13.3.12

Mais antigo organismo com esqueleto é descoberto na Austrália

Pesquisa americana estima que a espécie 'Coronacollina acula' tenha vivido há mais de 550 milhões de anos


Reconstrução de como a Coronacollina acula poderia ser em vida (Daniel Garson / Droser lab, UC Riverside)

Paleontólogos da Universidade da Califórnia em Riverside, nos Estados Unidos, descobriram o mais antigo animal com esqueleto. O organismo, da espécie Coronacollina acula, tinha como habitat o fundo do mar e era parecido com uma esponja. Viveu entre 560 e 550 milhões de anos atrás, o que o inclui no período Ediacarano (período compreendido entre 635 e 542 milhões de anos atrás), antes mesmo da diversificação das espécies na Terra ocorrida no período Cambriano. A descoberta, publicada na revista Geology, pode ajudar a esclarecer melhor a evolução da vida no planeta e a extinção de vários animais, além de como os organismos respondem às mudanças do ambiente.


Droser lab, UC Riverside

Fotografias das impressões dos fósseis do organimos em rochas

"Até o Cambriano, entendeu-se que os animais tinham corpos suaves e sem partes maciças", diz Mary Droser, uma das autoras responsáveis pela descoberta realizada na Austrália. "Mas agora nós temos um organismo com partes individuais do corpo esquelético que apareceu antes do Cambriano. Ele é, portanto, o mais antigo animal com partes duras. Esta é uma grande inovação para os animais", conta a geóloga.

A pesquisa observou que o organismo vivia no fundo do mar, era incapaz de se locomover e possivelmente se alimentava da mesma forma que as esponjas, por meio da filtração – processo em que o ser bombeia a água através das paredes do corpo, retendo as partículas de alimento nas suas células. A forma de reprodução do Coronacollina acula, porém, ainda não foi identificada. A estrutura física da espécie era composta por duas partes: o corpo mole central em forma de cone e, em volta dele, pelo menos quatro espículas longas e maciças – o esqueleto –, que serviam de apoio ao corpo.

Segundo foi visto nos fósseis, a parte central daCoronacollina acula media entre poucos milímetros e dois centímetros de altura. Mas como as rochas se compactam com o tempo, os cientistas estimam que ela pode ter sido maior, entre três e cinco centímetros. Já as estruturas em forma de agulha mediam de 20 a 40 centímetros cada uma. Acredita-se também que tenha sido formado da mesma forma que as esponjas cambrianas. "Isto, portanto, fornece uma ligação entre os dois períodos", diz Droser.

Segundo a geóloga, a descoberta da Coronacollina acula é um sinal de que o surgimento de animais com esqueleto não aconteceu no período Cambriano, como se pensava. Mas os organismos do Ediacarano fazem parte da linha evolutiva dos animais que conhecemos hoje. "O destino dos primeiros animais do Ediacarano tem sido um assunto de debate, com muitos sugerindo que todos eles foram extintos antes do Cambriano. Nossa descoberta mostra que eles não foram", explica Droser.

Fonte: veja.abril.com.br