As colônias ultramarinas portuguesas foram as que mais tardiamente conquistaram sua independência, todas após 1970. Isso porque Portugal mantivera-se, desde a década de 30, sob ditadura de Antônio de Oliveira Salazar, que conservava o país por quarenta anos longe dos avanços econômicos, políticos e sociais do período. Quando em meados dos anos 70, ocorreram os movimentos de derrubada das ultimas ditaduras européias - Grécia, Portugal e Espanha -, as lutas coloniais de libertação ganharam força.
Em Angola, o Movimento Popular pela Libertação da Angola (MPLA), fundando em 1956 por Agostinho Neto, iniciou um movimento guerrilheiro contra o colonialismo salazarista, embora outras organizações de libertação surgissem, como a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), dirigida por Holden Roberto, e a União Nacional pela Independência Total de Angola (Unita), chefiada por Jonas Savimbi.
A revolução dos Craos (1974), que derrubou a ditadura fascista portuguesa, propiciou a assinatura do Acordo de Alvorn, marcando a, libertação angolana para 1975. Entretanto, FLNA, apoiada pelo Zaire, ocupou o norte angolano, enquanto a Unita, apoiada pela África do Sul, com respaldo dos Estados Unidos, dominava o sul de Angola.
Em 1986 e 1987, o presidente Ronald Reagan, dos Estados Unidos, e a primeira-ministra, Margareth Thatcher, da Inglaterra, reuniram-se com Jonas Savimbi, Subsidiando economicamente a Unita, na tentativa de desestabilizar o governo angolano. A FNLA, por sua vez, enfraquecida militarmente, encontrava-se em processo de extinção.
Foi só com distensão internacional do inicio dos anos 90 e o final da Guerra Fria que se aceleram acordos para a normalização do país, destacando-se os entendimentos entre o governo e a Unita.
Em Moçambique, a frente de Libertação do Moçambique (Frelimo), de inspiração socialista, fundada por Eduardo Mondlane, em 1962, iniciou a luta pela independência. Co m o assassinato de Mondlane por agentes portugueses, em 1969, Samora Machel assumiu o comando do movimento, ocupando gradativamente o território moçambicano. Com a revolução de 1974, Portugal acelerou as negociações para libertação dessa colônia, reconhecendo sua independência em 1975, como Samora Machel na presidência.
A África do Sul, governada por uma maioria branca a alinhada com o bloco norte-americano nos anos 80, procurou desestabilizar o governo socialista de Samora Machel, através de Resistência Nacional Moçambicana (Remano), e, apesar da assinatura, em 1984, do Acordo de nkomati, que estabeleceu a não-agressão com a África do Sul, os confrontos continuaram.
Somente na década de 90, após o país ter iniciado uma abertura política, buscou-se estabelecer acordos entre o governo e guerrilheiros para a solução da questão moçambicana. Em 1994, foram realizadas eleições multipartirias, vencendo o líder da Frelimo e sucessor de Machel, Joaquim Chissano. O novo governo definiu como propriedade a reconstrução de Moçambique, tendo em mãos um país arrasado por 14 anos de luta pela independência e seguida de mais 16 anos de guerra civil.
Na Guiné-Bissau e Cabo Verde, a rebelião contra o colonialismo começou em 1961, sob a liderança de Amílcar Cabral, do Partido Africano de Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que foi assassinado em 1973. Luiz Cabral assumiu então a liderança do movimento e proclamou a independência da Guiné-Bissau, que, embora imediatamente reconhecida pela ONU, só foi oficializada em 1974, depois da Revolução dos Cravos. Cabo Verde separou-se da GuinéBissau em 1980, embora não desaparecessem gestões para uma futura reunificação.
No final do anos 80 e início dos anos 90, os dois países integraram as transformações internacionais do final da Guerra Fria, tendo Cabo Verde, em 1990, adotado o pluripartidarismo e, nas eleições de 1991, ampliando as liberdades políticas e a abertura econômica. Da mesma forma o PAICG, de Guiné-Bissau, deu inicio à abertura política em 1989, pondo fim no sistema de pertido único. No inicio dos anos 90, apresentaram-se o impasse quanto à realização de eleições livres na Guiné, dado o radicalismo entre as várias facções políticas.
O domínio colonial e a turbulência política da descolonização africana deixou serios impasses sociopolíticos no continente: de um lado, o quadro de subdesenvolvimento e, de outro, a instabilidade industrial. No inicio dos anos 90, não foram raros os exemplos de crises, catástrofes sociais e políticas, a exemplo e Ruanda, em que grupos étnicos hutu (90% da população) e tutsis (10%) disputaram o poder, surprdimencionando heranças coloniais. O resultado parciaal foi mais de um milhão de mortos e mais de 2,5 milhões de refugiados.
Até mesmo as gigantescas adversidades africanas, contudo, não conseguiram enterrar transformações que, nas dinâmica histórica, guardaram algum potencial promissor na solução dos principais problemas continentais. Neste caso, é de exaltar a África do Sul onde, sob liderança de Nelson Mandela, a luta contra o apartheid (segregação racial) tornou-se vitoriosa depois de séculos de sujeição. Mandela tornou-se governante do país durante os anos 90 e, mesmo com fortes divergências de opositores e discordâncias quanto ao rumo do país, tornou-se um exemplo das potenciabilidades africanas.
Fonte: http://www.grupoescolar.com/pesquisa/africa-portuguesa.html
18.9.12
Africa Portuguesa
Guerra do Afeganistão
Juliana Miranda - Grupo Escolar
A conhecida Guerra do Afeganistão do período contemporâneo da história começou no ano de 2001. Os EUA, a maior potência mundial bélica e econômica mais seus aliados (França, Reino Unido, Canadá e a contribuição da Aliança no Norte muçulmana) lutaram contra o regime talibã.
Mesmo contra a posição das Nações Unidas, as invasões começaram em 7 de outubro e foram lideradas pelo governo norte-americano de George W. Bush. O motivo do ataque seria encontrar o terrorista Osama Bin Laden, apontado como líder do ataque terrorista sofrido pelos Estados Unidos em 11 de setembro do mesmo ano. Na ocasião, 3 mil pessoas morreram com os ataques coordenados contra o World Trade Center e o Pentágono.
Para invadir o Afeganistão, belicamente houve farto apoio terrestre da Aliança do Norte muçulmana (grupo anti-talibã) enquanto os Estados Unidos e Otan operavam de forma aérea e logística. Basicamente, duas gigantes operações militares dominaram o país. Elas foram chamadas de “Operação Liberdade Duradoura” e “Força Internacional de Assistência para Segurança”. Cabul, a capital do país, foi tomada e o regime talibã destituído, embora o regime tenha depois conseguido se reorganizar e retomar suas forças.
A Guerra do Afeganistão foi muito questionada pela opinião pública mundial e norte-americana. Foram gastos pelos EUA cerca de 345 bilhões de dólares no conflito, e mais de mil e quinhentos militares americanos morreram em confronto. Também foi questionada a tortura e morte de civis.
Depois de 9 anos de guerra e ocupação do país, Osama Bin Laden ainda não tinha sido encontrado pelos Estados Unidos. A demora em encontrar o líder terrorista, os gastos e a real necessidade de encontrar Bin Laden foram questionados pela população americana: muito gasto e muita morte para procurar um líder terrorista.
Os primeiros aliados a retirarem suas tropas do Afeganistão foram os Países Baixos, em 1 de agosto de 2010. O presidente do Afeganistão foi posto pelos Estados Unidos. O país sofre com problemas como falta de segurança e produção de drogas ilegais. Osama Bin Laden foi morto pelas tropas americanas em 1 de maio de 2011. A retirada total das tropas do Afeganistão deve acontecer até 2015.
Fonte: http://www.grupoescolar.com/pesquisa/guerra-do-afeganistao.html
Santa Catarina teve única ferrovia brasileira construída com tecnologia alemã
A Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC) contribuiu para o surgimento e desenvolvimento de muitas das atuais cidades do Vale do Itajaí. Pesquisadora diz que avanço da indústria automobilística selou o fim da via férrea.
A implantação das primeiras ferrovias no Brasil ocorreu em meados do século 19 e foi estimulada por capital privado nacional e estrangeiro, principalmente inglês. A primeira ferrovia do Brasil, inaugurada em 1854 pelo Barão de Mauá, em seu trajeto de 14,5 quilômetros, ligava a Baía de Guanabara até Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro.
A tecnologia e o conhecimento usados na construção das primeiras vias férreas brasileiras geralmente vinham da Inglaterra, mas os ingleses não estavam envolvidos com todas as estradas de ferro do Brasil. O estado de Santa Catarina teve a primeira e única estrada de ferro construída com capital e tecnologia alemã: a Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC), que teve um papel importante para o surgimento de algumas das atuais cidades do Vale do Itajaí.
Naquela época, final do século 19, muitas terras eram negociadas por intermédio de empresas colonizadoras, que assumiam o papel do Estado na construção de obras de infraestrutura, como pontes e estradas.
Para a Colonizadora Hanseática, uma das grandes beneficiadas por essa obra ferroviária, a ligação férrea significava a valorização das terras de sua propriedade, que eram boas para a agricultura, mas isoladas. Além disso, possibilitava o comércio com outras regiões.
"Eles não estavam interessados em promover a construção e organização espacial desses primeiros centros urbanos, mas vislumbravam o aumento da rentabilidade e novos negócios de venda de terras", explica a pesquisadora catarinense Angelina Wittmann, autora do livro A Ferrovia no Vale do Itajaí – Estrada de Ferro Santa Catarina (2010, Editora Edifurb).
A construção da ferrovia começou em 1908, e o projeto nunca foi totalmente concluído. O primeiro trecho foi inaugurado em maio de 1909 e ligava Blumenau a Warnow (hoje Indaial), num trajeto de 30 quilômetros. O último, de 18 quilômetros, entre Trombudo Central e São João, foi inaugurado em 22 de junho de 1964. A extensão total, sem contar com o Ramal de Ibirama, inaugurado em 1934, foi de aproximadamente 180 quilômetros.
Mapa mostra localização das principais estações da Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC)
Transporte moderno
Ideias progressistas e desenvolvimentistas vindas da Europa nos séculos 18 e 19 estimularam a construção da Estrada de Ferro Santa Catarina. Soma-se a isso as ações políticas brasileiras que visavam o incentivo à ocupação de terras devolutas pelos imigrantes europeus, principalmente alemães e italianos, que chegaram ao Vale do Itajaí na segunda metade do século XIX.
Os primeiros imigrantes já trouxeram na bagagem a intenção de construir uma ferrovia na nova colônia, pois se fixaram nas primeiras propriedades da Colônia Blumenau, localizada no último ponto navegável do Rio Itajaí-Açu. A EFSC foi concretizada menos de seis décadas depois da chegada dos primeiros imigrantes para facilitar o deslocamento entre esse ponto do rio e o Alto Vale do Itajaí.
Wittmann indica três fatores principais que impulsionaram a construção da ferrovia: a necessidade de um meio de transporte moderno e eficaz que ligasse a nova colônia Hammonia à sede da Colônia Blumenau, o que daria impulso aos negócios da venda de terras no Vale do Hercílio, no Alto Vale do Itajaí, pertencentes à Colonizadora Hanseática.
Além disso, a elite de Blumenau queria uma ferrovia que ligasse o Stadtplatz (centro comercial, cultural e social) de Blumenau aos muitos núcleos urbanos situados no Alto Vale do Itajaí. A rede férrea complementava um projeto já idealizado pelos primeiros imigrantes, em 1850.
Outro fator foi o benefício que essa ferrovia trouxe aos colonos alemães e italianos, que trafegavam pela região a cavalo ou a pé, expondo-se a perigos diversos. "As viagens, a partir daí, seriam seguras, confortáveis e mais rápidas. Além disso, eles poderiam se deslocar com mais frequência ao Stadtplatz, que resultou em 42 municípios na atual região do Vale do Itajaí", frisa Wittmann.
Colonos durante a construção da ferrovia
Primeira Guerra Mundial
Os planos originais da EFSC eram audaciosos. O ramal da colônia Hammonia se estenderia serra acima até a cidade de Rio Negro, no norte de Santa Catarina. Pelo oeste, chegaria à cidade na nucleação de Itapiranga, situada no extremo oeste do Estado, perto da divisa com a Argentina.
Em novembro de 1911, o governo brasileiro transformou a estrada em patrimônio do país por meio de um decreto-lei. Assim, mesmo administrada pela companhia alemã, passava a ser patrimônio do Estado brasileiro, arrendada por 60 anos.
Porém, a Primeira Guerra Mundial mudou o rumo da história ferroviária no Vale do Itajaí. Em 1918, o governo brasileiro rescindiu o contrato de arrendamento com a companhia alemã e transferiu a administração a uma junta militar federal, sem pagar qualquer indenização. "A EFSC deixou de ser um patrimônio privado e passou a ter o perfil de um patrimônio público da nação, o que dificultou muito a sua administração", diz Wittmann.
Trabalhadores usavam picaretas e enxadas para abrir caminho para os trilhos
Em 1918 foram retomados os estudos e projetos para a construção da ferrovia até o Alto Vale do Itajaí. O Estado de Santa Catarina arrendou a EFSC em dezembro de 1921. Enquanto as obras seguiam para o litoral (Itajaí) e para o oeste (Trombudo Central), o governo de Santa Catarina renovou o contrato de arrendamento por mais 30 anos, em julho de 1948. Porém, já em 1956 o governo estadual acabaria por rescindir o contrato.
Concorrência desigual
De acordo com a pesquisadora, após a Revolução de 1930, no Brasil, há uma mudança de foco. O governo federal se voltou para a construção de rodovias e abriu suas portas para a indústria automobilística, deixando o transporte ferroviário de lado. Em 1957, para contornar a crise ferroviária nacional, o governo adquiriu as companhias estrangeiras deficitárias, em número de 18, além de 80% das ferrovias nacionais, criando a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA).
“O setor ferroviário atuava predominantemente na área de exportação e concorria em desigualdade com os caminhões, que não tinham despesas com a construção e manutenção das rodovias, estas a cargo do Estado”, explica Wittmann.
Também o governo de Santa Catarina passou a investir em rodovias. Em setembro de 1960, por exemplo, foi inaugurado o asfaltamento de 49 quilômetros entre Blumenau e Itajaí. “Isso comprometeu, definitivamente, o transporte ferroviário do Vale do Itajaí por meio da concorrência desigual dos caminhões, que eram modernos, ágeis e pontuais e chegavam até as docas do porto de Itajaí.”
Gradativamente, os trechos da ferrovia foram sendo desativados. Em março de 1971, a RFFSA suspendeu todo o tráfego ferroviário da Estrada de Ferro Santa Catarina.
Autor: Fernando Caulyt
Fonte: http://www.dw.de/dw/article/0,,16235052,00.html
Pérsia
Por Felipe Araújo
A origem do nome Pérsia remete a uma região do sul do Irã chamada de Parsa ou Persis. Com o passar do tempo, o termo Pérsia começa a ser usado pelos gregos da era clássica e pelos ocidentais para se referir a toda planície do Irã. Apesar disso, o povo que habitava a região a denominava como Irã (terra dos ários). Apenas no ano de 1935 o governo do país começou a utilizar o nome Irã oficialmente. Quatorze anos depois (1959), os dois nomes passam a ser aceitos para se referir à região.
Esta complicação quanto à utilização dos nomes tem a ver com fatores históricos que ocorreram naquela área. Apesar de não ser utilizado pelos habitantes do local, o nome Pérsia faz referência direta ao Império Persa, dinastias históricas que controlaram a Pérsia em diversos períodos. Este império foi fundado pelos persas na cidade de Anshan, atualmente a província Fars (Irã), e foi, posteriormente, liderado por uma sucessão de dinastias, tanto persas quanto estrangeiras, que governavam a região e os territórios do entorno.
No ano de 1500 a.C., a planície do Irã foi ocupada pelas tribos árias, que tinham os medos como etnia mais importante. Os medos ocuparam a parte do noroeste e dominaram os persas. Os persas somente se livraram do domínio dos medos quando Ciro, o Grande, derrotou-os. Após vencer a batalha contra os medos, Ciro conquistou o reino da Lídia, Babilôniae fez com que o império Persa dominasse a planície. Em 521 a.C., Dario deu continuidade às conquistas de Ciro expandindo as fronteiras persas e derrotando os jônios gregos. Já em 490 a.C., Dario sofre um revés na batalha de Maratona, ocorrida durante a Primeira Guerra Médica. Xerxes I, seu filho, tentou vingar o pai invadindo a Grécia, mas também foi derrotado.
Em seu período áureo, os persas praticavam diversas atividades que são realizadas até hoje. Entre elas destacam-se a mineração de pedras preciosas e metais, metalurgia, agricultura, artesanato, pesca, entre outros. Além disso, construíram estradas de pedra, eram excelentes comerciantes e criaram o dário, moeda corrente no enorme território dos persas.
Do ponto de vista bélico, os persas foram um exemplo de força e organização. O poder de seu exército era tãorespeitado que eles ficaram conhecidos como Imortais. Isso se deve ao fato de que o exército persa parecia não diminuir nunca. Entre os 10.000 homens que compunham suas fileiras, caso um falecesse, um substituto já ocupava seu lugar mantendo o mesmo número do contingente. Uma curiosidade é que o exército persa utilizava elefantes para guerrear.
Fontes:
PAGDEN, Anthony. Povos e impérios – uma história de migrações e conquistas, da Grécia até a atualidade. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciro_II_da_P%C3%A9rsiahttp://www.historiadomundo.com.br/persa/civilizacao-persa.htmhttp://www.persiandna.com/his_cyrus.htm
Aruaques
Por Antonio Gasparetto Junior
Aruaques são os grupos indígenas americanos que possuem a língua com o mesmo nome.
Quando os europeus chegaram na América, os Aruaques, ou Arawak, foram os primeiros nativos a fazer contato com os viajantes. Foi esse grupo de indígenas que ficou maravilhado com as embarcações de Cristóvão Colombo que aportaram na região que hoje chamamos de Bahamas. Mesmo com o fato dos europeus tendo desembarcado extremamente armados e falando um idioma absolutamente diferente da realidade que estavam acostumados, os Aruaques os receberam com comida, água e presentes. Com o passar dos dias, os indígenas ofereceram muitas outras coisas mais aos europeus e recebiam em troca, extremamente satisfeitos, simples artefatos de vidro. Com o tempo, os europeus passaram a aproveitar essa inocência dos indígenas para explorar o que lhes era conveniente, nascendo, assim, a prática do escambo. O escambo rendeu muitos benefícios aos europeus com baixos investimentos.
Mas os Aruaques não eram só o grupo de indígenas que fez o primeiro contato com os europeus, tratava-se de numerosos outros grupos encontrados também nos territórios que hoje chamamos de Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana, Paraguai, Peru, Venezuela e Antilhas. Essa denominação, na verdade, faz referência ao idioma que falavam esses nativos, todas as variações eram provenientes do tronco linguístico Arawak, o que literalmente significa comedor de farinha. Calcula-se que 74 tribos indígenas no Brasil tinham seus idiomas derivados da raiz linguística do Arawak.
Os Aruaques são indígenas de origem neolítica, eram praticantes da agricultura, da pesca e da coleta. Em função de suas práticas culturais, são muito estudados pelos arqueólogos, não só porque foram os primeiros nativos a fazer contato com os europeus, mas porque produziam materiais em cerâmica extremamente ricos em adornos e manifestavam-se também através da pintura. Algumas tribos conheciam e praticavam costumeiramente a escrita.
Ao aportarem na América, os europeus fizeram contato com um grupo desconhecido de habitantes e acreditavam ainda que haviam chegado às Índias. Porém, além de trata-los de índios, o que era uma forma genérica, recebiam também a denominação de lucaianos, ou seja, povo que habita a ilha. Mal imaginavam os europeus, naquele primeiro momento, que desembarcavam num território que não era apenas uma ilha e que esses indígenas, Aruaques, estavam dispersos desde a Cordilheira dos Andes até a Flórida.
Fontes:
http://pt.scribd.com/doc/32602934/Os-Aruaques-uma-contribuicao-ao-estudo-do-problema-da-difusao-culturalhttp://www.bv.fapesp.br/pt/projetos-regulares/18785/povos-aruaques-norte-bibliografia-interpretacoes/
A quarta onda
Por Fernando Rebouças
No contexto histórico, diversos estudiosos consideram os resultados das evoluções humanas por meio de ondas, ou seja, períodos marcados por atividades e comportamentos da humanidade. A primeira onda iniciou a partir do surgimento da agricultura, mesmo em seu período inicial e rudimentar até o seu amadurecimento como o setor primário da economia.
A Revolução Industrial e suas atividades inaugurou a segunda onda, setor que compreende o setor secundário há mais de 300 anos. A terceira onda surgiu a partir da oferta de serviços como produto a ser adquirido por meio de sua prestação e também pelo surgimento da informática e de equipamentos avançados como os computadores, celulares e na área da robótica.
Hoje, a partir de análises de estudiosos como Alvin Toffler, já entramos na quarta onda, período em somos desafiados a convivermos melhor com as questões no meio ambiente, da sociedade e de um mercado mais participativo, que respeite a morar, a ética e ajude a superar os problemas locais de uma determinada comunidade.
Para a humanidade não se autodestruir e não destruir o planeta Terra, aprofunda-se um novo elo de responsabilidades a serem compartilhadas entre empresas, governos e sociedade. Principalmente, sobre as questões de sustentabilidade, cultura e de uma tecnologia que insira o ser humano socialmente.
Segundo Alvin Toffler, nos anos 2010, começamos a viver o final da terceira onda, que foi marcada pelo crescimento da oferta de serviços (agregados a produtos ou não); do avanço das tecnologias de processamento de dados e de acessoà informação; e avanços inicias na área da biotecnologia.
Qual será a realidade da quarta onda? Toffler destaca que avanços na biotecnologia, na nanotecnologia e avanço na colonização espacial serão os principais pontos de nova fase. A biotecnologia permitirá a cura de doenças e a manipulação de organismos por meio do DNA, a ponto de “fabricarmos” homens especiais para a exploração espacial.
A nanotecnologia permitirá a constituição de processadores minúsculos com mais velocidade de processamento de dados e de acessibilidade, permitindo a inclusão de inteligência artificial e de informação em qualquer objeto e ambiente. Porém, a facilidade tecnológica, mesmo facilitando a vida das pessoas, trará conflitos éticos sobre privacidade e moral na humanidade.
Os avanços na biotecnologia, além de permitir a regeneração de órgãos e de membros, permitirá a alteração genética das pessoas, favorável para o tratamento de doenças e de seres humanos mais resistentes.
A resistência alterará a expectativa de vida das pessoas, num futuro ainda a ser vivido a partir do século XXI, em que as pessoas conseguirão viver mais tempo, fator que alterará a distância entre a proporção de pessoas jovens e velhas. O pesquisador Alvin Toffler ainda afirma que a passagem da quarta onda para a quinta onda será mais rápida do que as mudanças de ondas ocorridas anteriormente. A partir de suas palavras:
Não acredito que a história seja uma linha reta. Mas os fatos também não se repetem literalmente de tempos em tempos. Não vamos voltar para a Idade Média, por exemplo. Vejo a história como uma espiral. Você pode estar numa posição agora. E depois em outra, oposta. Em seguida, você volta a uma posição similar, mas numa outra fase. Voltemos à comparação entre Roma e os Estados Unidos, dois grandes centros econômicos e culturais de épocas diversas. Em Roma, você não tinha uma sociedade globalmente integrada. Não havia uma rede mundial como a internet que pudesse rapidamente espalhar características culturais de uma determinada localidade para outra. Alguns aspectos da história se repetem, mas num estágio diferente.
Fontes:
http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0766/noticias/a-quarta-onda-m0052568http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/assistencia/a-quarta-onda.html
Zonas ocupadas pelos Aliados na Alemanha
Por Felipe Araújo
Após a Alemanha Nazi ser derrotada na Segunda Guerra Mundial, as tropas dos aliados fizeram, gradualmente, um sistema de ocupação nas terras alemãs. Esses territórios ficaram conhecidos como Besatzungszeit, algo como ocupação da Alemanha, e sofreram uma divisão por áreas que ficaram sob controle de cada potência que saiu com a vitória do confronto mundial. Esse panorama manteve-se entre os anos de 1945 e 1949 e ficou da seguinte forma: quatro zonas de ocupação com funções administrativas a oeste da Linha Oder-Neisse.
Estas divisões foram acordadas pela Comissão Assessora da Europa e seu estabelecimento se deu na Conferência de Teerã, realizada no ano de 1943. Com isso, um protocolo fixou a partilha territorial em 3 zonas ocidentais e uma zona soviética. As áreas demarcadas uniam fronteiras antigas entre os territórios alemães de Hannover, da Prússia, Hesse e Turíngia, Hesse e Anhalt e Baviera.
Naquela época, as tropas norteamericanas ultrapassaram os limites que estavam no acordo e chegaram a avançar alguns locais demarcados em cerca de 200 milhas. Com isso foi criada uma área de contato entre os americanos e os soviéticos, porém isso não durou por muito tempo. No mês de julho de 1945, com o fim das hostilidades, o contingente dos EUA retirou-se da região acordada para União Soviética após dois meses da invasão. Este movimento foi considerado como uma estratégia de persuasão à URSS com o propósito de dar permissão a britânicos, franceses e americanos e seus exércitos nas áreas designadas anteriormente em Berlim.
Outro fator citado como crucial para a recolha das tropas americanas foi a Operação Paperclip, realizada pelo serviço de inteligência dos EUA. O objetivo desta ação foi levar ao território americano alguns especialistas em armas químicas, foguetes e medicina da Alemanha.
Embora estas áreas demarcadas entre ocidente e oriente tivessem duração indefinida, os EUA, Reino Unido e França uniram sua fronteiras para solidificar o território e criar zonas com força política para deter qualquer influência militar ou econômica da Alemanha Oriental, que era ocupada pelas forças soviéticas. Com essa junção entre os Aliados, foi criado o território que ficou conhecido com Alemanha Oriental, que teve o Muro de Berlim, derrubado em 9 de Novembro de 1989, com o ícone da Guerra Fria. Após a destruição do muro, houve o colapso da União Soviética e a ascensão da economia capitalista da Alemanha.
Fontes:
COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e geral. São Paulo: Editora Saraiva, 2005.
http://www.brasilescola.com/historiag/reunificacao-alemanha.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Zonas_ocupadas_pelos_Aliados_na_Alemanha
Ferrovias do Holocausto
Por Antonio Gasparetto Junior
As Ferrovias do Holocausto foram utilizadas por nazistas para transportar forçadamente os judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
Após a Primeira Guerra Mundial, cresceu politicamente na Alemanha um homem chamado Adolf Hitler que, embora tenha sido preso por alguns anos, conquistou a população que enfrentava grandes dificuldades. A década de 1930 foi marcada pelas consequências da crise de 1929 e do primeiro conflito internacional, que colocaram os alemães em situação de verdadeira miséria. Adolf Hitler conquistou o público com seu carisma e conseguiu unir a população pelo reerguimento da Alemanha. Um dos pontos centrais de seu discurso era sobre livrar o país das más influências do povo judeu. Quando a Segunda Guerra Mundial começou, este ataque se tornou mais direto e mortal. Os judeus na Alemanha e nos países ocupados pelos germânicos foram perseguidos militarmente e levados para os chamados campos de concentração, onde trabalhavam à força, eram cobaias de experiências científicas e, geralmente, acabavam mortos por consequência da tratamento ou mesmo por métodos diretos de extermínio.
O extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial ficou conhecido na história como Holocausto, embora seja um termo discutível e que os judeus também não gostam de utilizar. O fato é que esse extermínio ou Holocausto foi capaz de existir com números tão impactantes por causa das chamadas Ferrovias do Holocausto, pois eram elas que transportavam os prisioneiros dos campos até os campos de extermínio que tinham capacidade para matar em larga escala.
O nazismo necessitava de um meio de transporte que permitisse o deslocamento de prisioneiros em massa, especialmente a partir de 1942. Antes disso, os esquadrões móveis nazistas já eliminavam judeus pelos territórios que passavam, mas a Conferência de Wannsee determinou que os judeus seriam levados para os campos de concentração, onde passariam por situações opressivas e exploratórias ainda antes de morrer. Os judeus foram aprisionados na Alemanha e nos territórios que os nazistas ocupavam e eram deportados pelas ferrovias para, sobretudo, a Polônia. Há de se ressaltar, todavia, que o governo alemão escondia o propósito real dessa deportação, alegando que se tratava de um recenseamento no Oeste. As vítimas, por sua vez, eram informadas de que estavam indo para campos de trabalho. Nesse processo todo, as ferrovias foram fundamentais para que os alemães exterminassem mais de seis milhões de judeus.
A frequência dos trens nas Ferrovias do Holocausto começou a reduzir a partir do desembarque aliado na Normandia e das incursões do Exército Vermelho nos territórios ocupados pelo nazista no leste europeu. Assim foi até o fim da utilização desses trens. Os nazistas ainda utilizaram a caminhada para o extermínio, na qual os judeus eram obrigados a marchar até os campos e ainda serviam de proteção no caminho. Mas a guerra já estava perto do fim e os alemães estavam encurralados. Os nazistas tentaram manter os prisioneiros judeus o máximo de tempo possível para utilizá-los como moedas de troca por alemães capturados, porém a situação já não permitia mais conquistas da Alemanha, que terminou derrotada no conflito.
Fontes:
http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=AOf6biA-V3gC&oi=fnd&pg=PA11&dq=Ferrovias+do+Holocausto&ots=rnv4wZtfj0&sig=yeFFXaiuYLekeAK-Ck_4NUSsS5A#v=onepage&q=Ferrovias%20do%20Holocausto&f=falsehttp://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=eeMluy8oG_8C&oi=fnd&pg=PA7&dq=Ferrovias+do+Holocausto&ots=46ENDboj2w&sig=Q8f9C8rlbE2pFaOudTWWxplYUEg#v=onepage&q=Ferrovias%20do%20Holocausto&f=false
Segunda Guerra Civil Sudanesa
Por Felipe Araújo
Ocorrida entre os anos de 1983 e 2005, a Segunda Guerra Civil Sudanesa foi um embate que colocou frente à frente as regiões sul e norte do país. Esta guerra teve seu início com uma atitude do governo muçulmano da região norte, que tentava a imposição da Sharia, código de leis do islamismo, em toda a nação sudanesa. Isso gerou protestos da parte sul, em que a maior parte dos habitantes é animista ou cristã. De acordo com alguns historiadores, este conflito teve origem na Primeira Guerra Civil Sudanesa, que ocorreu entre os anos de 1955 e 1972 e, mesmo com seu término, não conseguiu cessar as tensões entre as duas parte do Sudão.
A Segunda Guerra Civil Sudanesa teve duração de mais de 20 anos e culminou em cerca de 2 milhões de mortes, além das doenças e escassez de alimentos trazidas pela guerra. Fora isso, gerou aproximadamente 4 milhões de refugiados. Esta guerra foi tão catastrófica que, se contados todos os números de mortes que causou, chega-se a um número que somente não supera a quantidade de baixas da Segunda Guerra Mundial.
Segundo informações de ONGs (2004), o SPLA/M (Exército Popular de Libertação do Sudão) incluiu cerca de 2.500 a cinco mil menores de idade em seu contingente. Porém, em sua defesa, a organização armada afirma que desde 2001 já devolveu mais de 16.000 crianças para o lar. Entretanto, algumas agências internacionais afirmam que muitas destas crianças voltaram a praticar atividades com o grupo de guerrilha.
No dia nove de janeiro do ano de 2005, a Segunda Guerra Civil Sudanesa foi encerrada quando foi assinado o Tratado de Naivasha, que teve os vistos do vice-presidente sudanês, Ali Osman Taha e de John Garang, chefe do Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA/M). Com a assinatura do documento nasceu o Sudão do Sul, que é uma região autônoma.
Para entender melhor a Segunda Guerra Civil Sudanesa, é necessário voltar ao primeiro conflito, que ocorreu de 1955 a 1972, também entre as partes sul e norte do país. No caso, a região do sul tinha o objetivo de se tornar uma área autônoma. Durante estes dezessete anos de conflito ocorreram mortes de meio milhão de pessoas. Assim como a segunda, a Primeira Guerra Civil Sudanesa foi tão extensa que acabou sendo dividida em três períodos: guerra de guerrilhas, Anyanya e Movimento para a Libertação do Sudão do Sul. O final do conflito ocorreu no ano de 1972, quando foi assinado o tratado Adis Abeba. Porém, esse acordo foi um fracasso e deu origem à Segunda Guerra Civil.
Fontes:
http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/horror-sudao-433918.shtmlhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_guerra_civil_sudanesa
A invenção das lentes de contato

Leonardo Da Vinci foi um dos primeiros a pensar em um modelo de lente de contato.
Entre os séculos XIV e XVI, as mudanças políticas e econômicas que se alastraram pelaEuropa foram acompanhadas por um novo movimento de natureza cultural e científica. O Renascimento, ou movimento renascentista, irrompeu a predominância dos valores eclesiásticos para estabelecer a preocupação expressa com os assuntos considerados terrenos. Dessa forma, vários pensadores, estudiosos e artistas voltaram a sua atenção para questões de cunho humano.
Leonardo Da Vinci foi aclamado como um dos maiores expoentes dessa nova tendência. Dono de uma curiosidade voraz, esse italiano atuou em variados campos do conhecimento e da arte. Em alguns de seus manuscritos remanescentes temos a presença de propostas e invenções que falam sobre música, filosofia, botânica, escultura, pintura, urbanismo e engenharia. Atirando para todo o lado, ele acabou sendo um dos primeiros a teorizar uma solução para os problemas de visão.
Por volta de 1508, ele imaginou a construção de uma lente que, posta na superfície do globo ocular, poderia corrigir os problemas de visão. No século XVII, o filósofo, físico e matemático francês René Descartes foi autor de uma ideia semelhante. No entanto, apesar dos importantes precursores, as populares lentes de contato só foram primordialmente desenvolvidas nos fins do século XIX, pelo fabricante de peças óticas F. E. Muller e o médico suíço Adolf Eugen Fick.
Os protótipos iniciais não tiveram muito sucesso por conta da limitação tecnológica dessa época. As primeiras lentes de contato foram desenvolvidas por meio do uso do vidro e, por conta da rigidez do material, acabava ferindo os olhos de seus usuários. No ano de 1929, o oftalmologista nova-iorquino William Feinbloom desenvolveu uma nova lente por meio de um material criado através da mistura do vidro e do plástico.
Apesar do avanço no tipo de material empregado, essas lentes ainda eram bastante rígidas e tinham uma dimensão que causava bastante incômodo aos seus usuários. A partir de então, o aprimoramento do material e do tamanho das lentes permitiu a popularização dos primeiros modelos comerciais. Uma das lentes mais conhecidas dessa época foi criada pelo ótico Kevin Tuhoy, em 1948.
A película gelatinosa só foi inventada no início da década de 1970, quando a empresa Bausch & Lomb concebeu lentes de contato mais confortáveis e maleáveis. Como o processo de manutenção e higienização das lentes de contato era outra chateação para os usuários, vários cientistas começaram a desenvolver um modelo que fosse descartável. Dessa forma, o usuário poderia empregar as lentes de contato somente quando fosse participar de alguma solenidade importante ou tirar uma foto.
Mesmo concedendo algumas praticidades, as lentes de contato não conseguiram tomar o lugar dos óculos, principalmente para as pessoas que sofrem com a miopia e o astigmatismo. No Brasil, apenas um por cento das pessoas portadoras de problemas oculares fazem uso de lentes de contato.
Por Rainer Gonçalves Sousa
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