2.4.14

Greves operárias

Por Felipe Araújo

No Brasil, o movimento de greves operárias teve início no começo do século XX a partir de uma sucessão de lutas visando mudanças nas relações entre trabalhadores e empregadores, além de melhorias no que se refere à garantias, salários e condições de trabalho.

A partir do aumento do número de pessoas em áreas urbano-industriais, diversas cidades do Brasil ramificaram-se em bairros operários. A maior parte dos integrantes do operariado era de estrangeiros que tinham imigrado ao país. A vida nos bairros operários refletia a remuneração que os trabalhadores da classe recebiam: precariedade em setores básicos, jornadas de trabalho fatigantes e falta de garantia jurídica aos trabalhadores como aposentadoria, férias,descanso semanal.

Um dos problemas mais visíveis ocorria nas fábricas, onde era empregada mão de obra infantil por salários muito abaixo dos oferecidos aos adultos. Diversas crianças acabaram tendo partes do corpo multiladas ao utilizar o maquinário sem o devido treinamento e, além disso, não tinham garantias como seguro acidentes no ambiente de trabalho ou convênio médico.

Influenciada pelas lutas operárias que ocorriam ao redor do mundo, a luta operária brasileira manifestou-se a partir dos ideais anarquistas e socialistas difundidos na Europa - capitaneados pelos imigrantes presentes no Brasil. Com a massa operária unida, os grupos manifestavam-se publicamente a favor da conquista de melhores condições. Visavam resultados imediatos como melhor remuneração, entre outros.

Organizados, os trabalhadores acabaram por fundas várias associações sindicais e jornais – alavancando a causa dos operários e tornando o movimento mais coeso e forte. Ao exemplo de atitudes políticas do operariado em outras nações, greves e protestos eclodiram em muitos Estados brasileiros, notavelmente em São Paulo, cidade que conglomerava a maior parte das indústrias.

Um marco ocorreu no ano de 1907, quando a capital paulista passou por uma paralisação devido a uma greve que tinha os seguintes objetivos: conquista da jornada de trabalho de oito horas, assistência médica, fim do trabalho de crianças e do trabalho noturno para mulheres e o direito a férias. Organizada por trabalhadores dos setores metalúrgico, de construção civil e alimentício, essa manifestação influenciou outras categorias profissionais, chegando a outras cidades e Estados.

De acordo com matéria publicada no portal Klick Educação, “sob a direção dos anarquistas, operários de vários ramos da indústria, funcionários das estradas de ferro e do Liceu de Artes e Ofícios paralisaram suas atividades exigindo jornada diária de oito horas. O movimento estendeu-se para o interior. Houve piquetes, reprimidos com violência”.

Fontes:
http://www.klickeducacao.com.br/conteudo/pagina/0,6313,POR-1231-9062-,00.htmlhttp://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/imigrantes-anarquistas-patria-nem-patrao-435180.shtmlhttp://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-59702007000200017&script=sci_arttext

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Internacional Negra

Por Felipe Araújo

O factoide conhecido pelo nome de Conspiração Anarquista ou Internacional Negra – em francês, Noire Internacional – foi produzida por meio de jornais do século XIX, sendo posteriormente investigado e sancionado pelas autoridades. A proibição da Internacional Negra aconteceu quando se descobriu que por trás do panfleto político estava sendo articulado um complô mundial entre anarquistas com o objetivo de eliminar os mais importantes burgueses e governantes para iniciar uma revolução internacional. Com a polêmica gerada a partir destas acusações a respeito do complô da Internacional Negra, os anarquistas começaram a ser perseguidos, presos e muitos deles foram assassinados.

Segundo relatos de Roderick Kedward – historiador e professor britânico da Universidade de Sussex – “este periódico de cunho anarquista teve uma curta existência, assim como os outros jornais que datam de antes de outubro de 1882, período em que um atentado à bomba devastou um café em Lyons”.

No mês de julho de 1881, a Internacional Negra foi criada em Londres visando uma reorganização das ideias anarquistas por causa da dissolução da Primeira Internacional. Ao final de 1881, foi realizado um encontro na cidade de Chicago (EUA), conectando a Associação Internacional do Povo Trabalhador (International Working People's Association), organização em formação na América do Norte, à Conspiração Anarquista. Após essa conferência, foi realizada a manifestação de Michel – em 1883 - e o movimento das bandeiras negras de Chicago, no ano seguinte.

O alarde em relação à Internacional Negra baseava-se nas atividades incisivas de alguns grupos anárquicos de ideologia ilegalista - condição ou situação em que impera o desrespeito à lei – que faziam uso de estratégias violentas (terrorismo e assassinato de monarcas) visando defender e vingar trabalhadores que à época encontravam-se explorados por seus patrões e em situações precárias de produção, panorama que era aprovado pelos estados nacionais.

Com a proliferação das ações dos anarquistas – ampliada pela mídia – o Estado endossou medidas repressivas contra estes grupos. Com isso, a ação contra os anarquistas acabou sendo generalizada, estendendo-se a outros grupos como os anarcossindicalistas, que possuíam grande número de pessoas em suas organizações.

Entre os anarquistas perseguidos pelo governo àquela época estavam personalidades como Victor Serge, Francisco Ferrer, Errico Malatesta, Emma Goldman, Sébastien Faure, Rudolf Rocker, Milly Witkop, Jus-Beala, Mariette Soubert, La Rulhière e Charles Achille Simon. Estes intelectuais foram investigados e – muitas vezes – vinculados à Internacional Negra. A cada ato do grupo de ideologia anarquista, realizado em qualquer parte do globo, estes nomes vinham à tona, culminando em inquéritos e prisões.

Fontes:
http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp?TroncoID=805133&SecaoID=500709&SubsecaoID=0&Template=../artigosnoticias/user_exibir.asp&ID=908280https://archive.org/details/recentamericanso00elyrrichhttp://www.portaloaca.com/articulos/anticarcelario/8419-ediciones-internacional-negra.htmlhttp://www.spiralnature.com/phil/blackflag.html

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Desnazificação

Por Antonio Gasparetto Junior

Desnazificação é o termo utilizado para identificar a eliminação da influência cultural nazista após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

O regime totalitário mais conhecido da história da humanidade é o nazismo, que teve como grande representante Adolf Hitler. Após a Primeira Guerra Mundial, Hitler começou a se aprofundar no mundo político, espalhando suas ideias e conquistando admiradores. Durante a década de 1920, ele tentou um golpe que o levaria ao comando político na Alemanha que, no entanto, foi mal sucedido. Seu fracasso nessa tentativa o levou a viver longos anos na prisão. Mas foi justamente na prisão que Adolf Hitler escreveu a obra que daria base para todo o regime que implantaria na Alemanha. O livro Minha Luta é um relato de seus anos como prisioneiro, mas também uma cartilha ideológica que serviria para influenciar muitos alemães. Ao ser liberto, Hitler encontrou uma Alemanha quebrada em função de dois grandes fatores. O primeiro deles foi a própria Primeira Guerra Mundial que rendeu a Alemanha grandes punições, deixando o país fragmentado em sua estrutura e economia. O segundo fator que traria graves consequências foi a grande crise do capitalismo ocorrida em 1929. Este intensificou muito o já estado de debilidade que o país vivia. A população passava fome, não tinha emprego e as perspectivas de futuro eram péssimas. Foi nesse cenário que Adolf Hitler conquistou vários seguidores através de seus discursos que encorajavam a nação. Em um momento de grandes dificuldades, seus discursos apresentavam esperança para a população.

A definitiva chegada ao poder em 1933 iniciou uma profunda transformação ideológica na Alemanha. O Partido Nazista estabeleceu toda uma estrutura de dominação do Estado e de controle da sociedade. Criou-se um regime totalitário, no qual todo o poder está no Estado e, especialmente, em um representante, Adolf Hitler. Logo a máquina nazista estabeleceu seus meios de divulgar a cultura nazista, doutrinando todos desde cedo de acordo com seus preceitos. Uma das características mais marcantes desse regime foi a crença em uma raça superior, os arianos. Hitler semeou a ideia de que os alemães representavam a raça mais pura no planeta e, por outro lado, os judeus seriam a grande praga da humanidade. Assim estabeleceu-se uma intensa caça aos judeus que foi absorvida por boa parte da população alemã. Em 1939, a Alemanha invadiria a Polônia iniciando o mais terrível conflito da história da humanidade, a Segunda Guerra Mundial. Outros países governados por regimes totalitários, como Japão e Itália, se alinhariam com Hitler e este promoveria um grande processo de expansão em nome da raça ariana e da eliminação do povo judeu. Até o final da guerra, em 1945, mais de seis milhões de judeus seriam assassinados nos campos de extermínio.

A Alemanha conquistou muitos territórios durante a Segunda Guerra Mundial, mas foi derrotada pelos países Aliados e seu líder, Adolf Hitler, cometeu suicídio em 1945. Imediatamente após o término do conflito, a Alemanha foi dividida em quatro zonas que seriam controladas a partir de janeiro de 1946 pelos países vencedores, Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética. O território da Áustria também foi dividido da mesma forma, porém a Alemanha esteve sob ocupação até 1948, enquanto a Áustria permaneceu ocupada até 1955. O objetivo dessa divisão e ocupação era eliminar todos os vestígios do regime nazista. Mais de 200 mil nazistas foram aprisionados. Os Acordos de Postdam reforçaram a proposta de limpeza da sociedade, da cultura, da imprensa, da justiça e da política de toda influência nazista. Ainda em 1945, os principais líderes vivos do nazismo começaram a ser julgados em Nuremberg, onde 24 pessoas foram condenadas e também seis associações julgadas criminosas. Essa divisão do território alemão e austríaco daria base para o novo conflito que duraria mais algumas décadas, a Guerra Fria, colocando em oposição Estados Unidos e União Soviética.

A Desnazificação se encarregou de eliminar um dos regimes mais bárbaros do mundo. No entanto, ainda hoje existem pessoas e grupos que alegam seguir a ideologia nazista, defendendo o preconceito e o extermínio de outros povos. Os neonazistas são uma realidade triste para o mundo, mas que, felizmente, hoje, são minoria e não possuem poderes expressivos.

Fontes:
http://www.dw.de/1948-fim-oficial-da-desnazifica%C3%A7%C3%A3o/a-301967http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Desnazificacao-na-Alemanha-passado-presente-e-futuro/20690http://www.encontro2010.historiaoral.org.br/resources/anais/2/1270045282_ARQUIVO_Artigorecife2.pdfhttp://anpuh.org/anais/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S25.0713.pdf

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A Revolução de 1848




Revolução de 1848: o estabelecimento de uma nova oposição política na Europa.





No ano de 1830, os franceses extinguiram os anseios da restauração monárquica ao expulsarem a dinastia Bourbon do poder. Em seu lugar, com o expresso apoio da burguesia nacional, Luís Filipe de Orleans assumiu o governo com o claro intuito de firmar os avanços liberais na Constituição Francesa. Nesse sentido, buscou a ampliação do Poder Legislativo, anulou qualquer ato de censura aos meios de comunicação e realizou a separação entre Igreja e Estado.

Contudo, mesmo com tais avanços, vários grupos políticos se voltaram com seu governo assim que o voto censitário fora preservado. Republicanos, socialistas e bonapartistas se aproveitavam do fim da censura para realizarem grandes banquetes públicos durante os quais discutiam as reformas a serem empreendidas no país. Conhecida como a “política dos banquetes”, essa manifestação acabou ganhando força entre amplos setores da população francesa.

Visando desintegrar o movimento, o rei Luís Filipe e o ministro Guizot resolveram lançar essas reuniões à ilegalidade e não ceder a qualquer reivindicação política. Contudo, a insensibilidade do governo acabou sendo estopim para que um grande movimento popular se formasse em fevereiro de 1848. Naquele mesmo momento, a obra “Manifesto Comunista”, de Marx e Engels, ofereciam um grande aporte ideológico para aquela luta contra a hegemonia burguesa.

Com o apoio de membros da própria Guarda Nacional, os revolucionários forçaram a demissão do ministro Guizot e a fuga do rei para a Inglaterra. A partir desse momento, a França se transformara em uma República. Imediatamente, a pena de morte e o sufrágio universal foram instalados no país. Contudo, logo em seguida, a reação dos conservadores resultou na formação de uma Assembleia Constituinte de natureza predominantemente moderada.

Mesmo não instalando um regime socialista, a Revolução de 1848 teve grande importância para que uma nova polarização política ganhasse vida. A partir daquele momento, as lutas entre burguesia e proletariado seriam vigentes em diversas nações da Europa. Não por acaso, naquele mesmo ano de 1848, outras rebeliões de traço liberal e socialista abalaram as arcaicas estruturas de Velho Mundo. Costumeiramente, esse conjunto de revoluções ficou conhecido como a “Primavera dos Povos”.



Fonte: http://www.mundoeducacao.com/historiageral/a-revolucao-1848.htm

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As greves no ABC e o fim da ditadura



Luiz Inácio Lula da Silva foi a principal figura do sindicalismo nos fins dos anos 70. *





Os últimos anos da década de 1970 viram o surgimento de um novo movimento sindical dos operários brasileiros, influindo na abertura democrática e na história do Brasil das décadas subsequentes. O Novo Sindicalismo aflorado nos anos de 1978 a 1980 resultou na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983, e daConfederação Geral dos Trabalhadores (CGT),em 1986, além de constituir as bases para a formação do Partido dos Trabalhadores, em 1980.

O movimento grevista, que foi o ápice do Novo Sindicalismo, iniciou-se em 12 de maio de 1978 nas fábricas de caminhões da Saab-Scania, em São Bernardo do Campo, São Paulo, quando cerca de 2 mil metalúrgicos cruzaram os braços pela reivindicação de 20% de aumento salarial. No contexto de arrocho dos salários e de fim do crescimento verificado durante o Milagre Econômico no Brasil, o movimento se alastrou para outras empresas, como a Ford, Mercedes-Benz e Volkswagen.

Em 1979, uma nova onda grevista surgiu nas cidades paulistas de Osasco e Guarulhos, além de outras localidades, mas contando desta vez com outras categorias profissionais além dos metalúrgicos, como professores, bancários, funcionários públicos, jornalistas, operários da construção civil, médicos, lixeiros e outras categorias.

Em 1980, uma nova greve ocorreu em São Bernardo do Campo, durando 41 dias e mobilizando 300 mil metalúrgicos. No Brasil não havia greves desta dimensão desde 1968 e tampouco haviam sido organizadas contra a vontade das antigas direções sindicais. Acostumados com as negociações com os governos, os velhos dirigentes dos sindicatos da região foram superados por novas lideranças, dentre as quais se destacou Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e um dos principais líderes do futuro PT.

Na greve de 1980, a população se solidarizou com os grevistas arrecadando recursos para os fundos de greve e alimentos. Mesmo com o governo enfraquecido, a repressão aos manifestantes foi dura, com mortes e intervenções nos sindicatos mais ativos, como o dos bancários de Belo Horizonte e Porto Alegre, e o dos Metalúrgicos de São Bernardo. Foi neste ano também que Lula foi preso, enquadrado pelo regime militar na Lei de Segurança Nacional.

As consequências das greves foram o enfraquecimento ainda maior do regime militar e o surgimento de um polo aglutinador das forças de esquerda, fragmentadas durante a ditadura, em torno da CUT e do PT, que se tornariam elementos de organização extremamente influentes nas três décadas posteriores.

Fonte: http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/as-greves-no-abc-fim-ditadura.htm

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Fatores do Golpe Militar

por: Rainer Gonçalves Sousa



O Golpe de 1964: a crise política que tirou João Goulart da Presidência do Brasil.

A intervenção política dos militares no Brasil aconteceu de maneira gradual. De fato, desde a inesperada renúncia do presidente Jânio Quadros, alguns setores militares se mostravam favoráveis ao estabelecimento da Ditadura Militar. A primeira ação tomada nesse sentido aconteceu em 1961, quando o vice-presidente João Goulart teve sua posse ao cargo presidencial ameaçada por militares que o considerava um político comprometido com as esquerdas nacionais.

Contrários ao anseio militar, diversos democratas e trabalhadores saíram em defesa da posse do novo presidente. No Rio Grande do Sul, o governador Leonel Brizola, cunhado de João Goulart, organizou uma campanha legalista a favor da oficialização do cargo assumido por Jango. A essa altura, vivia-se uma situação conflituosa que ameaçava a organização de uma guerra civil no país. Coincidentemente, Jango tinha feito uma visita à China, país que representava uma das maiores forças do socialismo mundial.

Para contornar a situação, Jango resolveu estender a sua viagem diplomática fazendo uma parada estratégica nos EUA. Tal ação tinha o intuito de enfraquecer as desconfianças que recaíam sobre sua figura política e aproximar Jango dos interesses capitalistas. Além disso, Jango aceitou que o Congresso limitasse os poderes do Executivo ao impor um regime parlamentarista capaz de limitar o papel presidencial. Só assim, Jango conseguiu assumir a presidência em setembro de 1961.

Em 1963, um plebiscito restabeleceu as normas do regime presidencialista e deu fim a todas as limitações políticas impostas pelo parlamentarismo. Com isso, teve seus poderes restaurados e passou a adotar uma série de medidas reformistas onde instituiu o 13º salário, o controle sobre a remessa de lucros para o exterior e o monopólio do Estado sobre a importação do petróleo. No ano seguinte, João Goulart organizou o polêmico comício na Central do Brasil.

Durante o discurso realizado no evento, João Goulart se comprometeu a tomar uma série de medidas que integravam as chamadas reformas de base. Entre outras medidas, Jango prometia iniciar a reforma agrária, ampliar o voto aos analfabetos e remodelar o sistema educacional vigente. Tais propostas deixaram em alerta as elites empresariais, militares e demais conservadores da época. Por outro lado, despertou o apoio aos setores de esquerda, dos grupos nacionalistas e líderes trabalhistas.

Inconformada com as diversas medidas defendidas pelas Reformas de Base, os conservadores paulistas organizaram, em 19 de março de 1964, uma grande passeata com o nome de “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. No final daquele mês a oposição ao governo só piorou com um levante de tropas mineiras que se deslocavam para o Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, os governadores de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro apoiaram a ação golpista dos militares rompendo politicamente com Jango.

No dia 1º de abril de 1964, João Goulart abandonou a presidência e buscou apoio entre os políticos gaúchos, principalmente de Leonel Brizola. Naquele mesmo dia, de maneira inconstitucional, a cadeira de presidente foi considerada vaga e foi logo reassumida por Rainieri Mazzieli. Sem poder buscar uma alternativa, o ex-presidente buscou asilo no Uruguai.

Dessa maneira, o “Golpe de 1964” foi conseqüência de várias questões que tomavam conta da nação. Nos anos de 1960, a economia brasileira estava corroída por uma onda de desemprego, inflação e queda nos investimentos. Além disso, o populismo entrou em crise ao perceber que as reivindicações concedidas aos trabalhadores não poderiam ser impostas sem primeiro atender os interesses das elites. Por último, devemos ainda destacar o apoio logístico e militar dos EUA à ação dos militares brasileiros.

Fonte: http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/fatores-golpe-militar.htm

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As bases do Estado Autoritário

por: Rainer Gonçalves Sousa



Por meio dos Atos Institucionais, o governo militar garantiu sua permanência no poder.



Após a deposição do presidente João Goulart, ficou claro que os militares tinham pretensões de controlar a vida política da nação de forma direta. Diferentemente dos golpes de 1930 e 1945, as Forças Armadas se infiltraram no poder e criaram ações que perpetuariam sua presença nas duas décadas seguintes da história política nacional. Em abril de 1964, o general Castelo Branco foi empossado presidente pelo Congresso, com um mandato que duraria somente dois anos.

Essa ação visava colocar os militares no poder até que fossem organizadas novas eleições pelo voto direto. No entanto, alguns militares participantes do golpe, popularmente conhecidos como integrantes da “linha dura”, acreditavam que a desmobilização dos movimentos de esquerda demandava um processo de ampliação no tempo de permanência e dos poderes atribuídos ao militares. Foi a partir de então que observamos o enrijecimento desse novo regime.

A perseguição política foi instaurada inicialmente com a criação dos Inquéritos Policial-Militares, que seriam responsáveis por controlar todas as pessoas consideradas ameaçadoras à ordem. Diversos políticos tiveram seus mandatos anulados e uma leva de funcionários públicos foi exonerada ou compulsoriamente aposentada. Ao mesmo tempo, o Serviço Nacional de Informação (SNI) foi um novo órgão criado com o objetivo de informar o Executivo sobre as personalidades políticas da época.

Paralelamente, o uso (e abuso) dos Atos Institucionais (AI’s) foi outro importante elemento utilizado para que os militares tomassem decisões sem antes consultar o Congresso Nacional. Em 1965, depois de os candidatos governistas não alcançarem o êxito esperado, o governo militar deu fim a todos os partidos políticos existentes e liberou a cassação deliberada de qualquer mandato político com a criação do AI-2. Além disso, esse mesmo decreto prolongou o mandato de Castelo Branco.

No ano seguinte, o AI-3 modificou o sistema eleitoral para o modelo indireto nas eleições para governador e deu a estes o poder de indicar o prefeito das capitais e dos maiores centros urbanos do país. Nesse momento, alguns civis que tinham apoiado o golpe começaram a notar a proposta continuísta do regime militar e, com isso, passar a se opor a presença dos militares. Foi então que surgiu a Frente Ampla, movimento que buscava convergir todos os opositores da ditadura.

O próximo mandato presidencial, ao contrário do que fora inicialmente acordado, foi fruto de uma indicação política feita pelos militares da “linha dura”. Dessa forma, Costa e Silva fora eleito presidente através de uma confirmação formal do Congresso utilizada somente para acobertar o tom antidemocrático do novo regime. Antes de Costa e Silva assumir o cargo, o AI-4 realizou uma convocação extraordinária do Congresso para a criação de uma nova Constituição.

A nova carta garantiu a presença dos militares com o fortalecimento do Poder Executivo. De acordo com a nova constituição, o presidente teria poder de deliberar livremente sobre as finanças públicas e as questões de segurança nacional. Nesse último aspecto, o documento dizia que os delitos contra a ordem sócio-política e o controle da vida cultural do país estavam intimamente ligados a essa questão.

Além disso, foi criada a Lei de Imprensa que proibia expressamente a publicação de qualquer conteúdo que incitasse a desordem social ou criticasse as autoridades instituídas. Sob o aspecto eleitoral, reafirmando as deliberações do AI-2, a nova constituição oficializou o uso de eleições indiretas na escolha do mandato presidencial.

Foi a partir de então que a ditadura se consolidou como novo meio de organização da vida política nacional e garantiu a presença das autoridades militares no poder.

Fonte: http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/as-bases-estado-autoritario.htm

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O Ato Institucional nº 5 – AI-5

por: Tales dos Santos Pinto



Foi sob o governo do general Arthur da Costa e Silva que foi decretado o AI-5, medida que intensificou a repressão da ditadura em 1968

O ano de 1968 ficou marcado na história como um ano de manifestações pelo mundo todo. Na Europa, nos Estados Unidos e na China milhares foram às ruas protestar contra as condições de trabalho e educação e contra a Guerra no Vietnã, por exemplo. No Brasil, uma onda de revolta e resistência à ditadura civil-militar ocorreu em todo o país. Para contê-la, o general Costa e Silva decretou o Ato Institucional nº 5, o AI-5, considerado como um golpe dentro do golpe, fortalecendo o poder autoritário dos militares.

O AI-5 previa: o fechamento do Congresso Nacional, passando as funções legislativas ao presidente da República; suspensão dos direitos políticos e das garantias constitucionais, como a suspensão do habeas corpus (instrumento jurídico de garantia de liberdade individual); intervenção federal em estados e municípios; e a possibilidade do presidente decretar estado de sítio sem autorização do Congresso. O AI-5 tinha caráter permanente, sendo revogado 11 anos após sua decretação.

Veja alguns fatos que motivaram o AI-5:

As reivindicações estudantis eram mais ligadas às questões de organização educacional que propriamente política. Em março de 1968, uma manifestação pela melhoria da alimentação e de redução de preços no restaurante Calabouço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sofreu forte repressão da polícia e resultou na morte do estudante Edson Luís de Lima Souto. O enterro contou com mais de 50 mil pessoas e iniciou uma escalada de manifestações estudantis, organizadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE), cujo ápice foi a Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, em junho. As reivindicações por melhorias na educação se transformaram em lutas políticas contra os militares.

Os trabalhadores também promoveram ações usadas como pretexto para o AI-5. Em 1968, duas grandes greves operárias foram duramente reprimidas. Em abril, 20 mil metalúrgicos de Contagem, Minas Gerais, entraram em greve. Em Osasco, São Paulo, 15 mil cruzaram os braços para serem atendidas suas reivindicações trabalhistas. Mas as reivindicações não se limitaram a isso e questionavam politicamente o crescente autoritarismo da ditadura.

Grupos políticos e de dissidência interna ao exército enfrentaram o poder militar através da luta armada. Os casos mais emblemáticos foram os de Carlos Marighela, que expulso do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1966, fundou a Aliança Libertadora Nacional (ALN); e de Carlos Lamarca, capitão e líder da Vanguarda Popular Revolucionária criada em 1968. O objetivo principal era a derrubada da ditadura civil-militar no poder desde 1964.

Frente às ameaças, o general Costa e Silva resolveu endurecer a defesa do regime e decretou em 13 de dezembro de 1968 o AI-5. O pretexto para o AI-5 foi que a Câmara dos Deputados não licenciou o deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, para que o Supremo Tribunal Federal cassasse seu mandato.

Este golpe dentro do golpe fortaleceu e centralizou o poder executivo nas mãos dos militares, intensificando a repressão à resistência contra o regime. Após o AI-5, órgãos de inteligência e repressão militar foram criados, como a Operação Bandeirante (OBAN) subordinada ao exército e financiada por grandes empresários. A OBAN depois passou a se chamar Centro de Operações para a Defesa Interna (CODI) e coordenava o Departamento de Operações Internas (DOI), estrutura conhecida como DOI-CODI. Outro organismo de repressão criado foi o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

Com a intensificação da repressão, os grupos de resistência armada passaram a realizar sequestros para financiar suas atividades, como o caso do embaixador norte-americano Charles Elbrick, realizado pelo Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), que pode ser visto no filme Que é isso companheiro?, de 1997.


Fonte:http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/o-ato-institucional-n-5-ai-5.htm

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PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Fracassa ataque anfíbio dos Aliados a Galípoli - Forças 
otomanas reduzidas impõem massacre aos invasores - Desastre militar pode
derrubar Winston Churchill do Almirantado da Grã-Bretanha
Mar em chamas: embarcações militares britânicas atingidas pelo fogo inimigo durante desembarque na península

inston Churchill perguntava: "Não há alternativa que não seja mandar nossos exércitos mastigarem arame farpado em Flandres?" Quando o primeiro lorde do Almirantado britânico fez sua eloquente defesa da abertura de uma frente de batalha em território otomano, como forma de quebrar a estagnação da guerra no front europeu e levar Constantinopla à capitulação, certamente imaginava um cardápio algo mais saboroso para seus homens. Pois as forças de defesa do Império Otomano, chamadas à ação pelo desembarque aliado na península de Galípoli, no último dia 25 de abril, estão servindo aos invasores uma amarga mistura de sangue, pólvora e areia. Os primeiros resultados do tão discutido e aguardado assalto anfíbio da Força Expedicionária Mediterrânea no cabo Helles e em Gaba Tepe não poderiam ser mais nauseabundos: sem chegar nem perto dos objetivos, registram centenas de baixas e repetem o retumbante fracasso dos ataques navais no estreito de Dardanelos, entre fevereiro e março, dando mais uma prova do despreparo e da falta de organização da empreitada aliada. Acuados, os soldados buscam a sobrevivência enquanto aguardam reforços que não têm data para chegar.
Nas duas frentes da campanha, frustração e desespero são uma constante - especialmente para o Corpo do Exército da Austrália e Nova Zelândia (Anzac), liderado pelo general William Birdwood e composto por 15.000 soldados voluntários australianos e neozelandeses que desde o início do ano estavam lotados no Egito executando treinamentos à espera de uma transferência para os combates na França. Sua missão era desembarcar na praia de Gaba Tepe, na costa do Mar Egeu, ocupar rapidamente o cume de Sari Bair e dali avançar em direção ao interior. Mas nada deu certo, a começar pelo desembarque. Por algum motivo ainda não esclarecido, os 48 barcos que levavam os soldados para terra firme atracaram um quilômetro ao norte da praia, em um território inóspito com declives íngremes e uma sucessão de espinhaços. Com isso, os homens do general Mustafá Kemal, líder da 19ª Divisão da Infantaria otomana, puderam tomar posição em Sari Bair e repelir os atrasados aliados - que agora estão confinados em uma cabeça-de-praia, sob a mira inclemente do chumbo inimigo. O comando militar da Tríplice Entente calcula que 10.000 Anzacs já tenham perecido nessas batalhas.
Sebo nas canelas: sob fogo cruzado, um dos pelotões britânicos tenta avançar
A cerca de dez milhas ao sul, no cabo Helles, encontra-se a segunda frente, a cargo dos soldados veteranos regulares da 29ª Divisão britânica, sob o comando do general Aylmer Hunter-Weston. Eles deveriam invadir e subjugar cinco praias, batizadas com as letras Y, X, W, V e S, cruciais para a tomada do estreito. Nos flancos - Y, X e S -, praticamente não houve resistência, e os alvos foram conquistados com tranquilidade. Entretanto, em W e V, as duas praias principais, a defesa otomana promoveu uma verdadeira carnificina. Recebidos com balázios de fuzil e metralhadora, muitos dos homens de Lancashire, combatentes na praia W, pereceram antes do desembarque; aqueles que lograram chegar à areia toparam com uma cerca de arame farpado que escondia uma trincheira e possibilitava aos otomanos alvejarem um a um os invasores. Na praia V, os fuzileiros de Dublin, Hampshire e Munster não foram incomodados até suas embarcações tocarem a areia: no momento de deixar os barcos, porém, quatro metralhadoras turcas abriram fogo, dizimando aliados em escala industrial. No total, as baixas britânicas estão no cômputo de 6.500 homens.
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Batalha em Krithia - Mesmo assim, graças a uma enorme vantagem numérica, os aliados conseguiram desarmar as defesas turcas em ambos os alvos principais, estabelecendo cabeças-de-praia em V e W e permitindo o desembarque de outros batalhões da Força Expedicionária Mediterrânea, notadamente o Corpo Expedicionário do Oriente. Enviado pelos franceses, este agrupamento fizera, no dia 25, manobras diversionistas no lado asiático de Dardanelos, a fim de desviar a atenção das forças turcas, e em seguida atravessou o estreito para auxiliar no plano principal da Tríplice Aliança. Com esse reforço, o general Hamilton determinou um ataque à cidade de Krithia e ao morro de Achi Baba, que pelo cronograma original deveriam estar subjugados desde o primeiro dia da invasão. Iniciado às 8h da manhã do dia 28 de abril, o ataque foi abortado às 18 horas, depois que problemas de comunicação entre as divisões francesas e britânicas, aliados às dificuldades com o terreno e a cada vez mais forte resistência otomana, deixaram claro que a ideia de uma vitória fácil e rápida em Galípoli era uma utopia.
O que torna o cenário mais tenebroso para o comando aliado da operação é o fato de que esses revezes tenham sido produzidos por uma fração mínima das hostes do general alemão Otto Liman von Sanders, comandante das forças otomanas. Toda a área invadida pelas seis divisões da Força Expedicionária Mediterrânea era mantida por apenas duas divisões, a 9ª e a 19ª. Na angra de Gaba Tepe, uma companhia de 200 homens impediu o avanço dos milhares de Anzacs. As praias V e W estavam resguardadas por míseros pelotões de 50 homens, que impingiram verdadeiros massacres contra os fuzileiros britânicos antes de serem controlados. E o pior está por vir: a maioria das tropas otomanas, antes espalhada entre Bulair e Kum Kale, na Europa e na Ásia, neste momento se desloca célere para o estreito de Dardanelos a fim de ajudar na defesa do solo do império. Reverter o cenário é tarefa que deverá consumir, além de uma forte articulação política e altíssimos recursos dos aliados, mais inúmeras vidas no inferno de Galípoli.
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Na trincheira: otomanos travam combate
A vingança de Paxá - No tabuleiro da História, não há lugar para hipóteses. Mas os figurões aliados se perguntam se esse panorama sombrio não poderia ter sido evitado caso a Grã-Bretanha tivesse honrado, no ano passado, seu acordo de colaboração naval com o Império Otomano. Antes do eclodir da grande guerra, dois encouraçados - o Sultão Osman I e o Reshadieh - estavam sendo construídos em estaleiros britânicos para reforçar a historicamente mediana marinha otomana; às portas do conflito, as embarcações, já praticamente prontas, eram vistas como fundamentais pelo Ministro da Guerra Enver Paxá, que negociava secretamente tanto com a Alemanha quanto com a Rússia sua entrada nas hostilidades. Entretanto, tão logo as primeiras declarações de guerra entre Alemanha e Rússia foram anunciadas, a Grã-Bretanha requisitou os dois encouraçados, despertando a fúria de Paxá. Este se vingou acolhendo em Constantinopla dois cruzadores alemães, o Goeben e o Breslau, que haviam bombardeado portos franceses no norte da África e escaparam do cerco da frota naval britânica no Mediterrâneo. O Ministro da Guerra deu de ombros aos protestos da Grã-Bretanha e negociou com os alemães a anexação dos dois navios à sua frota, em incidente que afastou o Império Otomano de sua posição neutra e deitou-o no colo da Tríplice Entente.
Uma vez dentro da guerra, Enver Paxá, conhecido por seu temperamento explosivo e inconsequente, não ficaria parado. Depois de abrir frentes de combate na Índia e no Egito, na virada de 1914 para 1915, decidiu atacar a Rússia nas fronteiras do Cáucaso. Apesar de desorganizado, o avanço otomano colocou em sobressalto o comando russo, que pediu uma ação radical à Grã-Bretanha e à França para que fosse aliviada a pressão no Cáucaso. O apelo ecoou especialmente nos ouvidos de Churchill, que buscava um evento novo para tirar a guerra da Europa do ramerrão. Para o primeiro lorde do Almirantado, os combates na França haviam chegado a um ponto de paralisia. Os exércitos opostos estavam tão enraizados nas trincheiras que qualquer alternativas de ataque geraria apenas enormes baixas e pequenos ganhos. Na frente oriental, russos e alemães estavam igualmente estáticos. Havia uma confiança generalizada na supremacia da marinha britânica, mas um confronto direto com a armada alemã era pouco provável. A saída do impasse só viria com a criação de uma ousada alternativa - e o fecundo Churchill tratou logo de apresentar duas delas ao conselho de Guerra no início deste ano.
A primeira opção era invadir o estado alemão de Schleswig-Holstein pelo mar, permitindo à Dinamarca se juntar às forças aliadas e abrindo assim os portões do mar Báltico. Com o domínio britânico naval do Báltico, acreditava Churchill, os exércitos russos poderiam desembarcar a 140 quilômetros de Berlim e tomar a capital imperial alemã. O outro cenário, que acabou finalmente sendo colocado em prática, era Galípoli, por não apenas atender o pedido de ajuda russo contra os otomanos como também gerar uma série de outros benefícios. A ideia de Churchill de forçar a passagem pelo estreito de Dardanelos, ocupar a península de Galípoli e penetrar com uma esquadra pelo mar de Mármora - que liga o Egeu ao Negro - rumo à Constantinopla levaria à capitulação do Império Otomano e traria, ao mesmo tempo, a Grécia, a Bulgária e a Romênia para as fileiras aliadas. O domínio marítimo na região também facilitaria a comunicação da Grã-Bretanha e da França com a Rússia, reabrindo a rota do mar Negro.
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Os estrategistas da resistência: oficiais otomanos e alemães posam juntos
Fracasso retumbante - Quando Churchill apresentou ao Gabinete de Guerra a segunda opção, em janeiro, encontrou a resistência silenciosa de seu Lorde do Mar, o experiente almirante John Fisher. Mesmo assim, conseguiu o apoio do primeiro-ministro Herbert Asquith para execução do plano. Seu resultado, todavia, já figura nas páginas dos mais formidáveis fracassos da história da grande frota naval britânica. Os bombardeios de fevereiro e março no estreito de 7 quilômetros de largura e 65 quilômetros de comprimento não foram suficientes para desmontar o eficiente sistema de defesa otomano. Pior: a operação de 18 de março, com 16 cruzadores, terminou com o afundamento de três navios, a inutilização de outros três e avarias severas em mais quatro - isso sem que as dez linhas de minas instaladas no estreito fossem sequer acionadas. A frota liderada pelo almirante John de Robeck bateu em retirada, envergonhada, ao final do dia. Era evidente a necessidade de um ataque terrestre - mas aí, com o fator surpresa descartado, as chances de sucesso diminuíram sobremaneira.
Como se não bastasse, a demora para a mobilização das tropas (quase quatro semanas) ofereceu ao general Liman von Sanders todo o tempo do mundo para o preparo da defesa, especialmente a construção de linhas de comunicação entre suas seis divisões. Com tudo isso, a salobra refeição que os otomanos estão empurrando goela abaixo dos aliados em Galípoli pode ser especialmente indigesta para Churchill, que já têm sua cabeça pedida nas rodas militares da Grã-Bretanha. De qualquer forma, ao menos um novo atracamento em Dardanelos precisa ser considerado pelo conselho de guerra aliado. Se não para despejar reforços para as tropas sitiadas, ao menos para evacuá-las em segurança. Qualquer que seja a opção, é bom que seja rápida - antes que os soldados australianos, neozelandeses, britânicos e franceses virem em definitivo o jantar dos famintos homens de Enver Paxá, Mustafá Kemal e Liman von Sanders.

Fonte: Veja.

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