22.5.08

ESTADO DE SANTA CATARINA












Mapa de meados século 16










Vista da vila de Nossa Senhora do Desterro.

Desenho feito pelo barão de Krusenstern, em 1803






ESTADO DE SANTA CATARINA




Cartas geográficas de navegadores de várias nacionalidades, escritas desde o início do século 16, mencionam pontos que correspondem ao litoral catarinense. O mapa de Juan de la Cosa, piloto da expedição de Alonso de Ojeda assinala "Sant´Ana", uma parte que corresponde ao nosso litoral.Pela sua importância, registra-se a expedição de João Dias Solis, em 1515, quando um único ponto da costa mereceu ser assinalado: a baía dos "perdidos", que se refere às águas interiores entre a Ilha de Santa Catarina e o continente fronteiro (designação dada em virtude do naufrágio de uma embarcação da mesma esquadra).


A expedição de Sebastião Caboto, italiano a serviço da Espanha, chega ao litoral catarinense por volta de 1526 e, ao publicar seus mapas referentes àquela expedição, denominava a Ilha de Santa Catarina de "porto dos Patos". Mas o nome de Santa Catarina - dado à ilha - aparece, pela primeira vez, no mapa-mundi de Diego Ribeiro, de 1529.

Há divergências quanto ao responsável pela denominação de Santa Catarina: alguns autores atribuem a Sebastião Caboto, que fizera a denominação em homenagem à esposa Catarina Medrano; outros querem que tenha sido em homenagem a Santa Catarina de Alexandria, festejada pela igreja em 25 de novembro. É, portanto, assunto que merece novas reflexões.

Em 1541, aporta, ao continente fronteiro à ilha, a expedição de D. Alvar Nunes Cabeza de Vaca, comandante que intitula-se "Governador de Santa Catarina", dada a sua nomeação, pelo rei da Espanha, para tomar posse das terras da Coroa.

Entretanto, a Ilha de Santa Catarina não foi o único ponto do litoral mencionado pelos primeiros navegadores que aqui aportaram. Em 1527, no planisfério anônimo de Weimar, apareceu a designação de Rio de São Francisco, correspondente à baía de Babitonga, que banha a península da atual São Francisco do Sul.

Os primeiro povoadores: desterrados, náufragos e sacerdotes

O povoamento do território catarinense está intimamente ligado, nos seus primórdios, aos interesses de navegações portuguesas e espanholas, que tiveram o litoral de Santa Catarina como ponto de apoio para atingir, principalmente, a região do Rio do Prata (sem mencionar as expedições de outras nacionalidades).

Pelo fato de o litoral catarinense servir como ponto de apoio, constatou-se que os primeiros povoadores foram náufragos, como, por exemplo, os sobreviventes de uma embarcação da expedição de João Dias Solis, os quais integraram-se à comunidade indígena.

Outros aparecem, como os desertores, elementos que abandonaram a embarcação "San Gabriel" comandada por D. Rodrigo de Acuña, a qual fazia parte de uma expedição espanhola. Da mesma forma, da expedição de Caboto, em 1526, também apareceram desertores.



O povoamento vicentista



Portugal utilizou-se, largamente, do princípio jurídico do "uti possidetis", o direito do primeiro possuidor, tendo em vista a política de ampliação de seu território e a constância das expedições espanholas no litoral catarinense e sul do Brasil no século 16.

Após a "União Ibérica", isto é, o fim dos laços que uniam Portugal e Espanha (1580-1640), os bandeirantes, cada vez mais, alargaram as fronteiras das terras portuguesas. São as bandeiras vicentistas (provenientes da Capitania de São Vicente), de caça ao índio, que atingem o Brasil meridional.

Desta forma, o litoral catarinense passou a ser percorrido e conhecido, crescendo o interesse pela posse, com conseqüente ocupação.

As fundações vicentistas

São Francisco

O povoamento efetivo do litoral catarinense tem início com a fundação de São Francisco, sob a responsabilidade de Manoel Lourenço de Andrade, que recebeu, de um herdeiro de Pero Lopes de Souza, procuração para estabelecer, mais ao sul, uma povoação que denominou de Nossa Senhora da Graça do Rio de São Francisco, em 1658, cuja data tem sido alvo de discussão.

Desterro


Na marcha da ocupação do Sul, segue-se a fundação da povoa de Nossa Senhora do Desterro pelo bandeirante Francisco Dias Velho, que partiu de São Paulo, em 1672, acompanhado de familiares e índios domesticados, com interesses agropastoris. Com a morte de Dias Velho e a conseqüente retirada de seus filhos, a povoa do Desterro quase desapareceu.

A partir de 1715, com a concessão de sesmarias a portugueses, como Manoel Manso de Avelar, passa-se a sentir a necessidade de povoamento da Ilha, como forma de se defender do assédio constante por parte de navios estrangeiros; isso é demonstrado pelos próprios moradores, através de uma petição ao governo português.

Laguna

A fundação da vila de Santo Antônio dos Anjos de Laguna, como o povoamento do litoral do Rio Grande do Sul, ocorrem em virtude da necessidade de apoio à Colônia do Sacramento e de estabelecer ligação entre a costa e as estâncias do interior.

Deve-se a Domingos de Britto Peixoto a fundação de Laguna, por volta de 1684, após a pacificação de indígenas ali existentes. É a partir desta povoação que os portugueses se lançam à conquista dos territórios mais ao sul, como é o caso dos Campos de Viamão.



A Capitania de Santa Catarina



A Capital de Santa Catarina foi criada quando a Coroa Portuguesa através da Provisão Régia de 11 de agosto de 1738, desincorporou os territórios da Ilha de Santa Catarina e o Continente do Rio Grande de São Pedro da jurisdição de São Paulo, passando-os para o Rio de Janeiro.

Desta forma, Santa Catarina ficou subordinada diretamente aos Vice-Reis do Brasil. Eram esses que concentravam em suas mãos a grande autoridade administrativa e judiciária aos quais se subordinavam os capitães-generais. Santa Catarina constituiu-se no posto avançado da soberania portuguesa na América do Sul.

As razões são principalmente de ordem política. Tendo-se em vista a recente fundação da Colônia de Sacramento e a conseqüente necessidade de dar-lhe cobertura estratégico-militar, foi implantado um sistema defensivo para o litoral, onde se incluía a Ilha de Santa Catarina e a barra do Rio Grande.



O povoamento açoriano



A fundação das povoações "vicentistas" no litoral catarinense não fortaleceu o surto demográfico em toda sua extensão, mas tão somente criou três núcleos isolados, vivendo de sua subsistência como foi o caso de São Francisco, Desterro e Laguna. Posteriormente, ocorreu o quase total abandono da povoa de Nossa Senhora do Desterro, com a morte brutal de seu fundador e a fuga dos seus parentes e acompanhantes.

As ilhas do Arquipélago dos Açores, sofrendo abalos sísmicos terrestres ou submarinos, estimularam a saída de parte de sua população. Aliado a este fator estaria o precário desenvolvimento econômico da região, o desejo de lançar-se ao mar, mas principalmente o excesso populacional que em decorrência, provocava a escassez de alimentos em determinadas ocasiões.

O açoriano, embora desenvolva outras atividades de subsistência, mantém a continuidade da tradição pesqueira. Sua chegada coincide com a implantação e o desenvolvimento das "armações" de baleia. Assim, passa a desempenhar aquela atividade em alto-mar e, por conseqüência, surge a construção naval.

Como resultantes culturais, o elenco de manifestações da cultural popular inclui a tecelagem manual, técnicas de pesca, o folguedo "boi-na-vara", os "pão-por-Deus", danças (geralmente denominadas como fandangos), as festividades do ciclo do Divino Espírito Santo, além do substrato lingüístico.



O caminho do Sul



A conquista do sul pelos paulistas foi efetuada inicialmente pelo litoral, através da ocupação desde São Vicente até Laguna, no século 17.

Em 1720, Bartolomeu Paes de Abreu, sertanista, sugeriu ao Rei de Portugal, a abertura de um caminho que ligasse São Paulo ao atual Rio Grande do Sul. Referia-se às regiões de campos favoráveis à criação de gado, do qual o índio das missões foi o primeiro vaqueiro.

Na ocasião, muitos habitantes da região de Laguna, por determinação do Governador de São Paulo e atraídos pela criação de gado, dirigiram-se para as terras rio-grandenses, passando assim a povoar os "pampas".

A necessidade de um caminho terrestre que interligasse o extremo sul até São Paulo ou Rio de Janeiro prendia-se ao interesse econômico de abastecer as regiões de mineração com alimento e animal de transporte e também como meio de defesa da Colônia do Sacramento, aquele reduto português na região platina.

A iniciativa da construção de uma via de comunicação pelo interior provocou desagrado aos comerciantes tanto de Laguna como da Ilha de Santa Catarina pelo prejuízo que tal caminho poderia causar-lhes já que a atividade comercial era exercida exclusivamente através dos portos.

A fundação de Lages

Entre os tropeiros que, constantemente, através do "caminho do sul", demandavam aos campos de Viamão, em terras rio-grandenses, encontrava-se Antônio Correa Pinto, encarregado em 1766 de fundar uma povoação no sertão de Curitiba, num local que servia de paragem, chamada Lages. A determinação era de que a futura Vila deveria chamar-se Vila Nova dos Prazeres. Como argumento, dizia que havia a necessidade de proteção dos habitantes da região, mas também previa o desenvolvimento da agricultura e pecuária local e também como elemento estratégico, contra as investidas dos espanhóis.

Logo após a fundação de Lages, a Câmara da Vila de Laguna determinou a abertura de uma estrada ligando-a ao planalto, acompanhando o curso do rio Tubarão. Esta estrada, com melhorias no seus traçado é a que, hoje, se denomina "estrada do rio do Rastro".



A invasão espanhola de 1777



Em meados do século 18, após a anulação do Tratado de Madri, agravaram-se os conflitos entre as duas nações ibéricas, Portugal e Espanha, com a Guerra dos Sete Anos, na qual combateram Inglaterra e Portugal contra França e Espanha.

Os reflexos dessa guerra fizeram-se sentir na América, imediatamente. Tropas espanholas sob o comando de Cevallos, Governador de Bueno Aires, em 1762, invadiram a Colônia de Sacramento e regiões do atual Rio Grande do Sul.

Quando foi assinado o acordo de paz (Tratado de Paris) entra Portugal e Espanha foi devolvida a Colônia do Sacramento mas os espanhóis permaneceram no Rio Grande.

Diante dessa situação, o governo português, na pessoa do Marquês de Pombal, ministro do rei de D. José I, organizou um plano de expulsão dos espanhóis do Rio Grande, tendo como ponto de apoio a Ilha de Santa Catarina.

Com base nisso, inicia-se em 1774, o preparo da Capitania de Santa Catarina para as eventualidades de uma guerra no sul.

Para enfrentar as forças luso-brasileiras a Espanha organizou uma grande expedição cuja esquadra transportava um expressivo contingente (cerca de 9.000 soldados, além de mais de 6.000 elementos da marinha).

O governo português, além das fortificações já existentes na Ilha de Santa Catarina, preocupou-se em completar o sistema de defesa, através de instruções, recursos humanos, material bélico e embarcações. O forte da Ilha constituía uma força composta de 143 canhões.

A ocupação da Ilha de Santa Catarina

Em fevereiro de 1777 a força naval espanhola chega à enseada de Canasvieiras e dali invade com sucesso a ilha, provocando a retirada das autoridades e parte das tropas para o lado do continente.

Diante disso, alguns dias depois, é assinado o termo de capitulação e a entrega da Ilha de Santa Catarina a D. Pedro Cevalles, comandante da expedição.

A capitulação das tropas portuguesas fez-se de forma humilhante, com a fuga de uns e o embarque de outros em direção ao Rio de Janeiro.

O objetivo de dominar a Ilha evidenciou-se com a presença de inúmeros sacerdotes que, acompanhando a expedição, distribuíram-se pelas freguesias da Ilha.

O Tratado de Santo Ildefonso

As negociações de um tratado tiveram início após a morte de D. José I e a ascensão de D, Maria I.

Pelas cláusulas do contrato, assinado ainda em 1777, Portugal recebeu de volta a Ilha de Santa Catarina e ficou com quase todo o atual Estado do Rio Grande do Sul. Com respeito à Ilha o Governo português se comprometia a não utilizá-la como base naval nem por embarcações de guerra ou de comércio estrangeiros.



Alemães, italianos e eslavos



A Colonização Alemã

A primeira colônia européia em Santa Catarina foi instalada, por iniciativa do governo, em São Pedro de Alcântara, em 1829. Eram 523 colonos católicos vindos de Bremem (Alemanha).

Em 1829, a Sociedade Colonizadora de Hamburgo adquiriu 8 léguas quadradas de terra, correspondentes ao dote da princesa Dona Francisca, que casa com o príncipe, fundando a colônia Dona Francisca. Apesar das dificuldades do clima, do solo e do relevo, a colônia prosperou, expandindo-se pelos vales e planaltos e dando origem, em 1870, à colônia de São Bento do Sul. O núcleo dessa colônia deu origem à cidade de Joinville.
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A colônia de Blumenau (atual Blumenau), no vale do rio Itajaí-Açú, fundada, em 1850, por um particular, Dr. Hermann Blumenau, foi vendida, dez anos após, ao Governo Imperial.

Em 1893, a Sociedade Colonizadora Hanseática fundava o vale do Itajaí do Norte, a colônia de Hamônia (hoje Ibirama).

No vale do Itajaí-Mirim, a partir de 1860, começaram a chegar as primeiras levas de imigrantes, principalmente alemães e italianos, que dinamizaram a colônia de Itajaí, posteriormente denominada Brusque.

Na parte sul da bacia do rio Tijucas, apesar dos insucessos da colônia pioneira de São Pedro de Alcântara, novos intentos colonizadores foram alcançados por alemães, com a criação das colônias de Santa Tereza e Angelina.

A colonização italiana

O elemento de cultura italiana insere-se no contexto populacional catarinense em seis momentos:

1. Fundação da colônia Nova Itália (atual São João Batista) em 1836, no vale do rio Tijucas, com imigrantes da Ilha da Sardenha.

2. Em decorrência do contrato firmado, em 1874, entre o governo imperial brasileiro e Joaquim Caetano Pinto Júnior, foram fundadas, a partir de 1875, Rio dos Cedros, Rodeio, Ascurra e Apoiúna, em torno da colônia Blumenau; Porto Franco (atual Botuverá) e Nova Trento, em torno da colônia Brusque. Em 1877, funda-se a colônia Luís Alves no vale do rio Itajaí-Açú e implantou-se, no vale do rio Tubarão, os núcleos de Azambuja, Pedras Grandes e Treze de Maio: no vale do Urussanga, os núcleos de Urussanga, Acioli de Vasconcelos (atual Cocal) e Criciúma.

3. Fundação da colônia Grão Pará (atuais municípios de Orleans, Grão Pará, São Ludgero e Braço do Norte), por Conde D'Eu e Joaquim Caetano Pinto Júnior.

4. Efetivação do contrato da Companhia Fiorita com o governo brasileiro em 1891; fundação, em 1893, da colônia Nova Veneza (atuais Nova Veneza e Siderópolis), estendendo-se do vale do rio Mãe Luzia até o vale do rio Araranguá.

5. Expansão das antigas colônias do médio vale do Itajaí-Mirim em direção ao interior, no encontro de novas terras no alto vale do Itajaí (Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste, assim como as do perímetro do Rio Tubarão).

6. Ocupação - a partir de 1910, com a vinda dos ítalo-brasileiros do Rio Grande do Sul - das áreas marginais dos vales dos rios do Peixe e do Uruguai e, paulatinamente, do Médio e do Extremo Oeste catarinense.

A colonização eslava

A partir de 1871, chegou a Brusque o primeiro grupo de poloneses, que mais tarde se transferiu para o Paraná. Em função do contrato com o governo imperial, já ocorria o ingresso de poloneses na então província de Santa Catarina, em 1882.

A partir de 1889, novas levas de imigrantes poloneses e russos chegavam ao Sul de Santa Catarina - nos vales dos rios Urussanga, Tubarão, Mãe Luzia e Araranguá - e outras levas se localizaram nos vales dos rios Itajaí e Itapocu e em São Bento do Sul e adjacências.

Nessa mesma época, os imigrantes que chegavam ao porto de Paranaguá0 foram encaminhados pelo Governo do Paraná para a vila de Rio Negro e daí para a colônia Lucena (atual Itaiópolis).

Em 1900, vão ingressar nas localidades de Linha Antunes Braga, em São Camilo e Braço do Norte, nas terras da antiga colônia Grão Pará, e nas localidades de Estrada das Areias, Ribeirão das Pedras, Pedras Warnow Alto e Vargem Grande, nas terras do então município de Blumenau.

Após a Primeira Guerra Mundial, tem-se novos ingressos na região do vale do rio do Peixe, Médio-Oeste Catarinense, em rio das Antas e Ipoméia (1926); no vale do rio Uruguai, nos tributários do Uruguai, em Descanso (1934); no vale do Itajaí do Oeste (1937); em Faxinal dos Guedes (1938) e alto vale do Itajaí do Norte (1939) entre alguns outros poucos lugares.

Com a Segunda Guerra Mundial, imigrantes poloneses dirigiram-se, em 1940, através do vale do rio Uruguai para Mondaí e, em 1948, do alto vale do Itajaí para Pouso Redondo.



O período republicano



A partir de 1870, o império passou a enfrentar dificuldades crescentes, motivadas pelas mudanças de ordem econômica, tais como: a expansão cafeeira, a substituição da mão-de-obra escrava pela assalariada, a expansão das atividades industriais, comerciais e dos transportes; alterações sociais como o crescimento da população urbana, aumento da classe média urbana, maior escolarização etc.

Além disso, a crescente oposição dos que defendiam a república, organizou um novo partido - o republicano. A campanha em defesa do regime republicano correspondia às aspirações políticas dos novos grupos sociais e dos seus interesses econômicos.

Os vários segmentos da sociedade - como os produtores de café, os militares, os funcionários públicos e os profissionais liberais - reagiram contra a monarquia, cujas críticas concentraram-se no Manifesto Republicano divulgado em 1870, um pouco antes da criação do partido republicano. Essas críticas referiam-se, dentre outros motivos: à estagnação da vida política causada pelos partidos existentes (liberal e conservador); à excessiva centralização política e administrativa, que impedia a autonomia das províncias; à manutenção do trabalho escravo.

Participação de Santa Catarina no movimento republicano

O Partido Republicano consolidou-se inicialmente em algumas províncias, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Assim como o restante do país, Santa Catarina não participou do Manifesto de 1870 e da fundação do Partido Republicano, porém, não ficou à margem dos dois grandes temas da época, abolição da escravatura e idéias republicanas, manifestando-se em âmbito regional, com propagandas e movimentos sendo feitos através de clubes e jornais.

Foram fundados o Clube de Camboriú, em 1887, sob a presidência de Manoel Antônio Pereira, o "Clube Republicano Federalista" de Joinville e o "Clube Republicano Esteves Jr.", no Desterro, sob a presidência do farmacêutico Raulino Júlio Adolfo Oto Hom, no mesmo ano, e tendo como vice-presidente Gustavo Richard.

Dentre os jornais que divulgaram as idéias republicanas, surgiu, no Desterro, a "Voz do Povo" que, inclusive, se considerava "órgão do partido Republicano". Em 1886 surge outro, "O Independente", em Tijucas e também "A Folha Livre", que foi o jornal republicano de Joinville. Ainda apareceram "A Evolução" na capital e o "Blumenauer-Zeitung", em Blumenau.

A proclamação e a adesão à República

No dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, à frente de um grupo militar apoiado por outros grupos republicanos, proclamou a República no Rio de Janeiro. No mesmo dia, foi organizado o governo provisório, chefiado pelo próprio Marechal.

Logo após o recebimento da notícia da proclamação, os associados do Clube Republicano do Desterro e os oficiais da Guarnição Militar aclamam um triunvirato destinado a assumir o governo catarinense. Essa Junta Governativa foi composta por Raulino Hom, pelo Coronel João Batista do Rego Barros (comandante da guarnição militar) e pelo Dr. Alexandre Marcelino Bayma, médico da referida guarnição.

A substituição do Presidente da Província, Dr. Luís Alves Leite de Oliveira Bello, pelo novo governo, foi feita de forma pacífica, com a adesão dos deputados monarquistas presentes. Ao proclamar-se a República, já existia, em território catarinense, uma Câmara Municipal totalmente republicana: a de São Bento do Sul.

Um a um, os demais municípios catarinenses vão aderir ao novo regime, que fortalece as lideranças regionais e Santa Catarina passará a ser governada por seus filhos, com a condução dos negócios públicos de acordo com os anseios da comunidade catarinense.

O primeiro governo republicano

Para o governo de Santa Catarina, foi escolhido o Tenente Lauro Severiano Müller, que chegou ao Desterro em 1889.

Suas primeiras atitudes foram no sentido de fazer o congraçamento da população catarinense através de visitas aos vários municípios. Após a dissolução das Câmaras Municipais, criou as Intendências Municipais.

O novo governo federal convocou, de imediato, uma Assembléia Constituinte e, em 1890, foram realizadas as eleições. Desta maneira, com a saída de Lauro Müller, o governo do Estado ficou sob a responsabilidade de Gustavo Richard, que era o 2o vice-governador.

Em 24 de fevereiro de 1891, foi promulgada a Constituição Federal que estabeleceu, no Brasil, a República Federativa, correspondente à união dos estados autônomos.

Alterou bastante a organização do Estado, como por exemplo, o Presidente da República seria eleito pelo povo: senadores e deputados também seriam eleitos pelo povo, cujo direito de voto caberia aos cidadãos homens, maiores de 21 anos e alfabetizados; as províncias passariam a ser Estados, com maior autonomia política e administrativa etc.

Em seguida, estabeleceram-se as eleições para a Assembléia Constituinte Estadual. A Constituinte de Santa Catarina foi instalada a 28 de abril de 1891 e, no mês seguinte, elegia para governador o mesmo Lauro Müller e, para primeiro e segundo vices, Raulino Hom e Gustavo Richard, respectivamente. Em junho, os constituintes davam, ao Estado, a sua primeira Constituição.

A partir daí, foi efetiva a participação política de Lauro Müller, galgando os mais altos postos, como: governador do Estado, senador, ministro da viação e obras públicas e ministro das relações exteriores.



Os ideais liberais e a Revolução Farroupilha



O período regencial caracterizou-se por uma série de agitações de ordem social e política. Ocorrência de revoltas em vários pontos do país, muitas das quais colocaram em perigo a unidade nacional, motivadas pelas dificuldades econômicas e pelo descontentamento político.

A república foi proclamada em 1836, na Câmara Municipal de Piratini e a pretensão de estendê-la a outras províncias fez com que chegasse até Santa Catarina.

As idéias liberais em Santa Catarina

O desenvolvimento das idéias liberais em Santa Catarina pôde ser visto através das publicações de Jerônimo Francisco Coelho e das atividades da "Sociedade Patriótica". Ao romper a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, desenvolveu-se ainda mais o espírito liberal nas terras catarinenses.

A eclosão daquele movimento encontrou na Presidência da Província de Santa Catarina, Feliciano Nunes Pires. Logo, em seguida, foi substituído pelo Presidente José Mariano de Albuquerque Cavalcanti. Ao tomar conhecimento das manifestações surgidas na laguna em favor dos farroupilhas, tentou abafá-las.

Em Lages, encontrou-se outro grande defensor da causa farroupilha, na pessoa do seu pároco, o Padre João Vicente Fernandes. É interessante destacar a intensa pregação liberal praticada pelo clero naquele período. As tendências liberais propagadas pela província catarinense provocaram a constante substituição dos seus presidentes.

Tendo assumido a presidência, o Coronel José Joaquim Machado de Oliveira realizou uma política de conciliação, pois, não lhe era estranha à adesão dos catarinenses aos ideais farroupilhas. Isto provocou sua substituição em outubro de 1837, pelo português Brigadeiro João Carlos Pardal.

O Brigadeiro Pardal exerceu suas funções com despotismo e muita arbitrariedade, o que provocou ainda o descontentamento dos catarinenses. Quando de sua administração deu-se à tomada de Laguna pelos farroupilhas aumentando o foco liberal no litoral da Santa Catarina. Entre os principais defensores das idéias liberais pode-se destacar, na Capital da Província, João Antônio Rodrigues Pereira, Francisco Duarte Silva, João Francisco de Souza Coutinho, Joaquim Cardoso e João José de Castro.



A República Catarinense e Anita Garibaldi



Além da receptividade quanto aos ideais liberais, a investida dos farroupilhas à Laguna, levou em consideração o seu valor como centro abastecedor das tropas e por ser um porto de mar à disposição, no momento em que estavam sem saída para o mar, no Rio Grande do Sul. Daí o interesse de incorporá-la à República de Piratini.

A tomada de Laguna foi feita pela ação conjugada das forças farroupilhas, as de mar sob comando de Giuseppe Garibaldi e as de terra tendo à frente Davi Canabarro.

Assim, a 22 de julho de 1839, estava Laguna em poder dos farroupilhas. Deram-lhe o nome de "Cidade Juliana de Laguna" e instalaram o Governo Provisório da "República Catarinense", sob a presidência de Davi Canabarro. Propôs o mesmo, que se organizasse de forma democrática, a nova república e, para tal, ordenou que a Câmara Municipal procedesse à eleição provisória do Presidente da "República Catarinense".

A extensão das forças liberais no litoral catarinense exigiu, por sua vez, que o Governo Central colocasse na Presidência da Província um elemento com larga experiência; tratava-se do Marechal Francisco José de Souza Soares Andréa, militar de relevantes serviços à causa legalista. Imediatamente foi organizada a repressão, ocasionando a derrota farroupilha.

A derrota naval dos farroupilhas ocorreu no final de 1839 e a eles, só restou, como alternativa, marchar por terra em direção ao planalto sob o comando do Coronel Joaquim Teixeira Nunes e de Garibaldi.

É nesse trajeto que muitos deles são aprisionados, entre eles Ana de Jesus Ribeiro (Anita Garibaldi) que consegue fugir e reunir-se a Garibaldi em Lages, para seguirem logo após para o Rio Grande do Sul.

Em março de 1840 desaparece a efêmera república em Santa Catarina. Entretanto, apenas em 1845 finaliza a Revolução Farroupilha quando o Governo Imperial aceita muitas das reivindicações dos gaúchos.

Anita Garibaldi

A catarinense Ana Maria de Jesus Ribeiro tornou-se legendária nas lutas liberais dos dois lados do Oceano Atlântico -- quer nas terras brasileiras, quer nas da península italiana -- e, por isso, foi denominada de "Heroína dos Dois Mundos", com o nome de Anita Garibaldi.

A presença de Garibaldi na Laguna fez com que Anita se envolvesse com a causa farroupilha participando da reação contra as forças imperiais e acompanhando os revolucionários na retirada da Laguna em direção ao planalto.

Em janeiro de 1840, Anita foi feita prisioneira quando os farroupilhas são atacados de surpresa, em local próximo ao rio Marombas. Entretanto, consegue fugir e, embora grávida, vai reunir-se a Garibaldi em Lages e dai seguem para o Rio Grande do Sul. A partir daí, sofreu todos os contratempos que uma revolução possa trazer, sempre acompanhando o seu Garibaldi.

Em 1841 partem para o Uruguai onde lutam em favor da preservação da república uruguaia, com a "Legião Italiana de Montevidéu", onde Anita continua como enfermeira dedicada aos companheiros do marido.

Acompanha Garibaldi, em 1848, quando este retorna à terra natal para prosseguir na luta pela unificação da Itália. Neste mesmo ano Anita veio a falecer em território italiano.



A Guerra e a Questão do Contestado



A disputa travada entre as províncias do Paraná e Santa Catarina, pela área localizada no planalto meridional entre os rios do Peixe e Peperiguaçu, estendendo-se aos territórios de Curitibanos e Campos Novos era antiga, originada antes mesmo da criação da província do Paraná, em 1853, permanecendo em litígio até o período republicano.

Em 1855, o governo da província do Paraná desenvolvia tese de que a sua jurisdição se estendia por todo o planalto meridional. Daí em diante, uma luta incessante vai ter lugar no Parlamento do Império, onde os representantes de ambas as províncias propunham soluções, sem chegar a fórmulas conciliatórias.

Depois de vários acontecimentos que protelaram as decisões - como a abertura da "Estrada da Serra" e também a disputa entre Brasil e Argentina pelos "Campos de Palmas" ou "Misiones" - o Estado de Santa Catarina, em 1904, teve ganho de causa, embora o Paraná se recusasse a cumprir a sentença.

Houve novo recurso e, em 1909, nova decisão favorável a Santa Catarina, quando, mais uma vez, o Paraná contesta. Em 1910, o Supremo Tribunal dá ganho de causa a Santa Catarina.

A Guerra do Contestado e as operações militares

A região contestada era povoada por "posseiros" que, sem oportunidade de ascensão social ou econômica, como peões ou agregados das grandes fazendas, tomavam, como alternativa, a procura de paragens para tentar nova vida.

Ao lado desses elementos sem maior cultura - mas fundamentalmente religiosos, subordinados a um cristianismo ortodoxo - vão se congregar outros elementos como os operários da construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, ao longo do vale do rio do Peixe.

Junto a esta população marginalizada, destaca-se a atuação dos chamados "monges", dentre os quais o primeiro identificado chamava-se João Maria de Agostoni, de nacionalidade italiana, que transitou pelas regiões do Rio Negro e Lages, desaparecendo após a Proclamação da República.

Após 1893, consta o aparecimento de um segundo João Maria, entre os rios Iguaçu e Uruguai. Em 1987, surge outro monge, no município de Lages. Em 1912, em Campos Novos, surge o monge José Maria, ex-soldado do Exército, Miguel Lucena de Boaventura, que não aceitava os problemas sociais que atingiam a população sertaneja do planalto.

O agrupamento que começou a se formar em torno do monge, composto principalmente de caboclos saídos de Curitibanos, se instala nos Campos do Irani. Esta área, sob o controle do Paraná, teme os "invasores catarinenses" e mobiliza o seu Regimento de Segurança, pois esta invasão ocorre, justamente, naquele momento de litígio entre os dois Estados.

Em novembro de 1912, o acampamento de Irani é atacado pela força policial paranaense e trava-se sangrento combate, com a perda de muitos homens e de grande quantidade de material bélico do Paraná, o que fez desencadear novos confrontos, além do agravamento das relações entre Paraná e Santa Catarina.

Os caboclos vão formar, pela segunda vez, em dezembro de 1913, uma concentração em Taquaruçu, que se tornou a "Cidade Santa", com grande religiosidade e, na qual, os caboclos tratavam-se como "irmãos". Neste mesmo ano, tropas do Exército e da Força Policial de Santa Catarina atacam Taquaruçu, mas são expulsas, deixando, ali, grande parte do armamento.

Após a morte de outro líder, Praxedes Gomes Damasceno, antigo seguidor do monge José Maria, os caboclos se encontram enfraquecidos. No segundo ataque, Taquaruçu era um reduto com grande predomínio de mulheres e crianças, sendo a povoação arrasada.

Outros povoados, ainda, como Perdizes Grandes, seriam formados e diversos outros combates, principalmente sob a forma de guerrilhas, se travariam até que o conflito na região realmente terminasse.



No final do século 19, a descoberta do carvão mineral em suas terras deu forte impulso ao desenvolvimento do sul do Estado, para onde se dirigiram novas levas de imigrantes alemães e também de italianos, que se dedicaram às pequenas lavouras e à fabricação de vinho.


Fonte: Governo do Estado de Santa Catarina

Mapa da ILHA DO DESTERRO (FLORIANÒPOLIS)

MEC estuda mudanças para o Enem 2009

Objetivo é comparar resultados de provas de anos diferentes.
Medida poderá beneficiar vestibulandos que usam nota da avaliação

O Ministério da Educação (MEC) estuda mudanças para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem buscar) de 2009. O objetivo, segundo informou nesta quarta-feira (21) Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), é permitir a comparação entre as notas de diferentes edições da prova.

“O Enem é uma prova clássica que tem bastante sucesso de público. Mas ele tem uma deficiência de medida, pois os anos não são comparáveis”, explicou Fernandes. Em 2007, por exemplo, as médias da avaliação subiram bastante e a prova foi considerada mais fácil pelo Inep - o que dificulta a seleção dos melhores alunos, já que todo mundo que é mais ou menos bom fica com nota alta.

Para quem presta vestibular, a mudança pode ser um grande auxílio. Isso porque a maior parte dos processos seletivos permite apenas a utilização da nota do último Enem realizado. Atualmente, quem fez Enem em 2006 e quer prestar vestibular em 2008, não pode usar a pontuação antiga.

A mesma restrição existe para quem busca uma bolsa de estudos pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), do governo federal. De acordo com as regras atuais do programa, só quem fez a última edição do Enem pode disputar. Se todos os exames tiverem o mesmo grau de dificuldade existe a possibilidade da restrição ser eliminada.


“Existe uma equipe trabalhando na mudança. E já há estudos anteriores que vão ser recuperados”, disse Fernandes. A alteração não é simples: diversos modelos estatísticos estão sendo discutidos e elaborados para levar à forma final do Enem.

Provas diferentes

Outra alteração na vida dos candidatos é que a prova com 63 questões objetivas pode deixar de ser única para todo o país. Na prática, isso significa que os candidatos podem responder a questões diferentes.


“Algumas questões passariam por todos os exames e outras não. A idéia é que o estudante não perceba a diferença com a alteração, porque não vai mudar o conteúdo que cai na prova”, explica Fernandes

Para que o Enem seja comparável de um ano para outro, a equipe do Inep terá de pré-testar o exame. Com isso, será necessário elaborar um número bem maior de questões.

Padrão internacional

O Enem é a única avaliação do MEC que não pode ser comparada de ano para ano. Todas as outras podem ser estudadas no tempo, como acontece com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que mede o desempenho de estudantes de 57 países em domínio da língua, matemática e ciências.

Segundo Andreas Schleicher, responsável pelo Pisa, elaborado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a mudança do Enem é um desafio. “A avaliação tem de ser relevante para o momento em que é aplicada. Não se deve congelar um exame só para que se possa fazer as comparações. Mas o Enem é uma prova nova e sempre tem de passar por melhoras”, afirmou.

O anúncio das mudanças foi feito em entrevista após o V Seminário de Outono, promovido pela Fundação Santillana e pela Editora Moderna.

1.5.08

LISTA DE COISAS QUE NÃO SABEMOS OU NÃO LEMBRAMOS..

LISTA DE COISAS QUE NÃO SABEMOS OU NÃO LEMBRAMOS..

Os Três Reis Magos:
. O árabe Baltazar: trazia incenso, significando a divindade do Menino Jesus.
. O indiano Belchior: trazia ouro, significando a sua realeza.
. O etíope Gaspar: trazia mirra, significando a sua humanidade.

As Sete Maravilhas do Mundo Antigo:
1 - As Pirâmides do Egito
2 - As Muralhas e os Jardins Suspensos da Babilônia
3 - O Mausoléu de Helicarnasso ( ou O Túmulo de máusolo em Éfeso )
4 - A Estátua de Zeus, de Fídias
5 - O Templo de Artemisa (ou Diana)
6 - O Colosso de Rodes
7 - O Farol de Alexandria.

As 7 Notas Musicais
A origem é uma homenagem a São João Batista, com seu hino :

Ut queant laxis (dó) Para que possam
Re sonare fibris ressoar as
Mi ra gestorum maravilhas de teus feitos
Fa mulli tuorum com largos cantos
Sol ve polluit apaga os erros
Labii reatum dos lábios manchados
S ancti Ioannis Ó São João

Os Sete Pecados Capitais
(Eles só foram enumerados no século VI, pelo papa São Gregório Magno (540-604), tomando como referência as cartas de São Paulo)
. Gula
. Avareza
. Soberba
. Luxúria
. Preguiça
. Ira
. Inveja

As Sete Virtudes
(para combater os pecados capitais)
. Temperança (gula)
. Generosidade (avareza)
. Humildade (soberba)
. Castidade (luxúria)
. Disciplina (preguiça)
. Paciência (ira)
. Caridade (inveja)

Os Sete dias da Semana e os 'Sete Planetas'
Os dias, nos demais idiomas- com excessão da língua portuguesa , mantém os nomes dos sete corpos celestes
conhecidos desde os babilônios:

. Domingo - dia do Sol
. Segunda - dia da Lua.
. Terça - dia de Marte
. Quarta - dia de Mercúrio
. Quinta - dia de Júpiter
. Sexta - dia de Vênus
. Sábado - dia de Saturno

As Sete Cores do Arco-Íris:
Na mitologia grega, Íris era a mensageira da deusa Juno. Como descia do céu num facho de luz e vestia um xale de sete cores, deu origem à palavra arco-íris. A divindade deu origem também ao termo íris, do olho.
. Vermelho
. Laranja
. Amarelo
. Verde
. Azul. Anil
. Violeta

Os Dez Mandamentos:
1º - Amar a Deus sobre todas as coisas
2º - Não tomar o Seu Santo Nome em vão
3º - Guardar os sábados
4º - Honrar pai e mãe
5º - Não matar
6º - Não pecar contra a castidade
7º - Não furtar
8º - Não levantar falso testemunho
9º - Não desejar a mulher do próximo
10º - Não cobiçar as coisas alheias

Os Doze Meses do Ano:
- Janeiro: homenagem ao Deus Janus, protetor dos lares
- Fevereiro: mês do festival de Februália (purificação dos pecados), em Roma;
- Março: em homenagem a Marte, deus guerreiro;
- Abril: derivado do latim Aperire (o que abre). Possível referência à primavera no Hemisfério Norte;
- Maio: acredita-se que se origine de maia, deusa do crescimento das plantas;
- Junho: mês que homenageia Juno, protetora das mulheres;
- Julho: No primeiro calendário romano, de 10 meses, era chamado de quintilis (5º mês). Foi rebatizado por Júlio César;
- Agosto: Inicialmente nomeado de sextilis (6º mês), mudou em homenagem a César Augusto;
- Setembro: era o sétimo mês. Vem do latim septem;
- Outubro: Na contagem dos romanos, era o oitavo mês;
- Novembro: Vem do latim novem (nove);
- Dezembro: era o décimo mês

Os Doze Apóstolos:
1 - Simão Pedro
2 - Tiago ( o maior )
3 - João
4 - Filipe
5 - Bartolomeu
6 - Mateus
7 - Tiago ( o menor )
8 - Simão
9 - Judas Tadeu
10 - Judas Iscariotes
11 - André
12 - Tomé.
***Após a traição de Judas Iscariotes, os outros onze apóstolos elegeram Matias para ocupar o seu lugar .

Os Doze Profetas do Antigo Testamento:
1 - Isaías
2 - Jeremias
3 - Jonas
4 - Naum
5 - Baruque
6 - Ezequiel
7 - Daniel
8 - Oséias
9 - Joel
10 - Abdias
11 - Habacuque
12 - Amos

Os Quatro Evangelistas e a Esfinge
. Lucas (representado pelo touro)
. Marcos (representado pelo leão)
. João (representado pela águia)
. Mateus (representado pelo anjo)

Os Quatro Elementos e os Signos
. Terra (Touro - Virgem - Capricórnio)
. Água (Câncer - Escorpião - Peixes)
. Fogo (Carneiro - Leão - Sagitário)
. Ar (Gêmeos - Balança - Aquário)

As Musas da Mitologia Grega
(a quem se atribuía a inspiração das ciências e das artes)
1 - Urânia ( astronomia )
2 - Tália ( comédia )
3 - Calíope ( eloqüência e epopéia )
4 - Polímnia ( retórica )
5 - Euterpe ( música e poesia lírica )
6 - Clio ( história )
7 - Érato ( poesia de amor )
8 - Terpsícore ( dança )
9 - Melpômene ( tragédia )

Os Sete Sábios da Grécia Antiga:
1 - Sólon
2 - Pítaco
3 - Quílon
4 - Tales de Mileto
5 - Cleóbulo
6 - Bias
7 - Períandro

Os Múltiplos de Dez
(os prefixos usados em Megabytes, Kilowatt, milímetro...)
NOME (Símbolo) = fator de multiplicação
Yotta (Y) = 1024 = 1.000.000.000.000.000.000.000.000
Zetta (Z) = 1 021 = 1.000.000.000.000.000.000.000
Exa (E) = 1018 = 1.000.000.000.000.000.000
Peta (P) = 1015 = 1.000.000.000.000.000
Tera (T) = 1012 = 1.000.000.000.000
Giga (G) = 109 = 1.000.000.000
Mega (M) = 106 = 1.000.000
kilo (k) = 10 3 = 1.000
hecto (h) = 102 = 100
deca (da) = 101 = 10
uni = 10 0 = 1
deci d, 10-1 = 0,1
centi c, 10-2 = 0,01
mili m, 10-3 = 0,001
micro µ, 10-6 = 0,0000001
nano n, 10 -9= 0,000.000.001
pico p, 10-12 = 0, 000.000.000.001
femto f, 10-15 = 0,000.000.000.000.001
atto a, 10-18 = 0,000000.000.000.000.001
zepto z, 10-21 = 0,000.000.000.000.000.000.001
yocto y, 10 -24 = 0,000.000.000.000.000.000.000.001
exa deriva da palavra grega 'hexa' que significa 'seis'.
penta deriva da palavra grega 'pente' que significa 'cinco'
tera do grego 'téras' que significa 'monstro'.
giga do grego 'gígas' que significa 'gigante'.
mega do grego 'mégas' que significa 'grande'.
hecto do grego 'hekatón' que significa 'cem'.
deca do grego 'déka' que significa 'dez'.
deci do latim 'decimu' que significa 'décimo'.
mili do latim 'millesimu' que significa 'milésimo'.
micro do grego 'mikrós' que significa 'pequeno'.
nano do grego 'nánnos' que significa 'anão'.
pico do italiano 'piccolo' que significa 'pequeno'.
femto do dinamarquês 'femten' que significa 'quinze'.
atto do dinamarquês 'atten' que significa 'dezoito'.
zepto e zetta derivam do latim 'septem' que significa 'sete'.
yocto e yotta derivam do latim 'octo' que significa 'oito'.

Conversão entre unidades:
cavalo-vapor 1 cv = 735,5 Watts
horsepower 1 hp = 745,7 Watts
polegada 1 in (1´´) = 2,54 cm
1 ft (1´) = 30,48 cm
jarda 1 yd = 0,9144 m
angström 1 Å = 10-10 m
milha marítima =1852 m
milha terrestre 1mi = 1609 m
tonelada 1 t = 1000 kg
libra 1 lb = 0,4536 kg
hectare 1 ha = 10.000 m2
metro cúbico 1 m3 = 1000 l
minuto 1 min = 60 s
hora 1 h = 60 min = 3600 s
grau Celsius 0 ºC = 32 ºF = ?273 K (Kelvin)
grau fahrenheit =32+(1,8 x ºC

Os Dez Números Arábicos
Os símbolos tem a ver com os ângulos:
o 0 não tem ângulos
o número 1 tem 1 ângulo
o número 2 tem 2 ângulos
o número 3 tem 3 ângulos
etc...
As Datas de Casamento:
1 ano - Bodas de Algodão
2 anos - Bodas de Papel
3 anos - Bodas de Trigo ou Couro
4 anos - Bodas de Flores e Frutas ou Cera
5 anos - Bodas de Madeira ou Ferro
10 anos - Bodas de Estanho ou Zinco
15 anos - Bodas de Cristal
20 anos - Bodas de Porcelana
25 anos - Bodas de Prata
30 anos - Bodas de Pérola
35 anos - Bodas de Coral
40 anos - Bodas de Rubi ou Esmeralda
45 anos - Bodas de Platina ou Safira
50 anos - Bodas de Ouro
55 anos - Bodas de Ametista
60 anos - Bodas de Diamante ou Jade
65 anos - Bodas de Ferro ou Safira
70 anos - Bodas de Vinho
75 anos - Bodas de Brilhante ou Alabastre
80 anos - Bodas de Nogueira ou Carvalho

Os Sete Anões:
. Dunga
. Zangado
. Atchin
. Soneca
. Mestre
. Dengoso
. Feliz

Você Sabia ?

1 - Durante a Guerra de Secessão, quando as tropas voltavam para o quartel após uma batalha sem nenhuma baixa, escreviam numa placa imensa: ' O Killed ' ( zero mortos ).. Daí surgiu a expressão ' O.K. '. Para indicar que tudo está bem.

2 - Nos conventos, durante a leitura das Escrituras Sagradas, ao se referir a São José, diziam sempre ' Pater Putativus ', ( ou seja: 'Pai Suposto' ) abreviando em P.P .'. Assim surgiu o hábito, nos países de colonização espanhola, de chamar os 'José' de 'Pepe'.

3 - Cada rei no baralho representa um grande Rei/Imperador da história:
. Espadas: Rei David ( Israel )
. Paus: Alexandre Magno ( Grécia/Macedônia )
. Copas: Carlos Magno ( França )
. Ouros: Júlio César ( Roma )

4 - No Novo Testamento, no livro de São Mateus, está escrito ' é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus '... O problema é que São Jerônimo, o tradutor do texto, interpretou a palavra ' kamelos ' como camelo, quando na verdade, em grego, 'kamelos' são as cordas grossas com que se amarram os barcos. A idéia da frase permanece a mesma, mas qual parece mais coerente?

5 - Quando os conquistadores ingleses chegaram a Austrália, se assustaram ao ver uns estranhos animais que davam saltos incríveis. Imediatamente chamaram um nativo ( os aborígenes australianos eram extremamente pacíficos ) e perguntaram qual o nome do bicho. O índio sempre repetia ' Kan Ghu Ru ', e portanto o adaptaram ao inglês, ' kangaroo' ( canguru ).
Depois, os lingüistas determinaram o significado, que era muito claro: os indígenas queriam dizer: 'Não te entendo '.

6 - A parte do México conhecida como Yucatán vem da época da conquista, quando um espanhol perguntou a um indígena como eles chamavam esse lugar, e o índio respondeu ' Yucatán '. Mas o espanhol não sabia que ele estava informando ' Não sou daqui '.

7 - Existe uma rua no Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão, chamada 'PEDRO IVO'. Quando um grupo de estudantes foi tentar descobrir quem foi esse tal de Pedro Ivo, descobriram que na verdade a rua homenageava D.Pedro I, que quando foi rei de Portugal, foi aclamado como 'Pedro IV' (quarto).
Pois bem, algum dos funcionários da Prefeitura, ao pensar que o nome da rua fora grafado errado, colocou um ' O ' no final do nome. O erro permanece até hoje. Acredite s

29.4.08

Grupo UNIASSELVI adquire ASSEVIM, FAMEG e ICPG em SC

28/04/2008
Grupo UNIASSELVI adquire ASSEVIM, FAMEG e ICPG em SC
O Grupo UNIASSELVI, com sede na cidade de Blumenau, em Santa Catarina, está incorporando, ao seu corpo empresarial, a Associação Educacional do Vale do Itajaí-Mirim (ASSEVIM), de Brusque; a Faculdade Metropolitana de Guaramirim (FAMEG), de Guaramirim; e o Instituto Catarinense de Pós-graduação, atuante no Brasil e na Argentina. Com a fusão, a organização passará a ser uma das maiores instituições privadas de ensino superior do Brasil, contando com cerca de 55 mil alunos (entre presenciais e à distância).

O mercado de ensino superior no Brasil está cada vez se tornando mais enxuto. Isso porque grandes organizações, principalmente do eixo Rio-São Paulo, com vistas à expansão, têm adquirido instituições de ensino menores, com caráter regional.

O Grupo UNIASSELVI chegou a ser assediado por três grandes instituições nacionais de ensino superior, mas resolveu não ceder ao interesse. Pelo contrário, numa atitude empreendedora, decidiu incorporar outras três grandes organizações do Estado e, com isso, tornar-se a maior instituição particular de ensino superior de Santa Catarina.

A atitude foi tomada pelo Grupo UNIASSELVI porque os gestores do conglomerado acreditam que o papel de qualquer instituição de ensino superior é contribuir com a melhoria da realidade sócio-econômica da região em que está inserida. Dessa forma, para continuarem auxiliando no desenvolvimento de Santa Catarina, o ideal é que as faculdades e universidades do Estado, ao invés de cederem à pressão de outras instituições nacionais, aproximem-se em busca de um sólido crescimento.

Os alunos do Grupo UNIASSELVI terão uma série de benefícios. Entre eles, uma das melhores infra-estruturas físicas do país; um corpo docente experiente e titulado; um processo de ensino-aprendizagem baseado na qualidade; a aproximação com o mercado de trabalho e o conceito de estarem estudando em uma das maiores instituições de ensino superior do Brasil.

28.4.08

Dia Internacional da Educação - 28 de abril

Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda." (Paulo Freire)

20.4.08

FILME Desmundo


Sinopse:

Brasil, por volta de 1570. Chegam ao país algumas órfãs, enviadas pela rainha de Portugal, com o objetivo de desposarem os primeiros colonizadores. Uma delas, Oribela, é uma jovem sensível e religiosa que, após ofender de forma bem grosseira Afonso Soares D'Aragão se vê obrigada em casar com Francisco de Albuquerque, que a leva para seu engenho de açúcar. Oribela pede a Francisco que lhe dê algum tempo, para ela se acostumar com ele e cumprir com suas "obrigações", mas paciência é algo que seu marido não tem e ele praticamente a violenta.



Ficha Técnica
Título Original: Desmundo
Gênero: Drama
Duração: 100 min.
Ano de Lançamento (Brasil): 2003
Estúdio: Columbia Pictures do Brasil
Distribuição: Columbia Pictures do Brasil
Direção: Alain Fresnot
Roteiro: Sabina Anzuategui e Alain Fresnot, baseado em livro de Ana Miranda
Produção: Van Fresnot
Música: John Neschling
Fotografia: Pedro Farkas
Desenho de Produção: Ivan Teixeira
Direção de Arte: Adrian Cooper e Chico Andrade
Figurino: Marjorie Gueller
Edição: Júnior Carone, Mayalu Oliveira e Alain Fresnot Elenco
Simone Spoladore (Oribela)
Osmar Prado (Francisco de Albuquerque)
Caco Ciocler (Ximeno Dias)
Berta Zemei (Dona Branca)
Beatriz Segall (Dona Brites)
José Eduardo (Governador)
Débora Olivieri (Maria)
José Rubens Chachá (João Couto)
Cacá Rosset (Afonso Soares D'Aragão)
Giovanna Borghi (Bernardinha)
Laís Marques (Giralda)
Arrigo Barnabé (Músico)

Curiosidades- Orçamento de R$ 6 milhões.- Trata-se de uma co-produção Brasil/Portugal.- Projeto apoiado pelo BNDES com a quantia de R$ 400 mil.- Como o português dito pelos personagens no filme é arcaico, da época em que os acontecimentos mostrados ocorrem, o filme possui legendas em português atual.- Foi exibido na mostra Première Brasil, do Festival do Rio BR 2002.- Baseado no livro homônimo da escritora Ana Miranda, o filme mostra uma perspectiva feminina da colonização do país.

UM ESTUDO DE MICRO-HISTÓRIA: DOMENICO SCANDELLA NOS PROCESSOS DA INQUISIÇÃO. O QUEIJO E OS VERMES.



Carlo Ginzburg, em O queijo e os vermes - O cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela Inquisição, faz um dos mais importantes estudos da chamada micro-história. Sua interessante narração do cotidiano, da vida e do julgamento do moleiro italiano "Domenico Scandella, conhecido por Menocchio" analisa o processo inquisitório, partindo da vida cotidiana nos campos italianos do século XVI até chegar aos pensamentos específicos deste interessante personagem. Mas, antes de entrarmos diretamente no processo inquisitorial pelo qual passou Menocchio, devemos lembrar o leitor de que este é um estudo da micro-história: afinal, trata-se da história pessoal de um moleiro em especial, em uma vila em especial (Montereale) em uma época determinada (século XVI). Em análises deste tipo, não se deve passar logo para a generalização, pensando-se que ao estudar um único personagem poderá concluir-se acerca da vida e do cotidiano do local naquela época.
Carlo Ginzburg
O que pode ser destacado deste estudo, além da vida interessante do personagem, são alguns pontos referentes à religião camponesa semi-pagã que ainda existia no interior da Europa em pleno Renascimento.
Perry Anderson, em Zona de compromisso, analisa a obra de Ginzburg declarando que se trata do "famoso e vívido retrato do moleiro autodidata italiano Menocchio, cuja cosmologia de geração espontânea - o mundo nascido como queijo e vermes - ele (Ginzburg) relacionou a um materialismo camponês subterrâneo" (ANDERSON: 67). Entretanto, apesar de ficarmos conhecendo todos os pormenores do julgamento de Menocchio, "ficamos sabendo muito pouco (...) sobre a vida da aldeia que abrigava Menocchio ou os inquisitores que o interrogaram"(ANDERSON, 87), ou seja, sobre o que estava à sua volta na aldeia e quem eram aquelas pessoas responsáveis por julgar as heresias do desconhecido moleiro.
O próprio Carlo Ginzburg, em sua obra O inquisidor como antropólogo: Uma analogia e as suas implicações, afirma que o que o historiador busca nos processos inquisitoriais é basicamente o mesmo que o inquisidor buscava: a intimidade, o cotidiano, o modo de vida dos acusados. Porém, os meios e os fins são extremamente diferentes. Por fim, deve-se ressaltar que tal documentação deve sempre ser vista como tendenciosa, principalmente por se tratar de um julgamento de valores, onde o acusado corria risco de vida e sofria uma intensa pressão física e psicológica.
Analisaremos a obra de Ginzburg e a vida de Menocchio passando inicialmente a estudar a Inquisição. Tal instituição existiu em diversos países europeus, mas sua força foi vista principalmente na França, Alemanha e Itália. Na Espanha e Portugal, ela surgiu posteriormente, mas não deixou de ser igualmente forte. Esta instituição medieval foi reformulada na Idade Moderna, sendo uma das bases da Contra-Reforma. Sua origem se deu no século IV d.C., onde começam as perseguições contra os hereges. Nesta época, o movimento ainda não era institucionalizado, e no largo período que vai dos séculos VI ao IX seu poder era restrito. A partir do século X, a Inquisição se torna cada vez mais forte e importante. Após o Concílio de Toulouse, em 1229, sua organização foi formulada, sendo oficializada em 1231 pelo Papa Gregório IX.
No princípio, somente os processos de tortura psicológica eram utilizados, sendo os de tortura física não. Mas, já a partir do Papa Inocêncio IV, em 1254, isto ocorre e passa a oficial sendo então uma importante forma de obtenção das confissões. Os bispos inquisidores eram em sua maioria dominicanos e investigavam as heresias com o poder para perseguir, prender, investigar e punir quem fosse julgado herege. O acusador não era informado ao réu, que ainda não sabia nem qual era a acusação. Com este processo, buscava-se a confissão de outras heresias além da acusada. Outro fator que deixa estes julgamentos muito diferentes dos atuais é que mulheres, crianças e escravos podiam ser testemunhas de acusação, mas não de defesa. Por fim, a Inquisição também foi utilizada para a obtenção de mais bens e terras para a Igreja, visto que todos os bens do acusado poderiam ser confiscados.
Dos aproximadamente dois mil processos de julgamento da Santa Inquisição ocorridos na região do Friuli sob a dominação veneziana, na Itália, um deles se tornou notório para o mundo no Século XX. Trata-se do julgamento de Domenico Scandella, conhecido como Menocchio, reproduzido e interpretado pelo historiador italiano Carlo Ginzburg. Menocchio não era um camponês pobre comum da sua época, a segunda metade do Século XVI. Ele era um moleiro de respeito na comunidade, autodidata e alfabetizado – características raras na época. Dentro de suas leituras, encontramos obras muito difundidas na época, mas também obras proibidas, como o Decameron e o Alcorão. Durante o primeiro julgamento, Menocchio afirmou ser "moleiro, carpinteiro, marceneiro, pedreiro e outras coisas". Já no segundo julgamento, suas atividades foram por ele próprio descritas como de "filósofo, astrólogo e profeta".
Na sua época, a diferenciação entre as classes sociais estava ficando cada vez mais exacerbada após séculos de feudalismo. Com isso, a elite e a Igreja perceberam a importância de manter ideologicamente os camponeses sob seu domínio, para evitar os levantes camponeses e os movimentos como a Reforma. Em Friuli em especial, os camponeses adquiriram um pouco mais de liberdade a partir do poder central veneziano, já que tal governo pretendia com isto combater o forte poder das classes senhoriais tradicionais da região.
Dentro desta situação encontrava-se em destaque a posição dos moleiros, pois em seus moinhos é que se encontrava constantemente parte da população economicamente ativa. Apesar da profissão de moleiro ser sempre malvista pelas camadas baixas da população e de ter fama de usurpadora, geralmente tais profissionais atingiam posição de destaque dentro da comunidade. E Menocchio não fugira desta tradição. Tal posição pode talvez começar a explicar o porquê dele não ter sido denunciado à Inquisição durante muito tempo, visto que suas idéias eram conhecidas de toda a população de Montereale e alguns dos interrogados afirmaram conhecer o réu há aproximadamente vinte ou trinta anos. Porém, o medo diante desta pessoa de destaque na comunidade não explica tal situação.
A população de Montereale conhecia as idéias de Menocchio. Não podemos ter certeza se concordavam ou não com elas, visto que obviamente em um julgamento inquisitorial elas afirmariam ser contra ele. Em uma época de guerras religiosas, Inquisição e perseguição a hereges, é interessante observar a tolerância popular. Está ai mais uma pista para acharmos o porquê do pensamento do personagem e da omissão da população. Seriam os camponeses contra suas idéias? Segundo Carlo Ginzburg, "A despeito de sua singularidade, as afirmações de Menocchio não deviam parecer aos camponeses de Montereale tão estranhas às suas existências, crenças e aparições" (GINZBURG, 1987: 101).
Durante o julgamento, Menocchio dá fundamentação ao que fala e pensa sempre no que leu, portanto nas suas interpretações destas obras. Para Ginzburg, isto decorria do fato de que a fonte seria menos importante do que a rede interpretativa pensada por Menocchio. As raízes dele eram mais profundas do que os próprios textos. Ele juntou assim correntes cultas e populares em um novo e confuso pensamento teológico: "Dois espíritos, sete almas e um corpo composto pelos quatro elementos: como pudera sair da cabeça de Menocchio uma antropologia tão abstrata e complicada?" (GINZBURG, 1987: 149). Suas idéias, teorias e suposições variaram muito com relação ao tempo, à pressão do inquisidor e às intenções deste. Por isso, a criação de um esquema teórico ficou difícil tanto para o próprio inquisidor quanto para nós.
Podemos ressaltar algumas tendências que podem ter o influenciado. Mais de uma pessoa afirma que ele leu ou pelo menos teve contato com o Alcorão - assim como com alguns textos e idéias luteranas - ficou muito impressionado com os relatos de supostas viagens de Mandeville - que influenciaram em muito alguns de seus pensamentos - e deve ter tido algum contato com os escritos de Orígenes e dos maniqueus. Segundo Peter Brown, em sua obra Corpo e Sociedade, onde analisa as diferentes interpretações cristãs dos dogmas pregados por Jesus Cristo e seus Apóstolos, "o problema levantado por Orígenes foi simples: 'Como foi que passou a haver uma multiplicidade tão grande e diversificada entre as criaturas'? " (BROWN: 143). Mais para a frente, poderemos notar que tal dúvida sobre a multiplicidade, junto com as leituras de Mandeville, reafirmaram o pensamento onde há a possibilidade de todas as religiões viverem em comum, por terem as mesmas bases e terem sido criadas pelo mesmo Deus, que acabou sendo denominado de formas diferentes em cada uma delas.
Já "no mito maniqueísta, apenas uma pequena parcela do Reino da Luz, um local da imaculada pureza e pátria distante pela qual a alma ansiava, tinha sido devorada pelo Reino das Trevas. À primeira vista, o universo visível podia parecer uma mistura caótica de Luz e Trevas, na qual as Trevas prendiam a Luz num abraço sufocante" (BROWN: 171). Tal explicação do mundo lembra-nos algumas das teorias de Menocchio - como sua principal e uma das mais polêmicas, a da criação do mundo: "Eu disse que segundo meu pensamento e crença tudo era um caos, isto é, terra, ar, água e fogo juntos, e de todo aquele volume em movimento se formou uma massa, do mesmo modo como o queijo é feito do leite, e do qual surgem os vermes e esses foram os anjos. A santíssima majestade quis que aquilo fosse Deus e os anjos, e entre todos aqueles anjos estava Deus, ele também criado daquela massa, naquele mesmo momento, e foi feito senhor com quatro capitães: Lúcifer, Miguel, Gabriel e Rafael" ele teria afirmado ao inquisidor.
Como já fora dito anteriormente, Menocchio apresentou um sistema teórico extremamente confuso, e por isso não nos aprofundaremos muito em sua proposta, mas sim no que isto refletia de seu tempo e sua sociedade, bem como o que era particular seu. O principal ponto que podemos levantar é com relação a uma religião simplificada defendida por Menocchio, onde há uma equivalência entre as diferentes fés. Esta religião igualitária existiria porque "Deus está em todos". Dentro deste mesmo pensamento, ele afirmara que era cristão tão somente devido à sua tradição familiar, e que se tivesse nascido em outra região de outra cultura lutaria pela sua fé, assim como ele lutaria pela fé cristã por ser um cristão.
Dentro deste pensamento simplificador, Menocchio faz relações entre aspectos de seu cotidiano e sua religião proposta. Mas tais pontos estão dentro deste propósito não porque estão no dia-a-dia de Menocchio, e sim porque tais aspectos estão dentro do modo de vida camponês e de sua religiosidade há séculos. Ele reflete em parte muito da tradição religiosa semi-pagã camponesa.
Dentro desta cultura pagã, o corpo e aspectos naturais e sobrenaturais do dia-a-dia são extremamente influentes, como quando Menocchio afirma: "A gema seria a terra, a clara o ar, a pele fina entre a clara e a casca seria a água, e a casca o fogo. Dessa mesma forma estão juntos o frio e o calor, e o seco com o úmido se temperam. Nossos corpos são feitos e compostos por esses quatro elementos: a carne e os ossos seriam a terra, o sangue a água, a respiração o ar, e o calor o fogo (...). O nosso corpo está sujeito às coisas do mundo, mas a alma está sujeita só a Deus, porque ela é a imagem dele". Aqui podemos perceber uma clara mistura entre a religião pagã materialista e igualitária e a Católica Apostólica Romana.
Ginzburg, afirma, sobre a relação da religião camponesa e a religião Católica, que "ele projetava sobre a página impressa elementos tirados da tradição oral. É essa tradição, profundamente radicada nos campos europeus, que explica a persistência tenaz de uma religião camponesa, intolerante quanto aos dogmas e cerimônias, ligada aos ciclos da natureza, fundamentalmente pré-cristã" (GINZBURG, 1987: 209).
Menocchio fundamenta grande parte de suas críticas em cima da Igreja e dos padres. Ele afirma que a virgindade de Maria foi forjada, assim como a Criação do mundo por Deus, a crucificação de Jesus, os Evangelhos, a adoração de imagens, o inferno e diversos outros pontos base dos dogmas católicos. Ele criticava, além da religião, o poder dos ricos que se escondiam atrás da língua latina com a cumplicidade da Igreja Católica Apostólica Romana, igualmente proprietária de terras e exploradora. Basta lembrarmos que a Igreja chegou, no seu ápice, a controlar um terço das terras cultiváveis da Europa: "E me parece que na nossa lei o papa, os cardeais, os padres são tão grandes e ricos, que tudo pertence à Igreja e aos padres. Eles arruinam os pobres. Se têm dois campos arrendados, esses são da Igreja, de tal bispo ou de tal cardeal".
Por todas estas críticas e por suas idéias bem diferentes dos dogmas católicos, Menocchio foi denunciado pelo padre de Montereale. É interessante observar alguns pontos que ele sempre defendeu, mesmo com o passar do tempo e nos dois interrogatórios. Ele sempre pediu perdão, não negava suas idéias - no máximo dizia que eram "coisa do diabo" - e nunca dizia que conhecia pessoas com os mesmos ideais que os seus.
Um julgamento da Santa Inquisição sempre era algo extremamente tendencioso: afinal, as respostas eram sempre baseadas num reflexo das perguntas tendenciosas do inquisidor. Havia sempre um desequilíbrio entre inquisidor e acusado, com pressões psicológicas e físicas, sendo que este último geralmente acabava caindo nas armadilhas do primeiro. Vejamos, por exemplo, tal afirmação de Menocchio: "Acho que seja assim, mas não sei se é verdade". Aqui, podemos ver claramente o medo dele com relação ao inquisidor. Responde o que acha, mas teme em muito a reação do bispo.
Isto faz, inclusive, com que ele acabe se contradizendo ao afirmar, por exemplo: "Foram estas as palavras que eu disse: morto o corpo, morre a alma, mas o espírito continua" e "Acredito que tenha o espírito como o nosso, porque alma e espírito são a mesma coisa".
Menocchio, por não encontrar eco de suas palavras dentro dos camponeses de Montereale, passou a acreditar que era extremamente original, e por isso tinha o profundo desejo de repassar suas idéias para reis, príncipes ou papas. Afinal, ele se sentia obrigado a falar uma versão simplificada de sua teoria para seus colegas camponeses, ao passo que reservou uma lição Por fim, 0,43 o muito mais complexa para ser apresentada diante do Tribunal da Santa Inquisição.
Ele acabou sendo condenado em 1584, afinal tal quantidade de heresias deveria ser mantida distante dos camponeses. Por isso, deveria passar o resto dos seus dias na prisão, sob as custas de seus filhos. Porém, depois de dois anos preso, conseguiu que sua pena fosse atenuada e transferida para algo como uma "prisão domiciliar" onde não poderia sair de Montereale e onde deveria carregar um hábito com a cruz. Em 1597 ele finalmente conseguiu a autorização para deixar Montereale, mas não podia fugir pois tinha um amigo como "fiador".
Apesar de ter sido julgado e condenado pela Santa Inquisição, Menocchio continuara tendo prestígio na comunidade apesar do seu isolamento. Contudo, ele manteve sua posição e continuou a pregar suas idéias heréticas, o que acabou estimulando um segundo julgamento em 1598. Em junho de 1599 é preso aos 67 anos e com muito medo de voltar à prisão passou a falar o que queriam que falasse. Apesar disso, acabou mais uma vez condenado, torturado e morto na fogueira.
"Em 2 de agosto a congregação do Santo Ofício se reuniu: Menocchio foi declarado, por unanimidade, um 'relapso', um reincidente. O processo terminara. Decidiu-se, porém, submeter o réu a tortura, para arranca-lhe o nome dos cúmplices. Isto ocorreu em 5 de agosto; no dia anterior, a casa de Menocchio fora revistada e, na presença de testemunhas, haviam sido abertas todas as caixas e confiscados 'todos os livros e escritos' " (GINZBURG, 1987: 207).
Um grande problema encontrado pelos inquisidores foi em que heresias classificar o pensamento de Menocchio. Primeiro pensamos nele como um luterano, depois como um encratista ou um anabatista, mas pode-se chamar ele de pertencente a "um ramo autônomo do radicalismo camponês (...) muito mais antigo do que a Reforma" (GINZBURG, 1987:70). A Igreja combatia neste momento uma ideologia pré-Contra-Reforma erudita ao lado de uma cultura popular semi-pagã, o que colocou os bispos em uma situação incômoda, pois eles não conseguiam relacionar as idéias de Menocchio com nenhum esquema herético pré-definido. Os inquisidores interpretavam as crenças que eles não conheciam dentro de um código fixo diferente e, para eles, mais claro, cheio de estereótipos.
Devemos pensar Menocchio não como sendo um camponês típico, mas sim um personagem singular e não representativo, respeitando sua originalidade e percebendo dentro de seu discurso "o que é comum, o que é invenção de Menocchio. Em parte a invenção permite, ainda, apontar para um fundo de cultura camponesa que se manteve pagão" (RIBEIRO, 238). Esta cultura chegou até nós porque a tradição oral pôde finalmente se manifestar oficialmente após a Reforma Protestante e a chegada da Imprensa. Afinal, a origem do pensamento de Menocchio é muito distante, num local já quase inatingível do imaginário coletivo oral das remotas tradições camponesas originárias das migrações e das relações sociais que foram se desenvolvendo no continente europeu durante toda a Idade Média e que finalmente afloraram neste período, tendo Menocchio como um de seus desconhecidos e perseguidos porta-vozes.
Portanto, o pensamento de Menocchio é único, porém também é o reflexo de uma grande quantidade de pensamentos camponeses e de um certo radicalismo que estava dentro das vilas e que achou terreno e interessaante chamar a atenção após as críticas de Lutero e Calvino e a criação da Imprensa. Muita coisa, porém, do pensamento de Domenico Scandella pode ter passado em vão dentro de nossa análise e da percepção de Carlo Ginzburg; afinal o que temos é apenas um retrato tendencioso obtido a partir de um julgamento opressor do Tribunal da Santa Inquisição. Ou seja, desde os pensamentos até as crenças dos camponeses investigados pela Inquisição nos chegam através de filtros e intermediários que os moldaram com intenções claras. Apesar disso, tal estudo é extremamente interessante para desvendar o cotidiano e parte dos pensamentos de um mártir da Inquisição que poderia ter passado em branco para a história. Devemos agradecer a Carlo Ginzburg e a sua paciência para ler tais documentos, relatá-los e analisá-los para termos a oportunidade de conhecer essa figura histórica cativante.
BIBLIOGRAFIA
ANDERSON, Perry: "Investigação noturna: Carlo Ginzburg" in Zona de compromisso. Fundação Editora Unesp, sem data.
BARSA, Enciclopédia. Volume 8 - Infecção-Mapa.
BROWN, Peter: Corpo e Sociedade. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1990.
GINZBURG, Carlo: "O inquisidor como antropólogo: Uma analogia e as suas implicações" in A micro-história e outros ensaios. Lisboa, Difel, 1989.
__________: O queijo e os vermes - o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela Inquisição. São Paulo, Cia. das Letras, 1987.

A Revista de História Regional


A Revista de História Regional define-se como espaço de veiculação de trabalhos que tenham enquadramento dentro do campo da História e Região. Isto significa que a RHR objetiva discutir os espaços simbólicos e as práticas sociais, articulados ao debate epistemológico sobre tempo e espaço. A noção de “região” relaciona-se aos fenômenos culturais, sociais, econômicos e políticos e articula as dimensões consagradas na produção historiográfica, evidenciando sua complexidade. Dessa forma, não se trata da adoção do conceito tradicional de região como sendo uma porção da superfície terrestre que possui determinadas características homogêneas e limites - sociais ou políticos - rígidos. O conceito de região é plural, móvel e configurável de acordo com os diversos problemas de pesquisa. Considerando tal multiplicidade, definir a região implica em definir escalas de trabalho. Esta proposta apresenta-se como uma alternativa à adoção acrítica de quadros conceituais universais que pensam a sociedade homogeneamente, como se todos vivenciassem da mesma maneira as dimensões de tempo e espaço. Ao adotar uma perspectiva de escala, implícita ou explicitamente, define-se o que é significativo no fenômeno, ocultando ou dando visibilidade a determinados aspectos da realidade. Quando a escala muda, as variáveis significativas do fenômeno mudam e, nesse sentido, a complexidade do fenômeno histórico se impõe, construindo-se a “pluriversalidade” do conhecimento em oposição à universalidade gerada por uma dependência acrítica de padrões epistemológicos consolidados.

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10.4.08

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