20.7.12

Conhecer a formação dos países vizinhos pode ser um importante recurso para apresentar nossa História aos alunos

Maria Lígia Coelho Prado









ILUSTRAÇÃO: JOÃO TEÓFILOQuem vive o cotidiano da sala de aula sabe que não é exagero afirmar que os alunos brasileiros do ensino médio, ou mesmo os que chegam à universidade, praticamente desconhecem a História da América Latina. Esse distanciamento entre o Brasil e os demais países latino-americanos se deve em parte ao fato de a tradição cultural brasileira estar profundamente voltada para a Europa. Cultivado desde os tempos coloniais, o fascínio pela “civilização do Velho Mundo” ainda tem forte apelo na sociedade brasileira dos nossos dias.



Historicamente, muitos fatores contribuíram para a construção desse fosso. As áreas de colonização portuguesa e espanhola suportaram rivalidades entre suas metrópoles que acabaram por traçar limites não apenas geográficos, mas também culturais, políticos e sociais. Mesmo após as independências, ao longo do século XIX, as diferenças se mantiveram, especialmente pela escolha de regimes políticos – enquanto o Brasil se configurou como uma monarquia, os países hispânicos deram origem a diversas repúblicas.

Mas as últimas décadas trouxeram expressivas mudanças nas relações entre o Brasil e os demais países da América Latina. As várias facetas da integração regional e latino-americana têm sido intensamente discutidas e ganharam destaque no cenário político brasileiro, especialmente após a constituição do Mercosul (zona de livre comércio da qual fazem parte Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). Este é um momento privilegiado para se ampliarem no Brasil o ensino e a pesquisa da História da América Latina. O paralelismo que encontramos nos grandes temas históricos das duas Américas – a portuguesa e a espanhola – permite indagações comparativas que podem provocar uma reflexão inovadora sobre a própria historiografia brasileira.

Uma comparação interessante pode ser feita entre duas pinturas históricas que retratam dois processos de independência: a do Uruguai e a do Brasil.As fortes vinculações com a Europa durante a segunda metade do século XIX fizeram com que vários artistas do Novo Mundo – brasileiros, uruguaios, argentinos e mexicanos – fossem estudar no Velho Continente, onde aprenderam novas técnicas e se familiarizaram com as correntes artísticas em voga, muitas vezes patrocinados por seus respectivos governos. Mas, de volta à terra natal, o cenário político e o ambiente acabaram impondo a questão nacional a esses artistas, que então dirigiram seu olhar para dentro de suas sociedades, interrogando-se sobre sua história e suas peculiaridades. Como resultado, produziram interpretações sobre os acontecimentos considerados primordiais naquele momento, como a chegada dos europeus à América e os processos de independência política.

No Brasil, Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843-1905) pintou o quadro “IndependênciaouMorte” ou “OgritodoIpiranga”, em 1888.Às margens do riacho do Ipiranga, D. Pedro, montado a cavalo, levanta a espada e proclama a Independência do Brasil, bradando: “Independência ou Morte!”. Seu gesto é saudado pela guarda, vestida em trajes de gala, e bem à sua frente, um cavaleiro arranca da farda o laço vermelho e azul que simbolizava a união entre a Colônia e a metrópole. Vinda do alto, uma luz esplendorosa ilumina D. Pedro. O único homem que não faz parte da comitiva oficial – um caipira, puxando um carro de boi – está apartado da cena principal e assiste a tudo com admiração e surpresa. É o “povo”, praticamente ausente nessa representação e cujo papel não é nem mesmo de coadjuvante, mas sim de um mero espectador.

Já o uruguaio Juan Manuel Blanes (1830-1901) havia pintado, em 1877, “OJuramentodos33Orientais”.A obra retrata o grupo de homens liderado por Juan Antonio Lavalleja (1784-1853) e Manuel Oribe (1792-1857) que se lança à reconquista militar da Província Oriental, nesse período incorporada, com o nome deCisplatina, ao território brasileiro.O acontecimento marca, na história do Uruguai, o início simbólico da chamada Cruzada Libertadora, que levará à Independência, a ser proclamada em 25 de agosto de 1825.

Na tela, Lavalleja empunha a bandeira dos 33 orientais – branca, azul e vermelha, com os dizeres Libertad o Muerte – acompanhado por Oribe, com o chapéu na mão, ambos demonstrando o mesmo entusiasmo e disposição dos homens que estão à sua volta. A cena se abre como num leque, personalizando os principais atores e caracterizando as figuras secundárias, como a do gaúcho ajoelhado, em seus trajes costumeiros, bem à frente. Um clarão os ilumina e parece brotar da terra, dando dramaticidade e valorizando a determinação e a confiança do grupo. A pintura está concebida de tal forma que os dois líderes não podem ser separados de seus comandados. Colocados no mesmo plano, formam um grupo político coeso, movidos pela mesma causa.

Tanto Juan Manuel Blanes quanto Pedro Américo escreveram textos de reflexão sobre a criação e a elaboração de seus quadros. Nestes relatos, há um ponto em comum: ambos afirmaram que não espelhavam exatamente a verdade histórica, pois as necessidades essenciais da construção artística precisavam ser levadas em conta.

Pedro Américo afirmava que visitara o local do “Grito” e realizara extensas pesquisas, mas que algumas mudanças se faziam necessárias: o riacho do Ipiranga foi incorporado ao quadro; a cor dos laços da farda foi mudada de branco e azul para vermelho e azul, para se adaptar melhor à composição de cores; a casa e as árvores ao redor foram inventadas, assim como o declive do terreno. O objetivo era “restaurar com a linguagem da arte um acontecimento que todos desejam contemplar revestido dos esplendores da imortalidade”. Ele argumentava que todos tinham que estar de acordo com aquela época “cerimoniosa e brilhante”, desde os cavalos até os uniformes da Guarda de Honra. O cavalo de D. Pedro, que segundo alguns era um asno baio, foi pintado como sendo um zaino escuro, e seu cavaleiro deveria ser pintado de acordo com o caráter do príncipe: “propenso às pompas do trono”, e não refletindo as perturbações gástricas que sofria na ocasião.

Blanes achava importante fazer referência aos 33 orientais que iniciaram a luta pela independência. Pelas pesquisas atuais, não se sabe ao certo se esse número é exato. Mas a escolha do pintor está diretamente vinculada à sua filiação à maçonaria. Para os maçons, o número 3 é perfeito, compondo os três lados do triângulo, outro de seus símbolos. No quadro de Blanes, a vestimenta também é significativa, mas numa visão bastante diferente, já que ele dizia que “nossos pais não pensaram em fundar o orgulho nacional com seus trajes, e sim com seu valor e seu sangue”. Para ele, as roupas descuidadas de alguns dos heróis deviam ser assim retratadas, porque “atos de coragem e patriotismo não podem decorar-se previamente”. Então, a dignidade e a beleza seriam mostradas em sua simplicidade e de acordo com as particularidades dos costumes uruguaios.

As virtudes – coragem e dignidade – eram muito valorizadas pelo republicano Blanes, e por isso os trajes eram meros acessórios que não deviam ofuscar o brilho da cena histórica. Mas Pedro Américo pensava diferente: as aparências – a pompa, os trajes – eram indispensáveis, faziam parte da imagem da monarquia e integravam seu significado. Da mesma forma, a luz, que na pintura do brasileiro vem do alto, na do uruguaio surge da terra. Ao comparar os dois quadros, é possível então afirmar que as escolhas pictóricas de Pedro Américo estão relacionadas ao imaginário simbólico da monarquia e que Blanes foi inspirado pelo ideário republicano, isto é, a perspectiva de que o poder político emana do povo e não da Divina Providência; que as pessoas nascem iguais, não cabendo privilégios à aristocracia; que as virtudes individuais são o sustentáculo do regime; que Estado e Igreja devem ser separados.

Bastante reveladoras são também as primeiras exibições dos dois quadros. Pedro Américo expôs “IndependênciaouMorte” pela primeira vez em Florença, em 1888, em “uma inauguração solene”, com a presença de D.Pedro II e da imperatriz, das rainhas da Sérvia e da Inglaterra e de vários membros da aristocracia europeia. O tom solene da cerimônia se adequava ao lugar escolhido para a exposição, a Academia Real de Belas Artes de Florença. Já Blanes expôs seu quadro pela primeira vez em seu próprio ateliê, no dia 31 de dezembro de 1877, com a presença do presidente da República e de outras autoridades. O quadro ficou disponível por um mês para a visitação de todos os cidadãos que desejassem contemplá-lo, provocando “uma comoção pública sem precedentes”, comprovada pelo impressionante número de 6.237 visitantes.

Além de simbolizarem as independências dos dois países, as duas pinturas históricas foram elaboradas por homens envolvidos com as discussões de seu tempo sobre arte, nação e política. As telas revelam as escolhas de cada um e demonstram que as afinidades com o regime monárquico, no caso do Brasil, ou com o regime republicano, no caso do Uruguai, indicam percepções diferentes sobre a independência de cada país.

É certo que o conhecimento sobre a História do Brasil pode ser enriquecido nas salas de aula quando direcionamos o olhar dos alunos para o horizonte ampliado da América Latina. E cruzando as fronteiras, descortina-se o rico – muitas vezes inimaginável – panorama da circulação de pessoas, de ideias, de livros, de proposições políticas e de projetos econômicos pela região.

Maria Lígia Coelho Pradoé professora da Universidade de São Paulo e autora de América Latina no Século XIX. Tramas, Telas e Textos (Edusp, 1999).



Saiba Mais - Bibliografia

CAPELATO, Maria Helena Rolim. “O ‘gigante brasileiro’ na América Latina: ser ou não ser latino-americano”. In: Mota, Carlos Guilherme (org.). Viagem incompleta: A experiência brasileira. A grande transação. São Paulo: Editora Senac, 2000.

PAMPLONA, Marco A. e MÄDER, Maria Elisa (orgs.). Revoluções de independência e nacionalismos nas Américas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2009.

PRADO, Maria Lígia Coelho. “O Brasil e a distante América do Sul”. In: Revista de História, nº 145. São Paulo: 2001.

SANTOS, Luís Cláudio Villafañe G. O Brasil entre a América e a Europa. O Império e o Interamericanismo (do Congresso do Panamá à Conferência de Washington). São Paulo: Editora Unesp, 2004.


Fonte: 

Plano Marshall




Plano Marshall: o plano de ajuda dos EUA para a Europa capitalista.

O fim da Segunda Guerra Mundial trouxe à Europa um cenário de devastação material acompanhado pela morte de milhares de pessoas. A crise de valores trazida por esse cenário problemático colocou em cheque qual modelo de desenvolvimento social e econômico poderia satisfazer as demandas dessa terra devastada. As antigas potências européias pareciam ter a oportunidade de se reerguer por meio de uma economia mundialmente liderada pelos EUA, ou adotar as premissas do socialismo soviético.

A nova configuração político-ideológica de caráter aparentemente binário engendraria, depois da Segunda Guerra, os primeiros passos para a Guerra Fria. Os Estados Unidos, representante máximo do sistema capitalista, perceberam que a instabiliade européia poderia transformar o Velho Continente em um novo campo de expansão das doutrinas socialista e comunista. Visando conter esse possível quadro, os EUA resolveram estabelecer o Plano Marshall.

O plano foi conhecido em março de 1947, depois de uma declaração do chefe de Estado dos EUA, general George Catlett Marshall. Segundo o plano, uma quantia de 17 bilhões de dólares seria liberada para que os países europeus reerguessem a sua economia. No entanto, as nações do leste europeu convertidas ao regime socialista não foram beneficiárias desse mesmo plano graças à intervenção política de Joseph Stálin. Tal episódio deixou ainda mais explícito o cenário de clara cisão ideológica.

De forma geral, o dinheiro obtido com o plano de ajuda financeira foi utilizado na compra de combustíveis, máquinas, veículos, matérias-primas, alimentos, rações e fertilizantes. Entre os maiores credores dessa ação estavam a Inglaterra (3,2 bilhões); França (2,7 bilhões); Itália (1,5 bilhão) e Alemanha (1,4 bilhão). Essa ação foi de grande beneficio para os Estados Unidos, que desenvolveu sua economia com a grande demanda gerada pelas nações européias.

Em pouco tempo, os objetivos de recuperação econômica foram alcançados e um novo acordo de cooperação foi estabelecido entre o bloco capitalista europeu e os Estados Unidos. A cooperação econômica foi reconfigurada para um novo acordo de cooperação militar que visava fazer frente a algum possível ataque do bloco socialista. A chamada Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) firmava um acordo de ajuda militar entre os países pertencentes ao bloco capitalista.

O estabelecimento da OTAN não significou a retomada da antiga supremacia política e econômica do Velho Mundo. A partir desse acordo militar, os Estados Unidos visavam garantir os lucros obtidos através da exportação de gêneros agrícolas e industriais. De forma geral, o Plano Marshall e a OTAN instituíram a hegemonia política e econômica dos EUA no mundo.

Por Rainer Sousa

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História da Revolução Industrial



Por Emerson Santiago

É chamada de Revolução Industrial a série de mudanças tecnológicas, econômicas e sociais experimentadas pelo ser humano entre os séculos XVIII e XIX. Em seu sentido mais pragmático, a Revolução Industrial significou a substituição da ferramenta manual pela máquina; o artesanato, a única forma de produção conhecida, dá lugar à produção mecanizada e em série, e o meio rural, lar e local de trabalho de todo o cidadão médio, deixará de ser tão relevante.



É com a Revolução Industrial que surge um novo sistema econômico, o capitalismo, que passará a reger o modo de produção até os dias atuais, simbolizando uma modificação na perspectiva do homem contemporâneo. Na verdade, a Revolução Industrial constitui o ápice de uma gradual mudança de paradigmas que vinha sendo operada nas sociedades europeias desde a época da Baixa Idade Média.

O principal agente responsável por essa modificação é a burguesia industrial, que, na busca incessante por maiores lucros, menores custos e produção acelerada, dedica-se a elaborar alternativas para incrementar tais fatores. A igreja fará forte oposição ante a estes objetivos, devido à sua doutrina de um ideal frugal de vida. O pensamento humanista e a Reforma Protestante do século XVI abrirão caminho para que o homem desenvolva a busca pelo lucro, aceitando-a como algo natural.

O fenômeno da Revolução Industrial é geralmente dividido em dois períodos distintos: o primeiro ocorre ao final do século XVIII, com a criação das primeiras máquinas, as primeiras fábricas e a organização do trabalho assalariado; o segundo período inicia-se por volta de 1850, quando o progresso tecnológico e econômico ganha impulso a partir do desenvolvimento do navio a vapor, ferrovias, o motor de combustão interna e a geração de energia elétrica.

Seu início se dá na Inglaterra, a grande potência à época, que reunia as condições propícias para inaugurar este novo período nas relações humanas. Como condições relevntes, destacam-se o acúmulo de capital vindo dos produtos de seu crescente império e pronto para ser aplicado em projetos promissores, uma agricultura pouco desenvolvida, mão de obra disponível, a mínima intervenção estatal e um espírito intrépido, ávido por conhecimento e pesquisa. Essa combinação permite ao país, que já era uma potência importante, dar um salto astronômico em relação às outras nações, e estender sua influência a todos os cantos do mundo. Somente no final do século XIX, outros países, em especial Alemanha e Estados Unidos começam a competir com o poderio britânico, e no século XX, a industrialização tornou-se a palavra de ordem para toda a nação que desejasse se destacar no cenário mundial.

Bibliografia:
Revolução Industrial – História da Revolução Industrial. Disponível em: <http://www.historiadomundo.com.br/idade-moderna/revolucao-industrial.htm>. Acesso em: 19 jun. 2012.

Revolução Industrial. Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/historia/revolucao-industrial-evolucao-tecnologica-transforma-as-relacoes-sociais.jhtm>. Acesso em: 19 jun. 2012.




Fonte:

Paideia


Por Emerson Santiago

Paideia (παιδεία) é um termo do grego antigo, empregado para sintetizar a noção de educação na sociedade grega clássica. Inicialmente, a palavra (derivada de paidos (pedós) – criança) significava simplesmente “criação dos meninos”, ou seja, referia-se à educação familiar, os bons modos e princípios morais. Será na mesma Grécia que se inicia um modelo de educação com um sentido relativamente semelhante ao que se utiliza hoje.



Na verdade, os ideais educativos da paideia se baseiam em práticas muito anteriores. Os gregos serão os primeiros a colocar a educação como problema: na literatura grega surgem sinais de questionamento do conceito, seja na poesia, tragédia ou na comédia. Os Sofistas e depois Sócrates, Platão, Isócrates e finalmente Aristóteles elevarão o debate ao estatuto de uma importante questão filosófica.

Assim, em em meio à sociedade ateniense, “paideia” passa a se referir a um processo de educação no qual os estudantes eram submetidos a uma programa que procurava atender a todos os aspectos da vida do homem. Entre as matérias abordadas estavam a geografia, história natural, gramática, matemática, retórica, filosofia, música e ginástica.

Antes disso, o conceito que originalmente exprimia o ideal de formação social grego estava contido em outro termo, “aretê” (em grego, adaptação perfeita, excelência, virtude). Formulado e explicitado nos poemas homéricos, a aretê era entendida como um conjunto de qualidades físicas, espirituais e morais, atributo próprio da natureza (como por exemplo, a bravura, coragem, força, destreza, eloquência, capacidade de persuasão, enfim a heroicidade). O alargamento do ideal educativo da aretê surgiu ao fim da época arcaica grega (por volta dos séculos VIII e VII a.C.), traduzindo-se na expressão “kalos kagathos” (kalos = bom; kagathos = belo, ou o bom e belo, em grego) da qual deriva o termo kaloskagathia, ou, a grosso modo, o cultivo do bondade ou virtuosismo e da beleza, onde o homem era estimulado a alcançar a excelência física e moral além da honra e da glória.

A partir do século V a. C., o conceito de aperfeiçoamento do ser humano para o bem da sociedade como um todo segue em plena evolução. A noção agora vigente é que, para além de formar o homem, a educação deve ainda formar o cidadão, deixando de ser suficiente a simples e antiga educação baseada na ginástica, música e gramática.

O conceito acabado da paideia torna-se o ideal educativo da Grécia clássica. Com o tempo, passou designar o resultado do processo educativo que se prolonga por toda vida, muito para além da escola. Até os dias de hoje seus ideais são imitados em praticamente todo o mundo, como um perfeito entendimento de formação social do ser humano.

A rotina de um aluno, respeitando os preceitos da paideia era basicamente este:
Acordar logo ao amanhecer, e com a ajuda do pedagogo, o jovem lavava-se e vestia-se;
Refeição matinal e logo após, ida à palestra, para as aulas de música e ginástica;
Banho e regresso à casa para o almoço;
Retorno à palestra à tarde, para lições de leitura e escrita;
Ida para casa, sempre na compania do pedagogo; estudo das lições, trabalhos de casa, jantar e enfim repouso.
Não haviam finais de semana ou férias, exceto pelos festivais religiosos ou cívicos;

Bibliografia:

Conceito de Paideia. Disponível em: .
Acesso em: 22 jun. 2012.




Fonte:

Partenon


Por Emerson Santiago

Partenon é o nome de um templo, erguido no século V a.C. na Acrópolis, uma montanha localizada no centro da cidade de Atenas, e cuja estrutura, apesar do tempo, conflitos e poluição, ainda se encontra preservada. A palavra Partenonsignifica “a sala da virgem”, e o objetivo de tal edifício era prestar uma homenagem à deusa Atena.



Sua ideia é atribuída a Péricles, um dos principais líderes democráticos de Atenas, que iniciou uma série de obras públicas (entre elas, a construção do Partenon) após um saque à cidade feito por tropas persas. O projeto é de autoria dos arquitetos Ictinus e Calícrates, que se baseiam nos preceitos da arquitetura dórica, cuja característica principal é a utilização de colunas caneladas, de molde redondo com uma placa quadrada em cima. Para realizar a tarefa, foi designada uma equipe de arquitetos e artistas liderada pelo escultor Fídias, que inicia o trabalho por volta de 447 a.C. e o conclui quinze anos depois.

De acordo com estudos realizados, o templo de mármore branco era originalmente pintado de maneira chamativa, nas cores vermelho, azul e ouro. Na chamada “sala de adoração”, havia uma imagem de Atena, de madeira, com acabamento de marfim e ouro de aproximadamente 10 m de altura, decorada com braceletes, enfeites e outros elementos decorativos; os olhos eram feitos de pedras preciosas e no seu peito estava a cabeça de uma das górgonas (monstros da mitologia grega) em marfim. Cada uma das sacerdotisas tinha uma sala especial no templo.

Todas as linhas aparentemente retas do Partenon são, na verdade, ligeiramente curvas. Para compensar a tendência dos olhos em ver as colunas do meio mais finas do que são na verdade, a solução encontrada foi arquear cada uma delas, que também foram ligeiramente inclinadas para dentro. Como um requinte final, as colunas dos cantos do templo são mais grossas, pois estas recebem mais luz do sol que as demais, e pareceriam assim, mais finas caso não fosse feito tal arranjo.

O Partenon é considerado uma obra de grande pureza e perfeição. As belas proporções da estrutura derivam da razão 9:4, um ideal matemático que encampa as relações do comprimento com largura e o espaço entre as colunas, com base em seus diâmetros. Construído no momento em que Atenas (a principal das polis gregas) experimentava seu momento de maior destaque, a imagem do Partenon é frequentemente utilizada como símbolo definitivo da cultura clássica da Grécia, base de toda a moderna sociedade ocidental.

Bibliografia:

DUNN, JR. Jerry Camarillo. O Partenon e a Acrópolis. Disponível em: <http://viagem.hsw.uol.com.br/parternon-e-acropolis.htm>. Acesso em: 23 jun. 2012.

Fonte:

Antiguidade Clássica


Por Emerson Santiago

É conhecido como Antiguidade Clássica, Era Clássica ou ainda Período Clássico o longo período histórico onde ascivilizações grega e romana se destacaram de modo excepcional em meio a qualquer outra sociedade nos mais variados aspectos do desenvolvimento humano. Tal época legou um riquíssimo repertório de informações ao mundo civilizado de modo que a cultura clássica é ainda considerada fundamental para a construção de toda a cultura ocidental contemporânea.



Formalmente, foi estabelecido que o ponto inicial da Era Clássica encontra-se no primeiro registro da poesia do gregoHomero, nos séculos VII-VIII a.C. Já o seu final localiza-se no fim da chamada Antiguidade Tardia (300 a 600), momento em que se inicia a Idade Média.

Em um espaço de tempo tão dilatado, a sociedade grega passou de uma coleção de cidades-estados pouco coordenadas a metrópole de um imenso império legado por Alexandre o Grande, que por sua vez acaba conquistado por Roma e finalmente se torna o centro do Império Bizantino. A língua grega representava o que a língua inglesa éatualmente, um idioma amplamente conhecido pelos mais diversos povos, servindo para a difusão e troca de informações. Jesus teria algum conhecimento de grego; os livros do Novo Testamento (de acordo com a maioria dos pesquisadores) foram originalmente escritos em grego; decretos, avisos, sinais, livros, mesmo moedas das mais diferentes terras carregavam inscrições em grego, do Afeganistão ao Sudão, da península arábica às atuais Geórgia eArmênia.

Não bastasse isso tudo, as polis gregas produziram uma quantidade absurda de intelectuais das mais diversas áreas do conhecimento, e que em muitos casos, foram os iniciadores de determinado seguimento. São grandes exemplosSócrates, Platão, Aristóteles, Demócrito e vários outros na filosofia; Heródoto na história; Anaximandro na geografia;Hipócrates na medicina; Ésquilo, Sófocles e Eurípedes no teatro; Apeles na pintura; Fídias na escultura; Arquimedes na matemática; Aristarco, Eratóstenes e Hiparco na astronomia, e a lista se prolonga em centenas de nomes de destaque em vários setores do conhecimento humano.

Roma, por sua vez, absorveu muito do legado intelectual da civilização grega, e soube difundir tal cultura entre os diferentes povos que conquistou. Ao contrário dos gregos, o espírito romano era mais pragmático, concentrado no domínio de territórios e no poder, e apesar de não ter produzido tanto quanto os gregos, soube legar muitos de seus valores, com destaque para a língua latina, que com o tempo originou dezenas de novas línguas ao longo da Europa ocidental. O próprio alfabeto utilizado para escrever tal língua é hoje utilizado por 2/3 da humanidade para registrar idiomas em todos os continentes; merece destaque ainda o direito romano, cujas raízes ainda influenciam o sistema normativo de vários países, entre eles o Brasil.

Bibliografia:
Antiguidade Clássica. Disponível em: <http://old.enciclopedia.com.pt/articles.php?article_id=1602>. Acesso em: 26 jun. 2012.
Antiguidade Clássica: Grécia. Disponível em: <http://www.casadehistoria.com.br/book/export/html/106>. Acesso em: 26 jun. 2012.


Fonte: InfoEscola: Navegando e Aprendendo

Primeiro Reich


Por Emerson Santiago

Com a ascensão do regime nazista na Alemanha em 1933, um termo começou a ser bastante utilizado e explorado pela propaganda estatal: Terceiro Reich, ou a grosso modo, Terceiro Império, em português. Como a meta principal de Hitler no poder era elevar a Alemanha a uma condição de destaque jamais vista, o termo começou a ser bastante explorado. Com ele, o povo era lembrado ainda dos dois outros momentos mais importantes da nação alemã, ou seja, o Segundo Reich, de 1871 a 1918, quando a Alemanha conquistou sua unificação e montou um império ultramarino; já o Primeiro Reich seria o Sacro Império Romano-Germânico, ou Sacro Império Romano da Nação Alemã, surgido com o monarca Oto I, em 962 e que se esfacelou em 1806, com as invasões de Napoleão Bonaparte.



Neste Primeiro Reich, a Igreja tinha uma enorme influência, pois era o Papa quem coroava o imperador (daí a expressão “sacro”, ou sagrado). Do ponto de vista administrativo, o Império era organizado conforme o sistema do antigo Império Romano e tentava resgatar também as tradições herdadas do império de Carlos Magno. Além disso, sua organização era baseada nos povos germânicos.

Apesar de nunca ter suas fronteiras completamente definidas, o poder no Sacro Império orbitava em torno da área onde hoje está a moderna Alemanha. O império reunia ainda partes das atuais República Tcheca, Áustria, Holanda, Bélgica, Polônia, Suíça, França e Itália.

Para governar este estado multiétnico e politicamente complexo, os príncipes das dezenas de províncias elegiam o imperador. Destaca-se entre as famílias reais a casa dos Habsburgo, que foi responsável por todos os monarcas de 1438 até 1740, além de, por meio de casamentos, assumir ainda a coroa da Espanha. Isso conferiu aos Habsburgo um poder inigualável em toda a Europa, permitindo que estes liderassem a Contra-Reforma nos séculos XVI e XVII na Europa.

Mesmo sendo um estado de importância crucial dentro da Europa, o Sacro Império vai aos poucos se esfacelando. A razão, como em quase todos os casos, está nas guerras, que se somaram sem trazer nenhum resultado prático para o império. O marco inicial de sua queda é a derrota na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) para as potências protestantes e para a França católica, o que vai minar em demasiado o seu poder. Ainda assim, o final chega somente em 1806, quando Napoleão Bonaparte, recém-coroado imperador dos franceses, resolve construir seu próprio império continental, e com isso implode o velho Sacro Império Romano-Germânico.

Bibliografia:

O que foi o primeiro Reich da Alemanha? Disponível em: <http://www.oragoo.net/o-que-foi-o-primeiro-reich-da-alemanha/>. Acesso em: 01 jul. 2012.




Fonte:

Tebas


Por Emerson Santiago

Tebas é o nome dado pelos colonizadores gregos à cidade do antigo Egito conhecida como “Uaset” (em seu nome original em língua egípcia), e que foi capital do Império Novo egípcio, existente entre 1550 a.C. e 1070 a.C.

Atualmente o local abriga algumas ruínas da cidade original, aquilo que restou do complexo de Karnak e ainda a moderna cidade de Luxor (Al ‘Uqsur). Desde tempos remotos a área é ocupada por um série de pequenas aldeias de modesta importância, situação que muda com a ascensão da família tebana que estabeleceu a XIª dinastia, por volta de 2134 a.C. Tebas é dividida pelo rio Nilo em duas partes: na margem leste está a povoação principal e os principais templos da tríade sagrada tebana de Amon, Mut e Khonsu, além de Montu, a divindade local. Ali também está o mais importante complexo de templos, o de Karnak. A oeste está a necrópole do Vale dos Reis, onde os faraós, membros da família real e nobres foram sepultados com grande esplendor em criptas cortadas nas rochas. Ali, tanto os reis do Segundo Período Intermediário tardio (entre 1750 e 1650 a.C.) como os do Novo Reino (entre 1550 a.C. e 1070 a.C.), foram enterrados. Deste lado do Nilo, outros importantes locais são o Vale das Rainhas, o Templo mortuário da Raínha Hatshepshut, o Vale dos Nobres e o Templo de Medinet Habu.

No período do Novo Império, Tebas vive seu auge, atraindo boa parte da riqueza do Egito e das terras então conquistadas. À medida em que experimenta sua decadência, o centro do poder se desloca para o delta do Nilo. A cidade então torna-se, durante o século XI a.C., uma entidade política separada sob o domínio sacerdotal. Em 661 a.C., Tebas é saqueada pelos assírios, evento relatado na Bíblia (Livro de Naum, 3,8-10). Com a conquista do Egito por Alexandre, o Grande e a posterior colonização grega patrocianada pela dinastia Ptolomaica (faraós também de origem grega), a cidade recebe o nome com a qual ainda é popularmente conhecida, uma referência à cidade de Tebas original, localizada na Grécia.

Em 29 a.C., momento em que os romanos estão se tornando senhores do Egito, é a vez destes saquearem o local. Finalmente, em 20 a.C. um visitante grego relata apenas algumas aldeias dispersas no terreno outrora centro do poder dos faraós. Somente no século VII, com a ocupação árabe é que a região voltará a ter algum destaque, com a construção da moderna Luxor.

Bibliografia:
Thebes (em inglês). Disponível em: <http://www.infoplease.com/ce6/history/A0848373.html>. Acesso em: 01 jul. 2012.

Thebes (Egypt) (em inglês). Disponível em: <http://www.britishmuseum.org/explore/highlights/article_index/t/thebes_egypt.aspx>. Acesso em: 01 jul. 2012.

Mapa: http://www.jimloy.com/egypt/map.htm

Fonte:

Luxor


Por Emerson Santiago

Luxor (em árabe, Al ‘Uqsur) é uma cidade localizada ao sul do Egito e capital da província de mesmo nome. Com uma população atual de cerca de 150 mil habitantes, o local é o mesmo onde na antiguidade se localizava a cidade de Tebas(Uaset, em seu nome original em língua egípcia), capital do Império Novo egípcio, existente entre 1550 a.C. e 1070 a.C. Na verdade, a cidade de Luxor está hoje distribuída em três diferentes áreas, que consistem na cidade de Luxor propriamente dita, no lado leste do rio Nilo, a cidade de Karnak ao norte e Tebas, que está ao lado oeste do Nilo em frente a Luxor.



Templo de Luxor (foto: Doug Alberg)

A cidade é regida por estatutos especiais que lhe permitem mais autonomia do que outras divisões administrativas do Egito. Na atual cidade, tanto o edifício governamental como vários outros edifícios públicos seguem um código de construção “antigo”, ou seja, imitam antigas construções da época de Tebas. Isso se deve a uma mania “egípcia” que tomou conta da região após a histórica descoberta do túmulo de Tutancâmon em 1922. Além disso, a cidade tem todas as comodidades destinadas aos turistas, incluindo uma variedade de hotéis, bares, discotecas e restaurantes.

Como muitas das construções do auge de Tebas ainda encontram-se em vários graus de preservação, Luxor é constantemente referida como o maior museu do mundo a céu aberto. Na margem leste, destaca-se o Templo de Luxor (ipet resyt, ou santuário meridional em egípcio) um antigo complexo situado na margem leste do Nilo, construído por Amenófiis III. Este por sua vez liga-se aoTemplo de Karnak através de uma longa estrada de pedra, que é referida pelo nome grego de dromos. O dromos foi construído por Nectanebo I, e originalmente era cercada em ambos os lados por várias esculturas representando esfinges. Ao norte, rumo a Karnak, estão as ruínas do Templo de Mut.

Na margem oeste do Nilo, acessível por barco, localiza-se o Vale dos Reis, necrópole dos faraós das XVIIIª e XIXª dinastias, cuja importância arqueológica é enorme, sendo até hoje objeto de escavações e pesquisas. Na estrada que se segue após o Vale dos Reis, são vários os templos e mausoléus de faraós de dinastias posteriores, com destaque para o Templo de Seti I, a necrópole de Dra-Abu-el-Naga, com os túmulos das XXVª e XXVIª dinastias, a Necrópole de Sheikh Abd el-Qurna com túmulos da XVIIIª dinastia e o grande complexo de Medinet Habu. Mais a sudoeste está o Vale das Rainhas, onde as rainhas das XVIIIª e XIXª dinastias foram enterradas.

Bibliografia:
Luxor/Karnak/Thebes (em inglês). Disponível em: <http://www.touregypt.net/luxor/>. Acesso em: 30 jun. 2012.

Foto: http://www.dougpile.com/favphotos/luxor.php

Segundo Reich


Por Emerson Santiago

Em 1933, com a ascensão do regime Nazista na Alemanha, a propaganda estatal começou a divulgar com bastante fervor a expressão “Terceiro Reich“, dando a entender que, sob o comando de Adolf Hitler a Alemanha iria reviver seus dois períodos de maior destaque, ou seja, os dois momentos na história em que o país foi o centro de um vasto e diverso império (ou reich, em alemão). O Primeiro Reich seria o Sacro Império Romano-Germânico, existente entre 962 e 1806, fundado pelo monarca germânico Oto I, que tomava emprestado características tanto do Império Romano como do Império Carolíngio, tendo porém, a região da atual Alemanha como núcleo do estado.



Já o Segundo Reich teria sido representado pelo Império Alemão (Deutsches Reich), existente entre 1871 e 1918, e que compreendia o território alemão unificado (um pouco maior do que o atual), além de vários domínios ultramarinos espalhados pela África, Ásia e Oceania.

A Alemanha deste chamado “Segundo Reich”, é obra quase que exclusiva do chanceler Otto von Bismarck, que projeta, sob regime monárquico, um moderno estado nacional, de governo central com soberania sob todo o seu território, num modelo que vinha sendo progressivamente adotado por outras nações europeias e americanas desde o século XII. Essa composição, porém, é adotada em um momento bastante tardio, deixando o país em relativa desvantagem no cenário político e econômico da época. O novo império, porém, logo se destaca, e em pouco tempo rivaliza no campo econômico com a maior potência, a Grã-Bretanha, e apesar de ter chegado tarde na disputa colonial por territórios, consegue assegurar um império ultramarino de dimensões respeitáveis.

Entre seus domínios, estavam:

Na África:
Togolândia (atual Togo e parte de Gana)
África Ocidental Alemã (grande parte da atual República dos Camarões)
Sudoeste Africano Alemão (atual Namíbia)
África Oriental Alemã (atuais Ruanda, Burundi e Tanzânia, sem a ilha de Zanzibar)

Na Ásia:
Kiautschou (enclave em território chinês cujo centro urbano era a cidade de Qingdao)

Na Oceania:
Nova Guiné Alemã (atuais Ilhas Salomão, Ilhas Marshall, Micronésia, Marianas do Norte, Nauru, Palau e norte de Papua-Nova Guiné)
Samoa Alemã (atual Estado Independente de Samoa)

Com esta configuração, o “Segundo Reich” estava entre as grandes potências mundiais, sendo que em vários campos poderia ser considerado facilmente o país de maior destaque. A expansão alemã parecia não ter limites, mas, aos poucos os dirigentes do país optam pelo militarismo e por um enfrentamento direto aos seus competidores, numa espiral que acaba por envolver a Alemanha na Primeira Guerra Mundial. Contando com estimativas equivocadas sobre seu poderio e o de seus aliados, a Alemanha acaba saindo da guerra derrotada, com uma grave crise econômica, social e institucional e que ainda experimenta a perda significativa de territórios e de todo o seu império colonial. É o fim do reich.

Bibliografia:
O Segundoo Reich. Disponível em: <http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/ottobismarck2.htm>. Acesso em: 03 jul. 2012.

Segundo Império da Alemanha – História do Segundo Império da Alemanha. Disponível em: <http://www.historiadomundo.com.br/germanica/segundo-imperio-da-alemanha.htm>. Acesso em: 03 jul. 2012.




Fonte: