricante dos motores do Pax. A ele coube a regulagem dos engenhos.

A experiência, à primeira vista, anunciava sucesso. O balão parecia obedecer docilmente às mãos do condutor e evoluía com facilidade. A 100 metros de altura, contudo, a grande hélice traseira deixou de girar a contento. Severo, provavelmente a fim de atingir altitudes superiores em busca de correntes aéreas favoráveis, começou a jogar lastro fora.

De repente, a cerca de 400 metros de altura, os espectadores viram um clarão surgir na altura da nacela. Quase no mesmo instante, uma explosão tremenda foi ouvida. O balão havia se incendiado e estourado!

Sem a sustentação proporcionada pelo hidrogênio, os restos sólidos do aparelho tombaram com uma rapidez vertiginosa no meio da avenue du Maine; por puro acaso, ninguém foi atingido. Outro fato impressionante: conquanto bastante prejudicada pelo choque extraordinário, a estrutura não chegou a se desmontar. Sob os escombros e o entrelaçamento do que havia sido a barquinha, encontraram-se os cadáveres dos dois aeronautas.

As causas do acidente nunca foram estabelecidas com certeza. Pioneiro mundial dos dirigíveis semirrígidos, Severo também foi o primeiro mártir da aeronáutica brasileira.
Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/o_ultimo_voo_de_augusto_severo.html

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O nascimento de uma nação

Conflito mais sangrento de toda a história dos Estados Unidos, a Guerra Civil deixou 620 mil mortos e foi crucial para unificar definitivamente a nação americana



BIBLIOTECA DO CONGRESSO, WASHINGTON D.C

O general Lee (à esq.) ofereceu a rendição dos confederados ao general Grant em 9 de abril de 1865, na Virgínia

por Farid Ameur

“Espere um pouco, mas qual dos dois se rende ao outro?”, ironiza uma testemunha da rendição do general Robert Lee em Appomattox Court House, no estado da Virgínia. A cena é solene. No dia 9 de abril de 1865, Lee, o comandante confederado, vestia seu melhor uniforme, com a espada cerimonial presa à cintura. Apesar do peso da derrota, sua dignidade é admirável. Sofrendo de enxaqueca, o general Ulysses S. Grant se junta a ele vestindo uma jaqueta desabotoada, botas e calças sujas de lama. Respeitoso, ele contém a emoção, enquanto seu adversário fica impassível ao assinar o ato de rendição das tropas confederadas. Seguindo as recomendações do presidente Abraham Lincoln, o vencedor mostra-se magnânimo. Lee ainda consegue que seus companheiros de armas não sejam processados por traição. A guerra havia acabado; era a hora da reconciliação.

A Guerra de Secessão foi o capítulo mais triste da história dos Estados Unidos. Quatro anos de combates deixaram o país devastado: 360 mil nortistas e 260 mil sulistas pagaram com suas vidas. Em média, um em cada cinco soldados foi morto. O número de feridos e inválidos é de aproximadamente 1 milhão. As perdas totais registradas entre 1861 e 1865 são quase tão grandes quanto às de todos os outros conflitos de que os EUA participaram desde o início de sua história. Nem os civis foram poupados. Tais perdas materiais comprovam a obstinação dos dois exércitos combatentes e a eficácia do equipamento militar.

O sul, proporcionalmente mais afetado já que era menos povoado, perdeu um quinto da população ativa. A marcha dos exércitos e a intensidade das batalhas reduziram a cinzas os estados que lutavam pela divisão dos EUA. Para os derrotados, a reconstrução foi longa e dolorosa. Seriam necessários quase 100 anos para curar as feridas de uma guerra fratricida. A violência repentina causou espanto, pois os EUA reuniam todos os elementos do sucesso. Fundado como modelo democrático, seu sistema político era de dar inveja. A Constituição de 1787 previa a separação dos poderes. Primeiro exemplo aplicado de federalismo no mundo, o país foi consagrado por instituições livres e representativas. Some-se a isso a adoção, em 1791, da Declaração dos Direitos dos Cidadãos (Bill of Rights), que garantia as liberdades individuais e públicas de todos.

No século XIX, os EUA estavam em vias de se tornar uma potência cujo território – 8 milhões de km2 – atingira uma dimensão continental. No censo de 1860, a União tinha 31 estados – repartidos de costa a costa, e do Canadá ao México – além das áreas conquistadas a oeste do Mississippi. O crescimento populacional era tão excepcional quanto a expansão territorial. Nessa época, os EUA tinham 31,5 milhões de habitantes. No espaço de 20 anos, a população dobrou graças aos importantes fluxos migratórios da Europa. Essa mão de obra era oportuna, pois o panorama econômico oferecia oportunidades de desenvolvimento. Em uma terra tão rica e fértil, o mercado dos EUA parecia inesgotável. Acima de tudo, a jovem nação caminhava para uma industrialização que já competia com as potências europeias.


BIBLIOTECA DO CONGRESSO, WASHINGTON D.C

No célebre discurso de Gettysburg, Lincoln definiu o fim da guerra como o nascimento da liberdade que traria igualdade a todos os americanos

Mas um sentimento separatista surgiu no coração do país. Desde o início do século XIX, sinais de desunião podiam ser detectados entre a indústria do norte, vetor do progresso, e o sul, terra de uma sociedade patriarcal e agrária, baseada na escravidão. Para proteger a indústria, os estados do norte defendiam a aplicação de uma tarifa protecionista, enquanto os do sul desejavam uma política de livre comércio, a fim de promover a exportação de algodão, principal fonte de riqueza. Os sulistas ainda exigiam o direito de quebrar o pacto federativo e deixar a União Federal se sentissem que seus direitos estavam sendo violados, o que os nortistas contestavam, seguindo uma interpretação literal da Constituição. Em 1832, o estado da Carolina do Sul já havia feito uma ameaça antes de ceder à pressão do presidente Andrew Jackson.

A questão da escravidão pôs lenha na fogueira. De debate moral, tornou-se um problema político com a expansão em direção ao oeste. Os sulistas, cuja cultura do algodão esgotava o solo, tentavam exportar seu modelo de plantação, e com ele o sistema escravista. A ameaça era grave para os agricultores do norte, que cobiçavam essas novas terras. Por meio de acordos, o equilíbrio precário foi mantido, mas o mal-estar se tornou inevitável.

Assim, em 6 de novembro de 1860, quando Abraham Lincoln foi eleito presidente, o sul se inflamou. A vitória do republicano, que representava os interesses do norte, foi percebida como uma provocação. Em 20 de dezembro, a Carolina do Sul se separou do restante do país. Em 4 de março de 1861, quando Lincoln entrou na Casa Branca, sete estados escravistas proclamaram a dissolução da União e formaram uma confederação, à qual aderiram outros quatro estados do sul. Em 12 de abril, o ataque a Fort Sumter, reduto federal na entrada da baía de Charleston, na Carolina do Sul, jogou o país em uma guerra civil.

Lincoln declarou estado de insurreição. Por falta de um exército permanente, ele convocou voluntários para abafar a rebelião. Em 19 de abril, um bloqueio foi montado para asfixiar a economia do sul. Era o plano Anaconda. Para vencer, o norte contava com a superioridade de seus recursos humanos e materiais. Com 22 milhões de habitantes, 80% das indústrias do país, uma importante rede ferroviária, uma concentração de centros comerciais e financeiros, os principais projetos de construção naval, a União podia muito bem enfrentar a Confederação, que dispunha de apenas 9 milhões de habitantes (dos quais 3 milhões eram escravos), e sofria com a falta de bens manufaturados, armas e dinheiro.

Entretanto, o norte não encontrou facilidade. Com muito sacrifício, o general Ulysses S. Grant abriu o caminho rumo ao Tennessee, ocupando em fevereiro Fort Henry e Donelson Fort. O golpe principal foi dado na foz do rio Mississippi. No final de abril, a esquadra do almirante David Farragut tomou Nova Orleans, a maior cidade da Confederação. Sua queda ameaçava o sul de dissolução e obrigou Jefferson Davis, presidente dos estados separatistas, a alistar civis para a guerra. Na Virgínia, os confederados, sob a liderança do general Robert Lee – um oficial de carreira que se manteve fiel ao sul embora considerasse a secessão inconstitucional e condenasse moralmente a escravidão –, conseguiram adiar o êxito das tropas do norte. Em junho de 1862, o general Lee forçou o general George McClellan, que chegara às portas de Richmond, quartel-general dos sulistas, a dar meia-volta. Nos dias 29 e 30 de agosto, Lee impôs uma nova derrota ao exército da União, em Bull Run. Em seguida, invadiu o estado Maryland em uma tentativa de tomar a capital federal. Mas em 17 de setembro foi derrotado nas margens do córrego Antietam, perto da cidade de Sharpsburg. Com 23 mil vítimas, esse foi o dia mais sangrento do conflito.


BIBLIOTECA DO CONGRESSO, WASHINGTON D.C

Ao assumir o front da Virgínia em 1864, o general Grant travou um duelo de gigantes com o general Lee

Em 1863 as coisas mudaram. Primeiramente, porque Lincoln assinou em 1° de janeiro o ato de libertação dos escravos, que foi, em certos casos no norte, sinônimo de abolição. Em segundo lugar, porque a guerra tomou uma grande proporção, as batalhas eram cada vez mais sangrentas. O desenvolvimento de novas armas, os 3 milhões de homens mobilizados dos 14 milhões disponíveis, a vasta faixa territorial onde se davam as batalhas, a importância dos meios de trans-porte e comunicação (ferrovias, telégrafo) e a organização de operações por terra e água refletiam a evolução dos projetos militares. Pela primeira vez um conflito mobilizava todos os recursos da sociedade civil. O esgotamento dos recursos do sul foi a chave para a vitória.

Depois de duas vitórias, em Fredericksburg (em 13 de dezembro de 1862) e Chancellorsville (em 2 de maio de 1863), Lee invadiu a Pensilvânia, mas seu progresso foi interrompido pelo general George Meade em Gettysburg, em julho de 1863. Cerca de 51 mil soldados foram postos fora de ação. Foi um momento-chave da guerra. No dia 4 de julho, data da independência americana, Grant tomou Vicksburg, no Mississippi, dividindo a Confederação em duas partes. Dominando todo o curso do rio Grande, os nortistas chegaram às portas do sul. Em 1864, Grant foi transferido para o fronte de Virgínia com a missão de derrotar Lee, que se viu obrigado a recuar. Em 14 de abril de 1865, o assassinato de Lincoln, em um teatro em Washington, deu uma dimensão ainda mais trágica àquele momento.

No sul arruinado, devastado, sujeito à dura lei dos vencedores, os anos de reconstrução foram conturbados. Muitos sulistas, desafiando a derrota, perpetuaram o mito da “causa perdida”, daí o clima de extrema violência, ilustrada pelos crimes de bandidos como Jesse James ou de sociedades secretas como a Ku Klux Klan. Ocupado militarmente até abril de 1877, o sul só sairia de seu estado de subdesenvolvimento depois da Segunda Guerra Mundial, como resultado das obras realizadas na bacia do Mississippi e da exploração de petróleo e gás no Golfo do México. Os negros, por sua vez, precisaram esperar até os anos 1960 para conquistar os direitos civis. Isso mostra como a Guerra Civil afetou a história americana. Não à toa ela é tema recorrente nas obras de escritores do sul, como William Faulkner, ou no cinema, de O nascimento de uma nação (1915) a Cold mountain (2003), passando por ...E o vento levou (1939).

O conflito perdura como uma epopeia nacional, o único que opôs americanos. Ao longo de gerações, o sonho de Lincoln se realizou. Seu triunfo tornou o pacto federativo indestrutível. Foi essa experiência terrível, e não a luta pela independência, que fez dos americanos um povo unido, consciente de seu destino único. A Guerra de Secessão foi uma espécie de segundo nascimento gravado para sempre na memória coletiva dos americanos.

Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/o_nascimento_de_uma_nacao.html

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A origem da internet

A história da rede de computadores criada na Guerra Fria que deu início à Terceira Revolução Industrial


Raytheon BBN Technologies / Divulgação

Equipe da empresa BBN Technologies que desenvolveu o servidor IMP, o que viabilizou o funcionamento da Arpanet
por Véronique Dumas*

A internet revolucionou o funcionamento tradicional das sociedades modernas como o fizeram, a seu tempo, a imprensa, a máquina a vapor, a eletricidade ou a telegrafia sem fio (rádio). Hoje parece normal fazer cursos on-line, preencher formulários administrativos a distância ou expressar opiniões em fóruns de discussão. Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 67,9 milhões de brasileiros estavam conectados à internet ou seja, o número de domicílios com acesso à internet no Brasil cresceu 71% entre 2005 e 2009. No entanto, poucos conhecem sua história e as razões de sua criação.

De acordo com o dicionário Houaiss, internet é “rede de computadores dispersos por todo o planeta que trocam dados e mensagens utilizando um protocolo comum”. Ela nasceu no final dos anos 1960, em plena Guerra Fria, graças à iniciativa do Departamento de Defesa americano, que queria dispor de um conjunto de comunicação militar entre seus diferentes centros. Uma rede que fosse capaz de resistir a uma destruição parcial, provocada, por exemplo, por um ataque nuclear.

Para isso, o pesquisador Paul Baran concebeu um conjunto que teria como base um sistema descentralizado. Esse cientista é considerado um dos principais pioneiros da internet. Ele pensou em uma rede tecida como uma teia de aranha (web, em inglês), na qual os dados se movessem buscando a melhor trajetória possível, podendo “esperar” caso as vias estivessem obstruídas. Essa nova tecnologia, sobre a qual também se debruçaram outros grupos de pesquisadores americanos, foi batizada de packet switching, “troca de pacotes”.

Em 1969, a rede ARPAnet já estava operacional. Ela foi o fruto de pesquisas realizadas pela Advanced Research Project Agency (ARPA), um órgão ligado ao Departamento de Defesa americano. A ARPA foi criada pelo presidente Eisenhower em 1957, depois do lançamento do primeiro satélite Sputnik pelos soviéticos, para realizar projetos que garantissem aos Estados Unidos a superioridade científica e técnica sobre seus rivais do leste.

A ARPAnet a princípio conectaria as universidades de Stanford, Los Angeles, Santa Barbara e de Utah. Paralelamente, em 1971, o engenheiro americano Ray Tomlinson criou o correio eletrônico. No ano seguinte, Lawrence G. Roberts desenvolveu um aplicativo que permitia a utilização ordenada dos e-mails. As mensagens eletrônicas se tornaram o instrumento mais utilizado da rede. A ARPAnet seguiu sua expansão durante os anos 1970 – a parte de comunicação militar da rede foi isolada e passou a se chamar MILnet.

(C) Mark J. Terril / AP Photo / Glow Images

O engenheiro da computação Leonard Kleinrock posa junto ao Arpanet
Outras redes, conectando institutos de pesquisas, foram criadas nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França. Faltava estabelecer uma linguagem comum a todas. Isso foi feito com o protocolo TCP/IP, inventado por Robert Kahnet e Vint Cerf em 1974. A ARPAnet adotou essa padronização em 1976. E assim começou a aventura da web com seu primeiro milhar de computadores conectados. O afluxo de usuários engendrou um fenômeno de sobrecarga. Em 1986, uma nova rede foi lançada pela National Science Foundation. A ARPAnet se juntou a ela quatro anos mais tarde.

Uma etapa decisiva foi superada em 1990 com a criação, por um pesquisador do Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear em Genebra (Cern), Tim Berners-Lee, do protocolo HTTP (Hyper Text Transfer Protocol) e da linguagem HTML (Hyper Text Markup Language), que permitem navegar de um site a outro, ou de uma página a outra. A World Wide Web (www) lançou seu voo, e a internet se abriu ao público, empresas particulares e privadas. Uma multidão de sites apareceu.

Com uma infraestrutura de comunicação teoricamente desprovida de autoridade central, a internet, todavia, seria gerida de um contrato com o governo americano, que havia financiado sua criação, e diversos órgãos que assegurariam seu crescimento. Foi o caso da Internet Assigned Numbers Authority (IANA), responsável pela gestão dos nomes dos domínios, o DNS (Domain Name System). Graças a ele, os endereços IP, constituídos de uma série de códigos (o endereço numérico atribuído a cada computador conectado à rede) são traduzidos em letras que compõem nomes identificáveis e memorizáveis.

Apesar de gerido pela IANA, o DNS sempre esteve sob controle do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Em 1998, sua gestão foi confiada a uma organização californiana de direito privado, a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann). Em 2009, os contratos que ligavam a Icann ao Departamento de Comércio americano expiraram, e a empresa passou a ter mais autonomia. Sua missão é assegurar, dos Estados Unidos, a coordenação técnica do sistema de denominação. Deve promover também a concorrência e garantir a representação global das comunidades na internet. Os interessados em política mundial da rede podem participar de seus trabalhos, por meio de fóruns acessíveis em seu site na web.

Esse controle técnico e administrativo da internet nos Estados Unidos causa, porém, tensões internacionais. Desde 2003, a Organização das Nações Unidas (ONU) reclama uma gestão “multilateral, transparente e democrática, com a plena participação dos Estados, do setor privado, da sociedade civil e das organizações internacionais”. Em 2006, em decorrência de tal demanda, foi instituída uma estrutura de cooperação internacional, o Internet Governance Forum (IGF). Mas essa instância tem apenas papel consultivo. Ela deve, também, velar pela liberdade de difusão das inovações tecnológicas e ideias. Uma questão essencial, pois a internet se baseia no princípio de neutralidade, que exclui qualquer discriminação da fonte, destinatário ou conteúdo transmitido na rede.

(C) Jason Lee / Reuters / Latinstock (China)

Há três anos, a China criou uma "sub-rede", diretamente controlada pelo governo: ações como essa contrariam a ideia de uma internet livre para todos
Já existem mais de 2 bilhões de internautas no mundo, ou seja, um terço da população planetária. Os progressos da informática, associados aos do audiovisual e das telecomunicações, permitiram a criação de novos serviços. Depois do desenvolvimento de redes de banda larga com fio (ADSL e fibra óptica) e sem fio (wifi, Bluethooth e 3G), e da internet móvel (WAP), desenvolveram-se outras tecnologias e produtos da chamada “web 2.0”. Essa segunda geração se caracteriza por suas aplicações interativas (blogs, wikis, sites de compartilhamento de fotos e vídeos ou redes sociais), que renovaram a relação entre os usuários e os serviços de internet, criando o princípio de uma cultura compartilhada em rede.

Assim como a dominação americana da regulação técnica é vista por outros Estados como uma ameaça, o estabelecimento de controles nacionais por meio de sistemas que impedem o livre acesso à internet constitui também outro perigo político para as liberdades individuais.

Em janeiro de 2007, o especialista francês Bernard Benhamou anunciou em um artigo sobre as novas questões da governança da internet que a capacidade de fragmentação da rede apresenta riscos em relação ao plano industrial e político. Ele pensava particularmente na China, que tentou criar seu próprio sistema de endereçamento, independente do DNS. Uma maneira eficaz de bloquear a consulta de seus sites aos internautas de fora e de interditar à população chinesa o acesso aos sites externos.

Isso já é realidade. Há mais de três anos o servidor de nomes de domínios chineses não passa mais pela Icann, para que, de acordo com o governo chinês, seu povo possa aprender os ideogramas, em vez de palavras do alfabeto latino. Essa “sub-rede”, de acordo com a expressão do jornalista Hubert Guillaud, do jornal francês Le Monde, que recebe o nome poético de “escudo de ouro”, é diretamente controlada pelo governo chinês. Não há dúvidas de que esse tipo de internet do Império do Meio, que associa censura e controle, pode rapidamente ser copiado por nações que não utilizam o alfabeto latino. Isso teria como consequência a fragmentação da internet em múltiplas redes incompatíveis.

A “ciberguerra” que opôs Google e Pequim no início de 2010, quando o maior site de buscas do mundo ameaçou deixar o país após ser atacado por hackers chineses e constatar a invasão de contas de e-mails de ativistas de direitos humanos, fez do livre acesso à internet uma prioridade da política externa dos Estados Unidos. A internet se converteu em uma arma política da Casa Branca na luta pela preservação de sua hegemonia comercial e estratégica.

As recentes revoluções na Tunísia e no Egito mostraram o papel determinante da web, dos blogs e das redes sociais na queda de regimes ditatoriais. A internet se tornou “um Titã que ninguém pode conter”, como disse o jornalista tunisiano Taoufik Ben Brik, e essa nova ciber-resistência pode, se não mudar, pelo menos acelerar o curso da história.

Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/o_nascimento_da_internet.html

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Leningrado, sinfonia heroica

A cidade resiste ao ataque dos alemães não apenas com armas, mas com uma obra musical de Shostakovich, composta entre alertas de ataques aéreos

STATE MEMORIAL MUSEUM OF DEFENCE AND SIEGE OF LENINGRAD, SAINT PETERSBURG

Em 1944, com o fim do cerco, expressão de alívio e felicidade no rosto de mulheres que se preparam para apagar cartaz que alertava para o perigo e bombas

Por Xavier Donzelli

As cenas se alternam: ora revelam as mãos ágeis do pianista, que faz malabarismos no teclado, ora exibem o músico, seu instrumento e um salão iluminado miseravelmente por velas. A fachada do imóvel, crivada de balas, invade a tela. Na rua sucedem-se vultos fantasmagóricos. Um plano geral exibe civis agasalhados que dividem espaço com soldados armados. Chega-se aos limites da cidade, a seus subúrbios destruídos. Ouvem-se explosões. A câmera sobrevoa trincheiras, fortifi cações, uma terra arrasada marcada pela ação incessante da artilharia. Em seguida, vêm ordens secas em alemão. Podem-se distinguir na penumbra postos avançados da Wehrmacht...

Não procure na sua memória de cinéfilo a lembrança dessa sequência: ela nunca foi rodada. Sergio Leone planejou fazê-lo, mas o diretor italiano morreu em 1989 antes de realizar a primeira tomada. No entanto, essa cena existiu. As mãos são as do compositor Dmitri Shostakovich. A ação aconteceu em Leningrado, no dia 19 de setembro de 1941.

Fazia três meses que a operação Barbarossa – a invasão da URSS por Hitler – havia começado. Por meio de um ataque-surpresa, as forças armadas do Reich subjugaram o Exército Vermelho e penetraram no território russo, sem dar ao inimigo chance de se recompor, de se organizar. A ordem era pegá-lo pela garganta e estrangulá-lo. Na Ucrânia e nos países bálticos já tremulava a bandeira com a suástica. Os finlandeses, que declararam guerra à URSS em 26 de junho, se aproximavam de Leningrado. A operação de Hitler previa a sua conquista em um mês – ou seja, no final de julho.

Na cidade dos czares, o diretor do conservatório, Dmitri Shostakovich, preparava-se para uma audição de seus alunos quando ocorreu o ataque. Shostakovich está apreensivo: tem um trabalho a fazer em meio ao caos da guerra. Trata-se da sua sinfonia, a Sétima, que já tinha inscrito no programa do conservatório para a temporada 1941-1942. Será que ela veria a luz do dia? E o que compor em tais circunstâncias?

No front, o Exército Vermelho luta com a energia do desespero. Desde 8 de agosto, os primeiros Junkers alemães sobrevoam Leningrado. A defesa se organiza. Noventa mil civis se empenham em defender sua cidade. Shostakovich deseja participar. Pedido negado – fora de questão arriscar a vida de um homem tão ilustre. Ele insiste. Para não deixarem de atendê-lo, as autoridades o designam para uma brigada anti-incêndio. Em 29 de julho, um fotógrafo o imortaliza vestido de bombeiro com um capacete rutilante. A imagem correu o país. O grande compositor encarna o espírito de resistência de Leningrado.

Mas a cidade vai resistir ainda por muito tempo? No dia 1º de setembro granadas se abatem sobre zonas industriais e devastam ruas do centro da cidade. Shostakovich, entre um alerta e outro, trabalha. Ele compõe: no dia 3, o primeiro movimento de sua sinfonia – A invasão – fica pronto. Uma semana depois, após um novo assalto, Leningrado, ameaçada ao norte pelos finlandeses e ao sul pelos alemães, encontra-se separada do resto da Rússia. É o início de seu longo cerco. Única saída para o abastecimento da cidade sitiada: o lago Ladoga, no nordeste, fora do alcance do inimigo.

Após o bombardeio dos entrepostos de abastecimento, em 8 de setembro, as reservas de alimentos e combustível se esgotam – estima-se que não durarão mais de duas semanas... No dia 17, os alemães se apoderam do bairro Alexandrovska. No mesmo dia, Shostakovich dá os últimos retoques no segundo movimento da Sétima. Ele a submete ao parecer de amigos músicos que reúne em sua casa, na rua Skorokhodov, no bairro de Petrogrado – entre os quais, o compositor Gavriil Popov. Shostakovich é interrompido pelo toque das sirenes, que alertam para que as famílias se refugiem em seus abrigos. A cerca de 100 metros do local onde acontece essa primeira audição, o Gostiny Dvori, centro comercial na avenida Nevsky, está em chamas.

Esse dilúvio de bombas era o desejo de Hitler. Em 22 de setembro, o Führer declara querer “apagar Leningrado da face da terra”. A situação da cidade se agrava em outubro. Seus moradores fi cam sem combustível e eletricidade às portas do inverno. As rações diminuem drasticamente para 300 gramas de pão por dia para os soldados e 125 para os civis.

Como outros artistas de Leningrado, Shostakovich também teve que deixar a cidade. Ele foge, em 1º de outubro, em direção a Moscou, depois Kouibychev, na Sibéria – longe do front. Lá ele se abriga numa casa simples com sua mulher, Nina, e seus dois filhos, Galina (5 anos) e Maxime (3 anos). O artista levou apenas algumas partituras, entre as quais a da Sétima, mas nesse refúgio a inspiração lhe falta e as notícias provenientes do front o alarmam.

Shostakovich cede ao desânimo por algum tempo. Mas o compositor não é do tipo que se deixa abater. Ele sempre respondeu à adversidade com a criação. Em 27 de dezembro de 1941, a sinfonia está pronta. Nas primeiras páginas da partitura, pode-se ler a seguinte dedicatória : “À cidade de Leningrado”.

Desde então, essa peça magistral, escrita para uma centena de instrumentos, permanecerá intimamente ligada à história da cidade e ao cerco que ela vai enfrentar, o mais longo da história da guerra. A operação maquiavélica de Hitler – sitiar Leningrado pela fome (2,5 milhões de habitantes) – leva à morte 630 mil pessoas durante o inverno de 1941-1942. A cidade resiste de qualquer maneira: sem aquecimento, sem eletricidade, quase sem víveres e medicamentos, iluminada à luz de velas. Mas, em 22 de novembro, os primeiros caminhões de abastecimento seguem a estrada traçada sobre o lago Ladoga congelado – esse cordão vital será, até 1943, a única via de abastecimento da cidade.

Em Kouibychev, uma orquestra foi encarregada, no início de 1942, da execução da Sétima. As apresentações se sucedem, sob a batuta do maestro Samuel Samossoud. Em fevereiro, no Pravda, órgão do Partido, Alexei Tolstoi, entusiasta do regime, elogia Shostakovich nestes termos: “Tendo escutado bater o coração da pátria, (ele) compôs um hino ao seu poder, a seu triunfo futuro...”

As palavras do poeta ressoam nos ouvidos de Stalin, que, mesmo não tendo especial afeição pelo compositor, avalia que benefícios pode tirar da obra – seu objetivo: que ela encarne o espírito da “Grande Guerra patriótica” que ele invoca para galvanizar seu povo. E, quando Stalin ordena, os sovietes obedecem: em 5 de março, os músicos do Bolshoi – também exilados em Kouibychev – executam a sinfonia. No dia 22, ela é reprisada em Moscou. Desde então, nada mais, nem mesmo o alerta disparado nesse dia durante o segundo movimento, poderá interpor-se à sua marcha triunfal.

Vários países requisitam a partitura. Microfi lmada, e escondida numa lata, ela começa então um périplo épico. Transportada de avião até Teerã, segue de carro até o Cairo, de onde voa para a Inglaterra. Ela foi tocada uma primeira vez pela Orquestra Filarmônica de Londres e retransmitida pela BBC em 22 de junho de 1942. Uma semana depois, convidados ilustres se apressam para o prestigioso Royal Albert Hall, onde a Sétima está em cartaz.

Nos Estados Unidos, três maestros exilados – Serguei Koussevitzky, Leopold Stokowski e Arturo Toscanini – chegam mesmo a disputar o privilégio de reger o primeiro concerto nas Américas. Em 19 de julho, a poderosa rede de difusão da NBC retransmite para todo o país o concerto – regido finalmente por Toscanini. A lenda da Sétima começa. A foto de Shostakovich vestido de bombeiro nas ruas de Leningrado deu até capa na revista Time.

Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/leningrado_sinfonia_heroica.html

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Sebastianismo

Por Ana Paula de Araújo

O Sebastianismo foi um movimento místico-secular que ocorreu em Portugal, durante a segunda metade do séc. XVI. Foi causado pela morte do rei D. Sebastião, durante a batalha de Alcácer-Quibir, no ano de 1578.

Como D. Sebastião não possuía herdeiros, o trono de Portugal ficou sob o poderio do rei Filipe II, da Espanha. O Sebastianismo, foi, portanto, uma esperança na vinda de um salvador, adaptado às condições lusas. Seria traduzido como uma inconformidade, um sentimento de insatisfação com a situação política da época, e uma expectativa de mudança (salvação), mesmo que para isso acontecer fosse necessário um verdadeiro milagre, como a ressurreição do rei morto, D. Sebastião.

Em Portugal foi divulgada uma lenda de que o Rei ainda estava vivo, esperando o momento certo para retomar o trono e afastar o rei estrangeiro, lenda que foi encorajada pelo fato de o povo não aceitar a história de que o corpo do Rei haveria sido transportado para Belém.

O Sapateiro de Trancoso, Bandarra (poeta português), escreveu diversos versos que clamavam o retorno do Rei, chamado de “Desejado” como cognome. Isso fez com que o sentimento se propagasse ainda mais no país. Ocorreu também de vários oportunistas tentarem se fazer passar pelo rei, tentando ganhar algum benefício, mas ao serem descobertos, eram condenados à morte.

O movimento perdeu forças quando a situação política finalmente mudou, no dia 1 de Dezembro de 1640, quando um grupo de conjurados chefiados pelo Duque de Bragança retomou o trono português através do golde da Restauração. Portugal voltou à independência, mas o Sebastianismo ainda permaneceria por muito tempo na mente dos portugueses. O Duque de Bragança viria a se tornar D. João IV.

Após este episódio, o movimento (sebastianismo) tomaria novas formas por todo o Império Português, e chegaria ao Nordeste do Brasil como forma de crença popular na chegada de um “rei bom”. Escritores importantes como Padre Antonio Vieira e Fernando Pessoa deixaram escritos a respeito do movimento, ressaltando principalmente o patriotismo por ele causado.

No Brasil, o Sebastianismo influenciou movimentos populares desde o Rio Grande do Sul até o Norte, isso por consequências de alguns fatos como o de Antonio Conselheiro empregá-lo em seus discursos em Canudos, afirmando que D. Sebastião retornaria dos mortos para restaurar a monarquia no Brasil. Como neste episódio, o termo foi empregado em outros no país, e acabou ficando bastante conhecido na região Nordeste.

O Sebastianismo acabou, portanto, tornando-se um mito, e como é próprio dos mitos, tem sido adaptado a realidade de diversos momentos da história.

Fontes:
http://www.pt-comunidades.com/index.php?option=com_content&view=article&id=632:lendas-e-mitos-de-portugal-o-mito-do-sebastianismo&catid=70:lendas-e-mitos-de-portugal&Itemid=305
http://aulete.uol.com.br/sebastianismo
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/canudos7.htm
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=721
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=419&Itemid=1
http://www.citi.pt/cultura/historia/personalidades/d_sebastiao/garrett.html
http://www.infopedia.pt/$sebastianismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sebastianismo

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