6.4.11

Investigações no subsolo reescrevem história de Stonehenge

Arqueologia
Investigações no subsolo reescrevem história de Stonehenge
Novas evidências indicam que o grande círculo de pedra teria sido parte de uma paisagem cerimonial muito maior.
Veja a matéria na íntegra na edição nº 107 - abril/2011 da revista Scientific American Brasil. Já nas bancas

Onde ficava a Atlântida?

O continente perdido já foi "encontrado" no mundo inteiro, mas era só uma metáfora sobre a soberba

por Emiliano Urbim

A não ser que você esteja pensando na praia de Atlântida, que ficava e ainda fica a 130 quilômetros de Porto Alegre, a resposta é: lugar nenhum. Após séculos de especulações, o consenso atual é de que o continente submerso descrito por Platão (428-348 a.C.) é tão real quando Patópolis. Tudo que o filósofo grego fez foi criar uma fábula sobre a soberba.

Resumindo a história contada em Timeu e Crítias, há milhares de anos havia no meio do oceano Atlântico uma ilha gigante, praticamente um continente, na qual vivia uma civilização muito avançada e poderosa, que dominou grande parte da África e da Ásia. Após uma tentativa fracassada de invadir Atenas,Atlântida afundou "em um único dia e noite de infortúnio". Moral da história: quanto maior a altura, maior a queda. Até a Idade Média, todo mundo parecia ter entendido a brincadeira. No entanto, quando chegaram as GrandesNavegações e os europeus passaram a descobrir continentes inteiros, surgiu a questão: e se Platão estivesse falando sério?

Desde então, não há um oceano onde a ilha não tenha sido "localizada", inclusive em locais com os quais os gregos nem sonhavam, como o Altiplano Boliviano, a Indonésia e a Antártida. Mas nenhuma dessas teorias tem fundamento algum.

É até possível que Platão tenha se inspirado em desastres naturais e conflitos internacionais do seu tempo, mas só usou essas referências para fazer ficção filosófica. Como escreveu o próprio Platão no livro que conta a história que deu origem ao mito todo: "O grande desafio é achar um conto que sirva ao nosso propósito".

Fonte:Superinteressante

Guerra Romano-Sassânida

Por Antonio Gasparetto Junior
A Guerra Romano-Sassânida colocou em confronto o Império Romano do Oriente e o Império Sassânida nos anos de 421 e 422.

O Império Romano do Oriente também enfrentou diversos conflitos, assim como o Império Romano do Ocidente. A partir do ano 421 as divergências estiveram ligadas com o Império dos Sassânidas, que era um império persa pré-islâmico localizado no Oriente, por causa da ascensão de Bahram V que sucedeu seu assassinado pai no trono do reino. O novo imperador deu início a uma caça aos cristãos, matando milhares deles.

A alternativa encontrada pelos perseguidos cristãos foi buscar ajuda com o bispo de Constantinopla tentando conseguir alguma proteção contra a perseguição que os aniquilava. Na época era Teodósio II o imperador do Império Romano do Oriente que, possuidor de uma grande fé no cristianismo, passou a oferecer a ajuda necessária para seus irmãos de religião. Mas o embate entre os romanos do Oriente e os sassânidas não estava reduzido apenas a uma questão de perseguição religiosa, houve outros tipos de atritos que influenciaram para um conflito. Os persas haviam apreendido as propriedades de mercadores romanos e também se recusavam a devolver escravos romanos que haviam sido contratados para trabalharem na extração de ouro, fatos que incomodavam muito os romanos. Até então havia uma relação de relativa paz entre os dois povos, mas os romanos decidiram declarar e oficializar uma guerra entre eles.

A Guerra Romano-Sassânidas estabeleceu um conflito entre os dois povos. O comandante romano reuniu várias tropas para enfrentar os sassânidas contando, inclusive, com a ajuda de bárbaros, especialmente os ostrogodos. Com um exército romano formado, Ardabur, que comandava os romanos, adentrou no território persa e devastou a região de Arzanene. Naturalmente, os sassânidas revidaram aos ataques através da liderança exercida porNarses. Este deslocou suas tropas contra o comandante romano na batalha, mas acabou derrotado e teve de recuar. O comando romano de Ardabur foi muito bem desenvolvendo, prevendo os ataques dos inimigos sassânidas, o que permitiu uma seqüência de vitórias.

Com o avanço das tropas romanas e o cerco causado aos sassânidas, o líder deste povo, Barham, se aliou com os árabes. Entretanto, mais uma vez, os romanos conseguiram dispersar os inimigos. O revés aconteceu quando o rei dos hunos ameaçou Constantinopla e enviou um grande exército para frente de batalha onde estavam em combate os romanos e os sassânidas. Com o intuito de evitar uma guerra em duas frentes, o líder romano se viu obrigado a recuar.

A Guerra Romano-Sassânida que começou no ano 421 chegou ao fim no ano seguinte através de um tratado de paz que foi negociado. Na verdade, a situação voltou a ser como a existente antes do início da guerra, mas as duas partes concordaram em garantir a liberdade religiosa em ambos os territórios.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Romano-Sassânida_(421-422)

A

Geografia histórica

Por Emerson Santiago
Geografia histórica é o termo com o qual se define o conjunto de estudos voltados para a reconstrução de paisagens geográficas de eras anteriores. Esta área de estudos envolve a reconstrução de fenômenos e processos centrais para a compreensão geográfica das atividades humanas levando em conta a ocupação civilizatória, o respectivo ambiente por esta construído, aplicação dos recursos naturais locais, tudo isto medido pela gama de conhecimentos geográficos aplicados ao estudo.

De acordo com o pensamento do geógrafo Milton Santos, a Geografia histórica deve se dedicar ao processo histórico de modernização dos lugares provocados pela difusão dos objetos modernizadores, isto é, dos objetos técnicos.

Inicialmente tida como irrelevante por alguns, e considerada como uma disciplina sem matéria definida por outros geógrafos, a Geografia histórica ganhou importância por meio dos estudos de geógrafos humanos, sobretudo britânicos e americanos que em seus estudos insistiam em manter conceitos considerados como pertencentes à área da História, “fundando” de certa maneira a área da Geografia histórica.

A difícil aceitação da Geografia histórica explica-se em boa parte pela gama de conhecimento “emprestado” de outras matérias, como por exemplo economia, cultura, sociologia, ecologia e outras, acessórias porém ferramentas fundamentais na concepção do raciocínio histórico-geográfico como hoje se reconhece. Temos então, que, o processo de criação de paisagens em determinada área vem acompanhado da manifestação material de um período histórico em particular, que por sua vez terá que ser moldado a um determinado macro-contexto, ou seja, uma realidade global dinâmica.

Assim, tal matéria faria a “ponte” entre os estudos geográficos de um determinado espaço nas suas atuais condições, dando um entendimento melhor do processo que gerou como resultado o modo como se apresenta atualmente determinado terreno. Para atingir este ojetivo, é realizada uma construção teórica e metodológica onde serão combinadas a cultura predominante entre os habitantes do meio e a paisagem, tanto na sua forma naturalcomo a elaboraborada pelos diversos ocupantes atuais e anteriores do sítio.

A abordagem cultural da Geografia histórica desenvolvida nos Estados Unidos é a responsável por tal conclusão, sendo que do aspecto cultura estudado por estes precursores foi desenvolvido o outro pilar considerado como importante a este estudo, ou seja, o conceito de paisagem.

A Geografia histórica fornecerá subsídios técnicos e conceituais relacionados às áreas da pesquisa de documentos históricos, com relevância especial a material de arquivos e coleções de mapas; registros territoriais, e demais assuntos relacionados a limites; nomes de regiões e localidades; dados estatísticos e verificação de fontes literárias.

É importante lembrar que este ramo da Geografia é responsável pela sistematização da tradição geográfica, ou seja, acompanha a evolução ocorrida com o seu objeto de estudo, tanto no aspecto humano como geológico.

Bibliografia:
http://www.observatoriogeograficoamericalatina.org.mx/egal12/Geografiasocioeconomica/Geografiahistorica/04.pdf. Página Observatório Geográfico de América Latina - Alcoforado, Ihering Guedes. GEOGRAFIA HISTÓRICA E GÊNERO – Uma Aproximação do Programa de Milton Santos ao de Carolyn Merchant.

http://www.ligiatavares.com/gerencia/uploads/arquivos/4f0f4f921624c60370e661d00439a48d.pdf. Página pessoal de Ligia Tavares - Silva,Lígia Maria Tavares da. TRAJETÓRIAS PELA GEOGRAFIA HISTÓRICA.

Fonte:InfoEscola: Navegando e Aprendendo

Guerra Franco-Indígena

Por Antonio Gasparetto Junior
A Guerra Franco-Indígena colocou em confronto os britânicos e os franceses em suas colônias na América do Norte.

Com a colonização do continente americano, vários povos europeus ocuparam territórios no Novo Mundo nos quais extraia seus interesses. As colônias firmadas na América foram divididas, especialmente, entre espanhóis, que ocuparam a maior parte do continente; portugueses, colonizadores do Brasil; ingleses e franceses, que ocuparam espaços, sobretudo, na porção norte da América.

O que chamamos de América Latina e América Anglo-Saxônica tomou rumos diferenciados na colonização. A primeira foi marcada pelas colônias de exploração, enquanto a segunda pelas colônias de povoamento. Isso não quer dizer que não tenha havido exploração de recursos e de interesses na América do Norte, pois assim aconteceu também. Entretanto com características diferentes.

Por volta do ano 1756, os franceses haviam se expandido significativamente pelo território norte da América no quesito militar. O estratégico posicionamento que tomaram impedia o avanço de britânicos no continente. Mas um grande revés ocorreu com a eclosão da Guerra dos Sete Anos. A França se preocupou com seus compromissos continentais na Europa e abriu espaço para o controle dos britânicos na América do Norte.

Parte do atual território do Canadá era de povoamento francês à época. O avanço do poderio britânico na América do Norte deixou os franceses presos apenas naquele território, impedindo também a comunicação, em resposta à ocupação francesa da ilha britânica de Minorca.

A instabilidade entre os dois povos em disputa por territórios na América do Norte se tornou mais intensa quando, em 1757, Pitt, o Velho, assumiu a liderança britânica e passou a conduzir uma guerra com grande habilidade. Nos dois anos seguintes, foram várias as vitórias dos britânicos.

A Guerra Franco-Indígena contava com aliados nativos para os britânicos e para os franceses. Na ocasião, os iroqueses lutaram com os britânicos para combater algonquinos e horões que estavam ao lado dos franceses.

A expansão britânica foi poderosa, ocupando importantes territórios franceses como Montreal, Québec e as Índias Ocidentais. Mas um novo tempero à guerra foi dado com a entrada da Espanha no conflito. Este país se aliou aos franceses, resultando em algumas derrotas para os britânicos.

A Guerra Franco-Indígena só chegou ao fim em 1763, quando foi assinado o Tratado de Paris. Este regulamentava o fim das disputas marítimas e coloniais, mas deixou como saldo a perda de quase todas as possessões francesas na América do Norte, o reconhecimento de todas as conquistas dos britânicos e ainda a posse de um pequeno território na Louisiana para os espanhóis.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Franco-Indígena

Compra do Alaska pelos Estados Unidos

Por Antonio Gasparetto Junior
A Compra do Alaska pelos Estados Unidos ocorreu em 1867 em meio a um período de crise do Império Russo.

Na segunda metade do século XIX, o Império Russo atravessava uma fase de graves problemas financeiros. Além disso, havia um clima de hostilidade crescente com seu maior rival, o Império Britânico, que ameaçava os russos a perder o território do Alaska. Os britânicos já eram detentores do território do atual Canadá e a emergência de um possível confronto direto entre os dois impérios poderia resultar na efetiva perda do Alaska para os britânicos.

Para se esquivar de confrontos e de perdas territoriais que seriam irrecuperáveis para o Império Russo, o czar Alexandre IIdecidiu que seria melhor vender o Alaska aos Estados Unidos. Para isso, enviou seu embaixador, o barão Edouard de Stoeckl, para iniciar uma negociação com o Secretário de Estado estadunidense. Como o imperador e o representante dos Estados Unidos eram amigos, as negociações evoluíram com tranquilidade.

Em março de 1867 foram desenvolvidas as negociações. Os envolvidos passaram uma madrugada inteira discutindo os detalhes da venda até determinar que a Compra do Alaska pelos Estados Unidos seria feita por uma quantia de US$ 7.200.000,00 dólares (equivalente a mais de US$ 100 milhões atualmente).

A Compra do Alaska pelos Estados Unidos foi muito mal recebida pelo povo do país comprador. A transação negociada pelo Secretário de Estado William Henry Seward foi tida como absurda e passou a ser referida como “a loucura de Seward”. Mesmo assim, a compra foi confirmada e os Estados Unidos anexaram um território ao noroeste de sua área original que possuía aproximadamente 1.600.000 Km².

Com todas as críticas, o Alaska se tornou oficialmente mais um estado dos Estados Unidos quando sua compra foi ratificada pelo Senado no dia 9 de abril de 1867. Nesta ocasião, foram apenas dois votos contrários, em despeito de 37 votos favoráveis.

Naquela época, o Alaska contava com aproximadamente 2,5 mil russos, 8 mil aborígenes e 50 mil esquimós vivendo em suas terras. O nome Alaska foi escolhido pelo povo dos Estados Unidos, que recebeu o novo território através de uma cerimônia no dia 18 de outubro de 1867. Na ocasião, soldados russos e estadunidenses desfilaram, a bandeira russa foi arriada e, através de um pronunciamento formal, as terras foram entregues ao governo dos Estados Unidos.

Fonte:
KARNAL, Leandro. A História dos Estados Unidos. Editora Contexto, 2007.
OBERHOLTZER, Ellis Paxson. A History of the United States since the Civil War. Volume: 1, 1917.

Platão (427 aC - 347 aC)



Platão (427 aC - 347 aC)
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Quando o filósofo Sócrates foi condenado à morte, em 399 a.C., pelo governo de Atenas (sob a acusação de "perverter a juventude" com seus ensinamentos filosóficos), Platão, que era seu discípulo, preferiu deixar a cidade. Passou então alguns anos percorrendo outras partes do mundo grego, desde o norte da África até a Itália, e nessas andanças tomou contato com os ensinamentos pitagóricos. Com 40 anos, retomou a Atenas e dedicou-se inteiramente à filosofia, fundando uma escola chamada "Academia".

Sua obra filosófica está escrita em forma de diálogos. É nela, inclusive, que estão contidas as idéias de Sócrates (que não deixou escritos).

Segundo Platão, os sentidos físicos não nos revelam a verdadeira natureza das coisas. Por exemplo, ao observarmos algo branco ou belo, jamais chegaremos a ver a brancura ou a beleza plenas, embora tragamos, dentro de nós, uma idéia do que elas são. Assim, as únicas coisas de fato permanentes e verdadeiras seriam as idéias. O mundo físico, por sua vez, não passaria de uma cópia imperfeita e mutável delas. Observar o mundo físico (tal como a ciência faz hoje em dia) pouco serviria, portanto, para alcançarmos uma compreensão da realidade, embora servisse para reconhecermos, ou recordarmos, as idéias perfeitas que traríamos dentro de nós.

O filósofo reconhecia na Matemática a importância de permitir realizar abstrações, aproximando-se assim do mundo perfeito das idéias. Talvez por isso tenha sido atribuído a ele o conceito dos cinco poliedros "perfeitos" (tetraedro, hexaedro, octaedro, dodecaedro e icosaedro, também conhecidos como poliedros de Platão), na verdade descritos por Pitágoras mais de cem anos antes. Esses sólidos geométricos expressariam, em suas formas regulares, a perfeição do mundo ideal.

Os corpos celestes, por sua vez, descreveriam circunferências (pois esta seria a curva perfeita) em torno da Terra, mantendo-se em órbita por estarem presos a esferas cristalinas concêntricas.


(Academia de Platão)

A Academia, que Platão fundou, se manteve em funcionamento após sua morte, aos 80 anos. Ela só seria fechada oito séculos depois, por ordem do imperador Justiniano. A filosofia platônica, porém, continuaria a ter influência sobre o pensamento da Igreja até o século XIII, quando os conceitos de Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.) passariam a ser mais dominantes.


Fonte:
http://br.geocities.com/saladefisica3/biografias/platao.htm

Arquimedes (287 aC - 212 aC)



Arquimedes (287 aC - 212 aC)
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Por Maria Isabel Moura Nascimento/UEPG
Um problema preocupava Hierão, tirano de Siracusa, no século III a.C.: havia encomendado uma coroa de ouro, para homenagear uma divindade, mas suspeitava que o ourives o enganara, não utilizando ouro maciço em sua confecção. Como descobrir, sem danificar o objeto, se seu interior continha uma parte feita de prata? Só um homem talvez conseguisse resolver a questão: seu amigo Arquimedes, famoso matemático e inventor de vários engenhos mecânicos. Hierão mandou chamá-lo e pediu-lhe urna resposta que pusesse fim à sua dúvida. Arquimedes aceitou a incumbência e pôs-se a procurar a solução para o problema. Esta lhe ocorreu durante o banho. Observou que a quantidade de água que se elevava na banheira, ao submergir, era equivalente ao volume de seu próprio corpo. Ali estava a chave para resolver a questão proposta pelo tirano. No entusiasmo da descoberta, Arquimedes saiu nu pelas ruas, gritando: Eureka! Eureka! ("Achei! Achei!").



Agora, bastava aplicar o método que descobrira. Mediu então a quantidade de água que transbordava de um recipiente cheio, quando nele mergulhava, sucessivamente, o volume de um peso de ouro igual ao da coroa, o volume de um peso de prata igual ao da coroa e o volume da própria coroa. Este, sendo intermediário aos outros dois, permitia determinar a proporção de prata que fora misturada ao ouro.

Essa passagem parece ser uma das muitas lendas que, desde a Antiguidade, envolveram a vida de Arquimedes. Na verdade, para resolver um problema daquele tipo, relativo à determinação do peso específico de um metal, ele precisava apenas aplicar o princípio que rege o fenômeno do empuxo (força vertical que empurra para cima um corpo imerso em um fluido). Esse princípio - que explica porque um navio flutua na água e porque um aeróstato sobe no ar - foi estabelecido por Arquimedes nos seus dois livros, Sobre os corposflutuantes, com os quais inaugurou um novo ramo da ciência física: a hidrostática. No primeiro daqueles dois livros, ele enuncia o princípio que se tornou conhecido como "princípio de Arquimedes": "Um sólido mais pesado que o fluido em que está imerso vai para o fundo do fluido, e se é pesado dentro do fluido ele será mais leve que seu verdadeiro peso, de um peso igual ao fluido deslocado".

Entretanto, essa conclusão não era, de modo algum, fruto de um súbito "estalo". Representava o coroamento de uma longa tradição científica que, desde o século VI a.C., desenvolvera as pesquisas matemáticas e buscava uma explicação racional para os diferentes fenômenos observados. A glória de Arquimedes consistiu, porém, em não apenas fazer avançar as matemáticas abstratas - ampliando as conquistas dos grandes matemáticos do passado, como Pitágoras, Tales, Árquitas de Tarento, Eudoxo e Euclides -, mas em ser igualmente um grande físico, engenheiro e técnico genial: inventava e fabricava aparelhos destinados às suas próprias pesquisas, e criava inclusive máquinas de guerra temíveis por sua efícácia. Representando o apogeu da ciência grega, é considerado o precursor do método experimental nas ciências fisico-matemáticas.


(Parafuso de Arquimedes)

Filho do astrônomo Fídias, Arquimedes nasceu em 287 a.C., em Siracusa, na Sicília, que então fazia parte da Grécia ocidental ou Magna Grécia. Embora os dados fantasiosos permeiem todos os informes sobre sua vida, parece certo que estudou em Alexandria (Egito), um dos grandes centros culturais da época. Ali teria conhecido Euclides, já velho, e seus discípulos imediatos; e o matemático Canon de Samos, de quem se tornou amigo. Não é certo, porém, que ali tivesse criado o chamado "parafuso de Arquimedes", empregado para retirar água das minas do Egito. Na verdade, esse aparelho já existia, ao que parece, há bastante tempo, sendo utilizado para tirar água do Nilo.

Reduzindo o equilíbrio de forças a um simples problema geométrico, estudou o equilíbrio dos sólidos, o funcionamento da alavanca e o movimento dos corpos celestes, além de ter organizado uma coleção - a mais completa da Antiguidade - de figuras planas com os centros de gravidade perfeitamente localizados. Além disso, também procurava utilidades práticas para suas descobertas. Extraordinário engenheiro, construiu, segundo depoimento de Cícero (106 - 43 a.C.), um planetário que reproduzia os diferentes movimentos dos corpos celestes; e um aparelho para medir as variações do diâmetro aparente do Sol e da Lua, um protótipo do modelo, mais requintado, que será construído pelo astrônomo Hiparco, no século II a.C.


(Espelhos curvos queimam navios romanos)

Atribui-se ainda a Arquimedes a idealização dos célebres "espelhos ustórios" (ustório = que queima, que facilita a combustão), espelhos curvos com os quais os defensores de Siracusa teriam queimado a distância - pela concentração dos raios solares - os navios romanos que sitiavam a região. Se tal fato pertence ao lado lendário de sua biografia, parece entretanto não haver dúvida de que Arquimedes, depois de colaborar com seus engenhos bélicos para a defesa de sua cidade natal, foi morto durante o massacre que se seguiu à tomada de Siracusa pelo cônsul romano Marco Cláudio Marcelo, em 212 a.C. Atendendo a um pedido do sábio, foi colocada em seu túmulo uma coluna na qual fora gravado um cilindro circunscrito a uma esfera, para comemorar a maneira pela qual calculou a área de uma superfície esférica.


(Arquimedes é morto por soldado romano)

Segundo consta, Arquimedes teria dito a Hierão: "Dêem-me um ponto de apoio e eu levantarei a Terra". Não era a pretensão de se comparar ao mitológico e super humano Héracles - que os romanos chamarão de Hércules -, divindade símbolo da força. Era a certeza matematicamente garantida - de que o princípio da alavanca, que ele havia estabelecido, representava extraordinário recurso prático para a multiplicação de uma força.


(Página do Tratado da quadratura da parábola)

Tradicionalmente, a geometria grega vinha investigando processos de transformação de figuras curvas em retas, equivalentes. A quadratura do círculo, por exemplo, constituía um problema que vários matemáticos procuraram resolver. Arquimedes dedicou-se profundamente a esse tipo de questão - e um dos seus principais livros sobre Matemática intitulou-se justamente Tratado da quadratura da parábola.

A transformação do curvilíneo em retilíneo é feita por Arquimedes através do chamado método "de exaustão". Se um triângulo é inscrito num círculo, sua área é tão claramente menor que a do círculo quanto a do triângulo circunscrito é maior. No entanto - eis o procedimento adotado por Arquirnedes - multiplicando-se o número de lados dessas figuras, as áreas dos polígonos formados, inscritos e circunscritos, já se aproximam mais da área do círculo. E com o multiplicar sucessivo dos lados, os polígonos assim formados apresentam áreas que crescem (para os inscritos) e diminuem (para os circunscritos), aproximando-se da do círculo, embora nunca coincidam com ela.

Arquimedes conseguiu ir multiplicando o número de lados dos polígonos até obter figuras de 96 lados; verificou que as áreas respectivas, apesar de cada vez mais próximas do círculo, eram sempre um pouco maiores ou um pouco menores. Havia aqui também um procedimento que subentendia a aproximação de um valor exato - a área do círculo; esta era um "limite" a ser atingido, uma "justa medida" que só permitia abordagens aproximadas.

O que estava implícito nesse método de resolução de um problema geométrico era - como no caso do estabelecimento do valor de "pi" - a existência de valores infinitesimais, que justificavam a gradativa variação de tamanhos e grandezas. Aqui também Arquimedes antecipa conquistas que a Matemática só efetivará plenamente no final do século XVII, com o cálculo infinitesimal de Leibniz e Newton.

A liberdade não era, porém, patrimonio de todos os gregos. Muitos eram escravos e, por isso, destituídos do direito de cidadania. O filósofo Aristóteles chega a afirmar que para alguns a escravidão era um fato natural e inerente à natureza dos indivíduos que, não possuindo certas capacidades. intelectuais de raciocínio abstrato (a "alma poética" para os gregos), deviam, como escravos, se ocupar apenas de atividades manuais.

Esse preconceito que, com raras exceções, era generalizado na sociedade escravista dos gregos, não poderia deixar de repercutir, além do campo propriamente político, no desenvolvimento da investigação científica e filosófica. O menosprezo pelas atividades manuais, exercidas por homens sem liberdade, foi certamente o fator decisivo para restringir a ciência grega ao nível quase exclusivamente teórico e para impedir o desenvolvimento da experimentação. A ciência deveria ser fruto do intelecto de homens livres e, portanto, capazes de especulação - e não o resultado de simples manipulações e experiências.

Poucos escaparam às limitações desse modo de pensar, que criava obstáculos à verificação empírica e bloqueava o campo das aplicações práticas dos conhecimentos teóricos. O próprio Arquimedes pagou tributo, ao que parece, a esse preconceito de natureza sócio-econômica. Embora precursor do moderno método experimental, e apesar de ter sido o maior engenheiro da Antigüidade, também ele considerava como suprema realização da inteligência humana as verdades científicas abstratas - que as matemáticas formulavam plenamente. Conta Plutarco que, quando solicitado a escrever um manual de engenharia, Arquimedes se negou, alegando que "considerava o trabalho de engenheiro, assim como tudo o que dissesse respeito às necessidades da vida, como algo sem nobreza e vulgar". Ele desejava que sua fama diante da posteridade fosse fundada inteiramente em sua contribuição à teoria pura. O que glorificou seu nome, entretanto, mais do que o cálculo de "pi" por aproximações sucessivas, foi o princípio fundamental da hidrostática, a que ele chegara pela mais simples observação da realidade.

Fonte:
http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/glossario/verb_b_arquimedes.htm

Lincoln & Garibaldi, e a Guerra da Secessão

Origens da Guerra

Um pesquisador italiano que foi autorizado pela Casa Savoia, a família real italiana destronada em 1946, a organizar seus arquivos, encontrou um importante documento. Apesar de ter apenas o tamanho de um cartão postal, ele revelou que Giuseppe Garibaldi, recebera um convite do Presidente Lincoln dos Estados Unidos para ir comandar o exército da união no início da guerra de Secessão americana (de 1861-65).


O presidente americano Abraão Lincoln

Abraão Lincoln foi eleito o 16º Presidente dos Estados Unidos em 1860 com 1.866.452 votos, o que lhe proporcionou 180 votos eleitorais, 57 acima dos seus outros competidores. Entretanto, essa unanimidade era apenas aparente, pois não foi acatada pelos estados escravistas do sul. Na Carolina do Sul, um bastião dos senhores de escravos, uma convenção reunida em dezembro de 1860, imediatamente declarou-se fora da União. Lincoln, apoiado por uma coalizão variada que abarcava artesãos, operários e empresários ianques, fazendeiros do meio-oeste, pequenos proprietários, e recém-chegados sedentos por terras no oeste (os militantes do free soil), além de históricos abolicionistas, era visto como um candidato do Norte comprometido com o fim do trabalho escravo.(*) Naquela data, 1/8 da população norte-americana era composta por africanos e seus descendentes, completamente privados de liberdade.

A formação da Confederação do Sul: nos quatro meses seguintes à vitória de Lincoln, onze estados do sul formaram os Estados Confederados, com capital em Richmond na Virgínia, situada apenas há 190 quilômetros de Washington. Os separatistas aprovaram uma nova constituição e até escolheram Jefferson Davis como presidente provisório. O estopim do conflito deu-se quando forças confederadas atacaram de surpresa o Forte Sumter na Carolina do Sul, no dia 12 de abril de 1861. Sob o ponto de vista constitucional nada obrigava um estado a permanecer na União. O próprio nome do país dizia isso: Estados Unidos da América. Porém não se tratava disso. Não eram os direitos dos estados que estavam realmente em jogo. O que os sulistas queriam é perpetuar a escravidão, que não houvesse a abolição. Como conseqüência agiram como se fossem duas nações hostis, a guerra do sul contra o norte ameaçou desmembrar a antiga unidade herdada dos tempos das 13 colônias que lutaram pela independência.(**)

(*) O apoio que ainda poderia existir no Norte a favor da escravidão esvaiu-se com o livro Uncle Tom's Cabin (A cabana do Pai Tomás) de Harriet Elizabeth Stowe uma ardente abolicionista que o publicou em 1852.

(**)

Estados Confederados (11)Estados da União (23)
Virgínia, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Geórgia, Flórida, Alabama, Mississippi, Louisiana, Arkansas, Texas e TennesseeVirgínia ocidental (separada da oriental em 1861), Maryland, Delaware, Nova Jérsei, Connecticut, Rhode Island, Massachusetts, Maine, Nova Iorque, Vermont, Pensilvânia, Ohio, Indiana, Kentucky, Illinois, Missouri, Iowa, Wisconsin, Michigan, Minnesota, Kansas, Oregon e Califórnia

A mobilização do norte: não foi uma surpresa o que ocorreu. Nos últimos vinte anos era cada vez mais latente a tensão entre o Norte, democrático, industrial, a favor do solo livre, do trabalho livre e do homem livre (free soil, free labour, free men), que se contrapunha ao Sul oligárquico, agrário e escravista. Desde a Revolução de 1776, ensejada a favor da liberdade dos colonos, os americanos se desentendiam na questão escravista. Durante muito tempo os presidentes vieram do sul o que serviu para postergar o problema, mas na última década, entre 1850-1860, por força da imigração européia e o crescente debate moral sobre a validade da continuidade da escravidão, a balança inclinara-se para o Norte. A campanha eleitoral de Lincoln fora extraordinária pelas emoções que despertara. Apesar dele ser cauteloso quanto a sua posição sobre a escravidão, as forças que o apoiavam não escondiam as intenções pró-abolição(*). Como ele bem disse num celebrado discurso sobre a casa dividida, a América não podia viver eternamente metade livre, metade escrava! (half free, half slave). Portanto, quando o repto veio do Sul, Lincoln determinou-se ir à guerra em defesa da União ameaçada. Naquele mesmo mês de abril fez aprovar pelo Congresso uma convocação de 65 mil homens para a guerra. Os tiros contra o Forte Sumter incendiaram a nação. A América do Norte passaria mergulhada os quatro anos seguintes na mais sangrenta guerra até então travada no Novo Mundo.

(*) Lincoln numa carta ao Ne York Tribune, escrita 17 meses depois da guerra ter andamento, afirmou: "Meu principal objetivo nesta luta é salvar a União e não salvar a escravidão nem destruí-la; se eu pudesse salvar a União ao preço de não libertar um só escravo, eu o farias; e se pudesse salvá-la libertando todos os escravos, eu faria; se pudesse salvá-la libertando uns e abandonando a outros, também o faria" (cit. Por Willi Paul Adams "Los Estados Unidos de America,1979, pag.100)

A ilusão de uma guerra rápida: parece ser uma característica de qualquer guerra iludir os contendores de que a luta não irá durar muito. Assim deu-se com a Guerra de 1914. Não foi diferente com a da Secessão de 1861.Os generais nortistas, pressionados pela indignação da opinião pública ianque que exigia uma ação rápida de vingança contra os rebeldes do Sul, tiveram que preparar as tropa às pressas, a toque de tarol. O general Winfield Scott, o idoso comandante em chefe de então, porém, recomendou cautela. Para ele o Sul só seria derrotado por um lento premer, pela "estratégia da anaconda". O Norte deveria triturar por primeiro o acesso aos portos do Sul, situados na costa atlântica, impedindo os confederados de exportarem seu algodão e de receberem armas de fora, isolando-os de qualquer apoio externo. Para tanto a Marinha nortista princípiou um severo bloqueio estendido por 5.700 quilômetros de litoral - das alturas de Washington à Matamoros no Golfo do México. A compressão final ocorreria pela articulação das manobras navais com as operações militares terrestres, levando a confederação ao sufocamento. Viram-no, ao general Scott, como uma versão americana de Fábio Cuntactor, o general romano que infelicitou-se por querer protelar a luta contra o cartaginês Aníbal. Não lhe deram ouvidos.


Infantaria nortista lançando-se num assalto

Rumo a Bull Run, a primeira Manassas: no alto verão americano, no dia 16 de julho de 1861, 35 mil soldados sob o comando do general Irwin McDowell desfilaram com fanfarras pelas ruas de Washington, acompanhados pelos hurras da multidão. A missão deles era ocupar o entroncamento ferroviário de Manassas Junction, na Virgínia, há 45 quilômetros da sede federal, e dali tomar Richmond a capital confederada, e cabeça da serpente da rebeldia. Acreditavam que a guerra seria decidida numa só batalha. Mas como logo o general McDowell deu-se conta, comandava um exército de estabanados recrutas e de milicianos convocados às pressas, sem nenhum experiência de combate real. Seus homens não só assaltaram os campos de amoras pelo caminho como costumeiramente se embriagavam nas cantinas. A ação que devia ser rápida, como uma flecha disparada no coração do Sul, atrasou-se pelo caminho. Um pouco antes de atingirem Manassas, eles tiveram que transpor o caudaloso riacho de Bull Run. O efeito surpresa desperdiçara-se pelo excesso de verdor dos recrutas ianques e pela falta de traquejo dos seus próprios oficiais (a última guerra em que eles tiveram ação fora a Guerra do México de 1846-8). Ao amanhecer do dia 21 de julho McDowell, com seus 28 mil homens restantes abriu fogo contra as tropas do general sulista Pierre Beauregard, um descendente de franceses da Lousiana, e que se tornara herói dos sulistas ao tomar o Forte Sumter quatro meses antes.

A perda de tempo dos nortistas lhes foi fatal. Os confederados conseguiram reforços e graças a tenaz resistência do general Thomas Jackson, apelidado como Stonewall, "O muralha", a ofensiva nortista fracassou. No final do entrevero jaziam 2.950 cadáveres dos jaquetas azuis nos campos da Virgínia. Washington foi tomada de pânico. O único exército que os nortistas tinham mais ou menos organizado quase que dissolveu-se. Se os confederados tivessem percebido a extensão da desordem do inimigo teriam tomado a capital federal de assalto.

Contatando Garibaldi


O italiano Giuseppe Garibaldi

É bem provável que o Presidente Lincoln, ao saber do ocorrido, tenha se deixado contaminar pela situação ordenando que algum enviado seu fizesse contato com Giuseppe Garibaldi, o paladino do Risorgimento, a unificação nacional italiana. Um ano antes, numa campanha relâmpago comandada por ele, Garibaldi - chamado de o Herói dos Dois Mundos -, e seus Mille, os voluntários de camisa vermelha que o acompanhavam na aventura, derrotara o exército do Rei de Nápoles. Numa ação fulminante, vindo de Gênova só com dois barcos, desembarcando de surpresa na Sicília em 10 maio de 1860, ele tomou Palermo. Dali, voltando à península através do estreito de Messina, marchou até Nápoles que rendeu-se ao grande capitão em 7 de setembro de 1860. Com apenas 1.400 homens Garibaldi superara um exército de mais de 20 mil soldados, tal o entusiasmo patriótico que ele despertava na população que pegava em armas por onde o condottieri passava.

O feito foi tão extraordinário que a intelectualidade européia, de Victor Hugo a Alexandre Dumas, saudou "a fantástica aventura". Friedrich Engels, o companheiro de Marx, um expert em assuntos militares, considerou o feito de Garibaldi como "uma das proezas militares mais assombrosas do nosso século e que seria quase inexplicável se o prestigio do general revolucionário não houvesse precedido a sua marcha triunfal"(New York Daily Tribune, 2 de junho de 1860).

Após ter feito a ilha da Sicília e a cidade de Nápoles integrarem-se ao restante da Itália, Garibaldi desmobilizou-se. Rejeitou o grau de general que o Rei Vitório Emanuel II lhe oferecera e retirou-se para o seu refúgio na ilha de Cabrera nas Baleares. Provavelmente foi lá que um emissário de Lincoln o alcançou. Sabe-se disso pela descoberta feita recentemente pelo pesquisador Arrigo Petracco de um documento encontrado entre os haveres da Casa de Savoia, a família real italiana. Nele, Garibaldi comunica ao rei, numa espécie de satisfação, o resultado do encontro. No pequeno cartão postal escreveu: "Sua Alteza, o presidente dos Estados Unidos ofereceu-me o comando do seu Exército e eu me sinto obrigado a aceitar essa missão em favor de um país do qual sou cidadão." (Garibaldi ao Rei Vitório Emanuel II, 1862)

A América e Garibaldi: desde 1836, quando viajara exilado para o Brasil, o condottieri italiano estreitara suas relações com a vida política da América. Mal pôs os pés no cais do Rio de Janeiro aceitou lutar ao lado dos rebeldes na Guerra dos Farrapos na Província do Rio Grande do Sul, travada contra o Império brasileiro(entre 1835 e 1845). Mais tarde, envolveu-se com as lutas no Uruguai, participando do sítio de Montevidéu em 1843.


Garibaldi tomando Palermo na Sicília, 1860

O nome de Giuseppe Garibaldi tornou-se legendário pelas façanhas incríveis que era capaz de realizar, como da vez em que no Rio Grande do Sul transportou um barco com auxilio de carros de boi, por uns cem quilômetros, da Lago dos Patos até o litoral do Atlântico, e dali, navegando rumo à cidade de Laguna em Santa Catarina, emboscou os navios imperiais. Foi nesta pequena cidade a beira mar que teve uma abrasante paixão por uma moradora local, Anita, que abandonou o marido para segui-lo numa vida de aventuras. Retornando à Itália mais tarde, em 1848, participou da Primavera dos Povos como representante na Assembléia Nacional reunida em Roma em 1849. Fracassada a unidade nacional, ele reembarcou para América, aportando em Nova Iorque em 1850. Ao retornar à Itália em 1858, assumiu o comando dos Caçadores Alpinos que lutaram contra os austríacos pela unificação da península, articulada pelo Conde de Cavour, Ministro do Reino Sardo-piemontês.

Considerações sobre o convite de Lincoln: Garibaldi via-se um combatente da liberdade, sempre disposto a desembainhar a espada por uma boa causa quando ela aparecia. Assim não se deve estranhar nem o convite, nem Garibaldi inicialmente tê-lo aceito. Porém a viagem para salvar o Norte não se deu. Uns estudiosos apontaram que o motivo foi Lincoln ter-se negado, ainda aquela altura, decretar a abolição da escravidão (decisão que Lincoln somente oficializou com a Proclamação da Emancipação, assinada em 1º de janeiro de 1863, depois da vitória nortista em Antietam), o que desgostara Garibaldi, fazendo-o desistir. Historiadores norte-americanos por sua vez dizem que o convite jamais foi para que Garibaldi assumisse o comando supremo (General-in Chief of the Armies of the United States), mas sim o posto de general-de-brigada. Lincoln, dizem eles, não ousaria entregar o exército norte-americano inteiro, envolvido numa guerra civil, a um estrangeiro, mesmo a uma lenda viva como era Garibaldi. Outros ainda acreditam num mal entendido. Seja como for Garibaldi não veio.

As batalhas mortíferas entre o Sul e o Norte


O caminho de Antietam, 17 de setembro de 1862:"o dia mais sanguinário da América"

A Guerra de Secessão americana é apontada pela maioria dos estrategistas militares como uma fonte inesgotável de erros crassos na difícil arte de conduzir uma batalha. Desde o princípio evidenciou-se que os confederados tinham melhores comandantes, possivelmente pela tradição aristocrática dos costumes sulistas que associavam o grande proprietário de terras à arte de saber liderar homens, enquanto que os oficiais nortistas, geralmente vindos da classe média, tiveram que aprender a fazê-lo ao longo da guerra. Os generais de ambos os lados optaram, em geral, por ataques frontais contra as defesas dos adversários, levando em pouca conta os efeitos mortais das barreiras de tiros, tanto da artilharia como das fuziladas da infantaria entrincheirada. O efeito disso é que as batalhas tornaram-se, mais do que em qualquer outra época, açougues em céu aberto.

O ataque do general nortista Ulisses Grant em Shiloh Church, no Rio Tennessee - onde o seu auxiliar, o general Sherman gritou "Give them hell!" (dêem o inferno a eles!) -, por exemplo, provocou a morte de 25 mil americanos.

Em Antietam, um riacho no estado de Maryland, nas margens do qual o general nortista George McLellan deteve a ofensiva do comandante supremo do Sul, o general Robert Lee, fez com que num só dia de batalha, o 17 de setembro de 1862 - chamado "America's Bloodiest Day", o mais sangrento dia da América - 22.726 homens morressem ou ficassem gravemente feridos (mais do que as baixas sofridas no Dia-D na Normandia, em 1944).

Enquanto que em Gettysburg, na Virgínia, entre os dias 1º e 3 de julho de 1863, quando o general Robert Lee ordenou um desastroso avanço em campo aberto, a "Pickett's charge", o assalto do general Pickett, direto ao centro das defesa do general nortista George Mead, provocou 51 mil baixas de ambas as partes, ou seja 1/3 dos soldados que participaram da grande batalha.(*)

(*) Outras batalhas importantes foram:
Fort Donelson [2 de dezembro de 1862, com 15067 (s) e 2.832(n) mortos]; Seven Day's battle [de 25 de junho a 1º de julho de 1862, com 20.614 (s) e 15.849(n) mortos]; a Segunda Manassas [28 de agosto de 1862, com 9.197 (s) e 16.054 (n) mortos]; Fredericksburg [11 de dezembro de 1862, com 5.309(s) e 12.653 (n) mortos]; Chancelorsville [1º de maio de 1863, com 12.764 (s) e 16.792 (n) mortos; Vicksburg [18 de maio de 1863, com 31.275(s) e 4.550 (n) mortos] Chickamauga[ 19 de setembro de 1863, com 18.454 (s) e 16.179 (n) mortos] ; Wilderness [5 de maio de 1864, com 11.400(s) e 18.400 (n) mortos]; Spotsylvania [12 de maio de 1864, com 12.000(s) e 18.000(n) mortos] e, Atlanta [22 de julho de 1864, com 8.000(s) e 3.722(n) mortos].


Lincoln e o general Grant inspecionando o fronte

O ataque indireto do general Sherman: William Tecumseh Sherman, um general nortista de 44 anos, é apontado pelos estrategistas como uma exceção entre os militares ianques, notoriamente medíocres. Substituindo Ulisses Grant, nomeado por Lincoln para o importante fronte da Virgínia em 1864, Sherman conduziu um surpreendente reide à retaguarda do Sul. Partido do Meio-oeste com um exército de 60 mil homens inteiramente composto pela cavalaria, ele executou um impressionante ataque em direção à Atlanta, capital da Geórgia, entroncamento ferroviário e celeiro do Sul, distante há 200 quilômetros da sua base. Sherman criara, conforme suas próprias palavras, uma "máquina móvel disposta e capaz de funcionar quase instantaneamente e subsistir com o mínimo de alimentação". Por onde passou tal máquina, arrasou tudo, pontes, celeiros, fazendas, postes de telégrafo, trilhos de trem, vilarejos e cidades.


W.T.Sherman, guerra total contra o Sul

Sherman, fundador da guerra total:consideram-no um dos fundadores da guerra moderna, da guerra total, isso é, aquele que faz guerra simultaneamente ao exército e aos civis, à economia e ao povo do país. Em setembro de 1864 ele tomou e incendiou Atlanta, feito que garantiu a reeleição de Lincoln em novembro daquele ano. Depois rumou para o mar, em direção às Carolinas, para arrasar as linhas que abasteciam os exércitos de Robert Lee, mais ao norte, na Virgínia. O efeito psicológico da campanha de Sherman, que cavalgou combatendo por 680 quilômetros no território inimigo, foi devastador, quebrando a moral dos soldados sulistas e forçando o seu alto comando a render-se. Por vezes seus batedores, punham os defensores sulistas a correr simplesmente lhes dizendo: "Somos os incursores de Bill Sherman... Será melhor vocês fugirem!" Ao socar rudemente no estômago do Sul, ele afroxou a mão que empunhava o fuzil.

As baixas da guerra de secessão: no total, a Guerra Civil americana contabilizou 10.000 batalhas, combates, recontos e escaramuças, ao longo de quatro anos. Esta encerrou-se com um Sul exausto e batido, obrigando a rendição do general Robert Lee no Palácio da Justiça em Appomatox, na Virgínia, perante o general Ulisses Grant, no dia 9 de abril de 1865. O crescente aumento do potencial de fogo, a imperícia e escassa habilidade dos generais americanos, a pressão para uma batalha decisiva, somado ao progressivo ódio entre irmãos, fez com que no final da guerra os Estados Unidos tivessem 624.511 mortos, um pouco menos do que os americanos perderam em todas as guerras que participaram até os dias de hoje, que apontam para 636.237 mortos.

Garibaldi e Lincoln


Bull Run, a primeira batalha de Manassas,21 de julho de 1861, uma ducha na idéia de uma guerra breve

O herói italiano sobreviveu a Lincoln, e ainda viveu vinte anos mais, morrendo aos 75 anos coberto de honras em 1882.O presidente norte-americano não chegou a saborear a vitória contra o Sul. Em meio aos festejos pelo fim da guerra, Lincoln foi assassinado a tiros aos 56 anos, cinco dias depois da rendição do general Robert Lee, quando assistia uma peça no camarote do Teatro Ford em Washington, em 14 de abril de 1865.

O autor do atentado era um conhecido ator dramático chamado John Wilkes Booth, um sulista radical que viu no gesto de atirar em Lincoln uma maneira de vingar-se da derrota. Garibaldi e Lincoln foram, em partes diferentes do mundo, um na Europa outro no Novo Mundo, campeões da luta pela unidade nacional. Os inimigos do italiano eram os austríacos, o governo Bourbon das Duas Sicilias, e o Vaticano (a Igreja por possuir territórios pontifícios nas redondezas de Roma, era contra a unidade nacional italiana). Os inimigos de Lincoln eram os sulistas em geral, e os donos de escravos em particular, que desejavam manter o nefando regime servil, chamado por eles de "peculiar instituição", intocado.

Em defesa do estado-nacional: enquanto Garibaldi esforçou-se por ampliar os limites do estado-nacional Italiano, ajudando a restaurar as antigas margens do império romano na península (Os Alpes ao norte, o Mar Tirreno e o Mar Adriático, a oeste e a leste, e a ilha da Sicília ao sul), Lincoln foi à guerra para preservar a União norte-americana ameaçada de dissolução. Ambos, nascidos em famílias modestíssimas, foram representantes do poderoso movimento liberal- democrático que começou a retomar suas forças depois do fracasso da Revolução de 1848, porém se Garibaldi acatava subordinar-se a uma Monarquia constitucional, Lincoln era um republicano autêntico.

Fonte:

Como explicar os conflitos no norte da África e no Oriente Médio

Levantes populares na Tunísia, no Egito, na Líbia e no Iêmen tomaram conta do noticiário internacional. Saiba como trabalhar esses fatos, que estão marcando a história mundial.

Conflitos no Egito
Conflitos no Egito fizeram a região ganhar
destaque. Depois de 18 dias de protestos,
o general Hosni Mubarak (no poder há 30
anos) deixou o cargo em 11 de fevereiro.
Tudo começou em dezembro de 2010, na Tunísia, quando um jovem ateou fogo ao próprio corpo após a polícia fechar sua fonte de renda, uma banca de frutas e verduras. O caso, potencializado por denúncias de corrupção do governo, deflagrou uma onda de levantes populares contra o desemprego, a pobreza e a inflação galopante. Em 14 de janeiro, o presidente Zine Al-Abidine Ben Ali (no poder desde 1987) deixou o país.

Com o sucesso do evento, outras manifestações eclodiram em terras do norte da África e do Oriente Médio. No Egito, a nação mais inf luente da região, 18 dias de protestos foram suficientes para que, em 11 de fevereiro, o generalHosni Mubarak (presidente no poder havia 30 anos) também deixasse o território e o cargo. Os militares, que se recusaram a lutar contra os civis, assumiram o governo interinamente e ainda devem influenciar o processo de transição.

Na Líbia, os protestos estouraram no mesmo embalo. A população local clamava pela queda do ditador Muamar Kadafi, que mobilizou tropas militares para sufocar a ação dos rebeldes (até o fechamento desta edição, o país vivia uma guerra civil e era alvo de ataques aéreos internacionais).

O efeito dominó, que começou na Tunísia, alcançou Egito e Líbia e impulsionou a situação de tensão e os protestos em vários países do entorno (leia o mapa na página à direita), teve um componente especial. "Embaladas por um sentimento de igualdade, as pessoas pensavam: ‘Sefoi possível em Túnis e Cairo, por que não aqui?’", explica Marcelo de Souza, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Conhecer esses fatos é importante, mas insuficiente: os estudantes precisam saber como analisar o cenário criticamente (leia o projeto didático).

Encaminhe análises cartográficas sobre os três países de mais destaque. Use mapas políticos, econômicos, de recursos naturais e relacione-os a questões históricas. O petróleo, por exemplo, só passou a ter importância no cenário mundial com o advento da indústria moderna. Depois, ajude a turma a concluir que há várias similaridades entre essas nações e a vizinhança e que elas ajudaram para que a situação chegasse a esse ponto.

■ Economia A riqueza gerada com o petróleo não resulta em melhores condições de vida e distribuição de renda e o desemprego, em alta, impulsiona as taxas de imigração para a Europa.

■ Idioma A predominância do árabe facilita a troca de informação entre as populações e isso proporciona certa dose de reconhecimento entre os povos.

■ Educação O crescente acesso à universidade e informação fornecida pela internet levam a juventude a clamar por mais oportunidades de trabalho e maior liberdade política.

■ Passado colonial A região sofreu com o domínio do Império Otomano (entre 1453 e 1922), a colonização de franceses e ingleses após a Primeira Guerra Mundial e a influência norte-americana depois da Segunda Guerra Mundial.

Marcos Silva, docente da Universidade de São Paulo (USP), chama a atenção para a chance de esses levantes não serem genuinamente populares. Há a desconfiança de que eles podem ter sido orquestrados por grupos interessados em tomar o poder (mas ainda não é possível identificá-los). "No entanto, é inegável que as mobilizações têm um forte apoio das populações", ele enfatiza.

Mapa dos territórios em ebulição

Mapa da África e do Oriente Médio: países com levantes populares
Na vizinhança do epicentro dos levantes (países em laranja), as nações que têm motivos para viver dias conturbados (países em verde). Confira abaixo as características dos países e as reivindicações populares.

Tunísia
Idioma: árabe
População: 10,3 milhões
PIB: US$ 39,5 bilhões
IDH: 0,683
Economia: turismo, agricultura, mineração e produção de eletricidade
Regime político: república presidencialista
Religião: maioria islâmica

Líbia
Idioma: árabe
População: 6,5 milhões
PIB: US$ 58,7 bilhões
IDH: 0,755
Economia: petróleo
Regime político: ditadura militar
Religião: maioria islâmica

Egito
Idioma: árabe
População: 84,4 milhões
PIB: US$ 187,9 bilhões
IDH: 0,620
Economia: petróleo, turismo e o pedágio cobrado no Canal de Suez
Regime político: república presidencialista
Religião: maioria islâmica

Reivindicações (dos países em verde no mapa acima):

Mauritânia: Jovens pedem empregos, queda dos preços de produtos básicos e o fim da ditadura militar

Marrocos: Reformas democráticas e imposição de limites aos poderes do rei Mohammed VI

Argélia: fim das altas taxas de desemprego e da dificuldade para obter visto de saída do país

Jordânia: Empregos. Para conter as manifestações, o rei Abdullah II nomeou novo primeiro-ministro

Kuwait: Queda dos índices de desemprego, acesso à Educação e à saúde e a renúncia do primeiro-ministro

Arábia Saudita: Distribuição da riqueza gerada pelo petróleo. Há promessas de mais recursos para habitação

Bahrein: Reformas políticas e igualdade de direitos dos xiitas em relação à elite política do país, sunita

Omã: Mais democracia e a saída do sultão Said bin Taimur, que está no poder desde 1970

Iêmen: Fim da corrupção, do desemprego e da administração de 32 anos de Ali Abdullah Saleh

Djibuti: A saída do presidente Ismail Guelleh, cuja família está no poder há mais de 3 décadas

Conflitos no Egito fizeram a região ganhar destaque

Egito
Em vários pontos do país, o povo se organizaou para protestar contra o governo. Houve embates com a polícia,
mas os militares se recusaram a conter o movimento.

Por ter grande peso político e econômico, estar localizado estrategicamente e ser o país mais populoso das redondezas, o Egito é considerado uma potência local (leia o mapa acima). Por isso, especialistas avaliam que seu futuro pode inf luenciar o comportamento de outros povos que enfrentam cenários semelhantes recentemente.

Depois da queda de Mubarak, por exemplo, foi permitido que um navio de guerra iraniano atravessasse o Canal de Suez – algo impensável com Mubarak no poder. Simbolicamente, isso pode indicar que o país vai adotar posturas menos pró-Ocidente, como fazia até então. Entretanto, Souza, da UFRJ, aponta que também é possível que o Egito adote uma postura mais próxima da Turquia, onde há eleições e garantia de direitos civis e, ao mesmo tempo, a manutenção da influência política dos militares. Isso pode diminuir a tensão na região e minar novos conflitos.

Se Kadafi for derrotado, aumentam as possibilidades de o efeito dominó atingir outras nações com regimes autoritários, como a Jordânia, que enfrenta altos índices de desemprego, e a Síria, que vive sob uma ditadura militar desde 1970.

Ao tratar desses cenários futuros, explicite que eles não são meras especulações. Os estudiosos levam em conta as similaridades entre os países e as conjunturas. E é isso o que os alunos também têm de fazer ao estudar conf litos.


O que a turma pergunta

Os protestos têm como objetivo tornar os países em questão mais democráticos?
Não necessariamente. Explique aos estudantes não ser possível afirmar que essas populações clamem pela implementação da democracia nos moldes ocidentais. Segundo Marcelo de Soua, da UFRJ, outras formas de organização política, como um governo democrático, mas com participação significativa dos militares, atendem às demandas locais. É válido propor que os alunos ref litam sobre o fato de que viver em uma nação democrática nem sempre é, na prática, sinônimo de garantia de direitos civis, distribuição de renda e oferta de emprego – demandas dos levantes estudados.

Fonte: