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Quais são as maiores estátuas do planeta?



1. DAIBUTSU





ALTURA TOTAL - 120 m

ALTURA SEM O PEDESTAL - 100 m

LOCALIZAÇÃO - Tóquio, Japão

ANO DE INAUGURAÇÃO - 1995

MATERIAL - Aço e bronze

Os 120 metros da estátua simbolizam os 12 raios de luz emanados do corpo de Buda, e as mãos nesta posição representam a aceitação de todas as raças do mundo

2. GUANYIN





ALTURA TOTAL - 108 m

ALTURA SEM O PEDESTAL - 88 m

LOCALIZAÇÃO - Sanya, China

ANO DE INAUGURAÇÃO - 2005

MATERIAL - Cobre

Guanyin é o "ser da iluminação", ou bodhisattva, da compaixão budista.A obra tem três faces: uma olha para a China, outra para Taiwan e a outra para o mundo

3. PEDRO, O GRANDE





ALTURA TOTAL - 96 m

ALTURA SEM O PEDESTAL - 96 m

LOCALIZAÇÃO - Moscou, Rússia

ANO DE INAUGURAÇÃO - 1997

MATERIAL - Bronze

Criada para representar Colombo, era um presente russo aos Estados Unidos. Mas nenhuma cidade americana quis o mimo, e os russos mudaram a face para a do czar

4. BUDA CHINÊS





ALTURA TOTAL - 88 m

ALTURA SEM O PEDESTAL - 88 m

LOCALIZAÇÃO - Ling Shan, China

ANO DE INAUGURAÇÃO - 1996

MATERIAL - Bronze

Para chegar até a base da estátua de Buda, é preciso percorrer uma escada com 99 degraus. A obra fica em uma espécie de parque budista, onde está o templo de Xiangfu

5. MOTHERLAND





ALTURA TOTAL - 85 m

ALTURA SEM O PEDESTAL - 85 m

LOCALIZAÇÃO - Volgogrado, Rússia

ANO DE INAUGURAÇÃO - 1967

MATERIAL - Concreto e aço

Estátua de uma mulher com uma espada em punho, comemorando a vitória soviética em uma batalha. Na antiga União Soviética, várias obras receberam o mesmo nome

6. MOTHERLAND UCRANIANA





ALTURA TOTAL - 102 m

ALTURA SEM O PEDESTAL - 62 m

LOCALIZAÇÃO - Kiev, Ucrânia

ANO DE INAUGURAÇÃO - 1981

MATERIAL - Metal

Na base, há um museu em memória aos saldados mortos na Segunda Guerra Mundial. Pesa 530 toneladas - só a espada pesa 9 toneladas!

7. KANNON





ALTURA TOTAL - 56 m

ALTURA SEM O PEDESTAL - 56 m

LOCALIZAÇÃO - Sanukimachi, Japão

ANO DE INAUGURAÇÃO - 1961

MATERIAL - Cobre

É a versão japonesa da bodhisattva Guanyin, da posição 2 desta lista. Foi construída em memória de todos os que morreram durante as guerras

8. ESTÁTUA DA LIBERDADE





ALTURA TOTAL - 96 m

ALTURA SEM O PEDESTAL - 46 m

LOCALIZAÇÃO - Nova York, EUA

ANO DE INAUGURAÇÃO - 1886

MATERIAL - Cobre

Foi um presente da França nos cem anos de independência americana. A estrutura foi projetada por Eiffel, o mesmo da torre de Paris

9. BUDA SENTADO





ALTURA TOTAL - 34 m

ALTURA SEM O PEDESTAL - 34 m

LOCALIZAÇÃO - Ilha de Lantau, Hong Kong

ANO DE INAUGURAÇÃO - 1993

MATERIAL - Bronze

Estátua de Buda em uma flor de lótus, levou 20 anos para ser erguida. Simboliza a harmonia entre o homem e a natureza

10. CRISTO REDENTOR





ALTURA TOTAL - 38 m

ALTURA SEM O PEDESTAL -30 m

LOCALIZAÇÃO - Rio de Janeiro, Brasil

ANO DE INAUGURAÇÃO - 1931

MATERIAL - Concreto

No alto do Corcovado, nossa maravilha foi feita com uma tela de aço colocada sobre o molde de gesso, além da argamassa.

Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-sao-as-maiores-estatuas-do-planeta
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A conquista do Oeste na expansão das fronteiras norte-americanas


Com menos heróis e mais interesses econômicos, norte-americanos expandiram o território do país no século 19

Texto Marcelo Sales


Carruagens fugindo de bandidos. A cavalaria combatendo índios, cowboys solitários laçando cavalos e bois. Manadas de bisões que faziam a terra tremer quando estouravam por imensas planícies. Agricultores e suas famílias tirando o sustento de terras hostis com tenacidade. Tiros para todo lado. Estradas de ferro.

Os relatos de escritores e jornalistas, as pinturas de Frederic Remington e o cinema fixaram na mente das pessoas histórias e tipos míticos como cowboys e xerifes em cidades poeirentas. Ficção à parte, a conquista do Far West teve contornos lendários, mas envolveu política, trabalho duro e rotineiro e muita violência.

Quando os britânicos depuseram armas, em 1781, os habitantes das 13 colônias que fundaram os EUA tinham como fronteira ocidental a Cordilheira dos Apalaches, uma área do tamanho de Minas Gerais e São Paulo. Em 1803, a Louisiana foi comprada dos franceses. Em 1819, foi a vez da Flórida, adquirida dos espanhóis. A partir de 1846, uma guerra de dois anos custaria ao México metade de seu território. No mesmo ano, o Tratado do Oregon (1846) garantiu a porção noroeste, definindo a fronteira com o Canadá. “Em 1848, os EUA já haviam alcançado o Pacífico, numa conquista vertiginosa e violenta”, afirma a historiadora Mary Junqueira, da USP.



Para garantir a posse de tanta terra, era preciso povoá-la. “A região foi ocupada por gente de vários perfis atraída pela chance de adquirir terra e direitos políticos”, diz Mary. Além do incentivo à imigração e da legislação conhecida como Land Ordinance (1785), que regulava a formação de estados no Oeste, dois eventos atraíram multidões para a “Corrida do Oeste”: a descoberta de ouro na Califórnia e o Homestead Act, que doava lotes de 160 acres (65 hectares) de terras federais, assinada em 1862 por Abraham Lincoln. Parte das terras foi obtida por especuladores, prejudicando o pequeno agricultor, segundoClaude Fohlen, em O Faroeste.

Os personagens

A Conquista do Oeste tem personagens emblemáticos. Os primeiros a se embrenharem na terra desconhecida foram os caçadores de peles, que não se fixaram na região. Seguiu-se um grande fluxo de mineiros, seduzidos pela promessa nunca concretizada de um Eldorado. O auge da exploração se deu na Califórnia, entre 1848 e 1855. Houve ciclos posteriores em estados próximos, com resultados parecidos.

Já o cowboy, a figura mítica da região, na essência é um perito em manejar gado e cavalos. Os espanhóis trouxeram bovinos ao Golfo do México no século 17. Com as guerras e o fechamento das missões, no século 19, os rebanhos voltaram ao estado selvagem. Os americanos, atraídos pelo cultivo de algodão, viram a oportunidade de domesticar e explorar os long horns, ou chifres longos, como faziam os vaqueros. Havia também mustangs: cavalos em estado selvagem pouco maiores que um pônei, mais resistentes que as raças europeias e com instinto apurado para conter o gado.

Mas levar rebanhos do Texas até os consumidores do Leste exigia cruzar territórios indígenas – o que era ilegal – ou florestas cheias de ladrões e soldados desertores. As viagens irritavam também os colonos, porque o gado danificava plantações e transmitia doenças. O comerciante Joseph G. McCoy foi um dos que pensaram na solução para o problema. Em 1867, ergueu galpões de madeira para abrigar os rebanhos e um saloon, transformando Abilene, no Kansas, em entreposto comercial ao lado de uma ferrovia. Faltava levar o gado até o que viria a ser chamado de cowtown. A travessia rendeu grande fama aos cowboys, um contingente de 40 mil homens, pelos cálculos de Fohlen.

Um capataz comandava até dez cowboys, dependendo do tamanho do rebanho. Eram homens entre 20 e 30 anos, com boa saúde e vigor físico para caminhadas de até 25 km para domar reses. À noite, cantavam para acalmar os bois e se revezavam na vigília para proteger os acampamentos de saqueadores, lobos, coiotes e colonos. Tinham dieta simples: carne fresca era raridade. Nada desteaks, uma criação do século 20. Para beber, café, água e uísque de milho.

Outro grande evento eram os round-ups, quando os rebanhos de vários criadores eram marcados a ferro quente. Tais eventos atraíam muitos cowboys e são a mais provável origem dos rodeios. Nessa época, empresários perceberam o potencial da industrialização da carne de gado no Oeste. Adotaram criações sedentárias e cruzaram raças para melhorar a qualidade do produto. Os cowboys passaram a se ocupar mais da rotina dos ranchos.

O historiador Walter Webb, em seu trabalho The Great Plains (“As grandes planícies”), cita a descrição de um habitante da época sobre um deles: “Vive montado em seu cavalo, combate como os cavaleiros da Idade Média, anda armado, jura como um soldado, bebe como um peixe, veste-se como um ator e luta como o diabo. É amável com as mulheres, reservado com os estranhos, generoso com os amigos e brutal com os inimigos”.



Mapa: Cassio Bittencourt

Agricultura

A área cultivável nos EUA ia da Costa Leste ao vale dos rios Mississippi e Missouri, além de uma faixa de terra do litoral até a Serra Nevada, no Oeste. Entre essas duas regiões, com a cadeia das Montanhas Rochosas no meio, existiam as grandes planícies, terra difícil de cultivar sem irrigação.

Cenário hostil a que chegaram os colonos atraídos pelo Homestead Act. Quanto mais fazendeiros, mais graves eram os conflitos com os criadores de gado. Cercar as plantações era difícil, pela escassez de madeira e pedras. Até que Joseph Glidden patenteou o arame farpado, em 1873. Produzido em série, tinha preço acessível. Em menos de uma década, espalhou-se pelo Oeste. Segundo Walter Webb, o arame farpado foi decisivo para o avanço dos colonos. “Só então foi possível plantar com certo grau de economia e alguma certeza de não ter as colheitas comidas pelo gado solto no campo.”

Os índios

Ao lado dos mexicanos, os índios foram os grandes prejudicados pela marcha para o Oeste, de acordo com Mary Junqueira. No início do século 19, tribos do Leste e Meio-Oeste, como os sioux, foram empurradas para as planícies. Outras, como os cherokees e seminoles, foram realocadas em uma reserva onde é hoje o estado do Oklahoma. Apaches e navajos, que habitavam o sudoeste, tiveram de lutar muito para ficar por lá.

Os índios se adaptaram à vida nas planícies caçando bisões, abundantes no Oeste. Tinham destreza com cavalos e aprenderam a manejar com habilidade armas de fogo. Finda a Guerra de Secessão, o Exército Federal foi encarregado de garantir a segurança de colonos e cowboys, além de proteger a construção das ferrovias. Fortes militares foram erguidos e vários originaram cidades. Como mineiros, colonos, cowboys e os trens cruzavam áreas indígenas sem cerimônia, os índios atacavam ou roubavam bois e cavalos. A resposta dos militares foi violenta.

A ampliação das ferrovias e o povo “branco” praticamente extinguiram o bisão nos EUA, tirando o principal meio de subsistência dos índios, confinados em reservas cada vez menores. “Touro Sentado, chefe dos sioux, e Gerônimo, líder apache, são símbolos da resistência. Ambos perderam a queda de braço com o homem branco”, diz Mary Junqueira.

O transporte

A marcha rumo ao interior e depois ao Oeste utilizou ao longo do tempo quatro meios de transporte. O primeiro foram os steamboats, barcos a vapor, de casco quase reto, sem quilha – para escapar dos bancos de areia do Rio Mississipi. Sua característica mais marcante eram grandes rodas hidráulicas na popa. As viagens eram lentas e as caldeiras, barulhentas.

Longe dos rios, as diligências: carroças puxadas por parelhas de cavalos. Durante a Corrida do Ouro, ir do Missouri à Califórnia podia levar mais de quatro meses. “Era mais rápido ir de navio, contornando o Cabo Horn, na América do Sul”, afirma Mary Junqueira. Com a abertura de trilhas e a criação de serviços regulares, o tempo caiu para até 20 dias.


DA TERRINHA AO OESTE SELVAGEM
Sem a fama dos cowboys nem um contingente grande como o dos chineses, foi com tenacidade que os portugueses contribuíram na conquista do Oeste. Segundo o livro Land as Far as the Eye Can See – Portuguese in the Old West, de Donald Warrin e Geoffrey Gomes, grande parte dos imigrantes lusitanos saía das ilhas de Açores, Madeira e Cabo Verde para pescar baleias. Só depois de anos na atividade vinham à terra. No Oeste, atuaram no comércio de peles, na mineração, construção de estradas de ferro, criação de ovelhas e agricultura. O açoriano Frank Frates chegou a superintendente de um trecho da Central Pacific Railroad e comandou as obras do túnel da Southern Pacific que ligava Los Angeles ao norte do estado. Manuel Brazil estabeleceu-se no Novo México como criador de gado. Brazil colaborou para a captura de Billy the Kid, informando a localização dele ao xerife Pat Garrett e depois transportando o bando capturado até Las Vegas. Segundo Sandra Wolforth, em Portuguese in America, os portugueses não adquiriram valores que os fizeram ser assimilados pela sociedade local. Ao contrário, “trouxeram com eles habilidades e qualidades de que o cenário americano necessitava”.




Os trajetos eram percorridos em comboios, para as carroças não se perderem e ficarem menos expostas a ataques. O custo da viagem era alto e a comida, precária. Os passageiros sofriam com os solavancos e a travessia de riachos e vaus.

Os navios só perderam a primazia com a chegada do trem ao Oeste. Em 1855, o Exército levou ao Congresso um plano detalhado com rotas possíveis para formar a malha ferroviária do país. Várias empresas entraram no negócio, entre elas a Central Pacific e a Union Pacific. A primeira partiu de Sacramento (Califórnia) e a segunda de Omaha (Nebraska). Mais eficiente e com emprego de mão de obra chinesa em larga escala, a Central cumpriu a meta e foi adiante. Em 10 de maio de 1869, o encontro das locomotivas das duas equipes em Promontory Point, Utah, foi um acontecimento nacional. Houve orações no local e o Sino da Liberdade soou na Filadélfia. Os trilhos iam agora de costa a costa.

Segundo o historiador Dee Brown, autor de Enterrem meu Coração na Curva do Rio, o século 19 no Oeste foi uma época de incrível violência e veneração da liberdade individual. E nesse quadro “se criaram os grandes mitos do Oeste americano – histórias de caçadores, pioneiros, pilotos de vapores, jogadores, pistoleiros, soldados da cavalaria, mineiros, cowboys, prostitutas, missionários, professores e colonizadores.” Para Mary Junqueira, um aspecto marcante da Conquista do Oeste é seu forte tom romanceado. “Apesar de visto assim por muitos nos séculos 19 e 20, tal processo não pode ser considerado uma aventura”, afirma a historiadora. “Claro que tipos como fazendeiros e cowboys existiram, mas o encontro do homem civilizado, mesmo que rústico, com o meio selvagem (natureza e indígenas) resultou numa versão que minimiza a violência que foi de fato empregada.”


Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/conquista-oeste-expansao-fronteiras-norte-americanas-774461.shtml
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O falso paciente zero e os equívocos da busca pela origem da aids


Nos anos 1980, cientistas acreditaram ter encontrado o responsável pela entrada da aids na América. Pesquisas genéticas mostraram que a invasão silenciosa tinha começado muito antes

Texto Goretti Tenório

Em 1984, em um estudo publicado no American Journal of Medicine, profissionais do Centro de Controle de Doenças (CDC), em Atlanta, agruparam os casos conhecidos de aids, mal que havia três anos assombrava o mundo, e apontaram o que a ciência chamou de Paciente Zero – aquele que, de acordo com uma investigação epidemiológica, estaria ligado à origem da doença nos Estados Unidos. O mapeamento havia começado em 1982. A partir de entrevistas com os primeiros a apresentarem quadros de infecções oportunistas, os pesquisadores encontraram um personagem em comum: boa parte dos enfermos, na maioria homossexuais, relatava ter mantido contato sexual com um comissário de bordo franco-canadense. Os encontros tinham acontecido em Los Angeles, São Francisco, Nova York e outras nove cidades do país. Fazia muito pouco tempo que os cientistas haviam chegado a um consenso sobre o nome da doença e, quando isso aconteceu, ela já tinha recebido a pecha de peste gay.



Três anos depois do rastreamento feito pelo CDC, o jornalista norte-americano Randy Shilts lançou o livro And The Band Played On com uma revelação: o tal paciente zero se chamava Gaëtan Dugas e morrera em 1984. Shilts descreveu o homem como um atraente funcionário da Air Canada, que, viajando país afora, teria propagado o HIV em boates e saunas gays. Dugas tinha sido diagnosticado com sarcoma de Kaposi em 1980, antes portanto dos primeiros estudos sobre a aids que viriam relacioná-la a esse tipo de câncer. Trabalhando na cobertura da nova síndrome desde o começo, Shilts tinha se aproximado de cientistas e pacientes, e sua narrativa rica em detalhes acabou virando também um filme, em 1993, com o ator Jeffrey Nordling no papel de Dugas.

Se o desconhecimento ajudou a espalhar preconceitos e equívocos, os esforços para conhecer e conter a aids levaram a descobertas sobre o sistema imunológico e virologia. “Não se reconhece mais esse Paciente Zero”, diz Stefan Cunha Ujvari, infectologista e autor de A História da Humanidade Contada pelos Vírus. “Hoje os estudos genéticos mostram a disseminação de maneira mais clara.” Nas pesquisas, explica o médico, usam-se questionários para avaliar grupos de pacientes e tentar descobrir pontos em comum entre quem adquiriu a doença e também entre aqueles que escaparam dela. No caso das infecções que despontavam nos EUA, entrevistaram aqueles que apresentavam os sintomas, cruzaram as informações e chegaram a Dugas. Mas segundo um trabalho de 2007 do biólogo Michael Worobey, da Universidade do Arizona, estima-se que o vírus já estava circulando no país 12 anos antes de a aids ser reconhecida, em 1981.

Do SIV ao HIV

Stefen Ujvari, que atua no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, conta que a partir de 1990 os cientistas se debruçaram sobre o material genético do HIV, comparando suas semelhanças com o SIV, vírus encontrado em chimpanzés e outros primatas. “Assim se chegou ao triângulo africano formado por Congo, Gabão e Camarões”, afirma. Foi nesses territórios que o SIV passou ao organismo humano. Nas primeiras décadas do século 20, com a região dominada por conflitos, escassez de alimentos e pobreza, caçadores se embrenhavam nas matas perseguindo e matando esses animais. Na ação, eram mordidos, arranhados, cobriam- se com o sangue dos bichos ao destrinchá-los – e dessa forma foram contaminados, sem contudo apresentar nenhum problema de saúde. Acontece que o vírus é mutante e foi se transformando até chegar ao HIV, este, sim, capaz de provocar estragos nas defesas e levar a infecções fatais.



A pergunta persistia: quando surgiu a primeira pessoa infectada? Hoje se sabe que a aids estava presente na população africana desde o começo do século 20, mas ninguém relacionava, por exemplo, as mortes por diarreia e pneumonias a ela. Para chegar a essa data, estudiosos lançaram mão de uma espécie de marcador do ritmo das mudanças nos agentes infecciosos. “Usam-se amostras de vírus do mundo inteiro, de várias épocas. Com as análises monta-se um cálculo que chamamos de relógio molecular”, diz Cunha. De forma simplificada: os pesquisadores comparam os microorganismos e anotam as diferenças que vão aparecendo em seus códigos genéticos com o tempo. Digamos que a cada dez anos surgem duas alterações. Um cálculo retroativo pode inferir quando o ancestral da cepa pandêmica do HIV se originou.

Para calibrar o relógio molecular no caso do HIV, os pesquisadores usaram duas amostras sanguíneas obtidas no Congo, uma em 1959 e outra em 1960, confrontando-as com as de pacientes diagnosticados com aids décadas depois. A primeira veio de material colhido por dois cientistas que realizavam estudos genéticos das diferentes etnias africanas. Na ocasião não sabiam, claro, que havia um vírus circulando no país. Mas o fato é que aquele fragmento foi guardado e, quando a aids deu as caras, o sangue foi usado e descobriu-se a presença do HIV. A segunda peça a colaborar na engrenagem veio de uma biópsia feita em um nódulo linfático de uma mulher em Kinshasa, capital do Congo – na época, a cidade tinha o nome de Leopoldville –, também congelada nos laboratórios americanos.

Na América

Acredita-se que o HIV começou a se difundir pela África com a urbanização, o crescimento das cidades, que aumentou o contato entre as pessoas e fez surgir zonas de prostituição. “Em 1960 houve muitas migrações de tropas de um país a outro em razão das lutas pela independência e das guerras civis no continente”, diz Stefan Ujvari. Com os soldados mudando de lá para cá, o HIV passou a circular largamente.



As comparações de material genético revelam que, na América, o vírus chegou primeiro ao Haiti, em 1960, e alcançou os EUA em 1969. Por quê? “Quando o Congo se tornou independente, o país entrou numa guerra civil. O Haiti enviou tropas para as forças de paz e professores para reconstituir o ensino naquele país”, afirma o infectologista. Muitos voltaram para casa contaminados, e a enfermidade foi abrindo caminho, chegando aos EUA por meio de haitianos que procuravam ali refúgio da feroz ditadura de François “Papa Doc” Duvalier. Na mesma época, caiu o governo de Fulgêncio Batista em Cuba, e a ilha deixou de ser o playground dos norte-americanos. A rota do turismo sexual migrou para o Haiti.

Somente quando a aids surgiu entre mulheres, crianças e pessoas que necessitavam receber transfusão de sangue começou a arrefecer o estigma que levantava bandeiras moralistas em vez de se preocupar com proteção de verdade. Ficou claro, finalmente, que a doença viajava – e ainda viaja – pelo globo bem antes de ter levado à morte personagens como Gaëtan Dugas. E, apesar dos avanços obtidos em trabalhos de décadas nos laboratórios, o sexo seguro, com o uso de camisinha, continua valendo como recomendação para todos. Assim como os testes para detectar o HIV em doadores de sangue e o não compartilhamento de seringas.

Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/falso-paciente-zero-equivocos-busca-pela-origem-aids-774451.shtml
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Companhias das Índias, as primeiras multinacionais


Como as Companhias das Índias da Inglaterra e da Holanda criaram um novo tipo de empresa e, literalmente, dominaram o mundo

TEXTO Marcelo Testoni


Olhe ao seu redor. A não ser que você viva em um grotão, possivelmente vai encontrar alguma coisa fabricada do outro lado do mundo. A tecnologia do seu celular é americana, coreana ou europeia, mas ele foi produzido na Ásia. Seu time de futebol joga com uma camisa cujo fabricante é americano ou alemão. Sem surpresas. Você é um cidadão globalizado. Mas as empresas transnacionais não existem desde a aurora dos tempos. Alguém teve de inventá-las. Esta é a história de duas concorrentes que ajudaram a criar o mundo em que você vive.



Inaugurada em 1600, a Companhia das Índias Orientais britânica é considerada a mãe das grandes empresas atuais. Em mais de dois séculos e meio de existência, fez a ponte de todo o comércio entre a Inglaterra e a Ásia, especialmente com a Índia, onde a empresa governou com mão de ferro – e inventou o hábito britânico da hora do chá. O modelo de empreendimento que presta contas apenas a seus investidores nasceu com a companhia que surgiu em Londres.

No auge, seu império comercial se desdobrava do Reino Unido ao Golfo Árabe e a Índia, com bases comerciais na Ilha de Santa Helena – onde Napoleão, exilado, morreu tomando chá da Companhia –, Basra e Gombroon, no Oriente Médio. Foi na Índia que sua presença se fez sentir intensamente. Algumas das principais cidades costeiras do país, como Calcutá, Bombaim (hoje Mumbai) e Madras surgiram do comércio praticado pela empresa, que, mais tarde, acabaria por penetrar também na China. As “guerras do ópio” nasceram de questões comerciais.

“Quando da extinção da Companhia, em 1847, a economia europeia era duas vezes maior que a chinesa e a indiana, uma completa inversão da situação de 1600”, diz o historiador Nick Robins, emA Corporação que Mudou o Mundo. “A Companhia das Índias Orientais foi um dos principais fatores da grande virada de desenvolvimento global que marcou o nascimento da era moderna.”



Na Holanda

Sua congênere holandesa, fundada dois anos depois, não ficou atrás. Com base no que hoje é a Indonésia, praticamente monopolizou o comércio mundial de especiarias. Quando havia superprodução de determinado produto, os holandeses não hesitavam em destruir as plantações de seus parceiros locais. A Cidade do Cabo, na África do Sul, que nasceu como entreposto da Companhia, foi a base da colonização bôer na região.

Ainda que Batávia, a cidade holandesa que ocupou o lugar onde hoje é Jacarta, capital da Indonésia, tenha sido uma fonte de poder no sudeste asiático por quase um século, nada se compara com o papel desempenhado pela Companhia britânica na Índia.

Em The Economic History of India Under Early British Rule, o historiador econômico Romesh Dutt analisa o papel da instituição e seu modus operandi. “O domínio da Companhia das Índias Orientais mudou a Índia”, diz Dutt. Para ele, a empresa “tratou o país como uma vasta propriedade agrícola cujos lucros haviam de ser retirados da Índia e depositados na Europa.”



Na comunidade de negócios, a Companhia britânica sempre exerceu fascínio pelo sucesso comercial, um modelo para a economia global atual. Rod Eddington, ex-diretor executivo da British Airways, viu um incentivo similar na crônica da Companhia, para ele um exemplo de como as empresas prosperam “à força de trabalho árduo, astúcia e sedução”. A carreira de Warren Hastings, o primeiro governador-geral da Índia em 1773, ilustra o equilíbrio entre o cultural e o comercial. Fluente em línguas locais, Hastings foi um grande filantropo e patrocinou a primeira tradução inglesa doBhagavad Gita (um importante texto religioso hindu), apoiou a criação de uma madrassa para estudantes muçulmanos em Calcutá e ordenou a construção de um templo budista às margens do Rio Hugli. O primeiro líder político da Índia independente, Jawaharlal Nehru, disse que “o país tem uma enorme dívida de gratidão com os executivos da empresa britânica por ajudar na redescoberta de sua herança”. A Companhia das Índias Orientais merece ser vista como era – uma empresa com fins lucrativos que gerou muita riqueza, mas também contribuiu para gritantes desigualdades. ‘‘Dois séculos depois, ela demonstra que a busca da responsabilidade empresarial é um exercício permanente de canalização da energia de comerciantes e empresários, de tal maneira que suas paixões privadas não prejudiquem o interesse público”, afirma Nick Robins.

Privilégios

A Companhia das Índias Orientais foi estabelecida como “organização político-corporativa”, o que lhe rendeu, em 1600, o status de instituição privilegiada sobre as demais. “Sua estrutura hierárquica, que não era inédita, se baseava nas companhias italianas, sobretudo florentinas, dos séculos 14 e 15”, afirma Daniel Strum, da Universidade de São Paulo. Geralmente, cartas reais eram emitidas apenas a comerciantes donos de empresas privadas com propósitos públicos – ou seja, que dividissem seus lucros com a Coroa e o Parlamento.



A Companhia inglesa tinha muito em comum com sua rival holandesa Verenigde Oostindische Compagnie, a VOC. Ambas utilizavam sistemas de administração fortemente hierarquizados, sustentados por um pequeno exército de escreventes – os writers ou shcrijvers. Eram publicamente controladas e transacionadas. A VOC era considerada um investimento mais atraente ao longo do século 17. Havia, porém, notáveis diferenças em seus sistemas de governança. Os diretores da VOC eram escolhidos por câmaras provinciais, e seu conselho diretor, formado por proprietários de parcelas substanciais das ações da companhia, mas aí terminava a ligação com a base acionária: os acionistas da VOC estavam com o capital, mas não tinham voz na escolha daqueles que administravam seus investimentos e conduziam sua política. A VOC era uma empresa poderosa, mas não uma corporação. A origem pública da forma corporativa da Companhia inglesa proporcionava aos acionistas não apenas a participação financeira, mas também o direito de voto, tornando- os algo como o eleitorado de um burgo parlamentar do século 18.

Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/companhias-indias-primeiras-multinacionais-779272.shtml
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1453: Constantinopla é tomada pelos turcos



No dia 29 de maio de 1453, as tropas do sultão Mehmed, o Conquistador, tomaram Constantinopla. Ele pretendia transformar a cidade na capital de um império otomano. Mehmed rebatizou o antigo centro da cristandade ortodoxa para Istambul. O cristianismo não foi proibido, mas a religião oficial passou a ser o islamismo.


Mesquita de Ortakoy, em Istambul


No ano 395, o império romano se dividiu e sua parte oriental tornou-se o centro do poder. A capital era Bizâncio, um centro comercial da Antiguidade localizado no estreito de Bósforo, que foi rebatizada posteriormente como Constantinopla pelo imperador Constantino, o Grande. O círculo cultural do império bizantino era greco-romano e a religião era a cristã por imposição do imperador, convertido ao cristianismo. Isso durou mais de um milênio. Até que, em 1453, tribos turcas das estepes da Ásia Menor tomaram a cidade.

Paz enganadora

"Os osmanlis eram inicialmente bastante pacíficos e não chamaram a atenção dos bizantinos. Segundo mostram as pesquisas mais recentes, os osmanlis eram até muito úteis aos bizantinos, pois se dedicavam à pecuária e contribuíam para o abastecimento de Constantinopla", conta o professor Peter Schreiner, especialista da Universidade de Colônia.

A paz temporária era enganadora. Para uma cidade medieval, Constantinopla era gigantesca, chegando a ter 300 mil habitantes. Mas a megalópole enfraqueceu-se ao longo dos séculos e sua população caiu para apenas 30 mil habitantes. O império começava a se esfacelar.

Segundo Schreiner, "essas fragilidades foram consequência da tomada de Constantinopla pelos cruzados em 1204: o império bizantino se desfez em inúmeros pequenos impérios, cuja fraqueza militar foi notada pelos osmanlis".

Em 1453, o sultão Mehmed 2° invadiu Constantinopla. Ele sonhava com um império otomano mundial e Constantinopla deveria ser sua capital. Mehmed logrou executar duas ações surpreendentes. Em primeiro lugar, mandou fundir um novo tipo de canhão, os maiores do mundo na época. Com eles, a muralha da cidade foi destruída.

Depois, postou 70 navios de guerra diante do porto. Numa ação noturna, suas tropas levaram os navios do mar para o porto através de uma estreita faixa de terra. O imperador Constantino, descendente do lendário primeiro imperador cristão, viu então sua cidade cair nas mãos dos turcos.

Kritobulos de Imbros descreveu a reação do imperador: "Quando viu que os inimigos o acuavam e entravam gloriosamente na cidade, através das brechas na muralha, ele teria dito suas últimas palavras: 'A cidade está sendo conquistada e eu ainda vivo?' E pulou no meio dos inimigos, sendo massacrado".

Islamismo torna-se religião oficial

Das metrópoles europeias da época – Roma, Veneza e Gênova – não veio qualquer ajuda. Elas estavam inteiramente concentradas em suas próprias querelas, e há muito temp o império bizantino tinha deixado de ser interessante. O sultão Mehmed rebatizou o antigo centro dos cristãos ortodoxos: o que inicialmente era Bizâncio, depois Constantinopla, passou a se chamar Istambul.

A religião cristã não foi proibida, mas o islamismo tornou-se a religião oficial. Logo, os símbolos cristãos nas igrejas foram substituídos por símbolos islâmicos. E é nas igrejas que se pode, ainda hoje, buscar os resquícios daquela época.

Peter Schreiner afirma: "É na Hagia Sophia que se pode encontrar a maioria desses resquícios, pois foi a primeira a ser transformada em mesquita, logo depois da conquista pelos turcos. Nessa igreja existe ainda grande parte da ornamentação da época bizantina" .

O império otomano teve um apogeu que durou um século. E depois, durante cem anos, ele esfacelou-se paulatinamente. Com a Primeira Guerra Mundial, deixou de existir. Foi criada a moderna República da Turquia. O que permaneceu foi sua capital, cuja história registra os três nomes: Bizâncio, Constantinopla, Istambul.


Autoria Catrin Möderler
Fonte: DW

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1902: Fim da Guerra dos Bôeres



No dia 31 de maio de 1902, terminou depois de três anos a Guerra dos Bôeres na África do Sul.


Soldados negros em Mafeking durante a Guerra dos Bôeres


O que em princípio era para ser uma guerra-relâmpago, acabou se tornando o pior conflito colonial dos britânicos. No dia 11 de outubro de 1899, a República Sul-Africana, mais os estados independentes de Orange e Transvaal, declararam guerra ao Reino Unido. Os colonos holandeses (bôeres, de Buren, agricultores) exigiam sua equiparação na comunidade sul-africana. Os britânicos, por seu lado, queriam ampliar o império colonial.

Os bôeres estavam bem armados, eram considerados bons atiradores e conheciam bem a região. Mesmo assim, não conseguiram se impor em cidades importantes controladas pelo britânicos, como Natal e no Cabo. Em março de 1900, as tropas de Londres conquistaram Bloemfontain, capital do Estado Livre de Orange. Os colonos receberam armas e apoio militar da Alemanha, mas seus 25 mil homens não podiam se impor diante do contingente de 250 mil britânicos.

Supremacia britânica e campos de concentração

Os bôeres tentaram, sem êxito, continuar a luta através de guerrilhas. Mas a vingança dos britânicos foi terrível: 30 mil propriedades foram incendiadas, plantações e animais mortos. Mulheres e crianças foram internadas em campos de concentração, onde morreram aos milhares.

A resistência dos colonos fracassou diante da falta de alimentos. A última guerra colonial entre colonos europeus e a metrópole terminou com 22 mil soldados mortos e sete mil vítimas fatais entre os bôeres.

Apesar da derrota, por um certo tempo os colonos conseguiram impor condições aos britânicos, tentando convencê-los de que conheciam melhor o território. Mas, com o passar do tempo, o Reino Unido tentou impor-se diante dos colonos, incentivando a migração de ingleses para a região e proibindo o holandês nas escolas. O nacionalismo bôer, no entanto, ressurgiu no interior. Pouco a pouco, os colonos começaram a deixar os centros dominados pelos britânicos.

Os negros, a grande maioria da população, assistiram ao conflito. Nem britânicos nem colonos buscaram grandes alianças. Paradoxalmente, os bôeres demoraram muito mais para reconhecer os direitos dos negros, apesar de terem lutado tanto pela sua soberania.


Fonte: DW.DE

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1635: A Paz de Praga na Guerra dos Trinta Anos



No dia 30 de maio de 1635 foi assinado o Acordo de Paz de Praga, que deveria encerrar a terceira fase da Guerra dos Trinta Anos. O acordo, entretanto, não vingou.


'Soldados saqueiam camponeses', de Sebastian Vrancx (1573–1647)


Por volta de 1630, circulou em Nurembergue um panfleto em forma de cantiga medieval que dizia mais ou menos o seguinte: "Assustou-nos que chegue a guerra em nossa cama. Façam com que, de imediato, nos acorde o galo e não o trompete assassino. Em vez de batalhas, queremos a dança da alegria; em vez de louros, uma coroa de folhas de oliveira. E que todos possam dormir seguros".

Início: conflito religioso na Boêmia

A Europa Central já não suportava mais sua primeira grande guerra. Os confrontos acirravam-se havia 12 anos, com períodos de lutas ferozes, seguidos por fases de relativo apaziguamento.

A chamada Guerra dos Trinta Anos começara em 1618 como conflito religioso entre católicos e protestantes na Boêmia, e adquirira caráter político em torno das contradições entre Estados territoriais e principados. Envolveu a Alemanha, Áustria, Hungria, Espanha, Holanda, Dinamarca, França e Suécia.

O conflito eclodiu quando grupos protestantes boêmios rebelaram-se contra o imperador e, de modo ostensivo, construíram uma igreja evangélica num reduto católico. Eles invadiram a fortaleza Hradschin, em Praga, e assassinaram dois altos funcionários da corte que os haviam preterido.

Na época, Fernando 2º, imperador do Sacro Império Romano de Nação Germânica, era também rei da Boêmia. Os rebeldes negaram-lhe esse título e entronizaram o príncipe eleitor calvinista Frederico do Palatinado.

Recém-coroado, Fernando 2º – monarca católico da casa dos Habsburgo, que permaneceu no poder de 1619 a 1637 – reagiu energicamente. Mandou à Boêmia as tropas de seu aliado, o duque Maximiliano da Baviera. Na primeira batalha da Guerra dos Trinta Anos, Maximiliano conseguiu controlar rapidamente os revoltosos boêmios. Ferdinando do Palatinado teve de fugir depois de uma breve regência que lhe rendeu o apelido de "Rei do Inverno".

Em Praga, o imperador vingou-se dos revoltosos com a execução pública de 27 nobres, líderes do levante. Para reprimir a insatisfação popular, enviou para a Boêmia tropas comandadas por Albrecht von Wallenstein, um comandante sedento de guerra.

Outros países entram no conflito

Na década de 1620, Wallenstein parecia estar a caminho de impor a paz na Boêmia. Foi aí que outros países europeus entraram no conflito. Os holandeses invadiram a Renânia para enfrentar os exércitos da Espanha e dos Habsburgo, comandados pelo poderoso general Spinosa. Em 1626, uma força dinamarquesa comandada pelo monarca Cristiano 4º invadiu a Alemanha pelo norte, para apoiar os protestantes germânicos.

Albrecht von Wallenstein ofereceu-se a Fernando 2º para expulsar os dinamarqueses com um exército organizado por conta própria – e teve sucesso. Como compensação, tornou-se príncipe imperial. Durante um breve período, Wallenstein foi o homem mais poderoso da Alemanha.

Mas essa rápida acumulação de poder em suas mãos apenas provocou os muitos inimigos da casa de Habsburgo, levando-os a lutar com mais empenho. Os príncipes germânicos logo depuseram Wallenstein do trono.

Assassinato de Wallenstein

Em 1630, o exército do influente rei sueco Gustavo Adolfo 2º (1611–1632), protestante, invadiu o norte da Alemanha e avançou para a Renânia e a Baviera no ano seguinte. Wallenstein foi novamente chamado para defender o território alemão, mas não conseguiu vencer as tropas de Gustavo Adolfo.

Ele acabou fechando um acordo de paz duvidoso, o que lhe rendeu a suspeita de alta traição à pátria. Por ordem do imperador Fernando 2º, Wallenstein foi assassinado por oficiais que ele próprio comandava.

Com a morte de Wallenstein, Fernando 2º reconquistou o controle sobre o Exército e conseguiu expulsar os suecos da Alemanha. Em consequência, os protestantes alemães passaram a procurar soluções pacíficas para o conflito, o que culminou no chamado Acordo de Paz de Praga, de 30 de maio de 1635.

Esse acordo, porém, foi de pouca duração. A França e a Espanha intervieram no conflito, desencadeando mais uma série de lutas, que só terminou em 1648, com a Paz de Vestfália, na qual foi reconhecida a liberdade religiosa dos calvinistas e dos demais protestantes.

A Guerra dos Trinta Anos reforçou o processo de fracionamento do território alemão. Em 1648, a Alemanha compunha-se de 300 principados soberanos, sem qualquer sentimento nacional comum. A Paz de Vestfália finalmente trouxe tranquilidade para a Alemanha.

Segundo Paul Kennedy, autor de Ascensão e Queda das Grandes Potências, a essência da solução de Vestfália foi o reconhecimento do equilíbrio religioso e político dentro do Sacro Império Romano de Nação Germânica, confirmando dessa forma as limitações da autoridade imperial.

Fonte; DW.DE

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1946: Fundada a República Independente da Cochinchina



Em 1º de junho de 1946, a França fundou a República Independente da Cochinchina, dissolvida por Paris em 1949. Em seu lugar foi instalada a República do Vietnã do Sul.


Templo de Angkor Wat, no atual Camboja


Os franceses chegaram à Península da Indochina em 1858, mas nunca conseguiram controlar mais que o sul do Vietnã, a Cochinchina, o "celeiro de arroz" do Sudeste Asiático, no delta do rio Mekong. Em 1874, a França estabeleceu dois protetorados na região: Anã, no centro, e Tonquin, no norte. Finalmente, em 1887, foi formada a União da Indochina, que reuniu sob o jugo colonial francês Anã, Tonquin, Cochinchina e Camboja.

Os franceses obtiveram grandes lucros com a exploração da borracha, do arroz e da madeira. Em 1940, a Indochina foi ocupada pelos japoneses. Com a retirada do Japão após a Segunda Guerra Mundial, os franceses reocuparam a península.

O Alto Comissário Francês para a Indochina, almirante George Thierry d’Argenlieu, formulou com as seguintes palavras os objetivos da política colonial da França: "Precisamos assegurar a manutenção e ampliação de nossa influência e de nossos interesses econômicos, bem como garantir a proteção das minorias étnicas. Além disso, temos de nos preocupar com nossas bases estratégicas e a defesa da união francesa".

EUA negaram ajuda

Como fizera nas batalhas contra os japoneses na Segunda Guerra Mundial, Paris pediu, sem sucesso, o apoio dos Estados Unidos. No entanto, a política de Roosevelt e, mais tarde, a de Truman, foram claramente anticolonialistas e ambos negaram a ajuda.

As reservas de Washington em relação à França levaram o líder dos povos do norte e do centro do Vietnã, Ho Chi Minh, por sua vez, a depositar suas esperanças nos EUA. Ele disse ao oficial do serviço secreto norte-americano, major Archimedes Patti, que os vietnamitas nunca entrariam em guerra contra os EUA, "um país que eles amam".

Interessados em ter a França como forte aliada na Europa, os norte-americanos também negaram ajuda aos vietnamitas. A ordem de Roosevelt e Truman era não tomar partido na questão da Indochina. Ho Chi Minh não obteve sequer o desejado apoio moral dos EUA. Ignorada pelos norte-americanos, a Liga pela Independência (Vietminh), criada em 1939, no entanto, acabou sendo apoiada pela China.

O Vietminh passou a combater o expansionismo francês em direção a Hanói e a exigir a independência da República da Cochinchina. O objetivo era livrar a Indochina da ocupação francesa. O almirante d’Argenlieu reagiu, dizendo que a França não tinha a intenção de conceder a independência total aos povos da Indochina. "Isso seria uma perigosa quimera em relação aos interesses de ambos os partidos", declarou.

Nova estratégia de Paris

A fundação da Cochinchina em 1946 marcou o início da primeira guerra na Indochina. Paris, no entanto, viu logo que não se tratava de um país "independente" e adotou uma nova estratégia: a 23 de abril de 1949, novamente dissolveu a República Independente da Cochinchina e instalou em seu lugar a República do Vietnã do Sul. O Vietminh não reconheceu esse Estado fantoche dos franceses e a guerra continuou até a derrota francesa em Diem Bien Phu, em maio de 1954.

O cenário do conflito colonial francês virou, então, palco da Guerra Fria do "ocidente livre" (os EUA) contra "as forças das trevas e do comunismo" (o Vietcong). Os norte-americanos fariam a mesma experiência amarga dos franceses: não tiverem meios – nem mesmo militares – de conter o movimento pela independência dos povos da Indochina. Em 1975, derrotados, os EUA foram obrigados a se retirar do Vietnã.

O dia 1º de junho de 1946, data da fundação da República Independente da Cochinchina pela França, foi um marco histórico do fim da política colonialista do século 19. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o império francês virou uma página da história.


Autoria Dirk Kaufmann
Fonte: DW

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1948: "Seis potências" decidem futuro da Alemanha Ocidental

De 23 de fevereiro a 2 de junho de 1948, Estados Unidos, Reino Unido e França, bem como países do Benelux (Bélgica, Luxemburgo e Holanda) discutiram o futuro das zonas de ocupação da Alemanha.


'Nova moeda, novos preços', após a reforma monetária de 1948


Após a Segunda Guerra Mundial, a aliança das potências vencedoras foi abalada por confrontos internos, do que resultaram ideias divergentes quanto à política a ser adotada na Alemanha. A arquitetura política da República Federal da Alemanha foi debatida, pela primeira vez, na Conferência das Seis Potências, em Londres.

O então governador de Baden-Würtemberg, Reinhold Maier (do Partido Liberal), fez quatro reivindicações aos participantes da conferência: "O reconhecimento internacional da Alemanha como Estado autônomo; um acordo de paz, ao qual temos direito dois anos e meio após a capitulação incondicional; a definição das reparações em termos que nos garantam uma base econômica; e, finalmente, a libertação de nossos prisioneiros de guerra".

Os participantes da Conferência das Seis Potências concordaram em fomentar a recuperação econômica das três zonas ocidentais com recursos do Plano Marshall (que, entre 1948 e 1952, forneceu 14 bilhões para a reconstrução europeia). Em troca do apoio a essa decisão, a França obteve o direito de anexar a região do Sarre ao seu território. Paris também se dispôs a apoiar a reforma monetária alemã, que entrou em vigor com a introdução do marco alemão (Deutsche Mark) a 20 de junho de 1948.

Os franceses queriam que a Alemanha fosse organizada apenas como confederação informal de Estados, enquanto os ingleses e norte-americanos propunham a criação de uma república federativa. No final, chegou-se ao consenso de formar um governo alemão-ocidental, baseado no sistema de governo democrático federativo.

Conferência selou divisão da Alemanha...

Com isso, os Aliados não só demonstraram a intenção de criar um Estado alemão. Na prática, selaram a divisão do país, um fato reconhecido pelo vereador berlinense Walther Schreiber (da CDU), numa crítica aos resultados da Conferência de Londres. "A definição da organização de nosso país é um assunto estritamente interno que deve ser decidido livremente pelo nosso povo. Para a autoridade da futura Constituição alemã seria importante que todas as potências de ocupação evitassem intervir na questão, estritamente alemã, da formação do nosso Estado", escreveu.

A Conferência das Seis Potências aprovou uma série de recomendações que, a 1º de julho de 1948, foram entregues aos governadores alemães e ficariam conhecidas como os Documentos de Frankfurt. O texto levemente modificado previa a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e a elaboração de um estatuto de regulamentação das relações entre o governo alemão-ocidental e as potências de ocupação.

Os governadores rejeitaram a expressão Verfassung (Constituição) e sugeriram, em vez disso, o uso do termo Grundgesetz (Lei Fundamental) – detalhe meramente semântico, sem qualquer significado político. Eles tiveram dificuldade ainda maior em dar um sentido real à palavra "democracia": rejeitaram a realização de um plebiscito constitucional, sob o pretexto de que os parlamentos estaduais deveriam aprovar a Lei Fundamental.

... e acelerou cisão entre Aliados

A Conferência de Londres acelerou a divisão das potências aliadas, vencedoras da Segunda Guerra Mundial. No dia 20 de março de 1948, o representante soviético na 82ª sessão do Conselho Controlador, marechal Sokolovski, exigiu informações sobre as negociações de Londres. Percebendo que recebia apenas respostas evasivas dos diplomatas ocidentais, abandonou o Conselho, para nunca mais voltar.

Enquanto as potências ocidentais ainda elaboravam as recomendações aos governadores alemães-ocidentais, Stalin usou a introdução do Deutsche Mark como pretexto para fazer um bloqueio a Berlim Ocidental, no verão europeu de 1948. Foi o primeiro incidente de repercussão internacional da Guerra Fria, que duraria 40 anos, até a queda do Muro de Berlim, em 1989.


Autoria Michael Marek
Fonte: DW

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