29.5.09

Constantinopla: esplendorosa metrópole

Chamavam assim a cidade de Constantino: a Maçã de Prata. Desde 11 de maio de 330, ela fora a sede máxima do Império Romano do Oriente, depois simplesmente designado de Império Bizantino. O imperador, que se convertera ao cristianismo, sentindo a decadência do lado ocidental dos seus domínios, decidira escolher um outro sítio mais seguro para servir de sua capital.

Trocou Roma por Bizâncio, abandonou o latim pelo grego e o título de imperador pelo de basileu. Mudou-se com a corte, a administração e as legiões, para aquela antiga cidade fundada pelos gregos no século VII a.C., então um pequeno porto situado no Bósforo - a passagem que ligava o Mar Negro (Pontus) ao Mediterrâneo (Mare Nostrum).

Nos onze século seguintes à sua refundação, ela, rebatizada de Constantinopla, foi uma das mais esplendorosas metrópoles da transição da Época Clássica para a Medieval. Esquina do mundo de então, vanguarda da cristandade na fronteira da Ásia Menor, para ela afluiu gente de todos os cantos. Nas suas ruas apinhadas e cheias de vida, cruzavam gregos, romanos, sérvios, búlgaros, árabes, venezianos, genoveses, godos, varegos, russos, tártaros, caucasianos, etc..., formando um burburinho permanente de vozes, de línguas e de dialetos os mais estranhos e bizarros.

De longe, tratava-se do maior centro financeiro, mercantil e cultural de toda aquela parte do globo, a referência viva de um império que no seu apogeu chegou a ter 34,5 milhões de habitantes. Viram-na como uma Segunda Roma, a Nova Roma, um chamariz para os peregrinos cristãos que vinham atrás das famosas relíquias que as coleções locais abrigavam. Por todos os lados encontrava-se uma impressionante oferta de objetos sagrados que enchiam de espanto os olhos do crente e incendiava a imaginação dos supersticiosos.

Relíquias e peregrinações

O imperador Juliano e sua corte
Espalhadas por catedrais, igrejas, palácios ou museus da cidade, encontrava-se lascas da Madeira da Cruz, o Sangue Sagrado, a Coroa de Espinhos, a Túnica Inconsútil, a Santa Lança, os Cravos que pregaram Cristo e uma série macabra de santos cadáveres (de Santo André, São Lucas, Santa Ana, Maria Madalena e Lázaro, o ressuscitado, e tantos outros mais), além das sandálias de Cristo e até os cabelos de João Batista; tal adoração supersticiosa culminava com alguns pães que teriam sobrado dos doze cestos, obra do milagre da multiplicação feita por Jesus (Mateus 14-15), e que estavam expostos numa coluna.

Desconhecia-se entre os cristãos daquela época, povo mais preocupado com as coisas da religião do que os bizantinos, assunto que os levava a travar, tanto os monges, os teólogos, o basileu e a gente comum, intermináveis discussões, geralmente estéreis ou inconclusivas, sobre temas bíblicos ou correlatos. Exemplo disso, foi a exasperante polêmica que ocorreu nos tempos da imperatriz Teodora, falecida em 548, entre os monofisistas, com quem ela simpatizava, e os ortodoxos ligados mais ao imperador Justiniano.

As relíquias que foram trazidas da Terra Santa, primeiramente por Santa Helena, a mãe do imperador Constantino, eram mantidas sob controle do clero ortodoxo, que fazia às vezes de Segundo Estado dentro do Império Bizantino. Posse que fazia inveja ao clero de Roma, de quem a Igreja Cristã Ortodoxa estava totalmente separada desde o Cisma do Oriente, ocorrido em 1054.

A Nova York daqueles tempos

Mapa de Constantinopla
De certo modo, Constantinopla foi no seu tempo uma espécie de mistura de Nova York com Jerusalém. Isto é, uma metrópole que conciliava perfeitamente os negócios e um intenso comércio com os assuntos da fé e da religião. Onde o luxo ostensivo da corte imperial e do patriciado local convivia com a pobreza e mesmo com a miséria, o ouro e os trapos circulando por perto um do outro.

Ao longo de uns seis século, as moedas bizantinas, o solidus ( antigo aureus romano) e o numma, foram as primeiras a ser realmente universais, sendo conhecidas, aceitas e cambiadas na maior parte dos mercados asiáticos ou europeus, enquanto o grande código jurídico do imperador Justiniano (Corpus Juris Civilis, 529-533), organizado pelo jurista Triboniano, criou os fundamentos futuros do Direito europeu e mesmo dos da Ásia Menor.

Como símbolo daquela proeminência toda, da magnificência imperial e teocrática que dela imanava (como sede oficial do autocrata do oriente e sé do patriarca ecumênico da Igreja Cristã Ortodoxa, obediente ao imperador), é que construiu-se a Hagia Sofia, a Igreja da Santa Sabedoria, aprontado em 537, templo imenso de 56 metros de altura, todo decorado internamente por belos mosaicos e incontáveis ícones bizantinos, encimada por uma estupenda cúpula redonda, erigida pelos arquitetos Antêmio de Trales e Isidoro de Mileno.

Ergueram-na bem na ponta da península, na Acrópole da cidade, local panorâmico, esplendido, que dá vistas para o mar de Mármara ao sul, e para o Chifre de Ouro ao norte, os dois lençóis de água que enlaçam Constantinopla e em cujas margens se abrigam excelentes portos como o de Eleutério, Kontoskalion e Sofía.

Constantinopla: uma luta desparelha

Se bem que decadente, quando os turcos a cercaram, debilitada pelas lutas internas, pelas brigas intermináveis entre as facções religiosas, a dos hesicastas e dos barlaamistas que separavam os cristãos ortodoxos: pela perda dos territórios da Nicomédia, da Anatólia, da Síria, da Palestina e do Egito, para o povo do Islã, Constantinopla era ainda uma presa formidável. Por ocasião do cerco de 1453, dos seus outrora 500 mil habitantes, só restavam 50 mil ou um pouco mais, mas isso não impedia o sultão de considerá-la a Maçã de Prata.

De nada serviu a valentia do seu último imperador, o basileu Constantino XI, Dragases, o derradeiro príncipe da dinastia dos Paleólogos a governar a cidade, ou o socorro, escasso, que o papa romano e os italianos lhe enviaram. Para a batalha final, os cristãos mal contavam com 7 mil homens, enquanto o invasor turco dispunha de bem mais de 100 mil soldados e uma poderosa frota de galeras. Era uma luta totalmente desparelha. Por isso, quando em certa manhã de maio de 1453, ainda na tenda vermelha de Maomé II, o sultão pediu um presente ao seu general Jalil Paxá, exigiu que trouxessem-lhe a Maçã de Prata (apelido dado a Constantinopla).

O sufoco dos turcos

Sultão Maomé II (1432-1481)
O cerco e ataque final a Constantinopla, nos primeiros meses do ano de 1453, foi acima de tudo um trabalho de muita paciência. Os árabes tentaram séculos antes tomar a cidade em duas oportunidades: a primeira delas em 677-8, e a outra durante os anos de 717-8, os anos do Grande Sítio Árabe. Também ousaram o mesmo os hunos (em 443 e 558), os ávaros (em 602 e 626), os persas (em 626), os eslavos (em 865), e os búlgaros (em 913 e 923). Mas a cidade, reforçadissima pelo seu complexo sistema de fossos e muralhas que a protegiam (a de Constantino e a de Teodósio), somada ao poder da esquadra bizantina, resistiu sem perigo aos assédios.

Verdade que antes ela fora barbaramente pilhada em 1204, pelos próprios cristãos vindos da Europa. Mas aquilo – o pavoroso saque de Constantinopla - resultara da traição dos cavaleiros da Quarta Cruzada em conluio com Enrico Dandolo, o doge de Veneza, que, ao invés de dirigirem-se para o Egito para debilitarem o poder dos sucessores de Saladino, resolveram assaltar a grande cidade que os acolhera. Episódio sórdido e escandaloso que opôs os católicos aos ortodoxos, afetando para sempre o espírito das Cruzadas e fazendo com que a parte da cristandade oriental se separasse ainda mais da ocidental.

A hábil estratégia dos turcos otomanos concentrou-se em ir envolvendo a grande metrópole aos poucos, agindo como se fora uma cobra-gigante engolindo um gado qualquer, centímetro por centímetro, deixando a cabeça por último. Logo após a ofensiva desencadeada por vários sultões contra as possessões bizantinas na costa sul do mar Negro, no transcorrer do século XIV, eles expandiram-se para dentro do território europeu (a ocupação da Sérvia após a batalha de Kosovo, em 1389). Então, um poderoso cinturão turco isolou Constantinopla do resto da cristandade. Após o fracasso da chamada Cruzada de Varna, realizada pelos húngaros em 1444, quando os exércitos cristãos que marchavam para ajudar Constantinopla foram derrotados pelo sultão na batalha de Varna, a cidade somente podia receber auxílio pelo mar. O que também não durou muito.

Além do bloqueio feito pela esquadra turca, Maomé II determinou a construção de uma impressionante muralha: a Rumeli Hisar, erguida à braço por 3.500 operários em apenas dois meses (abril-maio de 1453), para impedir qualquer tipo de ajuda vinda de fora, o que fez por reduzir-se ainda mais as esperanças dos cristãos. Para mostrar que não estava ali senão para aceitar a capitulação total e definitiva da cidade, o sultão ordenou a decapitação de uma delegação de legatários enviada ao acampamento dele pelo imperador Constantino XI, para tentar negociar algum tipo de acordo. Maomé II decidira que Constantinopla seria dele e que a bandeira verde do Profeta iria tremular na catedral de Hagia Sofia. Mandara ainda construir uma enorme calçada de madeira de 15 quilômetros que lhe permitiu contornar a entrada do Chifre de Ouro que estava bloqueada pelos bizantinos, transportando por ela uns 70 barcos de médio calado, prontos para o assalto derradeiro.

A queda de Constantinopla

As muralhas de Constantinopla
Encerrada a fanfarra, os canhões dispararam. Maomé II prometera a todos, três dias de saque, mas alertou para que não depredassem os prédios, edifícios e templos. “A cidade é minha!”, reiterou ele. Enquanto a infantaria turca buscava penetrar pelas brechas abertas nas muralhas, os janízaros subiam pelas longas escadas em direção às seteiras. Nem mesmo o terrível Fogo Grego, um líquido inflamável que queimava até sobre a água, jogado pelos cristãos lá do alto, conseguiu detê-los. Um esquadrão deles conseguiu saltar a muralha, e, suplantando a tenaz resistência dos bizantinos, correu para abrir um dos portões. Rompido o dique, fez-se a enchente. Milhares de soldados turcos esparramaram-se aos gritos pelas ruas e vielas de Constantinopla gritando vivas a Alá.

Quase toda a cidade, em meio aos horrores da pilhagem, dos estupros e dos assassinatos, foi tomada naquele dia mesmo de 28 para 29 de maio de 1453. A resistência cessara. Constantino XI morreu em meio as batalhas das ruas. Trouxeram a cabeça dele para o sultão, mas não houve certeza de que o achado macabro era mesmo do último autocrata do antigo Império Romano do Oriente. Um poder que durara exatamente 1.123 anos e 18 dias. Hagia Sofia, depois de despojada dos mosaicos e dos ícones virou mesquita muçulmana, sendo-lhe acrescentado quatros minaretes para os chamados às preces dos muazins, enquanto que o Bósforo tornou-se um lago turco.

Maomé II, a trote com seu belo garanhão branco, entrando na cidade tomada, desfilou por ela como o seu grande conquistador. E foi assim que o sultão passou para a História: Maomé II, o Conquistador. De fato, ele fizera o maior feito das armas turcas em todos os tempos. Entre os séculos XIX e XX, o Império Turco Otomano praticamente desapareceu do mapa, perdido em guerras contra outras potências ou por movimentos étnicos de emancipação nacional. Constantinopla, porém, rebatizada como Istambul, continua até hoje, passados 550 anos da conquista, a pertencer aos turcos.

Termos

Autocrata = de origem grega (auto + krátor), autoridade de um homem só, identifica o poder absoluto do imperador bizantino que reina sem nenhuma interferência de qualquer outro poder.

Basileu = rei em grego. Adotado também como titulo imperial em Bizâncio.

Bizâncio = antiga cidade grega rebatizada por Constantino como Constantinopla, no ano de 330

Bizantino = Império Bizantino ou Império Romano do Oriente, denominação adotada após a separação oficial entre o Império do Ocidente (Romano) e o do Oriente ( Bizantino), determinada pelo imperador Teodósio, em 395. Durou de 330 até 1453.

Bizantinismo = discussão inócua, sem sentido, sem objetivo, estéril, referente ao gosto dos bizantinos de manterem infindáveis debates sobre "o sexo dos anjos".

Cesaropapismo = concentração dos poderes temporais (César) e espirituais (Papa), situação típica do imperador bizantino que mantinha o patriarca subordinado a ele, fazendo da religião um assunto de estado e não do indivíduo. Símbolo do cesaropapismo era a águia bicéfala, escudo e bandeira do imperador.

Cisma do Oriente = separação das Igrejas Cristãs, ocorrida no ano de 1054, entre a fé católica (universal), predominante na Europa Ocidental, e a fé ortodoxa (a de linha certa, correta), com base em Constantinopla, expandindo-se para os Balcãs e para a Russia. Desde então, a Igreja Cristã viu-se divida entre a autoridade do Papa e a do Patriarca.

Monofisista = do grego mono + physis, uma só natureza, seita cristã ortodoxa do século VI, que considerava que Jesus Cristo tinha uma só natureza e não duas (a divina e a humana).

Patriarca = chefe da Igreja Ortodoxa, o papa da Igreja Oriental, sem ter porém a mesma independência do bispo de Roma.

Relíquias sagradas = culto e adoração a objetos que teriam pertencido a Jesus Cristo e a seus próximos, compreendendo igualmente as coisas dos santos e das santas, inclusive seus corpos ou parte deles.

Sultão = governante máximo dos turcos otomanos. Chefe de Estado e líder militar


Bibliografia
Brown, Peter - 
O fim do Mundo Clássico, Lisboa, Editorial Verbo, 1972
Coles, Paul - 
Os turcos na Europa, Lisboa, Editorial Verbo, Presença, s/d.
Maier, Franz Georg - 
Bizancio, in Historia Universal Siglo XXI, v.13, Madri, Siglo XXI, 1974
Runciman, Steven - 
A Civilização Bizantina, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1961
Runciman, Steven - 
Historia de las cruzadas, Madri, Alianza Editorial , 3 v.


Fonte:Voltaire Schilling

Disponível em:http://educaterra.terra.com.br/voltaire/antiga/2003/10/13/001.htm

Boris Yeltsin


Boris Nicolaievich Yeltsin nasceu em Sverdlovsk, em 1931, e faleceu em Moscou em 2007. Foi um estadista russo que pôs fim ao regime comunista da União Soviética. Boris Yeltsin nasceu em uma família pobre e começou trabalhando na construção (eraengenheiro) na sua região de origem, os Montes Urais. Em 1961, filiou-se ao Partido Comunista da União Soviética (PCUS) e depois de sete anos, tornou-se funcionário do PC. 

Em 1976, Yeltsin foi eleito secretário geral do PCUS na província de Sverdlovsk (atual Yekaterinburgo). Foi quando Gorbachov conheceu a atitude reformista de Yeltsin e, quando Gorbachov subiu ao poder, em 1985, promoveu Yeltsin para dirigir a organização local de Moscou com a missão principal de lutar contra a corrupção. Contudo, Yeltsin bateu de frente com Gorbachov ao começar a criticar o lento processo das reformas e teve de demitir-se em 1987.

Sua atitude contestadora fez de Yeltsin um político muito popular e, desse modo, foi eleito, em 1989, com grande apoio popular para o Congresso dos Deputados de Povo, novo parlamento soviético criado no início da perestroika (reestruturação). Um ano depois, no dia 29 de maio de 1990, foi eleito pelo parlamento da república russa presidente daquele país. Yeltsin, depois de eleito presidente, começou a caminhar em direção a uma maior autonomia e a uma profunda reforma política e econômica. Em julho de 1990, abandonou o PCUS.

Em junho de 1991, foi eleito pelo voto popular para ocupar a presidência da República da Rússia. Quando ocorreu o golpe militar dos comunistas conservadores, no dia 19 de agosto de 1991, Yeltsin ficou a frente da reação popular e suas fotos subindo num tanque diante do parlamento russo deram voltas pelo planeta. 

Gorbachov ficou debilitado e, assim, Yeltsin se tornou o 
homem forte da situação. Depois do referendo favorável à independência da Ucrânia, Yeltsin firmou acordos com líderes da Ucrânia e Bielorússia, visando o fim da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e a formação de uma Comunidade de Estados Independentes com escassos poderes. Quando Gorbachov renunciou à presidência da URSS, e o Estado soviético desapareceu, no dia 25 de dezembro de 1991, Yeltsin, como presidente da Rússia, assumiu a maior parte das responsabilidades no tocante à defesa e a assuntos exteriores da extinta superpotência.

Seu trabalho como presidente da Rússia foi muito polêmico. A crise econômica, a não resolvida rebelião da Chechênia, sua adição ao álcool, seu caráter instável e sua saúde fraca foram tornando-o progressivamente impopular. No ano 2000, Boris Yeltsin foi substituído por Vladimir Putin. Yeltsin faleceu com problemas cardíacos.


Fonte:Infoescola

Bartolomeu Dias



Estátua de Bartolomeu Dias naCidade do Cabo.

Bartolomeu Dias (cerca de 1450 — 29 de Maio1500) foi um célebre navegador português. Dele não se conhecem os antepassados, mas mercês e armas a ele outorgadas passaram a seus descendentes. Seu irmão foi Diogo Dias.

Há quem o diga descendente de Dinis Dias escudeiro de D. João I e como navegador descobrira Cabo Verde em 1445. Ignora-se onde e quando nasceu, no entanto alguns historiadores sustentam ter ele nascido em MirandelaTrás-os-Montes. Sobre a sua família sabe-se apenas que um parente Dinis Dias e Fernandes, na década de 1440 terá comandado expedições marítimas ao longo da costa do Norte de África, tendo visitado as ilhas de Cabo Verde.

Na sua juventude terá frequentado as aulas de Matemática e Astronomia na Universidade de Lisboa e serviu na fortaleza de São Jorge da Mina. Estava habilitado quer a determinar as coordenadas de um local, quer a enfrentar tempestades e calmarias como as do Golfo da Guiné.

Em 1486, D. João II]] confiou-lhe o comando de duas caravelas e de uma naveta de mantimentos com o intuito público de saber notícias do Preste João. Ao comando da caravela S. Pantaleão estava João Infante. O propósito não declarado da expedição seria investigar a verdadeira extensão para Sul das costas do continente africano, de forma a avaliar a possibilidade de um caminho marítimo para a Índia. Porém antes disso, capitaneara um navio na expedição de Diogo de Azambuja ao Golfo da Guiné.

Rota da viagem de Bartomoleu Dias (1487-88)

Marinheiro experiente, o primeiro a chegar ao Cabo das Tormentas, como o batizou em 1488 (chamado assim pois lá encontrou grandes vendavais e tempestades), um dos mais importantes acontecimentos da história das navegações. A expedição partiu de Lisboa em Agosto de1487 a bordo levavam dois negros e quatro negras, capturados por Diogo Cão na costa ocidental africana. Bem alimentados e vestidos, serão largados na costa oriental para que testemunhem junto daquelas populações daquelas regiões a bondade e grandeza dos portugueses, e ao mesmo tempo recolher informações sobre o reino do Preste João. Em Dezembro atingiu a costa da actual Namíbia, o ponto mais a sul cartografado pela expedição de Diogo Cão. Continuando para sul, descobriu primeiro a Angra dos Ilhéus, sendo assaltado, em seguida, por um violento temporal. Treze dias depois, procurou a costa, encontrando apenas o mar. Aproveitando os ventos vindos da Antártica que sopram vigorosamente no Atlântico Sul, navegou para nordeste, redescobrindo a costa, que aí já tinha a orientação este-oeste e norte (já para leste do Cabo da Boa Esperança, que foi renomeado pelo rei português D. João II, assegurando a esperança de se chegar à Índia, para comprar as tão necessárias especiarias e outros artigos de luxo. Antes para se chegar à Índia era preciso apenas cruzar o Mar Mediterrâneo passando por Gênova e Veneza, que eram grandes centros comerciais graças ao Renascimento, só que eram agora dominados pelos turcos. Precisando então cruzar o Atlântico, chamado naquele tempo de O Mar Tenebroso, acreditando-se que nele haviam monstros devoradores de embarcações e dar a volta na África, para se chegar à Índia), continuou para leste, cartografando diversas baias da costa da actual África do Sul (úteis no futuro como portos naturais), e chegando até à baía de Algoa (800 km a leste do cabo da Boa Esperança).

Bartolomeu Dias e os seus marinheiros no meio de uma tempestade, antes de chegar ao Cabo da Boa Esperança

então conhecido como Cabo das Tormentas. Estudos existentes, por exemplo publicados na Revista Oceanos, da Comissão dos Descobrimentos Portugueses, indicam que foi a caravela S. Pantaleão, comandada por João Infante, a primeira a cruzar o cabo. Contudo, os créditos devem ir todos paraBartolomeu Dias, que liderava a expedição.

No entanto, a tripulação revoltada obrigou o capitão a regressar a Portugal pela linha da costa para oeste. No regresso, com a costa sempre visível, descobriu o Cabo das Agulhas, o ponto mais a sul do continente, e o Cabo das Tormentas, actual Cabo da Boa Esperança, cuja longitude tinha contornado por alto mar na viagem de ida, nessa viagem de volta colocou padrões de pedra nos principais pontos descobertos: a atual False Island, a ponta do Cabo das Tormentas, então descoberto, e o Cabo da Volta, hoje Diaz Point. Regressou a Lisboa em Dezembro de 1488.O sucesso da sua descoberta do caminho para a Índia não foi recompensado.

Acompanhou a construção dos navios e integrou a esquadra de Vasco da Gama, em 1499 como capitão de um dos navios. A expedição partiu em 1497 e passou por São Jorge da Mina. Em 1500, acompanhou Pedro Álvares Cabral na famosa viagem em que este descobriu o Brasil. Quando a frota seguia para a Índia, o navio em que ia Bartolomeu Dias naufragou e o valente marinheiro achou a morte junto da sua descoberta mais famosa - o Cabo da Boa Esperança.

Bartolomeu Dias foi o primeiro navegador a navegar longe da costa no Atlântico Sul. A sua viagem, continuada por Vasco da Gama, abriu o caminho maritimo para a Índia.

Seria em 1500 o principal navegador da esquadra de Pedro Álvares Cabral. A carta de Pero Vaz de Caminha faz diversas referências a ele, apontando para a confiança que nele tinha o capitão-mor. Quando a armada de Cabral navegava em direção ao Cabo, após sua estada no Brasil, um forte temporal causou o naufrágio de quatro naus, entre elas a sua própria nau.


Fonte: Wikimedia Foundation


Luís Carlos Prestes



Foto de Luís Carlos Prestes, tirada durante a sua visita à Alemanha, em dezembro de 1959.

Luís Carlos Prestes (Porto Alegre3 de janeiro de 1898 — Rio de Janeiro7 de março de 1990) foi ummilitar e político comunista brasileiro.

Foi secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro e foi companheiro de Olga Benário, morta naAlemanha, na câmara de gás, pelos nazistas.



Formação e início de carreira

Prestes formou-se pela Escola Militar do Realengo no Rio de Janeiro, em 1919, atual Academia Militar das Agulhas Negras, na Arma de Engenharia. Foi engenheiro ferroviário na Companhia Ferroviária de Deodoro, como tenente, até ser transferido para o Rio Grande do Sul.


O início do movimento rebelde

Em outubro de 1924, já capitão, Luís Carlos Prestes liderou um grupo de rebeldes na região missioneiraRio Grande do Sul, saiu de Santo Ângelo, e se dirigiu para São Luiz Gonzaga onde permaneceu por dois meses aguardando munições do Paraná, que não vieram.Aos poucos foi formando o seu grupo de comandados que vieram de várias partes da região. Rompendo o famoso "Anel de ferro" propagado pelos governistas, rumou com sua recem formada coluna para o norte até Foz do Iguaçu.Na região sudoeste do estado do Paraná, o grupo se encontrou e juntou-se aos paulistas, formando o contingente rebelde chamado de Coluna Miguel Costa-Prestes, com 1500 homens, que percorreu por dois anos e cinco meses 25.000 km. Em toda esta volta, as baixas foram em torno de 750 homens devido à cólera, à impossibilidade de prosseguir por causa do cansaço e dos poucos cavalos que tinham, e ainda poucos homens que morreram em combate.


Os estudos na Bolívia e na União Soviética

Prestes, apelidado de "Cavaleiro da Esperança", passa a estudar marxismo na Bolívia, para onde havia se transferido no final de 1928,quando a maioria da Coluna Miguel Costa-Preste haviam se exilados. Lá travava contato com os comunistas argentinos Rodolfo Ghioldi e Abraham Guralski, este último dirigente daInternacional Comunista (IC).

Em 1930 retorna clandestinamente a Porto Alegre onde chega a ter dois encontros com Getúlio Vargas. Convidado a comandar militarmente a Revolução de 30, recusa-se a apoiar ao movimento, colocando-se contra a aliança entre os tenentistas e as oligarquias dissidentes.

A convite da União Soviética, em 1931 passa a morar naquele país, trabalhando como engenheiro e dedicando-se aos estudos marxistas-leninistas. Por pressão do Partido Comunista da União Soviética, é - em agosto de 1934 - finalmente aceito pelo PCB em seus quadros.

Sendo eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista, volta como clandestino ao Brasil em dezembro de 1934, acompanhado pela alemã Olga Benário, também membro da IC. Seu objetivo era liderar uma revolução armada no Brasil, decidido em Moscou.


O comando da ANL e a deportação de Olga

No Brasil, Prestes encontra o recém constituído movimento Aliança Nacional Libertadora (ANL), de cunho antifascista e antiimperialista, que congregava tenentes, socialistas e comunistas descontentes com o Governo Vargas. Mesmo clandestino, o Cavaleiro da Esperança é calorosamente aclamado presidente de honra da ANL em sua sessão inaugural no Rio de Janeiro.

Prestes procura então aliar o enorme crescimento da ANL, com a retomada de antigos contatos no meio militar para criar as bases que julgava capazes de deflagrar a tomada do poder no Brasil. Em julho de 1935 divulga um manifesto exigindo "todo o poder" à ANL e a derrubada do governo Vargas.

Vargas aproveita a oportunidade e declara a ANL ilegal, o que não impede Prestes de continuar a organizar o que acabou por ficar conhecido como a Intentona Comunista.

Em novembro eclode a insurreição nas guarnições do exército de NatalRecife e Rio de Janeiro (então Distrito Federal), mas é debelada por Vargas, que desencadeia um violento processo de repressão e prisões.

Suspeitou-se que uma moça chamada Elvira Cupelo Colônio. Mais conhecida como "Elza Fernandes", a jovem, que namorava o então Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antonio Maciel Bonfim, o "Miranda", estaria delatando os companheiros à polícia. Considerada uma ameaça naquela circusntância, uma vez que, sob tortura, poderia entregar diversos companheiros à prisão e à tortura, a jovem foi condenada à morte pelo "tribunal vermelho".

Como um dos membros do tribunal opôs-se à condenação, Prestes escreveu uma carta célebre aos correligionários: Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária." ... "Por que modificar a decisão a respeito da "garota"? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido...?" ... "Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar..." ... "Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião."

Alguns dias depois Elvira Colônio foi estrangulada com uma corda, em uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na Estrada do Camboatá. O corpo foi enterrado no quintal da casa.

Em março de 1936, Prestes é preso, perde a patente de capitão e inicia uma pena de prisão que durará nove anos. Sua companheira Olga Benário, grávida, é deportada e morre na câmara de gás no campo de concentração nazista Ravensbrück. A criança, Anita Leocádia Prestes, nasceu em uma prisão na Alemanha, mas foi resgatada pela mãe de Prestes, após intensa campanha internacional.[1]



O fim do Estado Novo, anistia, e a volta à clandestinidade

Com o fim do Estado Novo, Prestes foi anistiado, elegendo-se Senador.

Assumiu a secretaria geral do PCB. O registro do partido foi cassado, e novamente Prestes foi perseguido e voltou à clandestinidade.

Na Assembléia Constituinte de 1946, Prestes liderava a bancada comunista de 14 deputados composta por, entre outros, Jorge Amado, eleito pelos paulistas, Carlos Marighela, pelos baianos, João Amazonas, o mais votado do país, escolha de 18.379 eleitores do Rio, e o sindicalista Claudino Silva, único constituinte negro, também eleito pelo Rio.

Durante a Constituinte, Prestes fechou questão, a favor da emenda nº 3.165, de autoria do deputado carioca Miguel Couto Filho, tal emenda dizia: “É proibida a entrada no país de imigrantes japoneses de qualquer idade e de qualquer procedência”.[2]

Em 1951, conheceu sua segunda companheira, a pernambucana Maria, que passa a se chamar Maria Prestes. Maria era mãe de dois meninos, Pedro e Paulo. Da união com Prestes nasceram outros sete filhos: João, Rosa, Ermelinda, Luiz Carlos, Zoia, Mariana e Yuri. Prestes e Maria viveram juntos por 40 anos, até a morte de Prestes.

Em 1958, Prestes teve sua prisão decretada, porém foi revogada por mandato judicial. ...


Regime militar

Após o movimento de 1964, com o AI-1, teve seus direitos de cidadão novamente revogados por dez anos. Perseguido pela polícia, conseguiu fugir, mas esta encontrou em sua casa uma série de cadernetas suas, que deram base a inquéritos e processos, como o que condenouGiocondo Dias.

Exilou-se na União Soviética no final dos Anos 60, regressando ao Brasil devido à Anistia de 1979.

Os membros do PCB que também voltavam do exílio após o regime militar, de orientação eurocomunista, e que se tornaram maioria no Comitê Central do Partido, não mais aceitaram suas orientações, por considerarem-nas retrógradas, rígidas demais e pouco adaptadas aos tempos de então. Destituíram-no da liderança do PCB. Por divergências com o comitê central do partido, lança a Carta aos Comunistas, em que defende uma política de maior enfrentamento ao regime e uma reconstrução do movimento comunista no país. Em 1982, conjuntamente a vários militantes, sai do PCB,ingressando no PDT. Milita em diversas causas, como o não pagamento da dívida externa latino-americana e pela eleição de Leonel Brizola em 1989.


Representações na cultura

Luís Carlos Prestes já foi retratado como personagem no cinema e na televisão. No cinema, o filme "O País dos Tenentes" (João Batista de Andrade/1987)onde LCP é interpretado por Cassiano Ricardo, que depois o representou também na novela Kananga do Japão (1989) e Caco Ciocler no filme Olga (2004).

Em 1997, foi lançado o documentário Prestes, o cavaleiro da esperança e em 1998, no ano do centenário de seu nascimento, a escola de samba Acadêmicos do Grande Rio o homenageou em seu desfile no grupo especial do carnaval do Rio de janeiro com enredo Cavaleiro da Esperança, obtendo o 8° posto.

O cantor e compositor Taiguara, que foi um grande amigo e seguidor de Prestes, fez a canção Cavaleiro da Esperança em sua homenagem, assim como a banda pernambucana Subversivos também fez uma canção em sua homenagem com o mesmo nome.

Jorge Amado em prosa e verso retrata a saga da coluna Prestes em seu livro O Cavaleiro da Esperança, publicado em 1944.

O poeta chileno Pablo Neruda em seu livro mais aclamado, Canto Geral (obra que remonta a história da América Latina do ponto de vista dos povos explorados), dedicou um poema a Luís Carlos Prestes. Nele, Prestes é chamado por Neruda de "claro capitão". O poema foi lido diante de 130 mil pessoas, em visita ao Brasil do poeta comunista no ano de 1945, no estádio do Pacaembu: "Quantas coisas quisera hoje dizer, brasileiros...".

Referências

  1.  Morais, Fernando. Olga, São Paulo: Companhia das Letras, 1994
  2.  MORAIS, Fernando. Corações Sujos. Companhia das Letras, 2000. ISBN 9788535900743.


Bibliografia



  • GARCIA, Marco Aurélio. “Prestes (1898-1990): um cavaleiro na esperança” In.: Teoria & Debate, São Paulo, no.10, abr/mai/jun. 1990.
  • MENEZES, Marcos Vinícius Bandeira de. Estratégias e táticas da revolução brasileira: Prestes versus o Comitê Central do PCB. Campinas, 2002, Dissertação (Mestrado em Ciência Política) --- Universidade de Campinas.
  • NERUDA, Pablo. "Canto Geral": Trad. de Paulo Mendes campos. 6. ed. São Paulo: DIFEL, 1984
  • MORAES, Denis de (org.) Prestes com a palavra: uma seleção das principais entrevistas do líder comunista. Campo Grande, Letra Livre, 1997.
  • PRESTES, Anita Leocádia. Anos tormentosos - Luís Carlos Prestes: correspondência da prisão (1936-1945). Petrópolis, Vozes.
  • PRESTES, Maria. Prestes, meu companheiro: 40 anos ao lado de Prestes. Rio de Janeiro, Rocco, 1992.

Fonte:Wikimedia Foundation