8.6.20

Maria I de Portugal

Por Misleine Neris de Souza Silva

Maria I foi a primeira rainha portuguesa, a mais velha das cinco filhas de D. José I com Mariana Vitória da Espanha e nasceu em 17 de Dezembro de 1734 em Lisboa quando recebeu o título de "Princesa da Beira". Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança, ficou para a história como a “Rainha Louca”, reinou durante 38 anos entre 1777 e 1815. Com a subida do seu pai ao trono de Portugal em 1720, recebeu os títulos de “Princesa do Brasil” e “Duquesa de Bragança”.


Rainha I de Portugal, em pintura atribuída a Giuseppe Troni (óleo sobre tela, 1783).

Consumou o seu casamento em 1760 com o seu tio paterno D. Pedro III. O seu reinado iniciado em 1815 foi conduzido por três matrizes: preparar as "ofensas" a Deus, moralizar a vida pública e fomentar um modo de governo progressista.


O seu governo ficou marcado o episódio da “Viradeira” em que foram nomeados novos Secretários de Estado em substituição do Marquês de Pombal, levando a uma quebra do controle estatal sobre muitas áreas e um retorno da influência da Igreja e da alta nobreza sobre o Estado. Foram também soltos todos os presos políticos.

Dedicou-se, sobretudo, às obras sociais e à paz, tendo chegado a conceder exílio em Portugal a aristocratas franceses que fugiam à "Revolução Francesa". Fervorosa e muito religiosa, a rainha era também muito melancólica e à tristeza, resultava numa personalidade de baixos emocionais frequentes.


Apesar do seu curto reinado, desenvolveu a área diplomática e fez obras públicas, tendo assinado um tratado de comércio com a Prússia em 1789. Na área científica e cultural, enviou comissões científicas ao Brasil, Angola, Cabo Verde e Moçambique e assinou obras muito importantes como a Real Academia de Ciências de Lisboa e também a Real Biblioteca Pública da Corte de Portugal.

Ligada ás causas sociais e dos desprotegidos, fundou a Casa Pia de Lisboa e a formação de oficiais da Academia Real de Marinha Portuguesa. No Brasil proclamou 5 de Janeiro de 1785 um alvará impondo pesadas restrições à atividade industrial. Nesta época decorreu o processo de condenação e execução de Tiradentes, no qual a rainha teria pedido que este não fosse executado.

Devido ao agravamento do seu estado psiquiátrico, o seu filho D. João VI assumiu os assuntos do Estado entre os anos de 1792 e 1799, ano em que passou a governar em seu próprio nome como Regente. Como forma de se tentar a cura, foi pedida a vinda para Portugal do Dr. Willis de Londres, um médico real de Jorge III que a todo o custo não fez os tratamentos vingarem.

Ao juntar aos problemas vividos na corte francesa que ocasionaram a morte na guilhotina do Rei Luís XVI, o seu filho D. João VI assume a regência. Com as invasões francesas acontecendo e todo um conjunto de instabilidades, aconteceu a fuga da Família Real Portuguesa para o Brasil em 1808 pelo perigo de invasão.

D. Maria I vai contrariada para o Brasil e agrava do seu estado de saúde mental. Com a derrota de Napoleão em 1815 a família real ainda continuava no Brasil. Sempre incapacitada, morreu na cidade do Rio de Janeiro no Convento do Carmo após oito anos vividos no Brasil. O seu corpo foi sepultado no Convento da Ajuda também no Rio de Janeiro. No ano de 1821, com o regresso da Família Real Portuguesa para Portugal, os seus restos mortais foram levados para a Basílica da Estrela em Lisboa.

Referências: