15.12.10

Biografia de Derrida

Introdução sobre Derrida



Derrida


Com sua abordagem filosófica, ele construiu odesconstrucionismo. Seu processo de argumentação procura “desmontar” o que foi juntado num texto. O significado que o escritor buscou impor ao texto deixa de existir, já que o texto agora expressa vários significados. O pai dessa nova doutrina intelectual que emergiu nosanos 60, o desconstrucionismo, é o filósofo Jacques Derrida.

Derrida acreditava que não há nada fora do texto. Pela visão do filósofo, o significado de um texto assume convenções variadas e contém seus próprios códigos. A análise que ele propôs, em vez de procurar o que um determinado texto significa, mostra como ele faz para adquirir significados. Com suas novas idéias Derrida se juntou a um grupo de emergentes pensadores franceses dos anos 60, como Roland Barthes e Michel Foucault. Cada um deles, com menor ou maior aceitabilidade, trouxe contribuições intelectuais que alimentaram os movimentos libertários e contestatórios daquela década.

A desconstrução, por Derrida

Todas as tentativas de definir desconstrução tendem a ser falsas... Uma das principais coisas na desconstrução é a delimitação da ontologia e, acima de tudo, da terceira pessoa do presente do indicativo: proposição da forma “S é P”.

Tão logo o “discurso presente” “preste testemunho” à “verdade dessa revelação”, além do verdadeiro ou do falso, além do que está verossímil ou mentindo numa dada frase ou sintoma em sua relação com um conteúdo dado, os valores de adequação e desvelamento não mais têm que esperar por sua verificação ou realização a partir do exterior de algum objeto.

Não é fácil compreender a obra de Derrida. Parte dela parece ser indecifrável, o que dificulta uma abordagem clara e consensual de sua produção intelectual. Mas a intenção dele era justamente que isso não fosse mesmo possível. Conheça nas próximas páginas um pouco sobre a vida e a obra de Jacques Derrida.

Jaqcues Derrida: da Argélia para a França
Jacques Derrida nasceu num subúrbio de Argel, capital da Argélia, em 15 de julho de 1930. Na época, o país do norte da África era ainda uma colônia francesa. Filho de uma família judia pequeno-burguesa que há cinco gerações morava na Argélia, Derrida passou os primeiros anos de sua infância aproveitando a vida litorânea do Mediterrâneo. Mas quando tinha dez anos, a invasão da França pelas tropas alemãs e a capitulação francesa fizeram com que a então colônia sofresse os dissabores do império nazista. Um deles foi a implantação de uma cota nas escolas limitando que cada uma tivesse no máximo 14% de alunos judeus. Por conta disso, Derrida acabou expulso.

Após o fim da guerra e depois de passar um tempo estudando num clandestino liceu para judeus, Derrida retomou os estudos normais, mas não foi um aluno exemplar. No entanto, isso não alterou sua excepcional capacidade intelectual e aos 22 anos conseguiu ingressar na Escola Normal Superior em Paris, considerada a mais importante da França. O interesse pela filosofia já havia sido despertado na sua adolescência graças à influência de outro franco-argelino, o filósofo-escritor Albert Camus. Em Paris, Derrida aprofundou seus estudos na filosofia existencialista de Jean-Paul Sartre e nas obras de Husserl e Heidegger.

Em 1954, eclodiu a Guerra da Argélia, onde a então colônia tentava se livrar do domínio francês. Derrida apoiou a independência, mas em 1957, ao se formar, foi convocado pelo exército da França. Em vez de ir à frente de batalhas, ele conseguiu ser colocado como professor numa escola próxima a Argel para ensinar as crianças dos soldados franceses e argelinos que lutavam pela França. A guerra teria como resultado a independência do país africano e um êxodo em massa de europeus. Mas Derrida havia voltado para Paris dois anos antes disso. Em 1960, ele conseguiu um cargo de professor de filosofia e lógica na Sorbonne. Na época já estava casado com uma ex-colega da Escola Normal Superior.

No mesmo ano da independência argelina, Derrida alcançou sua independência intelectual com a publicação de uma tradução que fizera de "Origem da Geometria”, de Husserl, e na qual inseriu uma introdução maior do que o texto do autor. Nela, Derrida começava a mostrar a importância do seu pensamento ao apresentar sua negação da verdade geométrica. Era o começo da construção do desconstrucionismo.

Jacques Derrida e o desconstrucionismo
Associado à nova geração de intelectuais franceses, como Roland Barthes,Michel Foucault e Julia Kristeva, que colaboravam para a revista “Tel Quel”, Derrida começou a ensinar história da filosofia na Escola Normal Superior em 1965. Naquele momento o objetivo de Derrida era o de destruir toda a “escritura” pela demonstração de sua inevitável falsidade. Segundo o filósofo, a linguagem que o escritor utiliza, inevitavelmente, distorce o que ele pensa e escreve.

Derrida desenvolveu esse argumento em “A escritura e a diferença”, obra lançada em 1967, Nela ele ataca o racionalismo e o símbolo máximo da razão, René Descartes. Mas as ideias centrais de seu pensamento estariam na obra “Gramatologia”, também publicada em 1967. Lá ele argumenta que a filosofia havia se equivocado ao buscar a verdade essencial que estaria na “essência das coisas”. Para ele, ela deveria ter se concentrado na linguagem. Derrida afirma que tudo que encontramos na linguagem é um sistema de diferenças múltiplas e sutis de onde emergem os significados. Ao avançar nesse raciocínio, Derrida procurou invalidar todo o processo da lógica (só que ele fez isso usando argumentações lógicas!).

Expressamos nosso conhecimento na linguagem, só que toda palavra, toda expressão e o modo como as utilizamos nos textos geram ambiguidades. Tanto a linguagem falada como a escrita são recheadas de duplos sentidos e estão à mercê das interpretações dos interlocutores ou leitores. Assim, a utilidade da análise que Derrida propôs reside não naquilo que um texto significa e sim como ele adquire aquele significado ou outros.

Quando a rebelião estudantil de maio de 1968 eclodiu em Paris, Derrida teve um papel ativo nas manifestações. Suas palestras na Escola Normal Superior tornaram-se cada vez mais populares. Seu desconstrucionismo tinha virado moda na Europa e também nos Estados Unidos no final dos anos 60, apesar do menosprezo que muitos filósofos e cientistas importantes tinham por aquela abordagem filosófica.

Em 1972, quando assumiu o posto de professor na Johns Hopkins University nos Estados Unidos, ele lança três livros, entre eles “La dissemination”, onde novamente argumenta que nunca pode haver somente um significado fixo para qualquer texto. A força de diferentes significados causa uma disseminação de interpretações. Em 1974, ele publica uma de suas obras mais indecifráveis: “Glas”. Nela, duas colunas contínuas de impressão em 300 páginas trazem de um lado uma leitura original e citações da obra deHegel. Do outro lado, um comentário sobre as obras do escritor francês Jean Genet. Talvez ele pretendesse aplicar a dialética de Hegel nessa leitura: de um lado a tese, do outro a antítese e na cabeça do leitor, se ele conseguir, a síntese.

Em 1981, como um nome já consagradíssimo da filosofia do século 20, Derrida foi a Praga, na ainda comunista Tchecoslováquia. Lá acabou preso quando a polícia “descobriu” maconha com ele. A França protestou energicamente e ele foi solto e recebido como herói em Paris. Derrida acreditava que sua filosofia da “desconstrução” podia ser uma ferramenta contra o autoritarismo e a injustiça e se engajou na luta contra o apartheid e pela libertação de Nelson Mandela nos anos 80 e contra o racismo na França. Jacques Derrida morreu em 8 de outubro de 2004.
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