por Roberto Navarro
Essa lendária corporação é uma unidade de soldados de diversas nacionalidades que lutam por dinheiro. Apesar de ser ligada ao Exército francês, a Legião Estrangeira aceita o alistamento de gente de qualquer país do mundo - e ainda existe hoje em dia, sim! Atualmente, ela tem cerca de 7 800 soldados divididos em 10 regimentos na França - onde fica a sede da Legião -, na Guiana Francesa, em Maiote (uma ilha do oceano Índico) e em Djibuti, na costa nordeste da África. A Legião foi fundada em março de 1831 pelo então rei da França, Luís Filipe, para ajudar no controle das colônias francesas na África. Ao longo de sua história, a Legião Estrangeira participou das maiores batalhas militares do mundo, incluindo a Primeira e a Segunda Guerras e, mais recentemente, a Guerra do Golfo. Desde que foi criada, a corporação mantém o costume de permitir que os soldados se alistem com um nome falso - é a chamada "identidade declarada". Muita gente pensa que por causa disso a Legião aceita um monte de bandidões sanguinários, fugidos de seus países por causa de problemas com a lei. Isso já rolou no passado, mas hoje não é bem assim: o processo de admissão ficou mais rigoroso, submetendo todos os candidatos a checagens de sua vida. Ficou interessado? É bom pensar duas, três, mil vezes antes de embarcar nessa. Quem quiser se juntar à Legião Estrangeira precisa viajar à França por conta própria e se submeter a uma bateria de exames físicos e psicológicos. Se for aprovado, o soldado assina um contrato de cinco anos e começa com um salário em torno de 1 000 euros - cerca de 2 700 reais. Antes de fazer as malas, dê uma olhada no depoimento e nas fotos de um brasileiro que passou cinco anos na corporação. O cara conta com detalhes como é o dia-a-dia de um legionário, cheio de exercícios físicos extenuantes e testes de resistência barra-pesada.
Confissões de um legionárioBrasileiro que serviu por 5 anos revela o dia-a-dia no exército internacional
Maurício Arruda Preuss,
Nascido em São Paulo
Profissão atual - Piloto de helicóptero
Serviu na Legião Estrangeira de 1987 a 1992
MUNDO ESTRANHO - Por que você resolveu se alistar na Legião Estrangeira?
Maurício - Porque eu era fascinado pela carreira militar, mas não consegui entrar na Academia das Agulhas Negras, no Rio de Janeiro. Foram três anos de cursinho, mas não deu. Eu tinha 23 anos e queria manter esse sonho. Por isso, voei para a França para tentar a Legião. Dizer que não senti medo antes de bater no portão do alistamento seria mentira...
Que testes você fez antes de ser aceito?
Passei por uma bateria de exames médicos, um teste psicotécnico, uma série de entrevistas e testes físicos. Na época, participei de uma corrida e fiz alguns abdominais - ficou por isso mesmo. Mas sugiro que antes de fazer as malas, o candidato seja capaz de correr uns 10 quilômetros sem grandes problemas. Dos meus anos na Legião, metade passei correndo!
É verdade esse papo de que muitos legionários são terroristas, traficantes e assassinos?
Não. Esse tipo de gente não tem a menor chance de passar nas entrevistas de segurança. O que acontece é que todo candidato tem direito ao anonimato e a uma nova identidade ao chegar à Legião. Por exemplo, após vários meses de convívio com um amigo italiano, soube que ele tinha entrado na corporação para fugir da máfia. Nunca soube seu verdadeiro nome.
Em que lugares do mundo você serviu?
Primeiro, me formei legionário na França. Depois fui à África para servir no Djibuti. Fiquei por lá dois anos e voltei à França para me formar pára-quedista. Segui novamente para a África - desta vez, foram cinco meses no Chade, para ajudar a conter uma guerra civil.
Como era seu dia-a-dia?
Não há uma rotina fixa: as manobras de campo, treinos de tiro e os estágios práticos mudam totalmente o cotidiano. Mas um dia "normal" é assim: acordamos por volta das 5 h, limpamos o quartel, tomamos café e fazemos uma corrida de mais ou menos 8 quilômetros. Depois o comandante distribui as tarefas diárias - manutenção das armas e dos serviços do quartel, por exemplo. O serviço vai das 7 h às 12 h e das 13h30 às 17h30. Do meio-dia às 13h30, é hora do almoço. Os legionários comem às pressas para tirar um cochilo ou encarar uma ou duas cervejas na cantina...
Peraí... cerveja?
Sim, a bebida é liberada no quartel. E se o legionário já tiver feito todas as suas tarefas, ele pode sair do quartel e só voltar às 22 h para dormir. Claro que se o cara vacilar - se ficar bêbado, não estiver barbeado, se arrumar confusão - o bicho pega. Ele pode ser advertido, preso e até expulso da corporação.
Você aconselharia alguém a se alistar na Legião?
Não! Eu tive muita sorte de sair inteiro. Se você quer ter algum tipo de experiência militar, primeiro tente a carreira no Brasil. Se depois disso aquela voz ainda quiser te mandar para a Legião, vá a um psiquiatra [risos]! E se nem ele conseguir calar aquela voz, bon voyage!
Fonte:http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-e-a-legiao-estrangeira-ela-ainda-existe
1.10.12
O que é a Legião Estrangeira? Ela ainda existe?
A trajetória dos polinésios no oceano Pacífico
Os polinésios já navegavam pelo oceano Pacífico havia 9 séculos quando Jesus pregava na Galileia. Saíram do sul da Ásia e quase chegaram à América do Sul sem bússolas e astrolábios. Como foram tão longe?
Texto Lidiane Aires
Sem escrita e sem dominar a fundição de metais, os polinésios fizeram um “império” que só perde para o Mongol em área – inacreditáveis 22,5 milhões de km². Quase nada é terra.
Cerca de 90% da área terrestre é ocupada pela Nova Zelândia. Dos 10% restantes, metade é o Havaí. Eles lançaram-se ao mar por pura necessidade. Sempre que havia o risco de romper o equilíbrio ecológico por causa da explosão demográfica, um grupo deixava o lugar e partia em busca de uma nova ilha para colonizar. Hoje eles ainda estão por ali. Da Oceania à ilha de Páscoa, são 7,1 mil km. De lá, o vértice do triângulo sobe até o arquipélago havaiano, a 7,5 mil km, pouco menos do que seguir em linha reta do Rio de Janeiro a Lisboa.
“Esses lugares são certamente o paraíso do mundo e se a felicidade pudesse ser o resultado da situação e conveniência, aqui deveria ser encontrada na mais alta perfeição”, escreveu o tenente inglês William Bligh ao comentar o Taiti, onde ancorou o HMS Bounty, em 1788, para buscar mudas de fruta-pão. Bligh seria vítima de um dos mais famosos motins dos Sete Mares, liderado por seu imediato Fletcher Christian (há dois filmes, um deles com Marlon Brando, sobre o episódio, mas isso é outra história). Apesar de famoso pelos maus-tratos que dedicava à tripulação, Bligh é lembrado por percorrer 6,6 mil km após ser expulso do Bounty em uma pequena barcaça. O feito era digno de um polinésio.
Clique na imagem para ampliar (Ilustração Bruno Algarve)
Os antropólogos, baseados em estudos comparativos da língua austronésia e análise de DNA, acreditam que os polinésios chegaram à Nova Guiné vindos de Taiwan, no sul da China, 4 mil anos atrás. Dali, partiram para as ilhas Salomão e, depois, para Samoa, Fiji e Tonga. A beleza natural e a índole da população que ocupou a imensidão marítima do Pacífico geraram uma cultura pródiga. Para olhos destreinados, o mar aberto é uma monotonia líquida em todas as direções. Povo do mar, os polinésios aprenderam a direcionar seus barcos, os vakas, seguindo sinais. Provavelmente foram os primeiros a utilizar as estrelas para se localizar no oceano.
Também sabiam interpretar o voo de aves migratórias, a formação das ondas e até a cor das nuvens, cujos tons refletiam a areia ou a vegetação de uma ilha atrás do horizonte. Também observaram as correntes e os ventos. A cor da água e a fumaça de vulcões eram pistas de presença de terra. Usavam uma espécie de mapa com registros de marés e correntes nos quais as ilhas eram representadas por conchas. Os mapas marítimos permitiam a eles navegar até locais longínquos. Quando exploravam o oceano, levavam o que podiam.
Cachorros, porcos e galinhas, além de mudas de planta, faziam parte da bagagem. Mulheres e crianças eram parte da tripulação. Em territórios próximos, estabeleceu-se o comércio. Trocava-se, por exemplo, obsidiana para a fabricação de ferramentas por sementes e adornos. Além de dividirem o mesmo tronco linguístico, alguns valores culturais permaneceram idênticos – mesmo em locais de colonização tardia, distantes e isolados. “As culturas vivem em constante mudança e a arte de polinésios hoje reflete isso. Nas últimas décadas, criaram um estilo panpolinésio de se expressar único e moderno. É uma marca de identificação pessoal e orgulho cultural”, afirma a antropóloga Tricia Allen, da Universidade do Havaí.
A religiosidade polinésia tratava certas pessoas como possuidores de mana, um poder sobrenatural que também podia ser encontrado em árvores e pedras. É o poder entendido como "capacidade de fazer alguma coisa”. O mana estava cercado por proibições, ou tabus, que na língua dos polinésios de Tonga representa algo sagrado demais e que por isso deve ser interditado aos humanos. A palavra entrou para o vocabulário ocidental pelo inglês do diário de James Cook, o capitão que descobriu a maioria das ilhas polinésias. “Criados usavam instrumentos longos para dar comida aos sacerdotes por causa do tabu”, escreveu Karen Farrington em História Ilustrada da Religião. Havia tabus específicos para o casamento, o parto e a morte.
Como nas ocas dos índios brasileiros, os clãs viviam sob o mesmo teto e os laços de sangue tinham grande importância. Não conheciam a roda e tiravam tudo o que precisavam do mar. Uma tradição encontrada por todo o Pacífico é a do mahu. Alguém da família era escalado para cuidar dos pais na velhice, uma tarefa feminina. Por causa disso, o eleito, qualquer que fosse seu sexo biológico, virava menina. Eram identificados por uma flor que usavam na orelha direita. Podiam se casar, adotar filhos e eram tratados com respeito pela sociedade.
Parte da cultura polinésia é a tatuagem, sua linguagem corporal. Uma pessoa desenhada com pigmentos pontuados na pele com instrumentos de bambu, madeira ou osso se identificava sem pronunciar uma palavra. O desenho identificava quem ele era: sua ilha de origem e posição na hierarquia insular. Também funcionava como rito de passagem. O corpo costumava ser marcado pela primeira vez na adolescência, mas se guardava espaço para registrar o que viesse a acontecer no futuro.
O limite leste dos polinésios foi Rapa Nui. “Pequenos, magros, tímidos e miseráveis”, registrou Cook em seu diário ao descrever os habitantes do lugar em 1774. A ilha de Páscoa era tão isolada que os moradores acreditavam estar “no umbigo do mundo” (de fato, é o local mais afastado de outro lugar habitado na Terra). Por séculos, esculpiram figuras cada vez maiores em pedra. Os moais eram uma espécie de telefone para se comunicar com os antepassados. Quem sobreviveu em Páscoa foi aprisionado e enviado ao Peru para trabalhar em
minas. Hoje, a população polinésia de pasquenses não passa de 2 mil habitantes. Desde 1888, a ilha pertence ao Chile. “Eles são um exemplo de sociedade que se destruiu por excesso de exploração de seus próprios recursos”, escreveu Jared Diamond em Colapso.
O ponto mais ao norte da Polinésia é o Havaí, onde termina o relato de Cook. Em sua segunda viagem à ilha, ele se desentendeu com os nativos por causa de um bote roubado e foi morto. Entre os havaianos que conheceram Cook, estava o sobrinho do rei, Kamehameha. Quando o rei morreu, em 1782, ele iniciou uma série de batalhas, que levariam à unificação do arquipélago, em 1810. Os polinésios formaram um grupo cultural coeso apesar da dispersão geográfica. Para alguns autores, eles foram adiante. Muitas ilhas consomem batata-doce, um produto da América do Sul. No Chile, foram encontrados ossos de galinha, animal que viajava com os polinésios. Há quem garanta que o povo do mar colonizou a ilha de Madagascar, na África. Mas mesmo que ainda hoje o turista se encante com a beleza natural e a alegria dos moradores de ilhas como o Taiti, a região enfrenta sérios problemas. É uma das mais ameaçadas pelo aquecimento global. A ilha de Tuvalu, por exemplo, vem perdendo terreno para o oceano Pacífico. O legado polinésio corre o risco de ficar embaixo d’água.
A cultura da onda
Qualquer praia com alguma ondulação – mesmo que de “meio metrinho”, para usar uma expressão do meio – tem um surfista. O esporte se espalhou pelo mundo a partir dos EUA, mas a prática de se equilibrar em uma tábua de madeira nasceu no Havaí, o local da Terra com as melhores ondulações, ou swell. Surfe em polinésio é he’enalu. Foi descrito pela primeira vez por Joseph Banks, que estava na expedição de James Cook de 1769. Os chefes locais tinham as melhores pranchas e só eles podiam surfar em determinadas praias.
Quando os primeiros missionários cristãos chegaram ao arquipélago, tentaram banir o surfe. E a prática, identificada com rituais pagãos, entrou numa espécie de limbo por mais de 100 anos, até ser resgatada pelo nadador e medalhista olímpico Duke Paoa Kahanamoku na década de 20 do século passado. Além do Havaí, o surfe prosperou em Samoa e Tonga.
Vakas Moanas
Os polinésios desenvolveram elegantes técnicas de construção naval. Fragmentos de canoas antigas escavadas na Nova Zelândia e petroglifos encontrados na ilha de Páscoa mostram que as vakas (“canoas” na língua polinésia) eram geralmente duplas e possuíam duas velas triangulares, feitas de fibra de coco. As técnicas para esse tipo de canoa apareceram entre 4 e 5 mil anos atrás. O design mudou um pouco conforme a migração, mas as canoas mantiveram suas características principais, como os cascos interligados e as forquilhas
(espécie de flutuador lateral), usadas para dar estabilidade. Os cascos eram escavados direto no tronco das árvores. No Havaí, usava-se a madeira da koa, uma das mais populares da ilha, para a confecção. As vakas permitiam aos polinésios navegar até 200 km por dia e serviram de inspiração para a Hokule’a, a réplica de uma tradicional embarcação havaiana, aberta à visitação em Honolulu, no Havaí.
Fonte:Aventuras na História
A Utopia de Morus e o mundo moderno
A Utopia de Thomas Morus permite debater questões centrais da modernidade.
Uma imagem representando a ilha de “Utopia”, criada na obra clássica de Thomas Morus
O termo utopia tem uma utilização bastante comum quando temos o desejo de pensar em situações, lugares e relações que superam as dificuldades do mundo real. Em sua origem grega, essa expressão significa “não lugar”, reafirmando justamente que os nossos mais elevados sonhos e desejos são esse “não lugar”, uma mera utopia. Contudo, de onde que esse tipo de pensamento passou a ganhar tal definição?
Para explicar isso a uma turma de alunos, é importante ressaltar que a utopia está ligada ao advento da modernidade, principalmente com o desenrolar da experiência renascentista. Com o predomínio da razão como forma de compreensão do mundo, o ideal de progresso começou a ganhar linhas visíveis. Havia então, nesse contexto histórico, uma expectativa sobre o alcance de uma sociedade que conseguisse superar suas próprias imperfeições.
De fato, se percorrermos um recorte temporal mais amplo, poderemos ver que as utopias têm uma forte proximidade com a “República”, obra do consagrado filósofo grego Platão. Assim, a obra “Utopia”, escrita pelo britânico Thomas Morus, não pode ser exposta para os alunos como um escrito radicalmente original. Escrita no século XVI, a obra fez a descrição de uma ilha chamada Utopia através das observações de um viajante chamado Rafael Hitlodeu.
Para expor as benesses dessa ilha, o autor ordenou a sua narrativa através de um contraponto organizado em duas partes. Na primeira, falou sobre a Inglaterra, seu país de origem, onde as injustiças contra os camponeses e a intolerância religiosa eram os problemas que mais o incomodavam. Na segunda, apresentou a ilha de Utopia como um contraditório, um lugar onde a intolerância era punida e as guerras evitadas em favor da maioria da população.
Em sala de aula, cabe ao professor escolher passagens dessa obra que possam superar uma visão inicial bastante comum àqueles que são rapidamente apresentados a essa obra clássica. Afinal, qual seria o interessante debate histórico ou até mesmo filosófico que se poderia promover através de uma história que se concentrou na descrição de um lugar perfeito e que, a cada ponto positivo, distanciava-se da miséria e problemas da realidade?
Um dos recortes históricos de grande significado que podem ser expostos em sala de aula tem a ver com o desenvolvimento dos Estados Nacionais e o estabelecimento das leis. Ao longo de “Utopia”, é possível ver uma discussão sobre como as leis teriam o poder de garantir a justiça e moldar o comportamento da coletividade que se submetesse a elas. Em linhas gerias, Morus questionava em sua história se a força dessa lei era capaz de moldar o indivíduo.
Na reflexão do próprio autor, temos a defesa de que a força da lei não teria o poder de moldar a sociedade. Mais importante que isso, seria uma profunda reflexão sobre um tipo de educação capaz de cultivar os valores e práticas que contribuíssem diretamente para a formação de uma sociedade igual à da ilha Utopia. Estaria ele certo? Cabe aí o professor complementar este trabalho lançando essa discussão junto à classe.
Por Rainer Gonçalves Sousa
Fonte:
Contracultura e a juventude brasileira
Gilberto Gil fez parte do movimento musical Tropicália*
A juventude representa possibilidades de mudanças e inovações na sociedade. Nas décadas de 60 e 70, jovens de várias partes do mundo iniciaram uma fase conhecida por movimento de Contracultura. Aproveitando as mudanças pelas quais a humanidade estava passando, como a descolonização da África e da Ásia e, principalmente, a explosão do maio de 1968, em Paris, a juventude mundial inaugurou uma era de rebeldia e de desapego material.
A principal característica do movimento de Contracultura foi a profunda crítica ao sistema capitalista e aos padrões de consumo desenfreado. Os jovens que integraram esse movimento de contestação aos valores morais e estéticos da sociedade global promoviam revoluções em seus modos de vestir. Suas roupas e penteados tornavam-se símbolos desse universo paralelo que eles elaboraram para romper com os modismos capitalistas das elites.
Os festivais de Rock, o consumo de drogas e a postura underground afirmavam a identidade desses jovens que por meio da arte e da música mostravam suas posições e suas alternativas de vida. Músicos como Jimi Hendrix e Janis Joplin entoavam o hino de luta por um mundo mais poético e menos incerto. Esses movimentos contestatórios chegaram ao Brasil dando origem ao grupo chamado de “Tropicália”, que contava com artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé.
Esse movimento musical no Brasil inovou bastante a música popular brasileira, trazendo em suas letras versos irreverentes que rompiam com o tipo de música feito até então. Em suas roupas e estilos também havia a influência do estilo hippie que contestava os padrões elitistas da sociedade. O cinema brasileiro, com o cineasta Glauber Rocha, contribuiu para o nascimento do chamado Cinema Novo, em que os filmes criticavam a pobreza e as desigualdades sociais no Brasil.
Não se pode deixar de mencionar também o importante papel que o escritor José Agrippino teve na difusão de ideias revolucionárias através de seus trabalhos, pois ele retratava temas centrais sobre alguns personagens, como Che Guevara, sinônimo de ideais socialistas. Essas inovações inspiraram artistas brasileiros mais adiante, como foi o caso do poeta da música Raul Seixas, que gritou ao mundo versos como “Viva a sociedade alternativa”, empolgando o surgimento de bandas de rock and roll no Brasil a partir da década de 1980. Assim, outros hinos foram entoados em solo brasileiro criticando temas relacionados à política e à desigualdade social, como nos casos das bandas Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs etc.
A contracultura nesse sentido seria uma forma de contestação dos padrões elitistas vigentes no mundo. A prioridade dos jovens que encabeçavam esses ideais era a de criar novas maneiras de viver e novos estilos que se diferenciassem dos modelos eruditos das classes dominantes. No Brasil, portanto, houve representantes que soltaram sua voz através de sua arte, como uma maneira de criar, antes de tudo, outra cultura fora dos padrões dominantes.
*Créditos da imagem: Benjamin Kralj e Shutterstock.com
Por Fabrício Santos
Fonte: 
Negacionismo do Holocausto
Por Antonio Gasparetto Junior
O Negacionismo do Holocausto é o argumento de que o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial não aconteceu ou não aconteceu do modo como é retratado historicamente.
Certamente o maior evento do século XX, a Segunda Guerra Mundial envolveu quatro continentes e dezenas de países no conflito armado. A guerra começou em 1939 por iniciativa do líder alemão Adolf Hitler, figura política e histórica que gozava de grande poder no momento. Sua tentativa de reconstruir a Alemanha passava pela eliminação de um povo que considerava prejudicial ao futuro de sua nação e da humanidade, os judeus. Por conta de sua ideologia autoritária e opressora, deu-se início um dos maiores massacres e uma das maiores perseguições da história. O ímpeto em eliminar os judeus para abrir espaço para a raça ariana resultou na morte de mais de seis milhões de pessoas, um extermínio sem precedentes na história da humanidade que ficou conhecido como Holocausto Judeu, embora o termo não seja o melhor e esteja em constante discussão.
Nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial, historiadores e outros intelectuais discutiram e analisaram o massacre promovido pelos nazistas. Passada a primeira fase de observações sobre o dito Holocausto, vieram novas interpretações para o fato com os chamados revisionistas. Estes buscavam oferecer novas interpretações para o evento histórico a partir da descoberta de novas fontes, com mais precisão e almejando a imparcialidade, já que as primeiras leituras sobre o fato foram feitas com muita parcialidade e impactadas pelo calor do momento. Durante a década de 1980, contudo, surgiu na França o neologismo negacionismo para orientar uma corrente de críticos que defendiam que o Holocausto Judeus da Segunda Guerra Mundial não existiu. Essa vertente interpretativa procurava minimizar, negar ou omitir simplesmente o extermínio ocorrido durante o conflito internacional.
O Negacionismo do Holocausto tem como argumentos básicos a defesa de que os nazistas não desenvolveram uma política oficial de perseguição aos judeus, assim como não utilizaram métodos de extermínio em massa e de que o número de mortes propagado, cerce de seis milhões, seria um exagero. Mas os seguidores dessa teoria não aceitam o termo negacionismo para os definir, preferem também utilizar a expressão revisionistas. Só que seus opositores se recusam a chama-los de revisionistas por respeito aos verdadeiros revisionistas do evento que fazem uso de documentos históricos para trazer mais informações fundamentadas sobre o extermínio. Ou seja, os negacionistas são constantemente acusados de estruturarem seus argumentos sem a existência de evidências históricas.
Os negacionistas do Holocausto sugerem que o Holocausto é uma farsa com fins propagandísticos que utiliza números exagerados para poder sustentar a criação do Estado de Israel, receber grandes indenizações e justificar o avanço dos judeus sobre territórios palestinos no Oriente Médio.
Naturalmente, a reação aos negacionistas do Holocausto não foi positiva. Uma parte dos intelectuais se recusa a lidar de qualquer modo com os negacionistas para não lhes dar crédito. Um segundo grupo de críticos aproveita o argumento dos negacionistas para promover a conscientização dos métodos, mas sem legitimá-los. Já um terceiro grupo responde os argumentos dos negacionistas apontando suas falhas e a falta de evidência histórica. Entre os críticos do negacionismo estão até ex-membros da SS, a polícia nazista encarregada do extermínio. Eles dizem que o fato é tão real que é impossível de alguém discordar.
O Negacionismo do Holocausto ganhou conotação de antissemitismo e, atualmente, é considerado crime em 16 países, a começar pela Alemanha.
Fontes:
http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_view.asp?a=893&p=0http://kontratempos.no.sapo.pt/europa_hneg.pdf
Naufrágio do SS Normandie, 1942
Naufrágio do SS Normandie, 1942
" SS Normandie entrou em serviço em 1935 como navio de passageiros maior e mais rápido à tona. Seu design inovador e interiores luxuosos levou muitos a considerá-la o maior dos transatlânticos. Normandie ganhou a Fita Azul para a mais rápida travessia transatlântica durante a sua carreira de serviço.
"Durante a Segunda Guerra Mundial, Normandie foi apreendido pelas autoridades americanas em Nova York e renomeado USS Lafayette. Em 1942, o navio pegou fogo ao ser convertido para um troopship, virou para lado e foi parar na lama do rio Hudson. Foi recuperado e a restauração foi considerada muito cara e ele foi desmontado em outubro de 1946. "
- Wikipedia





...
Fonte: Cruzeiro do Passado
Horror no Sudão
O que a história tem a dizer sobre a pior crise humanitária atual
Artur Lourenço
Doze homens armados chegam a cavalo numa vila de Darfur, no oeste do Sudão, antes do amanhecer. Eles matam todos os homens, estupram as mulheres, queimam casas e plantações. Seu objetivo é eliminar a vila do mapa. Se no dia seguinte, depois de fugirem, os habitantes voltarem, todo o procedimento será repetido. Esse é o padrão de ataque da milícia conhecida pelas vítimas como Janjaweed – os “demônios a galope” –, que ataca exclusivamente civis. Desde abril de 2003, quando eclodiu mais uma guerra civil, essa rotina se repetiu em outras 516 vilas e deu origem a uma das piores crises humanitárias do mundo.
Sem ter o que comer ou onde dormir, os sobreviventes são obrigados a deixar o que restou de suas casas para buscar comida e proteção em um dos mais de 100 campos de refugiados da região, que já abrigam cerca de 1,6 milhão de pessoas. A Anistia Internacional estima que morrem aproximadamente mil pessoas por dia no Sudão, de fome ou doenças causadas pela falta de higiene e infra-estrutura, como cólera, malária e febre amarela.
O conflito tem raízes na rivalidade entre tribos de origem árabe e africana pelo domínio da região. Os africanos fixados, principalmente no estado de Darfur, costumam ter suas propriedades invadidas por árabes de tradição nômade que vêm tanto do norte, fugindo do avanço do deserto de Saara, quanto do sul, em busca de terras mais férteis. Mas o estopim da crise que intensificou os ataques a civis aconteceu em abril do ano passado, quando rebeldes do Exército de Libertação do Sudão (ELS) invadiram um aeroporto e mataram 75 soldados do Exército nacional em represália ao crescente apoio do governo às tribos árabes.
Em agosto deste ano, o Congresso Americano concluiu que a crise no Sudão é um caso de genocídio – tentativa deliberada de matar ou ferir seriamente membros de um grupo de pessoas para exterminá-lo fisicamente. No entanto, nenhuma sanção foi aplicada por qualquer país da comunidade internacional ao governo do Sudão. As únicas medidas tomadas até hoje foram doações de apoio aos refugiados. Teme-se que, se nada for feito em breve, a crise tome proporções como as do genocídio de Ruanda, onde morreram 800 mil pessoas em 1994.
Raízes da tragédia
Como o caosse instalou no maiorpaís da África
Até o século 6 - Os primeiros habitantes
A região do atual Sudão era ocupada por habitantes de três reinos distintos conhecidos genericamente como Núbia. No século 6, a maioria da população havia se convertido ao cristianismo copta, por influência de clérigos egípcios. O contato com os árabes restringia-se ao comércio
Século 7 a 19 - Era islâmica
Em 642, os árabes muçulmanos chegaram à Núbia e a região entrou num processo de “arabização” que durou mais de mil anos. Em 1315, subiu ao trono o primeiro príncipe núbio muçulmano. No século 15, o cristianismo não era mais a religião predominante e as vilas ao longo do Nilo passaram a organizar-se em torno de protetores árabes
1889 a 1954 - Condomínio Anglo-Egípcio
A fim de garantir o acesso ao Canal de Suez, rota marítima entre o mar Mediterrâneo e o oceano Índico, a Inglaterra aliou-se ao Egito e invadiu o Sudão, onde crescia o sentimento nacionalista. O Condomínio Anglo-Egípcio fortaleceu a elite árabe, concentrada em Cartum, e aprofundou as diferenças regionais do país
1956 - Independência e guerra civil
Com a independência negociada com Inglaterra e Egito, o Sudão emergiu numa sucessão de guerras civis motivadas pela resistência de minorias étnicas, regionais ou religiosas contra as elites árabes que, entre outras determinações, tentavam impor a rigorosa lei islâmica, a Sharia
Anos 60 a 80 - Disputas por terra
Os grupos étnicos Fur, Masalit e Zagawa – muçulmanos de ascendência africana e maioria da população de Darfur – são freqüentemente atacados por tribos árabes nômades em busca de terras férteis. Os conflitos são contornados por lideranças locais, baseadas em leis herdadas do período Anglo-Egípcio
1998 e 1999 - A crise aumenta
Em 1994, o presidente Al-Bashir reorganiza a administração do país e fortalece o poder dos povos árabes em Darfur. Graves períodos de seca e crises econômicas aumentam o fluxo de árabes na região e, com isso, a intensidade dos conflitos. Em 1999, são destruídas 125 vilas masalits, com centenas de mortos
Abril de 2003 - Estopim para o genocídioO Exército de Libertação do Sudão (ELS) rebela-se e reivindica a divisão dos poderes da elite árabe entre os africanos do estado de Darfur e o fim das invasões das tribos nômades. O governo cria a Força de Defesa Popular (FDP), arma a milícia Janjaweed e inicia um violento processo de limpeza étnica
Os lados do conflito
Exército de Libertação do Sudão (ELS)
Grupo armado do Movimento de Libertação do Sudão, representante dos grupos étnicos africanos Fur, Masalit e Zagawa. Os rebeldes do ELS defendem os povos que são vítimas do genocídio no Sudão. Lutam pela reintegração de Darfur no cenário político nacional e o fim dos privilégios árabes no Sudão
Janjaweed
Principais acusados dos crimes contra a humanidade em Darfur e da morte de cerca de 30 mil civis, incluindo crianças e velhos. Atacam em grupos pequenos de 10 ou 12 pessoas, montados em cavalos ou camelos. Embora o governo negue sua ligação com a milícia, houve ataques conjuntos com a Força Aérea sudanesa
Força de Defesa Popular (FDP)Armado e treinado pelo Exército sudanês, é o braço oficial do governo na luta contra o ELS. Formado por soldados voluntários de tribos árabes com tradição de guerras contra os africanos, é acusado de dificultar o acesso de alimentos e assistência médica aos campos de refugiados
Fonte:Aventuras na História
Homem ferida, c.1400s
Homem ferida, c.1400s
"O homem da ferida é uma ilustração que apareceu pela primeira vez em textos europeus cirúrgicos na Idade Média. Ele expôs esquematicamente as várias feridas, uma pessoa pode sofrer na batalha ou em acidentes "
- Wikipedia


...
Fonte 1. Wellcome Biblioteca , 2. Kean University , 3. 4. Wikipedia
A6M Zero
Por Gabriella Porto
O Mitsubishi A6M, o Zero, foi o avião de caça de longo alcance, usado pela Marinha Imperial Japonesa, entre 1940 e 1945, tornando-se o principal caça da marinha daquele país durante todo o percurso da Segunda Guerra Mundial. Ficou mundialmente conhecido como Zero, por causa da sua designação na marinha japonesa, como um caça de transporte categoria zero, que fazia alusão ao último dígito do ano Imperial de 2600 (ou 1940, no calendário cristão), ano em que o caça entrou em serviço. Pelos japoneses, principalmente pilotos, era chamado de Zero-sem, enquanto os Aliados o chamavam de “Zeke”, mantendo a tradição de dar nomes masculinos para caças. Na sua nomenclatura oficial, “A6M”, a letra “A” era usada para classificar um caça capaz de decolar de um porta-aviões, o “6″ significava que o sexto modelo projetado pela Marinha Imperial Japonesa, e, por fim, “M”, indicava a marca do fabricante, que era a Mitsubishi.
Em 1943, as deficiências do projeto, principalmente relacionadas à crescente falta de motores potentes, fez com que o Zero se tornasse menos eficaz, principalmente contra as novas versões de caças Aliados, principalmente os F4F Wildcat, que tinham um poder de foto bem maior, além de serem mais resistentes e ainda assim, mais rápidos e versáteis. Mesmo assim, o Zero foi fortemente usado durante os anos finais da Guerra do Pacífico, principalmente em missões kamikaze.
Quando o antecessor do A6M, o A5M, entrou em operação no começo de 1937, a Marinha Imperial Japonesa já tinha iniciado seus trabalhos para criar a aeronave que o substituiria. Em Maio daquele ano, a Marinha enviou um projeto com estritas especificações para que a Nakajima e Mitsubishi trabalhassem em protótipos que pudessem ser postos em operação. Poucos meses depois, ambas as empresas já trabalhavam em projetos preliminares, enquanto aguardavam os requisitos definitivos para o novo avião.
Baseada na experiências adquirida com o A5M, a Marinha, então, enviou em Outubro aquelas que seriam as necessidades fundamentais do novo caça: que ele alcançasse a velocidade máxima de 595km/h e que fosse capaz de atingir 3.000 metros em 3 minutos e meio. Sobre o consumo, eles requisitaram duas horas de autonomia consumo normal, e seis a oito horas em baixa velocidade. O arsenal do Zero contava com dois canhões de 20 milímetros, e duas metralhadoras de 7.7 milímetros, além de também poder ser carregado com duas bombas de 30kg ou 60kg. O motor do projeto final do Zero chegava próximo de mil cavalos de potência.
Após receber esses requisitos, a empresa Nakajima desistiu do projeto, por considerá-lo inalcançável. O engenheiro da Mitsubishi, Jiro Horikoshi, acreditou que o projeto poderia ser posto em prática, mas somente se a aeronave pudesse ser o mais leve que fosse possível, o que fez com que cada medida para economia de peso possível fosse usada. Grande parte do avião foi construído com um, até então, secreto material, o Zicral, uma liga formada por 88% de alumínio, 6% de zinco, 2,5% de magnésio e 2% de Cobre. Esse é um material muito leve e com boa resistência mecânica, sendo mais resistente que o aço, comparando com o mesmo peso. O Zicral foi desenvolvido pela Sumitomo Metal Industries em 1936, sendo chamado de Super Extra Duralumínio (ESD). Além disso, ao Zero não foi colocada uma armadura especial para o piloto, muito menos para o motor, ou qualquer outra parte vital do avião. Isso fez com que o Zero se tornasse muito mais leve, e, consequentemente, ágil que a maioria das aeronaves no início da guerra, apesar de torná-lo suscetível a incêndios e explosões quando era atingido por projéteis inimigos.
Quando foi colocado em operação, logo no início da Segunda Guerra Mundial, o Zero foi rapidamente considerado o caça de porta-aviões mais eficiente no mundo, combinando a sua excelente capacidade de manobra com seu enorme poder de alcance. Já nas suas primeiras batalhas, o Zero adquiriu sua lendária reputação como um dogfighter, conseguindo uma média taxa de eficiência de 12 para 1. Mas em meados de 1942, um conjunto de novas táticas, além da introdução de melhores equipamentos, permitiu que os pilotos Aliados pudessem combater o Zero em condições mais parecidas. Estima-se que durante a Segunda Guerra Mundial, os caças Zero foram responsáveis pela destruição de 1.550 aeronaves americanas. 420 deles foram usados no ataque a Pearl Harbor. A aeronave foi produzida até 1945, com cerca de 10.000 unidades geradas, incluindo todas as variações do modelo.
Fontes:
http://militaryhistory.about.com/od/militaryaircraft/p/a6mzero.htm
http://ciencia.hsw.uol.com.br/avioes-japoneses-na-segunda-guerra-mundial2.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Mitsubishi_A6M_Zero
Trajes originais de super-herói, 1960/1970
Trajes originais de super-herói, 1960/1970



...
Imagens da Mulher Maravilha: A História Completa , Batman: The Complete History e Superman: The Complete History ( Les Daniels ) via Hey Oscar Wilde
