5.3.14

Invasões Francesas No Brasil - Resumo, História

História, Quando Aconteceu, Resumo, Contexto Histórico Das Invasões Francesas No Brasil Colonial, A Invasão De 1555, França Antártica E França Equinocial

Invasões Francesas - Partida de Estácio de Sá (Benedito Calixto)

Contexto histórico das invasões francesas

As descobertas territoriais feitas por portugueses e espanhóis no final do século XV e início do XVI e os lucros advindo da exploração colonial, deixaram outras nações europeias interessadas neste empreendimento. Após o Tratado de Tordesilhas, que dividiu as recém-descobertas terras entre espanhóis e portugueses, aumentou muito o descontentamento dos países que ficaram de fora como, por exemplo, Holanda, França e Inglaterra. Estes países começaram então investir na invasão das terras recém-descobertas, entre elas as colônias portuguesas, principalmente o Brasil.

Embora tenha investido na colonização, principalmente através do estabelecimento de um sistema administrativo (governo-geral) e da cultura da cana-de-açúcar, Portugal teve dificuldades em proteger o extenso litoral brasileiro.

Os franceses no Brasil

Objetivos

- Os franceses tinham como objetivo principal fundar uma colônia em território brasileiro para poder participar ativamente do lucrativo e novo mercado da exploração colonial.

- Franceses protestantes queriam também fundar uma colônia no Brasil para viverem longe da perseguição religiosa que sofriam na França.

O contrabando de pau-brasil

Já na época da exploração do pau-brasil, início do século XVI, os franceses fizeram várias incursões no litoral brasileiro com o objetivo de fazer o contrabando desta madeira.

A França Antártica

Em 1555, franceses calvinistas invadiram o Brasil, na região do Rio de Janeiro. Estes franceses estavam fugindo da perseguição religiosa executada pela corte francesa. Liderados pelo almirante Nicolau Villegaignon, fundaram, na região do atual município do Rio de Janeiro, uma colônia francesa chamada de França Antártica. Os franceses obtiveram o apoio militar dos índios tamoios, que eram inimigos dos portugueses.

O governo-geral de Mem de Sá contou com o apoio dos jesuítas José de Anchieta e Manuel da Nobrega, que convenceram os índios tamoios a abandonarem a aliança que tinham com os franceses.

Mem de Sá conseguiu também reforços militares portugueses, liderados por Estácio de Sá. Desta forma, os portugueses conseguiram expulsar os franceses do Rio de Janeiro em 1567.

França Equinocial

Em 1612 os franceses fizeram sua segunda tentativa de invadir e fundar uma colônia no Brasil. Desta vez escolherem a região do Maranhão. Liderados pelo general Daniel de La Touche, os franceses invadiram e fundaram a França Equinocial. Para proteger a região conquistada, construíram um forte, chamado de Forte de São Luís.

As autoridades portuguesas organizaram várias e poderosas expedições militares para atacar e expulsar os franceses do Maranhão. A capitulação francesa ocorreu em novembro de 1615, quando eles foram expulsos da região.
Fonte:http://www.historiadobrasil.net/brasil_colonial/invasoes_francesas.htm

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Arqueólogos encontram múmia e inscrições reveladoras

A quantidade de estatuetas indica que a classe social da falecida era alta



Inscrições descobertas em um túmulo: "Inscrições com hieróglifos mostram também os nomes dos dois reis, um do lado do outro", declarou o ministro de Antiguidades

Cairo - Arqueólogos egípcios descobriram uma múmia de 2.000 anos e colegas de uma equipe internacional egípcio-espanhola encontraram inscrições que demonstram que o faraó Akhenaton reinou junto com o pai Amenófis III há 3.400 anos, informou uma fonte oficial egípcia.

Na localidade de Daqahleya, 100 km ao norte do Cairo, foi encontrado o corpo mumificado de uma mulher enterrada junto com 180 estatuetas funerárias, anunciou o ministério de Antiguidades.

A quantidade de estatuetas indica que a classe social da falecida era alta.

Em Luxor, no sul do país, onde foi descoberta a tumba do faraó Akhenaton, uma equipe de egípcios e espanhóis descobriu novas inscrições e afrescos que representam Amenófis III e seu filho, Amenófis IV, que reinou com o nome de Akhenaton.

Faraó da 18ª dinastia, Akhenaton liderou o Egito 1.300 anos antes da nossa era. Durante seu reinado, ele tentou introduzir o monoteísmo, com o culto a Aton.

"Inscrições com hieróglifos mostram também os nomes dos dois reis, um do lado do outro", declarou o ministro de Antiguidades, Mohamed Ibrahim.

"Esta descoberta (...) prova que Amenófis III e Amenófis IV reinaram juntos, já que (as inscrições) datam do primeiro Heb Sed de Amenófis III", acrescentou, referindo-se a uma celebração religiosa que ocorreu 30 anos depois de iniciado o reinado deste.

Fonte: http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/arqueologos-encontram-mumia-e-inscricoes-reveladoras

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Quando surgiram os supermercados?

por Marina Motomura



Os primeiros apareceram há mais de 70 anos nos Estados Unidos. O dono do título de primeiro supermercado é o King Kullen, inaugurado em 1930 pelo empresário americano Michael Cullen. A estratégia do pioneiro era simples: ele comprou um galpão industrial, adaptou o lugar para vender comida e deixou que as pessoas se servissem sozinhas. E tinha um detalhe importante: os preços eram bem mais baixos que nos antigos armazéns, onde os funcionários entregavam a mercadoria nas mãos dos clientes - o auto-atendimento, aliás, é a característica que distingue um supermercado dos outros tipos de loja que comercializam alimentos. Em apenas seis anos, Cullen faturou alto e conseguiu abrir mais 16 filiais pelo estado de Nova York. A política barateira das grandes lojas se espalhou pelo resto do mundo. Nos anos 50, os supermercados chegaram à Europa e ao Brasil. Por aqui, o primeiro supermercado foi o Sirva-se, aberto em 1953 em São Paulo. Já os hipermercados, irmãos crescidos dos supermercados, chegaram nos anos 80. "O supermercado comercializa cerca de 8 mil itens, enquanto o hipermercado oferece de 20 mil a 50 mil itens", afirma a publicitária Heloísa Omine, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo. Com toda essa sofisticação, o preço baixo deixou de ser a única estratégia para turbinar as vendas. Hoje, os supermercados adotam poderosas estratégias de marketing em cada centímetro das prateleiras e dos corredores - existem até mesmo softwares especiais para organizar melhor as mercadorias. Na ilustração ao lado, a gente dá uma amostra grátis de como essa "ciência da venda" funciona nos templos de consumo.
Mergulhe nessa

Na internet:

www.abrasnet.com.br

www.popaibrasil.com.br
Dedicação total a vocêEm 74 anos de história, grandes lojas criaram uma ciência complexa para vender mais

LONGE DE TUDO

Nas prateleiras encostadas nas paredes ficam produtos malcheirosos, como ração para cachorro e materiais de limpeza. Com o isolamento, os fedidos não "contaminam" outros produtos — afinal, o cheiro bom pode ser decisivo na hora da compra

CABEÇA AOS PÉS

Nas prateleiras, os produtos seguem uma organização rígida. Na vertical, ficam as mesmas mercadorias em tamanhos variados — um guaraná em lata, em garrafas de 600 ml, 2 litros... Na horizontal, ficam outras marcas. O trecho mais destacado é o que cobre a altura dos olhos, entre 1,3 e 1,7 metro de altura

PEQUENOS BRILHANTES

Alguns produtos difíceis de encaixar nas categorias que tomam as prateleiras principais acabam nas pequenas prateleiras dos caixas. São, geralmente, mercadorias como lâminas de barbear, fios dentais ou chicletes, que são compradas por impulso pouco antes da saída

CENTRO E PERIFERIA

A "periferia" do supermercado são as extremidades das gôndolas — os 40 centímetros das pontas. Os especialistas em marketing dizem que, quando o consumidor entra num corredor, dificilmente ele pára no começo, tendendo a seguir para o meio. No "centro" ficam os itens mais vendidos

ÁGUA NA BOCA

Os hipermercados chegam a ter 80 mil produtos nas prateleiras. Para chamar atenção para sua mercadoria, os fabricantes contratam promotoras de vendas, que oferecem degustações e amostras grátis

MAIS BARATO

O corredor de entrada é uma das partes mais valorizadas da loja. Por isso, essa área concentra as pilhas de produtos em promoção — a idéia, aqui, é vender em grande quantidade. As mercadorias desse corredor são trocadas de acordo com o fluxo de vendas

TRAVESSIA TENTADORA

Uma estratégia básica para estimular as compras impulsivas é esconder os produtos básicos no fundão do supermercado. É lá que geralmente ficam os pães, as carnes, as frutas e as verduras, por exemplo. Isso obriga o consumidor a atravessar toda a loja e, quem sabe, levar alguma coisinha no caminho

REFEIÇÃO COMPLETA

Um balcão com macarrão, molho de tomate, vinho e queijo ralado: já reparou como às vezes certos produtos que não têm nada a ver estão lado a lado? Essa combinação é chamada de cross marketing |(algo como "marketing cruzado"), uma tática para "lembrar" o consumidor dos produtos que ele também pode levar
Fonte:http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quando-surgiram-os-supermercados

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Antes dos dinossauros

Mais antigos que os dinossauros, os ‘pelicossauros’ chegaram a ser os vertebrados dominantes na Terra entre 300 e 250 milhões de anos atrás. De aspecto estranho, essas formas extintas são o tema da coluna deste mês de Alexander Kellner.

Por: Alexander Kellner




O desenho reproduz a aparência de um ‘Edaphosaurus’, ‘pelicossauro’ herbívoro que viveu há cerca de 300 milhões de anos. (imagem: Wikimedia Commons/ ДиБгд)


Muitas vezes recebo mensagens de colegas e leitores perguntando como escolho os temas de minha coluna. Geralmente procuro destacar novidades que acabam de ser publicadas ou tomo por base dicas que recebo de pesquisadores. Mas também recebo sugestões de leitores sobre temas interessantes. Esse é o caso da proposta de Jéssica Reis, que pediu para que eu escrevesse sobre os ‘pelicossauros’.

Confesso que no início a ideia não me entusiasmou tanto. Mas isso mudou à medida que ia preparando o texto. Além de possibilitar a divulgação de uma obra de revisão recém-publicada sobre esses animais, o tema permite falar de vertebrados que antecederam os dinossauros no domínio dos ambientes terrestres e torna possível mencionar a principal extinção em massa ocorrida no planeta. Além disso, escrever sobre os ‘pelicossauros’ acaba nos levando a falar sobre o início da carreira de um importante pesquisador brasileiro.

A obra mencionada intitula-se Primeiros estágios da história evolutiva dos sinapsídeos(tradução livre de Early evolutionary history of the Synapsida). Esse livro, o mais recente sobre os ‘pelicossauros’, foi publicado pela editora Springer e editado por Christian Kammerer, Kenneth Angielczyk e Jörg Fröbisch. Os capítulos abordam os principais aspectos desses vertebrados e foram escritos pelos pesquisadores que mais os estudaram. Mas, afinal, como eram esses animais?


Os amniotas

Para explicar o que são os ‘pelicossauros’, temos que entender primeiro os amniotas, grupo de vertebrados que desenvolveram uma membrana (chamada amniótica) para proteger o embrião. Tal característica os tornou menos dependentes da água para seu desenvolvimento embrionário e evitava que eles tivessem que passar por um estágio larvar seguido de metamorfose, como ocorre com os anfíbios. Geralmente os amniotas possuem ovos de casca dura que podem ser postos em terra firme e não mais dentro de corpos aquosos. Eles podem ser divididos em dois grandes grupos: os répteis e os sinapsídeos.
Para explicar o que são os ‘pelicossauros’, temos que entender primeiro os amniotas, grupo de vertebrados que desenvolveram uma membrana (chamada amniótica) para proteger o embrião

De forma simplificada, dentro do agrupamento Reptilia encontramos os dinossauros, pterossauros e crocodilomorfos (e muitos outros), enquanto os Synapsida reúnem os mamíferos e formas aparentadas. Não conhecemos um ancestral direto que teria dado origem aos amniotas, mas podemos dizer que deve ter sido um animal que estava perdendo os hábitos anfíbios e pelo menos iniciando o desenvolvimento do ovo amniótico.

Entre os primeiros vertebrados que podem ser classificados como Amniota, alguns têm características semelhantes aos mamíferos, como uma abertura na parte posterior do crânio, distinta da que se observa nos répteis (na região lateral, após a órbita). Dessa condição, denominada sinápsida, deriva o nome do grupo. Por outro lado, a dentição mais uniforme e o aspecto do corpo que lembra superficialmente os répteis levaram os pesquisadores a se referir a esses vertebrados como “répteis mamaliformes”, que foram classificados em um grupo denominado ‘Pelycosauria’.

Hoje se evita esse termo, já que é um agrupamento considerado parafilético, isto é, incompleto, não reunindo todos os organismos que representam a história evolutiva do grupo. Por isso usamos o termo ‘pelicossauros’, entre aspas, significando uma aplicação mais informal.Esqueleto de ‘Edaphosaurus’ montado no Museu Field, em Chicago, Estados Unidos. Sua marca peculiar é a presença de vértebras com espinho neural alto, formando uma espécie de vela no dorso. (imagem: Andrew Y. Huang/ Wikimedia Commons – CC BY-SA 3.0)

Dessa forma, os ‘pelicossauros’ não são répteis, mas sinapsídeos basais. As espécies mais antigas foram encontradas em rochas da Nova Escócia, no Canadá, cuja idade varia de 314 e 311 milhões de anos. Cabe salientar que o réptil mais antigo que se conhece (Hylonomus, de crânio do tipo anápsida, ou seja, desprovido de aberturas temporais) também foi encontrado nos mesmos depósitos.

A maioria desses ‘pelicossauros’ foi encontrada na Europa e América do Norte. Eles se extinguiram durante o Permiano, alguns milhões de anos antes da maior extinção em massa ocorrida na Terra, há cerca de 252 milhões de anos (o limite Permiano-Triássico). Estimativas sugerem que cerca de 95% das espécies marinhas e perto de 70% da formas terrestres se extinguiram. Esse evento foi bem mais intenso e destrutivo que a extinção em massa ocorrida há 66-65 milhões de anos, que dizimou a maioria dos dinossauros e diversos outros grupos de vertebrados.


Edaphosaurus e Dimetrodon

Voltemos aos sinapsídeos basais, os ‘pelicossauros’. São conhecidos seis principais grupos (Caseidae, Edaphosauridae, Eothyrididae, Varanopidae, Ophiacodontidae e Sphencodontia), e todos eles desenvolveram estratégias alimentares diferentes.
Os sinapsídeos basais mais famosos talvez sejamEdaphosaurus eDimetrodon

Os sinapsídeos basais mais famosos talvez sejam Edaphosaurus e Dimetrodon. Com base no exame de sua dentição,Edaphosaurus é tido como forma herbívora que se alimentava de plantas de folhas espessas e resistentes. Tinha cabeça relativamente pequena se comparada com o corpo. Mas sua característica mais peculiar é a presença de vértebras com o espinho neural bastante alto, formando uma espécie de vela no dorso.

E o mais curioso: havia numerosas projeções laterais, diferentes de tudo o que se conhece hoje e cuja função é totalmente ignorada. Alguns pesquisadores defendem que essa vela poderia ter auxiliado o animal a controlar a temperatura de seu corpo ou ter servido para que membros de uma mesma espécie pudessem se reconhecer mais facilmente. Há ainda os que defendem ser esse tipo de estrutura destinada a distinguir machos e fêmeas ou mesmo servir para a atração sexual.

Outro exemplo de sinapsídeo basal é o Dimetrodon. Tendo vivido na mesma época que o Edaphosaurus (há cerca de 300-270 milhões de anos), essa forma possuía um crânio bem maior e dentes que sugerem hábitos de predador. Dimetrodon também desenvolveu uma vela na região dorsal do esqueleto, ainda maior que a de seu companheiro herbívoro (que talvez tenha sido sua presa). Mas ela é diferente, por não possuir as enigmáticas projeções laterais.Esqueleto de ‘Dimetrodon’, sinapsídeo basal (‘pelicossauro’) predador, depositado no Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe, Alemanha. (imagem: H. Zell/ Wikimedia Commons – CC BY-SA 3.0)

É importante frisar ainda que, quando se fala nos sinapsídeos basais, não se pode deixar de mencionar o pesquisador brasileiro Llewellyn Ivor Price (1905-1980), que iniciou sua carreira ao lado do famoso paleontólogo americano Alfred Sherwood Romer (1894-1973). Com este, Price aprendeu a base da pesquisa de répteis fósseis.

Um dos primeiros trabalhos de Price, publicado em coautoria com Romer, foi justamente uma revisão dos ‘pelicossauros’. Embora tendo havido diversas mudanças no conhecimento desses sinapsídeos basais graças ao desenvolvimento de novas técnicas e à descoberta de mais exemplares, a obra de Romer e Price, publicada em 1940, ainda é considerada um verdadeiro marco no estudo desses vertebrados.

Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/cacadores-de-fosseis/antes-dos-dinossauros

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O falso paciente zero e os equívocos da busca pela origem da aids


Nos anos 1980, cientistas acreditaram ter encontrado o responsável pela entrada da aids na América. Pesquisas genéticas mostraram que a invasão silenciosa tinha começado muito antes

Texto Goretti Tenório | 24/02/2014 17h50


Em 1984, em um estudo publicado no American Journal of Medicine, profissionais do Centro de Controle de Doenças (CDC), em Atlanta, agruparam os casos conhecidos de aids, mal que havia três anos assombrava o mundo, e apontaram o que a ciência chamou de Paciente Zero – aquele que, de acordo com uma investigação epidemiológica, estaria ligado à origem da doença nos Estados Unidos. O mapeamento havia começado em 1982. A partir de entrevistas com os primeiros a apresentarem quadros de infecções oportunistas, os pesquisadores encontraram um personagem em comum: boa parte dos enfermos, na maioria homossexuais, relatava ter mantido contato sexual com um comissário de bordo franco-canadense. Os encontros tinham acontecido em Los Angeles, São Francisco, Nova York e outras nove cidades do país. Fazia muito pouco tempo que os cientistas haviam chegado a um consenso sobre o nome da doença e, quando isso aconteceu, ela já tinha recebido a pecha de peste gay.



Três anos depois do rastreamento feito pelo CDC, o jornalista norte-americano Randy Shilts lançou o livro And The Band Played On com uma revelação: o tal paciente zero se chamava Gaëtan Dugas e morrera em 1984. Shilts descreveu o homem como um atraente funcionário da Air Canada, que, viajando país afora, teria propagado o HIV em boates e saunas gays. Dugas tinha sido diagnosticado com sarcoma de Kaposi em 1980, antes portanto dos primeiros estudos sobre a aids que viriam relacioná-la a esse tipo de câncer. Trabalhando na cobertura da nova síndrome desde o começo, Shilts tinha se aproximado de cientistas e pacientes, e sua narrativa rica em detalhes acabou virando também um filme, em 1993, com o ator Jeffrey Nordling no papel de Dugas.

Se o desconhecimento ajudou a espalhar preconceitos e equívocos, os esforços para conhecer e conter a aids levaram a descobertas sobre o sistema imunológico e virologia. “Não se reconhece mais esse Paciente Zero”, diz Stefan Cunha Ujvari, infectologista e autor de A História da Humanidade Contada pelos Vírus. “Hoje os estudos genéticos mostram a disseminação de maneira mais clara.” Nas pesquisas, explica o médico, usam-se questionários para avaliar grupos de pacientes e tentar descobrir pontos em comum entre quem adquiriu a doença e também entre aqueles que escaparam dela. No caso das infecções que despontavam nos EUA, entrevistaram aqueles que apresentavam os sintomas, cruzaram as informações e chegaram a Dugas. Mas segundo um trabalho de 2007 do biólogo Michael Worobey, da Universidade do Arizona, estima-se que o vírus já estava circulando no país 12 anos antes de a aids ser reconhecida, em 1981.

Do SIV ao HIV

Stefen Ujvari, que atua no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, conta que a partir de 1990 os cientistas se debruçaram sobre o material genético do HIV, comparando suas semelhanças com o SIV, vírus encontrado em chimpanzés e outros primatas. “Assim se chegou ao triângulo africano formado por Congo, Gabão e Camarões”, afirma. Foi nesses territórios que o SIV passou ao organismo humano. Nas primeiras décadas do século 20, com a região dominada por conflitos, escassez de alimentos e pobreza, caçadores se embrenhavam nas matas perseguindo e matando esses animais. Na ação, eram mordidos, arranhados, cobriam- se com o sangue dos bichos ao destrinchá-los – e dessa forma foram contaminados, sem contudo apresentar nenhum problema de saúde. Acontece que o vírus é mutante e foi se transformando até chegar ao HIV, este, sim, capaz de provocar estragos nas defesas e levar a infecções fatais.



A pergunta persistia: quando surgiu a primeira pessoa infectada? Hoje se sabe que a aids estava presente na população africana desde o começo do século 20, mas ninguém relacionava, por exemplo, as mortes por diarreia e pneumonias a ela. Para chegar a essa data, estudiosos lançaram mão de uma espécie de marcador do ritmo das mudanças nos agentes infecciosos. “Usam-se amostras de vírus do mundo inteiro, de várias épocas. Com as análises monta-se um cálculo que chamamos de relógio molecular”, diz Cunha. De forma simplificada: os pesquisadores comparam os microorganismos e anotam as diferenças que vão aparecendo em seus códigos genéticos com o tempo. Digamos que a cada dez anos surgem duas alterações. Um cálculo retroativo pode inferir quando o ancestral da cepa pandêmica do HIV se originou.

Para calibrar o relógio molecular no caso do HIV, os pesquisadores usaram duas amostras sanguíneas obtidas no Congo, uma em 1959 e outra em 1960, confrontando-as com as de pacientes diagnosticados com aids décadas depois. A primeira veio de material colhido por dois cientistas que realizavam estudos genéticos das diferentes etnias africanas. Na ocasião não sabiam, claro, que havia um vírus circulando no país. Mas o fato é que aquele fragmento foi guardado e, quando a aids deu as caras, o sangue foi usado e descobriu-se a presença do HIV. A segunda peça a colaborar na engrenagem veio de uma biópsia feita em um nódulo linfático de uma mulher em Kinshasa, capital do Congo – na época, a cidade tinha o nome de Leopoldville –, também congelada nos laboratórios americanos.

Na América

Acredita-se que o HIV começou a se difundir pela África com a urbanização, o crescimento das cidades, que aumentou o contato entre as pessoas e fez surgir zonas de prostituição. “Em 1960 houve muitas migrações de tropas de um país a outro em razão das lutas pela independência e das guerras civis no continente”, diz Stefan Ujvari. Com os soldados mudando de lá para cá, o HIV passou a circular largamente.



As comparações de material genético revelam que, na América, o vírus chegou primeiro ao Haiti, em 1960, e alcançou os EUA em 1969. Por quê? “Quando o Congo se tornou independente, o país entrou numa guerra civil. O Haiti enviou tropas para as forças de paz e professores para reconstituir o ensino naquele país”, afirma o infectologista. Muitos voltaram para casa contaminados, e a enfermidade foi abrindo caminho, chegando aos EUA por meio de haitianos que procuravam ali refúgio da feroz ditadura de François “Papa Doc” Duvalier. Na mesma época, caiu o governo de Fulgêncio Batista em Cuba, e a ilha deixou de ser o playground dos norte-americanos. A rota do turismo sexual migrou para o Haiti.

Somente quando a aids surgiu entre mulheres, crianças e pessoas que necessitavam receber transfusão de sangue começou a arrefecer o estigma que levantava bandeiras moralistas em vez de se preocupar com proteção de verdade. Ficou claro, finalmente, que a doença viajava – e ainda viaja – pelo globo bem antes de ter levado à morte personagens como Gaëtan Dugas. E, apesar dos avanços obtidos em trabalhos de décadas nos laboratórios, o sexo seguro, com o uso de camisinha, continua valendo como recomendação para todos. Assim como os testes para detectar o HIV em doadores de sangue e o não compartilhamento de seringas.

Fonte:http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/falso-paciente-zero-equivocos-busca-pela-origem-aids-774451.shtml

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Gastronomia imperial: como os banquetes de Pedro II ajudaram a dar forma à culinária brasileira


Dom Pedro II não era um gourmet, mas ajudou a construir a cozinha tradicional do Brasil

Texto Marina Ribeiro


Ao se aproximar da ponte flutuante montada junto ao Cais Pharoux, perto do que hoje é a Praça XV, os olhos já se encantavam com a suntuosidade da festa. Tendo ao fundo a paisagem da Baía de Guanabara, o acesso era ornamentado com seis grandes arcos e dois candelabros a gás. Junto a eles, tocava a primeira das seis bandas e orquestras contratadas para animar a festa em homenagem aos oficiais chilenos do navio Almirante Cochrane.



Ao desembarcar na Ilha Fiscal, os convidados eram recebidos por mulheres vestidas como ninfas e sereias. Nas casas à beira-mar, a população da cidade se apertava para espiar um pouco do baile que acontecia no posto de fiscalização de navios. Recém-construído em estilo neogótico, o castelo era o ponto mais brilhante do Rio de Janeiro naquela noite. Dotado de um gerador de energia que iluminava milhares de lâmpadas dentro e fora do edifício, velas, balões e lanternas venezianas, além dos holofotes do couraçado chileno e de outros navios da Marinha ancorados ali perto, não havia quem não se impressionasse com seu esplendor.
ROSBIFE*
“Asse-se no forno uma boa posta de alcatra, sem tempero nenhum, e quando estiver meia assada, tire-se. Aproveite-se-lhe o sangue que escorreu, e com ele prepara-se à parte o molho ajuntando-lhe manteiga, e, se quiserem, também alho e pimenta da Índia moída. Manda-se à mesa, com o sal à parte.” Do livro Cozinheiro Imperial

*As receitas mantêm a grafia da época em que foram escritas


Foi também um modo de inaugurar o palácio. No banquete foram servidos 18 pavões, 80 perus, 300 galinhas, 350 frangos, 30 fiambres, 10 mil sanduíches, 18 mil frituras, mil peças de caça, 50 peixes, 100 línguas, 50 maioneses e 25 cabeças de porco recheadas, além dos 500 pratos repletos de doces variados. Exemplo da vida na corte, do virtuosismo da aristocracia brasileira? Que nada. O Baile da Ilha Fiscal foi uma das raras ocasiões que o império ofereceu um banquete de alta gastronomia.

Banquetes franceses no Brasil

O Baile da Ilha Fiscal não apenas marcou o fim de um regime (político, vale frisar). Foi o ápice da gastronomia imperial. O gosto por comer bem veio junto com a Corte Portuguesa, em 1808, quando desembarcaram cozinheiros e literatura específica sobre culinária em forma de livros de receitas. Desde então, os hábitos à mesa se europeizaram, os ideais alimentares e de paladar se tornaram cada vez mais semelhantes aos franceses, berço da gastronomia que conhecemos hoje. Mas não era uma prática cultivada no cotidiano do imperador. Para ele, comida sofisticada era algo reservado a ocasiões especiais.



As receitas elaboradas, que vieram com dom João VI, se ampliaram com a independência, em 1822. Para negar a dominação colonial portuguesa passou-se a buscar apoio na cultura francesa. Os estrangeiros que viviam no Rio de Janeiro forçaram a criação de um mercado que absorvesse produtos da Europa, como conservas, doces, frutos processados, salsichas, presuntos, manteiga, queijo, chá e temperos. Permitindo uma reprodução da culinária degustada nos palácios, o que pode ser comprovado nos cardápios impressos, predominantemente em francês, com alimentos típicos dessas ocasiões. “No século 19, não era mais necessário ter berço para usufruir de itens de luxo, como os banquetes”, afirma Wanessa Asfora Nadler, professora do curso de pós-graduação de Gastronomia do Senac. “A classe alta precisava marcar posição social. Por isso, além das artes e moda, eles prestavam atenção na comida.”
PUDIM DE TAPIOCA
“Ferve-se uma garrafa de leite com um páo de canella, que se tira logo que tenha o aroma, ajunta-se meia libra de tapioca que se deixa amolecer no leite, junta-se depois dois ovos, um pouco de manteiga; deita-se n’uma fôrma barrada de manteiga e cozinha-se em banho-maria por espaço de meia hora.” Do livro A Doceira Doméstica


A canja do imperador

Os viajantes estrangeiros, tratados com deferência, espantavam-se quando, à mesa, era oferecido frango cozido em caldo quente (que era tido como ótimo para espantar doenças). Isso fez com que muitos relatos de viagem ao Brasil mencionassem expressamente (e com certa monotonia) o “fenômeno galinha com arroz”.Os aventureiros podiam até ficar entediados com a repetição da canja, mas dom Pedro II a tinha como prato predileto. “A canja hoje é barata, trivial, mas no século 19 era diferente. Não era comida de povão, era sofisticada”, diz André Boccato, autor do livro Os Banquetes do Imperador. Após analisar a coleção de cardápios da família real, nota-se a preferência pela repetição do prato em banquetes servidos ao monarca.

Ainda que apreciasse uma boa sopa de galinha, dom Pedro II não gostava dos grandes banquetes. No Baile da Ilha Fiscal, ficou pouco e passou a maior parte do tempo sentado. Tampouco era chegado àsgrandes refeições da época – um jantar cotidiano podia durar cerca de três horas. Ele gostava de comer sozinho e rapidamente.
CARDÁPIO FRANCÊS | Rio de Janeiro, 1º de janeiro de 1858




Cardápio do primeiro banquete de que se tem notícia no Brasil, no Clube Fluminense, oferecido pelo senador Nabuco de Araújo. O cardápio estava escrito em francês, mas já listava como sobremesa pratos típicos como o queijo de minas e fios de ovos.


Em seu livro Antologia da Alimentação no Brasil, o folclorista Luís da Câmara Cascudo afirma que depois de um dos apressados almoços de canja, o monarca surpreendeu um dos cadetes, que escoltava seu carro ao sair do Palácio de São Cristovão, roubando algumas bananas. Ao perguntar por que fazia aquilo, o soldado respondeu com franqueza: “Para matar a fome, por sair faminto da rápida refeição”. Dom Pedro II riu e determinou que sua escolta tivesse refeições separadas, calmas e abundantes – não como as dele.
PREPARO NACIONAL | Rio de Janeiro, 15 de outubro de 1889
A princesa Isabel comemorou as bodas de prata do casamento com o Conde d’Eu com um banquete para 800 convidados no Cassino Fluminense. Na ocasião, foram servidos bolo de mandioca, peru e canja à moda brasileira, mostrando a assimilação de ingredientes e preparos nacionais.


Com tal temperamento, não é de espantar que dom Pedro II tenha financiado apenas dois banquetes em todo o seu reinado de 58 anos. Um em 1852, sobre o qual não há muitos registros, e em 1889, justamente o da Ilha Fiscal. Tradicionalmente, é a família real que dá o tom da vida social da corte. Se dependesse dela, o brilho dos salões cariocas teria sido pálido. “Eles nunca foram grandes incentivadores de banquetes. No Brasil, a alta burguesia é que estimulava esse lado social”, afirma Boccato. Segundo seu livro, alguns comentaristas até dizem que foi exatamente pela falta de festas que a monarquia não se manteve no poder.

Uma nação, uma culinária

Se não conseguiu manter o trono na mão da dinastia Bragança, Dom Pedro II foi bem-sucedido em criar uma identidade nacional. O historiador alemão Tim Wätzold afirma que a culinária foi um dos meios utilizados para atingir a ideia de nação. E o ponto de partida para o nascimento de uma cozinha brasileira foi o livro de receitas Cozinheiro Imperial, o primeiro do gênero impresso no país, em 1840. “Nenhum livro de culinária portuguesa tinha o nome de nação ou a caracterização nacional”, afirma Wätzold.
BRASILEIRAS
“A 1 ¼ libra de assucar em ponto de bala molle, ajuntem uma libra de coco ralado, e depois cinco gemas e uma clara de ovo; mexe-se tudo bem, e vai para o fogo, afim de apertar um pouco: retire-se então, esfrie-se, e depois fação bolinhas e mettão-as no forno para tostar somente as pontinhas.”
Do livro Doceira Brasileira


Mesmo sem se importar tanto com o que comia ou em organizar banquetes para a nobreza, a gastronomia teria sido utilizada por dom Pedro II, de acordo com Wätzold, para gerar um sentido de unidade no país. Os livros de receitas estimulariam a nobreza e os ricos a acrescentarem cada vez mais ingredientes e pratos nacionais em suas festas. Pode não ter funcionado completamente no século 19, levando-se em conta a quantidade de cardápios em francês publicados no livro de André Boccato. Mas hoje a culinária brasileira é respeitada em todo o mundo.

A FAMÍLIA REAL E A COMIDA
A família real brasileira teve uma relação diferente com a culinária. Dom João VI chegava a esconder algumas asinhas de frango nos bolsos. Dom Pedro II não gostava de festas e nem da demora em comer, mas adorava um prato fundo de canja de galinha – uma iguaria na época. Por fim, a napolitana imperatriz Teresa Cristina não negava um prato de massa e preparava ela mesma o espaguete para a família. Ato comum para mães de classe média, mas impensável para alguém de tamanha classe, com tantos empregados.
Fonte:http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/gastronomia-imperial-como-banquetes-pedro-ii-ajudaram-dar-forma-culinaria-brasileira-774281.shtml

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As invenções de Heron de Alexandria - e como poderiam ter revolucionado a Antiguidade


O grande gênio das máquinas que poderia ter adiantado uma Revolução Industrial em 1700 anos

Texto Fabio Marton | Ilustrações Pedro Piccinini | 06/02/2014 18h25


Costuma-se imaginar a Antiguidade Clássica como uma espécie de estagnação tecnológica. Entre as Guerras Greco-Persas e a queda do Império Romano, são quase 900 anos em que nada de novo parece ter sido criado. Por isso, não deixa de ser inquietante descobrir que já existiam coisas como portas automáticas e motores a vapor. Como isso não levou a uma revolução industrial 1700 anos adiantada?

Muitas obras de Heron de Alexandria, um dos maiores engenheiros e matemáticos da época, sobreviveram por intermédio dos árabes e se tornaram conhecidas no Ocidente na Renascença. "Não sabemos muito sobre sua vida, e estudos acadêmicos foram poucos e esparsos", diz Serafina Cuomo, da Universidade de Cambridge. Heron viveu entre cerca dos anos 10 e 75, e provavelmente tinha um cargo no Mouseion, a primeira grande instituição de ensino do mundo, ligada à Grande Biblioteca de Alexandria.

Precursor de Leonardo da Vinci, Heron inventou máquinas movidas por pesos, manivelas, água ou fogo. Como o gênio italiano, também descreveu equipamentos de guerra, mas sua contribuição foi escassa nesse quesito, pois viveu no auge da Pax Romana, período em que os conflitos se limitavam a insurreições dos povos dominados. A natureza de suas invenções explica por que, afinal, não houve uma revolução industrial na Antiguidade: quase todas são instrumentos para encantar e divertir, e não para substituir o trabalho manual. "No fundo, é simples: não houve revolução industrial porque havia escravidão", resume o historiador Pedro Paulo Funari, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Propor que máquinas fizessem o trabalho dos prisioneiros implicaria que esses deveriam ser trucidados. "Na guerra, você mata os inimigos ou os poupa para serem escravos. Portanto, era considerado um ato de humanidade preservar a vida de alguém que poderia ter matado você", diz Funari.

ÓRGÃO DE VENTO



Exemplo de pioneirismo na energia eólica, foi baseado no hidraulis, um órgão de água criado por Ctesíbio no século 3 a.C. Nele, o líquido, vindo de aquedutos, era usado para impulsionar o ar através dos tubos, e o músico usava um teclado para controlar as notas. Heron reimaginou o aparelho para funcionar com um cata-vento que movia um pistão. Foi, portanto, não apenas o primeiro órgão a ar mas também a primeira máquina a usar energia eólica. Aparentemente, a tecnologia foi perdida. Os moinhos de vento só surgiram na Europa no século 12.

MOTOR A VAPOR



Ninguém viu função no invento que fundaria o mundo moderno, embora a eolípila (“bola de Éolo”, deus do vento) tenha sido ao mesmo tempo o primeiro motor a vapor e a jato da história. Seu princípio é usado hoje nas turbinas que movem reatores nucleares, usinas termoelétricas e navios. Consistia numa caldeira ligada por tubos a uma esfera. Esta, com dois canos de escape para o vapor, girava rapidamente quando a água fervia. Heron menciona “figuras dançantes”, provavelmente um brinquedo ou decoração de templo movido pela máquina. Fora isso, nem o inventor nem ninguém em sua época parece ter se interessado pelo potencial de transformar calor em movimento, alcançado pela primeira vez na história e a partir do qual seria fundado o mundo industrial, 1700 anos depois.

TEATRO DE AUTÔMATOS



Um dos brinquedos mais impressionantes descritos pelo engenheiro foram os diversos “teatros de autômatos”, plataformas nas quais pequenas figuras, movidas a água, vapor ou pêndulos, executavam ações inspiradas em peças de teatro. Eram como robozinhos encenando uma peça inteira. Em uma dessas engenhocas, Hércules atacava com uma clava um dragão que cuspia água ao ser atingido. O mais complexo era uma coluna que se movia para a esquerda e a direita, com personagens que giravam, espirravam líquido e andavam, representando Nauplius, uma tragédia passada após a Guerra de Troia. O objeto, movido por um peso que afundava lentamente em uma coluna de grãos, tinha até trilha sonora, tocando pequenos sinos e tambores ocultos durante seu movimento, que era programável a partir de mudanças nas cordas internas – novamente, o primeiro exemplo de algo do gênero.

MÁQUINA DE VENDAS



O Egito da época de Heron tinha uma forma peculiar de religião, um sincretismo entre divindades gregas e egípcias. Em ambas as tradições, água benta era usada em rituais de purificação. Assim como as máquinas de refrigerante atuais, o primeiro mecanismo automático de vendas dispensava um cálice do líquido abençoado em troca de uma moeda – ela caía numa plataforma, que abria uma válvula por alguns segundos, até escorregar para um depósito, fechando-a novamente.

BOMBA DE PRESSÃO



Com ela, bombeiros romanos passaram a contar com veículos de combate a incêndio. Água encanada já era uma comodidade no mundo greco-romano, mas todo o sistema era baseado na gravidade, com poucas partes pressurizadas. Isso queria dizer que a água só se movia para baixo, um problema grave em cidades como Roma, com edifícios de até 10 andares. Em 64, durante o reino de Nero, o conhecido Grande Incêndio destruiu dois terços dos prédios da capital, com os vigiles, membros das brigadas de combate às chamas, incapazes de atingir os pisos superiores. Foi pensando nisso que Heron inventou a primeira bomba pressurizada.

SERINGA



A invenção mais duradoura e universal do matemático sobreviveu quase sem modificações até hoje e já era usada por médicos durante o século 1. Teve também uma aplicação militar, servindo como lança-chamas: na Idade Média, o Império Bizantino usava o chamado fogo grego, um composto desconhecido que não era apagado pela água. Sua aplicação principal se dava nos navios, mas, no campo de batalha, os soldados utilizavam grandes seringas para dispará-lo.

PORTA AUTOMÁTICA



Outra criação capaz de converter calor em movimento, basicamente era uma forma de fazer os visitantes dos templos acreditarem no poder milagroso dos deuses. Quando o fogo no altar era aceso, o ar de uma câmara abaixo dele se expandia com a temperatura elevada, forçando a água de um reservatório a seguir para um balde, cujo peso fazia com que as portas se abrissem. Esse conjunto diz muito sobre a forma como a tecnologia era vista na época de Heron: uma espécie de poder sobrenatural, não uma comodidade para a vida cotidiana. No Mouseion, máquinas eram usadas pelos professores não só para demonstrar princípios físicos como para convencer seus estudantes do valor da Filosofia, uma disciplina ainda não separada da Ciência.
Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/invencoes-heron-alexandria-como-poderiam-ter-revolucionado-antiguidade-772632.shtml

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