Brasília - Há exatos 20 anos o Brasil assistiu à abertura do processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo, aprovado por 441 votos na Câmara dos Deputados. Collor foi o primeiro presidente da República eleito pelo voto direto após o regime militar, ao derrotar em segundo turno o então candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.
As primeiras denúncias contra Collor surgiram após os 100 primeiros dias de mandato e diziam respeito a um esquema de corrupção montado pelo ex-tesoureiro de campanha, Paulo César Farias – conhecido como PC Farias. As denúncias, intensamente divulgadas pela imprensa, culminaram com a criação de uma comissão parlamentar mista de inquérito, a CPI do PC.



























As denúncias de corrupção, associadas ao desgaste do então presidente em função da implementação de planos de estabilização da economia, levaram mais tarde à mobilização popular e à aprovação do pedido de impeachment. Os planos econômicos, chamados de Collor I e Collor II, consistiam basicamente em tentar controlar a inflação, que já vinha alta desde o governo anterior de José Sarney. No primeiro momento os planos surtiram efeito, mas o confisco do dinheiro da população nos bancos e a volta da alta da inflação começaram a provocar insatisfação do povo com o presidente.
Muitas empresas e até pessoas físicas faliram quando o governo determinou que todas as contas bancárias poderiam ter saldo máximo de Cr$ 50 mil (cinquenta mil cruzeiros, a moeda da época). Impedidos de arcar com os compromissos financeiros, os empresários foram os primeiros a abandonar o apoio a Collor. Além disso, denúncias como as de desvio de dinheiro público para a construção dos jardins na residência oficial, chamada de Casa da Dinda, e o pagamento de vultosas despesas do casal presidencial, com dinheiro das empresas de PC Farias, levaram o povo às ruas pedindo a saída do presidente.
Duas entrevistas foram determinantes para a mobilização popular. Primeiro o irmão do presidente, Pedro Collor, à revista Veja, denunciando o chamado esquema PC e o desvio de verbas públicas para as empresas do ex-tesoureiro de campanha. Depois, o motorista Francisco Eriberto França confirmou à revista Isto É ter feito pagamentos para Fernando Collor e sua esposa, Rosane Collor, com cheques e valores que buscava nas empresas de PC Farias.
A conclusão dos trabalhos da CPI do PC, com relatório que considerou as denúncias procedentes, foi outro fator que incentivou a mobilização popular. O movimento Fora Collor era formado principalmente por estudantes, os chamados "Caras Pintadas", e por mais pessoas ligadas às universidades, os professores. Diante do clamor da sociedade civil, os presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcelo Lavanère, e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Barbosa Lima Sobrinho, entregaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro, o pedido de impeachment com mais de 20 mil assinaturas.
Pinheiro acolheu o pedido e designou o então deputado Nelson Jobim como relator, que posteriormente apresentou parecer favorável ao impedimento do presidente da República de prosseguir no mandato. No dia 29 de setembro de 1992, Ibsen Pinheiro abriu a sessão de votação pelo impeachment de Fernando Collor de Melo em um Congresso Nacional cercado por milhares de manifestantes Caras Pintadas. Com 441 votos favoráveis, 38 contrários, 23 ausências e 1 abstenção, a Câmara dos Deputados decidiu pelo afastamento imediato do presidente da República de suas funções e autorizou o Senado Federal a abrir processo de cassação de mandato e dos direitos políticos.
No dia 2 de outubro, Collor foi comunicado de seu afastamento temporário pelo período que durasse o processo de impeachment e o então vice-presidente da República, Itamar Franco, assumiu o cargo. Itamar permaneceria na cadeira presidencial até o fim do mandato, em 1994. A cassação de Fernando Collor de Melo foi confirmada por 76 votos favoráveis e dois contrários no Senado Federal, em 29 de dezembro de 1992. O ex-presidente ainda tentou uma manobra para evitar a perda de seus direitos políticos. Depois de aberta a sessão no Senado, o advogado de defesa de Collor, José Moura Rocha, apresentou aos senadores a carta de renúncia dele. A tentativa, no entanto, foi em vão, e a cassação foi confirmada.
Em 1994, o ex-presidente foi absolvido no Supremo Tribunal Federal (STF) da acusação de corrupção passiva por falta de provas. A absolvição na ação penal, entretanto, não o livrou da suspensão dos direitos políticos por oito anos, a contar da data do que seria o término do seu mandato presidencial, em 1994. Collor voltou à cena política do país apenas em 2002, quando tentou se eleger governador de seu estado, Alagoas, mas foi derrotado. Em 2006, ele se elegeu senador e passou a ocupar uma cadeira no plenário que cassou seus direitos políticos. Em 2010, o senador Collor tentou novamente governar seu estado, mas ficou em terceiro lugar nas eleições. O mandato dele no Senado termina em fevereiro de 2015.
Fonte: 
1.10.12
Há 20 anos, Collor foi o primeiro presidente do país a sofrer impeachment

Foto 1 de 15
Foto de 1962 mostra a vista externa da Casa de Detenção de São Paulo, localizada na zona norte da capital paulista. O presídio, conhecido como Carandiru, foi inaugurado em 1920. No local, os presos realizaram incontáveis rebeliões, quase sempre violentas e com mortes
Foto 2 de 15
Palco da maior tragédia do sistema prisional do País, o Carandiru registrou diversas rebeliões. Na imagem, equipes da Força Pública e da Polícia Civil de São Paulo se mobilizam para terminar com um motim na década de 60. A revolta foi sufocada em duas horas
Arquivo/25.10.1967/AEFoto 3 de 15
Detentos concentrados em parte do pátio durante incêndio provocado em uma rebelião que destruiu parte de um dos pavilhões na Casa de Detenção de São Paulo na década de 60
Renato dos Anjos/14.12.1988/AEFoto 4 de 15
A dançarina e ex-chacrete Rita Cadillac chegou a se apresenta para mais de 7.000 presos durante festa anual da Casa de Detenção de São Paulo. O episódio ficou famoso em todo o País e foi retratado no filme "Carandiru", de Hector Babenco

Mônica Zarattini/02.10.1992/AE
Foto 5 de 15
Uma briga entre detentos deu início à rebelião que terminaria no episódio conhecido como "massacre do Carandiru". Na tarde do dia 2 de outubro de 1992, a confusão estava instalada. Nas fotos, os carros da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), grupo de elite da Polícia Militar, entram na casa de detenção do Carandiru
Itamar Miranda/02.10.1992/AEFoto 6 de 15
Parentes e curiosos lotaram a entrada do Carandiru para conseguir informações sobre a rebelião. A Tropa de Choque de São Paulo, na época comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, invadiu o presídio deixando um saldo de 111 mortos

Foto 7 de 15
Segundo a versão dos detentos sobre o massacre, eles já estavam nas salas e desarmados quando a Tropa de Choque invadiu o local. Os policiais afirmam que os presidiários estavam armados e preparavam uma tocaia. Na foto, faxineira limpa o chão de corredor do IML (Instituto Médico Legal) enquanto os corpos dos detentos são colocados em caixas provisórias de madeira
Itamar Miranda/4.10.1992/AEFoto 8 de 15
Fachada do Complexo Penitenciário do Carandiru, na zona norte de São Paulo, dois dias após o massacre que vitimou 111 detentos
Daniel Teixeira/AEFoto 9 de 15
O tenente-coronel Salvador Modesto Madia foi nomeado comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) em novembro de 2011. A escolha foi polêmica poisMadia é réu no processo do massacre que aconteceu na Casa de Detenção de São Paulo. Em setembro de 2012, Madia mudou de cargo
Itamar Miranda/5.10.1992/AEFoto 10 de 15
Detentos exibem os cartuchos das balas disparadas pelos policiais durante o massacre. A perícia concluiu que apenas 26 dos 111 mortos foram baleados fora da cela
Epitácio Pessoa/05.10.1992/AEFoto 11 de 15
Três dias após o massacre, detentos expõem faixa de protesto contra a tragédia em janela de pavilhão da Casa de Detenção do Carandiru, na zona norte de São Paulo
Vidal Cavalcante/AEFoto 12 de 15
O coronel da Polícia Militar Ubiratan Guimarães é o único acusado pelo massacre do Carandiru que foi julgado. Condenado a mais de 630 anos de prisão, ele não passou um dia na cadeia e acabou absolvido pelos crimes. Ubirantan foi morto com um tiro na barriga em setembro de 2006, em seu apartamento na capital paulista
Márcia Zoet/11.10.1992/AEFoto 13 de 15
Parentes e amigos leem lista de detentos e óbitos afixadas na frente da Casa de Detenção do Carandiru
Mônica Zarattini/19.02.2001/AEFoto 14 de 15
Vista aérea da Penitenciária do Estado no Complexo do Carandiru, na zona norte da capital paulista, durante a ocorrência de uma série de rebeliões em diversos presídios do Estado de São Paulo, numa ação organizada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), que deixou vários mortos
Robson Fernandjes/8.12.2002/AEFoto 15 de 15
Vista aérea da implosão dos pavilhões 6, 8 e 9 da Casa de Detenção do Complexo Carandiru, na zona norte de São Paulo, em 2002. Local foi abaixo em sete segundos. Geraldo Alckmin, também governador na época, apertou o botão que ativou a destruição
Fonte: http://noticias.r7.com
Jornal do Vaticano diz que papiro que fala em casamento de Jesus é falso
Publicação da Igreja põe em xeque origem do documento.
Especialista ressalta que papiro não seria prova de que Jesus era casado.
O jornal vaticano "L'Osservatore Romano" afirmou nesta quinta-feira (27) que o papiro recentemente apresentado no qual aparece a frase em copta "Jesus disse a eles, minha esposa ...", que alimentou a teoria que Cristo fosse casado, é "falso".
O vespertino da Santa Sé publicou em sua edição de hoje um artigo do professor italiano Alberto Camplani, especialista em língua copta e professor de História do Cristianismo na Universidade La Sapienza de Roma, no qual analisa o papiro recuperado pela professora americana Karen King, que levantou a polêmica.
Pedaço de papiro traz a inscrição: 'Jesus disse a eles, minha esposa' (Foto: Karen L. King/Harvard/Divulgação)
Em seu artigo, Camplani afirma que Karen apresentou o papiro como do século 4 e que o texto pode ter sido escrito no século 2, "quando se debatia sobre se Jesus esteve casado".
Camplani expressou sua "reserva" sobre esse ponto e disse que, perante um objeto desse tipo, "que, ao contrário de outros papiros, não foi descoberto em uma escavação, mas provém de um mercado de antiguidades, é preciso adotar precauções, que excluam que se trata de algo falsificado".
O especialista italiano acrescentou que, no que concerne ao texto, a própria Karen propõe vê-lo não como uma prova do estado conjugal de Jesus, mas como uma tentativa de fundar uma visão positiva do casamento cristão.
"Mas não é assim, tratam-se de expressões totalmente metafóricas, que simbolizam a consubstancialidade espiritual entre Jesus e seus discípulos, que são amplamente divulgadas na literatura bíblica e na cristã primitiva", comentou o especialista.
O jornal vaticano acrescentou que de todas as maneiras se trata de um documento "falso" e ressaltou que a historiadora americana preparou o anúncio "sem deixar nada ao acaso: imprensa americana avisada e entrevista coletiva prévia de King para preparar a exclusiva mundial, que, no entanto, foi posta em dúvida pelos especialistas".
Segundo o vespertino da Santa Sé, "razões consistentes" fazem pensar que o papiro seja uma "trôpega falsificação, como tantas que chegam do Oriente Médio", e que as frases nada têm a ver com Jesus.
Fonte:
1862 - Bismarck é nomeado governante da Prússia e inicia unificação alemã
Conde Otto von Bismarck governou por 28 anos e mudou a correlação de forças no continente europeu.
Wikimedia Commons
Em 23 de setembro de 1862, o rei da Prússia, Guilherme I, afrontado por uma grave crise política, nomeia chefe de seu governo um homem de pulso, o conde Otto von Bismarck.
Os jornais liberais de Berlim só lhe davam poucos meses no poder. No entanto, iria governar o conjunto da Alemanha durante 28 anos e mudar a correlação de forças na cena europeia.
Principal Estado da Alemanha do Norte, a Prússia tinha aprovado uma constituição e formado um regime relativamente liberal em 1848, sob o reinado de Frederico-Guilherme IV da dinastia Hohenzollem. Afetado de demência em 1858, teve de confiar a regência a seu irmão mais moço, Frederico Guilherme, já com 60 anos, quem destitui o presidente do Conselho, Otto von Manteuffel, e tenta pôr fim às intrigas que paralisavam a ação governamental.
[Foto: da esquerda para a direita: Bismarck, Roon e Moltke, os três líderes prussianos nos anos 1860]
De resto, pretendia levar a Prússia ao proscênio europeu, reforçar seu exército, cuja inoperância ficara demonstrada quando das crises europeias de 1848, 1852 e 1859. A partir dos anos 1860, o regente prepara, apoiado pelo chefe do Estado-Maior Helmut von Moltke e pelo ministro da Guerra Albert von Roon, uma nova lei militar. Tratava-se de poder mobilizar 500 mil homens em caso de guerra em vez de apenas 150 mil.
Em 2 de janeiro de 1861, com a morte de seu irmão, o regente sobe ao trono com o nome de Guilherme I. Aferra-se ao seu projeto de lei militar porém encontra ferrenha oposição dos liberais que forçam a convocação de eleições legislativas para março de 1862. Os liberais denunciavam o custo do projeto – 4 milhões de thalers suplementares por ano – o que punha em risco o desenvolvimento econômico e privava a indústria de preciosa mão-de-obra.
O rei ameaça abdicar. Von Roon se assusta com a perspectiva de que isto levaria ao trono seu filho, que tinha a reputação de ser um liberal convicto. O ministro sugere então ao soberano o nome de Bismarck. O rei traz à baila o temperamento ardente do indicado e suas convicções rígidas quando era deputado ao Landtag e depois embaixador na Diete da Frankfurt (1851-1859), em São Petersburgo (1859-1862) e em maio de 1862, embaixador em Paris.
Bismarck passou anos acreditando poder ascender ao governo como Ministro das Relações Exteriores e mesmo como chefe de governo com o apoio de seu amigo von Roon. Todavia, o rei afastava a ideia por incompatibilidade de catráter com o impetuoso personagem.
Em 16 de setembro de 1862, Bismarck recebe em Paris de seu ministro do Exterior Bernstorff um telegrama cifrado informando que o rei o esperava com urgência em Berlim. Na manhã de 22 de setembro é introduzido no gabinete do monarca no castelo de Babelsberg, perto de Potsdam.
Wikimedia Commons
O rei lhe mostra o ato de abdicação sobre a mesa e lhe diz: “Não quero mais reinar se não puder fazê-lo assumindo a responsabilidade diante de Deus, segundo minha consciência e diante de meus súditos. Não encontro nenhum ministro disposto a dirigir meu governo. Eis porque resolvi abdicar”.
A que Bismarck responde: “Desde maio manifestei-me pronto – Vossa Majestade sabe – a assumir a responsabilidade do poder”.
- O senhor está disposto a sustentar os projetos militares sem modificá-los ?
- Sim, Majestade.
- Sob que condições ?
- Nenhuma.
- É meu dever, então, prosseguir em minha luta com o senhor. Por conseguinte, não abdico.
[A foto retrata a conversa acima entre o rei (esq.) e Bismarck (dir.)]
O conde Otto von Bismarck, 47 anos, é nomeado ministro de Estado e ministro-presidente, outrora intitulado chefe de governo.
Até a morte em 1888, Guilherme I iria manter sua confiança malgrado a incompatibilidade de gênio e as acaloradas discussões entre os dois. O próprio Bismarck deixaria o poder forçado e constrangido somente dois anos mais tarde, após 28 anos na chefia do governo, primeiro como ministro-presidente da Prússia, depois como chanceler do Império Alemão. A Prússia, a Alemanha e a Europa haviam sofrido profundas transformações.
Uma semana após a nomeação, em 30 de setembro de 1862, Bismarck manifestaria publicamente sua férrea vontade de unificar a Alemanha em torno da Prússia. Ao assistir a uma sessão parlamentar, pediu cortesmente a palavra para em seguida exclamar: “A Alemanha não está interessada no liberalismo da Prússia e sim de sua força (...) Após os tratados de Viena, nossas fronteiras não se mostram favoráveis ao desenvolvimento de nosso Estado. Não serão os discursos e os votos da maioria que irão resolver as grandes questões de nossa época, como em 1848 chegamos a acreditar. Essas questões serão resolvidas sim com ferro e sangue”.
As palavras tiveram enorme repercussão e indicavam que o país caminharia para a militarização e a guerra. Bismarck percebe que tinha ido longe demais e, às pressas, vai ao encontro do rei. Reúnem-se na pequena estação de Juterborg. Guilherme I lhe reserva uma acolhida glacial.
Contudo, após uma acesa discussão, a primeira de uma longa série, o monarca se deixa convencer pelos argumentos de seu ministro, que ganha carta branca para conduzir seus projetos : reforma militar, guerra contra a Áustria e depois contra a França, aompanhadas do cumprimento de um sonho, a unificação da Alemanha em torno da monarquia prussiana.
Fonte:Ópera Mundi
Família recebe diário de soldado vietnamita morto há 46 anos
Os filhos do militar receberam emocionados o caderno carregado de história
Hoang Dinh Nam/AFP
Retrato do vietnamita Vu Dinh Doan durante cerimônia: no diário, uma pequena fotografia e alguns comprovantes bancários evidenciam um cotidiano complicado
Hai Duong - Vu Dinh Doan morreu em uma batalha há 46 anos e seus filhos não sabiam quase nada dele até que, nesta sexta-feira, as autoridades vietnamitas entregaram o diário do soldado, um pequeno caderno de capa marrom, gasto, mas carregado de história e emoção.
"Não conheci meu pai, mas sempre sonhei com ele. Agora tenho a possibilidade de saber um pouco mais, de compreender um pouco melhor quem era", disse Vu Dinh Son, que não conteve as lágrimas ao receber o precioso documento das mãos de um militar.
A irmã de Dinh Son também chorava, enquanto o diário era entregue à família na residência de Hai Duong, a duas horas de carro de Hanói.
No diário, uma pequena fotografia em preto e branco e alguns comprovantes bancários evidenciam uma vida cotidiana complicada.
O dário foi encontrado por Robert Frazure, do 7º regimento de infantaria da Marinha americana, junto ao corpo de Doan, na província de Quang Ngai em 1966.
Onze oficiais amerianos morreram e 55 ficaram feridos na batalha conhecida como Operação Indiana, segundo o Departamento de Estado americano. Frazure conservou o objeto por 46 anos, antes de decidir entregá-lo à família.
Em junho, o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, entregou o diário ao colega vietnamita Phung Quang Thanh, em troca da correspondência de um sargento americano que foi utilizada na época nos Estados Unidos para mensagens de propaganda.
O conflito terminou em 1975, mas os dois países só retomaram as relações bilaterais em 1995.
A viúva de Doan faleceu há poucos meses, mas chegou a receber a notícia de que o diário seria devolvido à família.
Von Schäeffer
A proclamação da independência do Brasil encontrou muitas oposições no país, pois as autoridades das províncias eram portuguesas e mantinham-se fiéis à Coroa Portuguesa forçando D. Pedro a expulsar as tropas portuguesas em 1823.
Motivos para o processo imigratório:
" Formação de um novo exército que garantisse militarmente a independência do Brasil;
" Notícias vindas de Lisboa sobre uma iminente invasão;
" Soldados despreparados no país;
" Questão militar na Província Cisplatina gerando conflitos com a Argentina
Solução encontrada:
Decidiu-se por recomendação de D. Leopoldina, arquiduquesa da Áustria e filha do Imperador Francisco I, que havia se casado com Pedro I em 1816, trazer soldados e colonos da Alemanha, onde o desemprego grassava devido ao conflito com Napoleão.
Imperatriz do Brasil
Leopoldina Carolina Josefa Habsburg
Nasceu em 22.01.1797
Faleceu em 11.12.1826
Filha do Imperador da Áustria, Francisco I e da Imperatriz Maria Teresa.
D. Leopoldina na Ilha da Madeira.
Óleo sobre tela, 1817. Museu Histórico Nacional - RJ
Retrato de D. Pedro I, óleo sobre tela, 1826, por Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879).
Filho de D. João VI (1798-1834), veio para o Brasil em 1808. Em 1822, casado com a Imperatriz D. Leopoldina, liderou o processo de emancipação política da Colônia portuguesa, tornando-se o primeiro Imperador do Brasil.
Museu Histórico Nacional - RJ
Ao Major Johann Anton von Schaeffer coube a tarefa de trazer colonos e soldados para o Brasil. Amigo de dona Leopoldina, pelo interesse comum que tinham nas ciências naturais, foi nomeado de Agente de Afazeres Políticos no Brasil. Dificuldades foram vencidas, apesar da proibição do Congresso de Viena em 1815, não permitir a saída de cidadãos para outros países, tendo em vista também, o olhar europeu sobre o Brasil, que considerava D. Pedro I um usurpador do trono. Gertz cita o fato da imperatriz do Brasil ter pertencido à casa dos Habsburgo, possivelmente também contribuiu para que se optasse por imigrantes alemães.
Com a oferta do governo brasileiro de terras de 77 hectares, equivalente a 150 "morgos", além de ferramentas, gado, sementes, auxílio financeiro durante os dois primeiros anos e isenção de impostos nos primeiros 10 anos, a missão de Schaefer foi grandemente facilitada.
Para não chamar a atenção das autoridades Schaeffer embarcava soldados disfarçados e imiscuídos entre as famílias de colonos. Vieram assim, no período de 1824 a 1830 aproximadamente 5.000 (cinco mil) colonos ao Rio Grande do Sul, em meio a outros tantos soldados que permaneciam no Rio de Janeiro, engajados nos Batalhões de Estrangeiros.
O primeiro embarque de estrangeiros imigrantes foi efetuado pelo navio Argus, capitaneado por B. Ehlers e Peter Zink. O comandante do transporte era Conrad Meyer. Partiu em 27.7.1823 do porto de Amsterdã na Holanda e chegou no Rio de Janeiro no dia 7.1.1824. Trazia 284 imigrantes, sendo 150 soldados e 134 colonos destinados a Colônia Alemã de Nova Friburgo no Rio de Janeiro. O navio enfrentou fortes tempestades ainda no Mar do Norte, vindo a perder o seu mastro principal, obrigando-o a atracar na Ilha Texel na Holanda, de onde, após consertado, reiniciou a viagem em 10.9.1823. Dos passageiros do Argus apenas o boticário Karl Niethammer chegaria na Feitoria do Linho-Cânhamo em 6.11.1824. Foi o primeiro farmacêutico da Colônia Alemã de São Leopoldo.
O navio Caroline, capitaneado por Jakob von der Wettern e tendo como Comandante de Transporte Von Kettler trouxe a segunda leva. Os passageiros embarcaram no dia 12.12.1823 mas a partida do porto de Hamburgo se deu no dia 29.2.1824, chegando ao Rio de Janeiro em 14.4.1824. Trazia soldados para os Batalhões de Estrangeiros e 231 colonos para a Colônia Alemã de Nova Friburgo no Rio de Janeiro.
No Rio de Janeiro os colonos ficavam alojados em galpões na Praia Grande ( Niterói), onde aguardavam a viagem ao Sul. Enquanto que a travessia do Atlântico era efetuada em navios de 3 mastros (galeras), as viagens para Porto Alegre eram efetuadas em bergantins, sumacas e escunas de 2 mastros apenas. A Capital da Província de São Pedro era atingida após 3 semanas de viagem.
Colonos e mercenários trazidos pelo major Schaeffer:
1822 - 1823: Mercenários trazidos da Alemanha, para formar o "Corpo de Tropas Estrangeiras", no Exército Brasileiro, imediatamente após a proclamação da Independência, através do médico Anton Von Schaeffer, chegado no Brasil em 1821 e nomeado major da Guarda Imperial, pelo imperador D. Pedro I. Formaram dois batalhões de caçadores e dois de granadeiros. Os contratados, dois tenentes engenheiros, que foram incorporados ao Exército Brasileiro, por não haver uma unidade de engenharia no Corpo de Tropas Estrangeiras: os tenentes Halfeld e Koeler, que foram, respectivamente, fundadores de Juiz de Fora e de Petrópolis.
1822 - 1823: Colonos evangélicos (264 colonos trazidos pelo mesmo major Schaeffer, que iriam para o Sul do Brasil, mas foram instalados perto do morro de Queimados, na Serra do Mar).
1824: São Leopoldo, RS: a segunda expedição de colonos trazida pelo major Schaeffer, em 1824, mandados para o Rio Grande do Sul, tendo sido instalados onde hoje são as cidades de São Leopoldo, Novo Hamburgo e outras.
1824 - Três Forquilhas, RS: terceira expedição de colonos enviados pelo major Schaeffer, que fundaram a colônia de Três Forquilhas, também no Rio Grande do Sul.
1825 - Torres, RS: provavelmente a última leva que o major Schaeffer trouxe para o Brasil.
Fonte:
Heróis do Holocausto - Os outros Schindlers
Seis milhões de judeus foram assassinados durante a 2ª Guerra Mundial. O número de mortos teria sido maior se não fosse a coragem e a solidariedade de milhares de anônimos que lutaram contra as atrocidades do 3º Reich
Por Rose Mercatelli
Fabiana Neves
No Museu do Holocausto - Yad Vashem -, em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada "Justo entre as nações", título concedido pelo governo de Israel às pessoas que se dedicaram a salvar judeus da sanha violenta do nazismo. As árvores do rei dinamarquês Christian; do alemão Oskar Schindler; do sueco Raoul Wallenberg; do português Aristides de Souza Mendes; da polonesa Irena Sendler e da brasileira Aracy Carvalho Guimarães Rosa, estão lá, entre milhares de outras, como uma lembrança perpétua de uma história que não pode ser esquecida.
"Durante o outono de 1944, em Budapeste, um funcionário desconhecido, encarregado de deportar judeus húngaros para Auschwitz, mandou todas as mulheres acompanhadas de crianças voltarem para casa. Minha mãe, Leona Grunwald, foi uma delas. Não sei quem foi esse funcionário, mas sua atitude nos ajudou a sobreviver ao Holocausto", escreveu Agnes Grunwald-Spier, na introdução de seu livro Os Outros Schindlers*. Em sua obra, a escritora húngara reúne história de 30 pessoas que resgataram judeus das garras dos nazistas. Segundo Agnes, muitos ainda continuam anônimos e não tiveram reconhecimento por seus atos. Entre eles, estão os que fracassaram nas tentativas de resgate. Centenas, talvez milhares de pessoas, perderam a vida por esconder judeus.
O fracasso acontecia, em geral, por delação de algum vizinho. E como dar abrigo aos judeus era crime passível de execução sumária, quantos não foram mortos, questiona a escritora húngara, hoje curadora do Holocaust Memorial Day Trust, na Inglaterra?
Suze Van Der Bijl
AMOR PARA SEMPRE
John Schoen (1923-2007)
Aos 21 anos, John Schoen vivia com sua família em Amsterdã, Holanda, quando uma amiga da resistência holandesa pediu a seus pais que abrigasse uma criança judia de cinco anos. A família de Suze van der Bijl (1939- 1999) foi mandada para Auschwitz. Só a garotinha se salvou por estar brincando na casa vizinha.
Os Schoen sabiam do risco ao abrigar Suze, mas nem por um minuto pensaram em negar ajuda. No início, a criança acordava todas as noites aos gritos chamando pelos pais, mas, com o tempo, foi se apegando à mãe de John: "Suze amou demais a minha mãe, assim como foi amada por ela", conta ele no livro.
O pai de John era ferroviário e como tal fez parte de um boicote das ferrovias holandesas, dificultando o transporte de tropas nazistas. O movimento fracassou e a represália veio feroz. A família Schoen saiu de casa e se escondeu em uma gráfica que pertencia à resistência holandesa, da qual seus pais faziam parte. Até que um dia, os homens da Gestapo fizeram uma batida no local à procura de rebeldes. E nem desconfiaram que aquela garotinha morena, de olhos levemente puxados que lhes indicou o caminho do sótão, diferente do resto da família loura de olhos azuis, era judia.
Por questões puramente humanitárias, a família Schoen, que fazia parte da resistência holandesa, assumiu o risco de abrigar a pequena Suze Van Der Biil, de cinco anos
John sabia que os amigos de seus pais preferiam garotas judias. O risco era menor. Se fosse um menino, poderia ser facilmente reconhecido pela Gestapo como judeu, por ter sido circuncidado ao nascimento, o que seria um indicador de sua origem. Antes mesmo de terminar a guerra, Suze passou por outros abrigos, mas nunca se desligou dos Schoen, mesmo depois de imigrar para os Estados Unidos. Até o fim de sua vida, em 1999, Suze e sua "família" adotiva mantiveram contato.
O SCHINDLER PORTUGUÊS
Aristides de Souza Mendes (1885-1954)
Católico devoto, filho de uma tradicional família da região de Viseu, Portugal, Aristides ingressou na carreira diplomática logo após ter se formado na Universidade de Coimbra. Foi adido cultural nos consulados de São Luiz do Maranhão, Curitiba e Porto Alegre.
Em 1939, no posto de cônsul-geral em Bordeaux, França, começou a criar problemas para o governo do ditador Antonio Salazar. Apesar de se declarar neutro, o governo de Portugal emitiu a Circular 14, na qual proibia a concessão de passaportes e vistos de entrada aos estrangeiros de nacionalidade indefinida ou apátridas e aos judeus expulsos de seus países e despojados de sua nacionalidade.
Por não cumprir as ordens do governo português que proibiam a entrada de judeus no país, embaixador Souza Mendes perdeu seu cargo diplomático e morreu na década de 50 totalmente na miséria
1. Aristides de Souza Mendes
2. Mário Soares
Souza Mendes considerava as ordens da Circular 14 inconstitucionais, já que a própria Constituição portuguesa garantia o direito a todos, independente da religião que professassem. Mesmo sabendo dos riscos, continuou a enviar pedidos de visto aos cidadãos judeus que eram sumariamente negados pelo governo de Lisboa.
Em 1940, com a queda da França frente aos exércitos alemães, os refugiados invadiram Bordeaux, desesperados para conseguir uma rota de fuga. Por ordem de Souza Mendes, todas as dependências do consulado e sua própria residência ficaram abarrotadas de judeus sem ter para onde ir, suplicando por um visto de saída.
Consciência em paz
Mesmo colocando em risco sua carreira diplomática, o embaixador, em 16 de junho de 1940, com dois filhos mais velhos, trabalhou sem parar durante três dias assinando milhares de vistos. Uma semana depois, ainda seguiu uma multidão até a fronteira da França com a Espanha, onde concedeu mais outros tantos vistos, mesmo sabendo das conseqüências que viriam a seguir.
Em agosto do mesmo ano, Souza Mendes voltou a Lisboa e teve de responder a 15 diferentes acusações. Apesar de ter sido punido com um rebaixamento de carreira por um tribunal constituído, Salazar o forçou a abandonar a carreira diplomática, causando-lhe a ruína financeira, pois nem pensão ele teve o direito de receber. O ex-embaixador só conseguia sustentar seus 12 filhos com o auxílio da comunidade judaica local.
Aristides faleceu em 1954 completamente na miséria. Apesar de todos os seus esforços jurídicos para resgatar o posto que lhe foi tirado, Souza Mendes só foi reconhecido e homenageado em 1986 pelo presidente Mário Soares, ele mesmo um exilado do governo Salazar.
Ao ser questionada se tinha medo de descumprir as ordens do governo Vargas, a bela Aracy declarou: " Eu, não. Quem tinha medo era o Joãozinho", referindo-se ao escritor João dos Guimarães Rosa, seu marido
Aracy de Carvalho
DESTINOS CRUZADOS
Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa (1908-2011)
Uma era judia, a outra brasileira. Ambas morreram com 102 anos com um intervalo de 10 dias entre uma e outra. Maria Margarethe Bertel Levy morreu no dia 21 de fevereiro de 2011 e, Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, na madrugada de 3 de março do mesmo ano.
Mais do que uma coincidência, foi o desfecho perfeito para uma história de amizade que começou em 1938, quando Margarethe procurou o consulado brasileiro de Hamburgo para pedir um visto para o Brasil, fugindo da perseguição nazista. Lá encontrou Aracy. Com 26 anos, desquitada, fluente em várias línguas, Aracy passou a mão no filho pequeno e veio para a Alemanha em 1934 fugindo do preconceito brasileiro.
A brasileira Aracy e a judia Margareth eram bonitas, independentes e arrojadas para a época. A amizade entre as duas começou em Hamburgo em 19398 e terminou em 2011, quando ambas morreram aos 102 anos
Aracy de Carvalho
"Sem ser diplomata, Aracy ocupava no consulado de Hamburgo um cargo administrativo que se mostraria da maior importância estratégica. Desde 1936, ela era responsável pelo setor de passaportes, tratava diretamente da concessão de vistos, ainda que não tivesse autoridade para assiná-los, devendo submeter os pedidos ao cônsul-geral", conta Mônica Raisa Schpun, autora de Justa, livro sobre a história daquela que foi o grande amor do escritor Guimarães Rosa.
Desobediência civil
Em 1938, entrou em vigor no Brasil a Circular Secreta 1.127 que restringia a entrada de judeus no país. Aracy ignorou a circular e continuou preparando vistos para judeus. Entre seus truques, estava o de colocar os vistos entre as pilhas de papéis que o cônsul brasileiro assinava sem prestar atenção. Ou, então, simplesmente omitia a letra J, em vermelho, que identificava nos documentos quem era judeu. Outra especialidade sua era conseguir documentos e atestados de residência falsos, tanto para judeus como para alemães que fugiam da perseguição nazista.
Dessa maneira audaciosa, desacatando frontalmente a autoridade de Vargas, Aracy salvou dezenas de famílias judias. Entre elas, a de Maria Margarethe Bertel Levy. O destino as reuniu de novo depois do término da 2ª Guerra, quando Aracy voltou ao Brasil acompanhada do escritor Guimarães Rosa, com quem se casou no México (ambos eram desquitados).
Em 1982, por seu trabalho em Hamburgo, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, conhecida como o Anjo de Hamburgo, plantou sua árvore no Jardim dos Justos, no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Até 2008, 22 mil nomes de "Justos entre as nações" foram inscritos no Yad Vashem, em Israel.
Irena Sendler
O ANJO DO GUETO DE VARSÓVIA
Irena Sendler (15 de fevereiro de 1910 - 2 de ma io de 2008)
Ela cresceu vendo o pai como um exemplo de responsabilidade profissional e solidariedade ajudando os mais necessitados sem perguntar se era pobre, cristão ou judeu. Em 1917, durante epidemia de tifo que assolou os subúrbios de Varsóvia, seu pai foi o único médico a atender os doentes, mesmo sabendo que poderia vir a morrer pelo contágio, o que realmente aconteceu.
Irena Sendler seguiu pelo mesmo caminho paterno. Depois de formada como assistente social na década de 1930, ingressou no serviço público de Varsóvia e ficou encarregada de cuidar dos refeitórios populares que acolhiam órfãos, idosos e pobres. Entretanto, sua solidariedade ia além de suas funções e ela começou a distribuir alimentos, roupas, medicamentos e dinheiro entre os católicos e judeus carentes da cidade.
Solidariedade e destemor
Depois da invasão da Polônia em 1939, o governo nazista criou o bairro judeu em Varsóvia (1940). Em duas semanas, a população local de 160 mil pessoas saltou para 400 mil habitantes. Sem se conformar com as atrocidades que via acontecer por atrás dos muros do gueto de Varsóvia, como ficou conhecido, Irena, como assistente social, polonesa e católica, tinha passe livre para entrar e sair do local. Assim, começou a contrabandear remédios, roupas e alimentos na tentativa de aliviar o sofrimento de milhares de crianças e idosos que perambulavam pelas ruas.
Ao longo de um ano e meio, até à evacuação do gueto no Verão de 1942, conseguiu resgatar mais de 2.500 crianças por várias vias. começou a recolhê- -las em ambulâncias como vítimas de tifo, mas logo se valia de todo o tipo de subterfúgios que servissem para os esconder: sacos, cestos de lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacos de batatas, caixões... nas suas mãos, qualquer elemento se transformava em uma via de fuga
Com a ajuda dos membros da Zegota, organização da resistência polonesa e de amigos, começou a tirar crianças do gueto, antes que morressem de fome, frio ou doença. Ela se valia de túneis subterrâneos, malas, caixões de defunto, caminhões de lixo, caixotes de ferramentas, baús e cestos, até ambulâncias oficiais alegando que os pequenos estavam com tifo, para tirar as crianças do local. Em um ano e meio, conseguiu resgatar mais de 2500 crianças judias do gueto e entregá-las aos cuidados de famílias e colégios católicos.
Sofrimento atroz
Entretanto, em 20 de outubro de 1943, suas atividades foram descobertas pela Gestapo. Na prisão de Pawiak, foi brutalmente torturada. Suas pernas e pés foram quebrados a pauladas. Mas não disse uma palavra, seja a respeito dos companheiros de resistência ou das crianças resgatadas. Condenada à morte, Irena foi salva pelos membros da Zegota que subornaram os responsáveis por sua execução. Seu nome constava da lista dos executados, mas Irena viveu até o final da guerra escondida e sob a proteção de um nome falso.
Quando terminou a guerra, sua primeira providência foi desenterrar dois vidros que escondera no jardim de uma vizinha com listas dos nomes verdadeiros junto aos falsos usados pelas crianças resgatadas. Sua intenção era dar a oportunidade às "suas" crianças de encontrarem as famílias verdadeiras e resgatar sua identidade judaica. As notas foram entregues a Adolf Berman, o primeiro presidente do Comitê de Salvação dos Judeus Sobreviventes. Porém, a maior parte das famílias das crianças tinha sido morta nos campos de extermínio nazistas.
Linda, rica e famosa
A católica Valérie Rácz (1911- 1997), atriz e cantora húngara dos anos 30, escondeu inúmeros judeus procurados pela Gestapo nos porões e armários de fundo falso de sua casa, em Budapeste. Por duas vezes, ela foi presa e interrogada pela própria Gestapo, mas foi solta sem revelar nada. Recebeu o título de Justa entre as Nações, em 1991.
Homenagem à heroína
Em 1965, a organização Yad Vashem de Jerusalém lhe outorgou o título de Justa entre as Nações e nomeou-a cidadã honorária de Israel. Contudo, Irena não pode sair da Polônia para buscar seu prêmio, pois seu país ainda estava sob o regime comunista.
Poucos conheciam sua história na Polônia até que, em novembro de 2003, o presidente Aleksander Kwaśniewski lhe concedeu a mais alta distinção civil do país, a Ordem da Águia Branca. Desta vez, Irena estava presente com seus familiares e com Elżbieta Ficowska, uma das crianças salvas por ela.
Saiba +
* DISKIN, Lia. A Mãe do Gueto de Varsóvia. Revista 18, do Centro da Cultura Judaica de São Paulo, edição set/out/nov. de 2008.
* GRUNWARLD-SPIER, Agnes. Os outros Schindlers. Editora Pensamento - Cultrix, 2011.
* KOIFMAN, Fábio. Quixote nas trevas: o embaixador Souza Dantas e os refugiados do nazismo.Editora Record, 2002. O livro conta a vida do embaixador brasileiro na França
Luiz Martins de Souza Dantas, que emitiu mais de 500 vistos aos refugiados judeus, ajudando-os a se livrar da morte. Souza Dantas foi o segundo brasileiro a ser reconhecido como "Justo entre as nações", pelo Yad Vashem, em 2003, depois de toda a documentação enviada ao Museu do Holocausto por seu biógrafo, o historiador Fábio Koifman.
* SCHUPN, Mônica Raisa. Justa - Aracy de Carvalho e o resgate de judeus: trocando a Alemanha nazista pelo Brasil. Editora Civilização Brasileira, 2011.

