9.12.09

Vigotsky, Wallon e a escola pública.

A escola pública: seus desafios em tratando-se de ensino.

As más gestões do ensino público e o descaso apresentado com o mesmo estão muito evidentes no âmbito social através das duas conseqüências e seus resultados.

Uma escola pública assim como quaisquer outras escolas, inclusive o ensino privado, precisam ter uma diretoria e responsáveis pela administração e direcionamento das atividades e dos objetivos da instituição na formação do caráter e do crescimento intelectual de cada aluno, sendo capazes de melhorar não só o ensino, mas principalmente que cada aluno tenha o suporte básico conquistado através do aprendizado para uma melhor capacidade de seguir com seus próprios objetivos e metas na sociedade, conquistando oportunidades de encarar processos seletivos (vestibulares concursos e etc).Mas o bom andamento de uma rede de ensino passa desde o responsável pela área no país, estado e município (presidente, governador, prefeituras e etc), professores e funcionários.

No caso específico da Escola Estadual Carlos Gomes residida em Campinas no estado de São Paulo, é possível notar uma certa desorganização, desde problemas envolvendo o uso de uniformes até a grade de horários e falta de autoridade ali não presente.

Durante o horário da aula (aula de história) no segundo ano do ensino médio que foi realizada a pesquisa de campo foi possível notar a falta de atenção e ânimo do professor em aplicar uma aula dinâmica e com o conteúdo sendo exposto de maneira objetiva e direta, mas sem perder a qualidade (seja por motivos relacionados às más condições de trabalho oferecidas ao professor como também a falta de interessante em grande parte dos alunos).

O professor em conversas particulares e informais relatou que existem alunos que tentam aprender e se esforçam, mas são prejudicados pela falta do bom ambiente que propicie um aprendizado mais eficaz, ambientes este que possui uma grande dispersão da atenção, conversas paralelas, gritos, atividades não aplicadas pelo professor sendo feitas pelos alunos menos interessados. Estes atos não são exclusivamente feitos apenas pela má vontade dos alunos, mas também da falta de incentivo do professor em oferecer algum tipo de aula e exposição do conteúdo de maneira que faça despertar o interesse dos alunos.

A forma como é aplicados o conteúdo e a avaliação são da seguinte forma:

  1. Professor indica as páginas na apostila onde terão que buscar informações sobre um determinado tema para elaborarem uma espécie de relatório ou um texto.
  2. O texto ou relatório é entregue ao professor que realizará a correção e será dada a nota do relatório.
  3. Professor devolve os relatórios e determina um curto tempo durante o horário de aula pra que os alunos estudem seus textos e relatórios para que depois seja aplicada a atividade
  4. Atividade é um texto feito sem consultas a materiais didáticos ou ao texto elaborado pelos alunos no qual é preciso estar composto de informações do tema.

Mas nenhuma aula expositiva ocorreu, e este processo de avaliação ocupou muito tempo tanto na hora da aula como também fez perder outras aulas na semana, desperdiçando assim outras oportunidades para o ensinamento e avanço da matéria em questão.

Esta forma de avaliação atrasa o andamento da matéria fazendo que outros conteúdos deixem de ser ensinados ou então não sejam ensinados da forma mais correta e coerente.

Os alunos presentes na Escola Estadual Carlos Gomes vivem e moram em várias partes da cidade e muitos deles de camadas sociais e econômicas inferiores estando impossibilitados de freqüentarem os colégios particulares pelo alto preço imposto e também em muitos casos a renda da familiar é baixa, fazendo assim um grupo de jovens na sala de aula de diferentes formações intelectuais, culturais e sociais.

A idéia do Wallon(1925)de que cada aluno tem que ser respeitado seja sua formação, sentimentos, problemas particulares e cada um merece o apoio de acordo com a sua necessidade não esteve presente nos dias em que a pesquisa de campo foi realizada, assim gerando mais um motivo para desinteresse por parte dos alunos.

Se o desenvolvimento do indivíduo conforme acredita o autor Vigotsky ( 1989 ) é o resultado de um processo sócio-histórico este desenvolvimento não está ocorrendo de forma correta ou adequada no ensino publico, pois a forma como o conteúdo foi aplicado e avaliado não propiciam uma interiorização e sim uma forma errada que é o ato de decorar.

Os professores do ensino público em quase sua totalidade hoje não têm mais o papel de mediador do conhecimento ou então aqueles que estimulam o pensamento de cada aluno, deixando de lado o processo de interiorização do conteúdo e atividades pedagógicas para um novo conhecimento sendo assim adquirido por cada aluno.

Os níveis de desenvolvimento de Vigotsky relacionados aos alunos do ensino público hoje no Brasil são:

  • Real (Conhecimento adquirido ou formado, aquilo que demonstra o que o indivíduo já é capaz de realizar e pensar): O desenvolvimento real do ensino publico hoje é bem diversificado, como já foi dito anteriormente no artigo, com estudantes de várias partes e regiões, classes sociais e intelectuais diferentes gerando assim uma heterogeneidade no perfil do aluno da rede pública.
  • Potencial (Capacidade de aprender): Cada aluno da escola pública precisa ser estimulada a aprender, e alguns sofrem com a falta de conhecimento real e juntos as deficiências do ensino a capacidade de aprendizado é sufocada por estes problemas.

Assim sendo necessária uma nova mudança na rede pública de ensino, fazendo com que cada aluno tenha sim o direito de ter uma boa educação e seus direitos básicos, e que a escola pública mude sua imagem denegrida e para uma instituição de respeito, que dê resultados não só no mercado de trabalho com uma boa base oferecida para os alunos de classe baixa, mas principalmente no perfil e formação deste como cidadão.

O aluno e aluna, não pode mais ser conseqüência de más gestões e descasos com o que é público, e isto não ocorre apenas na área de educação, mas também na área de saúde, transporte e outros direitos do bem estar social, e mesmo que os resultados destas mudanças propostas apareçam de forma lenta e gradual é necessário essa atenção maior a educação fazendo o avanço e gerando melhores condições de trabalho na área pedagógica e todos aqueles que diretamente ou indiretamente influenciam na qualidade do sistema de ensino que com o passar do tempo ou gera transformações positivas na sociedade ou deixam seqüelas quase que irreversíveis.

Considerações Finais

É preciso ter em mente que cada mudança proposta para o ensino leva tempo para a obtenção de resultados, assim sendo necessária uma visão mais privilegiada a esse requisito básico de um bom funcionamento de uma sociedade, a escola. Melhorias tanto na parte pedagógica como na parte administrativa do ensino publico são fundamentais para um bom rendimento do que se espera da escola, aquela mesma que em outros tempos foi rica qualitativamente. Se a educação é um direito de qualquer cidadão, é direito dela também ter uma educação capaz de engrandecer e transformá-lo em um cidadão mais apto a pensar e mudar,para melhor,requisitos básicos de uma vida,seja ela coletiva ou particular.

Referências Bibliográficas

LA TAILLE, Yves de. Piaget, Vigotsky,Wallon - São Paulo : Editora Summus, 1992


Fonte: Webartigos.com | Textos e artigos gratuitos, conteúdo livre para reprodução. 1

POPULISMO

A figura do líder carismático em defesa do povo: uma das mais claras manifestações do populismo latino-americano.

O populismo surgiu na América Latina através de um processo que inaugurou uma nova configuração aos campos sociais e econômicos a serem experimentados, em diferentes níveis, nos países desta região. A partir da década de 1930, o recuo das economias européia e norte-americana possibilitou a expansão do parque industrial em Estados antes marcados por sua atuação, quase exclusiva, no mercado agro-exportador.

Dentro dessa nova realidade, os centros urbanos se desenvolveram e uma grande leva de trabalhos urbanos compôs um novo e expressivo agente político. De fato, a predominância da disputa pelo poder que se concentrava nas mãos das opressivas oligarquias dava lugar a um quadro político mais diluído. Democratas, liberais, socialistas, comunistas e anarquistas mostraram que o jogo político latino-americano ganhava maior complexidade.

Em meio a essas novas correntes, alguns representantes governamentais adotaram uma postura interessada em aproximá-los desses novos agentes sociais. Por meio do uso de um discurso nacionalista, muitas vezes articulado enquanto contraposição aos regimes oligárquicos, esses novos líderes ofereciam uma indefinida perspectiva onde a “defesa do povo” era sobreposta a uma ideologia política mais específica. Dessa forma, compreendeu-se a instalação do populismo na América Latina.

Sendo fenômeno ambientado nas grandes cidades, o populismo se apoiou em uma visível teatralização do poder onde o líder carismático utilizava de grandes eventos e dos novos meios de comunicação para se dirigir à nação. Não fazendo questão de um intermediário que viabilizasse tal diálogo entre a população e o Estado, os governantes populistas utilizavam de um discurso direto e ao mesmo tempo inflamado para conclamar o apoio popular.

Obviamente, essa aproximação não ficava somente no campo das palavras. Sendo um fenômeno atuante, o populismo, ao reconhecer o poder de ação política dos trabalhadores, realizava uma série de medidas em benefício de parcelas expressivas da população. Nesse conjunto de ações, a criação de programas assistencialistas, a inserção de leis trabalhistas e outras demais conquistas tinham a função de legitimar a instalação do populismo no poder.

Contudo, esses benefícios geravam uma contrapartida onde esse mesmo governante exigia uma autoridade que, muitas vezes, extrapolava os limites da democracia. Nesse sentido, vemos que em muitos dos governos populistas, existiram algumas práticas de natureza antidemocrática. Entre outros exemplos, percebemos o alargamento das funções políticas do Poder
Executivo, o controle dos meios de comunicação por meio da censura e a subordinação dos movimentos sindicais.

No Brasil, o fenômeno populista teve início na década de 1930, quando Getúlio Vargas chegou ao poder. Nas demais nações latino-americanas, o populismo foi representado por outra série de governos como os de Juan Perón, na Argentina; José Maria Velasco, no Equador; Gustavo Rojas Pinilla, na Colômbia; e Victor Paz Estenssoro, na Bolívia.

A partir da segunda metade do século XX, o jogo político promovido pelo populismo começou a perder suas forças. Nesse outro contexto, a postura ambígua de muitos líderes populistas passou a representar um sério risco à hegemonia ideológica e política dos Estados Unidos no continente americano. Tendo como pano de fundo a Guerra Fria, os governos norte-americanos passaram a apoiar a derrubada de todos os governos que não se aliassem claramente ao bloco capitalista.

Outro fator que também contribuiu para a inviabilidade da prática populista girava em torno dos antagônicos interesses das classes trabalhadoras e a burguesia industrial. Em situação de crise econômica, a possibilidade de atender o interesse das camadas populares sem atingir os privilégios das elites se tornava cada vez mais complicado. Não por acaso, muitas das ditaduras que dão lugar aos regimes populistas latino-americanos foram claramente apoiadas por amplos setores da burguesia nacional.

Atualmente, apesar de não possuir a mesma expressividade de algumas décadas atrás, o populismo sustenta alguns resquícios na
cultura política latino-americana. Analisando criticamente alguns governos, percebemos a permanência da autopromoção política por meio dos meios de comunicação e a utilização de programas sociais de motivação eleitoreira. De certa forma, essas seriam algumas manifestações que comprovam a sobrevida do populismo latino-americano.

Fonte: MUNDO EDUCAÇÃO

Intifada

Intifada (em árabe: انتفاضة) é um termo que pode ser traduzido como "revolta" . É freqüentemente empregado para designar uma insurreição contra um regime opressor ou um inimigo estrangeiro, mas tem sido especialmente utilizado para designar dois fortes movimentos da população civil palestina contra a presença israelense nos territórios ocupados e em certas áreas teoricamente devolvidas à Autoridade Palestina (Faixa de Gaza e Cisjordânia).

O termo surgiu após o levante espontâneo que rebentou a partir de 9 de dezembro de 1987, com a população civil palestina atirando paus e pedras contra os militares israelenses. Este levante seria conhecido mais tarde como "Primeira Intifada" ou "guerra das pedras".

Com a recusa de Arafat em aceitar a proposta de paz de Israel, a "Segunda Intifada" palestina, também conhecida como a intifada de Al-Aqsa(em árabe:: انتفاضة الاقصى), teve início em 29 de setembro de 2000, no dia seguinte à caminhada de Ariel Sharon pela Esplanada das Mesquitase no Monte do Templo, nas cercanias da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalem - área considerada sagrada pelos muçulmanos sagrada também para os judeus.

No sábado, 27 de dezembro de 2008, Khalid Meshal, chefe do Hamas no exílio, falando à rede Al Jazira, convocou os palestinos a uma nova intifada contra Israel. A resistência deverá basear-se em operações suicidas.

Apesar de ter surgido no contexto do conflito israelo-palestiniano, o termo foi utilizado para designar outras ocasiões:



Fonte: Wikimedia Foundation


Guerra de Suez

O conflito em Suez combinou interesses econômicos junto às rivalidades da Guerra Fria.

Desde o século XIX, o Egito é uma região que desperta a cobiça de várias poderosas nações do mundo. Nesse contexto, a Inglaterra, no auge de sua ação imperialista, ocupou o território impondo sua crescente necessidade por mercados consumidores. Em 1922, essa situação se transformou apenas aparentemente, quando o Egito conseguiu estabelecer a sua independência com a formação de um regime monárquico.

Na verdade, a influência inglesa continuaria na região através de uma articulada atuação diplomática. Após a Segunda Guerra Mundial, essa importância seria ampliada com a valorização do petróleo do Oriente Médio e a estratégica função do Canal de Suez, construção de engenharia que interligava comercialmente várias embarcações que circulavam entre o Oriente, a Europa e a porção norte da África.

Insatisfeitos com a presença estrangeira no país, um grupo de militares, liderados pelo coronel Gamal Abdel Nasser, organizou um golpe de Estado que derrubou o governo do rei Faruk, em 1952. Logo de início, os golpistas chegaram ao poder dispostos a implantar um conjunto de reformas pautadas na estatização das empresas e na limitação dos países estrangeiros na economia nacional. Além disso, devemos frisar que o novo governo implantou uma reforma agrária apoiada pelos soviéticos.

Em tempos de Guerra Fria, o apoio soviético ao Egito representava uma séria ameaça aos interesses de países como França, Inglaterra e Israel. Tal desconfiança se agravou ainda mais com a determinação egípcia de fechar o porto de Eliat e promover a nacionalização do Canal de Suez. Por meio dessa última ação, o bloco capitalista acreditava que a União Soviética poderia consolidar um forte aliado político no Oriente Médio através dos egípcios.

Reagindo imediatamente ao bloqueio e à nacionalização do canal, os israelenses – com apoio franco-britânico – declararam guerra ao Egito. No dia 29 de outubro, os judeus organizaram uma violenta ação militar com a invasão imediata da península do Sinai. Paralelamente, grupos de paraquedistas franceses e britânicos realizaram a tomada de Port-Said, região de entrada do Canal de Suez.

Temendo uma reação mais extremada dos soviéticos, os Estados Unidos desaprovaram a realização daquele conflito. Fortalecida, a União Soviética ameaçou as cidades de Londres e Paris com a promoção de uma ofensiva nuclear. Mediante tal configuração, os israelenses se viram obrigados a recuar suas tropas. Dessa forma, os soviéticos conquistaram uma zona de influência no mundo árabe. Sob o contexto dos interesses econômicos, árabes e judeus acentuavam a tenso clima da região.
Fonte:
Brasil Escola

Não havia higiene na Idade Média?


Os homens cheiravam mal e não trocavam de roupa, e os camponeses viviam com animais. Não existiam banhos, mesmo porque lavar-se não era coisa bem vista. Certo? Errado!
por Olivier Tosseri
Coleção Waldburg-Wolfegg, Castelo de Wolfegg
Banho público na Alemanha. Ilustração de manuscrito do século XV
Muita gente aprende nos bancos escolares ou em referências no cinema e em livros que os tempos medievais foram um zero à esquerda em matéria de asseio. Não é bem assim. Havia higiene na Idade Média, quando também se usava a água por prazer. Esse só não era um valor tão disseminado como hoje nas sociedades carentes, como em todos os períodos passados, de meios de educação abrangentes e democráticos.

Acervos preciosos de arte e objetos do período incluem itens usados na toalete de homens e mulheres, assim como iluminuras que representam pessoas se lavando. Os tratados de medicina e educação de Bartholomeus Anglicus, Vicente de Beauvais ou Aldobrandino de Siena, monges que viveram no século XIII, mostram uma preocupação real em valorizar a limpeza, principalmente a infantil.

A água era um elemento terapêutico e servia tanto para prevenir quanto para curar as doenças. Desenvolveram-se as estâncias termais e era recomendado e estimulado lavar-se regularmente. Como as casas não tinham água corrente, os grandes locais de higiene eram os banhos. Certamente herdados da Antiguidade, é provável que tenham voltado à moda graças aos cruzados retornados do Oriente, onde se havia conservado a tradição.

Nas cidades, a maioria dos bairros tinha banhos públicos, chamados de “estufas”, cuja abertura os pregoeiros anunciavam de manhã. Em 1292, Paris, por exemplo, contava com 27 estabelecimentos. Alguns deles pertenciam ao clero. O preço da entrada era elevado, e nem todos podiam visitá-los com assiduidade.

Na origem, os frequentadores se contentavam com a imersão em grandes banheiras de água quente. O procedimento se aperfeiçoou com o surgimento de banhos saturados de vapor de água. Utilizava-se o sabonete ou a saponária, planta que fazia a água espumar, para um melhor resultado. Para branquear os dentes, recorria-se a abrasivos à base de conchas e corais.

Tal era o sucesso desses locais que a corporação dos estufeiros foi regulamentada. Eles tinham direito a preços predeterminados e o dever de manter água própria e impedir a entrada de doentes e prostitutas. A verdade, porém, é que as estufas foram se transformando cada vez mais em lugar de encontros galantes: os banhos em comum e os quartos colocados à disposição dos clientes favoreciam a prostituição.

No século XIV, recorreu-se a éditos para separar os homens das mulheres, mas foi durante o século XV que se verificou uma mudança de mentalidade. A Igreja endureceu suas regras morais, pois passou a ver com maus olhos tudo quanto se relacionasse com o corpo. E os médicos já não consideravam a água benéfica, mas sim responsável e vetor de enfermidades e epidemias. Segundo eles, os poros dilatados facilitavam a entrada de miasmas e impurezas.

A grande peste de 1348 recrudesceu esse entendimento. Desde então, passou-se a desconfiar da água, que devia ser usada com moderação. Os banhos declinaram e, pouco a pouco, desapareceram. Foi preciso aguardar o século XIX e o movimento higienista para que se produzisse uma nova mudança de mentalidade.

Fonte:

6.12.09

Infográfico: saiba como aconteceu a Novembrada em Florianópolis

Em 30 de novembro de 1979, Florianópolis recebeu o então presidente da República João Baptista Figueiredo para uma visita oficial.

Ele foi recepcionado no Palácio Cruz e Sousa, mas no decorrer daquela sexta-feira diversas manifestações contrárias as presidente aconteceram na cidade.

Confira no infográfico abaixo o roteiro da visita do presidente Figueiredo, além dos locais dos confrontos no Centro de Florianópolis. No endereço abaixo:

http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/novembrada/19,398,2731217,Infografico-saiba-como-aconteceu-a-Novembrada-em-Florianopolis.html


DIARIO.COM.BR

Civilização de Nazca

A Civilização de Nazca nasceu e se desenvolveu no sul do Peru, no período de 300 AC e 800 DC (antes dos Incas). Estudada até hoje com relação aos geoglifos, extensos desenhados no solo do deserto de Nazca.

A civilização também tinha a capacidade de construir aquedutos subterrâneos e artigos em cerâmica. Os geóglifos são conhecidos como as “linhas de Nazca”, desenhos de grande dimensão no Deserto de Nazca, percebidos em vôos de avião e helicóptero.

nazca-geoglifo

Os desenhos foram feitos entre os séculos III a.C e VIII d.C. Os desenhos representam imagens da natureza como macacos, aves e répteis. O primeiro cientista a estudar os geóglifos foi Paul Kosok, e posteriormente Maria Reiche, matemática alemã, que faleceu em 1998, aos 95 anos.

Ufólogos defendem a tese desses desenhos serem de autoria de entidades e civilizações extraterrenas.

Recentemente, arqueólogos da Universidade de Cambridge na Inglaterra, e do Museu Regional de Ica, Peru, determinaram uma hipótese de que a civilização Nazca desapareceu devido ao desmatamento e ao uso irregular dos lençóis freáticos que havia na região.

Foram feitas análises sobre a vegetação e dinâmica do solo no baixo vale do rio Ica. Na época da civilização Nazca, havia bosques milenares com árvores conhecidas como “huarangales”. A civilização sofreu um choque climático no ano 600 da Era Cristã.

Atualmente, Nazca é uma cidade com 30.000 habitantes, localizada a 450 km ao sul da capital Lima.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Civilização_de_Nazca
http://pt.wikipedia.org/wiki/Linhas_e_Geóglifos_de_Nasca_e_das_Pampas_de_Jumana
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u649726.shtml
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/peru/linhas-de-nazca.php


Lei Eusébio de Queirós

A Lei Eusébio de Queirós foi a legislação que proibiu definitivamente o tráfico de escravos para o Brasil, consagrando para a história o nome de seu autor, Eusébio de Queirós Coutinho Matoso Câmara, na época ministro. Aprovada em 4 de setembro de 1850, apesar de não ter sido a primeira a proibir o tráfico de africanos para o país, foi a primeira a surtir impacto relevante sobre a escravidão.

eusebio de queirosAnteriormente à Lei Eusébio de Queirós, outras legislações tentaram, com pouca eficácia, atingir a escravidão, principalmente devido à pressão inglesa em acabar com o tráfico negreiro. O Brasil, porém, foi o país que por mais tempo resistiu mantendo esse tipo de comércio.

A primeira legislação que visava proibir o tráfico de africanos foi a Lei de 7 de novembro de 1831, que determinava que todos os escravos que entrassem no país seriam livres e que quem participasse do contrabando seria severamente punido. A eficácia dessa lei não ultrapassou 1837, quando o tráfico já atingia proporções ainda maiores.

No ano de 1845, a Inglaterra concedeu a si mesma, através da lei Bill Aberdeen, poderes de jurisdição sobre navios suspeitos de contrabando de africanos para o Brasil, mas que não afetou os números de negros desembarcando no país. O tráfico negreiro continuava forte no Brasil nos anos que seguiram, a partir de então de forma ilegal.

Somente cinco anos mais tarde foi possível que o gabinete imperial conseguisse promulgar a Lei nº 581 de 4 de setembro de 1850, vencendo pouco a pouco as resistências a favor do tráfico tanto na sociedade quanto dentro do próprio parlamento. Eusébio de Queirós argumentava que muitos fazendeiros estavam endividados com traficantes, e que um número muito grande de escravos poderia abalar a segurança da sociedade.

Uma diferença na Lei Eusébio de Queirós era que, além da legislação, outros mecanismos de poder pudessem gradualmente ser utilizados contra os contrabandistas, como o apoio dos chefes de polícia e o fortalecimento das instituições responsáveis pela fiscalização.

Além de agir tanto sobre navios brasileiros quanto navios estrangeiros que atracassem no solo do Brasil, a Lei Eusébio de Queirós era fortemente apoiada na Lei de 7 de novembro de 1831, que já previa o contrabando como crime. A lei ainda previa que os navios encontrados em território brasileiro que fossem considerados importadores de escravos deveriam ser vendidos, podendo haver uma quantia destinada ao denunciante e que os escravos seriam devolvidos as suas terras natais.

A eficácia da legislação se provou quando o número de africanos desembarcando no Brasil, após atingir o patamar de mais de 380 mil indivíduos na década anterior, foi para pouco mais de 6 mil entre os anos 1851 e 1855.

A importância da Lei Eusébio de Queirós se deve ao fato de que, após promulgada, dificultou e encareceu a escravidão, tornando-a cada vez mais inviável e forçando os escravagistas a procurar outras formas de mão-de-obra. Essa legislação abriu caminho para as posteriores que acabaram por minguar a escravidão no Brasil antes do final do século 19, dando início às imigrações de Europeus para o país.

Leia também:

  1. Fim da Escravidão no Brasil

Fontes:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_76/artigos/PDF/EliardoFranca_Rev76.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Eusébio_de_Queirós
IBGE. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de janeiro : IBGE, 2000. Apêndice: Estatísticas de 500 anos de povoamento. p. 223 apud IBGE. Desembarques no Brasil http://www.ibge.gov.br/brasil500/tabelas/negros_desesembarques.htm (visitado em 30 de novembro de 2009)

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Cortar o tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

Carlos Drummond de Andrade

Diante do poema, podemos identificar uma característica que permeou o gosto estético dos escritores da segunda geração modernista: a reflexão transcendentalista a respeitodo ser humano frente ao mundo que o cerca.

Diversificando-se da temática baseada na
ironia, nos poemas-piada, com o objetivo de crítica aos “moldes” passados, esta por sua vez revela a angústia, o sentimento de indagação vivido pela sociedade em meio a um mundo de sucessivas guerras e conflitos.

Quanto ao aspecto estrutural, notamos o total desapego no que se refere
à predominância de rimas. Tal medida não significa ausência de um lirismo, muito pelo contrário, o poeta soube genialmente arquitetar as palavras e construir uma poesia reflexiva apoiada em temas do cotidiano como forma de um verdadeiro desabafo às intempéries proporcionadas pela vida em sociedade.

Nitidamente o fato se explica por meio do seguinte fragmento:
”Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão”.

Quando analisamos o poder, a força eloquente que possui a palavra, entendemos a geniosidade de nossos grandes mestres que marcaram a literatura de todos os tempos.

Por meio do
verbo industrializou e do substantivo exaustão, Carlos Drummond faz um jogo aliando o real com o transcendental, ou seja, a Revolução Industrial trouxe uma alavancada no campo econômico mundial, mas em contrapartida, a “esperança” tornou-se cada vez mais longínqua, em razão da disputa pelo poder.

Tal exaustão,
denotativamente falando, refere-se ao grande crescimento das indústrias e da tecnologia, como, por exemplo, a substituição da máquina a vapor. Entretanto, para o “eu” lírico, significava o verdadeiro espírito exaustivo, desesperançoso no qual a sociedade se encontrava naquela época.

Conhecendo um pouco mais sobre o referido escritor, o mesmo nasceu em Itabira do Mato Dentro, estado de Minas Gerais. Cursou o primário, ginásio e colegial na cidade natal.

Em 1924, o poeta escreveu uma carta a Manuel Bandeira confessando sua admiração pelo mesmo, e, neste mesmo ano, com um grupo de intelectuais mineiros, recebeu os modernistas de São Paulo e Rio de janeiro:
Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e o francês Blaise Cendras.

Foram 56 anos de
atividade poética, dentre as quais podemos destacar: na poesia: Lição de coisas, Brejo das Almas, A falta que Ama, entre outras; prosa: Contos de Aprendiz, Cadeira de Balanço, Os Dias Lindos, etc., além de obras infantis.

Fonte: Mundo Educação

Da Grande Arte ao Modernismo

Durante mais de três mil anos a História da Arte Ocidental deveu às iniciativas dos príncipes europeus, dos papas e dos primazes da Igreja, e ao bom gosto dos aristocratas de um modo geral, o cultivo da Grande Arte. Hoje, o Modernismo Recente procura afirmar-se como um ruptura total com esta herança, gerando inquietação e desconforto quanto aos destinos futuros do que se entedia por Arte entre nós.


A Grande Arte


Pouco importa que o objetivo dos Grandes Patronos das Artes do passado era exaltar o estado que administravam, a herança de Cristo que se diziam representar, ou ainda simplesmente dignificar a dinastia ou a nobre descendência de onde provinham, o resultado é que no transcorrer daqueles séculos eles foram os responsáveis pelas mais impactantes construções e as mais impressionantes obras de arte que o mundo ocidental conheceu.


Tratou-se de palácios e prédios públicos diversos, templos, catedrais, mosteiros e conventos, mansões urbanas e casarões rurais de toda ordem, quase sempre ricamente mobiliados e decorados com afrescos, vitrais ou quadros das mais variadas dimensões. Por diversa que fosse a percepção estética deles, o compromisso final era sempre com o Belo e com o Perene.


Para tanto, a fim de erguer estes monumentos da grandeza e da imortalidade, contrataram arquitetos como Callicrates, Fídias, Bruneleschi, Alberti, Palladio, Borromini, Le Vau, Mansard, pintores como Rafael, Miguel Ângelo, Verocchio, Leonardo da Vinci, Brueghel, Dürer, Holbein, Bosch, El Greco, Rubens, Velázques, Poussin, Fragonard, Le Brun, Goya, e uma quantidade imensa de gravuristas, artesãos, marceneiros, ceramistas, vidraceiros, que foram mobilizados para dar suporte à demanda que o consórcio do Estado com a Igreja e com a Nobreza estabelecera por tantos séculos. Afinal aquela elite é quem formava o ‘mercado’.


Por igual, para satisfazê-la, é que os autores dramáticos da mais variada procedência e nacionalidade como Ésquilo, Sófocles, Sêneca, Shakespeare, Racine, Voltaire ou Goethe, compuseram suas peças e as representaram frente ao público. Poetas como Homero, Píndaro, Virgilio, Ovídio, Dante, Tasso, Ariosto, Camões, Milton, e tantos outros mais, foram estimulados a imortalizarem, com sucesso, os feitos, felizes ou não, dos heróis ou santos que eram cultivados pelos monarcas, pelo clero e pelos cavalheiros.

Para embalá-los, consolá-los, diverti-los ou embevecê-los, recorreu-se à lira do mitológico Orfeu, à polifonia sacra de Palestrina, ao órgão de Bach e de Haendel, ao cravo e a flauta de Mozart, à sinfonia de Beethoven, à valsa de Strauss, as óperas de Verdi e de Puccini, ao violino de Paganini ou às trompas de Wagner.


Este mundo das monarquias, da hierarquia e do refinamento começou a ser abalado por sucessivas revoluções sociais e políticas que, tendo como ponto de partida o assalto à Bastilha de Quatorze de Julho de 1789 (seguido um século e tanto depois por duas Guerras Mundiais), levaram-no ao encolhimento e por fim ao desaparecimento. Os palácios invadidos, os castelos conquistados e demolidos e os templos esvaziados pela descrença da elite moderna (que derrotou e expurgou a antiga elite aristocrática do poder político) fizeram com que o antigo arcabouço que dava sustentação a Grande Arte, fosse ela de expressão renascentista, barroca ou neoclássica, ficasse definitivamente abalado e sem possibilidades de ressurgimento.


Emerge o Movimento Modernista


Deste modo o Movimento Modernista despertou em meio às ruínas de um passado esteticamente imponente, mas reduzido `a impotência, para vir atender às modificações exigidas pelo novo tempo sob comando do deus pagão do Progresso, mediado pela sociedade de massas voltada para a produção industrial e com intenso predomínio da tecnologia.


Desprezando a mitologia, a vida folgazã e bucólica da fidalguia ou as manifestações religiosas, o Modernismo é antes de tudo uma heresia estética e uma revolução temática. A sua matéria prima é extraída do dia a dia que cerca o artista, quando não da sua própria subjetividade (que, por influencia da psicanálise, o levou à exploração e exposição dos seus mais recônditos estados de espírito). Repudia tanto as idealizações do pretérito dos românticos como revolta-se contra os padrões acadêmicos representando pelos Institutos de Belas Artes e Academias, dando ênfase à inventividade solitária dos artistas e sua potencialidade criativa. O modernista está condenado ao compromisso com o novo e o inesperado, e de algum modo tornou-se escravo disto. Na linguagem de Heidegger se deixou tiranizar pelo compromisso com a ‘autenticidade’.


Todo um mundo que, por séculos, girara na rotação determinada pelas rodas das carretas e diligencias, medindo sua velocidade pelo trote dos cavalos ou do arrastar penoso e contido dos animais de tração, viu-se tragado durante a Revolução Industrial pela estonteante velocidade imposta pelo vapor aplicado às locomotivas e aos barcos e, em seguida, pela força do motor à combustão que gerou o automóvel e o avião.


A conseqüência disto foi a exigência de uma outra estética condizente com aquelas transformações sensacionais, algo como jamais a humanidade vira em momento algum da sua história. (*)

O caos estético

Ainda que o Modernismo se mostre fragmentado em inúmeras correntes (a impressionista, pós-impressionista, expressionista, cubista, futurista, suprematista, simbolista, vorticista, imagista, dadaísta, surrealista, abstracionista, etc.) muitas delas hostis entre si, o tempo e a distância de algum modo fez por embaralhá-las, senão que as uniformizou. Vistas de perto a maioria das composições se assemelham a um caos estético, a uma anarquia policrômica e polifórmica provocada pela explosão de uma miríade de ‘escolas’, de correntes e subcorrentes, formadas por grupos de artistas comprometidos em fazer o que ninguém tentara antes. Obras que são fruto de uma liberdade individual desconhecida em qualquer outro período da história ocidental e expressão radical da subjetividade extremada.


Para eles não havia mais regras, nada de respeitar os cânones, tudo fora abolido ou esquecido, violado ou jogado no armário velho dos trastes.


Apesar das múltiplas formas ou até pela ausência completa delas, como ocorre especialmente nas artes plásticas mais recentes (o que passa por pintura ou escultura), verifica-se a uma determinada distância que o Modernismo é muito parecido, ‘um estilo invisivelmente coletivo’, como assegurou Malcom Bradbury, quase tão facilmente identificável como o barroco é hoje para nós. Tal como ver à distância uma floresta ou um bosque no qual todas as suas arvores e ramos nos apareçam indistinguíveis.



(*) É suficiente lembrar que os dias e horas gastos por Napoleão para atravessar os Alpes com pesados custos na Segunda Campanha da Itália (em 1800) não foram menores daqueles despendidos pelo cartaginês Aníbal Barca que fizera o mesmo trajeto dois mil anos antes dele (em 218 a.C.).


As duas fases do Modernismo


De um modo geral, neste século e meio em que o Modernismo vicejou (desde que o entendamos como uma entidade estética separada de tudo o que viera antes), podemos identificar dois momentos distintos dele. O primeiro é o do Modernismo ‘Clássico’ que cronologicamente tem seu começo ao redor de 1850, marcado pelos antológicos artigos de Baudelaire tratando do que vem a ser ‘moderno’. Período este que se estendeu por mais ou menos uns cem anos, indo até um pouco depois do final da Segunda Guerra Mundial, digamos até as proximidades de 1950.


Esta fase caracterizou-se, ainda que com forte retórica e técnica revolucionária, por haver um intenso diálogo dos modernistas com seus antecessores. Monet, Gauguin, Van Gogh, Picasso, Cézanne, Kandinsky, Ernst Ludwig Kirchner e os expressionistas alemães e mesmo os futuristas italianos liderados por Marinetti, mantiveram laços com a Grande Arte (ainda que para caricaturá-la), visto que eram costumeiros freqüentadores de exposições e museus onde estudavam os mestres do passado.


Proclamando-se - tal como Vassily Kandinsky e Peter Mondrian o fizeram - cada vez mais distantes da natureza, deram os ‘clássicos’ os primeiros sinais de ruptura com a realidade, fosse a herdada da tradição e do humanismo ou de qualquer outro cânone estético conhecido. Se muitos críticos de arte dos começos do século XX os classificaram como ‘um bloco indiferenciado de vândalos’, eles certamente, se tivessem sua existência prolongada, ficariam ainda mais estarrecidos com o que veio a seguir.


O abismo do Modernismo Recente


A Segunda Guerra Mundial, encerrada em 1945, e a subseqüente transferência da liderança modernista de Paris para Nova York, gradativamente fez com que se acelerasse o rompimento com ‘ os patronos do passado’. Papel fundamental nesta interrupção da continuidade do dialogo do presente (modernista) com o pretérito (arte tradicional), foi a ação de Marcel Duchamp, falecido em 1968, um ex-integrante do cubismo europeu que, depois de muitas idas e vindas pelo Atlântico, fixou-se nos Estados Unidos a partir de 1957.


Devido a este pândego francês, as venerandas hierarquias nas artes foram definitivamente deixadas de lado, mergulhando num subjetivismo extremado e radical que, entre outras coisas, fez por abolir os imites entre a pintura e a escultura, entronizando, entre outras coisas, a Arte Conceitual que passou a ser uma espécie de vale tudo estético.


Liberalidade plena esta que de certo modo se afinava com a posição ideológica da intelectualidade ianque em conluio com a elite empresarial comprometidas em construir na América um Novo Mundo que pouco desejava preservar o que lembrava o passado e seus elos com a cultura européia. (*)


A tolerância, ou melhor ainda a leniência, com a hipercriatividade e o destempero dos artistas que mergulharam num esoterismo cada vez mais enigmático, por igual desempenhou um importante papel ideológico na luta travada pelos Estados Unidos, primeiro contra o Nazismo e em seguida contra a URSS.


Enquanto o estado comunista impunha aos seus o Realismo Socialista, os magnatas de Nova York faziam questão ostensiva de sustentar o desregramento da sua gente das artes. Viam como uma luta da Liberdade contra o Dirigismo.


O escancarar deste abismo – ‘a panóplia das novas formas’ - foi assumido quase que inteiramente pelos os artistas norte-americanos. Começando com a exposição individual de De Kooning, na Galeria Charles Egan, em 1948, tendo seguimento com Jackson Pollock, o exuberante nome do expressionismo abstrato, fruto do Greenwich Village, o rompimento com a tradição e mesmo com o modernismo ‘clássico’, atingiu o seu máximo com a
Pop Art de Andy Warhol, que nos anos 60 decidiu reduzir sua obra a um processo de elaboração abertamente industrial (não se motivo o seu ateliê nova-iorquino denominava-se ‘ A Fábrica’).


(*) Como representativa da obsessão dos artistas norte-americanos em romper seus laços com o Velho Mundo é interessante a observação feita pelo pintor Milton Resnick; ‘ a tradição’, afirmou ele, ‘ é como uma parede de tijolos, você a ergue, ela fica mais alta e mais pesada a cada século que passa, mas você continua, porque acha que há muito espaço ainda, e aí ela desmorona em cima de você. Porque, numa centena de anos, ninguém conseguirá fazer coisa alguma. E a América, você sabe o que é a América? Ela empurra aquela parede abaixo. ’ (ver Gil Perl – New Art City: Nova York, capital da arte moderna, pág. 152 )

Cedar Taverne supera Le Lapin Agile

H.Holbein ‘ Os embaixadores franceses’, 1533, exemplo da Grande Arte
Época que marcou o apogeu da Cedar Taverne, situada naquele bairro boêmio, na 82 University Place, local de encontro dos expressionistas abstratos, como os já citados Jackson Pollock e Willem de Kooning, além de Mark Rothko, Aristodimus Kaldis, Philip Guston, Franz Kline e Michael Goldberg, da mesma maneira que o cabaré Lapin Agile, em Montmarte, na rue des Saules 22, acolheu os cubistas amigos de Picasso, na Paris do começo do século XX. A vanguarda trocava das margens do Atlântico europeu pelas as costas da América do Norte.
Nova York transformou-se no novo símbolo da ascendente prosperidade dos Estados Unidos, depois da superação dos estragos da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial, ela, apesar das exigências limitadoras crescentes da Guerra Fria, escancarava-se como um enorme espaço aberto a todo o tipo de possibilidades.


Pela primeira vez nos três mil anos da Cultura Ocidental as novas criações que brotavam aos borbotões de estúdios, de ‘fábricas’, de porões ou de sótãos improvisados como ateliês, espalhados por diversos lugares da colossal metrópole norte- americana, apresentaram-se ao público sem qualquer referência ao que se fizera antes em matéria de arte.


Os Grandes Mestres, fossem os do Renascimento ou do Impressionismo, definitivamente se viram abandonados pelos rebeldes culturais da nossa época. Nem saber desenhar ou esculpir é hoje exigido. Programaticamente afastaram-se de qualquer compromisso com o ‘belo’ como também renunciaram a uma das mais caras obsessões da arte em todos os tempos: o desejo de perenidade.


Tudo o que fazem os que compõem o quadro do Modernismo Recente – ainda que se apresentem como ‘ transgressores’ - está comprometido com o descartável, com a filosofia do ‘use e jogue fora’, típica da sociedade ultra-consumista a que pertencem (a qual muitos deles dizem ideologicamente se opor), caracterizada pelo vai-e-vem do que sai da linha de montagem.


Mas a revolução estética do Modernismo Recente não se deteve somente nisto, ela também promoveu à abolição dos ‘gêneros’: a diferença entre a pintura e a escultura evaporou-se. Substituíram-nas as ‘instalações’.


Artista x público

O resultado disto tudo tem sido o assombro. O público em geral manifesta constante perplexidade com o que se depara nas exposições ou nas bienais voltadas para dar abrigo ao que se entende por arte de agora. Quando não uma progressiva indiferença para com aquilo que lhe é mostrado, pois o poderoso movimento iconoclasta desencadeado há mais de século e meio atrás parece ter aportado a um Grande Nada.


Quanto mais a multidão dá sinais de impaciência e rejeição mais o artista se isola, tornando-se mais hermético e encaramujado.(*) Isto – o precipício aberto entre a obra e o público dos nossos dias - proporcionou uma incrível proliferação de ensaios publicados por inúmeros intelectuais preocupados em tentar extrair do Grande Nada, em espantosos exercícios de imaginação verbal, algo que pudesse ser inteligível aos demais mortais, isto é aos freqüentadores das artes em geral (como foi o caso do artigo de Octavio Paz sobre o enigmático ‘Grande Vidro’ de Marcel Duchamp).

(*) Este hermetismo é entusiasticamente apoiado pela Tribo Esotérica, uma composição um tanto fluida de jornalistas e críticos culturais, curadores de exposições e bienais, donos de galerias, marchands e milionários colecionadores, que domina a rede midiática cultural do circuito Paris-Nova York, e adjacências cuja função é enaltecer qualquer coisa que se assuma como arte.

Uma fome insatisfeita frente ao Enigma Vazio

Tela de Salvador Dali , um ‘clássico’ do modernismo
Ainda que se perceba a necessidade dos artistas dos tempos contemporâneos lançarem mão dos mais variados instrumentos que estão ao seu dispor nos tempos de hoje, como bradavam os Futuristas nos inícios do século XX, a fome estética das multidões contemporâneas não tem sido satisfeita pelo Modernismo Recente. Tudo indica que a sugestão feita por Marcel Duchamp para o público ‘não-ver’, para ‘desver’ a arte, parece tê-la conduzido a uma cilada, ao Enigma Vazio apontado por Affonso Romano Sant Anna.


Tudo nos leva a aceitar que a Tecnologia tenha absorvido para si não só a função de ser a panacéia redentora da humanidade como também a usurpadora dos antigos conceitos gregos do belo do bom, deixando muito pouco para o que chamávamos de Arte. Nos dias que correm é a Tecnologia, por meio do design, quando não a Publicidade, quem satisfaz o apetite da humanidade pelo belo ( basta comparar o êxtase em que as pessoas demonstram frente a uma exposição de automóveis do ano frente a decepção com que saem da maioria das vernissages das galerias de arte).


Em se tratado da Modernidade Recente, seja na sua aparência Minimalista, Pop, Arte Conceitual ou Performance, pelo menos até o corrente não se deu a síntese desejada pela dialética de Hegel que visava harmonizar e superar os contrários, no caso presente, do o público de arte com a estética que lhe corresponde no tempo. Venceu Kierkegaard com a curiosa contraposição entre os dois estados da vida, aut x aut, uma situação em que a ‘vida estética’ se vê impossibilitada de conciliar-se com a ‘ vida moral’.


Bibliografia


Archer, Michael - Arte Contemporânea: Uma Historia Concisa. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

Cauquelin, Anne- Arte Contemporânea - Uma Introducão Artes, São Paulo; Martins Fontes, 2005.

Hughes, Robert – Nothing if not critical. Selected Essays on Art and Artists, Penguin Books.

Hughes, Robert – The schok of the new. The Hundred-Year History of Modern Art Its Rise, Its Dazzling Achievement, It's Fall. Nova York: McGraw-Hill, 1990.

Perl, Jed – New Art City: Nova Yrok, capital da arte moderna. São Paulo: Cia. Das Letras, 2008.

Sant Anna, Affonso Romano - Enigma Vazio - Impasses da Arte e da Critica São Paulo, Editora Rocco, 2008.


Fonte: História por Voltaire Schilling