13.9.21

Postagem de numero 13 - Brasileiros em sua essência, Pracinhas, Expedicionários, Soldados da Força Expedicionária Brasileira, fotos de 100 soldados da Feb

Publicando primeiro aqui a Decima Terceira postagem com 100 Expedicionários.


Gloriosa no passado e no presente a Bandeira Nacional tremula ao lado dos panteões vitoriosos das Nações Unidas. Irmanados espiritualmente desde os primeiros momentos da luta, aos" povos que se erguiam em defesa dos mais altos princípios Humanos, o Brasil] não tardou em colaborar com o sangue de seus filhos.
 
Pela primeira vez na história do Velho Mundo, homens do continente sul americano transportaram-se a terras europeias, dispostos a enfrentar os mais duros combates. E engrandecidos pela atuação heroica da Força Expedicionária Brasileira, o nome do'"Brasil' tornou-se familiar a milhões e milhões de pessoas.
Os pracinhas, bateram-se corajosamente contra fôrças experimentadas e poderosas, libertaram aldeias, vilas e cidades, e dignificaram, não só a Pátria, como todo o continente sul americano.
 
Conscientes das dificuldades que iam deparar, os nossos soldados; agigantaram-se aos olhos do próprio inimigo, nem a lama, nem o gelo, nem as montanhas os detiveram na sua marcha para a obtenção de vitórias que representam grandes lições de confiança e de fé nos destinos do nosso povo.
 
E aqui, de nossos lares - os seus lares – orgulhosos de seus feitos, nós sabíamos que a vitória sempre estaria com a Fôrça Expedicionária Brasileira, símbolo do que somos e do que seremos.
Honra, pois, àqueles que não temeram jogar a própria vida com tudo o que encerrava a mocidade, alegria de viver, esperanças, e aspirações, em defesa dos ideais, mais nobres!
 
A Pátria, reconhecida e engrandecida, jamais os esquecerá! Porque, somente através das "nobres ações de seus filhos, na paz, ou na guerra, é que marchará de feito em feito e de glória em glória!...
O Brasil pode reivindicar para si uma parte digna na vitória das Nações Unidas.

O texto acima foi escrito em 1945 e publicado no Jornal Correio da Manha do Rio de Janeiro numa Quarta-feira, 18 de Julho de 1945. Era parte de uma publicidade que fazia a merecida homenagem aos soldados brasileiros que lutaram na Itália.

Passados 76 anos percebemos que a glória e a vitória permaneceram junto com as memórias dos que lutaram aquela guerra.
 
As vezes me perguntam porque as fotos que publico no Blog ou no Facebook não descrevem o posto ou graduação dos ali apresentados. Minha resposta é que, eles eram todos Brasileiros e a farda era um mero detalhe. O brasileiro é destemido, solidário, não se furta em ajudar os que precisam. Foram la para ajudar independente dos perigos que se apresentavam a sua frente como diz o texto.
 
Outra questão é o porque as imagens são deles apresentam as feições jovens? A resposta para essa pergunta é simples, para as pessoas perceberem que em sua grande maioria eles eram muito jovens. Como diz o texto acima: "...não temeram jogar a própria vida com tudo o que encerrava a mocidade...", as imagens mostram eles na idade aproximada que entraram em combate. 

Sendo assim eles deram a sua juventude não só para o Brasil, mas para o mundo. Alguns deram não só a juventude, deram a saúde, pois muitos deles vieram com sequelas psicológicas dos combates ou mutilados, outros deram também a vida.

Sabe qual eram os “Cargos” deles? Eu também respondo essa, eram pais, irmãos, irmãs tios, tias, filhos, sobrinhos, netos. Pessoas como eu ou você que esta lendo essa publicação, Brasileiros em sua essência.
Neste sentido eu apresento 100 destes Brasileiros.

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Achiles Silvestre

Adahil Carlos

Adauto Claudino de Galiza

Adelino da Silva

Adenor de Almeida Guimarães

Ademar de Queiroz

Aderson Evelin

Adhemar Mesquita Rocha

Adão Alves Viana

Adão do Nascimento

Adão Vieira de Aguiar

Adélio Conti

Agnaldo José de Sena Campos

Alberto Daflon Gomes

Alvaro de Melo Rosario

Alvino Neitzke

Alipio Shimidt

amador zardim

André Michalzechen

Antonio Souza

Antonio dos Santos Filho

Arnoldo Gustavo Frantz

Arnoldo Muller

Benedito Bernardo do Nascimento

Benedito da Silva

Benno Muller

Carlos Coco

Carlos Walter Hisserich

Celio do Nascimento

Celso Barbosa Lima

Clerio Bertolo

cosme fontes lira

cristino clemente da silva

Cristovão moraes garcia

Candido da Luz paiva
Daniel emilio schimidt

Deniz pinto de matos

Dionizio Lorenzi

Dionizio ribeiro chagas

Dirceu de Almeida

Donato Ribeiro

Edesio afonso de carvalho

Edmundo Arrabar

Edson Salles de Oliveira

Eiduarte da silva pontes

Elizeu jose hipolito

Elizio da rocha

Emilio Papke

Epitácio de Souza Lucena

Ernesto Gonçalves

Euber Queiroz Junior

Eugenio Alves da Silva

Eugenio Martins Pereira

Eugenio Fernando Ladwig

Euripedes Rodrigues de Lima

Evilasio Rocha de Assis

Felicio Tomazini

Felisbino dos Santos

Feliz Marqueti

Fernando de Andrade Junior

Fernando Fontes

Fleury Silva

Floriano de Lima Brayner

Francisco José Mineiro

Francisco PInto Cabral

Franklin Rodrigues de Moraes

Geraldo Afonso de Melo

Godofredo Rodrigues de Figueiredo

Ignacio Gomes

Jaguaribe de Britto

Jayme Moitinho Neiva

José Elias de Rezende

Jose Elizas Ferreira

José Fontoura Ferreira

Jovino Alves da Silva

João Arthur Goergen

João Guilherme Schultz

João Pacheco de Macedo

Juvenal Ferreira

Laurindo Zambronio

Leorys Maia Dalalana

Limirio Dias dos Santos

Manoel Defensor Sant Ana

Mauro José da Silva

Mario tasso Saiao Cardoso

Nilo Ferreira Pinto

Orestes Barbosa Mourão

Orozimbo Rezende

Osvino Wunder

Oswaldo Mantovani

Otaviano Rodrigues de Oliveira

Otavio Ambrozio Pereira

Raimundo Aquino de Barros

Raimundo de Castro Sobrinho

Raul Constancio Ferreira

Rubens de Stefani

Sebastião Alves de Campos
Valdemar Sehn

Walter Elias Lamah

Wilson de Santana Coutinho


8.9.21

A Morte do Expedicionário Filho do Marechal.

Como foi a morte do Filho do Marechal Mascarenhas de Morais em19 de Março de 1951. Era um Expedicionário e foi assassinado pela esposa. Fonte: Diário da Manha de 20 de Março de 1951.


Avistando o esposo em companhia de outra mulher, a senhora, depois de rápida troca de palavras, matou-o a tiros — Depois, tentou o suicídio — Filho do marechal Mascarenhas de Morais e ex-integrante da FEB, a vítima — Acusações ao morto, no depoimento da homicida.


Por volta das 11 horas de ontem, verificou-se impressionante tragédia na rua Conde de Bonfim, em frente a uma farmácia existente no prédio n.100. Um casal, ao saltar de um ônibus, foi abordado por uma senhora bem trajada, que, depois de trocar rápidas palavras com o homem, tirou da bolsa uma pistola automática e o alvejou por várias vezes, até vê-lo prostrado, no solo, sem vida.

Praticado o delito, a criminosa refugiou-se no automóvel de chapa 45-79, de propriedade de Antônio Veras Filho, no interior do qual virou a arma contra a própria cabeça. Desarmada pelo motorista, foi entregue a um Vigilante municipal, que a conduziu ao 17.o distrito policial.

OS PERSONAGENS

Cientes da ocorrência, rumamos para a referida delegacia, onde apuramos que a vitima era o capitão do Exército Roberto Brandão Mascarenhas de Morais, de 36 anos, morador na rua das Laranjeiras, 210, aparta mento 1.011. A criminosa era a sua esposa, Sra. Helba da Silva Mascarenhas de Morais, de 33 anos. Depois de devidamente autuada, Sra. Helba foi mandada a cartório, onde prestou o seguinte.

DEPOIMENTO

«Conheci o capitão Roberto Brandão quando ele ainda era estudante do Colégio Militar. Nessa época, tinha eu 14 anos. Depois de longo noivado, casamo-nos. Roberto já atingia o oficialato. Os primeiros anos de vida conjugal foram para mim multo felizes, principalmente, quando nasceu o nosso Robertinho, que agora conta 10 anos. Isto durou até quando, inexplicavelmente, nossa vida mudou, de uma hora para outra. Roberto Jà não era o mesmo. Sala de casa, diariamente, para voltar altas horas da noite. Certa vez, perguntando-lhe eu qual a razão do seu procedimento disse-me ele que possuía uma companheira e que já não me aturava mais. As coisas foram correndo, assim até que, em dado dia, recebi o primeiro telefonema anônimo, dizendo que Roberto era visto diariamente na rua Conde de Bonfim, em colóquio amoroso com uma mulher. Sem perder a calma solicitei-lhe que se integrasse ao lar. Tínhamos um filho para criar. Exasperado com as minhas suplicas, Roberto esbofeteou-me, acentuando que, se eu me intrometesse na sua vida, pagaria um homem para surrar-me. Depois disso, no princípio de 1950, abandonou-me»

A TRAGÉDIA

«Ontem, o nosso encontro foi casual. Não tinha a intenção de matá-lo Dirigi-me a. mulher, que soube tratar-se de Miraida de Araújo,residente numa vila da rua José Góssio, casa VIII, dizendo-lhe que tivesse um. pouco de compaixão, pois iria destruir um lar.

Foi então que Roberto, furioso, me deu duas bofetadas e, abrindo o paletó, declarou: — Tenho duas balas para meter na tua cabeça. Ato continuo, tirei da minha bolsa a arma automática, com a qual o matei.

PREMEDITARA O CRIME

Indagada pelo repórter por que andava armada, declarou Sra. Helba que, há tempos, o capitão Roberto ameaçara matá-la. Para acautelar-se, disse ela, adquiriu de um garrafeiro a arma com que consumou a tragédia.

EXPOSTO NA CAPELA REAL GRANDEZA

Após as formalidades de praxe, o corpo do militar foi removido para o necrotério do Instituto Médico Legal, de onde, algumas horas depois, foi transportado para a Capela Real Grandeza.

TRAÇOS BÍOGRAFICOS DO MORTO

O capitão Roberto Mascarenhas de Morais nasceu a 25 de junho de 1916. Ingressou no Exército em 6 de março
de 1934 teria sido declarado aspirante a oficial em 11 de janeiro de 1937. A.15 de novembro do mesmo ano foi promovido a segundo tenente, a primeiro tenente em 7 de setembro de 1939. e, finalmente, a capitão em 24 de junho.

Atualmente, servia no Estado Maior do Exército, com procedência do Antigo Primeiro Grupo de Obuses. Fez toda a campanha da F.E.B., na Itália, participando do Estado Maior de seu pai. o marechal Mascarenhas rie Morais, comandante daquela Força.

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5.9.21

Condecorações e medalhas do Brasil. Links e outras referências

Condecorações e medalhas do Brasil


Links e outras referências

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Links





Império do Brasil 1822 - 1889


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República Federativa do Brasil 1889 - data


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Marinha do Brasil - Condecorações e Insígnias (Arquivado em julho de 2007).

Força Aérea Brasileira - Medalhas

Antonio Prieto Barrio - Fitas do Brasil - Página 1 - Página 2 - Página 3 - Página 4 - Página 5 - Página 6 - Página 7 - Página 8 - Página 9 - Página 10

Antonio Prieto Barrio - Fitas de Organizações Brasileiras - ABIN - ANBFEB Página 1 - ANBFEB Página 2

Antonio Prieto Barrio - Fitas das Regiões Brasileiras:
Brasília DF Página 1 - Página 2 - Página 3
Espírito Santo Página 1 - Página 2
Matto Grosso do Sul: Página 1 - Página 2
Minas Gerais - Página 1 - Página 2 - Página 3
Paraíba - Página 1 - Página 2
Pernambuco - Página 1 - Página 2
Rio de Janeiro - Página 1 - Página 2 - Página 3
Rio Grande do Norte - Página 1 - Página 2
Rio Grande do Sul - Página 1 - Página 2 - Página 3 - Página 4
Santa Catarina - Página 1 - Página 2 - Página 3
Tocantins - Página 1 - Página 2




Fonte:

Aguiar, D.deS. e Lercaldo, L. (2019) As Cobras Fumegantes: Força Expedicionária Brasileira Militaria Revista da Sociedade de Ordens e Medalhas da América 70 (1): 3-12.

Barac, B. (2009) Catálogo de Referência Pedidos, Medalhas e Decorações do Mundo Parte 1: Livro de Ferro (AD) OBOL, Zagreb.

Stair Sainty, G. & Heydel-Mankoo, R. (Eds) (2006) Ordens Mundiais de Cavalaria e Mérito Burke's Peerage and Gentry.

As maiores armas da história humana

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"Não é o tamanho que conta, mas o que você faz com ele" - este ditado não parece se aplicar à engenharia militar (imagem superior: Captured WWII Railroad Gun; imagem via ) 1. Canhões de mão chineses Embora não sejam conhecidos por ter os maiores canhões, os chineses foram definitivamente os primeiros construtores e também os primeiros a apontá-los para pessoas de quem não gostavam. Por muitos motivos, porém, eles pararam de usá-los, principalmente porque, embora as grandes armas aterrorizassem as pessoas para as quais eram apontadas, elas também tinham um pequeno defeito. Eles explodiram. Canhão de mão chinesa - arma de fogo de bronze, dinastia Yuan (1271-1368 DC). Foto de Yannick Trottier













Uma réplica funcional em miniatura de um canhão de mão chinês e de uma bomba de mão, Europa 1380 Os

europeus realmente gostaram da ideia de um cilindro de metal grosso, uma carga de pólvora e uma surpresa desagradável para atirar em pessoas de quem não gostavam. Em primeiro lugar, esses primeiros canhões eram morteiros simples: um pedaço de ferro em forma de sino (porque os fabricantes de sinos foram os primeiros fabricantes de canhões) com um orifício para a carga e o projétil. Eles ainda explodiam com a mesma frequência com que atiravam , mas, ao contrário dos chineses, os europeus achavam que o estrondo valeu a pena. Contanto que outra pessoa acendesse o fusível, claro. Depois de consertar toda aquela coisa de "explodir na sua cara", ou pelo menos sintonizar com um rugido maçante, eles começaram a realmente jogar o jogo "o meu é maior do que o seu".


2. O primeiro verdadeiro Supergun

O primeiro verdadeiro "supergun" foi a Grande Bombarda Turca , que também foi chamada de Pistola Dardanelos, Pistola Real, Canhão Húngaro, Grande Pistola de Muhammed ou a menos comum, mas mais honesta "Bom Deus, olhe o tamanho dessa coisa. " Construída em 1453 na Hungria e usada pelos turcos para conquistar Constantinopla, eles chocaram seus construtores ao fazer inesperadamente o que foram projetados para fazer: lançar uma esfera de granito de 1.500 libras em quem quer que fossem apontados. 3. Monstro que se gabava do czar Para não ficarem atrás, os russos se gabaram com seu próprio Demolidor Mutuamente Assegurado. Forjado em 1585, o Tsar Cannon








era um monstro bocejante de 35 polegadas de largura projetado para lançar 800 libras de metralha - um monte de pequenas bolas de canhão em vez de uma grande. O Tsar Cannon nunca foi disparado, mas isso não impediu os militares russos de entediar a todos, gabando-se de como ele era enorme. (Crédito da imagem: Will ) Outro canhão enorme: Mons Meg , feito em 1449 e na verdade disparado por quase 200 anos - agora está localizado no Castelo de Edimburgo, Escócia: (imagem via ) 3. Trench Horror Upgrade













Diz-se que a primeira guerra mundial foi verdadeiramente a primeira guerra moderna. Gás venenoso, tanques, combate aéreo, a metralhadora - tudo isso foi experimentado com alegria durante aqueles anos de terror nas trincheiras. Mas os clássicos também foram usados, a velha reserva de cilindro de metal grosso, uma carga de pólvora e uma surpresa desagradável, nunca realmente saindo de moda. Mas como se tratava de uma guerra moderna, o canhão clássico teve uma grande - muito grande - atualização também.

É estranho que tal monstro tenha um nome de mulher, mas os sempre românticos engenheiros da Krupp fizeram exatamente isso: espatifando champanhe na arma calibre 17 polegadas, eles a batizaram em homenagem à filha do chefe - possivelmente zaftig. Big Bertha, ou mais precisamente, "Fat Bertha" foi um sucesso com os militares alemães, mostrando os belgas em Liège, Namur e Antuérpia, e os franceses em Maubeuge que tinham o realmente grande. (imagem cortesia de C. Luzent, les Canons de l'Apocalypse) (imagens via ) Mas isso não foi suficiente. Claro que Bertha tinha a espessura e o comprimento, mas o que os alemães queriam era algo para realmente se exibir - especialmente porque aqueles americanos arrogantes estavam prestes a entrar no jogo. 4. Long Max para seguir Big Bertha Em busca de algo que pudessem chegar à Frente Oriental, os engenheiros militares alemães olharam para o mar e tiveram a ideia de um transplante em vez de um simples aprimoramento. Simplificando, o Long Max












era um canhão naval, o maior que os alemães possuíam. Felizmente, ele rapidamente ganhou suas pernas terrestres: no campo de batalha, ele mostrou sua potência atirando projéteis de 1.600 libras a uma distância respeitável ... de 30 milhas. (Comparação de canhões de 30,5 cm / 50 e 38 cm / 45, imagem de Peter Lienau) Um material bélico naval sobre rodas - um canhão de 14 pol. E 30 milhas ... um trem inteiro composto de artilharia ferroviária ... (imagens via ) 5 A primeira arma do terror Mas isso não foi suficiente. A Paris Gun não foi nomeada porque lembrava aqueles calorosos Krupps da famosa Cidade das Luzes. Dificilmente. Outra peça naval transplantada, a arma às vezes é chamada de a primeira arma de terror.

















Embora precisasse de muita manutenção, não atirou em nada muito pesado ou destrutivo, mas ainda assim horrorizou aquela romântica cidade ao soltar projéteis de ... espere ... a 80 milhas de distância. Foi um monstro para os alemães também - montado em um vagão de trem especial, foi tão barulhento que um conjunto de artilharia regular foi disparado junto com ele para esconder sua descarga estrondosa. Nota lateral: Dr. Kapitza propôs um canhão elétrico interessante em 1932, que não usaria pólvora, gerando explosões magnéticas silenciosas - uma espécie de "Big Bertha" silenciosa: "Armas SILENCIOSAS enviando seus mensageiros da morte para o céu em altas velocidades além daqueles agora obtidos por conchas movidas a pó ... " (imagens via , clique para ampliar)




















6. A maior arma já construída

Então, como Monty Python disse, a paz estourou e todos ficaram muito mais educados sobre o tamanho de suas munições. Com obuses e peças de campo escondidos, os refinados cavalheiros do mundo jogaram croquet e gin rummy por algumas décadas até que alguém - isto é, a Alemanha - decidiu balançar seus barris e calibres na cara de todos. Sem dúvida, o Schwerer Gustav certamente foi impressionante. Como a velha metralhadora de Paris, este monstro pertencia à Marinha Alemã, mas ao contrário da peça que assustou a Cidade da Luz, o Schwerer Gustav era mais do que um fanfarrão estrondoso. A primeira arma foi nomeada "Gustav", a segunda - "Dora" :















O monstro era tão grande que foi necessária uma equipe de 2.500 "voluntários" para prepará-lo, e o trem que o transportava e sustentava tinha 25 vagões de comprimento, cerca de um quilômetro. (Veja o vídeo raro de "a maior arma do mundo" disparando aqui )

Ao contrário da versão de Paris, ele tinha um alcance de apenas cerca de 30 milhas, mas este poderia lançar um projétil que não pesava apenas 1.000, 2.000 ou até 3.000 libras - a maldita coisa poderia disparar um projétil de 7.100 quilos! (Isso é mais parecido com 15.620 (US) lbs) (crédito da imagem certa: Pepe Garcia ) Outra arma daquela época: K-5E "Leopold" (crédito das imagens: one35th.com ) Veja os desenhos 3D de vários canhões ferroviários alemães em esta página ,


















7. O Supergun Centipede

Os alemães não eram os únicos obcecados com o tamanho de suas armas. Os britânicos e os americanos não ficaram para trás, mas certamente pareciam estar constantemente olhando para suas pranchetas e se perguntando como suas armas poderiam ser ainda maiores. Antes que a paz estourasse novamente, a Alemanha teve uma última ideia, uma arma que, de uma vez por todas, lhes daria o direito de se gabar. O que torna o V3 Hochdruckpumpe




("Bomba de alta pressão" ou "Centopéia") tão interessante é que não era uma arma, mas um monte de outras menores que dispararam na ordem precisa para chutar seu cartucho cada vez mais rápido. Parte de todo o pacote da Arma Victor que incluía a V1 Buzz Bomb e o V2 ​​(o primeiro míssil balístico), o V3 deveria ser permanentemente montado em uma fortaleza de concreto na França, onde teria explodido um projétil de 300 libras por mais de 160 quilômetros , direto no coração de Londres - os ianques e os britânicos, no entanto, explodiram a arma no esquecimento antes que ela estivesse pronta para disparar de volta.


8. More-Than-Supergun para atingir a estratosfera

As coisas ficaram friamente educadas depois da guerra. Nós e Eles ainda éramos obcecados com o tamanho de nossas peças, mas novos brinquedos começaram a ameaçar seriamente o satisfatoriamente primitivo big bang da artilharia maciça. Os mísseis, felizmente, não roubaram completamente o show. Em 61, duas superpotências, os EUA e ... Canadá? ... trabalhou com o gênio designer de armas Gerald Bull no sistema HARP, uma mais do que uma super-arma projetada para alcançar a borda da estratosfera. Como aquelas pessoas charmosas da Krupps, Bull amava suas armas. Depois que o HARP não foi a lugar nenhum, Bull tentou encontrar alguém que apoiasse sua ideia de uma verdadeira super-arma, uma peça para acabar com todas as peças. Seu projeto final foi chamado de Projeto Babilônia




, e embora as intenções finais de Bull sejam um pouco nebulosas, ninguém duvida que o que ele realmente queria fazer era fazer uma arma grande o suficiente para fazer o que HARP não teve a chance de fazer: disparar algo no espaço. Bull era um gênio. Mas ele era profundamente estúpido em um aspecto crucial: sua escolha de clientes. Depois de bater em todos os tipos de portas para patrocinadores do Projeto Babilônia, ele finalmente conseguiu garantir o apoio do presidente de um país do Oriente Médio, que faria os cheques se Bull, o mestre de armas, construísse o maior da história da humanidade. 9. A Supergun de Saddam traz a ruína de seu inventor O problema era que a assinatura desses cheques pertenciam a Saddam Hussein (mais informações









), e muitos de seus vizinhos começaram a ficar meio que ... bem, nervosos sobre alguém como Hussein ser capaz de balançar o pedaço enorme de Bull ao redor, especialmente, se Bull tivesse conseguido, teria sido capaz de disparar quase 500 milhas. (Crédito da imagem: fas.org ) No final, Bull não teve sucesso, não por causa da engenharia deficiente, mas por causa de uma arma consideravelmente menor. Uma coisa pequena, realmente, em comparação com o que ele queria mostrar ao mundo. Mas, como diz o velho ditado, não é o tamanho que conta, mas o que você faz com ele. E o Mossad (o serviço secreto israelense) sabia exatamente o que fazer com sua pequena arma: colocar uma pequena bala no cérebro do homem que estava construindo uma super-arma para Saddam Hussein. Artigo por M. Christian



Fonte: https://www.darkroastedblend.com/2015/09/the-biggest-guns-in-human-history.html

Notas para uma história da escravidão na era moderna.

As ilhas açucareiras

Os conquistadores da América logo se viram às voltas com o problema da escassez de mão de obra. Nos primeiros anos, não faltaram armas de trabalho. Os índios faziam parte do butim e Cristóvão Colombo tentou vender algumas centenas na Espanha. Sem sucesso. Além disso, com a conquista do México e do Peru e o início do roubo dos recursos do continente, os porões dos navios ficaram carregados de mercadorias mais preciosas. Os índios podiam ser usados ​​na hora, mesmo que lutassem para se adaptar à exploração implacável imposta pelos espanhóis. Na verdade, eles se tornaram escravos, embora fosse negado que o fossem. Então começou o colapso demográfico causado pela violência dos conquistadorese com as doenças introduzidas pelos europeus e o sistema de trabalho forçado travou. O problema poderia ser resolvido importando escravos africanos. Tratava-se de expandir uma experiência em andamento desde meados do século XV, com excelentes resultados.

Tudo começou nas ilhas da costa marroquina, as primeiras colônias da Europa moderna, postos avançados da expansão que cobriria o planeta de impérios sem limites. Na desabitada Madeira, ocupada em 1419, os colonos portugueses introduziram com sucesso o cultivo da cana-de-açúcar, um produto precioso, vendido na Europa a um preço elevado. A experiência foi imitada pelos espanhóis quando, ao longo do século, conquistaram as Canárias, liquidando violentamente a resistência da população indígena. Mas a produção de açúcar - incluindo o preparo da terra, cultivo, corte, transporte e moagem da cana - exigia grandes quantidades de mão de obra e da Europa, que ainda não havia se recuperado da grave crise demográfica em que havia sido precipitada por epidemias e fome, ele não poderia garanti-los. Os colonos o fizeram importando homens da África.

Não se tratava de reinventar uma figura jurídica e social esquecida. A escravidão, que sobreviveu ao fim do mundo antigo, nunca desapareceu. Nos anos quarenta do século XV, quando os portugueses começaram a assaltar homens nas costas africanas, para depois comprá-los, os escravos eram uma das vozes do tráfico comercial (também italiano). Eslavos e muçulmanos na Europa, cristãos e africanos no mundo islâmico eram uma mercadoria como qualquer outra, comercializada em mercados especializados. No entanto, eles não tinham mais um papel central na organização da produção. Substituída pela servidão, que se tornara marginal na vida econômica, a escravidão era um fenômeno não desprezível, mas limitado a áreas secundárias, como o trabalho doméstico. Com uma exceção importante, que consiste nos assentamentos coloniais italianos no Levante: nessas plantações, nessas fábricas e nessas minas era amplamente utilizado. A cana-de-açúcar na Madeira e nas Canárias estimulou a retoma dessa experiência.

O fato novo se constituiu no quadro em que se inseriu o antigo modelo de escravidão: não foi o último lampejo da economia colonial medieval, sem perspectivas de expansão, mas o primeiro passo da nova economia colonial atlântica, setor destinado a desenvolvimentos impressionantes e um papel decisivo no crescimento da sociedade que emergiu da crise do século XIV. Foi esse contexto que criou as condições para que a escravidão saísse de sua marginalidade, para voltar ao seio dos mecanismos produtivos. A economia da escravidão - e a organização eficiente que permitiria seu funcionamento - revelou-se assim o que era: não um aspecto da ganância feroz de um punhado de aventureiros, mas a verdadeira face da economia de plantation.

Um triângulo no Atlântico

No início do século XVI, os escravos negros já estavam nas ilhas americanas, principalmente em Hispaniola (Haiti), onde a população indígena estava desaparecendo. Eram pequenas quantidades, enviadas não diretamente da África, mas da Espanha. Então, as chegadas tornaram-se consistentes. Em 1518, a primeira carga da rota organizada desembarcou nas Índias Ocidentais. Foi lançado o asiento de negros , a licença exclusiva de transporte e venda, com a qual a Coroa regulamentava o tráfico de escravos dirigido às colônias, atribuindo o monopólio - em troca de um imposto sobre cada terra africana - e banindo aqueles que o praticavam. comércio sem autorização.

Na verdade, o comércio acabou imediatamente nas mãos dos portugueses, que desde 1448 iniciaram um tráfico regular de homens da África e que nas décadas seguintes consolidaram o seu domínio sobre a costa atlântica do continente, ao longo da qual se encontravam os seus navios. descendo, para procurar uma rota para a Ásia. Uma das primeiras bases do comércio havia sido a ilha de Arguim, ao norte do Senegal: ela se tornaria um centro de coleta capaz de garantir cargas de mil escravos por ano. Em 1481 os portugueses haviam pisado no continente, obtendo permissão de um rei da Costa do Ouro (Gana) para construir um forte em uma península que eles chamaram de Elmina.

A cota de importação nas colônias espanholas, fixada pelo asiento,foi progressivamente elevado. O cultivo da cana-de-açúcar se espalhava pelas Antilhas e os efeitos da crise demográfica americana tornaram necessário acelerar a substituição da mão de obra indígena. Por volta de meados do século XVI, os escravos desembarcavam na América espanhola a uma taxa de dois mil por ano. Depois foi a vez das regiões colonizadas do Brasil, onde também chegou a cana-de-açúcar, seguida do cultivo do café e do cacau, e onde se iniciaria uma intensa atividade de mineração. E aqui o reabastecimento ficava inteiramente a cargo dos portugueses, que estavam a completar a cadeia de escalas na costa africana e assim controlavam as rotas para as suas colónias brasileiras. Antes do final do século dezesseis, pelo menos duzentos mil escravos haviam chegado à América.
Escravos trabalhando em uma usina de açúcar brasileira (gravura do final do século 17)

O monopólio de Lisboa sobre o tráfico e comércio de africanos não estava, porém, destinado a durar muito. Já foi abalada no século XVI pelos empreendimentos de traficantes de escravos clandestinos, piratas e contrabandistas, então foi definitivamente quebrada. Os escravos nas plantações produziram poucos filhos. Portanto, era necessário proceder com o abastecimento regular, para renovar a população negra. Enquanto isso, as safras continuaram a se expandir e a demanda por escravos cresceu. O tráfico era agora um caso colossal e Portugal, com as suas fracas estruturas económicas, políticas e militares, não conseguia gerenciá-lo.

O golpe decisivo veio quando, no século XVII, Inglaterra, Holanda e França estabeleceram suas próprias colônias nas ilhas americanas. Eram nações em ascensão com fortes estruturas econômicas e comerciais e frotas poderosas. Eles não precisavam de intermediários. E foram os navegadores ingleses que instauraram o tráfico de escravos segundo um modelo triangular, o que garantia o máximo de lucros: exportação para a África de conhaque, fumo, armas de fogo e bens diversos (ferramentas, lâminas, barras de ferro e latão, pedaços de tecido, coloridos vidros, espelhos), carregados de escravos para as colônias, trocam na América com os preciosos produtos das plantações, com destino à Europa. Em suma, os navios sempre viajavam com porões cheios: cada lado do triângulo traçado entre os três continentes dava altos lucros. O comércio triangular tornou-se a regra.
Plano de carregamento de um navio negreiro. As mesas, difundidas pelo movimento antiescravista inglês entre o final do século XVIII e o início do século XIX para denunciar os horrores do tráfico, foram concebidas levando em conta a regulamentação introduzida em 1788 pelo Parlamento britânico para limitar a carga e aglomeração de escravos com base na tonelagem dos navios. Portanto, eles documentam as condições de transporte consideradas aceitáveis ​​e, em qualquer caso, melhores do que no passado

Patches of India

Na primeira metade do século XVII, mais de quinhentos mil escravos desembarcaram na América. Uma rota do norte foi adicionada às rotas para as Antilhas, América espanhola e Brasil, em direção às colônias da América do Norte. Aqui era o cultivo do fumo e, posteriormente, do arroz e do algodão, que exigia grande quantidade de mão de obra. A organização do trabalho escravo gradualmente se estendeu para a parte sul dos territórios colonizados pelos britânicos. Na segunda metade do século XVII, os escravos estavam presentes em todas as colônias do novo mundo.

Enquanto crescia o interesse inglês pelo comércio, estimulado também pelos novos assentamentos nas Antilhas e sobretudo pela colonização de Barbados, onde logo se introduziu o cultivo da cana, aumentava a pressão dos holandeses, que arrebataram importantes bases africanas do Português. No final do século, porém, foram os britânicos que se estabeleceram no comércio atlântico e sua primazia não foi mais afetada, nem mesmo quando aumentou a presença dos franceses, também impulsionados pelas plantações americanas: haviam entrado nas Antilhas no primeira metade do século e mais recentemente consolidaram a povoação de São Domingos, na parte ocidental de Hispaniola. Atestado na foz do Senegal, os franceses assumiram o controle daquele trecho da costa africana, também ocupando as ilhas de Gorée e Arguin, os dois centros de apoio mais importantes para os traficantes de escravos na costa noroeste. E também havia os contrabandistas, que continuaram a negociar com a África fora de qualquer controle.

A rota foi abastecida ao longo da costa, do Senegal ao Golfo da Guiné e Angola. No centro do sistema estavam o Níger e o trecho de costa que levou o nome de "Costa dos Escravos". Alguns contingentes de negros chegaram também da costa leste do continente, para onde convergiam os fluxos do comércio árabe, voltados para o Oriente Médio, tráfego que investia toda a imensa área entre o Mediterrâneo e o Índico e que deslocava sua raio de ação em um sul cada vez mais profundo.

Os navios contavam com os portos de escala, onde residiam os agentes das companhias europeias. Os ataques da primeira fase, perigosos e pouco produtivos, deram lugar a sistemas mais eficientes. Os traficantes de escravos não se aventuraram além das ilhas e da faixa costeira. A caça ao homem foi delegada a mediadores indígenas. Estabeleceram-se relações comerciais regulares com os reinos que controlavam as regiões do Atlântico: mercadorias diversas contra os homens, ouro e marfim. Em outros lugares, os europeus usaram hostilidades tribais tradicionais, interferiram em conflitos entre aldeias, talvez os provocaram ou reacenderam, ofereceram rifles e exigiram em troca os despojos dos prisioneiros.

Com o alargamento do comércio, as comunidades do litoral viram-se em permanente estado de guerra com as do interior e o resultado foi uma convulsão civil e social. O tráfico se tornou o principal recurso de reinos, tribos e aldeias. A corrupção, a desordem e o terror se espalham. Estados e instituições, organizações sociais, sistemas econômicos e culturas complexas caíram no caos. As cidades costeiras, que muitas vezes eram prósperas e mais populosas do que muitas capitais europeias, degradaram-se. As técnicas e práticas agrícolas foram abandonadas e esquecidas. Na vasta e fértil área entre o Saara, o Golfo da Guiné e a floresta equatorial, uma das mais densamente habitadas do mundo no final do século XV, a população começou a diminuir.

Os escravos eram levados aos centros de coleta como cabeças de gado. Desceram ao mar em longas marchas, ou seguindo o curso dos rios, amontoados em pirogas. Os homens amarrados a vigas, as mulheres amarradas com tiras, com as crianças penduradas no pescoço. Qualquer tentativa de fuga e desaceleração da marcha foram severamente punidas, mesmo com a morte. Aqueles que não puderam vir foram abandonados.

Na costa, arrebatados em cercados, escravos eram oferecidos aos mercadores. A negociação foi trabalhosa. De vez em quando, era necessário chegar a um acordo sobre a relação de troca entre o valor dos itens oferecidos e o das mercadorias trazidas da Europa. Freqüentemente, a unidade de medida era o "pedaço" de tecido: muitas armas, muitos metros de tela, muitos galões de conhaque, muitos colares de vidro eram equivalentes a um "pedaço", muitos "pedaços" a um escravo. E os escravos, no jargão dos traficantes como na linguagem do asiento , não passavam de piezas de India , "pedaços da Índia", isto é, os pedaços de algodão indiano com os quais eram comercializados.
Venda de escravos em mercado no Rio de Janeiro, 1858

Feito o acordo, o médico do navio fez um exame, descartando os idosos, os enfermos e os deficientes. Os escravos selecionados foram marcados com o emblema da empresa. Depois, a espera pelo embarque. Dramático, ainda que os traficantes de escravos tentassem encurtá-lo: os lucros dependiam em grande parte da rapidez com que conseguiam completar o carregamento e partir para a América, porque as condições precárias em que os escravos eram mantidos resultavam em alta mortalidade.

Uma vez a bordo, acorrentados aos pares, os homens foram enviados para os porões. Lá embaixo, amontoados em uma única sala, ou espalhados em mezaninos, se o navio fosse grande, eles teriam que conquistar seu pedaço de prancha. Eles não podiam se deitar ou se levantar. Eles tiveram que permanecer sentados, imóveis, esmagados por tetos de algumas dezenas de centímetros de altura. As mulheres e crianças, alojadas em enfermarias separadas, tinham espaços ainda mais confinados, mas geralmente eram trancadas apenas à noite. A higiene era inexistente, o ar irrespirável. Dizia-se que o fedor dos navios negreiros era sentido a cinco milhas de distância. Durante o dia, quando as condições do mar o permitiam, os escravos eram postos no convés e obrigados a esticar-se a dançar, enquanto as salas fechadas eram sumariamente limpas.
Escravos no convés de um navio negreiro capturados na costa de Cuba em 1860, quando o comércio agora estava proibido. O artigo publicado com a gravura (tirado de um daguerreótipo) especifica o número de africanos libertos: cerca de 500, para 80 por cento das crianças de 10 a 16 anos. Cem morreram durante a travessia

Na escuridão daqueles horrendos porões, o sentimento mais difundido era o desejo de acabar com tudo. A viagem foi interminável, o destino desconhecido, os dias marcados por desespero, terror, correntes, sujeira, doença, alimentação forçada e açoites. A única esperança era uma morte rápida, talvez suicídio. E a morte acompanhou toda a travessia. O asiento concedido em 1592 previa uma perda de 25%. Uma cota considerada aceitável mesmo um século depois. Manadas de tubarões seguiram na esteira dos navios, esperando os cadáveres atirados ao mar.

Quando o navio chegou ao destino, os escravos em condições precárias foram encaminhados para acampamentos especiais, para recuperar as forças e recuperar seu valor comercial. Os outros foram imediatamente colocados à venda. Os comerciantes costumavam comprar a granel para revender no varejo nas cidades do interior.
O tratamento de escravos em uma plantação na colônia holandesa do Suriname, c. 1774

Em seguida, as plantações e uma nova seleção: 20-30 por cento dos escravos não sobreviveram além dos primeiros três a quatro anos. O trabalho começou ao amanhecer, foi brevemente suspenso algumas vezes para comer e continuou até o anoitecer. A noite nas cabanas, com o chão de terra batida. Uma cama de palha por cama. O ar apenas vindo da porta. Promiscuidade e sujeira. As condições não eram as mesmas em todos os lugares, mas em geral era uma vida de fadiga, desnutrição, abuso, abuso sexual, humilhação, punições severas e tortura, até amputações e morte. E ferros nos pés e nas mãos, blocos de madeira para arrastar, para evitar tentativas de fuga, focinheiras de metal para evitar que os produtos do campo sejam comidos. O escravo era apenas uma unidade de trabalho. Todos os meios eram permitidos para dobrá-lo,

À direita: A punição de um escravo, Brasil 1839; esquerda: um rebelde, capturado durante a repressão de guerrilheiros desencadeados por gangues de escravos nas florestas do Suriname, enforcado vivo pelas costelas, 1774-75





O movimento anti-escravidão

No século XVII, os traficantes de escravos trouxeram mais de um milhão e meio de escravos para a América. Trezentos e cinquenta mil morreram na viagem. No século XVIII, principalmente a partir de meados do século, o tráfico atingiu cifras expressivas. Na Europa, o consumo de açúcar também se espalhava pelas classes populares: a demanda provocava aumento da produção e, portanto, do volume do tráfico. Outro estímulo veio da crescente demanda das colônias norte-americanas. Nessas regiões, por volta de 1775, os escravos já eram meio milhão. Ao longo do século, cinco milhões e seiscentos mil africanos desembarcaram. Um milhão morreu durante a travessia.

A essa altura, todas as nações europeias que tinham assentamentos coloniais na América tinham bases africanas e frotas de escravos. Os dinamarqueses e prussianos também negociavam no Golfo da Guiné. O tráfico, inicialmente controlado por empresas estatais, foi amplamente liberalizado. Parece que entre 1783 e 1793 os cento e cinquenta navios negreiros de Liverpool embarcaram trezentos mil africanos e o mesmo número, em três anos, por volta de 1800.

O tráfico e o comércio de produtos da organização do trabalho escravo estimularam o desenvolvimento de marinhas mercantes, bancos e seguradoras, geraram ricos lucros e abriram novos mercados para as indústrias. Na Inglaterra, Holanda e França eram setores especializados, administrados por grandes empresas. Reis e duques, príncipes e magistrados, banqueiros e notários disputavam para colocar seu dinheiro com os grandes mercadores, obtendo juros fixos, ou para comprar ações em sociedades comerciais. Imitado por uma multidão de burgueses obscuros, que investiam suas economias nas empresas que administravam os traficantes de escravos e o comércio atlântico. Os lucros do tráfico e do comércio colonial eram uma voz importante na formação do capital que estava lançando uma nova economia e uma nova sociedade, destinada a levar a Inglaterra, e depois a Europa, à era das máquinas e fábricas. Na África, empobrecida pelo tráfico atlântico e árabe de milhões de habitantes, em sua maioria jovens, inclusive deportados que morreram durante as incursões, antes do embarque e durante a travessia, as civilizações tribais se dissolveram.

Nessa situação dramática, a pintura pôs-se em movimento. Por um lado, começaram a se tornar frequentes notícias de inquietação e rebeliões dos povos negros da América e de comunidades de escravos fugidos das plantações, percebidas como uma ameaça pelos colonos. Por outro lado, ouviram-se as primeiras vozes dissidentes, fruto de uma cultura diferente daquela que aprovou ou tolerou a escravidão. Crescia entre o Iluminismo francês a crença de que isso era uma mancha na civilização europeia.
Revolta a bordo de um navio negreiro, 1839

No entanto, as primeiras medidas não foram decretadas na Europa, mas na América do Norte, durante a revolução: a contradição entre a condição servil e os princípios em cujo nome se travava o confronto com os ingleses. No entanto, o problema da emancipação dos escravos foi posto de lado e o ataque foi lançado contra o comércio, sem ser seguido de medidas que realmente o impedissem. A primeira disposição foi aprovada em 1774 pelo congresso da Filadélfia, como parte da abolição do monopólio inglês do tráfico com as colônias: escravos foram incluídos entre os bens boicotados. Durante a década que se seguiu à proclamação da independência, todos os estados do norte proibiram o tráfico ou impuseram restrições a ele.

A questão da emancipação era mais delicada. No norte - onde a escravidão servia apenas para fornecer cozinheiros e garçons às famílias ricas - ela foi facilmente resolvida, nos últimos vinte anos do século XVIII e no início do século XIX, com a abolição ou medidas graduais de libertação. Em 1804, a escravidão havia desaparecido, ou estava desaparecendo, em todos os estados do norte. No sul, porém, os fazendeiros nem mesmo colocavam o problema e os liberais consideravam perigosa a emancipação porque, com um número tão grande de escravos, abalaria todo o sistema econômico e social.

Entre 1787 e 1788, o movimento antiescravista emergiu simultânea e fortemente na Inglaterra e na França. A ofensiva abolicionista britânica foi liderada por Thomas Clarkson e William Wilberforce. O primeiro se engajou em uma intensa campanha para denunciar os horrores do tráfico e começou a ganhar a opinião pública. O segundo se juntou a ele com ação parlamentar efetiva. Na França, os anti-escravistas se reuniram na "Sociedade dos Amigos Negros". Então houve a revolução. Os abolicionistas estavam bem representados na nova classe dominante francesa, mas não conseguiram impor uma decisão rápida sobre a escravidão entre os compromissos urgentes.

Do outro lado do Atlântico, o outro grupo de revolucionários, saído da guerra pela libertação das colônias inglesas, continuava condicionado pelos interesses dos fazendeiros. A questão da escravidão foi ignorada pela Constituição de 1787. A Convenção Federal decidiu suspendê-la por vinte anos, sem prejuízo da situação: a economia de metade do país estruturada no sistema de plantation, mais de quinhentos mil escravos, dezenas de milhares de novos desembarques por ano, garantidos pelo tráfego que havia retomado a toda velocidade. Nem houve sinais de que a tendência se inverteu espontaneamente. Em 1793, na Geórgia, Elias Whitney inventou o gin. Permitia separar rapidamente as fibras do algodão das sementes, operação que, feita manualmente, era lenta e trabalhosa. Com aquela máquina o ciclo de produção foi consideravelmente acelerado e a quantidade de flocos que um escravo era capaz de processar tornou-se muito alta. O cultivo do algodão - matéria-prima essencial da revolução industrial inglesa - tornou-se extremamente lucrativo: incentivo à expansão das plantações e

ao uso massivo de trabalho escravo.
"Sede livres e cidadãos": a esperança da abolição imediata da escravatura na gravura da página de rosto de uma obra publicada na França em 1789

Os jacobinos negros

A ruptura do sistema ocorreu mais ao sul. Tudo começou com uma revolta no oeste de Hispaniola, Saint-Domingue, uma colônia que fornecia dois terços do comércio internacional da França, o centro da produção mundial de açúcar e o maior mercado de escravos. Durante anos, uma série de inquietações abalou o poder dos plantadores. O protesto dos crioulos, livres mas sem direitos civis, e a fúria serpenteante dos escravos negros, mantidos em condições desumanas de trabalho e vida, estavam entrelaçados.

As notícias da Bastilha e dos acontecimentos em Paris chegaram e os crioulos tentaram o último ombro: rosetas vermelhas da revolução sans-culott, a milícia transformada em guarda nacional. Uma repressão rápida, alguma abertura e confirmação tímida da escravidão. No ultramar, a utopia da liberdade, igualdade e fraternidade não superou a resistência do punhado de senhores de escravos que controlavam as colônias. E então chegou a hora de acertar as contas.

Em agosto de 1791, a revolta negra invadiu as plantações, devastando e matando. Paris, assustada, estendeu os direitos civis aos crioulos e aos negros livres e enviou uma força expedicionária. Os escravos perderam a aliança crioula, mas a revolta se tornou uma guerra de libertação e encontrou um líder: Toussaint Louverture, escravo libertado, filho de um chefe africano, autodidata. Ele foi um verdadeiro revolucionário, a favor de uma luta determinada, contra a devastação selvagem. Ele era, dir-se-ia na Europa, o líder dos 'jacobinos negros'.
Jacobinos negros - Toussaint Louverture em uma gravura publicada em 1802

Toussaint organizou seus homens em um exército, aliou-se a outros líderes guerrilheiros, derrotou os franceses várias vezes, rejeitou as propostas dos espanhóis, que esperavam estender seu domínio do leste a toda a ilha. Ele jogou de volta ao mar os ingleses que, da Jamaica, haviam tentado uma invasão para conquistar uma nova colônia e pôr fim a um movimento que ameaçava infectar todo o arquipélago.

Enquanto isso, uma nova imagem estava amadurecendo na França. Com a ditadura revolucionária dos jacobinos, a questão da escravidão, imposta pela revolta de São Domingos, foi finalmente abordada. Em 1793, a Convenção desferiu um golpe no comércio, eliminando os primeiros navios negreiros estaduais. Foi uma decisão importante, embora tenha sido precedida por um ato dinamarquês de 1792, que estabeleceu a proibição do tráfico a partir de 1803. Em São Domingos, o comissário francês proclamou a abolição imediata da escravidão. Em 4 de fevereiro de 1794, a Convenção estendeu a decisão a todas as possessões francesas.

No final de 1794, com a queda de Robespierre, o desembarque de uma nova força expedicionária marcou a retomada da luta. Nos anos seguintes, as tentativas francesas de retomar o controle da colônia se repetiram. Até agora, no entanto, dois resultados foram alcançados. Por um lado, a lei jacobina que aboliu a escravidão, confirmada na Constituição francesa de 1795 e retomada pelos papéis constitucionais de muitas "repúblicas irmãs": um precedente importante, junto com o decreto dinamarquês e as medidas aprovadas na América do Norte , que marcou um novo ponto de partida para o movimento abolicionista. De outro, o nascimento da primeira república negra da história. Toussaint não teria visto sua proclamação. Capturado e deportado para a França, ele morreria no exílio, enquanto seus companheiros retomavam a luta,

Da proibição do tráfico à abolição da escravatura

Em 1802, Napoleão revogou a abolição da escravatura. Os negros e as plantações eram dinheiro vivo: não podiam ser renunciados em nome de princípios abstratos e agora perdidos. A violência em curso na colônia forneceu então um argumento para justificar a decisão napoleônica e na França havia quem os acusasse de abolicionistas: os negros eram imaturos para a liberdade, sua libertação desencadeou instintos selvagens.

Essas eram as mesmas objeções dos proponentes ingleses da escravidão. Em 1793, quando parecia que o movimento abolicionista estava a um passo da vitória, foi precisamente a revolta de Saint-Domingue que assustou os parlamentares, apesar de os escravistas estarem agora em minoria na sociedade da revolução industrial, que prefere o trabalho assalariado ao servil. E então a abolição jacobina imprimiu no antiescravidão um sinal de radicalismo revolucionário que estava longe de agradar aos conservadores. Na realidade, para além das ideologias, grandes interesses estavam em jogo. Parecia absurdo que a escravidão fosse abolida quando o tráfico produzia ganhos sem precedentes, quando a ruína das plantações francesas causava o colapso da oferta e o aumento do preço do açúcar,

Teve que esperar alguns anos, mas o resultado foi ainda mais relevante do que os abolicionistas esperavam, porque o movimento também havia entrado nos Estados Unidos. Em 1806, o Parlamento britânico aprovou por esmagadora maioria uma resolução pedindo ao governo que tomasse "medidas eficazes para a abolição do comércio de escravos africanos". Em 2 de março de 1807, um decreto do presidente americano Thomas Jefferson proibia o tráfico a partir de 1º de janeiro de 1808. Três semanas depois, Londres também aprovou uma lei que proibia o tráfico de escravos, proibindo-o para navios, súditos e portos do reino. Em seguida, o tráfico foi declarado crime mesmo que praticado por estrangeiros, a costa africana foi patrulhada para evitá-lo e foi lançada uma intensa ação diplomática, composta de pressões e tratados bilaterais, porque também era proibido por outras nações. Em poucos anos, a Inglaterra se transformou de principal traficante de escravos no principal país de uma cruzada contra traficantes de escravos.

O resultado foi importante, mas o jogo decisivo ainda estava para ser disputado. Enquanto isso, era necessário que todos os estados aprovassem leis contra o tráfico e fornecessem instrumentos de repressão. Mas isso não foi suficiente. O problema central era a persistência em áreas muito grandes das Américas de sistemas de produção inteiramente baseados na escravidão. Até que esse nó fosse resolvido o problema permaneceria aberto e o tráfico, movendo-se pelo terreno da clandestinidade, teria mantido grandes dimensões.

O fim da escravidão nos territórios britânicos veio apenas em 1833, com um ato - em vigor desde 1834 - que simultaneamente deu início a um processo de emancipação gradual dos negros libertados. Outro passo foi dado com a segunda abolição da escravidão nas colônias francesas (1848). Mas foi preciso esperar a emancipação dos negros dos Estados Unidos, com a vitória do Norte na Guerra Civil (1865), e o fim da escravidão em Cuba e no Brasil (1886 e 1888) para romper o circuito entre a escravidão e a escravidão. a economia de plantação. E foi apenas no final do século que o ramo do tráfico controlado pelos árabes foi interrompido. A África estava de joelhos e agora vítima da partição colonial.

Não se sabe exatamente qual era o tamanho real da rota. Não se sabe quantos milhões de africanos, nos quatrocentos anos da escravidão moderna, foram arrancados de suas aldeias para serem carregados, como feras, através do Atlântico. Um cálculo conservador assume dez ou onze. Não se sabe quantos homens foram mortos durante as incursões, quantos morreram ao longo das marchas de transferência, ou antes do embarque, ou durante a travessia. Certamente mais milhões. Foi uma grande tragédia, que afetou dramaticamente, de várias maneiras, a história de três continentes e deixou marcas profundas, do subdesenvolvimento ao racismo. Um ponto é certo: não foi um acidente no contexto de uma evolução silenciosa e linear em direção ao progresso. Pelo contrário: o tráfico e a escravidão eram,
Abraham Lincoln proclama a emancipação dos escravos durante a Guerra Civil Americana (1863)



Todas as imagens que ilustram este artigo foram retiradas do arquivo fotográfico de Alessandro Piccioni ( https://www.immaginidellastoria.it/ )

Fonte: https://www.diatomea.net/speciale-dossier/la-tratta-atlantica-appunti-per-una-storia-dello-schiavismo-in-eta-moderna/?print=print