Ao final da Idade Média, novidades tecnológicas começaram a aparecer na Europa. Os costumes restritos de outrora passaram a se dinamizar e a busca pelos metais preciosos se tornou cada vez mais intensa. Ao mesmo tempo, foram se desenvolvendo as grandes navegações, que permitiram maior circulação de mercadorias e das chamadas especiarias. A Revolução Comercial A Revolução Comercial transferiu o antigo eixo econômico existente no Mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico, uma vez que as relações não se limitavam mais ao continente europeu. O comércio passou a atuar de forma global, envolvendo os continentes conhecidos à época. Surgiu uma nova concepção econômica que recebeu o nome deMercantilismo. Esta nova filosofia baseava-se em três elementos. O primeiro estava ligado ao surgimento de uma nova classe social, a burguesia. O segundo era a expansão ultramarina impulsionada pelas grandes navegações, que abriu caminho para o capitalismo comercial e a alteração das relações econômicas no mundo. E o terceiro era o “metalismo”, que, na filosofia mercantilista, determinava a riqueza do país proporcionalmente à quantidade de metal precioso acumulado. Para isto acontecer era necessário manter uma balança comercial favorável, o industrialismo e o colonialismo. A Revolução Comercial permitiu a acumulação de capital necessária para estabelecer as bases do capitalismo e seu desenvolvimento, que resultou na Revolução Industrial. Mas as conseqüências imediatas da Revolução Comercial foram o afluxo de metais preciosos, a ascensão da classe social burguesa, o aumento dos preços e o retorno da escravidão. Fonte: Por Antonio Gasparetto Junior
1.10.10
Revolução Comercial
História Antiga
A historiografia tradicional costuma dividir o estudo da história em períodos. Esses períodos são baseados em grandes transformações das formas de vida do homem, seus relacionamentos e concepções de mundo. Sob esta perspectiva, a história da humanidade estaria dividida nas seguintes fases: Pré-História, História Antiga, História Medieval, História Moderna e História Contemporânea. O atentado terrorista ocorrido no dia 11 de setembro de 2001 ficou reconhecido como um evento que rompeu com a estabilidade existente no mundo, por isso há rumores entre os historiadores e cientistas sociais que a data inaugurou uma nova fase na história da humanidade, chamada inicialmente de História Pós-Contemporânea. O modelo clássico de divisão da história da humanidade, todavia, passou a ser muito questionado. O modo como é apresentado faz parecer que o mundo todo se alterou a partir de datas específicas, o que, obviamente, não corresponde à realidade. Todos esses períodos são dinâmicos, características de cada fase aparecem em períodos anteriores ou posteriores, como fruto das variáveis relações humanas. Outro argumento que desqualifica o modo tradicional de como a História é dividida tem por base o fato de que todos os períodos são determinados em relação aos eventos oriundos das civilizações européias. Assim, os continentes americano, africano e a Oceania só aparecem na História a partir da Idade Moderna, como se não houvesse civilizações nesses ambientes antes da chegada dos europeus. A História Antiga, por sua vez, possui um recorte temporal que se inicia em 4.000 a.C. e se estende até o ano 476. Essas balizas representam o surgimento da escrita cuneiforme e a invasão e tomada do Império Romano pelos bárbaros. Logicamente, esse vasto período da humanidade inclui muitas civilizações, não somente na Europa. É muito comum associar História Antiga com Egito, Mesopotâmia, Grécia e Roma. Mas devemos atentar para várias outras civilizações importantes para a história da humanidade. Essa visão tradicional faz parecer que cada um desses povos eram auto-suficientes e herméticos, enquanto, na verdade, influenciaram e também receberam influências fundamentais de outros povos. É verdade, contudo, que é muito complicado estudar todos os povos da antiguidade. Identificá-los já é um trabalho árduo por si só. Além disso, a existência de fontes que permitam o trabalho dos historiadores é muito escassa. O trabalho com História Antiga necessita muito empenho, uma vez que muitas fontes se perderam no tempo e outras são redigidas em línguas as quais não foram ainda decifradas. Entre as civilizações mais recorrentes e conhecidas da História Antiga estão: a civilização do Egito Antigo, a mesopotâmica, o povo Hebreu, os fenícios, os persas, os chineses, os hindus, os cretenses, os gregos, os macedônicos e os romanos. A civilização do Egito Antigo se formou no vale do rio Nilo, no nordeste da África. Esse povo se organizou em torno de 3.200 a. C. como um império. A Mesopotâmia, localizada na Ásia Menor, reuniu uma civilização entre os rios Tigre e Eufrates e tinha como povos mais importantes os sumérios e os babilônios. O povo Hebreu representa um dos casos em que a origem ainda é desconhecida. Os hebraicos foram responsáveis pela história da Antiga Israel. Os fenícios eram um povo de origem semita localizados na costa oriental do mar Mediterrâneo. Surgiram em torno do ano 3.000 a.C. O Império Persa ocupou toda a Ásia Menor ao longo de dois séculos de existência. Sua grande civilização começou em 549 a.C. e terminou em 3330 a.C. quando foi dominada pelos macedônios. Os chineses permaneceram isolados por muito tempo em decorrência de seu próprio isolamento geográfico. A civilização chinesa encontrava-se no extreme oriente, mas por si só foram responsáveis por grandes descobertas e invenções na história da humanidade. Sabe-se que em torno de 1.500 a.C. os chineses estavam bem organizados sob a forma de um reino. Sua civilização durou por muitos séculos. A civilização hindu ocupou a Índia em torno de 2.000 a.C. e também ficou distanciada de outros povos por causa da posição geográfica. Da mesma forma que a China, muitas invenções importantes para a história da humanidade vieram dos hindus. A civilização de Creta foi contemporânea ao Egito Antigo e estava localizada numa ilha do mar Mediterrâneo. Estava perto da Grécia e da Ásia Menor. Desenvolveram uma cultura muito rica desde o terceiro milênio a.C. e foram muito influentes para a cultura grega. Os gregos, por sua vez, ocuparam uma península banhada pelo mar Jônico, o Egeu e o Mediterrâneo desde o século XX a.C. Muito influentes para a história da humanidade, suas principais cidades eram Atenas e Esparta. O Império Macedônico foi organizado por Filipe II e conquistou um grande território sob o reinado de Alexandre, o Grande. A expansão do Império Macedônico, que começou no século IV a.C., causou a fusão de culturas, gerando acultura helenística. Os romanos representaram uma enorme civilização desenvolvida a partir da península Itálica, na Europa. A fundação de Roma ainda é um mistério para os historiadores, mas o império que se formou influenciou a vida e a cultura na Europa, África e Ásia por séculos. Sua queda se deu em 476 a.C. e marcou o início de uma nova fase da história da humanidade. Fonte: Por Antonio Gasparetto Junior
A Inconfidência Mineira
Consistiu em reuniões de conspiradores, não chegando a haver rebelião armada.
As causas foram a opressão administrativa portuguesa, agravada pelo declínio da produção de ouro; a existência de uma elite local que vivia de rendas diversificadas (mineração, pecuária, agricultura) portanto, menos dependente da exportação de matérias primas e a quem prejudicava o pacto colonial; a agitação ideológica da época, com a difusão das idéias liberais de John Locke, Montesquieu e Jean-Jacques Rousseau; e a ocorrência da Revolução Americana de 1776, com a independência dos Estados Unidos. Os conspiradores compreenderam três grupos, o dos ideólogos (Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa), o dos ativistas (Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, tenente-coronel Freire de Andrade, padre Oliveira Rolim) e dos financistas e contratadores (Domingos de Abreu Vieira, Joaquim Silvério dos Reis).
Este último denunciou o movimento, que deveria eclodir quando fosse decretada a “derrama”(cobrança de quintos atrasados).
Estes já atingiam uma enorme soma e o pagamento arrasaria os mineiros.
Controlada a revolta, foi instaurado o processo: a “devassa” (processo judicial pelo qual são reunidas provas e depoimentos para averiguação de um ato criminoso), os principais culpados foram condenados ao degredo, à exceção de Tiradentes, condenado à pena de morte e executado em 21 de abril de 1792. Após o enforcamento, Tiradentes foi esquartejado, sendo sua cabeça exposta em Vila Rica. Sobre os planos dos inconfidentes é sabido que proclamariam a República, fundariam uma universidade em Vila Rica e fábricas nas regiões mais importantes do país. O serviço militar seria obrigatório.
Quanto à bandeira ficou resolvido que teria um triângulo com a frase Libertas quae sera tamen (Liberdade ainda que tardia).
Havia posições a favor e contra a escravidão, além da convivência entre monarquistas e republicanos.
Fonte:
Imagem - http://jpfba.flogbrasil.terra.com.br/fotos/b/0/1/jpfba/1208780264.jpg
http://www.slimsite.hpg.ig.com.br/inconf.html
URSS x China Socialista
Khrushchev e Mao em uma das últimas reuniões que antecederam o rompimento entre chineses e soviéticos.
Por Rainer Sousa
O auge dessa crise acabou sendo consumado no ano de 1962, quando o Partido Comunista Chinês declarou abertamente que o Partido Comunista da União Soviética praticava um socialismo de natureza revisionista. Tal acusação sugeria que os soviéticos deturpavam as doutrinas socialistas a favor de ações que não estariam de acordo com as ideias dos grandes pensadores socialistas. Legítima ou não, a acusação acabou servindo de justificativa para que as relações entre os países fossem rompidas.
Ao chegarmos à década de 1970, percebemos que a diferença de comportamento que diferenciava chineses e soviéticos sofreu uma curiosa mudança. Naquela década, o governo chinês, já não mais sob a tutela de Mao Tse-Tung começou a abrir portas para um diálogo com os Estados Unidos. Além da simples aproximação diplomática, percebemos que a China passou, também, a abrir portas para ações econômicas de natureza capitalista que viessem a fortalecer o país.
Por outro lado, o imobilismo e a grande estrutura burocrática soviética foram responsáveis por uma grande crise econômica que acabou forçando a extinção do socialismo no país. No governo de Mikhail Gorbachev foram tomadas medidas diversas que modernizaram as instituições políticas da União Soviética e estabeleceram a introdução do capitalismo no seu território. Somente no ano de 1986 foi que chineses e soviéticos se reaproximariam.
Fonte:http://www.alunosonline.com.br/historia/urss-x-china-socialista/
O processo eleitoral no Brasil Império
Ao perceber tal organização, vemos que o nosso processo eleitoral era organizado de forma indireta. Ou seja, os cidadãos eleitores (eleitores de paróquia) elegiam os representantes (eleitores de província) que, por sua vez, escolheriam quem deveria ser eleito para os cargos da Câmara e do Senado. Vale lembrar que os deputados e senadores deveriam comprovar uma renda anual mínima ainda mais elevada do que os eleitores. Os candidatos à deputado deveriam ter renda mínima de 400 mil réis por ano e os candidatos ao Senado de 800 mil réis anuais. Dessa forma, vemos que os principais cargos legislativos do país eram unicamente alcançados por pessoas que tinham um poder aquisitivo bastante elevado naquela época e nunca poderiam contar com a participação das camadas populares. Por Rainer Sousa Fonte:
A Tarifa Alves Branco
Assim que foi aprovada tal cobrança, os ingleses manifestaram seu repúdio à ação promovendo a aprovação da Lei Bill Aberdeen. De acordo com este decreto, os navios da Marinha Inglesa passavam a ter o direito de prender os navios negreiros que circulassem pelas águas do Atlântico. Tal ação acabou prejudicando a demanda dos produtores agrícolas que exploravam a mão de obra escrava. Por Rainer Sousa Fonte:
O colapso da Liga das Nações
Dado o fim da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), as nações envolvidas nesse conflito se reuniram a fim de discutir as melhores alternativas para se chegar a um acordo definitivo. Entre outras várias decisões, os tratados firmados no pós-guerra estabeleceram a criação da chamada Liga das Nações. Em suma, a Liga era um órgão de natureza internacional fundado com o objetivo de arbitrar os conflitos entre as nações do mundo e empregar todos os esforços possíveis para a manutenção da paz mundial. Em um primeiro instante, percebemos que a decisão seria benéfica e que o êxito de um organismo como este seria útil para que as mazelas vividas na Primeira Guerra não viessem a acontecer mais uma vez. Isso em tese, pois, na prática, a Liga das Nações não refletia em nada a situação política vivenciada naqueles tempos. Afinal de contas, outros acordos da mesma época serviram para aguçar as diferenças entre aqueles que venceram e os que perderam com a Grande Guerra. A prova maior do fracasso desse organismo foi a própria ascensão dos regimes totalitários no continente europeu. Céticas em relação aos benefícios do liberalismo e da democracia, tais nações acreditavam que as humilhações vividas após a Primeira Guerra Mundial só seriam sanadas com o fortalecimento de suas forças militares e a conquista de novos territórios. Na verdade, por trás desse discurso expansionista, se acobertava a revanche contra os vencedores da Primeira Guerra Mundial. O primeiro sinal da fragilização da Liga das Nações foi observado quando, em 1931, o governo japonês realizou a ocupação do território da Manchúria, originalmente controlado pela China. Em um primeiro momento, o organismo internacional se manifestou contra a ação imperialista do governo japonês. Em resposta, o Japão colocou em descrédito a legitimidade do órgão ao sustentar sua presença na China, ocupando outras regiões da Ásia e do Pacífico, e anunciando a sua saída da Liga das Nações. Na Alemanha, a ascensão de Adolf Hitler no governo do país determinou outros eventos que agravariam ainda mais a inapetência da Liga. A partir de 1935, descumprindo as sanções impostas pelo Tratado de Versalhes, o governo nazista voltou a fomentar a sua indústria de armas e a estabelecer o alistamento militar obrigatório. Pouco tempo depois, realizou a reintegração dos territórios do Sarre e ocupou a Renânia. A França, país vizinho destes territórios e um dos membros centrais da Liga, nada fez a respeito. No mesmo período, o governo fascista do líder italiano Benito Mussolini impôs a invasão dos territórios da Abissínia, atual Etiópia. Ainda tentando exercer autoridade, a Liga das Nações decretou uma série de sanções econômicas contra os italianos enquanto a ocupação fosse mantida. Ao saber do ocorrido, Adolf Hitler ofereceu um programa de auxílio econômico para os italianos. Mais uma vez, o poder de atuação política da Liga era completamente ignorado. O mais grave golpe se deu com o desenvolvimento da Guerra Civil Espanhola (1936 - 1939), momento em que italianos e nazistas apoiaram as forças do general Franco contra os defensores da democracia naquele país. Naquele instante, ficava claro que a Liga das Nações não teria competência alguma para evitar o revanchismo das nações totalitárias ou preservar a paz mundial. A despeito da organização, a Segunda Guerra Mundial já estava a caminho. Por Rainer Sousa Fonte:
Arte, ciência e literatura no século XIX
Na arquitetura, retomaram-se padrões estéticos passados. O estilo gótico medieval mais uma vez apareceu entre as construções. Na França, o Art Noveau valorizava a decoração arquitetônica com o uso de linhas sinuosas e inspiração em elementos da natureza. Além disso, o uso do concreto armado viabilizou o aumento das construções prediais e a elaboração de desenhos arquitetônicos cada vez mais arrojados. Foi nessa época que os arranha-céus começaram a dominar o ambiente das grandes cidades contemporâneas.
Na pintura, podemos detectar uma grande via de diálogo com as correntes literárias. O Realismo procurou retratar situações cotidianas e trazer um equilíbrio entre o rigor estético e a expressão dos sentimentos. Outra importante corrente nascida no período foi a impressionista. Valorizando a sensação causada pelas cores, retratavam diferentes situações mundanas.
A música nessa época também viveu grandes mudanças, tanto no campo erudito quanto no popular. O predominante romantismo da obra de Beethoven abriu portas para uma rica geração de compositores. Wagner começou a privilegiar a temática nacionalista. Stravinski e Schönberg buscaram grandes rupturas com o sistema musical clássico, criando o sistema dodecafônico.
Outra grande mudança foi concebida na música popular. Até então, a música popular era considerada um tipo de música rude e sem maiores rigores ou complexidades. O jazz apareceu com uma novidade musical arraigada nos guetos norte-americanos. Influenciado pelo blues, work-songs e spirituals dos trabalhadores rurais negros, o jazz mostrou uma complexidade estética que questionava a separação da cultura erudita e popular.
Na passagem do século XIX para o XX, a chamada cultura de massa começou a aparecer nas grandes cidades. Na França, os irmãos Lumière causaram uma nova transformação no campo das artes. A criação do cinematógrafo trouxe a criação das artes cinematográficas. Elogiada por uns e criticada por outros, o cinema fundou a chamada “sétima arte”.
Por Rainer Sousa
A Guerra dos Trinta Anos
Essa guerra teve início com a chamada “Defenestração de Praga”, momento em que membros da nobreza tcheca lançaram representantes do rei católico Fernando II pela janela. Tal ato era, na verdade, uma reação contra a severa política dos reis católicos que proibiram os cultos protestantes em diversas partes do Sacro Império Germânico. Em tal período, a dinastia dos Habsburgos procurava unificar os vários territórios germânicos sob força de um mesmo reinado. Utilizando a perseguição religiosa dos Habsburgos como pretexto, vários príncipes da Europa se unificaram em torno de uma força militar e religiosa chamada de Liga Evangélica. Apesar de católica, a França incentivou levantes dos protestantes nas regiões em que os Habsburgos imperavam. Já em 1619, quando a guerra já completava seu primeiro ano, os protestantes cercaram a cidade de Viena, capital da Áustria, e determinaram que a coroa da Boêmia fosse entregue a Frederico V, da União Evangélica. No ano seguinte, a Liga Sagrada, composta por nobres católicos, foi organizada com o objetivo de recuperar os domínios anteriormente perdidos. Na chamada Batalha da Montanha Branca, os católicos, sob a liderança de João T'Serklaes Von Tilly, venceu e expropriou todos os protestantes localizados nas regiões de língua checa. Tempos depois, o rei germânico Fernando II contou com o apoio da Espanha para transformar a Boemia em domínio dos Habsburgos. Em 1648, a Paz de Vestfália deu um ponto final a essa extensa guerra. Nesse acordo, os holandeses finalmente tinham sua independência reconhecida pelos espanhóis. Ao mesmo tempo, o poderoso e ameaçador Sacro Império Germânico ficou reduzido apenas a um conjunto de pequenos estados autônomos. Sob o ponto de vista religioso, esse mesmo acordo determinou a liberdade religiosa nos países e territórios assolados pelo conflito. Por Rainer Sousa Fonte:
Alexandre e Aristóteles; o conquistador e o filósofo
Ruínas do antigo palácio imperial em Persépolis
"Depois desta batalha de Issus... os macedônios começaram a tomar o gosto pelo ouro, pela prata, e pelas mulheres, e do modo de viver dos asiáticos, afeiçoando-se de tal maneira a isso que, como se fosse cães, saíram no rastro em busca e perseguição da opulência dos persas." Plutarco - Alexandre (in Vidas Paralelas), séc. I
Os banquetes que Alexandre, o Grande, começou a dar aos seus próximos, e aos legatários estrangeiros que, como abelhas, não paravam de enxamear em volta da sua Corte ambulante, tornaram-se cada vez mais suntuosos, licorosos e violentos. A antiga moderação militar em que ele fora criado, em meio às falanges de Felipe, seu pai, rei da Macedônia, fôra-se no tropel das conquistas. O mesmo se aplicou ao censo de moderação que Aristóteles, o grande filósofo que fôra seu preceptor, ensinara-lhe. Os ares da Ásia tinham disso. Inspiravam o luxo e a chibata.
Imensa e abismal região, desconhecida para a maioria dos gregos, Alexandre transpôs o Bósforo, em 334 a.C., com o livro de Xenofonte embaixo do braço. A fantástica narrativa intitulada Anábasis (retirada de dentro para fora, em grego), que o capitão dos mercenários gregos escrevera depois de ter participado na malsucedida aventura do príncipe persa Ciro, morto em 401 a.C., tornou-se a bússola de Alexandre.
A bússola e o mapa. A detalhada descrição dos acidentes geográficos, dos povos, dos vilarejos e cidades, que a força de 10 mil mercenários gregos percorrera em território pertencente ao Império Aquemênida, era a única informação correta que o conquistador dispunha. Nem Aristóteles, o sabe-tudo, tinha idéia onde, afinal, terminava aquele continente fantástico que as patas de Bucéfalo, o cavalo de Alexandre, começaram a pisar.
A campanha do macedônio foi espantosa. Em apenas três anos, de 334 a 331 a.C., ele colocou os domínios de Dario III baixo seu controle. Bateu os persas em Granicus, em Issus, e em Gaugamelas, fazendo ainda, a caminho do Egito, capitular a cidade de Tiro, no Líbano, após tê-la submetido a um sitio formidável.
Ao entrar em Persépolis, a capital do imperador derrotado, em 330 a.C., indo remover o suor do campo de batalha nas piscinas de Dario, ordenou que incendiassem o palácio real. Vingou a queima do Pártenon de Atenas, feita pelos soldados de Xerxes um século e meio antes. No entanto, ao saber da beleza extraordinária da esposa e das filhas do monarca em fuga, nem as quis ver para não deixar-se possuir por tentações. Foi um dos seus cada vez mais raros momentos de autocontrole. As festas se multiplicavam.
Alexandre bebia mal. Um punhado de taças deixavam-no propenso às brincadeiras pesadas. Numa delas, fez seus próximos, quase todos oficiais gregos e macedônios, prestarem-lhe homenagens à moda asiática, isto é, se arrastado em sua frente e beijando-o como se ele fosse um deus.
Doutra vez, em meio a uma cantoria de bêbados que redundou em desavença, Alexandre, furioso, trespassou com uma lança o seu amigo Clito. Embriagado e inconveniente, o grego dizia ao conquistador que ele, nos últimos tempos, desprezava a companhia dos homens livres, só aprazeirando-se em meio a escravos e aduladores que zuniam ao seu redor. E não estava de todo errado em sua crítica. O clima despótico da Ásia fazia seu efeito. Aos poucos o jovem rei, afinal só tinha 30 anos de idade, deu-se a pretensão de ser um filho de Zeus.
Calistenes não se prostrou
Calistenes, o filósofo ateniense que também era o cronista da expedição de Alexandre na Ásia, sobrinho de Aristóteles, sentiu-se cada vez mais desconfortável na presença dos delírios de divindade que acometiam Alexandre. Certa vez, preferiu fazer uma piada e sair antes de uma daquelas festanças porque viu o rumo que as coisas tomavam. Alexandre marcou-o.
Para desgraça dele, não muito depois, envolveram-no no nebuloso episódio da Conspiração dos Pajens, ocorrido na Bactria, quando um dos participantes de um fracassado atentado contra a vida de Alexandre, um tal de Hermolau, insinuou ter sido ele, Calistenes, o mentor intelectual da maquinação. O conquistador mandou prendê-lo, e, passados uns meses, foi executado na cadeia em 328 a.C..
O filósofo, estimam, tinha só 32 anos. O episódio, porém, prestou-se a muitas conjeturas, porque Calistenes, nascido em cidade livre, desaprovava a divinização do poder. Sabia que a lisonja e a proskynesis, a prostração - anátemas para um grego criado em liberdade -, eram os primeiros degraus da escada que levava ao despotismo. Morreu como mártir, se bem que bem pouco conhecido, da causa dos cidadãos que, em todas as épocas, repeliram a sujeição e a bajulação que comumente os poderosos exigem dos outros ao longo da história.
Fonte: VOLTAIRE SCHILLING
