21.11.09

Máfias provocam medo e fascínio desde o final do século XIX

Primeiros grupos surgiram na Sicília para proteger proprietários de terra.
Professor de Oxford diz que bicheiros do Rio se organizaram como máfia.


Um homem fuma calmamente um cigarro no lado de fora de um bar numa manhã de Nápoles. Outro homem, com um boné de beisebol, entra e ao sair, dispara contra o primeiro à queima-roupa várias vezes – a última vez, na cabeça, com a vítima já caída no chão – e sai andando. Uma mulher, que conferia um bilhete de loteria se afasta, assim como um vendedor de cigarros. Um homem com um bebê olha a vítima e sai andando.


A sequência, que poderia estar em um dos filmes da trilogia “O Poderoso Chefão” ou no seriado de TV “Família Soprano”, foi
captada por câmeras de segurança no dia 11 de maio. Divulgada por promotores para ajudar na identificação do assassino cinco meses depois, foi exibida pelas TVs italianas e acabou sendo postada no site de vídeos compartilhados Youtube em 30 de outubro, onde, até a última terça-feira (17) havia sido vista por quase 19 mil pessoas.

Nas últimas semanas, a prisão de importantes líderes levou autoridades italianas a comemorar o que consideraram um duro golpe contra grupos mafiosos das regiões de Nápoles e Sicília. Vista em perspectiva, no entanto, a ação parece mais um capítulo numa história que remete ao final do século XIX.


É desde esta época que, segundo o historiador italiano Salvatore Lupo, autor de “História da Máfia – Das origens aos nossos dias” (Ed.Unesp), começam a surgir as primeiras menções à máfia. O termo, então, tinha um sentido ambíguo. Segundo Lupo, antes de 1860, o termo ‘
mafiusu’ descrevia um homem de coragem e ‘mafiusedda’, uma moça bela e orgulhosa.


Já a máfia, num cruzamento entre várias acepções, se referia a “empresa ou tipo de indústria criminosa; como organização secreta mais ou menos centralizada; como ordenamento jurídico paralelo ao Estado, ou como anti-Estado.”


Os primeiros grupos, de acordo com o sociólogo e historiador Diego Gambetta, professor da Universidade de Oxford e autor de “The Sicilian Mafia” (A Máfia Siciliana, sem edição brasileira), surgiram após as duas tentativas de golpe sofridas pela ilha italiana, em 1848 e 1860.


Organizados, eles protegiam seus membros no estado de caos. Mesmo com a Itália já unificada, em 1870, muitos destes grupos permaneceram ligados. Nos anos seguintes, outras regiões do sul da Itália também ganhariam suas próprias organizações mafiosas, como a Calábria e Nápoles, berço da Camorra, a quem o sociólogo atribui a provável autoria da execução descrita no início deste texto.

Foto: AFP

Imagem de câmera de segurança mostra momento em que membro da máfia é executado em Nápoles, na Itália; vídeo já foi visto por quase 19 mil pessoas (Foto: Reprodução / AFP)

Ainda no final do século XIX, famílias de sicilianos emigraram para os Estados Unidos. Com elas, segundo o sociólogo, a máfia também atravessou o Atlântico, se estabelecendo em grandes cidades, como Nova York e Chicago.


É nos EUA que, segundo Salvatore Lupo, a unidade elementar da organização, chamada na Sicília do século XIX por nomes do tipo quadrilha, rede, partido, sociedade, irmandade, é chamada então de família.

“A família de máfia corresponde pouco à família de sangue, e tanto na América quanto na Sicília, ontem como hoje, pode ocorrer que apesar das ideologias familiares, nos conflitos inframafiosos, pais e filhos, irmãos e irmãos, encontrem-se em correntes opostas e matem-se entre si”, descreve no livro.


De acordo com o autor, é também na América que surge um nome para designar a organização em seu conjunto, “Cosa Nostra” (“coisa nossa”), buscando, segundo Lupo, contrapor o grupo emigrado de outros e onde também “teria adotado modelos impessoais de organização, instituições centralizadas de governo para evitar uma violência interna primitiva e sobretudo danosa aos negócios”.

Máfia x crime organizado

Mas o que distingue um grupo mafioso de uma organização criminosa comum, como facções criminosas ou terroristas? “Uma máfia é um grupo de homens unidos pela sua reputação comum para intimidar, que usa esta reputação para ‘proteger’ e controlar mercados criminosos. Mafiosos ganham seus lucros não diretamente do crime, mas indiretamente, controlando os criminosos. O seu maior capital é sua reputação coletiva pela intimidação”, disse ao G1 o sociólogo Diego Gambetta.


Para ele, a distinção entre mafiosos e outros negociantes ilegais, está no fato de que os primeiros negociam “proteção”. “Uma gangue que lida com drogas não é uma máfia, mesmo que tenha internalizado uma ala violenta que cuida de sua proteção. Guangues deste tipo, que são encontradas do Rio a Baltimore, são instituições menos eficientes, são mais primitivas e menos evoluídas num submundo no qual não há divisão de papéis, e uma máfia e o negócio que ela protege são organizações distintas.”


No livro “A História da Máfia...”, o historiador Salvatore Lupo questiona o conceito de Gambetta de que o mafioso vende um “bem específico”, a proteção, num contexto histórico em que falta segurança.

“Parece discutível a avaliação de Gambetta que subestima o fator extorsão em relação ao fator proteção. [...] Em larga medida é justamente a máfia que cria a insegurança da qual se aproveita, podendo-se dizer que a sua única função é aquela que ela própria determina, visto também que a criminalidade comum constitui a base de recrutamento das quadrilhas.”

Foto: Reprodução / IMDB

Mafiosos modernos: personagens da série 'Família Soprano', exibido pelo canal de TV a cabo HBO, que mostra o cotiadiano e as dificuldades de um chefe de um grupo de Nova Jersey para manter o negócio (Foto: Reprodução / IMDB)

Para o historiador, “é a máfia que descreve a si mesma como “expressão da sociedade tradicional”. “Todo mafioso eminente insiste em apresentar-se sob as vestes do mediador e do pacificador de controvérsias, de tutor da virtude das meninas; pelo menos uma vez na sua carreira, ele ostenta uma ‘justiça’ rápida e exemplar contra ladrões violentos, estupradores, raptores de crianças. Estamos, por outro lado, diante de um grupo de poder o qual pretende criar consenso externo e solidez interna.”


Mais que os ternos brancos, sapatos bicolores e cabelos impecáveis que exibem no cinema, mafiosos se distinguem de bandidos comuns pela continuidade das organizações, que vai além da vida dos seus membros, pelo respeito à estrutura hierárquica, pelos códigos e rituais de ingresso, em grande parte, segundo Lupo, emprestados da marçonaria e do carbonarismo.

Máfia à brasileira

Isto não quer dizer que este tipo de organização exista apenas entre os italianos. “Dadas as devidas condições, organizações semelhantes à máfia evoluíram em outras partes do mundo independentemente da máfia siciliana. A Yakuza no Japão, a Tríade, em Hong Kong e, após 1989, a máfia russa se desenvolveu sem nenhuma inspiração nas sicilianas”, diz o sociólogo Gambietta, que acaba de lançar "Codes of the Underworld: How Criminals Communicate" (Em tradução literal: "Códigos do submundo: como os criminosos se comunicam", também inédito no Brasil).


“Até onde eu pesquisei, os ‘bicheiros’ [no Rio] se organizaram de uma maneira muito próxima a uma máfia propriamente dita. Na maneira como eles controlavam não apenas o jogo, mas também outras atividades ilegais, de maneira independente destes mercados, pode ser considerada uma máfia”, diz Gambetta.


O professor de Oxford reitera, no entanto, que facções criminosas como as que controlam o tráfico atualmente em grandes cidade brasileiras, como Rio e São Paulo, não podem ser consideradas organizações mafiosas. “As gangues cariocas não são uma máfia, e operam de maneira diferente de uma máfia. Elas são especializadas em apenas um mercado e cuidam de sua proteção diretamente.”

Sobrevivência

A atuação em vários segmentos de negócios ilegais ao mesmo tempo é outra característica comum às máfias atuais, segundo os estudiosos. Essa versatilidade é descrita no livro, depois adaptado para o cinema, “Gomorra – A história real de um jornalista infiltrado na máfia napolitana” (Ed. Bertrand Brasil), de Roberto Saviano, que descreve os tentáculos da organização em mercados tão diversos quanto a alta-costura italiana, o mercado das obras de arte, o negócio do lixo e ao tráfico internacional de drogas.

“Do mesmo modo que ontem a ameaça dos bandidos era utilizada para induzir os proprietários fundiários a confiar aos mafiosos o exercício da empresa agrária, assim também hoje, pela ameaça da rapina, da extorsão, da usura, os comerciantes são estimulados a aceitá-los como sócios. [...] Por um lado, [vemos] uma contínua transformação de mafiosos em negociantes, por outro, uma contínua transformação de empresas limpas em empresas genericamente corruptas ou ‘contíguas’ à máfia”, descreve Salvatore Lupo.

Fonte: G1

Relatório francês de 1924 sobre Adolf Hitler alertava que ele 'não era idiota'

Ele era um 'demagogo muito astuto', diz nota escrita por agente anônimo.
Documento está nos Arquivos Nacionais, que estão sendo reformulados.


Um relatório secreto da França sobre Adolf Hitler, poucas vezes visto, está entre milhares de documentos sobre a Alemanha da década de 1920 prestes a sair da obscuridade graças a uma grande reformulação dos Arquivos Nacionais Franceses.


A amarelada nota manuscrita de 1924 mostra uma foto de Hitler com terno e gravata, com o penteado e o bigode característicos, e faz parte de um acervo que passou décadas empoeirando numa mansão parisiense.


"Ele não é um idiota, e sim um demagogo muito astuto", diz a nota, escrita por um agente anônimo, ao qual a Reuters teve acesso.

Foto: Reuters
Nota manuscrita de 1924 com foto de Adolf Hitler, mostrada nesta sexta-feira (20) em escritório dos Arquivos Nacionais Franceses. (Foto: Reuters)

Nesse bilhete, ele é apresentado como "o Mussolini alemão" e como chefe de grupos paramilitares "do tipo fascista", mas sem nenhum alerta em particular sobre o homem que viria a ocupar a própria França durante o regime nazista.


Essa nota é parte do enorme arquivo da época em que tropas francesas ocuparam parte da Alemanha, depois da Primeira Guerra Mundial. Ele ficou guardado separadamente do resto dos papéis, num gabinete metálico onde a França mantém seus documentos mais importantes.


Construído em 1791, durante a Revolução Francesa, esse gabinete contém 800 peças, inclusive o diário do decapitado rei Luis XVI, a última carta da esposa dele, Maria Antonieta, o testamento de Napoleão e as sucessivas Constituições francesas.


Visto até agora apenas por poucos privilegiados, o relato sobre Hitler agora foi retirado do gabinete e será em breve disponibilizado a historiadores, junto com dezenas de milhares de outros documentos que remontam à ocupação francesa da Alemanha.


Esses papéis foram transportados para Paris em 1930 e ficaram guardados nas entranhas dos Arquivos Nacionais, que funcionam em um magnífico casarão do começo do século XVIII, no coração do histórico bairro do Marais.


Os documentos, que incluem também relatórios de espiões sobre políticos e detalhes sobre técnicas industriais alemãs das quais os franceses queriam se apropriar, nunca foram analisados ou indexados.


Por isso, permaneceram ocultos em mais de 6 mil caixas, inacessíveis aos historiadores. Os clipes de papel enferrujaram, o pó se acumulou e a tinta sumiu das folhas de papel de seda.


Tudo mudou há quatro anos, quando os Arquivos lançaram um projeto de conservação para examinar cada papel e criar um índice detalhado, que será divulgado online.


"Em ambos os lados do Reno, havia uma fortíssima demanda de historiadores para trabalhar no período entreguerras, e particularmente nas raízes da Segunda Guerra Mundial", disse Isabelle Neuschwander, diretora dos Arquivos.


O arquivo organizado será transferido para uma moderna instalação que está sendo construída num subúrbio de Paris, onde ficará disponível a qualquer pesquisador.

Fonte:

Agência divulga foto de dedo do astrônomo Galileu Galilei

Outros dois dedos e um dente foram encontrados por colecionador.
Eles serão exibidos ao público ano que vem.


Foto divulgada nesta sexta-feira (20) mostra um dedo da mão direita de Galileu Galilei. O dedo foi removido em 1737 do cadáver do astrônomo, quando estava sendo trasladado para a tumba da Basílica de Santa Croce. Também foi anunciado hoje que outros dois dedos e um dente, considerados perdidos por mais de um século, foram localizados por acaso por um colecionador e serão exibidos ao público pela primeira vez na primavera de 2010 (Hemisfério Norte) na reabertura do Instituto e Museu de História da Ciência de Firenze, na Itália.

Reprodução/Reprodução

Dedo do astrônomo julgado pela Igreja por afirmar que a Terra orbitava o Sol foi removido em 1737 (foto: AFP/Catola and Partners Media)

Em 1609, o matemático, físico e filósofo italiano Galileu Galilei apresentou às autoridades de Veneza uma versão aperfeiçoada do telescópio - inventado no ano anterior pelo alemão-holandês Hans (ou Johann) Lippershey. Cerca de 20 anos mais tarde, a Igreja Católica julgou e condenou o cientista, hoje tido como fundador da astronomia moderna, por heresia. Ele foi sentenciado por questionar a teoria, tida como correta na época, de que o Sol girava em torno da Terra.

Embora os fundamentos da teoria Heliocêntrica - segundo a qual o Sol estaria no centro do sistema solar - tenham sido estabelecidos previamente pelo polonês Nicolau Copérnico, foram os instrumentos e observações de Galileu que permitiram provar a teoria. Em 1633, Galileu foi forçado a desmentir a teoria e condenado à prisão domiciliar. Ele morreu em 1642.

Só em 1992 o papa João Paulo II declarou que a decisão da Igreja Católica foi um erro e que os católicos não são hostis à ciência.


Fonte:

Novos fósseis revelam um mundo cheio de crocodilos

Espécies receberam apelidos como CrocJavali, CrocRato e CrocCão.
Eles viveram entre 145 a 65 milhões de anos atrás no que hoje é o Saara.



Foto: AP Photo/National Geographic, Mike Hettwer

Crânio de nova espécie de crocodilo descoberta, batizada de DogCroc (CrocCão), viveu no deserto do Saara. (Foto: AP Photo/National Geographic, Mike Hettwer)

Novos fósseis escavados no que hoje é o deserto do Saara revelam um mundo outrora pantanoso dividido entre algumas espécies de crocodilos diferentes e talvez inteligentes, disseram pesquisadores nesta quinta-feira (19).

As novas espécies -- identificadas por apelidos: CrocJavali, CrocRato, CrocCão, CrocPato e CrocPanqueca -- podem ajudar a entender por que os crocodilianos foram e continuam sendo uma forma tão bem sucedida de vida.

  • Aspas

    Ficamos surpresos por descobrir tantas espécies do mesmo tempo no mesmo lugar"

Eles viveram durante o Cretáceo -- 145 a 65 milhões de anos atrás -- quando os continentes ainda estavam unidos e o mundo era mais quente e úmido que hoje.

"Ficamos surpresos por descobrir tantas espécies do mesmo tempo no mesmo lugar", disse o paleontólogo Hans Larsson, da Universidade McGill, de Montreal, que participou do estudo.

"Cada crocodilo aparentemente tinha dietas e comportamentos diferentes. Parece que eles dividiram o ecossistema, com cada espécie tirando proveito dele à sua própria maneira."

Com verba da "National Geographic", Larsson e Paul Sereno, da Universidade de Chicago, estudaram mandíbulas, dentes e os poucos ossos disponíveis dos animais. Também fizeram tomografias computadorizadas para olhar dentro dos crânios.

'Inteligência'
Duas das espécies -- o CrocCão e o CrocPato -- tinham cérebros diferentes dos crocodilos modernos. "Eles podiam ter uma função cerebral ligeiramente mais sofisticada do que os crocodilos
(atualmente) vivos, porque a caça ativa sobre a terra habitualmente exige mais poder cerebral do que simplesmente esperar que a presa apareça", disse Larsson em nota.

O CrocRato, uma nova espécie formalmente chamada de
Araripesuchus rattoides, foi encontrada no Marrocos e teria usado sua mandíbula inferior com dentes elevados para fuçar em busca de comida.

O CrocPanqueca, conhecido cientificamente como
Laganosuchus thaumastos, tinha 6 metros de comprimento e uma cabeça comprida e chata.

O CrocPato representa novos fósseis achados no Níger de uma espécie previamente conhecida, chamada
Anatosuchus minor. Tinha um focinho largo e provavelmente se alimentava de larvas e sapos.

O mais feroz era o CrocJavali, também com 6 metros, mas que corria em pé e tinha uma mandíbula preparada para esmagar, com três pares de dentes cortantes.


Alguns eram bípedes, com as pernas em baixo do corpo, em vez de serem rastejantes e terem as pernas ao lado do corpo







"Seus talentos anfíbios do passado podem ser a chave para entender como eles floresceram na era dos dinossauros e afinal sobreviveram a ela," escreveu Sereno em um artigo para a "National Geographic."


Fonte: G1

Dinossauros tinham sangue quente

A nova descoberta mostra que a espécie teria tido capacidade física similar às dos mamíferos e das aves

Agência Fapesp

Os dinossauros ganharam esse nome do biólogo inglês Richard Owen (1804-1892), com o significado de "lagartos terríveis". Mas estudos feitos por paleontólogos nos últimos anos têm enfatizado não a semelhança, mas sim a diferença na fisiologia dos vertebrados gigantescos pré-históricos com a dos lagartos atuais.

Uma nova pesquisa, publicada nesta quarta-feira (11/11) pela revista PLoS One, investiga se os dinossauros eram endotérmicos ou ectotérmicos. Ou seja, se eram mais parecidos com os mamíferos e aves atuais, com sangue quente, ou com o répteis, com sangue frio.

A questão tem implicações importantes. Se os dinossauros eram endotérmicos, eles teriam tido capacidades físicas similares às dos mamíferos e das aves. Poderiam, por exemplo, ter sobrevivido a hábitats mais frios, como montanhas e regiões polares, que matariam os animais ectotérmicos.

Mas essas vantagens têm um preço. Os animais de sangue quente precisam de mais comida do que os outros, porque seu metabolismo mais acelerado exige uma provisão constante de energia.

Segundo o estudo, os dinossauros provavelmente foram endotérmicos. Eram animais atléticos com exigências energéticas muito superiores às que os animais de sangue frio são capazes de suprir.

A pesquisa combinou análise de fósseis, dados da fisiologia de animais atuais e técnicas de modelagem em computador. Um importante dado utilizado foi que o gasto energético de andar e correr está fortemente associado com o tamanho da perna - a medida do quadril aos pés é capaz de estimar com 98% de eficácia o gasto energético de diversos animais terrestres.

Estudos anteriores feitos com animais atuais mostraram que os endotérmicos podem sustentar taxas muito mais elevadas de gasto energético. Mamíferos e aves estão sempre em movimento e queimando energia. Como se estima que os dinossauros também se movimentavam bastante, os cientistas sugerem que eles não poderiam ter sido ectotérmicos.

No novo trabalho, Herman Pontzer, da Universidade de Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos, e colegas aplicaram esses princípios para examinar modelos anatômicos de 14 espécies de dinossauros. Em computador, os pesquisadores reconstruíram os membros dos animais extintos, calculando o volume de músculo necessário para andar ou correr em diferentes velocidades.

Ao comparar os resultados para cada espécie, e organizá-las em uma árvore familiar evolucionárias, os autores verificaram que a endotermia pode ter sido uma condição ancestral para todos os dinossauros. Isso levaria a característica de sangue quente para muito tempo antes do que se imaginava.

Os pesquisadores apontam que a endotermia pode ter sido um dos principais motivos do sucesso evolucionário dos dinossauros durante os períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo.

Fonte:

Filosofia

Moais

Os moais são as enormes estátuas de pedra erguidas na Ilha de Páscoa e com fins religiosos. Cercada de mistérios, a ilha, localizada no meio do Oceano Pacífico (mais precisamente a 3.706 km da costa chilena), instiga a imaginação de cientistas e visitantes a desvendar o mistério das enormes estátuas de pedra.


Moais da Ilha de Páscoa

Segundo a teoria mais aceita sobre a ilha, os moais teriam sido erguidos pelos primeiros habitantes, os “Rapa Nui”, como uma homenagem

aos líderes mortos, o que explicaria o fato de estarem todas de costas para o mar, ou seja, de frente para o interior da ilha onde ficavam as aldeias. O que significaria que os líderes, representados pelos moais, continuariam a olhar para sua tribo. A mesma teoria afirma que a lógica de construção dos moais segue um padrão que está relacionado à topografia da ilha, também pelo fato de estarem viradas para esta e de costas para o mar.

Outra teoria, defendida por um pesquisador do Instituto de Astrofísica das Canárias, Edmundo Edwards, tenta provar que, na verdade, as estátuas seguem um padrão de construção que seria orientado pelas estrelas, tal qual as pirâmides egípcias.

Ao todo a ilha de Páscoa, também chamada de Rapa Nui, possui 670 estátuas de pedra que começaram a ser esculpidas em torno do ano 1.000 d.C. pelos nativos. Cada estátua era feita de uma única rocha basáltica retirada de uma cratera no centro da ilha, a cratera “Rano Raraku”, e seus tamanhos variam de 2 a 20 metros de altura. Depois de esculpidos os moais eram transportados sobre toras até o local onde seriam erguidos, geralmente sobre altares, também de pedra, os “ahus”.

Fonte:

O SESQUICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL: A ESCRITA DE UM DISCURSO E A MEMÓRIA COMO SEU FUNDAMENTO

por: Joselia de Castro Silva 1 & Talita Veloso Cerveira 2
Em 1972, foi montada no Rio de Janeiro, no Museu Nacional de Belas Artes, a exposição “Memória da Independência 1808-1825”, cujo objetivo era comemorar a Independência do Brasil. Em meio a diversas comemorações, esse evento oficial tinha como objetivo não apenas homenagear o passado e seus principais personagens históricos, mas construir um discurso bem específico que começava em 1808, tinha em 1822 seu ponto culminante e terminava em 1972 apontando projeções para o futuro. Em um momento bem delicado para a história política do Brasil, a celebração, por meio dessa leitura, pretendia elaborar um discurso histórico e transformá-lo em memória nacional.

Palavras chave- Memória - Comemorações – Ditadura

ABSTRACT: The “Independence Memory 1808-1825” exhibition was designed in 1972 with the purpose to celebrate the Independence of Brazil.Among several commemorations, this official event aimed not only to pay homage to the past and its main historical figures, but also to construct a quite specific discourse, covering a period which began in 1808, reached its climax in 1822 and ended in 1972 pointing at projects for the future. The celebration, interpreted in such a way, meant to elaborate a historical discourse capable of shaping the memory of the nation.


“Trazer à memória; lembrar ou ainda festejar (data, realização etc.). Ato ou efeito de comemorar”. Do latim commemorationis. Comemorar “fazer recordar, lembrar”, “solenizar, recordando” do latim commemorare.
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Em todas as definições que apresentam a origem etimológica da palavra comemoração, encontra-se referência à prática da memória. Não existe comemoração sem reminiscência de repetição do passado. A celebração traz consigo uma memória e, ao mesmo tempo, uma projeção para o futuro, representando de uma só vez a idéia de imortalidade e de indestrutibilidade, num jogo de imagens que acabam pertencendo ao imaginário, à projeção de um desejo, muito mais do que uma antecipação da realidade.
Separar a prática das celebrações e festas do conceito de memória social seria um erro. Toda comemoração requer a valorização de acontecimentos passados comuns a um determinado grupo social: seja um país, uma pequena comunidade ou até a um indivíduo.
As celebrações sempre foram vitais ao bem-estar da sociedade. Elas pontuam a vida com rituais, cerimônias e eventos festivos. Além disso, são uma força de coesão para as tensões e conflitos sociais. Solene ou insignificante, séria ou alegre, elaborada ou simples, comemorações cumprem sobretudo funções normativas, ao mesmo tempo em que são necessárias ao bom funcionamento de algumas sociedades. Entretenimentos, feriados, calendários específicos, ritos religiosos, aniversários de líderes políticos, comemorações nacionais, paradas, festivais e carnavais sempre existiram; contudo, as formas de celebrar um acontecimento ou alguém podem mudar e suas implicações variam com determinada ordem social.
A partir do século XVIII, houve uma expansão das práticas celebrativas, sobretudo na Europa. John R. Gillis afirma que “isso começou a mudar como resultado das revoluções políticas e econômicas do final do século XVIII”. Segundo ele, “a demanda por comemorações veio, principalmente, das classes médias e trabalhadoras urbanas numa gradual expansão. Hoje, a maior parte das pessoas é obcecada em recordar, preservar e lembrar”. Durante o desenvolver do século XX, cada segmento social ansiava por deixar preservada sua memória, utilizando, para isto, a comemoração. Essa prática, entretanto, não impede que as celebrações de caráter nacional permaneçam constantes, pois afinal são responsáveis pelo desenvolvimento de uma memória nacional: fenômeno que agrega diversas pessoas que não necessariamente se vêem, ou ouvem falar umas das outras, mas que as ajuda a construir a idéia de que possuem uma história comum.
No Brasil, festas e fenômenos comemorativos existem desde os tempos coloniais com a função de sacramentar o domínio metropolitano. Já durante a independência, a instituição oficial de novos calendários fez parte de uma estratégia de recriação da unidade política para combater as tensões regionais e sociais. Na verdade, tais festas configuravam parte de um processo de construção e legitimação tanto do regime imperial brasileiro quanto da dinastia que ocupava o poder político.
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Durante o início do período republicano, as comemorações foram construídas em cima de um imaginário relacionado ao surgimento e à consolidação do novo regime, com grande utilização de fontes iconográficas e monumentos.
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No início do século XX, merecem destaque os investimentos feitos por conta das celebrações dos cem anos da Independência do Brasil, comemoradas em uma exposição internacional denominada “Exposição do Centenário de 1922”. Assim, ao longo do período republicano, houve uma série de construções de eventos comemorativos relacionados às especificidades e necessidades de uma determinada conjuntura.6
Durante o governo militar não poderia ser diferente. A comemoração do sesquicentenário, portanto, é vista aqui como um ato social que representa um fenômeno de necessidade de coesão, organização e ordem, que se expressa através de uma cultura sensorial e persuasória que põe em evidência a complexidade sociopolítica do evento organizado em 1972, momento de reiteração da ordem política militar, mas também de autopromoção para as novas possibilidades de desenvolvimento econômico.
Em espaços públicos museológicos, o ato de comemorar se relaciona à perpetuação e elaboração de uma narrativa. Há, portanto, uma função pedagógica presente nestes espaços.
Ao elaborar uma exposição, estão presentes processos como a criação de conhecimentos científicos a partir de determinado contexto acadêmico político, seleção e priorização de um conteúdo por um grupo social que possui algum marco ou motivo interpretativo. Dessa forma, surge um discurso museográfico. Diferentes saberes estão em diálogo/conflito na constituição de um discurso expositivo. Em cada museu, dependendo da finalidade da exposição, diferentes saberes irão legitimar este discurso.
A exposição comemorativa do sesquicentenário da Independência do Brasil pode ser considerada uma unidade pedagógica, aonde o visitador iria em busca da compreensão de uma mensagem: a compreensão de um sistema didático existente no espaço, neste caso, no Museu Nacional de Belas Artes.
Ao ser elaborada, uma exposição requer seleção de conteúdos, e está condicionada tanto por elementos internos, como a história, quanto a elementos externos, relacionados à forma de apresentação (comunicação visual), aos financiamentos, à administração e gestão do museu, à origem e especificidade do acervo, entre outros. São diferentes os aspectos responsáveis que influenciam a seleção de conteúdos, além da própria construção do discurso expositivo. Estes poderão ser de ordem científica, de ordem política ou econômica, históricas, entre outros. Segundo Michel Foucault,

em toda sociedade a produção do discurso é simultaneamente controlada, selecionada, organizada e redistribuída por um certo número de procedimentos que têm por papel exorcizar-lhes os poderes e os perigos, refrear-lhe o acontecimento aleatório, disfarçar a sua temível materialidade. 7

Trazendo à tona imagens que rememorassem os tempos da transferência da corte portuguesa ao Brasil até os primeiros anos da independência política do país, o Governo Federal, baseado em uma idéia de unidade política e ideológica, elaborou um projeto no qual as comemorações oficiais do sesquicentenário foram, ao mesmo tempo, transformadas em lembrança, documento e narrativa histórica, portanto discurso e, principalmente, ato político. Cabe mais uma vez lembrar as análises de Foucault relacionando o discurso e sua construção à vontade de poder, neste caso a perpetuação do poder político militar, o único capaz, como será mais tarde analisado, de perpetuar um desenvolvimento econômico digno do Brasil.
As festas em torno das comemorações possuíam, entre suas principais funções, a celebração do passado com a intenção de legitimação do regime e a abertura para o futuro através da projeção de expectativas. Com a celebração, mobilizavam-se os indivíduos, pois estes deveriam se sentir como peças fundamentais do processo pelo qual o país atravessava. O futuro dependia – como dizia uma peça publicitária da época – da “união de todos”.
Essas celebrações não possuíam um caráter de festa apenas com o sentido de uma reunião alegre com um fim de divertimento, mas com significado mais relacionado a um conjunto de cerimônias com as quais se celebra qualquer acontecimento, solenidade ou comemoração. Assim, em função da intenção de se legitimar ações e enfatizando uma coesão grupal por meio de uma amálgama de elementos patrióticos evocados por apelações emocionais, a população, ao acompanhar a organização e visitar as comemorações do sesquicentenário da independência, era imbuída da importância que o governo atribuía à história. O Brasil deveria festejar o sesquicentenário; para tanto, o amor e a participação foram salientados. Assim, a história e alguns de seus fatos eram vistos como determinantes para a riqueza da nação, e sua lembrança garantia uma boa cidadania.
A partir da memória que se queria resgatar, construiu-se uma narrativa histórica, que hoje proporciona uma vasta e importante análise das relações de poder da sociedade da época.
É pertinente aqui a afirmação de Roger Chartier de que o objetivo da história é identificar o modo como, em diferentes lugares e momentos, uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler. “Memória da Independência 1808-1825” nos possibilita hoje a visualização da singularidade de uma sociedade, no que diz respeito a seu contexto social, temporal, econômico, cultural e político.
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No caso das comemorações dos cento e cinqüenta anos de independência política do Brasil, que conceito de memória está sendo trazido à sociedade? Antes de responder a tal pergunta é preciso ter em mente que não há como negar que toda lembrança está associada ao esquecimento. Mas como não esquecer? De acordo o filósofo Bergson, nas palavras de J. C. Filloux, a lembrança jamais pode nascer, se não se cria à medida que é criada a própria percepção.
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Mesmo nas sociedades nas quais a memória individual era transmitida ao coletivo, à sociedade, por via oral, havia a necessidade de regras – a língua – e de suportes – o indivíduo – para que acontecimentos passados fossem transmitidos.
Atualmente, com a rapidez na produção de informações trazidas sobretudo pelos avanços tecnológicos, o fantasma do esquecimento parece muito mais presente. Sobre este fenômeno, afirma John R. Gillis: “Enquanto o mundo implode sobre nós, sofremos uma pressão ainda maior, como indivíduos, para registrar, preservar e coletar”.
10 Onde e como arrumar suportes para a transmissão da memória? Nos dias de hoje, a memória social depende de suportes para que possa se reproduzir. De acordo com José Neves Bittencourt: “A construção de tais suportes é uma operação de memória, tanto quanto lembrança e esquecimento também o são. E, enquanto operação de memória, a construção de suportes é um ato social”.11
Ao resgatarmos o passado na intenção de recuperar uma memória, ele passa a possuir algum significado. Não se pode reconstruir o mundo; pode-se abrir caminho para as informações que, recuperadas, serão investidas na realidade.
Ainda segundo Bittencourt:

O conteúdo da lembrança é uma informação; a memória é continente de informações – elementos capazes de regular as relações do sujeito com a realidade objetiva. Informação/memória – é, de fato, uma relação, capaz de recolocar o sujeito, ou o grupo de sujeitos, com respeito ao meio ambiente em que se encontram inserido. A rede assim tramada é extremamente complexa, pois não se limita simplesmente ao par ao qual acabamos de nos referir. Do ponto de vista do indivíduo, dos grupos e das sociedades, a realidade apresenta-se sob a forma de um sistema simbólico, no qual os signos que o compõem nunca são plenos, quer dizer, nunca cumprem plenamente a função de indicar ou representar alguma coisa. O símbolo traz sempre um certo grau de ambigüidade […]. Mas os conteúdos inerentes a um sistema simbólico são informações, e estas são menos ambíguas […].12

A partir do momento em que um grupo em exercício do poder se autodelega a função de julgar o passado e o que deve ou não ser esquecido ou lembrado, sacramenta-se então um lugar a partir do qual se deve ler a História. Assim, foi a partir da dialética entre rupturas e continuidades em relação ao passado, presente e futuro, que se elaborou um discurso que pretendia marcar na sociedade concepções e conceitos, onde a história foi transformada em memória.
A afirmação e reafirmação da nacionalidade a todo o momento destacada pelos organizadores do evento, relacionando memória, nação e símbolos, tornam pertinentes as análises feitas por Nora sobre os meios de organização da memória na sociedade moderna, que necessita conservar informações utilizando-se de instrumentos que sacralizam o passado em si, através de monumentos, museus, imagens, exposições. Infere-se, dessa forma, o que o autor conceituou como “lugares de memória”, que resultam da necessidade de preservação da identidade.
13
Ainda seguindo as análises de Nora: “Quando a memória não mais está em todo lugar, ela não estará em lugar algum a não ser que se tome a responsabilidade de recapturá-la através de meios individuais”.
14
Toda funcionalidade presente nos espaços simbólicos possuía então uma interpretação do passado montada pelo grupo de intelectuais eleitos pelo governo, em um esforço de construção de uma memória histórica nacional, pelo exercício da lembrança, a partir da elaboração de um discurso que se pretendia hegemônico. Os objetos selecionados para a exposição, um lugar de memória, não eram apresentados para a transmissão de qualquer informação. Na medida em que o Museu Nacional de Belas Artes representava um lugar de preocupação com o passado, preservando-o, seus objetos não eram vistos apenas como coleções ou relíquias, mas como fontes de interpretação. Representavam, portanto, a transformação de monumentos em documentos. Sobre essa transformação, afirma Jaques Le Goff:

[...] o que sobrevive não é um conjunto daquilo que existiu no passado, mas uma escolha efetuada quer pelas forças que operam no desenvolvimento temporal do mundo e da humanidade, quer pelos que se dedicam a ciência do passado, os historiadores.
Esses materiais da memória podem apresentar-se sob duas formas principais: os monumentos, herança do passado, e os documentos, escolha do historiador.
15

A memória que se pretendia construir e perpetuar quando das comemorações dos cento e cinqüenta anos de independência não era qualquer uma. A organização, escolha e disposição dos objetos trabalhados nas exposições muito têm a revelar sobre que produção do conhecimento histórico era pertinente à realidade política da época. Dessa maneira, mais uma vez citando Le Goff :

A memória é um elemento essencial do que se costuma chamar de identidade, individual, e coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje...; mas a memória coletiva é não somente uma conquista, é também um instrumento e objeto de poder.16

A partir destas observações feitas por Le Goff, vê-se que esses materiais de memória existem sob duas formas principais: o monumento, que Le Goff classifica como “herança do passado”; em contraponto ao documento, que seria uma “escolha do historiador”.
O documento enquanto um suporte de informações só é preservado e colocado em exposição mediante a vontade de alguém: historiador, museólogo. Os objetos não nascem como documentos. Não surgem com uma função documental nem representacional; isto só ocorre mediante a vontade de um indivíduo ou grupo, ou seja, mediante uma intervenção social.
A Escola dos Annales, desde seu surgimento, amplia o conceito de documento, sugerindo ao historiador que utilize os textos escritos quando estes existirem; caso não existissem, a história poderia ser feita a partir de outras informações pertinentes pesquisadas com habilidade pelo historiador.

Paisagens e telhas. Com as formas do campo e as ervas daninhas. Com os eclipses da lua e a atrelagem dos cavalos de tiro. Com os exames de pedras feitos pelos geólogos e com as análises de metais feitas pelos químicos. Numa palavra, com tudo que, pertencendo ao homem demonstra a presença, a atividade, os gostos e as maneiras de ser do homem.17

A palavra documento passa a ser entendida de modo a compreender não apenas o documento escrito, mas também o ilustrado, sonoro, transcrito pela imagem ou de qualquer outra forma.
Dessa maneira, os dois conceitos se aproximam. O monumento pode ser considerado como um documento não escrito. Para isto, basta a atitude do historiador de colocar à parte, como documento, um objeto antes classificado de outra maneira. Da mesma forma, o documento também tem função de monumento, uma vez que sua existência não aparece do acaso, mas da ação deliberada da sociedade que o fabricou como legado às gerações futuras, de acordo com uma correlação de forças no poder, ou em luta pelo poder. Não existe um documento objetivo, primário, sem intenções.

O documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas de impor ao futuro – voluntária ou involuntariamente – determinada imagem de si próprias. No limite, não existe documento verdade. Todo documento é mentira.18

O documento/monumento é um material de memória que precisa ser desmontado. Somente esse desmonte, a análise do documento enquanto monumento, permite que ele seja compreendido dentro do processo de construção da memória coletiva. Somente uma análise da exposição enquanto documento/monumento permitirá uma compreensão das pretensões políticas e sociais presentes na narrativa histórica elaborada pelo regime.
No espaço do Museu Nacional de Belas Artes, um contingente de informações que deveria se transformar em memória aparecia na medida em que era recolocado no presente através de identificação, classificação e exposição do testemunho: os objetos/documentos. O processo desenvolvido não inaugura caráter de suporte de memória no objeto – este já chega à exposição com tal qualidade. O que o trabalho desenvolvido pelos especialistas faz é devolver o suporte de memória a um contexto: historicizá-lo. Isto significa colocá-lo em sintonia com o discurso histórico construído pela exposição: um discurso que buscava recuperar a tradição, entendida como a glorificação do passado. Promover a propaganda não só de pessoas exemplares como D. João VI ou o Príncipe D. Pedro, mas da estrutura da qual fizeram parte: a mobilização para o ideal do passado como fonte do presente.
Citando mais uma vez José Neves Bittencourt:

Colocar objetos em um museu é, pois, como pendurar quadros em uma parede. Vistos, eles forçam a lembrança, ou pelo menos forçam a uma interrogação, que é melhor do que o total esquecimento. Os museus são lugares de memória, lugares de lembrança. Lembranças que afloram, e que apontam para o passado, não como ele foi, mas como ele é lembrado, e, assim, reconstruído. É esta sua parte na negociação – executar um trabalho que está além das forças do possuidor do objeto, seja ele gerador ou doador. Sua exposição, ou mesmo suas reservas técnicas garantirão a conservação da memória de forma não inteiramente aleatória. E isto será feito pela operação dos suportes de memória, tratados como suportes de informações.19

O museu começa então um trabalho de sedução do público, que busca conduzi-lo a conclusões, apresentando-lhe um discurso elaborado pela instituição. Este pode ser lido por meio da disposição dos itens materiais, com relação às informações que o observador traz ou até aos objetos selecionados para figurar o evento, construindo dessa forma um discurso que deve se transformar em memória histórica.
O discurso histórico construído para o evento oficial aspirava proporcionar aos indivíduos uma idéia de continuação em relação ao passado, de continuidade com antigas tradições, embora o Estado tenha rompido com o conceito da democracia moderna liberal. O voto não era mais um direito. O exercício eleitoral estava vetado à população. Este fato, contudo, em épocas de festejar, acabava por ser praticamente esquecido, até porque era isso que o governo desejava. Entretanto, para suprir esta perda, foi então “oferecida” uma importância participativa ao público nas celebrações. A este não caberia apenas o papel de visitar a exposição e acompanhar seus preparativos pacificamente, ele era também peça fundamental na construção de uma nova nação. Mesmo que não através de direitos políticos, os indivíduos eram convidados enquanto sujeitos históricos a participarem como responsáveis na elaboração de um Brasil melhor que se projetava estar surgindo, embora suas participações fossem restritas, já que os passos que seriam dados já estavam traçados, e os que ainda não estavam não eram de competência do povo, mas do Estado militar.
Enquanto parte das comemorações dos cento e cinqüenta anos de independência do país, a exposição “Memória da Independência” foi um espaço de perpetuação, divulgação e construção de memória histórica subsidiado pelo governo de Médici, em seu próprio benefício.
Na intenção de reforço da memória, a comemoração chama o povo e faz com que este se sinta ativo em meio a um processo em que, na verdade, não tem grande participação na elaboração do discurso que se pretendia difundir, mas apenas, estrategicamente, na difusão e perpetuação da memória, através da história, pois servem como alvos para a popularização do passado.
A participação do presidente da República em festejos por todo país, como em desfiles, torneios e conferências, era um incentivo à participação das demais pessoas, pois servia como um elo de identificação ao nacionalismo. A celebração não explicitou apenas uma continuidade com o passado, mas também o trouxe para o dia-a-dia, ou melhor, para o cotidiano; ela foi também um momento privilegiado de utilização do espaço público como símbolo de expectativas.
Em um processo de seleção dos registros da tradição e da história a partir da idéia de continuidade, ordem e desenvolvimento, a elaboração dos festejos para as comemorações do sesquicentenário em 1972 tornou o evento um grande difusor da ideologia da consciência nacional, patriotismo, nacionalismo e identidade nacional.
Sobre a relação entre comemorações, identidade e memória, John R. Gillis acrescenta:

Hoje, parece que todos reclamam o direito a sua própria identidade […]. Ironicamente, intensas lutas por identidade e memória eclodem no exato momento em que psicólogos, antropólogos e historiadores cada vez mais se dão conta da natureza subjetiva de ambos. Tais lutas tornam mais aparente o fato de que identidades e memórias são altamente seletivas, inscritivas, ao invés de descritivas, servindo a interesses e posições ideológicas particulares. Assim como memória e identidade apóiam uma a outra, também sustentam certas posições subjetivas, fronteiras sociais, e, certamente, poder. […] A relação entre memória e identidade e histórica; e o registro dessa relação pode ser traçado através de diversas formas de comemorações. A atividade de comemorar é, por definição, social e política, pois envolve a coordenação das memórias individual e coletiva, cujos resultados podem parecer consensuais quando são, na verdade, produto de processos de intensa contestação, luta e, em alguns casos, aniquilação.20

As comemorações dos cento e cinqüenta anos de independência serviram para subjetivar nos brasileiros idéias que lhes permitissem reconhecer o potencial do país para seu progresso, suas propriedades, assim como para desenvolver e implantar um comportamento em sintonia com a tradição e com o futuro.
O patriotismo do povo brasileiro, na década de 1970, sinônimo da solidez moral iniciada politicamente em 1808, viria a ser o fim do desbravamento para a entrada do Brasil, e conseqüentemente dos brasileiros, no cenário desenvolvido e civilizado internacional. A busca dos primórdios da independência se justificava com a invocação de um tempo de referência histórica que atendia aos propósitos de nacionalidade naquele momento.
A nomeação dada como título ao evento oficial fundamenta a construção de um ato discursivo e sua relação com a elaboração de uma memória histórica. Não é de se estranhar que a exposição foi denominada “Memória da Independência 1808-1825”. Comemorações e festividades, sobretudo as públicas, nunca são acontecimentos desprovidos de sentido, pois selecionam fatos, datas, palavras e objetos para a constituição de um discurso a ser difundido. A utilização, como título do projeto, da expressão “memória da independência”, em vez de “história da independência”, revela alguns dos objetivos buscados pelos patrocinadores – o governo militar: a manipulação da lembrança que a sociedade tinha de um passado específico e sua articulação com o presente. A memória histórica dá à lembrança, baseada em suportes oficiais, aparência de respeitabilidade, que torna possível à memória se fazer passar por história. O discurso construído presente na exposição do sesquicentenário se apresenta, dessa forma, como um discurso ideológico.
Assim, nos cabe refletir sobre as apropriações que são feitas a partir da história de forma a consolidar o ideal de nacionalismo e construção de uma memória nacional durante os anos do governo militar no Brasil, ressaltando que essa construção era importante para o fortalecimento do governo e para a manutenção de sua posição de liderança.
NOTAS
1 Mestre em História Comparada – UFRJ e Professora Docente da Universidade Estácio de Sá – RJ.
2 Mestre em História Política e Social – UERJ e Professora Docente da Universidade Estácio de Sá – RJ.
3 Ver: CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
4 Sobre as festas realizadas no Brasil na América portuguesa consultar: JANCSÓ, István e KANTOR, Iris. A festa – cultura e sociabilidade na América portuguesa. São Paulo: EDUSP, 2001, volume 1.
5 Sobre o assunto ler: CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
6 Sobre o assunto pesquisar em: MOTTA, Marly Silva da. A nação faz 100 anos – a questão nacional no centenário da independência. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas/CPDOC, 1992.
7 FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 2000, p. 16.
8 Ver: CHARTIER, Roger. A história cultural entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1988.
9 Ver: FILLOUX, J. C. A memória. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1966, p. 78.
10 GILLIS, John R. Commemorations – The Politics of National Identity. Pricenton: Pricenton University Press, 1994, p. 14.
11 BITTENCOURT, José Neves. “A parede da memória – algumas observações sobre nobreza, memória e perenidade no Museu Histórico Nacional”. Anais do MHN, volume 33, 2001, p. 4.
12 Idem, p. 12.
13 NORA, Pierre. Entre história e memória: a problemática dos lugares. Projeto História, São Paulo: UNICAMP, 1993, volume 10, pp. 37-44.
14 Ver: NORA, Pierre. “Betwen Memory and History”. In: Gillis, op. cit., p. 14.
15 LE GOFF, Jaques. História e memória. 4. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1996, p. 535.
16 Idem, p. 476.
17 Idem, p. 536.
18 Idem, p. 548.
19 Bittencourt, op. cit., p. 11.
20 Gillis, op. cit., pp. 4-5.
CERVEIRA, Talita Veloso & SILVA, Josélia de Castro. O sesquicentenário da Independência do Brasil: a escrita de um discurso e a memória como seu fundamento. Revista Eletrônica Boletim do TEMPO, Ano 4, Nº33, Rio, 2009 [ISSN 1981-3384]

Fonte: Tempo

COMO FOI PROCLAMADA A REPÚBLICA NO BRASIL

COMO SE PROCLAMOU A REPÚBLICA NO BRASIL
Muitas vezes, na história do mundo,pequenos fatos podem desencadear acontecimentos notáveis.É claro, que,minúsculos acontecimentos não detectados no dia a dia vão se acumulando como mágoas até que explodem aos borbotões sem que a gente espere ou perceba,mudando o “establishment” de uma hora para outra.
Assim aconteceu com a queda da Monarquia brasileira e a proclamação da República.
Uma questão militar, seguida de um levante geral das tropas de terra e mar foi a causa imediata dessas mudanças no tecido político brasileiro.Mas.os acontecimentos de 15 de novembro de 1889 foram apenas a gota d’água que transbordou o copo da insatisfação social vigente.
Herdamos a Monarquia de Portugal, regime comum aos Estados europeus em que a uma pessoa bastava ter sangue real para ter o direito de administrar um país;para isso,desde pequenininho era preparado e educado para aquela função.
Nosso imperador Pedro II, homem de extremo saber,era amado pelo seu povo,mas,a sucessão preocupava a todos,já que o nosso imperador já era um homem idoso e planejava abdicar em nome de sua filha,Isabel e descansar em Paris para fazer o que mais gostava:estudar,fotografar e conviver com a sociedade científica,longe dos problemas do poder.
Acontece, que o marido de Isabel,o Conde D’Eu era” persona non grata” aos brasileiros e a princesa não contava com a confiança do povo.
Apesar de ter assinado a Lei Áurea que extinguia a escravidão,ou por causa desse fato que irritou os grandes fazendeiros de S.Paulo e Minas,o povo não apoiava a princesa.
Conta-se que,assinada a Lei Áurea,o Visconde de Ouro Preto lhe disse:
-A senhora libertou um povo, mas, perdeu o trono.
Então,veio a questão militar;há muito os quartéis mostravam sinais de inquietação influenciados pela maçonaria e pelo positivismo em voga na época e alguns atos monarquistas punindo oficiais só acirrou os ânimos.
Entre eles estava o Marechal Deodoro da Fonseca, militar respeitado e admirado pela tropa ,mas,também respeitador da lei e amigo pessoal do Imperador.Graças a essa posição,seus colegas de farda o incumbiram de ir ao Palácio pedir à D. Pedro a revogação das punições.
O Governo cedeu face às pressões, inclusive,do Senado.Mas,as relações entre o Governo e o Exército não melhoraram.
A propaganda republicana antes confinada a clubes fechados e ti-ti-tis caseiros ganhou as ruas.
Quintino Bocaiúva,Silva Jardim, Lopes Trovão,Nilo Peçanha escreviam artigos magistrais;Campos Sales,Prudente de Morais pregavam abertamente a República,em S. Paulo.Benjamim Constant,positivista emérito fazia inflamados discursos na Escola Militar.
E, acima de todos,impressionando o espírito público e conquistando as classes armadas, o baiano Rui Barbosa,a “Águia de Haia”,escrevia artigos disputadíssimos no Diário de Notícias,lidos pela elite brasileira.
No decorrer do ano de 1889 ,o Gabinete presidido pelo Visconde de Ouro Preto começou a tomar certas medidas que preocuparam o Exército.Ele aumentou o corpo de polícia e organizou a Guarda Nacional além de remover da Capital todo um corpo da Infantaria;além disso,trocou os comandos e excluiu vários oficiais importantes das solenidades públicas;ficou patente que o Gabinete queria desestabilizar o Exército.
A Conspiração Militar ganhou força e foi para as ruas.
A República foi feita, sem a menor resistência.
O Império Brasileiro que durou 65 anos vinha desgastado pela sucessão de governos imperiais desacreditados e pelos partidos políticos sem mensagens novas que se eternizavam no poder: o Partido Liberal e o Partido Conservador.Este último há tempos no poder não oferecia solução para os graves problemas do país.
O Imperador deposto foi para a Europa e os principais nomes que apoiaram o movimento tomaram o poder.
A palavra república vem do latim e significa (res) coisa (publica) do povo.
Uma convulsão social de proporções acompanhou a chegada deste movimento, sendo o mais importante a Guerra de Canudos.


Fonte:

De corinto ao Corinthians

Corinto

Era uma cidade de segunda divisão na Grécia antiga. Corinto possuía um comércio poderoso, mas ficava no chinelo quando comparada à maior potência militar e política do século 5 a.C.: Atenas. Então teve de esperar até a gigante Esparta entrar em guerra com Atenas para lançar a sua própria organização política: a Liga de Corinto. Foi dessa liga que saiu o maior conquistador de todos os tempos...

Alexandre o grande

Obsessivo, paranóico e megalomaníaco. O homem que partiu dos rincões do reino grego da Macedônia para conquistar a Mesopotâmia, o Egito, o Afeganistão e grande parte da Europa realmente era meio maluco. Afinal, quem mais seria capaz de encarar uma manada de elefantes num campo de batalha completamente desconhecido? Os homens de Alexandre não queriam, mas ele resolveu desbravar a...

Índia

Havia nada menos que 5 mil elefantes à espera de quem ousasse entrar no vale do rio Ganges. Lá florescia uma civilização milenar que não sofreu interferência significativa do Ocidente até o meio do século 19. Mas chegou uma hora em que não deu mais para resistir, e os ocidentais começaram a mandar na Índia. Ela se tornou um território governado por uma só nação, a...

Inglaterra

Com o boom econômico da Revolução Industrial, não houve rivais para o Império Britânico. A grana que inundou a nação teve impacto em quase todas as atividades humanas: a tecnologia, a ciência, as artes, a filosofia, e até o esporte. Reflexo disso foi o surgimento de um time que goleou o famoso Manchester United por 11 a 3, e saiu pelo mundo ensinando aos outros a arte da bola no pé. Era o...

Corinthians

Calma, segure um pouco o grito de “Timão, eô”. Estamos falando doCorinthians Football Club de Londres, time que impressionou o público ao vencer o Palmeiras (então Palestra Itália) por 5 a 0 aqui no Brasil, em 1910. Tanto que inspirou um grupo de operários paulistas a batizar seu próprio time de Corinthians. Mas sabe o que esse nome significa? Coríntios, o povo daquela cidade grega de segunda divisão. Pois é...

Fonte: Superinteressante

Qual foi a maior batalha do continente americano?

A FERRENHA BATALHA DE CHANCELLORSVILLE
O conflito que envolveu mais pessoas no continente - 195 mil - rolou na
GuerraCivil Americana. Entre 1º e 3 de maio de 1863, 134 mil combatentes dos estados do norte enfrentaram 61 mil separatistas do sul em Chancellorsville, Virgínia. Vitória dos sulistas. Ao menos nessa batalha – ao final da Guerra Civil, os nortistas da União saíram vencedores

INFANTARIA PACIENTE
Para cada tiro, era preciso desembrulhar um cartucho, despejar e socar pólvora no cano antes de carregar o projétil. Os sortudos que não fossem baleados durante a recarga podiam acoplar uma baioneta no rifle para espetar inimigos próximos

CRAQUES DA ARTILHARIA
Os primeiros ataques costumavam partir de canhões capazes de atingir alvos a quase 2 km de distância. Embora os tiros não fossem lá tão precisos, os confederados acertaram um disparo precioso contra um alojamento da União, ferindo e abalando o líder inimigo, o general Joseph Hooker

VÍTIMAS DA MODA
Os soldados da União, uniformizados de azul escuro, eram mais bem equipados do que os confederados, que lutavam até com roupas comuns, na falta do uniforme cinza. Apenas a cartucheira de couro recheada com balas e pólvora para carregar rifles e revólveres era indispensável

CAVALARIA BEM ARMADA
Do alto das selas, os cavaleiros tinham uma visão privilegiada e podiam explorar o terreno locomovendo-se rapidamente de um flanco a outro das linhas de combate.Levavam sabre, revólver e uma carabina a tiracolo

CONFEDERADOS DO SUL
Os estados do sul, mais agrícolas e conservadores, defendiam a escravidão e queriam se separar da União Presidente Jefferson Davis Capital Richmond, Virginia

PERDAS E DANOS

Houve empate técnico em número de mortos (mais de 3 200, no total), mas a União teve mais soldados feridos e capturados (15 mil contra 10 mil). Os confederados tiveram uma perda de peso: o general Thomas Jackson

RITMO DE GUERRA
Assim como em nosso Carnaval, a bateria conduzia a evolução de blocos na batalha. Diferentes tipos de batida nos tambores - geralmente tocados por garotos - indicavam o posicionamento e as ações designadas para as tropas durante combates e situações cotidianas

CLUBE DA LUTA
Nos outros continentes, maiores lutas ocorreram todas na 2ª Guerra Mundial

EUROPA: 6,2 MILHÕES DE COMBATENTES
Batalha da França (1940)
ÁSIA: 3 MILHÕES DE COMBATENTES
Batalha da Manchúria (1945)
ÁFRICA: 311 MIL COMBATENTES
2ª Batalha de El Alamein (1942)
OCEANIA : 102 MIL COMBATENTES
Batalha de Saipan (1944)

O CABEÇA DA UNIÃO
Joseph Hooker foi o líder da União em Chancellorsville, mas a derrota abalou seu moral diante dos subordinados. No fim de junho, o general foi substituído no comando

LÍDER DOS CONFEDERADOS
O chefão dos confederados, quem diria, era um ex-defensor da União! Robert E. Lee virou a casaca para apoiar a Virgínia, seu estado natal, na
luta separatista.


Fonte: Mundo Estranho - O seu portal de perguntas e respostas!

TRABALHO INFANTIL NO BRASIL E SEU PROCESSO HISTÓRICO

TRABALHO INFANTIL NO BRASIL COLÔNIA E IMPÉRIO.


O Brasil, assim como diversos outros países espalhados pelo mundo, é signatário das normativas legais da OIT (Organização Internacional do Trabalho) que estabelece idade mínima para o envolvimento em atividades de cunho laboral, portanto produtivas, que se caracterizam como trabalho.

De acordo com essas diretrizes legais, toda e qualquer forma de trabalho desenvolvido por crianças e adolescentes é proibida até aos 14 (quatorze) anos, sendo permitido á partir dos 14 na condição de aprendiz, e, somente á partir dos 16 anos desde que não seja trabalho noturno ou insalubre.

Embora diversas políticas sociais voltadas para o enfrentamento do trabalho desenvolvido por menores tenham surgido apenas no período pós-moderno, essa não é uma situação tão recente na humanidade. Como podemos ver em alguns trabalhos, o trabalho infantil, ou seja, aquele desenvolvido por crianças e adolescentes sempre esteve presente na forma de organização das sociedades. No Brasil, por exemplo, esse fato se consolida desde os tempos de colônia, onde podemos encontrar relatos de crianças que ajudavam seus pais nas atividades diárias de caça e pesca.

Acompanhando todo processo de reorganização da sociedade (se assim a podemos chamar) brasileira e com a chegada da família real no Brasil, e para a manutenção de todo luxo e conforto de uma verdadeira corte, muitas crianças oriundas de famílias escravocratas foram submetidas a um processo de exploração.

Todavia o trabalho infantil, na maioria dos estudos, é analisado apenas á partir do período denominado como Revolução Industrial, onde as crianças e famílias eram expostas a altas horas de jornada de trabalho, condições insalubres, baixa remuneração e completa privação de direitos. Portanto, o objetivo central desse texto é alarmar os estudiosos e militantes envolvidos com a erradicação do trabalho infantil para o (re)conhecimento de todo processo histórico que as crianças e adolescentes passaram no decorrer dos 500 anos

Em primeiro lugar, não podemos deixar de reconhecer que o entendimento do que vem a ser infância era completamente distinta das concepções atuais. Isso sem falar que o período de vida denominado como adolescência não existia, pois como podemos encontrar em vários trabalhos a adolescência foi uma construção histórica, necessária para possibilitar que indivíduos mais velhos, pais e mães, por exemplo, tivessem seus lugares garantidos no mercado.

Essa indefinição e ausência da percepção por parte da sociedade das diferenças e especificidades de sujeitos com menor idade fizeram com que os filhos de escravos fossem tratados da mesma maneira que escravos mais velhos, o que implicou na completa desconsideração das limitações dessa população para a realização de determinadas atividades, que hoje seriam certamente consideradas como as piores formas de trabalho.

A essas crianças, filhos e filhas de escravas, eram atribuídas tarefas relacionadas principalmente com as "casas-grande", ou seja, tarefas domésticas. Com isso, podemos então pensar que as representações que possibilitam a perpetuação do trabalho doméstico desenvolvido por crianças, tais como "melhor em casa trabalhando, do que na rua vadiando", tenham sua gênese nesse período. Além do trabalho doméstico, as atividades de campo, ou se preferir, rurais, ocupam boa parte da população, sobretudo aquela acima de 7 anos, considerados por muito nesta época, inclusive pela própria igreja, como de transição para vida adulta.

A escassez de trabalhos científicos sobre o trabalho infantil no Brasil – colônia e Brasil - Império, sobretudo de recorte histórico, impossibilitam um entendimento mais amplo dessa realidade em nosso contexto, gerando assim discursos permissivos as formas exploratórias que muitas crianças e adolescentes são submetidas através do trabalho, que nesse sentido, deixa de ser uma atividade humanizadora, e torna-se um mecanismos de opressão pra muitos.


Civilização de Nazca

Por Fernando Rebouças
A Civilização de Nazca nasceu e se desenvolveu no sul do Peru, no período de 300 AC e 800 DC (antes dos Incas). Estudada até hoje com relação aos geoglifos, extensos desenhados no solo do deserto de Nazca.

A civilização também tinha a capacidade de construir aquedutos subterrâneos e artigos em cerâmica. Os geóglifos são conhecidos como as “linhas de Nazca”, desenhos de grande dimensão no Deserto de Nazca, percebidos em vôos de avião e helicóptero.

nazca-geoglifo

Os desenhos foram feitos entre os séculos III a.C e VIII d.C. Os desenhos representam imagens da natureza como macacos, aves e répteis. O primeiro cientista a estudar os geóglifos foi Paul Kosok, e posteriormente Maria Reiche,matemática alemã, que faleceu em 1998, aos 95 anos.

Ufólogos defendem a tese desses desenhos serem de autoria de entidades e civilizações extraterrenas.

Recentemente, arqueólogos da Universidade de Cambridge na Inglaterra, e do Museu Regional de Ica, Peru, determinaram uma hipótese de que a civilização Nazca desapareceu devido ao desmatamento e ao uso irregular dos lençóis freáticos que havia na região.

Foram feitas análises sobre a vegetação e dinâmica do solo no baixo vale do rio Ica. Na época da civilização Nazca, havia bosques milenares com árvores conhecidas como “huarangales”. A civilização sofreu um choque climático no ano 600 da Era Cristã.

Atualmente, Nazca é uma cidade com 30.000 habitantes, localizada a 450 km ao sul da capital Lima.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Civilização_de_Nazca
http://pt.wikipedia.org/wiki/Linhas_e_Geóglifos_de_Nasca_e_das_Pampas_de_Jumana
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u649726.shtml
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/peru/linhas-de-nazca.php

Buda (563 aC - 483 aC)

Buda (563 aC - 483 aC)
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Buda - Índia - 563 a.C. 483 a.C.
Não era fácil viver na Índia do século V a.C. Os habitantes eram numerosos, o alimento escasso e a divisão de bens desigual – de modo que a fome e a miséria se integravam no dia a dia da maior parte dos hindus. Tão árdua era sua vida, que não tinham motivo algum para dela gostar: suportavam-na apenas, à espera de uma existência melhor, que viria – acreditavam – depois da morte.

E, para que essa vida futura fosse realmente rica e feliz, havia muita gente que se empenhava em tornar a
presente ainda mais pobre e desolada, praticando toda sorte de mortificações.

Foi nessa época que surgiu na Índia um homem chamado
Siddhartha Gautama, cuja bondade e sabedoria lhe valeram o nome de Buda, em, em hindu, que dizer “o iluminado”. O pai de Siddhartha era um aristocrata de fortuna e deu-lhe uma educação requintada e, como a inteligência do rapaz ajudasse, ele adquiriu, ainda jovem, tal cultura que ficou conhecido como Sáquia Múni, ou seja, o sábio de Sáquia.

Jovem, rico, bem casado e despreocupado, Gautama tinha tudo para sentir-se satisfeito.

De fato, era feliz. Pelo menos até que, num dos passeios, pela primeira vez tomou contato com a realidade do seu país: ficou conhecendo de perto um mendigo e um velho. Logo depois, teve oportunidade de observar um asceta que se mortificava, em jejum buda rigoroso. E por fim, com grande pasmo, viu também um homem que morrera de fome.

Velhice, doença, miséria e morte eram problemas nos quais Siddhartha jamais pensara em seus 29 anos de idade; descobri-los para ele foi um choque, principalmente em contraste com a beleza de sua esposa, com a alegria de seu filho, com o luxo que os cercava e a despreocupação em que viviam. Essa realidade passou a parecer-lhe descabida.

A perplexidade de Gautama diante dos males do mundo foi-se avolumando pouco a pouco. Certa noite chegou a uma conclusão definitiva: depois de raspar a cabeça em sinal de humildade, trocou as suas suntuosas roupas pelo despretensioso traje amarelo dos monges e afastou-se do palácio, abandonando família, bens e passado.

Naquele momento deixava de existir como aristocrata e, em seu lugar, surgia um mendigo itinerante, que se lançava ao mundo em busca de explicações para o enigma da vida. Novato em questões espirituais, o andarilho juntou-se a cinco ascetas conhecidos pelo buda iluminado caminho: queria aprender com eles qual o melhor meio de chegar às verdades superiores.

E, como os ascetas jejuassem, passou a jejuar também, curtindo fome obstinadamente, quase até a inanição. Mas, como o estômago vazio não lhe ensinasse nada de novo, perdeu a fé no sistema e voltou a comer outra vez. Esse espírito prático revoltou os cinco místicos: decepcionados, abandonaram Gautama, que durante os 6 anos seguintes passou o tempo meditando em total solidão. Para meditar, conta a lenda que Gautama escolheu a sombra de uma grande figueira, que os hindus chamam “bodhi” e veneram como árvore sagrada.

Sentado sob a árvore, o mendigo Siddhartha estabeleceu um sacrificado programa: enquanto não esclarecesse todas as dúvidas, dali não arredaria pé.

Seu plano foi cumprido à risca, apesar das visões que teve de Mara – o demônio da paixão -, que ora o atacava com chuva, raios e toda a sorte de armas, ora lhe oferecia vantagens extraordinárias no sentido de demovê-lo de seu valente propósito. Nos momentos que sentia fraquejar, Gautama estendia a mão para a terra e dela obtinha forças para repelir os poderes maléficos, demonstrando uma resistência tão inabalável que após 49 dias Mara teve de se conformar com a derrota, deixando Gautama em paz. Ocorreu então o despertar espiritual que tanto procurava. Sua confusão se desfez e tudo se tornou perfeitamente claro. Iluminado por um novo entendimento de todas as coisas da vida, Gautama rumou para a cidade a fim de transmitir também aos outros o que lhe acontecera.

A princípio, encontrou descrença e desconfiança. Mas, aos poucos, os que ouviam perceberam que ele descobrira verdades desconhecidas e muito profundas. E reverenciaram sua iluminação, passando a tratá-lo por Buda.

Os ensinamentos de Buda criticavam diversos aspectos do hinduismo tradicional, mas nem por isso deixavam de endossar muitos de seus seculares conceitos. Por exemplo, a idéia de que todos os seres vivos cumprem um ciclo infinito – nascimento, morte e reencarnação – era um dos elementos básicos da religião hindu e foi aceita e confirmada pelos seus seguidores.

O budismo encampou também a teoria do karma, uma espécie de lei cósmica, segundo a qual o comportamento virtuoso durante uma encarnação traria recompensa em encarnações futuras, enquanto uma conduta perversa implicaria em castigo.

Outro ponto em que a doutrina budista permaneceu fiel às instituições religiosas hindus foi a renúncia às coisas terrenas e às paixões materiais, como meio para atingir a sabedoria e a perfeição. Ainda hoje os monges que se consagram ao cumprimento integral das normas budistas pautam sua vida por um desprendimento total: possuem apenas roupa que vestem e um rosário para suas orações. Dependem de caridade alheia até para comer. Embora concordando com o hinduismo no tocante aos objetivos espirituais, o budismo discordava dele em relação aos métodos para atingir tais objetivos.

As experiências de mortificação levaram Gautama à descrença no valor do ascetismo rigoroso que os religiosos praticavam e que lhe parecia exagerado e inútil. Dessa forma, suas pregações recomendavam a adoção do meio-termo: nem muito ascetismo, nem auto-indulgência. Comedimento, em sua opinião, era o melhor caminho para quem quisesse levar uma vida realmente sábia e virtuosa. Vendo em todos os homens a mesma potencialidade espiritual, Buda divulgou ensinamentos que, levados à prática, criariam uma sociedade de homens iguais. No sermão que fez no parque da cidade de Benares – um discurso que para os budistas tem valor igual ao que os cristãos atribuem ao Sermão da Montanha – o “iluminado” definiu com minúcia os caminhos a seguir para chegar à sabedoria da moderação e da igualdade. estátua de buda

Antes de tudo, segundo ele, é necessário reconhecer que a dor é universal. E mais: que a causa reside no desejo de coisas que não podem satisfazer ao espírito. Mas a dor tem
remédio – é outra verdade. E o sofrimento extingue-se quando o homem renuncia a esses desejos; já que as raízes destes se originam da ignorância, a sabedoria é o melhor caminho para dominar a dor. Admitidas essas Quatro Verdades Nobres, o homem dispõe dos elementos básicos para enveredar pela Senda das Oito Trilhas, que dele exigirão pureza de fé, de vontade, de linguagem, de ação, de vida, de aplicação, de memória e de meditação.

Da terceira e quarta trilhas os seguidores de Buda mais tarde extraíram cinco preceitos muito parecidos com alguns mandamentos judaico-cristãos, pois também aconselham a não matar, não roubar, não cometer atos impuros e não mentir. E, além disso, não beber líquidos inebriantes. Nos 45 anos em que pregou sua doutrina, por todas as regiões da Índia, o Buda mencionou sempre as Quatro Verdades e as Oito Trilhas, acrescentando ainda uma sentença, resumo de todo o seu pensamento – a Regra de Ouro: “Tudo o que somos é resultado do que pensamos”.

Um detalhe que chama a atenção quando se analisa o comportamento dos seguidores de Buda é o fato de que, embora não vinculados às coisas deste mundo, eles observam um profundo respeito pelas criaturas que nele vivem. E consideram viver em paz com seus semelhantes uma obrigação fundamental de todos os indivíduos. Esse espírito pacifista, que leva os monges budistas ao extremo de poupar até aos insetos, tem origem num ensinamento do próprio Gautama, que dizia: “O ódio não termina com ódio, mas com amor”.

Ao contrário do que acontece com outras religiões, o budismo nada exige de seus seguidores. Não há cerimônias de conversão, nem rituais de submissão; basta reconhecer as Verdades e seguir as Trilhas. Efetivamente, mais que um culto religioso, o budismo é uma atitude perante o mundo, uma técnica de comportamento, pela qual o indivíduo aprende a desapegar-se de tudo que é transitório, o que resulta em uma espécie de auto-suficiência espiritual.

É esse desapego às coisas passageiras que faz com que os budistas vejam no Buda tão somente uma imagem encarnada do princípio da “iluminação”. Para eles, antes de Gautama, houve muitos Budas.

E muitos outros surgirão até o fim dos tempos. Assim, explica-se aquele aspecto distante e impessoal das imagens de Buda que se encontram nos templos asiáticos; não são representações realísticas de uma figura humana em particular, mas símbolos idealizados de uma entidade espiritual.

Da Pré-história às Primeiras Sociedades

O Paleolítico e o Neolítico

As primeiras sociedades

1.O termo Pré-História

O termo pré-história foi originalmente proposto pelo historiador e cientista Britânico Daniel Wilson, em 1851, através de uma obra pouco conhecida intitulada The Archaeology and Prehistoric Annals of Scotland.

Segundo Daniel Wilson em sua obra, o período pré histórico originalmente designava o intervalo de tempo vivido por uma sociedade, na qual os registros escritos se mostravam ausentes, em resumo, a pré-história antecede a escrita

Embora usado amplamente no meio acadêmico, a terminologia proposta por Wilson e considerada por muitos historiadores um termo errôneo , pois não existe um período anterior a história humana, e assim á escrita, daí passamos a usar o termo ágrafo(do grego,Grafos,escrita), que usaremos neste trabalho.

A transição do período Agrafo para o período em que surge as primeiras formas de escrita, sejam ela por auto criação ou inserida ao meio por uma cultura externa, denomina-se Proto-História.

2. A periodização da Pré História

Diversos historiadores e especialistas, propuseram diferentes periodizações para a divisão do período pré histórico.John Lubbock, banqueiro inglês e amigo do famoso naturalista Charles Darwin,autor da teoria evolucionista; foi o responsável por dividir o período proposto por Daniel Wilson em duas grandes divisões: Paleolítico e Neolítico.

O período Paleolítico seria aquele em que as sociedades humanas viviam exclusivamente vidas nômades, sobrevivendo apenas do que a natureza lhes oferecia.O termo é proveniente do grego (Paleo = Pedra) e significa "Velha idade da pedra".

O período conhecido como Neolítico, por sua vez, foi marcado não pela vida nômade, embora ela existisse, mas sim pelo inicio da vida sedentária e o surgimento dos primeiros estados civilizados em uma grande revolução cultural.Foi no Neolítico que surgiu a Agricultura e a cultura de animais domésticos.O termo também é de origem grega (Neo = novo; Litico = Pedra) e significa nova idade da pedra.

3. Paleolítico: Sociedades nômades

O Paleolítico abrange a maior parte da existência do ser humano, durando aproximadamente um milhão de anos, cerca de 99% a mais que o período posterior :Neolítico.

Seu inicio é marcado pela evolução de uma das ramificações de Antropóides¹ , o surgimento do gênero homo e sua manifestação como ser dominante no planeta.

Durante o período Paleolítico, os seres humanos que até então estavam confinados em pequenas porções da África e do continente Asiático; se espalharam pelos demais continentes.Neste contexto se mostram presentes distintas teorias que tentam explicar esta ocupação como a teoria de Clovis² por exemplo.

As primeiras ferramentas confeccionadas a partir da consciência reflexiva humana, são datadas deste período e eram feitas de madeira,ossos,chifres e pedras lascadas.

O processo que levou á confecção destes instrumentos passou por três grandes fases até que as ferramentas adquirissem a forma característica do final do Paleolítico.Supõe -se que inicialmente, os primeiros hominídeos utilizavam os materiais que encontravam ao redor, como ossos, pedras e gravetos.Depois deram formas á estes materiais conforme necessitavam: Facas ,arpões, flechas,etc.E por fim passaram a seguir modelos de produção dando acabamentos mais elaborados.

Nessa época, os seres humanos viviam em sociedades nômades, isto é, se deslocavam constantemente de uma região para outra.Consumiam apenas aquilo que era encontrado na natureza, não praticavam a agricultura e nem a criação de animais.Quando os alimentos se esgotavam mudavam-se para outra região, por isso foram chamados de caçadores-coletores.

Embora muitos historiadores apontem o período neolítico como o palco da consolidação da religião, registros arqueológicos mostram que o ser humano paleolítico expressava sua admiração pela vida e seu temor pela morte através de rituais religiosos rústicos mas bem definidos.

O temor pela morte deu-se pelo fato do ser humano ser a única criatura que possui a consciência de que irá morrer.Diante de um desafio impossível de vencer, o homem primitivo passou a se preocupar com uma possível vida após a morte cuidando dos mortos com considerável respeito, decorando o cadáver e colocando objetos pessoais em seu tumulo.

Se a consciência da morte levou á uma preocupação do homem em relação á ela, as maravilhas da natureza e da vida levaram o homem á atribuir a tudo aquilo que fosse belo á divindades e deuses.A religião então foi uma forma do homem se expressar diante daquilo que era misterioso e incompreensível á mente primitiva.

O Culto á divindades femininas relacionadas a fertilidade, era o rito mais comum nas sociedades Ágrafas e essa admiração pelo dom da vida se refletiu também na arte.Uma prova disso são as varias esculturas datadas deste período onde são representados de forma realista o corpo feminino.

4.O Fogo

Nenhuma descoberta humana nem de longe foi tão importante e tão revolucionaria quanto a descoberta do fogo.

Provavelmente foi descoberto de modo casual,engendrado por alguma força da natureza, e assim, o homem paleolítico tentava manter aceso a chama encontrada pelo maior tempo possível.Posteriormente aprenderam á produzi-lo de forma intencional através do atrito de pedaços de madeira, lascas de pedra, etc.

A descoberta do fogo, permitiu ao ser humano sobreviver ao frio de uma época em que baixas temperaturas castigavam o planeta que vivia uma severa era do gelo.O fogo também lhes deu proteção e aumentou a expectativa de vida, pois alimentos cozinhados continham menos bactérias do que quando eram consumidos crus

5.Inicio da Organização social

O homem ao longo de sua evolução, descobriu que tinha uma melhor garantia da sobrevivência quando estabelecia formas de cooperação e divisão de tarefas entre os membros do grupo.Quando trabalhavam juntos, conseguiam, por exemplo, caçar animais de grande porte ou construir abrigos em menor tempo

Segundo alguns historiadores,nestas sociedades, onde o trabalho em grupo foi desenvolvido; existia uma divisão do trabalho de acordo com o sexo e idade.Os homens jovens caçavam; as mulheres e idosos faziam a maior parte das coletas e cuidavam das crianças.Estas ultimas se nascessem com alguma deficiência física ou mental, o que não era raro, pois a maioria das sociedades primitivas praticavam a endogamia³ , era simplesmente descartado do grupo, pois representava um fardo que não poderia ser carregado no ambiente hostil que viviam estas sociedades de caçadores-coletores.O infanticídio, também era praticado com o fim de controlar uma possível superpopulação, já que em certas épocas não existiam muitos alimentos e o grupo não poderia se dar ao luxo de sustentar mais uma boca faminta.

Esta organização social era baseada no comunismo entre os membros do grupo.tudo aquilo que era coletado ou caçado era dividido igualmente entre o clã [4].Não havia necessidades de estocar alimentos nem a preocupação com o futuro.Á longo prazo este sistema social trouxe muitas vantagens como maior tempo para danças e brincadeiras, e menos doenças provenientes de falta de higiene, uma vez que não existiam nestas sociedades, aglomerações de pessoas, e nem acumulo de lixo, pois tudo aquilo que era consumido nos acampamentos, ficava para trás quando o grupo se deslocava para outra região.

Contudo, durante o inicio dos últimos 12000 anos, a crosta terrestre aqueceu e formaram-se grandes rios e desertos, e as florestas tropicais perderam espaço.Como conseqüência, animais de grande porte simplesmente desapareceram alterando de forma significativa a quantidade de alimento disponível.

Todas estas alterações na natureza, aliada ao conhecimento que o homem adquiriu sobre ela ao longo de sua evolução, permitiram com que reproduzisse de forma intencional plantas alimentícias, desenvolvendo assim a agricultura e o pastoreio, iniciava-se então, a partir de uma revolução cultural, o período Neolítico.

6.Neolítico:A vida sedentária

Quando falamos no período Neolítico(do grego, Neo=Novo;Litico=Pedra), tradicionalmente estamos nos referindo ao período que a pedra que antes era lascada, recebeu um novo tratamento passando a ser polida, sendo melhorado o fio de seu corte.Mas devemos tomar nota que a transição do período Paleolítico para o Período Neolítico foi muito mais complexa do que uma simples mudança no padrão das ferramentas de pedra.

Durante o Neolítico, iniciaram novos relacionamentos entre os seres humanos e a natureza,vale destacar a agricultura, um dos mais importantes avanços na história da humanidade.Não podemos afirmar com precisão quando e onde os homens começaram a cultivar plantas.Mas com toda certeza o mérito é do homem Neolítico, que em algum momento, percebeu que as raízes e plantas que recolhia em sua vida nômade, crescia mais abundantemente em certos locais.

"Então, quando uma pessoa de imaginação e compreensão passou a fazer experiências de efetiva plantação de sementes, a agricultura propiciou"(Max Savelle,As primeiras culturas humanas.Rio de Janeiro,Villa Rica,1990. p 52)

Os tipos de plantação eram variados,mudando de acordo com o tipo de região em que a agricultura era praticada.Os primeiros núcleos populacionais que praticaram este tipo de atividade, provavelmente estavam localizados nas regiões que compreendem a Mesopotâmia, o Egito e a área habitada pelos Hebreus, que atualmente, corresponde ao Oriente Médio; á cerca de 8000 a.c .

A domesticação de animais foi outro significativo avanço da humanidade e veio depois da agricultura.O cão foi provavelmente o primeiro animal dominado pelo homem, que nele viu um excelente companheiro para as caçadas, amigo em casa, e guardião fiel.Caprinos,Bovinos,Suínos e alguns tipos de aves, gradualmente foram sendo domesticadas logo depois, assegurando um constante abastecimento de carne,leite e ovos.

Um erro comum no estudo da Antropologia é atribuir o fim do Nomadismo ás descobertas da Agricultura e da domesticação de animais.É verdade que estes avanços foram fundamentais para a estabilização da vida sedentária, mas também é verdade que elas existiram em sociedades nômades.Um exemplo, eram o dos grupos pastoris, que periodicamente se deslocavam de um lugar para o outro em busca de novas pastagens para o seu gado.Deste modo, a vida sedentária foi sendo adotado á medida que as atividades agrícolas e pastoris se tornavam mais sólidas.Este modo de vida, tão distinto do que era no Paleolítico, ocorreu em diferentes regiões do planeta, e em diferentes épocas.Houve então núcleos separados desta "Revolução Neolítica".

7. Outras inovações da Revolução Neolítica

Como foi dito anteriormente, a transição do período Paleolítico para o Neolítico, foi muito mais do que um simples aperfeiçoamento das ferramentas de pedra.A Revolução Neolítica também foi marcada pelo desenvolvimento de outros tipos de tecnologia.

A cerâmica foi a solução encontrada para suprir as necessidades de cozinha e armazenas alimentos, atividades que foram se tornando comuns ao longo do desenvolvimento da vida sedentária.A cerâmica, que era produzida a partir do aquecimento da argila moldada, resistia ao calor do fogo e podia conter líquidos e outros objetos.

Conforme iam se estabelecendo em moradias fixas, os seres humanos, cada vez mais ligados as atividades agropastoris, não tinham mais tanto tempo para a caça a fim de adquirir peles para vestimentas.A tecelagem se desenvolveu a partir deste novo modo de vida.As roupas passaram á ser mais bem elaboradas, e a matéria prima, que era principalmente o algodão das plantações e a lã do rebanho, era mais fácil de ser adquirida e menos arriscado do que as perigosas caçadas.

Outro marco da revolução, foi a construção de casas de madeira, barro, pedra e forragem.Com a necessidade de se manter perto dos rebanhos e das plantações, a vida nômade foi se tornando cada vez mais inviável, partindo deste ponto, casas mais resistentes e que permitiam uma longa estadia, se tornaram cada vez mais comum.

8. As primeiras aldeias e as primeiras cidades

Conforme as atividades agropastoris se tornavam mais sólidas, e as sociedades neolíticas passaram a ficar cada vez mais tempo em um único território,as aldeias agrícolas e pastoris foram surgindo.

A população se tornou significativamente maior, devido principalmente, á uma maior oferta de alimentos.A vida social foi se tornando mais complexa, e houve uma nova divisão do trabalho.As pessoas passaram a se especializar em certos ofícios:por exemplo, uma pessoa que planta-se milho, se dedicava exclusivamente á esta atividade, podendo assim, trocar o seu milho, por cerâmica, roupas, ou outros objetos que não possui-se.Este tipo de divisão, que ocorreu nos mais diversos ofícios, levou ao fim do comunismo entre os homens, pois com a evolução do comercio, uns passaram a ter mais do que outros, originando-se assim a propriedade privada.

Todas estas mudanças, entre outras, levaram ao desenvolvimento pleno destas aldeias e pequenas cidades, dando origem á instituições político-administrativas caracterizadas por um governo estabelecido em um determinado território.surgia assim os primeiros estados e Civilizações.

O conceito de civilização. Passou a ser usado na França em meados do séc.XVIII, com um conceito evolucionista de progresso, no qual, a sociedade passaria por certas etapas de evolução, até atingir o status de civilizada.

Uma civilização surge através de uma cultura, e possui traços característicos que a definem como tal.

Aparecimento de Grupos Sociais – Com o surgimento da propriedade privada, e com o acumulo de riquezas praticado por alguns, surgem classes diferentes dividias por Explorados e Exploradores, ricos e pobres, etc.

Divisão do Trabalho – A antiga forma de sociedade comunista baseada nos laços familiares do paleolítico foram gradualmente substituídas pelo trabalho especializado.(Metalúrgicos,Pastores,Agricultores,Sacerdotes,etc)

Registros Escritos – Sem uma escrita, uma cultura não é considerada civilizada.Muitas culturas atingiram altos níveis de evolução cultural, formando estados organizados e sociedades divididas bem estruturadas.Porém a ausência de uma forma de registro escrito lhes tirou o mérito de Civilização.

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1.Antropóides: Termo grego(Antro=homem;Póide=Semelhante) que designa primatas semelhantes aos seres humanos.Em um determinado momento da história evolutiva, antropóides africanos deram origem á duas ramificações diferentes: os Pongideos, que deram origem á macacos como chipanzés,gorilas,gibões e os Hominídeos que deram origem a raça humana.

2.Teoria de Clovis: Teoria que propõem que os primeiros habitantes do continente americano chegaram através do Estreito de Bering e chegando ao Alasca há cerca de 11,5 mil anos.

3.Endogamia: Casamento entre membros de uma mesma família.

4.Clã. grupos de pessoas ligadas por laços sanguíneos

5.Antropologia: Termo Grego(Antro=Homem;Logia=Estudo)Designa o estudo do homem através da história.

Bibliografia

1.Cotrim,Gilberto.História global.Ed-Saraiva,2007

2.Blainey,Geofrey.Uma breve história do mundo.Ed Fundamento,2009

3.savelle,Max.As primeiras Culturas Humanas.Ed Villa Rica,Rio de Janeiro,1990

4.Darwin,Charles.A origem das Espécies,1859

5.Wilson,Daniel.Arqueologia e a Pré-história da Escócia,1851

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Joana d'Arc



Joana d'Arc

Heroína francesa nascida em Domrémy, na região francesa do Barrois, chamada de A Donzela de Orléans, por ter sido decisiva para mudar o rumo da guerra dos cem anos, entre a França e a Inglaterra. Filha de um casal de lavradores, movida por uma fé incomparável, aos 13 anos dizia ouvir vozes divinas como do arcanjo são Miguel, além de santa Catarina e santa Margarida, ordenando que salvasse a cidade, sitiada pelos ingleses.

Partiu de sua aldeia e obteve de Robert de Baudricourt, capitão da guarnição de Vaucouleurs, uma escolta para guiá-la até Chinon, onde se achava refugiado o rei da França, Carlos VII, visto que o país estava quase todo em mãos dos ingleses. Diante de sua impressionante segurança, o rei lhe entregou o comando de um pequeno exército para socorrer Orléans (1428), então sitiada pelos ingleses.

No caminho, a atitude heróica da humilde camponesa atraiu adesões para as tropas que comandava. À frente desse aparentemente insignificante exército, derrotou os invasores, reacendeu o nacionalismo francês e conduziu o rei Carlos VII a Reims, onde foi coroado. Seguindo sua saga de libertação empreendeu o ataque que a Compiègne (1430), porém a heroína foi aprisionada pelos borgonheses, aliados dos ingleses.

Prisioneira, sofreu um julgamento por meio de um tribunal espiritual comandado pelo ambicioso bispo Pierre Cauchon, de modo a fazê-la perder sua auréola de santa, ou seja, os borgonheses temiam que sua morte sumária pudesse torná-la um mito mais fervoroso e conseqüentemente mais perigoso da resistência francesa.

No jogo de interesses políticos que envolveu sua figura de heroína, ela não encontrou apoio por parte do rei que tanto ajudara e foi acusada de feitiçaria, declarada herética e, sem direito a um defensor foi condenada. Supliciada publicamente na praça do Mercado Vermelho, em Rouen, ali foi queimada viva, aos 19 anos. Seu sacrifício despertou novas energias no povo francês, que finalmente expulsou os ingleses de Calais. A Igreja Católica reconheceu sua santidade, beatificou-a (1909) e depois canonizou-a (1920) pelo papa Bento V.

Fonte: banner

GOVERNO ARTUR BERNARDES

O governo Artur Bernardes marcou a crise hegemônica das oligarquias no Brasil.
Nas eleições de 1922, em plena República Oligárquica, fazendeiros mineiros e paulistas se reuniram para apoiar o candidato à presidência Artur Bernardes. Nascido em Minas, esse político seria o próximo responsável na tarefa de representar o interesse das elites cafeeiras no país. Contudo, mediante a própria discordância gerada entre as oligarquias de outros estados, o candidato oficial seria desafiado pela candidatura do fluminense Nilo Peçanha.

As vozes de oposição à ordem oligárquica realizaram uma campanha defendendo a moralização das eleições. Dessa forma, conquistariam o apoio do crescente eleitorado das cidades brasileiras. Em outubro de 1921, o jornal Correio da Manhã publicou uma carta falsa na qual Artur Bernardes supostamente dirigia uma série de injúrias contra os militares. Apesar de a origem fraudulenta ter sido comprovada, o episódio das cartas acirrou os ânimos de vários membros de nossas instituições militares.

Mesmo com a forte agitação política no meio urbano, Artur Bernardes conseguiu vencer as eleições e assim preservar o interesse das oligarquias. Reagindo à derrota, um grupo de oficias do exército se sublevou no Forte de Copacabana. A intenção dos revoltosos era obrigar o novo presidente oligarca a renunciar do
cargo. Sofrendo intensa oposição das tropas oficiais, os chamados “18 do Forte” acabaram sendo combatidos pelo ato insurrecional.

Apesar do fracasso desse primeiro levante militar, o evento serviu para que outros membros das Forças Armadas também acreditassem no fim da ordem oligárquica. Dois anos mais tarde, a Revolução Paulista mobilizou tenentes de várias capitais em uma nova tentativa de se desintegrar a situação política vigente. Apesar da forte reação, outro foco no Rio Grande do Sul, liderado por Luís Carlos Prestes, formou uma coluna armada que se unira aos revoltosos paulistas no ano seguinte.

Entre 1925 e 1927, os integrantes da chamada “Coluna Prestes” percorreram onze estados realizando uma verdadeira campanha contra os ditames da oligarquia. Ainda que o impacto sobre a população fosse restrito, as
notícias do evento indicavam que a hegemonia política das elites agrárias estava abalada. Através da agitação militar, apareciam fortes evidências que o cenário e o jogo político-social da nação despontavam para rumos inéditos.

Apesar de tantos golpes e levantes, Artur Bernardes conseguiu executar o seu mandato até o final. Mais do que isso, também conseguiu sustentar mais um mandato para a política do café-com-leite ao garantir a eleição do presidente Washington Luís. Na verdade, esse seria o último suspiro de uma ordem que seria finalmente derrubada pela Revolução de 1930.
Fonte: Mundo Educação

Guerra dos Cem Anos

Por meio das vitórias militares iniciadas por Joana D’Arc, os franceses conseguiram vencer a Guerra dos Cem Anos
.A Guerra dos Cem Anos foi um conflito que marcou o processo de formação das monarquias nacionais da França e da Inglaterra. No plano político, essa guerra foi motivada pela crise política que tomou conta da França depois da morte de Filipe, O Belo, em 1328. Buscando desfrutar das vantagens econômicas provenientes da unificação das coroas, o rei britânico Eduardo III exigiu o trono francês, pois era neto do falecido monarca francês.
Além disso, o interesse econômico também explica esse desgastante confronto. Nesse período, os monarcas preocupavam-se em fortalecer seu poder político através da cobrança de impostos. Foi a partir dessa situação que ingleses e franceses disputaram o controle fiscal sobre a próspera região de Flandres. Por um lado, os ingleses buscavam controlar Flandres pelo fato de fornecer a lã utilizada pelos seus tecelões. No entanto, a França exercia o controle político na região por causa de antigos vínculos feudais.


Em grande parte do confronto, os ingleses venciam os exércitos franceses impondo uma pesada derrota. No ano de 1415, as tropas inglesas tomaram parte do território francês aprisionando o rei Carlos VI e dominando a cidade de Paris. O triunfo britânico foi logo legitimado com a assinatura do Tratado de Troyes, que transferiu a porção norte da França para os domínios do rei inglês Henrique V. Até então, parecia ser impossível que os franceses pudessem reverter a supremacia alcançada pelos britânicos.

Entretanto, no ano de 1429, o papel desempenhado por uma obstinada francesa chamada Joana D’Arc deu outros destinos para esse conflito. Liderando um pequeno exército organizado pelo monarca Carlos VII, essa lendária guerreira conseguiu reconquistar a região de Orleans do domínio inglês. Logo em seguida, a euforia causada com essa conquista também possibilitou a retomada de Reims. Imediatamente, os ingleses ficaram alarmados com os feitos daquela desconhecida camponesa.

Enquanto Carlos VII foi aclamado como novo rei da França, os ingleses planejavam capturar e assassinar Joana D’Arc. Aprisionada graças aos esforços do duque de Borgonha, Joana D’Arc foi oferecida aos tribunais eclesiásticos sob a acusação de bruxaria. Julgada e condenada, a heroína francesa foi queimada viva na cidade Rouen, no ano de 1431. Com isso, os ingleses almejavam abafar uma possível reação militar por parte da França.

No entanto, as conquistas empreendidas pela santificada guerreira mobilizaram a população francesa em novas batalhas contra a Inglaterra. Espelhados em Joana D’Arc, os franceses impuseram seguidas derrotas aos exércitos britânicos. Em 1453, a conquista da cidade de Bordeaux obrigou os ingleses a admitir sua derrota, dando fim à Guerra dos Cem Anos. Depois disso, a monarquia francesa ganhou amplos poderes sob a tutela do rei Carlos VII.

Fonte:

Brasil Escola

Zumbi, um herói cercado de mistério

O arqueólogo Pedro Paulo Funari, que dirigiu a escavação do quilombo de Palmares, e a historiadora Aline Vieira de Carvalho, que estuda a trajetória da comunidade rebelde, contam o que os pesquisadores sabem sobre a vida real do personagem principal do Dia da Consciência Negra.


por Bruno Fiuza

Em janeiro de 2003, a data da morte de Zumbi dos Palmares, 20 de novembro, se transformou em Dia Nacional da Consciência Negra. Símbolo da resistência ao escravismo no Brasil, Zumbi se tornou um herói nacional, mas o que sabemos de fato sobre sua vida? Infelizmente, muito pouco, afirmam os autores do livroPalmares, ontem e hoje (Zahar, 2005), Pedro Paulo Funari e Aline Vieira de Carvalho. Funari, além de coautor da obra, foi diretor do Projeto Arqueológico Palmares. História Viva conversou com eles para saber o que a pesquisa histórica revela sobre o maior quilombo brasileiro e seu último líder.

História Viva – O que os historiadores sabem, concretamente, sobre a biografia de Zumbi?

Pedro Paulo Funari – Muito pouco. Os que escreveram sobre Zumbi o fizeram de segunda mão e sempre de um ponto de vista contrário aos lutadores pela liberdade. Além disso, foram criadas muitas lendas, como aquela que atribui ao líder palmarino uma formação aprimorada, como seminarista, por meio da qual ele teria até mesmo aprendido latim e as técnicas de guerra dos romanos antigos.

Aline Vieira de Carvalho – Sabemos pouco sobre Zumbi e sobre outras pessoas que teriam vivido em Palmares. Os documentos de época que falam do quilombo não se preocuparam em registrar a biografia de seus moradores.

HV – A partir da análise dos documentos escritos disponíveis é possível saber como era a organização política, econômica e social de Palmares?

Funari – A documentação descreve uma comunidade rebelde, em luta por uma vida sem a interferência dos senhores de escravos.

Aline – Sim. Há referências à organização política, econômica e social do assentamento. A preocupação principal, no entanto, é apresentar Palmares como um enclave rebelde e, por isso, indesejável. Logo, os documentos focalizam questões estratégicas de defesa e ataque ao quilombo.

HV – Quais foram as novas informações que as pesquisas arqueológicas revelaram sobrePalmares?

Funari – Durante as escavações, descobrimos artefatos de características indígenas. Isso mostra o caráter variado, mesclado, do assentamento rebelde, que congregava africanos, indígenas, brancos e mestiços, todos em luta pela liberdade.

Aline – As pesquisas arqueológicas sobre o quilombo trouxeram informações que puderam ser confrontadas com os dados dos documentos escritos. O cruzamento de fontes permite a construção de um quadro mais complexo sobre o que teria sido Palmares. Passa-se a investigar a presença de indígenas no assentamento, a distribuição dos espaços, possíveis relações entre os quilombolas e os colonos, entre outros aspectos.

HV – Em artigo publicado em 1996, o professor Pedro Paulo Funari afirmava que até aquele momento a polêmica sobre a escravidão na academia brasileira era pautada por discussões pouco científicas. Isso mudou nos últimos dez anos?

Funari – Sim, houve grandes avanços. Uma síntese como a que Flávio dos Santos Gomes apresentou em seu livroPalmares (Contexto, 2005) não seria possível sem o aprofundamento dos nossos conhecimentos. Isso se deve tanto à historiografia quanto à valorização dos grupos sociais excluídos.

Aline – A academia, em especial as ciências humanas, têm se dedicado a entender diversos aspectos da escravidão no Brasil e as relações entre essa escravidão e outras regiões, como a África, a América Central e a América do Norte. Acredito que esse recorte só se tornou possível pela constituição de um ambiente democrático tanto nas universidades quanto fora delas. Nesse sentido, as pesquisas científicas ganharam muito nos últimos dez anos.

HV – A imagem de Zumbi que conhecemos hoje corresponde às evidências históricas sobre esse personagem ou trata-se de uma construção historiográfica posterior?

Funari – Sabemos muito pouco sobre o líder do quilombo. Não há como desconsiderar a interpretação das épocas posteriores: Zumbi será sempre uma construção, como qualquer outro grande personagem histórico.

Aline – Nós temos muitas imagens do Zumbi dos Palmares. Até as primeiras décadas do século XX, ele era percebido como um exemplo de “fraqueza negra” diante da “superioridade branca” do bandeirante Domingos Jorge Velho, que destruiu o quilombo. Ao longo do século XX, essas imagens foram alteradas. Hoje, temos o líder palmarino como exemplo da resistência negra. Podemos dizer que todos esses “Zumbis” correspondem a contextos históricos bastante específicos e foram criados por grupos sociais com interesses bem delimitados.

HV – As pesquisas mais recentes sobre Palmares confirmam ou desmentem essa imagem?

Funari – Diria que desmentem a imagem de um líder centralizador, pois hoje pensamos Zumbi não apenas como um grande chefe militar. Essa era a imagem do século XVII, que o associava ao general romano Júlio César. Hoje, ele aparece como um homem do povo, mal comparando, e muito mal, um Lula da época.

Aline – As pesquisas mais recentes sobre Palmares não estão centralizadas na figura de Zumbi. Almeja-se esclarecer outras relações de poder, como as relações de gênero e as regras que pautavam as negociações entre autoridades coloniais e quilombolas. Ou seja, o objetivo não é apenas reconstituir biografias.

HV – Recentemente alguns historiadores propuseram novas e polêmicas interpretações sobre a figura de Zumbi. Luiz Mott fala de uma possível homossexualidade do líder palmarino, e Ronaldo Vainfas sugere que ele poderia ter sido um senhor de escravos. O que acham dessas interpretações?

Funari – Não havia homossexualidade nessa época. Manter relações sexuais com homens e mulheres não indicava opção sexual. Na África, entre o Congo e Angola, a relação sexual de homens com homens era comum e nada tinha de homossexual. Por isso mesmo, Zumbi, como outros, podia ter relações sexuais com homens e mulheres. A escravidão também era usada na África, não apenas no Novo Mundo. Era uma instituição universal. No contexto mais democrático em que vivemos, debater esses aspectos de Palmares mostra que podemos buscar no quilombo não apenas heróis, mas pessoas de carne e osso.

Aline – É interessante refletir por que essas interpretações propostas por Mott e por Vainfas geram polêmica. Elas são controversas por não se ajustarem às imagens idealizadas que temos de Zumbi como um herói “negro” e “masculino”, e do quilombo como um espaço de liberdade. No século XVII, no entanto, a homossexualidade não existe como conceito e a escravidão não é condenada. Esses conceitos não pertencem ao contexto do quilombo de Palmares. Por isso, é possível que Zumbi tenha mantido relações com homens e mulheres e que houvesse escravidão dentro do quilombo. O fato de essas interpretações serem polêmicas revela mais sobre os preconceitos da sociedade atual e da forma como nos representamos hoje do que sobre o quilombo.

Fonte:



14.11.09

Biografia de Albert Einstein

Introdução sobre Albert Einstein

Albert Einstein revolucionou a nossa visão sobre o universo. Ele nos mostrou, por exemplo, quetempo e espaço não podem ser vistos como absolutos. Tanto um quanto o outro são relativos. Além disso, o tempo está intrinsecamente ligado ao espaço, a ponto de ser uma quarta dimensão dele. Suas ideias foram tão contrárias ao senso comum do mundo científico do início do século 20 que elas determinaram o fim da física como até então era conhecida e anunciaram o início de uma nova era: a da física quântica e da energia nuclear.

A trajetória que levou o gênio criativo de Einstein a construir teorias revolucionárias sobre o universo começou na sua infância. Ao ver uma bússola com o pai, Bertl, como era chamado o pequeno Einstein por sua família, ficou encantado com o fenômeno do magnetismo, aquela força invisível que viajava pelo espaço para atrair o ponteiro da bússola sempre para o Pólo Norte. Esse encanto pela ciência o acompanharia pelo resto da vida. Ele motivaria seus insights que nos legaram as teorias da relatividade e a famosa fórmula (E=mc²) que mostra a matéria como “energia solidificada”, entre outras surpreendentes descobertas.

Einstein
Reprodução

Teoria da relatividade para leigos

Einstein procurou assim explicar de forma bem-humorada sua complexa teoria da relatividade:

Quando você está cortejando uma moça simpática, uma hora parece um segundo. Quando você se senta sobre carvão em brasa, um segundo parece uma hora. Isso é a relatividade.

A juventude de Albert Einstein

Einstein nasceu em 14 de março de 1879 em Ulm, uma pequena cidade do sul da Alemanha. Sua mãe era culta e gostava de tocar violino, gosto que passou para o pequeno Albert. Seu pai era afável e sociável, mas fracassado no mundo dos negócios. Os insucessos de suas lojas e indústrias eram responsáveis pela vida espartana da família. Único judeu em uma sala de aula de uma escola católica, numa época em que o anti-semitismo começava a se intensificar, Einstein se entediava com os estudos e com a postura autoritária dos professores, reflexo do estilo “sangue e ferro” do governo Bismark na Alemanha.

Um dos mais famosos cientistas do século 20, homenageado em um selo dos EUA.
© istockphoto.com / Peter Spiro
Einstein se tornaria um dos mais famosos e importantes cientistas da história. Aqui ele é homenageado em um selo norte-americano.

Sua aversão à maior parte das disciplinas escolares lhe rendeu a fama de ter dificuldades no aprendizado. Mas naquilo que lhe interessava, como física e matemática, mostrava sua inteligência precoce e revelava-se um autodidata. Consciente dessa capacidade, mostrava-se às vezes convencido e insolente. A filosofia era outro campo do conhecimento que agradava muito ao jovem Einstein. Apresentado à complexa obra metafísica de Immanuel Kant, provavelmente como um desafio a sua precoce genialidade, descobriu nela uma construção de excepcional profundidade que buscava explicar absolutamente tudo. Aquilo o influenciaria pelo resto de sua vida.

Apesar da vontade do pai para que estudasse engenharia e ingressasse nos negócios da família, Einstein contou com a compreensão paterna ao demonstrar que aquilo não o interessava. Sua vida estudantil manteve-se errática. Alcançava excepcionais notas em matemática e física, mas era de forma proposital um fracasso nas demais disciplinas. Recusava-se a seguir instruções e preferia usar seus próprios métodos, mesmo quando fazia experiências em laboratório.

Com o apoio financeiro dos parentes de sua mãe, Einstein foi estudar na Suíça. Em 1895, começou a frequentar a Politécnica de Zurique, a melhor escola técnica da Europa central. A atmosfera intelectual, a liberdade para o debate e o ar cosmopolita de Zurique ajudaram Einstein a desenvolver seu brilhantismo e o aproximaram das ideias socialistas. Nesse período, formou um círculo de amigos íntimos, que como ele eram estudantes de matemática e física obcecados pelas questões fundamentais da ciência. A capacidade genial de Einstein foi logo percebida pelos colegas que o ajudavam de forma que ele pudesse acompanhar o curso.

Entre os amigos de Einstein em Zurique havia uma moça, aliás a única da turma. Mileva Maric era sérvia e se tornou a primeira mulher com quem o namoradeiro Einstein podia discutir seus temas mais complexos de física. Às duras penas, conseguiu se formar em 1900. Para escapar do serviço militar na Alemanha, permaneceu na Suíça, onde obteve sua cidadania, mas teve enormes dificuldades para arranjar emprego. Enquanto trabalhava como professor temporário em uma escola próxima a Zurique, tornou-se amante de Mileva. Ao fim do emprego temporário descobriu que ela estava grávida. Desempregado e sem dinheiro, não teria como se casar e sustentá-la. Mileva então voltou a morar com os pais, onde deu a luz a uma menina. O destino de Lisa, a primeira filha de Einstein é nebuloso. Ao que tudo indica, ela foi adotada pelos pais de Mileva, mas desapareceu sem deixar vestígios.

Enquanto isso, Einstein conseguiu um emprego no Escritório de Patentes em Berna, na Suíça. Um ano após o nascimento de Lisa, Mileva deixou sozinha a casa dos pais e foi se encontrar com Einstein. Eles se casaram em 1903 e, no ano seguinte, nasceu Hans Albert. Naquele momento, Einstein produzia ensaios que apesar de não serem excepcionais traziam alguns dos
insightsque revolucionariam a física. Suas ideias sobre a luz, o espaço e o temponão se enquadravam nas leis da física clássica desenvolvidas por Newton dois séculos antes. Einstein começava a elaborar as teorias que mudariam nossa forma de compreender o universo.

Einstein: a descoberta de um gênio

Einstein
Imagem cedida 2006 SmugMug, Inc.
Em 1905 foram publicados quatro artigos escritos por Albert Einstein que transformaram o mundo. O primeiro deles era considerado pelo próprio autor “bastante revolucionário”. Em “Sobre um ponto de vista heurístico acerca da produção e da transformação da luz”, Einstein, em dezessete páginas, transformou toda a compreensão da natureza da luz e explicou certas anomalias surgidas na física clássica. Sua argumentação físico-matemática preparou o terreno para a teoria quântica.

O segundo artigo foi o que teve a menor importância entre os quatro. Nele, Einstein delineia um método para determinar o tamanho de uma molécula. O terceiro artigo partia de um tema aparentemente pouco promissor – “Sobre o movimento de pequenas partículas suspensas em um líquido estacionário, segundo a teoria cinética molecular do calor” – para mudar os paradigmas da ciência. Numa época em que se tinha ainda dúvidas no meio científico sobre os átomos, Einstein ousou provar a existências de moléculas invisíveis nesses dois artigos.

A partir dos
insights que resultaram nos três primeiros artigos, Einstein produziria um quarto – e provavelmente o mais famoso deles. Ele tinha 26 anos de idade, era pobre e um funcionário público dos escalões inferiores à beira de um colapso mental e físico por conta de suas reflexões sobre complexos problemas e fórmulas. Após o que ele relatou como uma noite de torpor na qual uma tempestade explodiu em sua cabeça, produziu um artigo de 31 páginas chamado “Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento”. Nele estava contida a teoria da relatividade especial.

Isaac Newton havia declarado que tempo e espaço eram absolutos, sem qualquer relação com coisas exteriores. Segundo a física clássica, o tempo flui de modo equitativo e o espaço permanece sempre semelhante e inamovível. Einstein mudaria essas certezas. Para começar, ele propõe que não há nada que se possa chamar de movimento absoluto. Isso significa que também não existe ausência absoluta de movimento. Toda velocidade é relativa ao referencial específico que a define. Assim, se há movimento relativo, o tempo e o espaço se tornam relativos. Com uma exceção. A velocidade da luz, que é sempre a mesma, qualquer que seja a referência.

A fórmula da teoria da relatividade, a mais famosa de Einstein.
© istockphoto.com / Jose Antonio Santiso
A fórmula da teoria da relatividade, a mais famosa de Einstein

Einstein, com sua teoria da relatividade, mostrava entre outras descobertas que não existe tempo absoluto. O tempo somente se aplica ao local em que está sendo medido. Outro fruto da teoria da relatividade foi a fórmula E=mc², onde E é energia, m é massa e c é a velocidade da luz. Com ela, ele pressupunha que a matéria é energia solidificada e que, se a massa pudesse de algum modo ser convertida em energia, uma pequena quantidade de massa liberaria uma excepcional quantidade de energia. Mais para a frente Einstein incluiria a gravidade na sua teoria e criaria a teoria da relatividade geral, que prevê que a matéria pode fazer com que o espaço se curve. Publicado em 1916, o artigo “O fundamento da teoria da relatividade geral” mostrava em sua descrição dos fenômenos do universo que o espaço se tornava curvo e o tempo também, afinal ele era uma quarta dimensão em um contínuo espaço-tempo (para entender a
teoria da relatividadedesenvolvida por Einstein, clique aqui e leia o nosso artigo).

Einstein mudou a forma de se fazer ciência. Até então ela era basicamente empírica. Mas ele inverteu esse processo. Teórico convicto, ele considerava o método de construir teorias a partir das evidências obtidas nos experimentos muito lento e prosaico. Sua mente preferia avançar e deixar que no futuro a experimentação comprovasse suas teorias. E isso realmente aconteceu.

Após o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a comprovação das principais ideias de Einstein na observação de fenômenos espaciais, o mundo reconheceu sua genialidade. Àquela altura já estava separado de Mileva, e seu descuido com a própria aparência imortalizaram a imagem do gênio distraído. Figura pública ministrando conferências por toda a Europa e Estados Unidos, era sempre recebido como herói. Sua prima Elsa, com quem se casara, cuidava de manter uma certa ordem em sua vida pessoal. Em 1921, ganhou o Prêmio Nobel e com a ascensão do nazismo na Alemanha, mudou-se para os Estados Unidos. Lá, dedica-se à pesquisa pura no recém-criado Instituto de Estudos Avançados de Princeton.

Uma lenda viva da ciência, ele se tornou mais recluso após a morte de Elsa em 1936. Em 1939, ao saber que sua fórmula E=mc² levaria os alemães a construir a bomba atômica, alerta o presidente Roosevelt, dos EUA, que à revelia de Einstein inicia o Projeto Manhattan que resultaria nas bombas atômicas lançadas no Japão em 1945. Chocado, envolveu-se em campanhas pacifistas e suas simpatias ao socialismo o colocaram na lista de investigados do FBI na era do
macartismo. Cansado, e distanciado da física quântica, morreu em 18 de abril de 1955, aos 76 anos, enquanto dormia no Princeton Hospital, onde estava internado após sofrer um colapso. Havia confessado que se sentia um estranho no mundo.

Einstein e a relatividade
Reprodução


Fonte:

Consciência negra: valorizar a identidade

Aprenda a valorizar a cultura negra em casa e na escola


O que é o Dia da Consciência Negra? Celebrado no dia 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra homenageia e resgata as negras raízes do povo brasileiro. Escolhido por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, ele é dedicado à reflexão sobre presença do negro na sociedade brasileira. "O Dia da Consciência Negra sinaliza a ideia do marco, marca o valor da conquista da liberdade deste grupo", explica Roseli Fischmann, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Metodista, de São Bernardo do Campo, na região metropolitana da capital paulista.

O dia da Consciência Negra também põe em pauta a importância de discutir a temática negra na escola. A inclusão de assuntos ligados à África e ao povo negro na educação formal é uma das estratégias para reconhecer a presença desse grupo na história do Brasil - os negros correspondem a 6,8% da população brasileira segundo o IBGE, mas os chamados "pardos" chegam a um número próximo da metade da população brasileira. Não à toa, escolas e instituições diversas já reconhecem a importância de trabalhar a cultura negra em seu dia a dia.

Hoje, a lei brasileira obriga as escolas a ensinarem temas relativos à história dos povos africanos em seu currículo. Além disso, osParâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) estabelecem que a diversidade cultural do país deve ser trabalhada no âmbito escolar. "A sociedade em que vivemos valoriza outro estereótipo, o que resulta na invisibilização do negro. Isso tem um efeito bastante perverso: as crianças negras nunca se vêm e o que elas olham é sempre diferente delas", explica Roseli, que coordenou o grupo responsável pelo documento sobre Pluralidade Cultural nos PCNs. "A pluralidade cultural é um tema que pode ser abordado de forma transversal, em várias disciplinas", conclui. Estratégias simples, como a introdução de bonecas negras, podem ter um efeito positivo para reforçar aidentificação cultural dos alunos negros. "Revelar a África pela própria visão africana também surte efeito. O continente produz cultura, histórias e mitologia, o que a perspectiva eurocêntrica não nos deixa ver", diz Oswaldo de Oliveira Santos Junior, pesquisador do Núcleo de Educação em Direitos Humanos de Direitos Humanos e Educação da Universidade Metodista de São Paulo.

Veja a seguir como pais e professores podem fazer sua parte na valorização da Consciência Negra.

Para ler, clique nos itens abaixo:
Um exemplo de trabalho de valorização
Consciência negra no espaço
Consciência negra nos materiais didáticos
Consciência negra no conteúdo
Consciência negra no dia 20 de novembro
Consciência negra na lei
Consciência negra na literatura infanto-juven
Foto: alunos brincando


Revelando a riqueza da cultura africana é possível combater preconceitos dos brancos e reforçar a auto-estima dos negros

Fonte: Educar para Crescer






Possibilidades de escrita de uma história indígena


por: Mariana Albuquerque Dantas
Mestranda em História pela Universidade Federal Fluminense

O trabalho de pesquisa empreendido pelo historiador, bem como o resultado dessa operação em forma de narrativa pode ser repensado a partir da análise de Michel de Certeau sobre a escrita da história e as diversas condições em que é realizada. Essa análise vem sendo utilizada por vários historiadores, principalmente ao se tomar a perspectiva do lugar social de produção historiográfica como horizonte na construção e interpretação de objetos de pesquisa. Assim, a contribuição de Certeau, ao meu ver, leva ao enfrentamento por parte dos historiadores com os seus próprios temas de pesquisa e nas condições de produção de sua narrativa.

Uma das questões levantadas pelo autor é o ponto inicial do tema que será aqui abordado, isto é, a operação historiográfica que implica no trabalho em arquivo, na escolha e redistribuição de fontes; e na escrita como processo final de representação do passado. Pensar na operação historiográfica é particularmente frutífero quando nos deparamos com nossa problemática de pesquisa que, no presente artigo, enfoca as possibilidades de se escrever uma história indígena.
Tema não muito abordado na historiografia brasileira, as narrativas sobre populações indígenas são explicadas, em grande parte, através de guerras de extermínio, sejam bacteriológicas ou por intermédio de armas, ou pela resistência heróica de alguns grupos rebeldes, que acabam sendo engolidos pelo projeto colonial. Chega-se a conclusões muito próximas ao se partir dessas explicações, ou seja, o desaparecimento dessas populações da historiografia e, por conseqüência, da formação do país. Diante do problema de construir uma narrativa diferente sobre parte do passado de populações indígenas, deparamo-nos com fontes lacunares e alguns arquivos mal organizados, mas que podem oferecer possibilidades para a apreensão de uma dinâmica social que não corresponde ao desaparecimento propagandeado.

Ao se deparar com suas fontes de análise, sejam manuscritos, impressos, imagens, relatos orais, etc, o historiador inevitavelmente passa a lidar com as lacunas e faltas. Muitas vezes escasseiam dados factuais, como datas, lugares, nomes; em outros momentos as pistas sobre determinada situação não são mais encontradas, como se não tivessem sido registradas. A depender do sistema em que foi organizado o arquivo em que se trabalha, a pesquisa se alonga em vários volumes ou códices, que apresentam informações desencontradas ou mesmo limitadas. Nesse momento, para o trabalho do historiador ser realizado faz-se necessário uma operação técnica, afinal

“em história, tudo começa com o gesto de separar, de reunir, de transformar em ‘documentos’ certos objetos distribuídos de outra maneira. Esta nova distribuição cultural é o primeiro trabalho. Na realidade, ela consiste em produzir tais documentos, pelo simples fato de recopiar, transcrever ou fotografar esses objetos mudando ao mesmo tempo o seu lugar e o seu estatuto.” 1

Assim, são escolhidos e reunidos os dados a serem interpretados, sendo organizados de acordo com os interesses do pesquisador e também com as possibilidades oferecidas pela instituição do arquivo. Documentos administrativos, comunicações entre autoridades, processos, cartas, manuais, etc. apresentam-se como escolhas individuais para constituir o corpo documental que vai embasar uma narrativa.

Contudo, Certeau afirma que não se trata de “dar voz a um silêncio”, mas “transformar alguma coisa, que tinha sua posição e seu papel, em alguma outra coisa que funciona diferentemente.”
2 Essa transformação ocorre não só pelo ato de coligir informações e organizá-las, mas também através da curiosidade direcionada do pesquisador, do que precisa e deseja “descobrir” em cada documento, das respostas que elabora a partir das perguntas com as quais segue munido para a leitura da informação.

Entendemos que a análise do pesquisador é direcionada pelo caminho que escolhe para transformar seus dados, pelos questionamentos e interpretações que propõe. É o que podemos perceber da Nota de Orientação dada ao capítulo dedicado à Explicação/Compreensão por Paul Ricoeur:

é quanto à explicação/compreensão que a autonomia da história relativamente à memória se afirma mais fortemente no plano epistemológico. A bem da verdade, essa nova fase da operação historiográfica já estava imbricada na precedente, na medida em que não há documento sem pergunta, nem pergunta sem projeto de explicação. É em relação à explicação que o documento constitui prova. (Ricouer, 2007, p. 193) [grifos meus] 3

As perguntas e o projeto de explicação orientam a constituição não só do objeto de pesquisa, como também da escolha do que deve ser transformado em documento histórico e da maneira de organizá-lo.

Na outra ponta da operação historiográfica, encontra-se a construção da escrita, que conduz da prática ao texto. Levando-se em conta que o tema escolhido pode levar a várias interpretações, ao escolhermos um caminho específico para a narrativa, dispomo-nos a representar o passado de acordo com algumas normas tácitas de inteligibilidade. Devemos fazer o relato de forma cronológica, impondo como início o que seria o ponto de chegada da pesquisa, “enquanto esta dá os seus primeiros passos na atualidade do lugar social, e do aparelho institucional ou conceitual, determinados ambos, a exposição segue uma ordem cronológica. Toma o mais anterior como ponto de partida.” Além disso, o texto precisa ter um fim, enquanto a pesquisa é interminável, sendo preenchido de recursos que constroem a coerência e unidade através de conceitos históricos e regras. (Certeau, 2007, p. 94)

Mas, o que nos chama atenção para o presente texto é a complementaridade (que também pode ser entendida como oposição) entre a prática e a escrita, no que diz respeito às lacunas e necessidade de inteligibilidade do discurso histórico. Certeau afirma que o texto é pleno e preenche as lacunas, as quais constituem o princípio da pesquisa, aguçada pela falta.

Dito de outra maneira, através de um conjunto de figuras de relatos e de nomes próprios, torna presente aquilo que a prática percebe como seu limite, como exceção ou como diferença, como passa. Por estes poucos traços – a inversão da ordem, o encerramento do texto, a substituição de um trabalho de lacuna por uma presença de sentido – pode-se medir a ‘servidão’ que o discurso impõe à pesquisa. (Certeau, 2007, p. 94).

Sendo o texto histórico, um produto coeso, que possui uma unidade, uma ordem cronológica, composto de pesquisa realizada em fontes descontínuas, passamos a tocar num questionamento pertinente para a escrita de uma história indígena. Quais caminhos são possíveis para escrever sobre as histórias de populações nativas? Um dos principais problemas levantados para esse projeto é a falta de documentos escritos pelos próprios agentes sociais, que representariam uma alternativa para não reafirmar uma história calcada no discurso colonial. Mesmo documentos de missões religiosas e administração colonial, apresentam-se com as supracitadas descontinuidades.

A produção de testemunhos indígenas em suas respectivas línguas e representações pictóricas, foi significativa na América de colonização espanhola, permitido uma leitura historiográfica que tenta atribuir uma voz própria às populações autóctones. No entanto, segundo o historiador John Monteiro, no caso da América portuguesa,

a ausência quase total de fontes textuais e iconográficas produzidas por escritores índios por si só impõe uma séria restrição aos historiadores. No entanto, o maior obstáculo impedindo o ingresso mais pleno de atores indígenas no palco da historiografia brasileira parece residir na resistência dos historiadores ao tema, considerado, desde há muito, como alçada exclusiva dos antropólogos. (Monteiro, 2001, p. 2).

Essa restrição, no entanto, não é absoluta, como bem explica Monteiro, pois em finais do século XIX, quando o cerceamento do acesso à terra se torna mais intenso com a Lei de Terras de 1850 e extinção dos aldeamentos, vários grupos indígenas e seus representantes escrevem petições e fazem visitas aos presidentes de província e mesmo ao Imperador, solicitando ações contra a fragmentação e espoliação de suas posses.

O outro problema levantado por Monteiro (falta de interesse de historiadores) resulta de limites instituídos entre a história e a antropologia enquanto disciplinas. Mas, para analisar identidades indígenas é imprescindível uma abordagem histórica de forma a trazer ao debate o processo de constituição e reelaboração dessas identidades. Principalmente, tendo em vista que atualmente vários povos indígenas no Brasil recorrem ao Estado para que o processo de regularização de suas terras seja iniciado ou que tenha continuidade, bem como os direitos de assistência à educação e saúde diferenciadas sejam garantidos de acordo com a Constituição de 1988.
4 Essas são situações que precisam ser levadas em consideração no trabalho do historiador, embora permaneça o questionamento de como escrever uma história indígena diante das lacunas documentais e da ausência de relatos escritos pelos próprios índios em períodos passados.

Antes de sugerir um caminho possível para tentar responder a essas interrogações, precisamos entender alguns caminhos já percorridos e a ênfase que ofereceram à historiografia.

A grande preocupação em encontrar documentos escritos pelos próprios índios, tendo como comparação a história da colonização espanhola nas Américas, une-se à tentativa de escrever uma “história nativa”, ou seja, uma história que pudesse trazer à tona os relatos dos próprios grupos sobre determinados acontecimentos. Mesmo ao utilizar uma perspectiva que associa história e antropologia para, por exemplo, estudar mitos e rituais indígenas, incorre-se no desejo de “captar as categorias indígenas de apreensão e construção de temporalidade, expressa através de narrativas, ritual e oratória indígena.” (Pompa, 2003, p. 166) A intenção é a de abordar uma visão dinâmica do encontro entre nativos e europeus, e entender a interpretação indígena da realidade.

No entanto, segundo Keith Jenkins, existem problemas em relação a esse tipo de abordagem na história social, inclusive filosóficos. Jenkins denomina de “empatia” essa tentativa de historiadores e antropólogos em se aproximar de pessoas do passado ou de grupos sociais distintos, percebendo o seu ponto de vista para adquirir uma compreensão histórica “real”. O que entendemos, em conjunto com Jenkins, é que a distância espacial e temporal do pesquisador em relação ao seu objeto se impõe na análise, impossibilitando uma aproximação a ponto de saber qual seria a interpretação de uma situação de acordo com um agente social. Aprofunda esse problema o fato de que o pesquisador realiza a análise do passado imbuído de pressupostos enraizados no presente, ou seja,

visto não existirem interpretações do passado que dispensem pressupostos, e visto serem as interpretações do passado elaboradas no presente, parece remota a possibilidade de que o historiador consiga despir-se do presente para chegar ao passado de alguém nos termos desse alguém. (Jenkins, 2007, p. 70).

Assim, vemos que é impossível percebermos o passado despojados do presente, para ver o mundo tal qual os agentes sociais o viram.

Por outro lado, ao tentar escapar do problema da “empatia”, podemos passar a recriar o discurso da resistência de populações “dominadas” em relação aos sujeitos “dominantes”, trazendo à tona uma interpretação baseada em pares opostos que isolam os agentes históricos. É então que são tratados os conflitos violentos como, por exemplo, a “Guerra dos Bárbaros” no Nordeste de finais do século XVII. Nessa guerra, teriam resistido os índios conhecidos como “tapuias” do sertão ao domínio colonial português, logo após a expulsão dos holandeses da capitania de Pernambuco.
5 O que a maioria das narrativas atesta é o desaparecimento das populações indígenas envolvidas em várias guerras, seja porque foram aniquiladas ou porque foram submetidas ao projeto colonial da Coroa portuguesa.

Dessa forma, os diversos conflitos entre índios e europeus são abordados colocando-os em esferas radicalmente opostas da sociedade colonial, sendo essa perspectiva descrita por Eric Wolf, já que

Al atribuir a las naciones, sociedades o culturas, la calidad de objetos internamente homogêneos y externamente diferenciados y limitados, creamos um modelo del mundo similar a uma gran mesa de pool em la cual las entidades giran una alrededor de la outra como si fueran bolas de billar duras y redondas. (Wolf, 2005, p. 19).

Wolf usa a metáfora da mesa de pool para fazer uma crítica a um posicionamento de historiadores e antropólogos que insistem em isolar seus objetos de pesquisa, sejam nações, sociedades ou culturas, sem atentar para as trocas ou negociações entre os agentes envolvidos. E ainda, atribuem a esses agentes uma homogeneidade interna que delimita claramente as suas fronteiras, tais quais as “bolas de billar duras y redondas”, construídas com o intuito de tornar o estudo mais didático, não levando em consideração as mudanças que podem ocorrer a essas “unidades” durante o contato com outros povos.

De outra forma, podemos perceber essas “unidades” de análise como participantes de processos interconectados e dinâmicos. Ao invés de abordar apenas a resistência e a dualidade “dominados x dominantes”, passa-se a tratar das ligações, alianças, negociações entre diversos agentes históricos, como as vivenciadas por grupos indígenas diversos (Caeté, Tupinambá, Tupiniquim, Temiminó, etc.) e portugueses, holandeses e franceses, nas primeiras décadas da colonização. É dessa forma, por exemplo, que se pode abordar os vários conflitos que depois passaram a ser chamados genericamente de “Guerra dos Bárbaros”, como fez Cristina Pompa (2003), ao trabalhar com as representações dos índios elaboradas por cronistas e missionários da época e como os índios reagiram à nova dinâmica colonial.

No estudo sobre as representações de índios feitas por europeus, existem trabalhos bem conhecidos como o de Tzvetan Todorov e Michel de Certeau. O primeiro trata do encontro entre espanhóis e índios na América
6, e o segundo analisa o texto de Jean de Léry e as representações que este fez dos índios que encontrou na Baía da Guanabara 7. Ambos abordam a alteridade indígena através de relatos, mas a sua busca vai na direção da construção do “eu” ocidental através da conceitualização do “outro” indígena. Assim, vemos no texto de Certeau, que as representações indígenas em relatos fazem uma operação dinâmica de retorno, ou seja, um movimento que mostra mais da realidade européia através da idealização e construção do Novo Mundo e de seus habitantes.

Bem, dessa forma, tentamos mostrar algumas perspectivas já bem trabalhadas sobre a escrita de uma história indígena: a tentativa de narrar uma história a partir da visão nativa, a resistência contra o domínio colonial que leva à extinção dessas populações e as representações ocidentais de autóctones no momento do contato. Sem descartar a importância em analisar os vários conflitos entre índios e não-índios ou os discursos e imagens criados para representar povos autóctones, entendemos que a crítica a esses modelos pode ajudar a construir um horizonte diferente para a percepção da dinâmica social, no qual diversas populações indígenas encontraram espaços para interagir com a sociedade envolvente.

Mais uma vez, Michel de Certeau oferece possibilidades para a interpretação e escrita de uma história, que pode ser ampliada para o estudo das histórias de populações indígenas. O autor empreende uma crítica a um tipo de história social baseada em modelos pré-concebidos e numa análise quantitativa pela constituição de séries e de suas combinações. Nesse tipo de história social, o trabalho teórico é desempenhado na construção de modelos e na atribuição de significados dos resultados através de combinações informáticas. No entanto, Certeau chama atenção para a utilidade desse modelo no que diz respeito aos desvios que proporciona:

O importante não é a combinação de séries, obtidas graças a um isolamento prévio de traços significantes, de acordo com modelos pré-concebidos, mas, por um lado, a relação entre estes modelos e os limites que seu emprego sistemático faz aparecer e, por outro lado, a capacidade de transformar estes limites em problemas tecnicamente tratáveis. (Certeau, 2007, p. 86)

O que nos interessa aqui, além da crítica a uma história social baseada em séries, é a insinuação de um caminho baseado nos desvios proporcionados a modelos e conclusões elaborados por uma historiografia, que evidencia o desaparecimento de povos indígenas num processo que se desenvolve ao longo da colônia e do período monárquico. Quando Certeau afirma que “o historiador não é mais um homem capaz de constituir um Império. Não visa mais o paraíso de uma história global. Circula em torno das racionalizações adquiridas. Trabalha nas margens.” (p. 87), indica um caminho em que se pode conferir visibilidade a uma dinâmica social que não seja dependente de generalizações ou grandes contextos. Ou ainda, que mostre desvios em relação aos grandes modelos, a uma história elaborada numa perspectiva macrossocial, diferenças que permitem o retorno aos modelos para corrigi-los.

Ao ampliarmos essas assertivas do autor, podemos perceber que ao não nos prendermos em explicações generalizantes ou baseadas apenas em documentação farta o suficiente para produzir séries, percebemos uma dinâmica social, na qual grupos indígenas participavam de modo ativo, interagindo com diferentes fluxos, negociando e fazendo alianças em diferentes esferas. Mesmo através de informações lacunares, como é o caso da documentação administrativa relativa aos aldeamentos em finais do século XIX, podemos perceber as estratégias locais de índios para interagir socialmente e alcançar seus interesses.

É o que também nos mostra o que Jacques Revel chama de “jogo de escalas” ou variação de escalas. Numa crítica ao mesmo tipo de história social de caráter serial ou generalizante, Revel trata de uma abordagem micro-histórica, que sugere reformular concepções e procedimentos historiográficos. Nesse caso, variar a objetiva, atentar para estudos num nível microssocial, não significa apenas aumentar ou diminuir o objeto no visor, mas modificar sua forma e sua trama, mostrar diferenças em relação à outra abordagem. Nessa linha, não é a preferência sobre uma escala que conta, mas sim a variação entre elas.

De acordo com o autor

O recurso à micro-análise deve, em primeiro lugar, ser entendido como a expressão de um distanciamento do modelo comumente aceito, o de uma história social que desde a origem se inscreveu, explícita ou (cada vez mais) implicitamente, num espaço “macro”. Nesse sentido, ele permitiu romper com os hábitos adquiridos e tornou possível uma revisão crítica dos instrumentos e procedimentos da análise sócio-histórica. (Revel, 1998, p. 20).

Assim, a intenção é analisar as estratégias sociais desenvolvidas pelos diferentes agentes sociais em função de sua posição e de seus recursos respectivos em unidades de análise muito específicas, como uma aldeia, uma cidade, uma família ou mesmo, um indivíduo. A vantagem da variação de escalas, segundo Paul Ricoeur, está em

poder deslocar a ênfase para as estratégias individuais, familiares ou de grupos, que questionam a presunção de submissão dos atores sociais da classe mais baixa às pressões sociais de todo tipo e principalmente àquelas exercidas no plano simbólico. Com efeito, tal presunção não deixa de ter ligação com a escolha de escala macro-histórica. Nos modelos dependentes dessa escolha, não apenas as durações parecem hierarquizadas e encaixadas, mas também as representações que regem os comportamentos e as práticas. Na medida em que uma presunção de submissão dos agentes sociais parece solidária com uma escolha macro-histórica de escala, a escolha micro-histórica induz uma expectativa inversa, a de estratégias aleatórias, nas quais são valorizados conflitos e negociações, sob o signo da incerteza. (Ricoeur, 2007, p. 230)

É nesse sentido que a apropriação de idéias, fluxos culturais, alianças e trocas fazem sentido, principalmente quando trabalhamos tanto com documentação variada como com os aspectos mais diversificados da experiência social. Assim, ao conferir importância às estratégias locais de grupos indígenas e a sua participação na formação da sociedade envolvente, seja como mestiços ou caboclos, pode-se indicar diferenças e desvios numa narrativa historiográfica que se prende unicamente a generalizações.

No entanto, Revel mostra que existem limites no que chamou de “individualismo metodológico”, já que é em relação a um conjunto social ou experiência coletiva que é preciso procurar definir as regras de constituição de funcionamento. Rebatendo a narrativa que tenta reconstituir a narrativa dos agentes sociais, o autor afirma que a linguagem dos atores que se estuda seja tomada como o indício mais amplo e mais profundo: “o de construção de identidades sociais plurais e plásticas que se opera por meio de uma rede cerrada de relações (de concorrência, de solidariedade, de aliança, etc.).” (Revel, 1998, p.25). E é essa operação que os micro-historiadores transformam em princípio epistemológico, já que é a partir dos comportamentos dos indivíduos que eles tentam reconstruir as modalidades de agregação (ou desagregação) social.

É dessa forma, que se trata de desnaturalizar os mecanismos de agregação e de associação, e opera-se com as modalidades relacionais que os tornam possíveis, recuperando as mediações existentes entre a “racionalidade individual e a identidade coletiva”. (Revel, 1998, p. 25). Esse é um caminho para evitar partir de definições pré-concebidas sobre uma população indígena estudada, passando a analisar a elaboração de sua identidade em situações históricas específicas e em relação com outros grupos sociais, tanto indígenas quanto não indígenas.

Ao aproximar História e Antropologia, passa-se a interpretar as trocas e mudanças contínuas que contribuíram para a elaboração de uma determinada identidade indígena e também na construção de espaços como aldeamentos e povoados próximos, que se tornaram cidades com base nas relações vivenciadas com esses núcleos missionários. Um estudo nesse sentido é o de Maria Regina Celestino de Almeida, que ao analisar vários aldeamentos indígenas no Rio de Janeiro no período colonial, afirma que

além das perdas culturais e étnicas, os índios aldeados puderem aprender ali [no aldeamento] novas práticas culturais e políticas que lhes permitiam colaborar e negociar com a sociedade colonial em busca das possíveis vantagens que sua condição lhes permitia. O projeto colonial estava em construção e os limites de possibilidades de sua realização dependiam das populações indígenas que, no contato com os europeus, aprenderam a manejar e manipular novos instrumentos em busca de seus interesses. (Almeida, 2003, p. 34.)

Nesse trecho, percebemos que as relações desiguais de força e poder permeavam a sociedade colonial e os índios em questão, uma vez que houve perdas materiais e simbólicas. Mas, a ênfase se desloca da oposição entre índios e colonizadores, para a das relações vividas que permitiram trocas e influências mútuas, imprescindíveis para a formação da colônia. Relações que se estenderam e se modificaram durante o período imperial, mesmo quando vários aldeamentos foram extintos, e que podem ser apreendidos como objetos de pesquisa de historiadores, uma vez que se parta dos modelos generalizantes, que afirmam o desaparecimento dessas populações, e siga em direção aos desvios e da análise do desenvolvimento de aldeias e cidades em suas relações.
NOTAS:
1. CERTEAU, Michel de. “Cap. II. A operação historiográfica” In A Escrita da História. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007. p. 81
2. Idem. p. 83.
3. Essa citação é referente ao capítulo II: História/Epistemologia, do livro “A memória, a história, o esquecimento”, que não foi selecionado como leitura do curso. No entanto, muitas das questões levantadas no capítulo levaram a algumas reflexões contidas nesse artigo, como a que será apresentada sobre a variação de escalas. Por isso, a necessidade de incluir trechos do capítulo II, que entendo como fundamentais para o desenvolvimento do presente texto.
4. Para o caso dos índios do Nordeste, ver OLIVEIRA, João Pacheco de. A Viagem da Volta: etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED, 2004.
5. Obras de referência sobre o tema: PUNTONI, Pedro. A Guerra dos Bárbaros. Povos indígenas e colonização do sertão. Nordeste do Brasil, 1650-1720. São Paulo: Hucitec – Edusp, 2002. PIRES, Maria Idalina. Guerra dos Bárbaros: resistência indígena e conflitos no Nordeste colonial. Recife: UFPE, 2002.
6. A Conquista da América: a questão do outro. 3ª. Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
7. “Etno-grafia. A oralidade ou o espaço do outro: Léry.” In A Escrita da História. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: Forense Univesitária, 2007.
DANTAS, Mariana Albuquerque. Possibilidades de escrita de uma história indígena. Rio de Janeiro: Revista Eletrônica Boletim do TEMPO, Ano 4, Nº32, Rio, 2009 [ISSN 1981-3384]

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O que foi a Guerrilha do Araguaia?

por Danilo Cezar Cabral

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Foi a tentativa de dissidentes do Partido Comunista do Brasil (PC do B) de organizar uma luta armada, a partir do campo, para enfrentar a ditadura militar que governava o Brasil em 1968. Na época, a censura barrava notícias e manifestações artísticas que o governo julgasse impróprias. Para piorar, pessoas que se opunham ao regime - ou consideradas uma ameaça - eram perseguidas, torturadas e até executadas. Quando o regime começou a endurecer ainda mais, alguns partidários da esquerda, inspirados pelo sucesso das revoluções chinesa, com Mao Tsé-tung, e cubana, com Che Guevara e Fidel Castro, começaram os planos para derrubar os milicos do poder. O primeiro passo era conquistar a população rural, alistando "soldados" para iniciar a revolução socialista no Brasil.

Guerrilha dos "farrapos"
Durante sete anos, quase cem guerrilheiros tentaram combater a ditadura no improviso

1. Em 1968, alguns líderes do PC do B, como Maurício Grabois e João Amazonas, se desligam do partido para formar grupos de resistência armada em regiões rurais

2. Os grupos se espalham próximos às margens do rio
Araguaia, onde hoje se juntam os estados do Pará, do Maranhão e de Tocantins. Paulistas, mineiros e gaúchos são maioria

3. A amizade é uma arma para conquistar o apoio dos camponeses. Outra estratégia é usar a profissão dos guerrilheiros - alguns deles eram médicos, por exemplo - para atender às necessidades locais

4. Os guerrilheiros, vindos da classe média alta, bancam as próprias armas. Sem treinamento militar prévio nem financiamento do partido, o arsenal se limita a facões, revólveres .38 e espingardas

5. Numa emboscada ao comunista Carlos Marighella, os militares descobrem documentos com pistas sobre a
guerrilha, confirmadas com a prisão e a tortura do ex-guerrilheiro Pedro Albuquerque

6. O Departamento de Inteligência e Repressão do Exército se infiltra nas comunidades do
Araguaia e compra informações dos camponeses, descobrindo paradeiro e identidade dos guerrilheiros

7. Até 1975, rolam três campanhas para detonar a
guerrilha. Após reconhecimento da área e coleta de informações, a segunda campanha vai à caça com tropas de operação em selva. Começa a onda de torturas, com destaque para um pau-de-arara melado

8. A captura de Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa) - um dos poucos treinados pelo Exército chinês -abala o moral dos guerrilheiros. O cara é morto em 1974 e tem o corpo amarrado a um helicóptero para ser exibido nos vilarejos

9. A Operação Marajoara vem para exterminar, com emboscadas pesadas de militares sem farda, muita tortura e execução - até de camponeses. O objetivo é identificar os poucos guerrilheiros que ainda resistem escondidos na mata

10. Oficiais cortam cabeça e mãos das vítimas e as enfiam em sacos que seguem para identificação pelo Exército. Segundo os militares, mais de 80 guerrilheiros morreram nas operações

11. Familiares e organizações de direitos humanos tentam, até hoje, localizar e identificar corpos de "desaparecidos". Dossiês e depoimentos de ex-militares envolvidos nas operações estão vindo à tona pela imprensa e pelo cinema.

Fonte: Mundo Estranho - O seu portal de perguntas e respostas!

Os Grego e a Democracia



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Nenhum povo do mundo antigo contribuiu tanto para a riqueza e a compreensão da Política, no seu sentido mais amplo, como o fizeram os gregos de outrora. Os nomes de Sócrates, Platão e Aristóteles, no campo da teoria, de Péricles e de Demóstenes na arte da oratória, estão presentes em qualquer estudo erudito que se faça a respeito e mesmo nos mais singelos manuais de divulgação.

Entendiam-na - a política - como uma ciência superior, determinante de qualquer organização social e com inquestionáveis reflexos sobre a vida dos indivíduos. Para Aristóteles era a arte de governar a cidade-estado (pólis). Por não conviverem com estados-nacionais, mas sim com organizações menores, as cidades, para os gregos, tornaram-se o objeto da sua maior atenção. Como nenhum outro povo, interessaram-se pela administração da coisa pública,


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Demóstenes (384-322 a.C.) e seu rival Ésquines (389-314 a.C.)

envolvendo-se nos intensos e acalorados debates políticos que afetavam a comunidade, manifestando extraordinária consciência sobre a importância e o significado da palavra eleutéria , entendida como liberdade e independência da cidade em relação a qualquer outro poder vindo de fora - num mundo cercado pelo despotismo e pela tirania. A sua contribuição não se confinou somente ao teórico, pois também legaram os grandes discursos de Demóstenes e de Ésquines que imortalizaram a oratória voltada para a ação..

A DEMOCRACIA

"Vivemos sob a forma de governo que não se baseia nas instituições de nossos vizinhos; ao contrário, servimos de modelo a alguns ao invés de imitar os outros. Seu nome, como tudo o que depende não de poucos mas da maioria, é democracia"

Péricles, Oração fúnebre, in Tucidides:
A Guerra do Peloponeso, Livro II, 37.

As origens da democracia


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Harmódio e Aristógiton, os tiranicidas, considerados heróis da democracia

Atenas, a mais próspera das cidades-estados da Grécia Ocidental, no decorrer do século IV a.C., estava sendo governada por um regime tirânico. Em 560 a.C. Pisístrato, um líder popular, havia tomado o poder por meio de um astucioso estratagema, tornando-se o homem-forte da pólis. Apesar da ilegalidade da sua ascensão, isso não o impediu de fazer uma administração que muito impulsionou a prosperidade e o bem-estar da capital da Ática. Seus filhos, Hípias e Hiparco, que o sucederam em 527 a. C., não tiveram o talento paterno para manter a fidelidade dos cidadãos. Em 514 a.C., Hiparco foi morto por dois jovens, Armódio e Aristógiton, que passaram a ser venerados como os tiranicidas. Sentindo a perda do prestígio do regime, Hípias fugiu de Atenas, refugiando-se num protetorado persa. A queda da tirania abriu caminho para que os dois partidos tradicionais da cidade, o dos ricos, chefiado por Iságoras, e o dos populares, liderado por Clístenes, passassem a disputar o controle de Atenas. Iságoras, apoiado pelo rei espartano Cleômenes, conseguiu desterrar Clístenes.

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Tucidides, historiador que registrou o discurso de Péricles

Mas o povo se sublevou e conseguiu trazer o líder de volta, dando-lhe plenos poderes para elaborar uma nova constituição. A tirania havia perseguido os partidários da aristocracia, enfraquecendo a nobreza urbana, criando-se assim as condições para a implantação de um regime novo. A monarquia, por sua vez, já fora abolida há muitos séculos e o título de rei (basileus) era mantido apenas por tradição. O regime oligárquico, por seu lado, também sucumbira à tirania de Pisístrato. Abriam-se as portas, depois da expulsão do descendente do tirano, para uma experiência inédita: o regime governado diretamente pelo povo, a democracia.


A constituição democrática

Com poderes delegados pelo povo como nomotheta, Clístenes implementou uma profunda reforma política que tinha como objetivo deslocar o poder das mãos dos nobres para as dos demos, palavra que significava não apenas povo, como também os bairros e comunidades habitados.

A antiga divisão política da cidade de Atenas estava baseada nas quatro tribos (filiai) formadoras originais da região, denominadas de guerreiros (Hoples), cultivadores (Geleôn), pastores (Aegicoros) e artesãos (Argadês), todas filhas de um mítico antepassado, Ion (daí vem a palavra jônico, que denomina o povo que habitava Atenas e as regiões vizinhas). Cada uma delas era chefiada por um patriarca, o filobasileus, que mantinha uma relação de domínio sobre seus integrantes, favorecia os membros da nobreza, os quais integravam o sistema das tribos e exerciam sua autoridade baseada na tradição.


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Deuses da pólis

Clístenes, em 502 a.C., desativou a divisão por tribos e reestruturou a cidade em uma outra, baseada em 10 demos que estavam distribuídos pelo interior, na cidade e no litoral. Considerava-se cidadão (thetes) qualquer ateniense maior de 18 anos que tivesse prestado serviço militar e que fosse homem livre. Da reforma em diante, os homens da cidade não usariam mais o nome da família, mas, sim, o do demos a que pertenciam. Manifestariam sua fidelidade não mais à família (gens) em que haviam nascido, mas à comunidade (demói) em que viviam, transferindo sua afeição de uma instância menor para uma maior. O objetivo do sistema era a participação de todos nos assuntos públicos, determinando que a representação popular se fizesse não por eleição, mas por sorteio.

A crítica à democracia


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A família, núcleo das instituições

Esse foi um dos aspectos da democracia ateniense que mais crítica sofreu por parte dos filósofos, especialmente de Sócrates e Platão. Eles não aceitavam que a nave do estado fosse conduzida aleatoriamente, ao sabor do acaso. Platão afirmava que adotar esse costume era o mesmo que realizar um sorteio entre os marinheiros, num mar escalpelado, para ver qual deles deveria ser o piloto a conduzir o timão para levar o barco a um porto seguro. Parecia-lhe evidente que se exigisse que mesmo as tarefas comuns fossem assumidas por profissionais, hoje diríamos técnicos; o estado só poderia ser dirigido por especialistas, pelos filósofos ou pelo rei-filósofo, como logo abaixo será exposto. O questionamento dele tornou-se, desde então, um tema clássico no debate político sobre quem deve reger o estado, a maioria ou somente os técnicos?

A igualdade


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A gora de Atenas

A base da democracia é a igualdade de todos os cidadãos. Igualdade perante a lei (isonomia), e igualdade de poder se pronunciar na assembléia (isagoria), quer dizer, direito à palavra. Essas duas liberdades são os pilares do novo regime, estendidos a ricos e pobres, a nobres e plebeus. O sistema de sorteio evitava, em parte, a formação de uma classe de políticos profissionais que atuassem de uma maneira separada do povo, procurando fazer com que qualquer um se sentisse apto a manejar os assuntos públicos, eliminado-se a alienação política dos indivíduos.

Procurava-se, com o exercício direto da participação, tornar o público coisa privada. Sob o ponto de vista grego, o cidadão que se negasse a participar dos assuntos públicos, em nome da sua privacidade, era moralmente condenado. Criticavam-no por sua apatia ou idiotia. Quem precisava de muros para se proteger era a comunidade, não as casas dos indivíduos.

O Conselho dos 500

Uma vez por ano, os demos sorteavam 50 cidadãos para se apresentarem no Conselho (Boulê) que governava a cidade em caráter permanente. Como eram 10 demos, ele denominava-se "Conselho dos 500". Entre estes 500 deputados eram sorteados 50 que formavam a pritania ou presidência do Conselho, responsável pela administração da cidade por 35 ou 36 dias. Cada demos era chamado, alternadamente, a responder pelos assuntos da pólis, durante um certo período. O Conselho determinava a pauta das discussões, bem como a convocação das assembléias gerais populares (a Ecclesia), que se realizavam duas vezes por semana.

A Ecclesia

A assembléia geral que reunia o povo inteiro não tinha um lugar fixo. A palavra ecclesia era utilizada para definir, genericamente, qualquer reunião para debater questões públicas, semelhante ao comício (comitiu) romano em sua forma original. Entretanto, em Atenas costumou-se fazer esses grandes encontros num lugar chamado Pnix, uma grande pedra que dominava uma colina, a qual comportava parte considerável dos cidadãos. Quando a ecclesia estava reunida, não só entravam na liça os problemas mais candentes da comunidade, como se escolhiam os magistrados eletivos. As funções executivas estavam divididas entre os magistrados sorteados e os escolhidos por voto popular. Eles eram responsáveis perante a ecclesia por todos os seus atos, podendo ser julgados por ela em caso de falta grave.

Os magistrados

As magistraturas eletivas concentravam maior prestígio. É o caso dos estrategos, que formavam uma espécie de estado-maior que reunia os comandantes militares que chefiavam os soldados de infantaria (hoplitas) em tempos de guerra. Cada estratego tinha que ser indicado (eleito diretamente) pelo seu demos e aprovado pela ecclesia. O comando supremo era entregue ao arconte-polemarco, chefe das forças armadas e virtual líder político da cidade. Explica-se a longa liderança de Péricles, por mais de 30 anos, de 460 a 429 a.C., como resultado de suas sucessivas reeleições para o cargo de estratego.


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A sota de Atenas, onde os sofistas e os filósofos atuavam

A segunda magistratura em importância era a dos juizes (arcontes) que formavam o Tribunal de Justiça (areópago), em número de nove. O título de rei (basileus), como já vimos, era mantido para o responsável pelo cerimonial religioso. A diferença entre as magistraturas escolhidas por sorteio das determinadas por voto é de que as primeiras não podiam ser reeleitas.

Os excluídos

Quem participava efetivamente da vida democrática da cidade de Atenas? Estimativas calculam que sua população, no apogeu da cidade, nos séculos V-IV a. C., dificilmente ultrapassava 400 mil habitantes [ 130 mil cidadãos (thètes), 120 mil estrangeiros (métoikion) e 120-130 mil escravos (andrapoda)]. A sociedade ateniense vivia em parte do trabalho dos escravos, sendo esses estrangeiros, visto que, desde os tempos das leis de Sólon (cerca de 594 a.C.), gregos não podiam escravizar gregos. Além dos escravos, tanto os públicos como os domésticos (oikétès) - ex-prisioneiros de guerra ou comprados nos mercados de escravos - excluídos da cidadania, contavam-se os estrangeiros (métoikion) e seus filhos, que igualmente não eram considerados cidadãos. As mulheres, independentemente da sua classe social ou origem familiar, encontravam-se afastadas da vida política. A grande parte da população, dessa forma, não participava dos destinos públicos, estimando-se que os direitos de cidadania estavam à disposição, no máximo, de 30-40 mil homens, mais ou menos um décimo da população total.

O ostracismo


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Sócrates, crítico e vítima da democracia

Uma típica instituição da democracia ateniense foi o ostracismo (ostrakón). Tratava-se da votação feita anualmente para excluir da vida política aquele indivíduo que fosse considerado uma ameaça às instituições democráticas. Consta ter sido Clístenes quem por primeiro se utilizou dele para banir da cidade velhos seguidores da tirania. Para o cidadão perder seus direitos políticos por 10 anos era necessário, entretanto, que seu nome fosse apontado, geralmente em pedaços de cerâmica, em eleições secretas por mais de 6.000 votos. Isso evitava que ele fosse vítima do capricho de um líder político que desejasse exilá-lo da comunidade. Pode-se considerar o ostracismo como uma prática civilizada, pois evitava-se executar o adversário político, sendo aplicado principalmente contra os chefes do partido aristocrático, que sempre conspiravam contra o bom funcionamento da democracia. Além do mais, não se tocava nos bens do atingido, comprometendo-se o estado a não causar nenhum dano a seus familiares, que ficavam sob sua proteção. Cumpridos os dez anos de exílio, ele podia retornar e assumir plenamente os seus direitos de cidadania.


Apogeu e crise da democracia


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Péricles, encarnação viva dos ideais da democracia

Como qualquer outro regime político, a democracia ateniense foi testada pelas guerras. Por duas vezes os gregos estiveram ameaçados de perder sua liberdade. A primeira deu-se quando uma expedição naval dos persas tentou desembarcar nas praias de Maratona, sendo derrotada pelo general ateniense Milcíades, em 490 a.C., e a segunda, quando os persas invadiram a Grécia sob o comando do rei Xerxes, em 480 a.C., sendo novamente derrotados nas batalhas de Salamina e Platéias, desta vez por Temístocles. A vitória de Atenas projetou-a como líder das cidades gregas, formando-se então uma simaquia, ou liga federada entre as polis, denominada de Liga de Delos (formada em 478 a.C. e extinta em 404 a.C.). Durante o trintênio de Péricles, também considerado como o período do seu apogeu, aproveitou-se dessa liderança para lançar mão dos recursos financeiros da Liga para embelezar a cidade, restaurando então o célebre templo do Pártenon (em honra à deusa Atena Pártenos, a protetora) em mármore e ouro. Isso serviu de motivo para que as demais cidades integrantes da Liga de Delos se sentissem lesadas, situação que terminou sendo explorada por Esparta, que liderou uma confederação contra os atenienses, levando-os a uma guerra desastrosa: a Guerra do Peloponeso.

Elfíades e Péricles


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Irene, paz e boa ordem

Dois líderes do partido democrático se destacam naquela época de esplendor: Elfíades e Péricles. O primeiro conseguiu reduzir o poder do Areópago ateniense (espécie de senado vitalício e símbolo do poder dos aristocratas) e o outro introduziu o pagamento em forma de subsídio a todo cidadão pobre que participasse das tarefas políticas das cidades, denominado de mistoforia (o misthos ecclesiastikós). Dessa forma, os de origem humilde, podiam ter sua atividade garantida nas assembléias, bem como exercer algumas das magistraturas. Essa prática desagradou profundamente os nobres e os ricos. Sócrates, que não tinha simpatias pela democracia, lamentava que as assembléias estivessem tomadas por sapateiros, carpinteiros, ferreiros, tendeiros e até vendedores ambulantes, o que fazia com que as pessoas de bom gosto e fortuna se afastassem da vida pública, abandonando o campo da política nas mãos dos demagogos e dos sicofantas (delatores profissionais).

A guerra do Peloponeso


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Aspasia, esposa de Péricles

Mas a verdadeira causa do declínio das instituições democráticas foi, como vimos, resultado da derrota ateniense, perante as forças espartanas na longa Guerra do Peloponeso (431 - 404 a.C.). A oligarquia tentou retomar o poder do meio do governo dos "Trinta tiranos", em 404-403 a.C., mas uma rebelião pró-democracia conseguiu restabelecê-la. Em 338 a.C. os atenienses sofreram um novo revés, dessa vez perante as forças do rei da Macedônia, Felipe II, e seu filho Alexandre, na batalha de Queronéia, fazendo com que a cidade terminasse por ser governada pelos sucessores (diádocos) macedônicos. Seu eclipse final ocorreu durante o domínio romano, quando a Grécia inteira se torna uma província do Império, a partir de 146 a.C.



O mito das virtudes democráticas

Platão, num dos seus diálogos, o Protágoras, ou os Sofistas, reproduz o seguinte mito, narrado pelo filósofo Protágoras a Sócrates, que duvidava ser a política uma atividade ao alcance de todos:


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Zeus distribuiu pudor e justiça a todos

"O homem, ao participar das qualidades divinas (a sabedoria das artes úteis e o domínio do fogo), foi primeiramente o único animal que honrou os deuses e se dedicou a construir altares e imagens das deidades: teve, além disso, a arte de emitir sons e palavras articuladas, inventou as habitações, os vestidos, o calçado, os meios de abrigar-se e os alimentos que nascem da terra. Apetrechados dessa maneira para a vida, os seres humanos viviam dispersos, sem que existisse nenhuma cidade; assim, pois, eram destruídos pelos animais, que sempre, em todas as partes, eram mais fortes do que eles, e seu engenho, suficiente para alimentá-los, seguia sendo impotente para a guerra contra os animais; a causa disso residia em que não possuíam a arte da política (Politike techne), da qual a arte da guerra é uma parte. Buscaram, pois, uma maneira de reunir-se e de fundar cidades para defender-se. Mas, uma vez reunidos, feriam-se mutuamente, por carecer da arte da política, de forma que começaram de novo a dispersar-se e a morrer.

Zeus lhes envia o pudor e a justiça

Então Zeus, preocupado ao ver nossa espécie ameaçada de desaparecimento, mandou Hermes trazer para os homens o pudor e a justiça (aidós e dikê), para que nas cidades houvesse harmonia e laços criadores de amizade. Hermes, pois, perguntou a Zeus de que maneira deveria dar aos humanos o pudor e a justiça: "Deverei distribuí-los como as demais artes? Estas se encontram distribuídas da seguinte forma: um só médico é suficiente para muitos profanos, o mesmo ocorre com os demais artesãos. Será essa a maneira pela qual deverei implantar a justiça e o pudor entre os humanos ou deverei distribuí-los entre todos?" "Entre todos", disse Zeus, que cada um tenha a sua parte nessas virtudes, já que se somente alguns as tivessem, as cidades não poderiam subsistir, pois neste caso não ocorre como nas demais artes; além disso, estabelecerás em meu nome esta lei, a saber: que todo homem incapaz de ter parte na justiça e no pudor deve ser condenado à morte, como uma praga da cidade." (PLATÃO "Protágoras ou os Sofistas" In: Obras Completas. Madri: Aguilar, 1974, pp. 168/9.)


Fonte:


1945, o maior naufrágio do mundo


O Wilhelm Gustloff
No inverno de 1945, bem no final da 2ª Guerra Mundial, um navio alemão que transportava milhares civis refugiados da guerra, o Wilhelm Gustloff, foi afundando por um submarino soviético nas águas do Mar Báltico. Quase todos os que estavam a bordo pereceram afogados ou devido a hipotermia provocada pela baixíssima temperatura do mar. O número de vítimas foi tamanho – é tido como o maior naufrágio civil do mundo - que superou em muito as do transatlântico Titanic, cujo afundamento ocorreu em 1912, sem porém que provocasse a mesma comoção.

Fuga pelo Báltico


“Matem! Matem!.. Usem a força e quebrem o orgulho racial dessas mulheres alemãs. Peguem-nas como legítimo botim. Avante como uma tempestade, galantes soldados do Exército Vermelho.”

Ilya Ehrenburg, jornalista soviético, 1945

Numa daquelas noites prussianas gélidas do Norte europeu, em 30 janeiro de 1945, com o termômetro marcando 10° abaixo de zero, o ex-cruzeiro de luxo alemão M/S Wilhelm Gustloff, de 25 mil toneladas - desde 1940 transformado em hospital flutuante - , deslocava-se apinhadíssimo de gente pelo Mar Báltico. Projetado para levar duas mil pessoas, carregava naquele momento mais de nove mil, a maioria mulheres e crianças que fugiam da invasão russa. O Exército Vermelho vinha , por assim dizer, nos calcanhares deles, seguindo a mesma rota que os seus antepassados mongóis, no século 13, usaram para atingir o Ocidente. Os que escapavam eram civis alemães que até então moravam na Prússia Oriental e nos Estados Bálticos que, apavorados, fugiam pelo Golfo de Danzig da vingança dos soviéticos. Organizaram para eles uma espécie de solução de emergência, recolhendo-os dos portos do leste da Alemanha para que alcançassem, por mar, as áreas mais seguras do Ocidente. Os que iam a bordo não tinha a mínima idéia que seriam os protagonistas da maior tragédia marítima de todos os tempos, quase superior seis vezes as vitimas do transatlântico Titanic, naufrágio ocorrido 32 anos antes (1.517 mortos).

O naufrágio

O naufrágio do W. Gustloff, janeiro de 1945
Quando haviam cumprido a metade do caminho, um pouco depois das 21 horas, três torpedos do submarino russo S-13 os atingiram. O Wilhelm Gustloff logo adernou. A multidão que se agarrava no convés começou a ser jogada na água. Outros, apavorados, saltavam diretamente lá do alto. A gritaria no convés era acompanha de tiros dos que preferiam suicidar-se ou atirar nos familiares antes. Os soldados feridos, imobilizados, despediam-se uns dos outros. Como distribuir os parcos botes salva-vidas para 9.343 passageiros, sendo que muitos deles estavam cobertos de gelo? O SOS foi lançado e aos poucos começaram a chegar os auxílios. Os faróis dos barcos e das lanchas de socorro vararam a noite inteira em busca de sinais de vida, enquanto corpos, milhares deles, vagavam sem destino em meio aos blocos de gelo, boiando salpicados de neve. Os que conseguiam ser resgatados estavam enregelados, as mãos azuladas e encarangadas e o olhar petrificado. Ao amanhecer as equipes de salvamento haviam retirado 1.239 náufragos ( outros reduzem-nos para 996) daquele horror. A situação só não foi pior porque eles estavam próximos ao litoral da Pomerânia, mesmo assim supõe-se que oito mil pereceram.
Os submarinos soviéticos continuaram por perto praticando a caça e, dez dias depois, afundaram o General von Steuben (3 mil mortos) e ainda, em 16 de abril de 1945, puseram a pique o Goya (cerca de 7 mil, a maioria soldados). Portanto, em matéria de matança de civis o M/S Wilhelm Gustloff, realmente empunhou a taça da desgraça.
Se bem que a operação de remoção do maior número possível de civis alemães orientais foi tida como um sucesso, pois conseguiram o translado de 2 milhões deles para fora da órbita soviética, a tragédia daquele barco de turismo adaptado para às pressas para a fuga, perdurou no tempo como um desastre que poderia ter sido evitado, não fosse o clima de revanche que embalava os soviéticos. Revanche que se estendeu para os maus tratos da grande parte da população civil do Leste da Alemanha, com ondas de estupros, pilhagens, saques, desordens, espancamentos e brutalização geral dos vencidos.

Um roteiro de atrocidades

Na época dizia-se que era merecido. Que os alemães haviam se portado do mesmo modo quando adentraram na URSS em 1941. Quem começou a reverter esta opinião entre eles, foi Alexander Soljenitsine.
Cada vez mais furioso com o regime comunista, Soljenitsine que fez parte das tropas de ocupação – era oficial de artilharia - pessoalmente testemunhou as atrocidades que seus conterrâneos haviam cometido. Envergonhado, acabou por denunciar aqueles horrores num longo poema intitulado Prosskie Nochi (Noites Prussianas, 120 páginas, 1974), revelando à opinião pública da então URSS, o que de fato acontecera na Alemanha naqueles meses de conquista e ocupação, quando pelotões inteiros de soldados russos submetiam as alemãs, dos oito aos sessenta anos, a estupros coletivos, cortando o pescoço daquelas que resistiam ou se lhes opunham. Ele acreditou que tudo aquilo decorreu, que deu-se tal roteiro de atrocidades, devido os comunistas “ terem afastado a Rússia de Deus”, retirando do soldado raso, dos Ivans que passaram a acampar na Alemanha, qualquer sentimento de piedade ou compaixão para com os derrotados. Ao contrário, incitou-os aos barbarismos a pretexto de estarem lutando contra o decadente mundo burguês em sua forma fascista.

Fonte:

Escravidão Indígena

escravidão indígena era iniciada através do aprisionamento de nativos pelos colonizadores. Os colonizadores forçavam os índios a trabalhar na lavoura, na extração de recursos naturais e em atividades domésticas.

Havia também a venda de indígenas capturados, principalmente durante um conflito entre tribos, quando a tribo vencedora entregava os derrotados para as mãos dos colonizadores.

A escravidão indígena não beneficiava em grande escala a metrópole portuguesa, somente em nível local aos colonizadores. Este foi um dos fatores para a implantação da escravidão do africano no Brasil.

Muitos indígenas não resistiam, morriam por suicídio ou pelo esforço do trabalho forçado. Em suma, houve três maneiras de inserir o índio no processo de colonização:

- Captura e escravidão forçada;
- Aculturação e destribalização;
- Integração do indígena como trabalhador assalariado.

A Coroa Portuguesa considerava o índio como um súdito, o que legalmente não permitia que o índio fosse considerado escravo. Mas, por necessidades mercadológicas para a produção do açúcar, quando os colonos não tinham condições de comprar escravos africanos, a força escrava do índio era utilizada.

O apogeu do trabalho escravo dos nativos ocorrera entre 1540 a 1570, principalmente nos atuais estados de Pernambuco e Bahia. A partir de 1570, a Coroa Portuguesa pretendeu criar legislação para proibir a escravização indígena, porém permitindo brechas legais para a sua utilização.


Fontes:
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/esc_indigena.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Escravidão_no_Brasil

Lutero e o pensamento político da Reforma protestante.

A obra de Lutero Von weltlicher Oberkeit wie weit man ihr Gehorsam schuldig sei de 1523 é, talvez, a sua mais detalhada exposição das ideias políticas e que, como o título indica, lida com a autoridade temporal. Em alguns territórios alemães (Meissen e Baviera por exemplo) fora proibida a tradução do Novo Testamento e as pessoas intimadas a entregar os exemplares que possuíam. Nela o autor aconselha os seus fiéis a desobedecer às leis e a sofrer como os mártires. Para se justificar expõe a doutrina da instituição divina da autoridade temporal e a obrigação do cristão em desobedecer civilmente se a autoridade prevaricasse. A argumentação parte de Romanos,13,1 e segs., epístola endereçada a uma comunidade romano-cristã, vivendo sob autoridades pagãs, e a que um pouco de ordem nas suas más inclinações e atitudes apenas faria bem. No Apelo de 1520, considerara, em continuidade com a tradição medieval, que a função governamental se tornara uma das funções carismáticas do corpo místico; o estado cristão coincidia com a nação; a nobreza alemã podia ser chamada para levar a cabo a reforma nacional-cristã. As ideias de 1520 eram ainda reforma. Três anos depois tudo mudara. A individualização da experiência religiosa destruíra o equilíbrio entre os poderes carismáticos temporal e espiritual. O governante é um não-cristão que persegue os bons cristãos luteranos. Deve invocar-se a nova autoridade espiritual contra o poder temporal que se tornou não-cristão. Os fiéis devem seguir a Bíblia contra a Igreja e seus concílios. O poder espiritual tornara-se o Anticristo, o temporal era tirânico, o indivíduo estava entregue a si próprio. Situação insuportável? Mas levou mais de 100 anos a ser estabilizada. Neste sentido, 1523 é o fim da Idade Média.

Ao destruir-se o equilíbrio entre autoridades institucionais espiritual e temporal, todos os homens pertencem quer ao Reich Gottes (os fiéis) quer ao Reich der Welt cuja espada pune os actos malvados. Os cristãos não carecem da espada porque vivem em paz; mas devem respeitar o poder da espada porque é útil ao seu próximo. E assim é possível satisfazer dois senhorios, o reino de Deus e o reino do Mundo. Infelizmente não é fácil satisfazer a dois senhores. A civitas Dei e a civitas terrena de Agostinho não são reinos no tempo. Na história concreta existe Igreja e império. A Igreja representa a Civitas Dei mas boa parte dos seus membros pertencem à civitas terrena. A salvação é um dom divino imperscrutável. Lutero regressa ao significado de Tyconius. A ideia de Igreja é destruída pela doutrina que só a fé salva. Ser cristão é comprar a Bíblia de Lutero e seguir a consciência. A civitas dei torna-se demasiado fácil e visível. Ora a consciência de ser bom Cristão é muito fácil de surgir. Se aparece alguém que se considera bom cristão e que só pratica iniquidades que se lhe pode responder ? E se for um movimento de massas que pedem a abolição da autoridade temporal porque o reino de deus já chegou ? Poderiam sobrevir abusos da liberdade evangélica. A solução era remeter os abusadores para o redil do governo temporal. Mas se o governo temporal age mal ? Se interfere com os cristãos e os proíbe de ler as Bíblias que Lutero traduzira ? Deverá o cristão então resistir ? Em resumo, não há solução.

Quando a ordem institucional destruída fica à mercê do decisisonismo da consciência individual é a guerra de todos contra todos. A nova ordem terá que ser imposta às consciências rebeldes. Esta é origem da razão de estado, aceite pelas Igrejas. Mas de momento é só o princípio. A liberdade evangélica significava, por exemplo, o que vinha no III dos Doze Artigos dos servos camponeses revoltados (1525) um documento de inegável grandeza humana: «Tem sido costume até agora que os homens nos possuam como sua propriedade; e isto é lamentável vendo que Cristo nos redimiu a todos com o precioso derramamento do seu sangue, aos humildes bem como aos grandes, sem excepção de ninguém. Portanto é conforme às Escrituras que sejamos livres e assim o queremos ser». Que respondeu Lutero ? «Isto é tornar a liberdade cristã uma realidade totalmente carnal. Não tiveram também escravos Abraão e outros patriarcas ?.Este artigo tornaria todos os homens iguais e converteria o reino espiritual de Cristo num reino mundano e externo; e isso é impossível porque um reino mundano não pode ficar em pé a menos que nele exista a desigualdade, de modo a que uns sejam livres, outros presos, uns senhores e outros súbditos». Os camponeses não o escutaram, seguiram outra interpretação das Escrituras e o seu coração tomou a decisão da revolução social violenta. Em 1523 aconselhara no escrito Von weltlicher Oberkeit: «A heresia é um assunto espiritual que não pode ser cortado com o ferro, queimado com o fogo ou afogado em água». Em 1525 pediu aos nobres e aos cavaleiros para massacrar os heréticos. Os cavaleiros não se fizeram rogados. Foi o fim do sonho da Reforma através da palavra. Lutero viveu ainda 20 anos. Mas nada mais tinha para dizer. Em cerca de oito anos criara ideias decisivas para o decurso da história da consciência moderna e perante as quais o cisma Protestante é quase secundário.

Destruíra o núcleo da cultura espiritual cristã ao atacar a doutrina da fides caritate formata. Reduzira a fé a um acto de confiança ao retirar-lhe a intimidade da graça, sempre exposta às tentações do orgulho e da soberba. A consciência empírica da justificação pela fé cria uma ruptura na natureza humana.

Destruíra a cultura intelectual ocidental ao atacar a Escolástica aristotélica. Se o esplendor medieval foi escurecido pelas lentes torpes dos modernos, parte da responsabilidade deve-se a Lutero. A sua atitude anti-filosófica criou o padrão depois agravado por sucessivas gerações de intelectuais Iluministas, positivistas, marxistas e liberais.

A justificação sola fide arruina o equilíbrio da existência humana. A ideia do paraíso de amor industrioso transferiu a ênfase da vita contemplativa para a ideia de realização humana através de um trabalho e de um serviço útil. O homem confia em Deus; depois vai à vida. No nosso tempo, esta atrofia da cultura intelectual e espiritual degenera no pragmatismo do sucesso.

Fala-se de Lutero como de alguém que possuía as virtudes e os vícios típicos do alemão. Mas se pensarmos, para só referir teólogos, em Alberto Magno, Eckhardt, Tauler, Nicolau de Cusa e o anónimo de Frankfurt, então ele nada tinha de germânico. Criou certamente um tipo humano: o revoltado voluntarista que deseja impor a sua razão como o centro da ordem institucional.

A sua obra é a manifestação de uma personalidade bizarra cuja força vital o faz romper com a história e lançar-se sozinho contra o mundo. O seu apelo à acção directa contrasta com o contemptus vulgi de Maquiavel, o ascetismo e a pleonexia do intelectual de Erasmo e a ironia jocosa e amargura diplomática de Moro. Perante a força dramática da vontade luterana de violentar o juízo da história, tais autores fazem figuras de pobres revoltados. Força, porém, não é sinónimo de grandeza e não se pode pensar à maneira dos liberais do séc XIX que o sucesso seja sinal de valor. O grande indivíduo é um sintoma da ruptura da civilização. Por outro lado, os críticos de Lutero costumam ver a desordem espiritual e as carências do seu temperamento mas esquecem a degradação das tradições por acção de instituições e pessoas que já quase só representavam os defeitos. Ora as revoluções só se desencadeiam se houver condições de resposta das massas. No início da Reforma, a tradição degradara-se a tal ponto que um número cada vez maior de pessoas se sentia desligada de qualquer corpo místico. O indivíduo estava disponível para a violência renovadora. Entre os aspectos mais negativos da acção de Lutero conta-se a irresponsabilidade do apelo à autonomia de interpretação das escrituras e ao homo spiritualis. Faltava-lhe intuição intelectual e imaginação para ver as consequências. Mas esta deficiência que o cegava na teoria, robustecia a capacidade de agir; não entendia os enormes obstáculos iria criar. No aspecto positivo, era um observador excepcional e um talento administrativo. Conhecia os males do seu povo; tinha a moralidade e o bom senso de os aconselhar a diminuir as suas dependências; estimava os seus compatriotas: e conhecia perfeitamente o animal em que o homem se transforma se não for vigiado. Tinha todos os requisitos para ser um bom ministro num estado social-democrata. Mas passou à história convencional como o reformador da religião cristã.

Eric Voegelin

in História das Ideias Políticas, vol. III : Idade Moderna, De Erasmo a Nietzsche,tradução e abreviação de Mendo Castro Henriques, Lisboa, Ática, 1996

Fonte:

Orientações sobre o estudo da matéria de História.

Grande parte da aprendizagem e do estudo de História depende da leitura de textos. Compreender as informações de um texto, seja ele um artigo de jornal, de revista, capítulos de livros ou questões de provas, não depende apenas da capacidade de decifrar as palavras, pois, embora cada palavra tenha seu significado, o conjunto de palavras que formam uma frase representam uma idéia e aprender pela leitura é compreender as idéias expressas nas frases.

Para se fazer uma boa leitura de textos de História é necessário interesse e disposição, portanto faça uma primeira leitura lenta e atenciosa do texto inteiro, obedecendo a regras de pontuação (vírgulas, pontos, etc.). Nessa leitura, assinale a lápis as palavras que você desconhece e procure o seu significado no dicionário, anotando-o no próprio livro. Depois de decifrar as partes incompreensíveis do texto, faça uma releitura, detendo-se em cada parágrafo, até que o sentido de todas as frases fique perfeitamente claro. As ilustrações e mapas que aparecem nos textos também merecem a sua atenção. Quando o texto apresentar uma ilustração ou um mapa, observe atentamente todos os seus detalhes, leia as legendas e procure relacioná-los. Nunca deixe parte do texto sem compreensão! Se houver algum trecho que você não conseguiu compreender claramente, apresente sua dúvida ao professor durante as aulas.

Estes procedimentos irão auxiliá-lo a realizar boas leituras, no entanto é importante frisar que não existem receitas para interpretar, pois a capacidade de interpretar está intimamente relacionada com a capacidade de leitura, ou seja, aquele que lê constantemente e de maneira correta interpreta com mais acerto. Ler constantemente é também ler variadamente. Os livros escolares (didáticos ou não) são apenas uma possibilidade de leitura.

É necessário ler jornais, revistas, artigos variados, enfim adquirir o hábito de leitura. De qualquer maneira, ler só se aprende lendo e o mesmo vale para escrever, pois o ato de escrever também está relacionado com o ato de ler. Por sua vez, escrever é também uma questão de prática. Um aluno(a) que resolve os exercícios propostos sempre copiando trechos dos livros certamente encontrará dificuldades para responder as questões das provas.

Por falar em provas, temos aí uma questão delicada, pois em História, como você deve ter observado, as questões são bastante variadas em sua forma. Se essa variedade visa oferecer a você a possibilidade de manifestar a sua aprendizagem de maneira também variada, é preciso que você identifique com segurança o que as questões exigem como respostas. Digo isso porque tenho observado que a maior parte das dificuldades têm origem em simples enganos, ou seja, na falta de compreensão do que é solicitado nas questões. E isso, logicamente, também é uma questão de interpretação. Por exemplo: se em uma questão for pedido para que você explique os fatores que deram origem a uma rebelião qualquer, não será totalmente correto você apenas citar tais fatores; porque explicar é uma coisa e citar é outra.

Sendo assim, seguem abaixo algumas expressões que aparecem freqüentemente nas provas de História. Suas definições foram retiradas de dicionários e, portanto, além destas que você encontrará aqui, existem centenas de outras expressões que você mesmo(a) pode e deve pesquisar.

A) Citar: é mencionar o nome de algo; é fazer referência a algo; é mencionar algo como exemplo.

==> Quando a questão pede para que você cite, não há necessidade de explicar, comentar ou justificar. Apenas cite.

B) Denominar: é pôr nome em algo; é indicar pelo nome; é nomear algo.

==> Como ocorre com a expressão acima (citar), não se deve entrar em detalhes explicativos. Apenas denomine.

C) Justificar: é a ação de dar uma causa, uma razão, um motivo para alguma coisa; é dar uma justificativa para uma coisa que está sendo afirmada ou negada; é demonstrar, provar ou fundamentar o que é apresentado.

==> Contrariamente ao que se faz em questões em que se pede citações ou denominações, aqui você deve ser mais cuidadoso(a) e redigir uma resposta coerente, verificando se você demonstrou e deu sentido ao que está sendo afirmado ou mesmo negado. Obs: No geral uma questão em que se pede para justificar é sempre precedida de uma afirmação ou negação sobre algo.

D) Explicar: é dar a razão de alguma coisa; é dar a razão de uma atitude; é expor por que tal coisa acontece ou aconteceu daquela maneira.

==> Nesse caso você também deve redigir uma resposta bem elaborada, dando conta de deixar bem claro os "comos" e "porquês" de tal situação, dependendo do que se pede para explicar. Note que não é para citar ou denominar fatos ou acontecimentos.

E) Relacionar: é estabelecer e/ou apresentar uma ligação, uma vinculação, uma semelhança entre uma coisa e outra coisa. . pode ser também estabelecer uma relação entre coisas diferentes, ou seja, confrontar.

==> Observe que em uma questão que você precise relacionar, serão apresentados os fatos para que você relacione, pois não se relaciona uma coisa com ela mesma. Aqui não se pode fazer apenas a explicação de uma coisa, menos ainda uma citação.

F) Transcrever: é reproduzir; é copiar textualmente; é copiar parte de um texto.

==> Em geral, questões desse tipo, são acrescentadas de outras questões em que se pedem para explicar o que foi transcrito.

G) Caracterizar: é dizer no que aquilo é distinto de outra coisa; é dar as características próprias de algo.

==> Nesse caso caracterizar algo é mostrar os aspectos próprios desse algo.

H) Comentar: é falar sobre alguma coisa; é conversar (escrever) acerca de tal fato ou acontecimento.

==> São questões mais abrangentes onde você tem liberdade de argumentar sobre o que se pede, sem contudo fugir ao tema que lhe é proposto.

I) Explicitar: é tornar algo explicado.

==> Corresponde a dar uma explicação e portanto é igual ao item D.

O momento de fazer uma prova de História é apenas mais um momento da sua atividade de estudante, portanto a leitura atenciosa das questões e a calma e tranqüilidade no ato de respondê-las são importantes para o seu sucesso, que ocorrerá, com certeza, se você estiver sempre atento às instruções que lhe são oferecidas. Não se esqueça de que tudo aquilo que escrevemos merece ser lido primeiramente por nós mesmos, de forma que possamos corrigir os possíveis erros gramaticais e para nos certificarmos de que as nossas respostas têm sentido e coerência.

Por fim, você deve evitar o grande erro de acumular tudo para "estudar" um dia antes da prova. A prova é apenas um instrumento para avaliar o seu desempenho na disciplina e, para obter um bom resultado, tudo dependerá de como você procedeu durante todo o período de estudos. Por exemplo:

*Você faz a leitura do capítulo indicado antes da aula?

* Presta atenção às aulas e procura participar das discussões?

*Realiza os exercícios sugeridos pelo professor?

*Procura esclarecer suas dúvidas?

* Faz uma revisão da matéria antes da prova (anotações de aula, resumo de capítulos, questões, releitura de textos, etc.)


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Dia da Proclamação da República


Deodoro da Fonseca

Em 15 de novembro comemoramos a instalação da República no Brasil, uma forma de governo na qual o povo exerce a sua soberania por meio da escolha do chefe da nação. Sem dúvidas, este foi um capítulo muito importante na história do Brasil, já que hoje vivemos em um regime democrático. Que tal lembrarmos como tudo isso aconteceu?

Antes de se tornar uma República, o Brasil era um Império. Em outras palavras, éramos independentes de Portugal, entretanto, todas as decisões eram tomadas de forma unilateral pelo imperador, D. Pedro II. A monarquia começou a ficar enfraquecida no fim do século XIX, período em que o Brasil passava por uma série de mudanças sociais e econômicas.

Com o fim da escravidão, o Império perdeu o importante apoio dos escravocratas, uma vez que os republicanos (aqueles que queriam acabar com a monarquia) compartilhavam os mesmos ideais dos abolicionistas. D.Pedro II também perdeu o apoio fundamental da Igreja ao interferir em assuntos religiosos. Os militares estavam descontentes pela atitude do imperador de proibir os mesmos de se expressarem na imprensa. Por fim, a classe média (jornalistas, médicos, comerciantes, etc.), que estava em constante crescimento, desejava conquistar um espaço maior nas decisões políticas. Todos estes fatores foram fundamentais para o fim das bases de sustentação da monarquia no Brasil.

Em 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca declarou o fim do período imperial. Naquele mesmo dia se formou um governo provisório. Assim, o marechal se tornou o primeiro presidente da história do Brasil. Ciente de que não conseguiria de forma alguma reverter tal situação, D. Pedro II apenas aceitou a vontade do povo e retornou para Portugal.

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AS ARTES NO BRASIL IMPERIAL

José de Alencar e Carlos Gomes foram alguns dos expoentes da arte no Brasil do século XIX.
Respirando os ares das revoluções e do nacionalismo, o Brasil do século XIX esteve marcado pelo interesse em se pensar a “nação brasileira”. Artistas e intelectuais realizavam a busca por elementos de identidade em uma época na qual as modas parisienses eram abraçadas pelas elites. Nesse sentido, a europeização teve grande influência para que a produção literária, a pintura e a música ganhassem espaço entre um pequeno universo de pessoas instruídas no Brasil.

Na
literatura, Gonçalves Dias e José de Alencar se aventuravam pelo romantismo com a construção de heróis indígenas que se tornavam grandes símbolos da nação. Ao mesmo tempo, nessa mesma tendência de construção identitária, poetas como Castro Alves proporcionavam versos que combinavam qualidade estética e a denúncia aos horrores que se ligavam à escravidão. Com isso, o índio e o negro eram abraçados como importantes formadores de nossa gente.

Apontando ainda para o afrancesamento dos costumes, vemos que a população alfabetizada também consumiria o romance de folhetim. Nele encontramos histórias de
amores impossíveis que alimentavam a imaginação de várias jovens educadas para uma vida de submissão. No fim desse século, o realismo promoveu uma guinada buscando realizar uma descrição menos fantasiosa e mais racional do mundo. Entre os vários ícones desse momento, destacamos a valorosa obra de Machado de Assis.

Na cena musical, o Brasil teve um grande instante de notoriedade com o frisson causado pela ópera “O Guarani”. Carlos Gomes, autor da obra, se inspirou na obra homônima de José de Alencar para exercitar o conhecimento musical erudito acumulado nos anos em que estudou na Itália. Nos nascentes centros urbanos, já podemos vislumbrar o diálogo entre os ditames da música clássica e popular nas obras de Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga, com suas marchinhas carnavalescas geniais.

Nas artes plásticas, a Academia Imperial de Belas-Artes foi um passo significativo para que os pintores nacionais ganhassem mais espaço. Até então, uma boa parte dos quadros que tematizavam a nação era fruto de missões artísticas estrangeiras. Na época, podemos grifar o legado dos pintores Vítor Meireles, Pedro Américo e Almeida Júnior. Em geral, vemos nesses quadros a representação de cenas históricas e políticas, bem como a das figuras típicas da população urbana e caipira.

A variedade de manifestações artísticas dessa época poderia ser vista como um desdobramento significativo da prosperidade material alcançada pela economia cafeeira. O crescimento dos centros urbanos e a disseminação das instituições de ensino, apesar de sua ação restrita, moldavam um novo momento para o estado das artes. Com o passar do tempo, esses vários braços da arte brasileira experimentaram outras possibilidades que trouxeram à tona outros talentos e outros contextos da história nacional.

Fonte: Mundo Educação

O HOMEM E SUA LOCALIZAÇÃO

Do mapa ao GPS: os avanços nos meios de localização do homem.
Desde muito tempo, os homens se preocupam em coletar informações que possibilitem organizar a sua ocupação e localização no espaço. Já na Antiguidade, os navegadores faziam uso dos faróis para obterem informações sobre a sua posição nas águas. Por volta de 6200 a.C., um esboço de mapa encontrado na Turquia ganhou o status de mais antigo mapa já produzido. Apesar do achado, alguns especialistas acreditam que a cartografia seja um legado egípcio, com cerca de quatro mil anos de existência.

No século IV a.C., os chineses experimentaram a utilização de um globo que ajudava na navegação através da posição dos astros e a utilização de meridianos. Paralelo a esse
curioso invento, os matemáticos gregos produziam mapas que exploravam os territórios da Eurásia e um mapa do sistema solar em que astros e planetas eram organizados em esferas concêntricas. No século seguinte, os árabes apresentaram ao Oriente a bússola como outro útil instrumento de orientação.

Passados vários séculos, os anos de 1500 aparecem como um tempo em que a cartografia e os instrumentos de orientação passam por um verdadeiro “boom”. Nessa época, graças à expansão marítimo-comercial europeia, o astrolábio marítimo aprimorou o desenvolvimento de várias rotas comerciais. Em 1569, Gerhard Kremer (também conhecido como Gerardus Mercatus) realizou a projeção cartográfica do globo terrestre com o uso de dezoito folhas impressas.

Seguindo essa trilha de instrumentos, o sextante apareceu no século XVIII para facilitar as projeções de distância. Realizando um cálculo proporcional entre o tamanho do astro celestial e seu reflexo nas águas, passou a ser possível determinar as milhas de uma viagem. No século seguinte, o giroscópio, um tipo de bússola mais complexa, abriu portas para que o posicionamento de aeronaves fosse possível no século posterior.

Por volta da década de 1960, o departamento de defesa norte-americano idealizou o chamado Global Positioning System, mais popularmente conhecido como G.P.S. . Através do aparelho se tornou possível identificar em tempo real as condições atmosféricas e o posicionamento de alguém. Para tanto, fazia-se necessário aprimorar a quantidade e o envio de informações a ser realizado pelos satélites espaciais. Atualmente, graças à internet, o GPS se tornou uma ferramenta disponível para todo e qualquer motorista.
Fonte: Mundo Educaçã

Lech Wałęsa


Lech Wałęsa Nobel prize medal.svg
Lech Wałęsa
Presidente da Polónia Polónia
Mandato:22 de dezembro de 1990 - 22 de dezembro de 1995
Precedido por:Wojciech Jaruzelski
Sucedido por:Aleksander Kwasniewski
Nascimento:29 de Setembro de 1943 (66 anos)
Popowo, Polônia
Primeira-dama:Danuta Wałęsa
Profissão:eletricitário, sindicalista e político

Lech Wałęsa GColIH, (Popowo, 29 de Setembro de 1943) é um político polonês e ativista dosDireitos Humanos. Foi um dos fundadores do sindicato Solidarność (Solidariedade) e o primeiro presidente da Polônia após a derrocada do Comunismo. Agraciado com o Nobel da Paz de 1983.

Em 1967 começou a trabalhar como electricista, no estaleiro naval de Gdansk, onde assistiu à repressão de manifestações operárias pela força das armas. Estes acontecimentos trágicos levaram-no a lutar pela constituição de sindicatos livres no país.

Wałęsa tornar-se-ia, com efeito, fundador e líder do Solidariedade, a organização sindical independente do Partido Comunista que obteve importantes concessões políticas e económicas do Governo polonês em 1980-1981, sendo nessa altura ilegalizado e passando à clandestinidade.

Em 1980, Wałęsa liderou o movimento grevista dos trabalhadores do estaleiro de Gdansk, cerca de 17 000 que protestavam contra a carestia de vida e as difíceis condições de trabalho. A greve alargou-se rapidamente a outras empresas.

Com dificuldade, as reivindicações dos trabalhadores acabaram por ser concedidas. As reivindicações sociais dos trabalhadores tomaram consequências claramente políticas quando foi assinado um acordo que lhes garantia o direito de se organizarem livremente, bem como a garantia da liberdade política, de expressão e de religião.

O facto de ter liderado as paralisações dos grevistas e de ser católico deu a Wałęsa uma grande base de apoio popular, mas os seus ganhos tiveram um carácter efémero ante a resistência do regime. Em Dezembro de 1981 o Governo impôs a lei marcial, o Solidariedade foi considerado ilegal e a maioria dos líderes foram presos, incluindo Wałęsa.

O país passou a ser governado pelo general Wojciech Jaruzelski. A agitação operária continuou, embora de forma mais contida. Wałęsa só seria libertado em 1982. Um ano depois era-lhe atribuído o Nobel da Paz, facto que motivou críticas do governo polonês.

O Solidariedade saiu da clandestinidade após negociações com o Governo em 1988-1989, assim como outras organizações sindicais. Com o desmoronamento do Bloco de Leste e a liberalização democrática do regime, ficou consagrada a realização de eleições livres.

Em Dezembro de 1990 Wałęsa foi eleito presidente. Em