7.7.11

O Destino Manifesto e a Guerra contra o México

(1846-1848)


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General Z.Taylor, pôster pela guerra

A ideologia do Destino Manifesto, que fazia dos americanos uma espécie de novo povo eleito, desde que se difundiu entre eles a partir da metade do século XIX , agiu como um poderoso elemento mobilizador da energia do país e dos indivíduos para a conquista de novos territórios ao oeste e sul do continente. Foi um verdadeiro elixir do expansionismo e do intervencionismo norte-americano, que, depois de ter anexado o Texas em 1836, engoliu a metade do território do México na guerra de 1846-48.

"A pura raça anglo-americana está destinada a estender-se por todo o mundo com a força de um tufão. A raça hispano-mourisca será abatida."

New Orleans Creole Courier, 27.01.1855.


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Alegoria do Destino Manifesto

O constante avanço da colonização para o Oeste e para o Sul da América do Norte fez brotar em meio àquela sociedade em formação a ideologia do Destino Manifesto, que expressava um dogma de autoconfiança e ambição supremas - a idéia de que a incorporação aos Estados Unidos de todas as regiões adjacentes, mesmo que estivessem bem afastadas de Washington, constituía a realização virtualmente inevitável de uma missão moral assinalada à nação pela própria Providência. O Destino Manifesto era, de certa forma, uma adaptação americanizada da ideologia do imperialismo providencialista que começava a surgir na Europa e que teve, posteriormente, no poeta Rudyard Kipling, sua forma literária mais acabada, explicitada na frase "o fardo do homem branco", na qual o europeu era visto vagando pelo mundo primitivo dos demais continentes encarregado de civilizar os nativos. E, sob o ponto de vista teológico, uma versão secularizada, adaptada aos americanos, da idéia bíblica do povo eleito, escolhido pelo Todo-Poderoso para açambarcar toda a Terra da Promissão.

A questão texana, que se iniciou em 1836, foi um poderoso fator de mobilização nacional para a concretização de mais uma etapa do Destino Manifesto.


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O General Santa Anna rende-se a Sam Houston em San Jacinto,1836

O território do Texas, que inicialmente pertencia ao império mexicano (proclamado em 1823), é tão vasto quanto a França. Colonos americanos haviam lá se estabelecido tanto clandestinamente como aceitando o convite do Imperador Augustin I (Itubirde) para ali se fixarem como "empresários". Durante os onze primeiros anos, eles possuíam relativa autonomia, sendo que S. F. Austin governava a região

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Sam Houston, presidente do Texas

praticamente sem fazer consultas à capital mexicana. Assim, estes colonos nem tomaram conhecimento quando, em 1825, o Congresso mexicano votou a abolição da escravatura no território nacional, e não emanciparam os seus servos. Os atritos aumentaram quando, depois do império ter sido abolido, o general Santa Anna resolveu instituir uma constituição centralista que suprimia com os particularismos e com as assembléias locais. Os colonos texanos, vendo-se ameaçados, se amotinaram e expulsaram a guarnição mexicana de San Antonio.

Los Alamos e San Jacinto

A resposta não tardou. O general Santa Anna, marchando para o norte, dizimou uma centena de fronteiriços, aventureiros americanos, em Los Alamos (6 de março de 1836), onde cinco mil mexicanos cercaram e mataram todos os 144 sitiados, comandados pelo coronel Travis e pelo aventureiro David Crockett e seus caçadores do Tennessee - num episódio que foi celebrado como a Tróia dos texanos -, mas terminou fragorosamente derrotado na batalha de San Jacinto, quando Sam Houston, o general-em-chefe dos texanos, não só destroçou as forças mexicanas como capturou o próprio comandante-em-chefe: o general Santa Anna, em trajes civis, em pessoa (21 de abril de 1836). Os texanos ratificaram sua nova constituição, legalizaram a escravidão e elegeram Sam Houston presidente. Logo trataram de obter o reconhecimento dos Estados Unidos bem como encaminharam uma solicitação de anexação pela União. Se foi Jackson quem reconheceu a república do Texas, coube ao presidente Tyler admiti-la na União em caráter definitivo em fevereiro de 1845.


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Alamo, a Tróia dos colonos texanos


A guerra mexicana


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O presidente James Polk (1845-49)

A anexação do Texas implicava praticamente numa declaração de guerra ao México, que até então não havia reconhecido a sucessão do seu território. O presidente James Polk, recém-empossado em 1845, aproveitou-se da ocasião não apenas para confirmar a integração do Texas à União como também estender seus interesses para as regiões do Novo México e da Califórnia. Para evitar futuros confrontos com as nações européias ainda presentes em amplas áreas da América, Polk enunciou uma advertência no sentido de que se uma antiga colônia, rompidas suas relações com a metrópole e declarada sua independência, desejasse juntar-se aos Estados Unidos, esta questão seria considerada de "interesse interno" pertinente apenas aos americanos. Deste modo, Polk preparava o terreno para poder dar início à política expansionista que faria com que os Estados Unidos se fixassem definitivamente no Pacífico. A guerra eclodiu no momento em que o presidente havia ordenado que suas tropas se deslocassem para a fronteira sudoeste para dar proteção ao território texano. Rusgas fronteiriças serviram de pretexto para uma declaração formal de guerra contra o México.


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Batalha de Cerro Gordo

Califórnia independente


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Capitão Fremont, líder da Califórnia

Ao mesmo tempo, o comodoro Sloat, comandante da zona do Pacífico, recebeu instruções de se apoderar de San Francisco, enquanto uma rebelião de caçadores, aventureiros e colonos americanos, liderados pelo capitão John Charles Fremont, apelidadoThe Pathfinder, chefe da Milícia de Voluntário chamada Bear Flaggers, depois de render as guarnições mexicanas, proclamava a República da Califórnia (14 de junho de 1846).

Poucos tempo depois, em janeiro de 1848, o capitão John Suttler e o carpinteiro James Marshal acharam uma maravilhosa pepita à beira do rio American Fork, no Moinho Sutter, dando início à Golden Rush, a célebre corrida do ouro da Califórnia.

O ataque conjugado ao México


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Batalha de Monterrey, 1846

As forças norte-americanas invadiram o México através de dois movimentos. O primeiro foi executado pelo general Zachary Taylor, que atravessou a fronteira do Rio Grande e, bem mais equipado, derrotou as forças mexicanas em Monterrey, em setembro de 1846. O segundo materializou-se no bloqueio e ocupação do porto mexicano de Vera Cruz.


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A conquista da Cidade do México

Polk aceitou o oferecimento do general Santa Anna, que se encontrava exilado em Cuba, que se comprometera a "firmar o tratado que fosse preciso firmar" desde que Polk o auxiliasse a retornar ao poder. A cidade do México cai sob ocupação americana em setembro de 1847, depois do general Scott bater as forças mexicanas remanescente na batalha de Chapultpec, obtendo a seguir um armistício com Santa Anna (pelo qual este recebeu dez mil dólares). A conquista da Cidade do México, especialmente o assédio norte-americano ao forte de Chapultepec, antiga residência-fortaleza dos vice-reis espanhóis, submetido a intenso bombardeio, reproduziu de certa forma, pela desproporção dos recursos em armas, o sítio que esta mesma cidade, a outrora bela e imponente capital do império asteca, sofreu pelas forças de Cortés, o conquistador espanhol, quatro séculos antes. A resistência demonstrada pelos defensores, por sua vez, tornou-se um mito nacional entre os mexicanos, especialmente o feito dos seis últimos cadetes (niños héroes), que preferiam lutar até a última bala do que se entregar. O heroísmo deles serviu para a maioria dos mexicanos como um antídoto à vilania do general Santa Anna, que pouco fez para manter a honra nacional, fazendo com que graças àquela atitude, ainda que desesperada, a batalha de Chapultepec, que foi uma inequívoca derrota militar, se assomasse aos mexicanos como uma vitória moral.

O Tratado Guadalupe-Hidalgo

Em 2 de fevereiro de 1848, foi assinado o Tratado Guadalupe Hidalgo, no qual o México reconheceu a fronteira do Rio Grande como definitiva, cedendo em caráter permanente o Texas, perdendo ainda o Novo México, o Arizona, o Colorado, a Alta Califórnia, incluindo Nevada, Utah e o Wyoming: uma área que perfazia bem mais da metade do território mexicano. Como as baixas fatais dos americanos alcançaram 2.703 homens, é de se supor que foi a maior proporção de terras obtidas numa guerra pelo menor número de vidas perdidas na sua conquista em toda a história moderna. O vencedor assumiu as obrigações de pagamentos pendentes bem como de indenizar o vencido em quinze milhões de dólares. É fácil, pois, entender o profundo sentimento antiamericano presente nos mexicanos até os nossos dias. Para Lippman, a conquista da maior parte do México, a pretexto de expandir a democracia, "foi uma vilania vestida com a armadura de uma causa justa". Conclusão não muito diferente que chegou um dos próprios


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Batalha nas proximidades da cidade do México

participantes da guerra, o general Ulysses Grandt, que em 1846 era um jovem oficial. "Não creio", escreveu ele nas suas memórias, "que jamais tenha existido uma guerra tão malvada como aquela que os Estados Unidos travaram contra o México. Foi o que eu pensei então quando era jovem, só não tive fortaleza moral suficiente para apresentar minha renúncia".

Dividem-se os intelectuais

Interessa observar a maneira totalmente contraditória que dois intelectuais americanos viram a guerra mexicana e a subseqüente cessão do território aos Estados Unidos. Enquanto Henry Thoureau denunciou a guerra como um ato covarde de uma nação poderosa contra uma república pobre, pregando a desobediência civil, conclamando, por meio do seu panfleto Civil Desobedience, 1849, os cidadãos americanos que não pagassem imposto e nem aceitassem colocar uniforme, Walt Whitman, ao contrário, endossou-a com entusiasmo dizendo: "O que tem a haver esse México miserável e ineficiente - com suas superstição, com sua paródia de liberdade, sua tirania real de poucos sobre muitos - que tem ele a haver com a grande missão de povoar o novo mundo com uma raça nobre? Que seja nosso lograr esta missão!"(5)


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H.Thoreau e W.Whitman, opostos durante a guerra contra o México

Leia mais:
» As Bases do Imperialismo
» A Conquista do Canal do Panamá
» O Corolário Roosevelt e a Diplomacia do Dólar
» Cuba e a Guerra Hispano-americana de 1898
» A Doutrina Monroe, 1823
» EUA e o Delírio Intervencionista
» O Império de Classe Média

Notas

1) WEINBERG. A. Destino Manifesto. Buenos Aires. Paidós, 1968, p. 16.

2) MORRISON & COMMAGER. História dos Estados Unidos da América. São Paulo: Melhoramentos, v. II, p. 13 e seg.

3) MORRISON & COMMAGER. Op. cit., p. 26-8.

4) MORRISON & COMMAGER. Op.cit. p. 28-9, também em Dozer, D. América Latina. 2.ed., Porto Alegre: Globo, 1974, p. 301.

5) QUIROGA, Miguel Angel G. - El poder de una idea [http://www.pbs.org/kera/usmexicanwar/mainframe-sp.html]

Fonte:

30 de junho de 1934 - A implacável noite dos Longos Punhais

Jornal do Brasil: Domingo, 1º de julho de 1934 - página 9
A Noite dos Longos Punhais foi um episódio de conspiração, traição e morte nas entranhas do poder da Alemanha nazista. Numa mal sucedida resistência à liderança de Adolf Hitler, o capitão Ernst Röhm, seu antigo colaborador e comandante da Seção de Assalto - SA Sturmabteilung, braço militar do Partido Nazista, passou a defender publicamente a transformação da mesma em uma milícia independente, e com poderes para controlar o exército alemão. Seu discurso foi repelido pela classe média e inquietou as bases militares e industriais, indispensáveis para os planos de longo prazo do Führer. A reivindicação de Röhm alarmou os generais, que passaram a cobrar de Hitler uma resposta enérgica. O ex-colaborador não imaginava o seu destino, após cair em desgraça com o Chanceler.

Alegando reação a uma rebelião no seio da SA, então com dois milhões e meio de soldados, Hitler livrou-se de maneira brutal dos seus traidores. Durante a madrugada, elementos da sua guarda pessoal, a SS - Schutzstaffel, invadiram o hotel em que Röhm se encontrava na companhia de outros líderes da SA. Surpreendidos, todos foram detidos e rapidamente fuzilados. A inquietação pública na capital foi evidente e deu margens aos mais aterradores boatos. Para conter a agitação, o governo reforçou a segurança nas ruas com a SS, e deu ordens extremas à imprensa que não noticiasse os fatos, sob risco de severa punição aos desobedientes.



O triunfo e a hegemonia de Hitler

Oficialmente, o governo alegou que a SA preparara um golpe contra o Reich. Na realidade, porém, Hitler concretizava mais uma de suas estratégias de poder. Como um ano antes ele tinha liquidado a esquerda alemã, o massacre significou a eliminação dos seus últimos rivais. Sem contestação, era o líder supremo. A SS, força de elite ideológica e racial, passou a ter grande relevância na estrutura do poder, encarregada da segurança interna da Alemanha e, na guerra, dos países ocupados. O banho de sangue custou dezenas de vidas, muitas sem qualquer ligação com Röhm.
Fonte:Jblog

Max Karl Ernst Ludwig Planck (1858 - 1947)

Max Karl Ernst Ludwig Planck  (1858 - 1947)
Por volta de 1942 Max Planck era um homem atormentado. Fazia 40 anos que suas descobertas científicas haviam aberto à física novos horizontes, permitindo um progresso vertiginoso na compreensão dos fenômenos subatômicos: agora, cientistas alemães, utilizando suas descobertas, propunham-se a construir o mais temível engenho bélico de todos os tempos: a bomba atômica.

A Alemanha, porém, não conseguiu levá-la a termo. Isso foi feito pela América do Norte, que três anos mais tarde explodia o artefato sobre Hiroxima e Nagasáqui. E Max Planck viveu o bastante para testemunhar o triste acontecimento.

Uma das grandes conquistas do início do século XIX foi a "redescoberta" da descontinuidade da matéria. Esta mostrava-se composta de "unidades", os átomos (ou as moléculas), entre os quais havia o vácuo. Coube a Planck estender o conceito de descontinuidade também à energia. Planck postulou que as trocas de energia entre átomos, ou, mais geralmente, entre corpos, não eram quantidades quaisquer. Parecia existir, para a energia, uma estrutura granular, pois as trocas faziam-se envolvendo quantidades bem determinadas.

Isso foi a descoberta do caminho para o interior do átomo, para o conhecimento de sua estrutura e para a elucidação de fenômenos até então inexplicados; implicava também a existência, nele, de propriedades ainda não percebidas.

Contudo, a idéia de descontinuidade da energia mostrava-se inverossímil; parecia excessivamente transcendente, completamente desligada da intuição. O próprio criador da idéia mantinha-se céptico a respeito. Definiu-a à perfeição, dela extraindo todas as conseqüências possíveis. Mas, apesar de constituir uma hipótese promissora, Planck sempre a considerou apenas como tal: uma simples hipótese, capaz de explicar parte da verdade, mas que posteriormente seria substituída por outra. Planck seguia fielmente o princípio de Leibniz, segundo o qual "Natura non facit saltum" - a natureza não dá salto. Na época da formulação da hipótese da descontinuidade da energia, o cientista não sabia ainda ter penetrado em uma das mais importantes características do universo físico. Sua concepção seria mais tarde confirmada por estudos profundos sobre os átomos e seus núcleos.

Max Planck nasceu em Kiel, a 23 de abril de 1858, descendendo de uma família de teólogos e juristas. Com nove anos de idade seguiu com seu pai, professor de direito, para Munique. Enquanto rapaz, suas preferências dividiam-se entre a arte e a ciência. No colégio, sua habilidade com a matemática era tal que, quando o professor dessa cadeira não comparecia, ele era chamado a substituí-lo. E, dentro da arte, o seu maior entusiasmo era pela música, à qual se dedicou com grande paixão. Foi regente da orquestra da Universidade de Munique e também de alguns coros particulares. Foi compositor, tendo deixado, entre outras obras, uma opereta de câmara. Embora sua verdadeira vocação fosse a ciência, a música constituiu um refúgio onde podia esquecer seus problemas, permanecendo até o fim de sua vida como uma fonte de conforto e satisfação.

Outra das distrações de Max Planck era o alpinismo, que praticou até idade avançada. Aos 62 anos escalou o Jungfrau, monte suíço com cerca de 4.000 metros de altura.

Seus estudos superiores na Universidade de Munique sofreram um hiato de um ano, durante o qual teve oportunidade de acompanhar na Universidade de Berlim cursos de física ministrados por Von Helmholtz e Kirchhoff. Nessa época, teve sua atenção vivamente despertada pelo estudo da termodinâmica. De volta a Munique, prosseguiu suas pesquisas nesse campo, não conseguindo, porém, grande sucesso. Apesar disso, laureou-se com uma tese sobre o segundo princípio da termodinâmica.

Na expectativa de conquistar uma cátedra em uma universidade européia, realizou uma série de conferências sobre o ramo científico no qual se havia especializado. Contudo, a cátedra, à qual Planck realmente aspirava, era a de física teórica.

Em 1885, foi nomeado professor de física teórica da Universidade de Kiel e a partir de então começou a projetar-se no mundo científico. Entre seus trabalhos dessa época, destaca-se um estudo sobre a natureza da energia, enviado à Universidade de Göttingen. Dos pesquisadores que remeteram seus trabalhos, Planck foi o único a ser premiado.

Em 1889 a influente amizade de Von Helmholtz valeu-lhe a transferência para a Universidade de Berlim, como sucessor de Kirchhoff. Alguns anos mais tarde, passou a ocupar a cátedra de física teórica - seu grande sonho. Essa permanência em Berlim deu-lhe a possibilidade de conviver com pesquisadores famosos, como Reymond, Mommsen, Nernst, Ostwald, além do grande Helmholtz.

Em fins do século XVIII, uma das dificuldades da física consistia na interpretação das leis que governam a emissão de radiação por parte dos corpos negros.



Tais corpos são dotados de alto coeficiente de absorção de radiações; por isso, parecem negros para a vista humana. Eles possuem a interessante propriedade de emitirem radiações de diferentes comprimentos de onda, à medida que muda a temperatura à qual são levados. Quanto mais alta esta última, mais completa se mostra a gama da radiação emitida, tendendo para a cor branca; quanto mais baixa a temperatura, mais deslocado se mostra o espectro da radiação emitida, que tende então para o vermelho. Sob temperaturas inferiores a certo limite, situado em torno de 5000 C, o corpo negro emite sensivelmente apenas radiações infravermelhas.



Utilizando os preceitos científicos então existentes, podia-se explicar facilmente que um corpo idealmente negro deve ser também um perfeito emissor de radiação: com o tempo, o corpo negro irradia no espaço, sob a forma de radiação térmica, toda a energia que contém.

Não era, porém, possível explicar a distribuição da energia pelos vários comprimentos de onda: a emissão de radiação não se dá em um só comprimento de onda; além disso, o que se desloca com a temperatura é o comprimento de onda correspondente à máxima emissão de energia.

Segundo as teorias vigentes, um átomo estaria em condições de emitir ou absorver radiações com continuidade. Essa foi a primeira dificuldade com a qual Planck deparou quando abordou o problema. Entretanto, com sua imaginação fecunda, percebeu que era possível interpretar a curva de distribuição das radiações emitidas pelo corpo negro simplesmente supondo que cada átomo agia como uma corda vibrante, capaz de emitir, de uma só vez, sob a forma de um pequeno grupo de ondas, toda a energia nele contida. Seria como se a corda vibrante, quando excitada, pudesse descarregar de uma só vez todo o som que é capaz de gerar, ao invés de sofrer uma lenta atenuação em sua vibração.

Planck, seguindo essa linha de raciocínio, supôs que o átomo emitisse radiação em "pacotes", que denominou, no singular, de quantum. Cada um deles conduziria toda a energia de uma excitação atômica. E mais: todo quantum deveria ser constituído de radiação eletromagnética, com freqüência que dependia de energia nele contida. A hipótese completava-se com as considerações de que a freqüência da oscilação eletromagnética seria proporcional à energia do quantum. Em qualquer quantum do universo, a relação entre a energia contida e a freqüência da radiação emitida deveria apresentar um mesmo valor, isto é, deveria ser uma constante universal.

Essa constante foi indicada pela letra h e hoje é conhecida como constante de, Planck (h = 6,62 x 10-34 J x s).

Em 14 de dezembro de 1900 veio à luz sua teoria sob a forma de uma comunicação à Sociedade Alemã de Física. Os estudos de Einstein e Bohr, posteriormente, vieram complementá-la.

Por quarenta anos Planck lecionou na Universidade de Berlim, da qual foi também reitor, de 1913 a 1915.

Seu pensamento filosófico considerava o materialismo dialético como premissa fundamental de toda pesquisa científica. Embora condenando a intromissão de questões religiosas na ciência, admitia uma função social na religião.


(Planck com Einstein)

As inúmeras honrarias que recebeu - foi presidente do Instituto Kaiser Guilherme de Física, membro da Academia de Ciências, Prêmio Nobel de Física em 1918 e inspirador da Medalha Planck em 1929 - não foram suficientes para confortá-lo das muitas mágoas que o atingiram. De dois casamentos havia tido cinco filhos. Uma das filhas casou-se com Max von Laue (Prêmio Nobel por seus estudos sobre raios X), mas dois filhos tiveram sorte trágica. Um tombou em Verdun, durante a I Guerra Mundial, e outro foi morto por agentes da Gestapo, em 1944, por haver participado de um atentado contra a vida de Hitler.

Ao fim da guerra, sua casa em Berlim estava destruída. E também arrasada estava sua preciosa biblioteca. Max Planck, fugindo ao palco da tragédia, retirou-se para Göttingen, onde faleceu a 3 de outubro de 1947. Sua morte passou completamente despercebida no mundo ainda conturbado pelas conseqüências da guerra recém-finda.

Fonte:
http://br.geocities.com/saladefisica3/biografias/planck.htm

2.7.11

Filme Original em cores do teste da Bomba Atômica no atol de Bikini - Original Colour Film of Baker Atom Bomb at Bikini Atoll

Fonte:

Vimeo

Estereótipos e Estigmatização

Estereótipos e Estigmatização
Estereótipo e estigma
Estereótipo é um tipo de visão rígida acerca de como os membros de diversos grupos sociais se comportam, independentemente de como se comportam de fato. Os estereótipos criam barreiras sociais que podem dificultar ou até impedir que a interação social ocorra. Os policiais, por exemplo, tendem a parar motoristas negros com maior freqüência a fim de checar documentos, posse de armas, drogas ilegais etc. Os estereótipos raciais podem, portanto, ajudar a perpetuar relações conflituosas entre a policia e a população negra, em sua maioria das camadas populares. Em relação ao estereótipo de gênero, por exemplo, na maioria das escolas, professores e orientadores educacionais esperam que os meninos se saiam melhor em matemática e ciências e também esperam que as meninas tirem notas melhores em línguas. Pais e mães, por sua vez, tendem a reforçar esses estereótipos em suas atividades cotidianas, através da ideologia de gênero: conjunto de idéias sobre o que constitui papéis e comportamentos femininos e masculinos apropriados. Costumam presentear as meninas com bonecas e adereços domésticos e os meninos com carrinhos ou bola de futebol. Um fator importante da ideologia de gênero encontra-se na hora da escolha dos cursos universitários. As jovens tendem, em sua maioria, a escolher cursos de Humanas, que acabam levando a empregos com remuneração mais baixa, porque esperam ter que dedicar grande parte da vida ao cuidado dos filhos e da casa. Os efeitos dessa escolha são: grande restrição das oportunidades de carreira e de salários das mulheres em áreas ligadas às ciências e aos negócios; e a formação de guetos sexuais nas carreiras acadêmicas. Quando as hierarquias de gênero interagem com as hierarquias de raça e de classe, estes estereótipos se fazem mais presentes. Em geral, homens brancos com bom nível de renda são aqueles que dispõem de melhores oportunidades educacionais e, uma vez na universidade, reproduzem o mesmo padrão de formação de guetos sexuais das carreiras acadêmicas. Administração, Engenharia Elétrica, Engenharia Civil, Física são cursos majoritariamente masculinos e Enfermagem, Letras, Psicologia, cursos majoritariamente femininos.


Discriminação e preconceito
1 – Diferentes termos e significados
• Racismo: Crença segundo a qual a característica visível de um grupo (por exemplo: cor da pele) indica e justifica sua inferiorização e até segregação.

• Preconceito: Qualquer atitude negativa em relação a uma pessoa ou a um grupo social que derive de uma idéia preconcebida sobre tal pessoa ou grupo. É possível, então, dizer que a atitude preconceituosa está baseada não em uma opinião adquirida coma experiência, mas em generalizações que advêm de estereótipos.

• Discriminação: Tratamento injusto de pessoas devido ao fato de pertencerem a um determinado grupo. Implica em separar, segregar e estabelecer diferenças.

Na década de 1950, o cientista social, Oracy Nogueira, na tentativa de reformular a noção de preconceito de cor, escreveu o livro Preconceito de Marca. As relações raciais em Itapetininga, em que fazia um estudo comparativo da "situação racial" brasileira com a dos Estados Unidos. O autor identificou a existência de dois padrões de discriminação: "preconceito de marca" e "preconceito de origem". O primeiro caracterizaria o racismo à brasileira enquanto o segundo tipo descreveria a realidade americana.


“Preconceito de marca”: em relação às aparências, isto é, quando toma como pretexto para as suas manifestações discriminatórias, os traços físicos do indivíduo, a fisionomia (cor da pele, textura do cabelo, formato facial), os gostos, o sotaque...

“Preconceito de origem”: suposição de que o indivíduo descende de certo grupo étnico considerado inferior. Assim, o indivíduo ligeiramente branco, nos EUA, são considerados e tratados como negro. No Brasil, o mestiço, em função da ausência ou de traços negroides pouco visíveis podem ser tratados como brancos, ou não são considerados negros.


2 – Diferentes formas de discriminação, preconceito e intolerância
Discriminação de raça: racismo
Na segunda metade do séc. XIX na Europa, a noção de raça ganhou contornos científicos. Características como inteligência e comportamento passam a ser investigadas a partir de correlações com o corpo humano. Dentre os principais integrantes desta corrente de pensamento, podem ser citados o italiano Cesare Lombroso (1835-1909) e o francês Arthur de Gobineau (1816-1882). Lombroso, médico italiano, foi considerado o “pai” da antropologia criminal. Ele estabelecia relações entre elementos anatômicos e a criminalidade (considerado um fenômeno físico e hereditário). Gobineau entendia que a miscigenação resultava na degeneração das raças consideradas superiores. Entretanto, tratava-se de um fenômeno inevitável. O racismo científico no Brasil (1870-1930) foi um pensamento oriundo das faculdades de direito (Recife e São Paulo) e de medicina (Bahia e Rio de Janeiro). A miscigenação era entendida como barreira à identidade nacional positiva concebida aos moldes evolucionistas europeus. A presença e costumes de povos indígenas e africanos foram considerados obstáculos ao progresso e à modernidade no Brasil. O médico baiano Nina Rodrigues (1862-1906), por exemplo, afirmou que a miscigenação ocorrida no Brasil condenava o país ao atraso por um longo tempo. Nos Estados Unidos, a “direção suprema da raça branca” teria garantido a formação de uma sociedade civilizada. Os brasileiros sofreriam com a “instabilidade emocional do mestiço”, que explicaria a degeneração da população. Nos dias de hoje ainda prevalecem, no senso comum, idéias que associam raça, características biológicas e habilidades ou comportamentos. Os negros são considerados melhores no futebol, na música popular e socialmente percebidos mais próximos da criminalidade. É como se comportamentos esportivos, artísticos e criminosos fossem determinados pela raça. Mas a explicação para isso não se encontra na raça ou em predisposições de caráter biológico, mas em condições socioculturais. De maneira geral, pessoas que se deparam com preconceito e discriminação, muitas vezes encontram nos esportes, na indústria do entretenimento e na criminalidade formas de ascensão social que lhes são negadas em outras áreas.

Discriminação de gênero: sexismo
A desigualdade entre mulheres e homens foi socialmente construída há muitos anos, mas três grandes processos sócio-históricos que explicam o seu crescimento: o surgimento de guerras e conquistas de longa distância, que fortaleceram a posição dos homens, aumentando sua autoridade e o poder masculino; o desenvolvimento da agricultura de arado, que exigia adultos fortes trabalhando o dia todo; e a atribuição das mulheres à esfera doméstica e dos homens à esfera pública durante o início da era industrial. Uma das mais importantes expressões da desigualdade de gênero hoje em dia é a defasagem de salário entre homens e mulheres, ainda que desempenhem as mesmas funções. Embora a discriminação de gênero seja ilegal, ela ainda não desapareceu e se faz presente por meio do assédio sexual e do estupro. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, a cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil.

Discriminação de sexualidade: homofobia
Homossexualidade é uma orientação sexual e afetiva dirigida a pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade existiu em todas as sociedades e, em algumas, como a Grécia Antiga, ela era incentivada. Mais freqüentemente, no entanto, atos homossexuais foram reprimidos e até proibidos. Neste sentido, foram criadas comunidades, subculturas e organizações em defesa dos direitos dos homossexuais e da diversidade sexual em geral, organizando passeatas, paradas e grupos de pressão política para expressar sua autoconfiança e exigir direitos iguais aos da maioria heterossexual. Entretanto, muitas pessoas, inclusive crianças e jovens, são muito rígidas ao reforçar papeis de gênero convencionais e aplicam sanções a outras pessoas que se “desviam” das convenções. A discriminação contra homossexuais ocorre principalmente por meio de referências preconceituosas no intuito de humilhar, discriminar, ofender, ignorar, tiranizar e ameaçar.

Além de uma linguagem pejorativa, a antipatia a homossexuais fica evidente quando algumas pessoas estão dispostas a defender suas crenças com base no uso da força. De acordo com dados do Grupo Gay da Bahia, entre 1991 e 2004, mais de 1.600 homossexuais foram assassinados no Brasil. Isto torna o Brasil um dos países mais intolerantes do mundo no que diz respeito à opção sexual.

Discriminação de religião: intolerância religiosa

Dada a grande diversidade de religiões, podemos considerar uma mais importante ou mais correta que as demais? Existe alguma religião que possua valores ou verdades superiores aos das outras? Afirmar a maior importância de uma religião em relação às demais não deixa de ser uma atitude determinista. Cada religião busca orientar comportamentos em uma dada coletividade e esta, por sua vez, apresenta um ritmo próprio de desenvolvimento, distinto daquele de outras sociedades, nem por isso melhor ou pior. Neste sentido, não existe religião superior ou inferior, cada uma procura proporcionar alívio espiritual e explicações existenciais aos fiéis que são por ela atendidos. Apesar das três grandes religiões monoteístas (cristianismo, judaísmo e islamismo) apresentarem princípios teológicos em comum (formação da moral e da ética individual), apresentando fortes vínculos entre si, ainda podemos constatar conflitos existentes entre seus adeptos. Fundamentalismo religioso: apego ao cumprimento estrito dos preceitos dos textos sagrados, ou seja, interpretação ao pé da letra, sem considerar o momento histórico em que foram criados. Às vezes, essa crença pode levar algumas pessoas a colocar a fé acima da própria vida, induzindo-as a aceitar suicidar-se, inocentes como forma de protestar ou de resistir ao que consideram uma ofensa à religião e aos costumes de sua comunidade.


Multiculturalismo e políticas de reconhecimento
O pleno reconhecimento da igualdade e da cidadania, associado à questão de igualdade de tratamento às culturas de grupos étnicos diferentes aponta na direção de uma política multicultural. Diferentemente do pluralismo cultural, que reconhece as diferenças, mas não exige tratamento em pé de igualdade a todas as culturas, o multiculturalismo tende necessariamente a reconhecer a igualdade de valor intrínseco a cada cultura. Podem ser relacionadas aqui as “minorias” - grupos sistematicamente discriminados em razão de suas diferenças para com os padrões de raça, etnia, sexualidade e orientação sexual -, assim como movimentos sociais tais como os dos trabalhadores rurais sem teto e o dos sem teto nas cidades.
Fonte: